<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777</id><updated>2012-02-10T12:20:39.741Z</updated><category term='Tavaredenses com história'/><category term='Tavarede moderna'/><category term='Associativismo'/><category term='Tavarede e a História'/><category term='Festas'/><category term='Tavarede - histórias'/><category term='Pessoal'/><title type='text'>Tavarede - Terra de meus Avos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>488</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-8645420914406054972</id><published>2012-02-10T12:14:00.002Z</published><updated>2012-02-10T12:20:39.748Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>Teatro da S.I.T - Notas e Críticas - 15</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1941&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;GÉNIO ALEGRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, domingo, realiza-se uma recita no elegante teatrinho da Naval, subindo à cena a encantadora peça em 3 actos dos consagrados escritores espanhois, Irmãos Quintero, “Génio Alegre”, representada pelo aplaudido grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Génio Alegre” é uma das mais belas peças da vasta obra de Joaquim e Serafim Quintero. Trata-se duma comédia sã, alegre, recheada de graça e de ternura, verdadeiro hino à alegria de viver. A sua representação pelo grupo tavaredense constitui um espectaculo de bom cunho artistico, saudavel e optimista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta admiravel peça quinteriana é representada no palco da Naval com todo o rigor de montagem com que o foi já no Teatro Peninsular, desta cidade, no Teatro Avenida, de Coimbra e no Teatro de Tomar, com exito notavel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O lindo cenário é um trabalho primoroso que honra o distinto Artista Rogério Reynaud.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nota – A Direcção previne os sócios de que o espectaculo começará rigorosamente à hora marcada, podendo ser impedida a entrada no salão depois de subido o pano. (&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Jornal Reclamo – 02.15&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UMA LINDA PEÇA PELO GRUPO TAVAREDENSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo na sua tão louvável actividade, a benemérita Sociedade de Instrução Tavaredense vai no dia 18 apresentar-nos a sua segunda peça deste época: depois da obra vigorosa, fortemente dramática que há pouco aplaudimos, o admirável drama de Marcelino Mesquita – Envelhecer, o grupo cénico tavaredense representará no teatro do Peninsular o Sonho de uma Noite de Agosto, uma peça encantadora, leve, risonha, polvilhada de graça e ternura. Trata-se de mais uma peça do célebre dramaturgo espanhol Martinez Sierra, o autor dessa adorável obra-prima de lirismo teatral que é a Canção do Berço, que também já nos doi dado admirar pelo grupo tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sonho de uma Noite de Agosto são três actos aliciantes, em que a alegria e o bom humor caminham a par em cenas hábilmente construídas, através dum diálogo vivo e espirituoso, constituindo um espectáculo são, alegre e de excelente lição moral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As admiráveis qualidades da peça são correspondidas por um desempenho brilhante por parte dos amadores tavaredenses e por uma montagem cénica primorosa, em que não é descuidado o mais insignificante pormenor no arranjo das cenas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os bilhetes estão já à venda na Tabacaria Africana, podendo contar-se com uma enchente no Peninsular, na noite de 18 do corrente. (&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Jornal Reclamo – 04.12&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GÉNIO ALEGRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A importante função social da Obra da Figueira nãr carece de ser exaltada, tão patente está aos olhos dos figueirenses; e igualmente são de todos conhecidas as enormes dificuldades com que luta a benemérita instituição para manter os seus asilos de crianças e velhos. Ao inevitável acréscimo de despesas não tem correspondido aumento de receitas, de tal modo que algumas vezes uma grave ameaça tem pesado sôbre os asilos: fechar as suas portas a novas admissões e, como se isso não fôra bastante doloroso, lançar à rua alguns dos velhos e crianças que ali encontram lenitivo aos azares da vida e até mesmo um certo bem-estar. Essa ameaça parece agora renovada, e por isso a Direcção da Obra da Figueira mais uma vez recorre à generosidade dos figueirenses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o mesmo perfeito desinterêsse e elevado espírito de solidariedade com que tem auxiliado as outras instituições de beneficência da nossa terra, a benemérita Sociedade de Instrução Tavaredense prontamente acorreu ao apêlo da Obra da Figueira: o seu grupo dramático representará na sexta-feira, 2 de Maio, no Teatro Peninsular, a encantadora peça “Génio Alegre”, obra-prima dos célebres Irmãos Quintero, que os amadores tavaredenses apresentam com uma brilhante montagem cénica, admiravelmente emoldurada em lindo cenário que é um dos melhores trabalhos do distinto artista Rogério Reynaud.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo é, por si só, recomendável, pois a anedota, que se desenrola em três actos de boa técnica quintereana, é adoravel de graça, de ternura, de saudavel optimismo – verdadeiro hino à alegria de viver. Não admira que o Peninsular tenha uma enchente – e o facto justifica-se tanto mais quanto é certo que ao valor artístico do espectaculo se junta o seu fim altamente simpático. (&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Jornal Reclamo – 04.26&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-8645420914406054972?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/8645420914406054972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/02/teatro-da-sit-notas-e-criticas-15.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8645420914406054972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8645420914406054972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/02/teatro-da-sit-notas-e-criticas-15.html' title='Teatro da S.I.T - Notas e Críticas - 15'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-3367518465427095664</id><published>2012-02-10T12:02:00.001Z</published><updated>2012-02-10T12:08:05.523Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;Só por incidente trouxemos para aqui a data da existencia de salinas em Tavarede, pois que, disso tratando o sr. dr. Rocha no seu livro: Materiaes para a historia da Figueira (1873) diz: terem ellas existido anteriormente á monarchia, ahi pellos annos de 1147, ou 1109 da era christã, formando esta sua opinião em documento do Livro Preto da Sé de Coimbra, que falla de uma doação em que figura - unam marinam in foce Mondeco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que restará saber, porque não está averiguado, é, se essa marinha na foz do Mondego, estaria na proximidade da povoação de Tavarede, se mais ao sul, e no lugar aonde hoje ainda se encontram duas, ao norte do Matadouro. O mesmo caso de duvida encontramos, na situação das marinhas que D. Maria Petite doou ao convento das donas Pregaratas de Gaya, situadas em - Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito longe teriamos de ir se tivessemos de seguir a este respeito o livro indicado, que dá elementos preciosos para a historia da Figueira e seus arredores, e com relação a salinas muito diz, sobre as da Morraceira (Insua da Oveirôa), Villa Verde e Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em uma planta que vimos ha annos, copia d’outra que existe no ministerio das obras publicas, está designada topographicamente - a Morraceira (?) justamente no logar occupado actualmente pela povoação do - Casal da Robala. A planta original é do anno de 1801. Erro do original? erro do copista? - Não sabemos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma nova publicação, que segundo nos consta vae ser dada á luz pelo sr. dr. Rocha, nos poderá talvez dizer alguma cousa sobre o assumpto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adiante um pouco do logar que nos suggeriu a existencia das argolas, e uns motivos para flanar um pouco pela historia havia e ha duas casas na mesma rua, proximas do largo do Forno, que se a memoria nos não falha tem hoje de novidade os numeros 35 e 37 de policia. Pertenceram ao fallecido sr. Joaquim Alves Fernandes Aguas, operario tanoeiro, que ao mesmo tempo empregava algumas vagas do seu labor no trato do amanho da sua quinta do Pezo não muito longe situada ao norte da povoação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vivia ali com a sua prole, bastante extensa, filhos e filhas que foram creados senão com uma educação almiscarada de salão, pelo menos educados regularmente, bem morigerados, decentes e eivados de espirito trabalhador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ahi pelos annos de 1865 a 1872, veio essa familia laboriosa para a Figueira, e bafejada felizmente pela fortuna, representa no commercio local um importante nucleo, especialmente representada pela firma Aguas &amp;amp; Cª.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fallecido Joaquim Aguas, era muito respeitado entre o povo da freguezia de Tavarede, exercendo no logar e por muitas vezes alguns cargos administrativos: - Regedor, presidente da junta da parochia, juiz eleito, etc.. Com o exercicio d’estes cargos havia-se contaminado da severidade do exercicio d’elles e era severo, sem embargo de ser um bom cidadão, bom chefe de familia e até - gracejador e amigo de divertir-se. Para elle um theatro, um presepe (costume nato de Tavarede) eram o cumulo dos seus divertimentos. Em uma das suas casas que apontamos, lá instalou um theatrinho seu, cerca do anno de 1864, em que elle, filhos e filhas entravam, representando, e o que é melhor é que - mulheres representavam d’homens e vice-versa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recorda-nos ainda de uma d’essas noutes agradaveis que lá se passaram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A costumada troupe de rapazes da Figueira estava no seu posto de espectador. Alguns rapazes d’ella occupavam-se em ajudar, tocando n’uma orchestra adrede arranjada para satisfazer ás exigencias do espectaculo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na casa velha, vestiam-se as figuras e preparava-se o mise-em-scéne; na casa nova, havia o palco e a plateia, e a communicação d’uma para outra casa era feita por uma porta que dava para o fundo do palco. Havia-se esgotado o reportorio do prezepe e ia entrar em scena a comedia : - O marido victima das modas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os rapazes da Figueira encarregaram-se da mudança do scenario, mas, para fazerem uma partida ao velho Aguas e rirem-se no fim, collocaram os bastidores em sentido inverso, isto é, de pernas para o ar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo prompto... Panno acima...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ninguem havia reparado no desarranjo do scenario, mas o velho Aguas, que, sentado na plateia, acompanhava passo a passo as phases do espectaculo, tendo reparado gritou: - Vá o panno abaixo!... panno abaixo!... E foi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dirigiu-se lá dentro á casa velha, zangado, fulo de raiva, e fez-nos uma apeporação tão apimentada que não era para rir; faltando pouco para que todos da Figueira fossem postos no meio da rua. Mantivemo-nos comtudo, um pouco mais sérios, rectificando no nosso espirito a ideia que formavamos do nosso velho Aguas, - de que elle estava sempre prompto a aturar-nos rapaziadas e a rir-se d’ellas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;D’ahi para diante teriamos de pensar que, dentro do seu theatrinho, nos deveriamos portar com o aprumo da seriedade, com toda a correcção de espectador gommé aliás... rua! (&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Gazeta da Figueira - 23.5.1896&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-3367518465427095664?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/3367518465427095664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/02/recordacoes-de-tavarede_10.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/3367518465427095664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/3367518465427095664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/02/recordacoes-de-tavarede_10.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-8680301478161172749</id><published>2012-02-03T11:16:00.002Z</published><updated>2012-02-03T11:23:08.196Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;Voltando d’esta digressão da egreja pela rua Direita, recordámo-nos d’umas argolas, firmadas em grossas lagens no pavimento da rua, ahi por pé da casa da Renda, de que o povo dizia terem servido para amarração de navios no tempo em que o Mondego alagava a grande planicie que desde a povoação se estende para o sul até á margem direita d’este rio, hoje, mais restricta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem pelo sim, nem pelo não; devemos registrar esta tradicção local.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitas considerações teriamos que estender em pró e contra, fundados em probabilidades, porque afinal, como já temos dito, a história das terras no nosso concelho é um pouco problematica, attendendo-se á falta de dados seguros, devendo-se a um trabalho insano e agreste, alguma cousa que se sabe por investigação. Que o diga o sr. dr. Antonio dos Santos Rocha, que, louvavelmente tem trabalhado no assumpto, consumindo dinheiro tempo e paciencia, para trazer na publicidade umas noticias prehistoricas e historicas do nosso concelho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma cousa corrente em geologia, que uma grande parte das planicies são formadas por terras de aluvião, desaggregadas dos montes visinhos, pelas correntes das aguas naturaes, das chuvas e nascentes. A bacia de Tavarede, a sua grande planicie deveria ter uma origem assim. O terreno em que a povoação assenta tem, approximadamente, quatro metros de nivel acima da baixamar das grandes marés no Mondego. Nada mais natural pois, que as aguas d’este rio se internassem entre montes até lá, e lá chegassem navios que entrassem a foz do Mondego. Como affirmar? Como negar? Teremos de ficar no campo das probabilidades á falta de dados positivos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma escriptura do reinado de D. Sebastião, de há tres seculos, que vimos ha annos, encadernada em pergaminho, fallava de marinhas no logar de Caceira. Dizer hoje isto em face das transformações porque tem passado a crôsta da terra, e perante os que só veem o presente, é aventar uma heresia aos estranhos á sciencia. Folheando o diccionario Corographico de J. A. d’Almeida, impresso em 1886, em Valença, que não é dos mais volumosos, mas no entretanto dos mais fieis, encontramos a pag. 232 do 3º volume o seguinte, tratando-se de Villa Nova de Gaya: -”O convento das freiras Dominicas, foi sob a invocação de Corpus Christi, fundado em 1345, á custa de D. Maria Mendes Petite, na propria casa da sua residencia, e doado ás Donas Pregaratas, da ordem de S. Domingos de Santarém&lt;br /&gt;.........................................................................................&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;D. Maria Petite dotou este convento com diversas propriedades em Villa Nova de Gaya; umas casas e herdade em Leiria; um terço d’outras herdades em Santarem; umas azenhas e marinhas de sal em Tavarede, etc., etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;D. Maria Mendes Petite, era viuva de Estevão Coelho, e mãe de Pero Coelho, que foi um dos assassinos de D. Ignez de Castro, e ao qual D. Pedro I mandou arrancar o coração pelas costas.” &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 2.5.1896)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-8680301478161172749?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/8680301478161172749/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/02/recordacoes-de-tavarede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8680301478161172749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8680301478161172749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/02/recordacoes-de-tavarede.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-7137102367786500888</id><published>2012-02-03T11:03:00.003Z</published><updated>2012-02-03T11:16:10.803Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>Teatro da S.I.T. - Notas e Críticas - 14</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#663300;"&gt;1939&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;(Durante este ano a actividade do grupo cénico da S.I.T. esteve, praticamente, parada devido à prisão, por motivos políticos, do seu director.) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1940&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;RÉCITA A FAVOR DO HOSPITAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta-feira, 27 do corrente, vem o grupo cenico da Sociedade de Instrução Tavaredense representar mais uma vez, no Teatro Peninsular, a admiravel peça em 3 actos “Entre Giestas”, de Carlos Selvagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, incontestavelmente, duma obra-prima do nosso teatro rústico, duma peça bem portuguesa – pelo assunto, pelas personagens, pela linguagem e pelo ambiente – que o grupo tavaredense interpreta brilhantemente e apresenta com um primor de montagem cénica digna de nota. Para cada um dos três actos pintou Rogério Reynaud, belos cenários, que o honram como distinto artista. Quando esta consagrada obra do teatro português foi levada a Coimbra, a sua representação constituiu um dos mais brilhantes exitos que o grupo tavaredense ali tem alcançado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É, pois, um espectáculo de inegável valor artistico, que justifica só por si a enchente que vai ter o Peninsular; mas impõe-se também, e principalmente, pelo seu fim tão simpático, visto que o produto da récita reverte a favor da benemérita Santa Casa da Misericórdia, cuja obra de assistencia é importantissima no nosso concelho e só poderá continuar com o auxilio de todos os figueirenses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ilustre dramaturgo Carlos Selvagem, que gentil e generosamente autorizou a representação da sua peça, virá assistir à récita do dia 27, será então ensejo de o público da Figueira lhe exprimir a sua admiração e o seu reconhecimento. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Jornal Reclamo – 03.12)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;OS AMADORES DE TAVAREDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, - logo após a sua récita nesta cidade em benefício do Hospital da Misericordia, com a representação da lindissima peça “Entre Giestas” na presença do seu autor o ilustre dramaturgo Carlos Selvagem, que se sentiu verdadeiramente sensibilizado com o distinto desempenho da sua produção, - partiu para Tonar a dar dois espectaculos de beneficencia com as peças “Entre Giestas” e “Génio Alegre”, esta dos consagrados Irmãos Quinteros, e a que o0 excelente grupo de amadores de Tavarede dá um notável relevo ao seu desempenho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O jornal “Cidade de Tomar” realça o trabalho dos nossos conterraneos com as seguintes palavras:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A casa dos pobres, sentiu-se rica com a dádiva do Grupo de Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Duas récitas duas casas cheias, duas manifestações de bom teatro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;José Ribeiro, o incansável animador de tanto prodígio, o realisador dêsse teatro do povo, trouxe a Tomar, duas notáveis peças que a interpretação dos seus comediantes conseguiu arrancar à gelida plateia tomarense o quente aplauso duma verdadeira apoteose.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os irmãos Broeiro e outros, rapazes e raparigas que vimos no “Sonho do Cavador” e na “A Cigarra e a Formiga”, no pequeno teatrinho de Tavarede, hábitat proprio dessa gente modesta, em que o valor parece contradizer a sua condição simples, impunha-lhes outros vôos, como nas presentes peças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os mesmos de sempre, há muitos anos se reunem, depois das canceiras do dia, no pequeno palco de Tavarede a repetir a sua vida de trabalhadores humildes, ou a viverem outra vida, como oferenda milagrosa que a ribalta lhes dá, como no Génio alegre dos Quinteros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas tão bem se integraram nesses papéis, que muito a custo acreditamos que sejam bem diferentes, fóra do palco, aqueles senhores de “Almidar de la Reina”...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Neste despretenciosa resenha dum acontecimento semanal, não podemos deixar de destacar “Clara” no “Entre Giestas”, encarnação viva do “Angelus” de Millt, ou de aplaudir “Consuelo” na descrição primorosa do repique como dois extremos histriónicos de invulgar relevo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todavia, se muito admirámos Violinda Medina, João Cascão, os Irmáos Broeiro e outros, mais admirámos ainda o milagre de Tavarede, pela fraternidade que une aquele grupo, que há tantos anos vêm dando uma lição de optimismo e de arte, fazendo do Belo o Bem, ao qual Tomar, os pobres de Tomar, já há muito são devedores. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Jornal Reclamo – 04.13)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;RECOMPENSA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez nos foi dado assistir ao desempenho da “Recompensa”, de Ramada Curto, no teatro do Casino Peninsular. Interpretou-a a SIT, de Tavarede, que, embora não conseguisse a mestria do grupo Rei Colaço - Robles Monteiro, revelou invulgares dotes aitísticos, grande e inteligente esfôrço, deixando-nos òtimamente impressionados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As personagens foram bem “encarnadas”: Maria da Graça, a mulher de coração inteligente, activa, justa e caridosa; Guilherme, um bom homem, de sentimentos nobres, coração terno; José, o tipo de financeiro manhoso, cínico, para quem todos os processos de enriquecer são bons, mesmo que sejam indignos; Mariana, uma criaturinha sem personalidade, imbecil; Manuel, modêlo vulgar; Tereza e Gustavo de Ornelas, um par fútil, pretencioso e ridículo; João, o empreiteiro arrogante, imoralão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Das peças de Ramada Curto, esta é, incontestàvelmente, a melhor, aquela em que chega a ser... superior a êle mesmo. Não sendo católico defende uma tese católica. Nem liberalismo nem socialismo – mas que a economia obedeça às normas superiores da justiça, respeitando o Direito de propriedade e aproveitando a iniciativa particular. Nem o patrão deve ser tirano nem o empregado escravo; vivam como em família amando-se e auxiliando-se em harmonia de colaboração e interêsse. O operário é uma pessoa humana, cuja dignidade tem de ser respeitada e jámais explorada como uma máquina. O trabalho é uma honra em que nos é permitido colaborar com o Criador e angariar o necessário à vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A tese da “Recompensa” constitui uma aspiração justa da humanidade, que tarde ou nunca virá a realizar-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O impedimento está em que não será tão cêdo (perdoem-me a falta de fé) que os homens terão a animarem-no princípios de vida como os que vivia Maria da Graça que, no meio das dificuldades inquietantes da vida, se voltava para o céu e imprecava os homens, recordando o que aprendera na catequese: “Tenho uma fé e uma crença, e essa fé manda-me que não faça aos outros aquilo que não quero que me façam a mim”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqui está o segrêdo da sua vitória, a pedra de toque em que devemos aquilatar o oito das suas intenções.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos que reclamam justiça, talvez com sinceridade e desinterêsse, não repararam que a primeira revolução a fazer é a remodelação dos corações – enquanto os homens se não abraçarem em Deus, fonte de justiça e amor, continuarão a ser “lobos” e tôdas as tentativas de reorganização social estão condenadas a abortar desastradamente. O fracasso das enovações socialistas encontra aqui a sua explicação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Haverá quem veja em “Recompensa” a defeza do comunismo – uns para o atacarem, outros para o apregoarem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora não conheça as intenções do autor nem de quem o interpreta, devemos dizer que a tese de “Recompensa” não tem nada de socialismo (no sentido em que o define a Sociologia) mas que é a expressão do pensamento cristão. Assenta na Fé, e o socialismo é ateu; respeita o direito de propriedade, e o socialismo reclama a sua abolição; respeita a virtude moral como o melhor bem, e o socialismo é materialista, pragmatista, etc.&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt; (O Dever – 05.31)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;ENVELHECER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução Tavaredense acaba de enriquecer o seu vastissimo repertorio teatral, com um novo original português.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trata-se da formosissima peça em quatro actos, “Envelhecer”, uma das mais belas obras do teatro português, original do glorioso dramaturgo Marcelino Mesquita, e que o seu grupo cénico levou à cena no seu teatrinho, em matinée, para inauguração da época 1940/41.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A “companhia” tavaredense honrou uma vez mais os seus pergaminhos, desempenhando com mão de mestre, esta dificilima peça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da interpretação de tão delicada obra, justo é destacar, sem desprimor para os restantes, a actuação de João Cascão e Violinda Medina, que, nas figuras principais, têm uma das suas mais brilhantes criações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se pode exigir mais; as figuras por eles encarnadas, não são representadas, são vividas ao natural, humanamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em todos os finais de acto, a assistencia, que era numerosa, tributou aos amadores tavaredenses, quentes e prolongados aplausos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Envelhecer” foi apresentada ao publico figueirense, na sexta-feira, 20, no teatro do Grande Casino Penincular, sendo, como em Tavarede, apreciada e aplaudida, pelo que felicitamos os nossos conterraneos. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Jornal Reclamo – 12.28)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;OS AMADORES DE TAVAREDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, que é conhecido aqui em casa e fora dela pelos “Amadores de Tavarede”, aumentou e enriqueceu o seu já apreciavel reperotio com uma nova peça – uma joia de subido preço e de elegancia literária do glorioso dramaturgo Marcelino de Mesquita: “Envelhecer”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vieram representa-la à Figueira, no Teatro do Casino Peninsular, na noite de sexta-feira. Gostámos da peça, que é obra de mestre consagrado, e gostámos do desempenho, que é obra de um paciente e inteligente elemento que tem o poder de fazer representar, sem descair no ridiculo, dificeis cenas que só artistas de garra podem desempenhar sem deslises...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi mais um triunfo para José Ribeiro e para a sua gente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo correu bem. Os arranjos de cena muito cuidados e de graciosa disposição. As endumentarias a rigor. O desempenho muito correcto, sobresaindo como interpretes dos principais papeis a distinta amadora D. Violinda Medina e o tambem habil amador João Cascão, que com este seu novo trabalho firmaram ainda mais o conceito conquistado nas plateias onde se teem apresentado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os restantes amadores também se portaram de maneira a resultar uma récita perfeita e que deixou a assistencia satisfeita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os nossos parabens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, como Fialho de Almeida disse ao auctor da peça, nós dizemo-lo aos “Amadores de Tavarede”:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bravo! Bravo! Bravo! &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Jornal Reclamo – 12.28)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-7137102367786500888?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/7137102367786500888/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/02/teatro-da-sit-notas-e-criticas-14.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/7137102367786500888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/7137102367786500888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/02/teatro-da-sit-notas-e-criticas-14.html' title='Teatro da S.I.T. - Notas e Críticas - 14'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-5338484528982244571</id><published>2012-01-27T11:10:00.002Z</published><updated>2012-01-27T11:19:22.099Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>Teatro da S.I.T. - Notas e Críticas - 13</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#006600;"&gt;1938&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;ENTRE GIESTAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A simpatia e o carinho de que justamente goza o Jardim Escola João de Deus da Figueira expressivamente se afirmaram na têrça-feira à noite: o teatro do Casino Peninsular, onde se realizava uma festa a favor desta admirável instituição, encheu-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À hora marcada, com a pontualidade habitual das récitas do grupo tavaredense, abriu-se a cortina de veludo e no palco apareceram as 80 crianças que frequentam o Jardim-Escola, que foram carinhosamente saudadas com uma salva de palmas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante uns 20 minutos, a assistência esteve encantada com os ingénuos recitativos, as cantigas, as danças com que aquelas crianças encheram a sala de gorgeios, de ruido, de movimento, de alegria que a todos se comunicou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando a cortina se fechou, escondendo à nossa vista as oito dezenas de crianças que, acompanhadas pelas suas distintas professoras, ali viamos tôdas felizes e tôdas lindas nos seus bibes do Jardim-Escola, uma impressão agradabilissima, de ternura e de encanto, dominada os espíritos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se a representação de Entre Giestas pelo grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense. A explêndida peça de Carlos Selvagem tem desempenho brilhante por parte dos amadores tavaredenses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos aplausos com que a assistência se manifestou, não houve sombra de favor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É muito raro ver uma peça de tamanha responsabilidades assim representada por amadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqui deixamos à simpática e benemérita Sociedade de Instrução Tavaredense – que ainda há pouco foi representar às Alhadas a favor do Jardim-Escola dali e agora veio em auxilio do Jardim-Escola da Figueira – o nosso aplauso caloroso. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Jornal da Figueira – 04.30)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A RÉCITA DA SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO TAVAREDENSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prevendo uma grande concorrência à récita da Sociedade de Instrução Tavaredense, na próxima quarta-feira, no teatro do Casino Peninsular, não nos enganamos: a peça que o grupo tavaredense traz à Figueira, em única representação, é uma obra-prima dos célebres comediógrafos espanhóis Irmãos Quinteros, que em Génio Alegre têm uma bela afirmação do seu génio e do seu talento artístico neste género de teatro que êles criaram e em que ninguém os excedeu. São 3 actos admiráveis, de diálogo expontâneo, vivo, com figuras de recorte característico, cheios de bom humor, de optimismo, de ternura, representados na moldura própria – um lindo cenário expressamente pintado pelo distinto artista Reynaud – e com uma montagem cénica cénica primorosa, em que todos os pormenores são considerados, desde o guarda-roupa ao arranjo da cena. Pode afoitamente garantir-se que a representação do Génio Alegre será um espectáculo encantador, que deixará contentes os espectadores e será na Figueira, como o foi em Tavarede, mais um brilhante êxito artistico dos simples amadores tavaredenses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acresce a tudo isto a simpatia de que justamente goza a Sociedade de Instrução Tavaredense, pela sua notável acção educativa e cultural e pelo muito que lhe devem as instituições de beneficência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sempre que se lhe dirigiram instituições de beneficência da nossa terra a pedir a colaboração, tôdas, absolutamente tôdas, receberam da parte da Sociedade de Instrução Tavaredense a mais decidida anuência e sempre com um desinterêsse completo, absoluto, que ninguém ultrapassou. Dentre outras récitas de beneficência no nosso concelho, lembramo-nos de ter visto representadas as peças: Amores de Mariana, Sonho do Cavador, Em busca da Lúcia-Lima, A Cigarra e a Formiga, Os Fidalgos da Casa Mourisca, Canção do Berço, A Morgadinha de Valflor, Entre Giestas, etc. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por isso o público da nossa terra – que aliás nunca foi assediado pela Sociedade de Instrução Tavaredense com a usual passagem da casa – acorre expontâneamente às suas récitas e aplaude, como êle merece, o simpático e distinto grupo de amadores.&lt;br /&gt;Isso mesmo se repetirá no dia 15. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Jornal da Figueira – 06.11)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;GÉNIO ALEGRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que previramos: um brilhante êxito, a representação da encantadora peça dos Quinteros – Génio Alegre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa interpretação excelente e em conjunto afinadíssimo, os distintos amadores tavaredenses afirmaram mais uma vez o seu valor vencendo galhardamente as dificuldades da obra, que são muitas. Génio Alegre foi admiravelmente representado, no ritmo que a peça exige. O público sentiu-se dominado, e do seu completo agrado claramente dizem as grandes salvas de palmas com que aplaudiu nos finais de acto, e sobretudo a calorosíssima, espontânea e prolongada ovação com que interrompeu o 2º acto, sublinhando a magistral descrição do repique feita por Consuelo. Poucas vezes temos ouvido tão entusiásticos aplausos cortando a representação duma peça. Mas o público só fêz justiça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A montagem da peça dos Quinteros teve por parte da Sociedade de Instrução Tavaredense um cuidado meticuloso. Foi realmente primorosa. Guarda-roupa excelente. E cenário lindíssimo, que confirma os méritos do distinto artista que é Rogério Reynaud.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Emfim: um êxito brilhante, invulgar, muito honroso para os tavaredenses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito bem! &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Jornal da Figueira – 06.18)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;GÉNIO ALEGRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recita de quarta-feira no Teatro do Casino Peninsularm pelo grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, foi mais um triunfo para o festejado grupo de amadores que, sob a direcção de José Ribeiro, tem tido ocasião de se ver justamente aplaudido por diversas plateias: umas em que o carinho patricio envolve os personagens e as peças e os cenarios, outras em que os espectadores se manifestam em aplausos de admiração, onde o coração não toma parte, porque os amadores lhes são desconhecidos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A peça dos Irmãos Quintero – “Genio Alegre” – teve uma interpretação muito afinada, todos os amadores compreenderam bem as situações, e do conjunto resultou a satisfação do publico que sem deixar correr a cortina premiou o trabalho da amadora D. Violinda Medina, após uma fala que ela disse com ternura, com beleza, com espirito e entusiasmo... que entusiasmou a plateia. Bem merecidas palmas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cenario, bom. Os arranjos de cena, bem. Tudo bem, pelo que damos os nossos emboras a José Ribeiro e ao seu grupo, que enriqueceram o seu repertorio já vasto com mais uma peça que se vê com agrado, e é uma novidade introduzida no genero de teatro a que os amadores de Tavarede se têm dedicado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Jornal Reclamo – 06.19)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-5338484528982244571?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/5338484528982244571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/teatro-da-sit-notas-e-criticas-13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/5338484528982244571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/5338484528982244571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/teatro-da-sit-notas-e-criticas-13.html' title='Teatro da S.I.T. - Notas e Críticas - 13'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-6253223135350451</id><published>2012-01-27T11:01:00.002Z</published><updated>2012-01-27T11:09:22.209Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Descendo do Terreiro da casa de Ourão para o extremo do povoado, atravessam-se umas ruellas que, pela exiguidade da sua largura e extensão, não podem merecer o nome de - ruas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De um e outro lado d’ellas vêem-se uns casebres acanhados, antiquissimos, baixos, quasi sem luz, não vestindo a camisa lavada do caio branco, alegre, que tanto distingue a apparencia da rua Direita. É um contraste. Parece que esta, como outras povoações, conserva ainda o timbre condemnavel de mostrar apparencias. É o que na linguagem pittoresca do povo se pode chamar: -um janota de casaca e... sem camisa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se isso coubesse dentro das considerações dos interesses particulares e d’aquelles que se teem de levar em conta relativamente ás forças dos cofres municipaes, a sciencia aconselharia a hygiene, a formosura, a saude dos povos, que, estas terras moldadas em um principio acanhado, se fossem pouco a pouco modificando: alargando-lhe as ruas, abrindo-lhe largos, arborisando-os convenientemente, alliando assim o util ao agradavel. N’este sentido muito poderiam fazer as camaras municipaes, bem fundadas em um decreto applicavel, que, se bem nos recorda, é de junho ou julho de 1864.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A parte a que nos temos referido da povoação, e se o cofre municipal estivesse em circumstancias de tal fazer, deveriam ellas ir, até á sua completa expropriação por utilidade publica. Valem - áquelle brio, as circumstancias naturaes de salubridade que disfructa, aliás, uma epidemia qualquer, teria ali pasto para cevar-se. Haja vista o que lá succedeu com a epidemia de bexigas, confluentes que se desenvolveu em 1871 a 72, em que a camara municipal teve de providenciar apertadamente sobre as indicações dos distinctos clinicos, dr. Antonio Lopes da Silva, já fallecido, e do sr. dr. Francisco Maria de Lima e Nunes, que felizmente ainda vive.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, reatando a nossa descripção e descendo do Terreiro em direcção á egreja, encontrámos perto d’esta a capella de Santo Aleixo, que se diz, ter pertencido ao cabido da Sé de Coimbra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É pequeno o seu ambito pois que, apenas poderá ter uns dez metros de fundo, por quatro a cinco de frente. Restam d’ella as quatro paredes que formam o rectangulo em superficie, e tem ainda a porta de entrada sobrepujada por uma pequenissima janela; e lá dentro uma vegetação robusta e espessa de silvas, crescendo e elevando-se, acima da altura das paredes circumdantes ao recinto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sobre a empena de frente vegetam luxuriantes as heras, engrinaldando aquelle antigo templo christão podendo-se dizer, como um poeta:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Como as heras que abraçam docemente,&lt;br /&gt;“As ruinas d’um portico pagão.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;N’esta capella eram feitos antes de 1875 os enterramentos dos fallecidos na freguezia, até que, depois de construido o novo cemiterio, na estrada que segue para Brenha, e para o lado nascente da egreja, lá se principiaram a fazer os enterramentos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passando e vendo que ella apenas se achava vedada por quatro taboas, e uma mais, que o tempo deixou cahir, entrámos a custo para vêr internamente o que restava d’este edificio religioso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apenas uma pia de agua benta, no seu lugar primitivo, embebida na parede, á direita da entrada. Para o fundo da capella nada se poderia vêr conquistado pelas silvas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Transportámo-nos então ao largo fronteiro á egreja, aonde antigamente havia uma ponte, hoje substituida por um aqueducto, em virtude do alteamento que ali se fez de terreno com a passagem da estrada da Chan que vae ligar-se mais longe á de Mira.~&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Presenceámos n’aquelle local o derruimento de muros, occasionado pela cheia do ribeiro, em novembro do anno passado, na occasião d’uma chuva torrencial que então cahiu pelo espaço de mais de quatro horas.~&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os muros foram levantados, e como guarda ao aqueducto pelo lado do poente, mandou a junta da parochia collocar uma grade de ferro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegados a este ponto é occasião de fallarmos da existencia d’uma pequena capella, que demorava a uns cinco minutos da egreja, no antigo caminho da Chan de que já fallámos. Não teria mais de quatro metros de comprido por dois de largo, estando quasi de todo em ruinas, na epocha em que a vimos, 1864.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Restavam d’ella sobre o lado norte da estrada, alguns metros acima, a parede de traz, com a respectiva empena, a que estava ligada uma pedra que havia servido de altar, e as paredes lateraes e da frente, dessiminadas em escombros. Era conhecida pela denominação - do Senhor da Chan. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 18.4.1896)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-6253223135350451?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/6253223135350451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/recordacoes-de-tavarede_27.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/6253223135350451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/6253223135350451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/recordacoes-de-tavarede_27.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-1090850745185827267</id><published>2012-01-19T15:07:00.002Z</published><updated>2012-01-19T15:11:45.883Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Afinal estas minhas narrações teem ido a mais longe do que pensavamos, distrahidos pelas recordações, de tempos que não voltam mais, e de factos que difficilmente se repetirão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto ligamo-nos quanto possivel á descripção das impressões que iamos sentindo; vertiginosamente, á medida que avançamos no percurso da povoação que nos prestou assumpto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fronteira á casa da tia Maria Bretôa, encontra-se ainda, com a apparencia primitiva, a casa do fallecido Manuel Jorge da Silva, algumas vezes ponto de reunião dos rapazes e raparigas do logar, que, ao descahir da tarde, depois dos jogos de pella do domingo, para ali iam dar-se ao goso da dansa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Manuel Jorge da Silva era um velho extremamente serio, muito metido consigo, mais ou menos intelligente, a quem chamavam Manuel Sapateiro, porque em tempo havia exercido o officio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com a convivencia de uma ou outra pessoa illustrada, chegou a ter uns conhecimentos praticos que o distinguiram de muitos que ali habitavam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 1858 foi chamado para escripturario da secretaria das obras da barra d’esta cidade, logar que desempenhou durante trinta e tantos annos com pontualidade e honradez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para entreter-se com os rapazes do sitio tinha a paciencia de á noite ir-lhe servir de ponto nos ensaios theatrais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aos domingos, ia pelas cercanias de Tavarede gastar o tempo, em visita ao seu serrado e à sua terra da Matheôa, sendo n’esta occasião que a familia concedia licença para se poder dansar na loja da habitação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em elle chegando, a um aviso combinado, tudo parava. Muitas vezes fazia que não tinha ouvido ou visto. Entrava para casa, gravemente; cortejava quem estava e subia para o andar superior a descançar das fadigas do seu costumado passeio dominical.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Morreu ha cerca de quatro annos, n’uma edade avançada, bemquisto de todas as pessoas que o conheciam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pelo lado do poente da casa que acabamos de mencionar, corre direita ao norte uma travessa, denominada do rio Velho, que vem acabar na rua Direita. Dizia-se e diz-se na localidade que por ella passava um rio, naturalmente um ribeiro ou regato que ia lançar as suas aguas sobre a planicie que se estende ao sul de Tavarede juntando-se a outros, que formam o ribeiro que vem desaguar ainda hoje ao pé do Matadouro, ao nascente d’esta cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A travessa do Rio Velho, que dá communicação á rua de Traz e tambem para o alto do Terreiro, ao norte da povoação, attesta, com o mau estado do seu pavimento, o pouco cuidado ou desleixo que tem havido nas corporações municipaes, deixando-a assim, quasi intransitavel, apresentando contudo, a espaços, e raros como oasis no deserto, uns monticulos de pedra, a denunciarem calçada, que poderia ter existido ha um seculo ou mais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E não exageramos... É vêr e crêr.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobranceira á povoação e ao largo aonde a travessa vae dar, está a casa de Ourão, reformada na sua antiguidade e aonde o fallecido capitalista o sr. João José da Costa, então habitante do palacete dos Condados, fez construir um razoavel theatro, grande relativamente á importancia da povoação e alindado por dentro na linha dos mais modernos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegou ainda a abrir-se para a exhibição de alguns espectaculos desempenhados por gente da terra, aonde encontrava, a par do recreio, umas luzes de conhecimentos, apanagio inseparavel de divertimentos d’esta ordem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguns desgostos, originados no progredimento de tão louvavel instituição, fizeram fraquejar-lhe a sua energia e boa vontade e o theatro fechou d’uma vez, estando hoje n’elle de habitação o nosso amigo João dos Santos, procurador da casa do fallecido proprietario.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E falando ainda no extincto sr. Costa, devemos dizer que muito em melhoramentos lhe ficou devendo a povoação e freguezia de Tavarede, pois que, a sua posição de politico activo e intelligente lhe facilitava os meios de conseguir o que desejasse.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tentou tambem conseguir o encanamento do ribeiro que corre junto á egreja, dando ao seu leito uma direcção mais recta e conveniente, não o conseguiu porém, porque a morte se lhe interpôz no caminho da tentativa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora, parece, que a Junta de Parochia pretende levar a effeito tal modificação, tendo mandado já para esse effeito levantar a respectiva planta. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 15.04.1896)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-1090850745185827267?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/1090850745185827267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/recordacoes-de-tavarede_19.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/1090850745185827267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/1090850745185827267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/recordacoes-de-tavarede_19.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-5709690048550627660</id><published>2012-01-19T14:55:00.002Z</published><updated>2012-01-19T15:05:42.741Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>Teatro da S.I.T. - Notas e Crírticas - 12</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1937&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A RÉCITA NA FIGUEIRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador levou ao teatro do Casino Peninsular, no domingo, uma enchente, o que era de prever, pois alguns dias antes estavam já esgotados os bilhetes de 2ª plateoa e cadeiras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao êxito da bilheteira correspondeu, em tôda a linha, o êxito artístico, proclamado na expontânea afirmação do público, que retirou do teatro agradavelmente impressionado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Precisamente à hora marcada, com a pontualidade que é característica das récitas do grupo tavaredense, o espectáculo começou; e logo no 1º quadro, ao terminar a linda valsa do Sonho, a assistência manifestou-se com uma grande salva de palmas; manifestação que amiúde se ouvia sublinhando muitos números de música ou cenas declamadas, como O Sulfato e Enxôfre, diálogos dos Dois homens honrados e das Comadres, a cena, no 1º acto, de Manuel da Fonte com os dois camponeses que João Cascão fêz magistralmente, Concurso Hípico, Batota, Bolinha de Marfim, côro dos Moinhos, canção da Fonte, dueto do 3º acto, o côro de cavadores e ceifeiras, etc.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tôda a interpretação é brilhante e mostra a homogeneidade do grupo, não havendo citações especiais a fazer. Devemos, todavia, acrescentar que para a esplêndida impressão de conjunto contribuíu poderosamente a linda partitura, que evidencia a competência e o bom gôsto do distinto amador António Simões, o primoroso guarda-roupa e os belos cenários, nos quais há trabalhos valiosos de Rogério Reynaud.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos finais de acto a assistência aplaudiu mais demoradamente, atingindo as ovações grande entusiasmo, com repetidas chamadas, no fim da peça. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 01.13)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É indiscutível que a peça O Sonho do Cavador constitui o mior êxito de representações do grupo tavaredense. O público consagrou-a de maneira eloquente, exprimindo o seu agrado com invulgar entusiasmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando, há pouco, O Sonho do Cavador foi representado nessa cidade, o teatro encheu-se, e foram muitíssimas as pessoas que ficaram privadas de assistir ao espectáculo por não terem conseguido bilhete.Por êste motivo, e satisfazendo vários pedidos, a direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense resolveu repetir a festajadíssima peça, no Teatro do Casino Peninsular, no domingo, dia 21 do corrente, para o que abriu a inscrição na Tabacaria Africana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador é uma peça integrada no programa educativo da Sociedade de Instrução Tavaredense, constituindo um espectáculo saudável, moral, tão agradável ao espírito como à vista. Valorizada com uma bela partituira quehonra o nome e afirma os grandes méritos do distinto amador musical António Simões, a peça tem brilhante montagem cénica, com belos cenários de dois artistas de valor – Rogério Reynaud e Alberto de Lacerda – e guarda-roupa admirável, mesmo luxuoso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Emfim, um espectáculo recomendável sob todos os pontos de vista, e a preços populares.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode desde já garantir-se nova enchente, tanto mais que é esta, definitivamente, a última representação do Sonho do Cavador. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 02.10)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O GRANDE INDUSTRIAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os aplausos vibrantes, calorosos, que no domingo ouviram, em Tavarede, os simpáticos amadores tavaredenses, exprimiram bem a impressão de agrado deixada peça representação do Grande Industrial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São incontestáveis as dificuldades desta peça, tanto na interpretação como na montagem; pois, sem favor, pode dizer-se que o grupo tavaredense as venceu galhardamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A obra célebre de George Ohnet está posta em cena pela Sociedade de Instrução Tavaredense com um esmêro digno de nota, como é timbre do grupo tavaredense. O público da Figueira vai ter ensejo de admirá-la na próxima segunda-feira, 29, no Teatro do Casino Peninsular. O desempenho é brilhante, e dignos de nota são também o luxuoso guarda-roupa, executado expressamente para esta peça, e os cenários. Rogério Reynaud afirma os seus méritos de artista cenógrafo em duas cenas: a do 2º acto e a do belo parque do Castelo de Pont-Avesnes (3º acto).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Emfim, O Grande Industrial é mais um triunfo do grupo tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A inscrição aberta na Tabacaria Africanam está já muito concorrida, o que não admira, sabendo-se que a encantadora peça não voltará a ser representada na Figueira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo começa à hora marcada: 9 horas e meia. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 03.24)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O GRUPO CÉNICO EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso correspondente em Coimbra, refere-se hoje à representação, naquela cidade, da peça O Grande Industrial pelo grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense, que naquela cidade, tanto no teatro como na sede dos Artistas de Coimbra, foi lvo de carinhosas homenagens e aplausos entusiásticos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A imprensa, tanto a de Coimbra como os diários de Çisboa e Porto através dos seus correspondentes, fazem honrosos elogios ao grupo tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A seguir transcrevemos da crítica do Diário de Coimbra:&lt;br /&gt;“Pela sua popularidade, o romance de Georges Ohnet, já filmado e adaptado ao teatro, não presica de crítica. Basta que seja do agrado do público – de iletrados e até de alguns civilizados, - para o impor como obra não de génio, mas de relativo valor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já nos tinham falado, com admiração, dos amadores que aqui representaram o “Grande Industrial” no Teatro Avenida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A informação partira de pessoas inteligentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, é prreciso raro talento da parte de quem escolheu entre humildes trabalhadores, as personagens de haviam de interpretr, não só as figuras exteriores, de casaca e vestidos elegantes, como o interior, a alma tão diferente, tão afastada, da dos intérpretes, pela sua condição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porque as almas se distanciam umas das outras?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O lodo e a luz de que Deus as criou tiveram a mesma origem. Só diferem nas maneiras, no que poderemos chamar o ritual da civilização, nas regras da sociedade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora êsse ritual, tão diferente entre o camponês e o aristocrata, é que me pareceu de mais difícil desempenho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas seria injusto deixar de confessar que entre os elementos do grupo de Tavarede existen surpreendentes vocações, alguns amadores tão bons como certos profissionais de cena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;............&lt;br /&gt;Mas o grupo houve-se com equilíbrio, sobriedade e disciplin, moldado ao sabor do espírito dos seus orientadores. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça 04.07)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O GRUPO CÉNICO EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso prezado colega O Despertar publica um artigo sob o título “Impressões de teatro”, assinado pelo seu director, do qual transcrevemos:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Casa completamente cheia, - e um ambiente de interêsse a retratar-se nos rostos que, nestas coisas de teatro, sabem separar o trigo do joio: interêsse muito justificado, por que do “Le Maitre de Lorges”, do consagrado e popularíssimo romancista Georges Ohnet, só se poderia extraír uma peça de grandes responsabilidades cénicas, passado num ambiente de aristocracia, e o grupo de amadores dramáticos da Sociedade de Instrução Tavaredense é constituído, na sua maior parte, por gente do campo, por gente do trabalho – dos campos e das oficinas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como é que gente tão modesta e tão humilde poderia dar-nos uma Marquesa de Beaulieu, uma Baroneza de Préfont, um Duque de Bligny e um Barão de Préfont, sem essa “gaucherie” que é sempre ridícula?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois deu – e deu-nos muito bem a interessante peça, cujos quatro actos foram belamente aproveitados por Ilda Stichini, e cuja interpretação, por parte de alguns dos amadores – num conjunto muito harmónico -, foi além da nossa espectativa: se bem que. Pelo que temos visto fazer a tão distinto grupo cénico noutras peças de grande responsabilidade, fôssemos dos espectadores que mais convencidos estavam, dum bom êxito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se operarão milagres assim?, qual o segrêdo dessa alquimia que transforma, no palco, à luz da ribalta, um iletrado, um humilde operário ou um trabalhador da gleba, num artista da cena que muitos artistas, consagrados profissionais, não deixarão de ter inveja?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;...............&lt;br /&gt;Se é certo que tudo aquilo que nós temos visto fazer ao grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, na interpretação de “O Grande Industrial”, do “Sonho do Cavador”, etc., é o resultado das competências seleccionadas, para a obtenção dum tão brilhante conjunto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;................&lt;br /&gt;Ficou, bem eloquente, do muitíssimo que pode conseguir-se, dispondo de boas vontades e de competências – é o que se aprende com êste muito distinto grupo de amadores dramáticos; e as boas-vontades criam-se subordinando os espíritos e disciplinando-os, e as competências, procurando-as, também, na massa anónima, como entre gangas lamacentas se procuram diamantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Onde foram buscar António Pedro e muitos outros dos nossos maiores artistas de cena? &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.10)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-5709690048550627660?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/5709690048550627660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/teatro-da-sit-notas-e-crirticas-12.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/5709690048550627660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/5709690048550627660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/teatro-da-sit-notas-e-crirticas-12.html' title='Teatro da S.I.T. - Notas e Crírticas - 12'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-9198850447683747621</id><published>2012-01-13T12:24:00.003Z</published><updated>2012-01-13T12:31:24.178Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Mettido no esconderijo e sem mais preambulos, panno acima, elle ia subindo, subindo, e o caixão dando balanços desencontrados, fazia com que o Ignacio pensasse mais do que uma vez que a comedia descambaria em tragedia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gargalhadas e mais gargalhadas da plateia, ditos, assobios - um inferno; - e lá dentro clamava voz em grito: - panno abaixo! panno abaixo! panno abaixo!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caiu o panno.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabidas as contas, todo este desastre scenico não foi mais do que uma partida que antes havia sido combinada entre a troupe da Figueira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Jozé do Ignacio era por tal nome conhecido, assim como um seu irmão se appelidava Manuel do Ignacio. Costumes da povoação que, apesar do decorrer d’annos, se consideravam no mesmo pé.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro nome d’elle era Jozé Luiz Ignacio, e a sua mulher, pelo mesmo costume, lhe chamavam a Luiza da Genoveva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Jozé Luiz, gosava dos foros de homem bom, honradissimo, e exerceu por muitos annos o logar de mestre dos tanoeiros da casa dos srs. Jardins, n’esta cidade, aonde ha annos falleceu quasi repentinamente, victima d’uma congestão pulmonar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ficou a Luiza, a mulher, rodeada d’umas filhas ainda creancinhas, que se tem creado e vivido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nunca ella, agora que recordamos o passado, nos esquece.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sua casa, que tinha uma modesta tenda no rez-do-chão, era a estação terminus obrigada dos rapazes da Figueira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ahi é que se fazia alto!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recebia-nos com toda a lhaneza e attenções, não lhe ficando atraz o marido, um extremo cortez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As horas passavam-se rapidas em tão agradavel companhia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Luiza havia-se casado em segundas nupcias com Jozé Luiz. Tinha os rasgos de animo, atraiçoados sempre por um sorriso de bondade, que nos fazia supor por momentos uma mulher-homem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois apesar de duas vezes casada, e por isso um pouco gasta physicamente, apresentava-se ainda com uma frescura de espirito bastante para invejar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi assim, e por estas alturas, que a vimos ainda representar no drama que já falámos - Os miseraveis de Londres - em que desempenhava o papel de uma mãe desgraçada, lamentando a sorte d’um filhinho, que jazia n’um berço a dormir o somno da innocencia, emquanto a infelicidade lhe pairava em volta, abrindo-lhe a vereda do fatalismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deixemos por aqui esta lembrança que nos veio ao bicco da penna, quando defrontámos com a casa onde viveram os dois - Luiza e Jozé Ignacio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seguimos rua Direita abaixo em direcção á egreja. Cerca de meio caminho andado, estavamos frente a frente com a casa da tia Maria Bretôa. Desconheciamos quasi aquella habitação, hoje modificada com o acrescentamento d’um andar. A tia Maria havia morrido ha annos. A sua loja, que conhecemos, tinha á porta um molho de carqueija e uma cavaca, symbolo imprescindivel da industria de que vivia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro, um balcão de taboas toscas, mal ligadas, deixando entre si largas fendas, e umas divisões de boanna, muito caiadas, a desafiar a alegria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A tia Maria era n’esse tempo o repositorio dos segredos cupidescos dos rapazes e raparigas do sitio e... dos arredores. Com ella iam desabafar os amantes infelizes, contando-lhe os seus azares, e ella, coitada, Deus lhe fale n’alma, a todos ouvia e acarinhava, dando-lhe palavras de esperança, d’um futuro lisongeiro, isto enquanto machinalmente fazia girar o fuso d’uma roca, sua habitual companheira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos ali iam. Aquillo era um balçamo consolador dos pobres arrebentados do coração. Hoje... passou á historia. Coitadita! &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 8-4-1896)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-9198850447683747621?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/9198850447683747621/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/recordacoes-de-tavarede_13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/9198850447683747621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/9198850447683747621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/recordacoes-de-tavarede_13.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-8908809116802807713</id><published>2012-01-13T12:04:00.002Z</published><updated>2012-01-13T12:23:21.834Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>Teatro da S.I.T. - Notas e Crírticas - 11</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#003300;"&gt;1936&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO TAVAREDENSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brilhante pode sem favor classificar-se a festa com que a Sociedade de Instrução Tavaredense comemorou o seu 32º aniversário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fundada em 1904, desde então a prestante colectividade tavaredense tem realizado uma obra verdadeiramente notável no campo da instrução e da educação popular. Há 32 anos que mantém as suas aulas de instrução primária nocturnas e gratuitas, as quais são êste ano frequentadas por cêrca de 80 alunos; e, em paralelo com a escola nocturna, o teatro da sua sede funciona modelarmente, não como instrumento de fazer receitas, mas como elemento recreativo do espírito, sim, e, principalmente, como orgão de cultura e educação moral, cuja influência se exerce tanto sôbre os que representam como sôbre os que ali vão assistir às representações. Nesse capítulo constitui a Sociedade de Instrução Tavaredense expressivo exemplo que desejariamos ver seguido pelas agremiações congéneres do nosso concelho. E, como se esta obra, patriótica no mais alto sentido da palavra, não bastasse a impô-la ao conceito público, a SIT alargou a sua acção ao campo da beneficência. São conhecidos e valiosos os seus serviços. Nem uma só instituição assistência, qualquer que fôsse a sua modalidade, recorreu à SIT que dela não obtivesse o mais desinteressado concurso. Nem uma só – repetimo-lo, foi até hoje desatendida. Na Figueira deu o grupo tavaredense récitas, por mis de uma vez, a favor da Santa Casa da Misericórdia e do Jardim-Escola João de Deus desta cidade. Para não alongarmos a lista, indo mais longe, citamos apenas as récitas realizadas para a Figueira durante o ano findo; no Pôrto, para o Asilo de S. João; em Coimbra, para o Asilo da Infância Desvalida; nas Alhadas, para o Jardim-Escola; em Coimbra, para a Associação dos Diabéticos Pobres; voltou novamente a Coimbra colaborar num sarau a favor da escola da Associação dos Artistas; e ainda há poucos dias ali foi outra vez dar um espectáculo em benefício do “Enxoval do Recemnascido”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois a festa de agora foi uma bela e eloquente consagração desta obra valiosa, humanitária, tão singelamente realizada pelos modestos tavaredenses. Comemorando os seus 32 anos, a Sociedade de Instrução Tavaredense viu à sua volta, a homenageá-la, individualidades de grande relêvo social, pelo que valem por si próprias e pelas instituições que representam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No sábado, o teatro da sede encheu-se; os sócios acorreram com suas famílias à récita de gala, que foi uma bela nota de arte. A representação da encantadora peça “Canção do Berço”, oferecida à SIT pelo seu tradutror, o ilustre poeta dr. Carlos Amaro e que três dias antes fôra vista no cinema, na Figueira, sob o nome de “Filha de Maria”, serviu para nos mostrar um esplêndido grupo, de dez amadoras, como só dificilmente se reunirá, algumas das quais estreantes e que fizeram figura brilhante. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 02.12)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A ÚLTIMA RÉCITA EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os jornais de Coimbra se referiram, com os maiores elogios, à récita do dia 3, em Coimbra, pelo grupo tavaredense, que ali representou pela segunda vez A Cigarra e a Formiga.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A lotação do Teatro Avenida foi de novo esgotada e a linda peça aplaudida com entusiasmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Gazeta de Coimbra publicou um artigo de R.F. em que, aparte as palavras de amável elogio pessoal, se presta justiça aos sentimentos e intenções que animam a Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na segunda-feira também o Diário de Coimbra publicou um artigo de crítica à récita do dia 3, no qual são focados os fins de cultura e educação artística e moral que a Sociedade de Instrução Tavaredense procura atingir através do teatro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Transcrevêmo-lo a seguir:&lt;br /&gt;“Teve alguma coisa de transcendente em significado social e valor artístico a récita que a Sociedade de Instrução Tavaredense realizou no passado dia 3, no Teatro Avenida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi seu fim o de angariar donativos para uma prestigiosa instituição de caridade que Coimbra inteira d’ora-vante fica conhecendo: a Obra do Enxoval do Recemnascido da Maternidade Dr. Daniel de Matos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desconhece ainda muita gente que um grande número daquelas que se acolhem a esta casa hospitalar são pobres raparigas a quem o destino e a maldade humana lançaram na mais desesperadora desgraça. Desamparadas da própria família, calcule-se a senda triste daquelas pobres mãis saídas com um filho nos braços, na mais completa nudez, despojado, segundo os regulamentos, do mais elementar agasalho, quando o garante o período do internamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Felizmente que um grupo de senhoras da Juventude Católica vem fornecendo há já algum tempo um grande número de enxovais aos pequenos entes, e realizando junto das mãis uma obra de amparo moral tendente a evitar que, desamparadas e inaptas para a vida, o desespêro as leve à prática de um acto criminoso. Assim, muitas delas têm sido conduzidas a casas de regeneração ou colocadas em condições de fe num futuro menos triste, e onde poderão tornar-se, pelo menos, mãis exemplares.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Destas breves palavras se deduz o grande valor da Obra, a cujo apêlo acedeu prontamente a SIT, num gesto nobre de filantropia e amor pelo próximo, e a quem Coimbra já muito deve, pois grande número das suas instituições de caridde tem sido auxiliado por aquêle admirável núcleo artístico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O teatro como Arte, tem uma alta função social a desempenhar. Alguém disse ser o teatro a escola da Vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto, quanto êle se tem afstado da sua finalidade, num últimos tempos!...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas não são unicamente as exigências do público que imperiosamente a determinam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim, o próprio teatro de amadores que por aí temos visto, está longe de ser uma escola de educação, e não satisfaz ao fim que dêle haveria a esperar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por isso nos surpreende cada uma das representações da Sociedade de Instrução Tavaredense, cujo teatro é uma escola modêlo de formação moral e espiritual.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em “A Cigarra e a Formiga”, como em qualquer outra das suas peças a cuja representação Coimbra tem assistido, não há uma frase de duplo sentido, um abuso de expressão, uma palavra que possa ferir a susceptibilidade do mais sensível espírito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A acção decorre cheia de interêsse, e dentro das puras regras da técnica teatral, cheia de aleghria e bom humor, de conceitos judiciosos e sãos, interessando sempre e cada vez mais! Apetece, como dizia a nosso lado uma gentil espectadora, “ficar ali a ouvi-la a noite inteira”...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;.............&lt;br /&gt;António Simões, hábil amador, querido de todos, adaptou e compôs linda música que êle próprio rege com competência e uma sobriedade que deveria servir de modêlo a certos enfatuados “maestros".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Êle é dos grandes auxiliares da S. I. Tavaredense e como grande número de outras figuras musicais, presta aos seus actos de benemerência o mais valioso e desinteressado concurso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alberto de Lacerda compôs para “A Cigarra e a Formiga” lindos versos, cheios de lirismo, que intercados na peça concorrem para um conjunto dmirável, de forma a dar uma impressão de beleza e arte que jamais se apagará da memória dos que tiveram o prazer de a escutar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cada passo se reflecte a humana afectividade dos autores, nua de preconceitos e hipocrisia:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Em tudo pôs a Mão do Criador&lt;br /&gt;Um filtro singular!”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim se confessa encantado com a obra divina a “Alegria de Viver”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante ouve-se ainda:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Nasce um abôrto vil, hediondo, aniquilosado,&lt;br /&gt;E a dolorosa Mãi o beija e acaricia”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É sempre assim, em nítida compreensão de sensibilidade humana, até terminar em estranha apoteose, com êste singular hino ao Amor:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Aquela coisa que faz&lt;br /&gt;com que um miúdo, um rapaz&lt;br /&gt;que mal pode com uma flor,&lt;br /&gt;vendo a mãi desamparada&lt;br /&gt;troque o pião pela enxada...&lt;br /&gt;- então, não é isto o Amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moços deixando os casais,&lt;br /&gt;as conversadas e os pais&lt;br /&gt;velhinhos, quási em estertor,&lt;br /&gt;Para remirem sua terra&lt;br /&gt;Com seu sangue a sua terra...&lt;br /&gt;- então, não é isto o Amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as mulheres cujo ofício&lt;br /&gt;é o eterno sacrifício&lt;br /&gt;de limpar sangue e suor,&lt;br /&gt;viver nas enfermarias&lt;br /&gt;e assistir às agonias...&lt;br /&gt;- então, não é isto o Amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras então, cuja esmola&lt;br /&gt;é dada às almas na escola,&lt;br /&gt;aos cachopitos em flor,&lt;br /&gt;em geral estéreis seios&lt;br /&gt;e a formar... filhos alheios...&lt;br /&gt;- então, não é isto o Amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu próprio, à fce de Deus&lt;br /&gt;escolhendo a mãi dos meus&lt;br /&gt;e abraçando-a com fervor;&lt;br /&gt;eu próprio, neste momento,&lt;br /&gt;sabeis o que represento?&lt;br /&gt;- Curvai-vos, que é isto a amor!”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim “A Cigarra e a Formiga”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tem qualquer coisa de profundamente verdadeiro, aquela “fantasia”, e tudo nela é belo, humano e cristão!...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No desempenho não queremos destacar qualquer dos componentes, de tal forma excedem todos o que de amadores teria de esperar o espectador mais exigente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O conjunto é homogéneo, equilibrado, superior a muitos que se dizem de profissionais e que aí aparecem tentando impingir-nos “gato por lebre”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As ovações prolongadas e expontâneas que lhes dispensou a numerosa e selecta assistência são a prova eloquente do que deixamos dito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A S. de I. Tavaredense comemorou ontem solenemente o seu 32º aniversário. São 32 anos de esfôrço em prol da educação popular.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O “Diário de Coimbra” envia-lhe as suas mais expressivas saudações, na certeza de que assim exprime o sentir do povo da terra que já muito deve aos seus actos de benemerência”. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 02.15)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A MORGADINHA DE VALFLOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução Tavaredense está de parabéns pelo êxito brilhantíssimo, um êxito indiscutível, proclamado duma maneira definitiva, que o seu grupo cénico alcançou com “A Morgadinha de Valflor”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Peça romântica, excepcionalmente difícil nos seus 5 actos e mais difícil ainda se atendermos ao seu estilo, e ao espírito do público de hoje, foi representada com notável correcção. Sem nenhum exagêro podemos dizer que, nalguns lances, o desempenho foi magistral, nomeadamente no 2º e 4º actos, em que Violinda e João Cascão encantam pela verdade e sinceridade com que encarnam as personagens e dominam pelo seu poder de exteriorização. Muito bem! E todo o conjunto é, aparte insignificantes hesitações que mais uma representação suprime inteiramente, primoroso. Guilhermina e Maria Tereza, Jaime A Broeiro, A Santos, manuel Nogueira, Fernando Reis (Excelente a sua rábula do poetastro), etc., acompanham à maravilha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As ovações foram calorosas, e o pano subiu repetidas vezes nos finais dalguns actos; mas devemos dizer que nunca elas foram mais justas, porque A Morgadinha de Valflor foi representada pelos nossos amadores de maneira brilhante, com uma justeza de estilo e de ritmo invulgares em amadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O guarda-roupa é magnífico e revela o cuidado e esmêro que são já proverbiais no grupo tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O grupo tavaredense tem nesta peça um triunfo artístico de que pode ufanar-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Morgadinha de Valflor será representada pela última vez no próximo sábado. Para essa récita podem os sócios fazer desde já, na sede da Sociedade, tôdas as noites, a requisição dos seus convites. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.08)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A RÉCITA EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esplêndido grupo de amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense, tendo acedido da melhor vontade ao pedido do sr. capitão José de Albuquerque, esforçado e dedicadíssimo presidente da Associação dos Diabéticos Pobres em Coimbra, foi ali na passada segunda-feira dar uma récita, no Teatro Avenida, em benefício daquela benemérita Associação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A peça escolhida foi A Morgadinha de Valflor, brilhantemente interpretada pelos nossos amadores, que alcançaram mais um belo triunfo. O teatro encheu-se e o público aplaudiu entusiasticamente, fazendo repetidas e calorosas chamadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na sua carta de hoje alude o nosso prezado correspondente de Coimbra ao espectáculo pela Sociedade de Instrução Tavaredense. E as referências dos outros jornais são igualmente honrosas, porque são inteiramente justas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Gazeta de Coimbra, notando as dificuldades da peça para amadores, frisa que os amadores agora seus intérpretes foram duma correcção absoluta, num equilíbrio perfeito. Diz êste nosso colega:&lt;br /&gt;“Embora já não esteja dentro do espírito da época, o drama que ontem se levou à cena conserva ainda um grande poder emotivo, mantendo uma beleza que os anos não conseguem apagar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É a peça que, pelas suas dificuldades, menos se recomenda para amadores. Mas o grupo da Figueira soube interpretá-ça com uma elevação muito notável, conseguindo manter, de comêço a final, um equilíbrio perfeito que lhe evitou o ridículo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os componentes do referido grupo firmaram na noite de ontem os créditos que já tinham alcançado nesta cidade. Foram duma correcção absoluta e, em determinadas cenas, duma justeza que não deixaria mal colocados os profissionais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O público, que enchia o teatro, assim o compreendeu, dispensando ao conjunto os aplausos vibrantes e entusiásticos que justamente lhe pertenceram”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Despertar igualmente assinala a justiça com que foram calorosamente aplaudidos “todos os componentes do admirável conjunto de amadores, que se houveram acima de tôda a crítica”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No Primeiro de Janeiro, em carta de Coimbra, frisa-se que o desempenho constituíu mais um grande triunfo para o grupo tavaredense:&lt;br /&gt;“O grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense representou ontem, no Teatro Avenida, a peça “A Morgadinha de Valflor”, em benefício da Associação de Diabéticos Pobres, de Coimbra. O desempenho constituíu mais um grande triunfo para aquêle apreciado grupo, que tão desinteressadamente vem colaborando em festas de caridade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O público enchia por completo o Teatro e não regateou aplausos os distintos amdores”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= A Morgadinha de Valflor será representada na Figueira, no Teatro do Peninsular, no dia 10 do corrente, domingo. Para esta récita, que nesta cidade se aguarda com viva curiosidade, está aberta a inscrição na Tabacaria Africana. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.02)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;CARTA DE COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como calculávamos, constituíu um grande êxito a vinda a Coimbra do grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense que, no Teatro Avenida, realizou mais um benefício, em favor da Associação Protectora dos Diabéticos Pobres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A peça representada, “Morgadinha de Valflor” agradou bastante, pelo admirável desemoenho de todos os intérpretes, destacando nós, no entanto, a distinta amadora Violinda Medina que, nas passagens de maior emoção, soube comover a plateia; João Cascão, um bom galã e Jaime Broeiro, que soube dizer com graça o papel que lhe foi distribuido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O público, entusiasmado, fêz repetidas chamadas, tal é o aprêço que a exigente plateia de Coimbra dispensa ao grupo tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A benemérita agreniação de Tavarede, que é a sexta vez que nos visita, sempre com agrado do público, têm vindo a Coimbra tôdas as vezes em favor de casas de beneficência, como sejam o Grémio dos Empregados no Comércio e Indústria (Associação de Socorros Mútuos), Asilo da Infância Desvalida, Associação Protectora dos Diabéticos Pobres (duas vezes), Associação dos Artistas (Associação de Socorros Mútuos) e Enxoval do Recemnascido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução Tavaredense, que é sócia benemérita do Grémio dos Empregados no Comércio e Indústria, volta a Coimbra, em Junho próximo, por ocasião do aniversário desta prestimosa associação mutualista, fazendo a récita de gala no Teatro Avenida, com duas verdadeiras obras-primas teatrais: Canção do Berço, peça em 2 actos de Martinez Sierra, tradução do ilustre escritor e poeta Carlos Amaro, e Três Gerações, do consagrado dramaturgo Ramada Curto. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.02)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;MORGADINHA DE VALFLOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última récita da Sociedade de Instrução Tavaredense em Coimbra, no Teatro Avenida, ficou ali assinalada com um brilhante êxito dos amadores tavaredenses. Os aplausos e as chamadas calorosas com que a exigente plateia coimbrã se manifestou consagraram a repreentação da Morgadinha de Valflor como um honroso triunfo artístico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É esta mesma peça – célebre na história do teatro romântico em Portugal – com o mesmo excelente desempenho, que o público figueirense vai ter ensejo de apreciar no domingo, no Teatro Peninsular.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução Tavaredense, abalançando-se a pôr em cena a obra-prima de Pinheiro Chagas, fê-lo com a sua habitual probidade e conhecido critério artístico, com o respeito e carinho devidos à peça e à memória do autor.. A montagem cénica é cuidada em todos os pormenores, e em Coimbra foi especialmente elogiado o esplêndido guarda-roupa, executado primorosamente sôbre figurinos da época (fins do século XVIII).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nota curiosa: muitas pessoas que aqui têm visto a Morgadinha de Valflor representada por várias companhias, encontrarão agora alguma coisa de novo: o grupo tavaredense apresenta o 3º acto como Pinheiro Chagas o escreveu, com as cenas da romaria, de ambiente pitoresco, com as danças, os descantes, a musicata com rabeca e violas, o estrondo com o característico gaiteiro, etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Será, sem dúvida nenhuma, um belo espectáculo a récita de domingo no Peninsular, para a qual está aberta a inscrição na Tabacaria Africana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Continuam os jornais de Coimbra a referir-se nos mais elogiosos têrmos à representação da Morgadinha de Valflor, pelo grupo tavaredense. O Notícias de Coimbra e Ecos dos Olivais exprimem a sua admiração pelo primoroso desempenho que tiveram ensejo de apreciar. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.06)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;ESPECTÁCULO A FAVOR DA MISERICÓRDIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi marcado o dia 24 do corrente para a récita, pelo grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense, em benefício da Misericórdia da Figueira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A peça escolhida é a delicada obra-prima do célebre dramaturgo espanhol Martinez Sierra – Canção do Berço, que o grupo tavaredense representa com admirável propriedade e brilho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que dá a êste espectáculo um raro cunho artístico e o torna excepcionalmente curioso, é o facto de, após a representaçõ da peça, se exibir no écran a fita Filha de Maria, que é a mesma obra transportada para o cinema. Parece-nos que é a primeira vez, no nosso país, que se apresenta um programa com esta característica: permitir apreciar a mesma obra, num só espectáculo, nas duas interpretações diferentes: a teatral e a cinematográfica. Assim, a récita em favor do hospital da Figueira vai permitir-nos admirar a Cancion de Cuna, de Martinez Sierra, na tradução portuguesa do grande poeta Carlos Amaro (Canção do Berço) e, a seguir, na adaptaçõ cinematográfica da Paramount, realizada por Mitchell Lisen (Filha de Maria). Oferece, pois, viva curiosidade êste espectáculo, que nos apresenta a célebre peça espanhola sob duas feições que, conservando-se fiéis, na idea e na linha geral do seu desenvolvimento, à obra original, apresentam, no confronto da cena com a tela, aspectos e pormenores diferentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode dizer-se que a Misericórdia da Figueira organizou, para seu benefício, um programa cuirosíssimo, que pelo seu valor artístico e absoluta novidade no nosso país, justifica a enchente que vai ter o Teatro do Casino Peninsular. Acresce a circunstância de a Misericórdia ser a mais importante ds instituições de beneficência do concelho, que pela sua acção bem merece que todos acorram a ajudá-la a vencer as enormes dificuldades económicas que a oprimem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Está aberta a inscrição. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 10.14)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A RÉCITA DA MISERICÓRDIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucedeu o que prevíramos: o Teatro do Casino Peninsular encheu-se, no sábado, dum público que, a final, não foi iludido na sua espectativa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo, para o qual, com a colaboração desinteressada da Sociedade de Instrução Tavaredense, a Misericórdia elaborara um programa curiosíssimo pelo que tinha de novidade, revestiu-se dum belo cunho artístico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A encantadora peça de Martinez Sierra Canção do Berço, tão delicadamente impregnada de lirismo, tão rica de pormenores e de subtil filosofia, foi interpretada pelo grupo tavaredense de maneira brilhante. Não é uma peça de grandes papéis, em que as dificuldades da interpretação pesam sôbre duas ou três figuras: é uma peça de conjunto, onde só pelo conjunto se pode vencer. E é na verdade admirável o conjunto que o público da Figueira no sábdo apreciou e aplaudiu sem favor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo terminou com a exibição do lindo filme extraído da mesma peça e que tem em português o nome de Filha de Maria. Desta maneira os espectadores puderam apreciar no mesmo programa a interpretação teatral e a adaptação cinematográfica da mesma obra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em todos deixou a mais agradável impressão êste espectáculo, recomendável pela sua feição artística e também porque o seu produto revertia a favor da benemérita instituição local que é a Misericórdia da Figueira. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 10.28)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO TAVAREDENSE EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela carta do nosso dedicado correspondente em Coimbra, publicada no último número, já os nossos leitores tiveram informação do acolhimento gentil ali dispensado, na segunda-feira, à Sociedade de Instrução Tavaredense, cujo grupo cénico representou brilhantemente a fantasia em 3 actos e 10 quadros O Sonho do Cavador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O teatro esgotou a lotação, e o numeroso público associou-se com entusiasmo à homenagem que no intervalo do 1º para o 2º acto foi prestada, no palco, à Sociedade de Instrução Tavaredense, em nome do Asilo da Infância Desvalida, Associação dos Diabéticos Pobres, Enxoval do Recem-nascido, Associação dos Artistas, Grémio dos Empregados no Comércio e Grupo Dramático Dr. Armando Gonçalves.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Transcrevemos algumas apreciações da imprensa acêrca da representação do Sonho do Cavador:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do Diário de Coimbra:&lt;br /&gt;“Com a fantasia em 3 actos e 10 quadros “O Sonho do cavador”, realizou ontem uma récita no Teatro Avenida a Sociedade de Instrução Tavaredense, que várias vezes tem vindo a Coimbra prestar o seu auxílio ao Asilo da Infância Desvalida, Grémio dos Empregados no Comércio e Diabéticos Pobres.&lt;br /&gt;A peça, admiravelmente posta em cena, conseguiu agradar pelo admirável conjunto, que pode rivalizar com muitos de profissionais.&lt;br /&gt;O cenário esplêndido e as musicas, do amador figueirense António Simões, sem exagêro um verdadeiro encanto.&lt;br /&gt;No desempenho da peça, em que todos os amadores souberam cumprir, salientaram-se pela correcção do seu trabalho, Violinda Medina e Silva, António Broeiro, Jaime Broeiro e João Cascão, sendo entretanto justiça afirmar que todos os amadores contribuiram para o esplêndido conjunto.&lt;br /&gt;Num dos intervalos, falou em nome das Instituições de Coimbra que generosamente têm sido beneficiadas com as representações do caritativo grupo de Tavarede, o sr. dr. Celestino maia, que pôs em relêvo a acção beneficente da Sociedade Tavaredense.&lt;br /&gt;Uma gentil menina, doente diabética, recitou uns versos da drª D. Vergínia Gersão, sendo muito aplaudida.&lt;br /&gt;A Associação dos Diabéticos Pobres entregou ao grupo o diploma de sócio honorário e o Asilo da Infância Desvalida e o Grupo Dramático Dr. Armando Gonçalves, colocaram, cada, uma fita no estandarte daquele grupo que se achava rodeado pelos estandartes da Associação dos Artistas e do Grémio dos Empregados no Comércio e Indústria”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do Primeiro de Janeiro:&lt;br /&gt;“Com a representação da fantasia “O Sonho do cavador”, levada a efeito ontem, no Teatro Avenida, o grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense conquistou mais um grande triunfo em Coimbra.&lt;br /&gt;A vasta sala encontrava-se repleta, tendo a assistência vitoriado demorada e merecidamente os componentes do grupo, que se houveram com distinção.&lt;br /&gt;Das ovações partilharam também o autor da peça e o autor da música.&lt;br /&gt;Num dos intervalos, o sr. dr. Celestino maia pôs em relêvo a acção beneficente da Sociedade de Instrução Tavaredense em favor das várias instituições de caridade de Coimbra.&lt;br /&gt;A Associação dos Diabéticos Pobres entregou ao grupo o diploma de Sócio Honorário, e o Asilo da Infância Desvalida e o Grupo Dramático Beneficente Dr. Armando Gonçalves, colocaram fitas de sêda na bandeira da Sociedade Tavaredense, que se encontrava ladeada pelos estandartes da Associação dos Artistas e do Grémio dos Empregados no Comércio e Indústria de Coimbra.&lt;br /&gt;Estas cerimónias foram coroadas com vibrantes salvas de palmas”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da Gazeta de Coimbra:&lt;br /&gt;“O desempenho foi, como era de esperar, excelente, mantendo-se o aludido grupo à altura dos créditos já conquistados em Coimbra.&lt;br /&gt;O público que enchia completamente o teatro, numa demonstração de justa simpatia pelos que tantas vezes têm emprestado o seu concurso a diferentes tarefas de caridade levadas a efeito no nosso meio – aplaudiu com vibração os simpáticos componentes do grupo cénico”.&lt;br /&gt;A Filial de Coimbra da Associação dos Diabéticos Pobres editou um programa especial, que foi vendido no teatro, no qual publicou poesias das distintas poetisas D. Vergínia Gersão e D. Maria de Jesus em que se homenageia a benemérita e simpática associação tavaredense. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.19)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AINDA A REPRESENTAÇÃO EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o nosso colega “O Despertar”, de Coimbra, se referiu elogiosamente ao grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, que no Teatro Avenida daquela cidade representou há dias O Sonho do Cavador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Transcrevemos:&lt;br /&gt;“Com aquela pontualidade admirável que é uma das inumeráveis virtudes; com uma sequência perfeitíssima como é raro observar-se em grupos seus congéneres; e com uma assistência que, com efeito, honrou o nome da nossa terra, realizou-se na última segunda-feira, no Avenida, com a fantasia “O Sonho do Cavador”, a récita do grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;br /&gt;Conquanto que simples e ingénua, - duma ingenuidade tocante, duma simplicidade própria da gente da aldeia – a peça agradou-nos muito. Nela é bem urdido o entrecho, nela é mimozinho o canto, nela é impecável a encenação como apropriadíssimo o cenário.&lt;br /&gt;Os seus intérpretes, convencendo-nos cada vez melhor das suas qualidades e possibilidades, apresentaram-se-nos em cena com a mesma naturalidade com que se apresentam nas cenas reais da aldeia.&lt;br /&gt;Percebe-se que todo aquêle punhado de trabalhdores disciplinados nas obrigações como nas devoções, sente de verdade o papel que representa. E assim, embora simples e ingénuos como na verdade é a peça, - porque mais uma virtude presidiu na sua escolha ao atender que era em benefício do próprio cofre – “O Sonho do Cavador” deleitou-nos e fêz-nos compreender ainda melhor quanto vale artística e moralmente o Grupo.&lt;br /&gt;O conjunto cénico é tão homogéneo, está tão integrado cada protagonista nos papéis que lhe são distribuidos, que é difícil e ingrato destacar-se o “dquele ou doutro”. Mas porque na verdade “O Sonho do Cavador” tem, também, como as demais peças, uns números ou personagens que mais se evidenciam, devemos também referir-nos a alguns dos que nos impressionaram mais.&lt;br /&gt;Nos elementos femininos, a admirável nos vários papéis a “artista” Violinda Medina e Silva. Estonteante no “Sonho dourado”; realista de verdade nas “comadres” com Guilhermina de Oliveira; sedutora na “Vinha” e tentadora na “Batota”.&lt;br /&gt;Guilhermina de Oliveira, muito bem em tudo. Superior, nas “comadres”, com Violinda; apetitosíssima na “Horta”, com tôdas as suas couvinhas frescas; e admirável também, nas “amazonas”, cujo número é dum esplêndido efeito.&lt;br /&gt;Maria Tereza de Oliveira, bem na “Agricultura”, melhor ainda em “Vergonha”.&lt;br /&gt;Emília Monteiro, com a maior naturalidade no seu papel de “Rosa”, apixonad. E no dueto final com “Manuel da Fonte” – dueto dificílimo, e com certos amadores impraticável, dum grande valor dramático.&lt;br /&gt;Na parte masculinoa fêz bom papel, como sempre, João Cascão, no “Cavador”. À vontade no campo e à volta na cidade. Bem integrado nas diferentes passagens da sua vida agitadíssima – de insatisfeito primeiro, de quási louco depois, de desiludido mais tarde, e já aclimatado, por fim, à simplicidade e pobreza campesina onde regressa mais pobre ainda que dantes...&lt;br /&gt;António Graça, no “Ti João da Quinta”, incarnou bem a missão de velho experiente na vida e conselheiro amigo, lá com a sua filosofia especial de camponês. Papel a registar e bem compreendido.&lt;br /&gt;António Broeiro, bom efeito cómico no diálogo com o outro “homem honrado”.&lt;br /&gt;António Santos, à vontade do “papo sêco”.&lt;br /&gt;José Vigário, bom palrador no “funcionário”.&lt;br /&gt;Restantes personagens, todos conjugando com acêrto.&lt;br /&gt;No que respeita à música, não há que dizer. António Simões, mais uma vez demonstrou a sua habilidade e rara cultura musical entre amadores, não só com uma composição agradabilíssima e adequada à urdidura, como também com a perfeita combinação de vozes nos coros, que, nos interiores especialmente, por serem de tanta responsabilidade, pôs bem à prova o seu valor e sensibilidade artística.&lt;br /&gt;É por isso e outras coisas que nos ocorre perguntar:&lt;br /&gt;Quando volta?&lt;br /&gt;Sim... Quando volta a Coimbra o grupo cénico de Tavarede? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.23)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-8908809116802807713?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/8908809116802807713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/teatro-da-sit-notas-e-crirticas-11.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8908809116802807713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8908809116802807713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/teatro-da-sit-notas-e-crirticas-11.html' title='Teatro da S.I.T. - Notas e Crírticas - 11'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-7456734720057317440</id><published>2012-01-06T12:15:00.002Z</published><updated>2012-01-06T12:19:57.070Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;Attrahido para o theatrito a breve trecho ficámos sem a companhia do nosso amigo amador do genero. Sós, nós com o Joaquim Nunes, fomos passando rua abaixo em direcção á egreja e detendo-nos de quando em quando para lhe perguntar pelos primitivos habitadores das casas porque iamos passando, algumas das quaes, naquella occasião, apenas conheciamos pela sua antiga situação - por tal transformação passaram... Ó Joaquim, dizia eu ao meu companheiro, esta casa aqui, no começo da rua, era a da Luiza, mulher do Jozé Ignacio. - Era e é, me respondeu elle, mas hoje assiste em Buarcos. O homem como sabes - morreu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Jozé do Ignacio, havia sido tambem, em outro tempo, uma parte obrigatoria em todas as sociedades dramaticas que vegetavam em Tavarede como tortulhos. Um pouco mais idoso de que os seus companheiros e procurado como caracteristico, desempenhava os papeis de centro. A primeira vez que o vimos assim encadernado, foi em um theatrinho da rua Direita, que haviam encaixado em uma casa conhecida pela designação de - casa do Ferreira. N’essa noute, para assistir ao espectaculo tinha ido da Figueira, um rancho de rapazes, desinquietos, buliçosos, com todo o ardor das vinte e tantas primaveras. Entre elles: - Ignacio Delgado, Joaquim Martins Cardoso, Julio Braz de Lemos, Augusto Mendes e outros, de igual jaez para um bocado de troça pacata. A plateia, que para aproveitamento de maior numero de espectadores havia sido construida em fórma de palanque, era engendrada por umas taboas manhosamente pregadas n’uns cunhos de madeira e estes por sua vez, da mesma fórma ligados a uns postes de pinheiro inclinados contra a parede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O panno de bocca, qualquer colcha, de chita, de padrão em labyryntho vermelho. A illuminação fazia-se por meio das classicas vellas de cebo espetádas em palmatorias de pau.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ria-se, vozeava-se e fumava-se na plateia, com a semcerimonia de ajuntamento n’uma feira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, um dito picaresco, sahido de alguns dos espectadores, ia provocar a hilaridade ruidosa dos mais serios, e tudo ria, desalmadamente, sem respeito pelo cabo d’ordes, o Antonio Jozé, que assistia áquella inferneira, aprumando desmesuradamente a sua auctoridade, tão sobranceira, como a sua figura, de pouco menos de trez covados d’alto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro, no palco, desenvolvia-se um vae e vem, entretido pela familia dos actores, das actrizes e pelos intrusos, bem capaz de causar vertigens ás constituições menos dadas á sensibilidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma flauta que nos produzia nos nervos arranhos de gato, conjuntamente com um violão despertando dobre a finados, e uma viola, gemendo sob uma unha affeita á enxada, constituia por inteiro o que então se appelidava de a ... Roquestra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava vae não vae a levantar o panno. Os rapazes da Figueira, tendo invadido o palco, graças á bonhomia da companhia dramatica, deixem lhe chamar assim, trataram de collocar-se á primeira voz nos papeis de contra-regra, carpinteiros de urdimento, etc., etc.,. Os que haviam de entrar em scena estavam a estas horas reunidos em um telheiro que a casa do theatro tinha ligado pelo lado de traz. Estavam á beira do supplicio, de umas rugas feitas a ferro quente no rosto, que, depois, era afogueado mediante a despeza d’uma forte pintura a tinta nova.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Rompia o espectaculo com uma comedia que se bem nos recorda se intitulava - Os dois rivaes - que nos dava em exhibição no principio um velho vegete, enamorado d’uma creada, fresca e rosada, que tentava a carne mais aphatica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O papel de velho havia sido distribuido a Jozé do Ignacio, de quem fallámos ha pouco, e que, appareceu em scena risonho a mostrar-se á rapaziada da Figueira. Ainda o panno não havia subido e na plateia o fóra, fóra, fóra, ribombava atroador soltado por dezenas de gargantas tonificadas pelo bom sol e bom ar dos campos. De subito ouviu-se uma voz: - Panno acima!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A rapaziada da Figueira pespegou com o Jozé do Ignacio dentro de um caixão (cousa da peça) o qual, depois iria subindo, puxado pela creada namorada, que assim o subtrahia ás vistas dos amos que eram peticegos&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 01.04.1896)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-7456734720057317440?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/7456734720057317440/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/recordacoes-de-tavarede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/7456734720057317440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/7456734720057317440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/recordacoes-de-tavarede.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-2279706337944522446</id><published>2012-01-06T11:51:00.002Z</published><updated>2012-01-06T12:11:27.713Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>Teatro da S.I.T. - Notas e Crírticas - 10</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1934&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ESPECTÁCULO EM TAVAREDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está marcada para hoje à noite, no teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense, nova récita pelo grupo daquela colectividade, sobejamente conhecido não só ali como em vários teatros onde a sua apresentação foi sempre acolhida com aplauso geral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estão marcadas para representação a formosa peça em 1 acto, original de Ramada Curto, As Três Gerações, e a linda comédia em 3 actos A porta falsa, do desempenho de ambas estando encarregados os melhores amadores daquela Sociedade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estes espectáculos têm a recomendá-los ainda o facto de constituirem sempre uma distracção escolhida, de agrado certo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por isso o teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense contará hoje farta concorrência. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.14)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1935&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;TEATRO EM TAVAREDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não restam dúvidas: a opereta “Justiça de Sua Majestade” constitui um êxito brilhante do grupo tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A estreia, no sábado, levou ao teatro uma enchente. Os sócios e famílias acorreram em grande número e aplaudiram com entusiasmo. E no dia seguinte, em matinée, a opereta firmou-se definitivamente no agrado do público. O entusiasmo foi invulgar. Todos os números de música aplaudidos e muitos dêles bisados. E o agrado do público exteriorizou-se mais calorosamente nos finais de acto, fazendo-se chamadas ao palco e obrigando o pano a subir repetidamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A música é lindíssima. Dois números são do maestro Raúl Portela e cinco do maestro Raúl Ferrão, e confirmam os méritos já consagrados dos seus autores; mas o distinto amador nosso patrício sr. António Simões, que é o autor de todos os restantes números da partitura, bem mereceu as grandes manifestações de aplauso com que o público o distinguiu, porque compôs, para os formosos versos de Alberto de Lacerda, música admirável, encantadora na melodia, rica de expressão e sempre conjugando-se harmonicamente com a ideia do poeta e a situação teatral. Muito bem! António Simões tem direito a parabéns.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Justiça de Sua Majestade” é um espectáculo agradável. Bem posta em cena, com cenários lindos, bom guarda-roupa e harmoniosa interpretação é um belo êxito do grupo tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No domingo esgotou-se a lotação do teatro e muitas famílias não alcançaram bilhetes. O mesmo sucederá com as representações de sábado, às 21 ½ horas e domingo, às 15 ½ horas, que serão as últimas, pois a peça tem de ser retirada de cena por motivo das diversões do carnaval. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 02.20)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A VISITA AO PORTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta-feira foi ao Pôrto realizar um espectáculo em benefício do Asilo de S. João, daquela cidade, o grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense que representou no Teatro de Sá da Bandeira a opereta Justiça de Sua Majestade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos prazer em registar que os nossos patrícios alcançaram um belo êxito, que os enche de natural satisfação e muito honra o festejado grupo tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O teatro encheu-se. Esgotou-se completamente a lotação da plateia e camarotes. E a assistência manifestou o seu agrado de maneira bem expressiva. A representação foi frequentemente cortada de aplausos. Logo no 1º acto, uma calorosa ovação sublinhou a 0linda Canção dos Beijos; e foram sucessivamente aplaudidas a Canção do Tabaco, o número de Roberta, e o côro final do 1º acto; o belo dueto dos dois criados rústicos no 2º acto, o terceto Açorda do Major, a formosa canção de D. Joana, que a assistência obrigou a bisar, o côro Boas-noites, o dueto de amor e o terceto do 3º acto, etc. No final as aclamações foram calorosas e prolongadas, fazendo-se chamadas que provocaram novas ovações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim, a linda opereta, que no teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense alcançou extraordinário agrado, obteve um êxito enorme com os aplausos expontâneos, sinceros, da culta plateia portuense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dirigimos ao grupo tavaredense as nossas felicitações cordiais, por êste seu novo triunfo, abrangendo nelas o distinto compositor amador, nosso patrício, sr. António Simões, autor da maior parte dos números de música da opereta e que no Pôrto apresentou e dirigiu uma excelente orquestra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No jornal do Pôrto Povo do Norte, de segunda-feira, o seu crítico teatral refere-se à récita dos tavaredenses com palavras de muito elogio. Transcrevemos:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“ Há, no meio jornalístico profissional do Pôrto, a monomania de ligar pouca importância aos grupos de amadores teatrais da província.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda na última sexta-feira, num espectáculo que se realizou, no Teatro Sá da Bandeira, em benefício do Asilo S. João, tivemos o ensejo de verificar esta lastimável verdade. Talvez porque se exibia ali um grupo de amadores de Tavarede, interessante aldeia vizinha da Figueira da Foz, não compareceu, naquele teatro, um único redactor dos diários portuenses a cumprir o dever de apreciar aquela tão simpática festa para, sôbre ela, bem informar depois a curiosidade do público. E foi pena que assim acontecesse porque o espectáculo marcou, sem dúvida, uma nota artística digna de registo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Devemos confessar que nos surpreendeu o conjunto, que é mais harmónico que muitas companhias de profissionais que algumas vezes nos têm visitado”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de se referir à adaptação ao teatro da Justiça de Sua Majestade e ao modo como a opereta foi posta em cena, o crítico do Povo do Norte acrescenta:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“ Não faltou o mais insignificante detalhe de observação nos cenários e guarda-roupa, confeccionados de acôrdo com as exigências da época. Notou-se nas mais pequeninas coisas que andou ali dedo de quem percebia de teatro... E só assim se compreende o êxito alcançado por um conjunto de amadores, filhos do povo e do trabalho, que nas horas vagas se dedicam àquele modo de se instruírem e civilizarem, em vez de fugirem para os centros maléficos do vício e do crime.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A música da peça deve-se aos profissionais Ferrão e Portela e ao maestro-amador do grupo, António Simões, que dirigiu com segurança a orquestra, durante o espectáculo, sendo tôda inspirada em motivos populares, cheios de ingenuidade, que soam bem aos ouvidos daqueles que estão habituados a escutar as canções simples mas harmoniosas e sentimentais do povo aldeão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No desempenho salientaram-se a característica Maria Tereza de Oliveira que, no papel de Roberta, nos deu a impressão de uma autêntica artista. D. Violinda Medina que, com um fiozinho de voz agradável, cantou bem e declamou sempre com muita naturalidade e acêrto, dum modo a, por diversas vezes, justamente conquistar aplausos; e Guilhermina de Oliveira, num ingénuo papel de criada, que desempenhou com vivacidade. Muito graciosa, mereceu também as palmas com que os espectadores a distinguiram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Guardamos para o final o trabalho de Emília Monteiro, a triste apaixonada, que soube imprimir sentimento ao decorrer do desempenho do papel que lhe foi confiado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do elemento masculino, devemos salientar Jaime Broeiro que, no papel de José Urbano, revelou qualidades artísticas; e os restantes não desmancharam o conjunto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A apresentação do grupo foi feita pelo nosso prezado amigo dr. João Correia Guimarães, a quem José Ribeiro agradeceu num belo improviso as palavras com que a sua gente foi distinguida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um pequenino educando agradeceu também o benefício que o seu asilo acabava de receber.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi comovente o modo como o director do grupo respondeu ao pequenino, dizendo-lhe que nada tinha que lhes agradecer porque estavam todos ali cumprindo um dever de solidariedade humana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A assistência que enchia o teatro sublinhou com uma estrondosa salva de palmas as palavras do nosso colega.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi uma simpática festa que o Asilo de S. João organizou e que deve repetir-se logo que tenha oportunidade para isso”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Também o Primeiro de Janeiro se refere elogiosamente à representação da Justiça de Sua Majestade:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“ A récita em benefício da simpática Associação Protectora do Asilo S. João realizada, sexta-feira passada, no Sá da Bandeira, decorreu com entusiasmo e, por vezes, até com brilho mercê, principalmente, da peça representada e da segurança que mostraram no desempenho dos seus “papéis” os bons elementos que constituem o grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, da Figueira da Foz”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alude em seguida à adaptação da Justiça de Sua Majestade, e termina:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“ A música traz as assinaturas dos maestros Raúl Ferrão e Raúl Portela e do amador figueirense António Simões, sendo, tôda ela, de suave inspiração e melodia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O desempenho foi correcto e homogéneo, procurando todos os amadores concorrer – o que conseguiram – para o sucesso da representação a que o público não regateou aplausos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O grupo coral compartilhou, também, com justiça, dêsses aplausos, assim como a orquestra, sob a direcção do sr. António Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O interessante Grupo apresentou um bom guarda-roupa, à época (1852) e cenários apropriados do cenógrafo Rogério Reynaud e do artista Alberto Lacerda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode dizer-se que a récita da Associação Protectora do Asilo de S. João, instituição de beneficência que tantas simpatias conta nesta cidade marcou, êste ano, como espectáculo de interêsse”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense está reconhecidíssima ao Asilo de S. João pelo acolhimento gentil que foi dispensado ao seu grupo cénico, e particularmente ao sr. Rogério Bettencourt, director daquela benemérita instituição, cujas atenções e gentilezas não serão esquecidas. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.08)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;REPRESENTAÇÕES EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constituiram dois autênticos triunfos para o grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense as duas récitas que qui veio realizar, no Teatro Avenida, em benefício próprio e do Asilo da Infância Desvalida desta cidade. Como noticiámos, o público de Coimbra aguardava com ansiedade a ocasião de poder admirar mais uma vez o importante trabalho dêsses humildes trabalhadores do campo e da oficina que, graças à excelente organização, ao esfôrço do seu ensaiador e à energia e paciência do autor da música e regente da orquestra, sr. António Simões, têm conseguido conquistar a simpatia e o agrado do público que os tem premiado com fartos aplausos, em tôda a parte do país onde se têm exibido. Os conimbricenses são dos que mais apreciam e admiram tantos esforços, tão bem conjugados e tão bem orientados. Provam-no não só as prolongadas salvas de palmas com que os amadores foram homenageados, no decorrer das duas récitas, mas ainda as estrondosas ovações dispensadas a José Ribeiro, tanto na primeira noite, após o seu singelo e cativante discurso de agradecimento às palavras justas do dr. Celestino Maia, como na noite seguinte, no intervalo do segundo para o terceiro acto, em que o público reconhecido lhe fez uma chamada especial, com calor e entusiasmo. O regente da orquestra, sr. António Simões, bem como o caracterizador, sr. António Esteves, que não compareceu no palco, a-pesar-da insistência do público.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O nome do sr. dr. Elísio de Moura, grande benemérito, que preside e dirige os destinos do Asilo da Infância Desvalida foi aclamadíssimo, quando José Ribeiro se lhe referiu em têrmos de sentida homenagem que muito calaram no ânimo da assistência. Consta que o Grupo voltará a Coimbra; pois desde já lhe vaticinamos novas enchentes e novos e merecidos aplausos. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.18)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O GRUPO CÉNICO TAVAREDENSE EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornais de Coimbra fizeram referências muito elogiosas às peças que o simpático grupo tavaredense representou em Coimbra e ali agradaram plenamente; e não foram menos calorosos os elogios feitos aos intérpretes, que tiveram o prazer de sentir-se aplaudidos entusiasticamente pela plateia. Impossível é satisfazer o nosso desejo, transcrevendo tôdas as críticas publicadas. Transcrevemos somente alguns passos em que se foca o trabalho dos nossos amadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do Diário de Coimbra – crítica da representação da opereta Justiça de Sua Majestade:&lt;br /&gt;“.............&lt;br /&gt;É um trabalho são, que bem merece ser exaltado, pela sua eficiência moral, desviando o povo nas suas horas de ócio, para uma obra de assistência, paralelamente à da instrução.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Independentemente de constituir para todos um divertimento salutar, é ainda uma forma inteligente de dar vida a uma sociedade onde todos se educam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto a nós, são estes os principais predicados dos grupos dramáticos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, e objectivamente a êste que vimos de ver, manda a verdade que traduzamos o seu valor com esta afirmação: existem em Portugal muitos profissionais do teatro, que muito aprenderiam ingressando no grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não pretendemos depois disto, ferir susceptibilidades, apontando nomes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos muito bem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se é certo que podemos apontar alguns nomes que o público sentiu melhor, não é menos certo que isso se deve apenas à beleza dos papéis, e não ao valor pessoal dos seus intérpretes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim, Violinda Medina e Silva, ouviu fartos aplausos pela forma como cantou; Emília Monteiro, traduziu muito bem a depressão moral e tristeza resultante da sua posição na peça; Maria Tereza Oliveira, uns hesitantes 20 anos, fez muito bem a velha Roberta; Guilhermina de Oliveira, uma linda e desenxovalhada rapariga, deu-nos uma rica interpretação de noiva ingénua de aldeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, dos papéis masculinos, não vale falar; a tôdos êles se deve o êxito da representação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Guarda-roupa de côres fortes e harmoniosas, e cenários rigorosos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Música de harmonia com os nomes consagrados dos autores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Coros agradáveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Boa marcação, embora algumas cenas não deixassem maior movimentação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O público aplaudiu com entusiasmo, traduzindo a justiça merecida”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da carta de Coimbra para o Primeiro de Janeiro:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“.... a primeira peça – “Justiça de Sua Majestade” – desenrolou-se com a atenção da assistência, que fartos aplausos dispensou ao esplêndido conjunto artístico, que conta elementos valiosos, recrutados no meio operário e dos campos. Tôda a música agradou, sendo bisados alguns números e coros finais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A segunda peça – “A Cigarra e a Formiga” -, de Alberto Lacerda e José Ribeiro, pôs o grupo em foco pelo excelente trabalho. Violinda Medina, Emília Monteiro, Eugénia Oliveira, Jaime e António Broeiro, muito bem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Propositadamente deixamos para o fim o compère, João Cascão, que, desde a sua apresentação e do seu primeiro número que cantou se conduziu até final, como verdadeiro artista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O segundo acto, rico de jôgo cénico; o terceiro, vida, muita alegria e o cunho característico das nossas festas da aldeia, com a tão conhecida desgarrada. Os quadros “Apoteose ao trabalho”, “Em noite de S. João”, “Beira Mar” e a “Apoteose ao Amor”, formosíssimos!”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na Gazeta de Coimbra, o crítico teatral sr. José Castilho fez uma apreciação pormenorizada das duas peças, da sua montagem e do desempenho que tiveram. Umas ligeiras transcrições:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“.............&lt;br /&gt;Porque foi com a maior admiração que nós vimos representar “Justiça de Sua Majestade” e, depois, a fantasia intitulada “A Cigarra e a Formiga”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;.............&lt;br /&gt;Em ambas as peças – reconhece-se à primeira vista – houve a preocupação dos ensinamentos salutares à gente que as desempenha e ao público que as vê, tendo-se a finalidade conseguido plenamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Despidas do espírito grosseiro, a roçar pela pornografia, e de situações equívocas que um cunho imoral caracteriza, “Justiça de Sua Majestade” e “A Cigarra e a Formiga” são bem o trabalho de quem, integrado nos mais altos princípios de equidade e de justiça, procura marcar a sua posição no campo das letras, pugnando pelo triunfo do Bem, do Amor e da Solidariedade Humana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem hajam os que colocam a inteligência de privilégio ao serviço de causa tão nobre.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E ditas estas palavras, a correr, com a preocupação de que venha a faltar-lhe o espaço no jornal, entremos no desempenho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Violinda Medina e Silva é a figura máxima do agrupamento que, sem favor de nenhuma espécie, se pode classificar de artístico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Brilhou, na primeira noite, num dificilimo papel de distinção, que uma fidalga de raça não conseguiria desempenhar melhor. Brilhou, na segunda récita, em papéis de diferentes géneros, adaptando-se aos mesmos com uma naturalidade e uma intuição verdadeiramente assombrosas! Na sua graça sem artifícios, na sua naturalidade invulgar, na sua voz de oiro que prende e encanta, esta rapariga poderia ocupar posição destacante entre um grupo distinto de artistas de “verdade”! É necessário possuirem-se qualidades muito excepcionais, muito prodigiosas, para se representar com a perfeição com que Violinda Medina representa!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Emília Monteiro – figurita delicada e frágil de vitral, com uns olhos profundos onde há todo o mistério das noites infinitas – é outra revelação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os papéis a seu cargo têm alma, têm sentimento, têm realidade, e a sua voz é um fiozito de oiro que a gente escuta, com o maior enlêvo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pronúncia correctíssima, gesto natural e elegante, esta costureirinha gentil parece, no palco, uma frequentadora dos salões de “bom tom”, para a qual as normas da fidalguia de maneiras não têm segredos. Merece bem as ligeiras palavras de homenagem que lhe dispensamos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Maria Tereza de Oliveira impôs-se ao público na “Roberta”, da primeira peça, conseguindo agrado pleno na “Formiga” da segunda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mocidade gloriosa num dificílimo papel de velha, a “Roberta” soube arrancar do público uma vibrantíssima ovação, que foi o melhor prémio de um esplêndido trabalho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Guilhermina de Oliveira, marcou, na “Cigarra”. Cheia de encanto e de frescura, soube vencer, sem artifícios, as dificuldades do seu papel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O restante elenco feminino correcto, não desmanchando, antes emprestando valor ao conjunto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da parte masculina, destacaremos João Cascão, no papel de maior responsabilidade de “A Cigarra e a Formiga”; Jaime e António Broeiro, que são dois verdadeiros artistas e que, por isso mesmo, em ambas as peças, conseguiram prender completamente as atenções do público; António Santos, pelo seu “à vontade” tão pouco frequente em amadores, e Manuel Nogueira, pela verdade empregada na fala difícil do João, marítimo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os outros não podemos citá-los especialmente como seria nosso desejo. Mas isso não significa menos consideração para quem, ainda que em papéis mais modestos, tanto faz realçar o corpo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O público, que nas duas noites encheu o Avenida, aplaudiu com entusiasmo. Não foram as palmas convencionais, de simpatia por esta ou aquela figura. Foram as manifestações sentidas pelo mérito de quem soube impor-se-lhe de maneira tão eloquente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Merece referência especial a música – inspirada música do distinto amador sr. António Simões, que sob a hábil regência do mesmo, a orquestra executou primorosamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Emfim, a gente de Coimbra soube mostrar duma maneira fidalga a sua admiração pelo grupo de Tavarede que, numa simpática romagem de beneficência, em tão boa hora nos visitou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Consta-nos que o referido grupo volta cá. Pois iremos de novo ao teatro, com o mesmo interêsse que alimentamos quando uma boa companhia nos visita”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O crítico do Despertar igualmente se alongou numa crítica honrosa para o grupo tavaredense. Depois de se referir às peças, cita especialmente alguns belos cenários de Alberto Lacerda e Rogério Reynaud, e elogia o esfôrço admirável de António Simões, autor de quási tôda a música e regente da orquestra. Transcrevemos somente a parte final desta crítica:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“.......não porque êstes amadores sejam de difícil ensinamento – porque existe nêles muita intuição -, mas porque são muito briosos, sentem o desejo forte de fazerem boa figura, e de serem no palco aquilo que na verdade são, sem favor os considero – amadores dramáticos dos mais distintos que tenho visto representar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do desempenho destas duas lindas peças, de géneros tão diferentes – pedras de toque para bem se aquiltar das aptidões cénicas dos amadores que as representaram – permita-se-me que, sem desconsideração para ninguém, que destaque Violinda Medina e Silva, a quem José Castilho, na “Gazeta de Coimbra”, chama, com muita razão, “a figura máxima do grupo”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Representa muito bem; diz com muita correcção; sabe cantar, e tem uma vozinha muito agradável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tomaram muitos dos que se apresentam nos nossos palcos, como artistas, valer o que vale a Violinda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Maria Tereza de Oliveira e Emília Monteiro, duas tanagras, nos seus papéis, tanto numa peça como na outra, marcaram pela dição e pelo gesto, pelo à-vontade que é, de resto, a nota mais frisante de cada um dos componentes dêste grupo que pode bem denominar-se de artístico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Guilhermina de Oliveira tem na “Cigarra” um papel de responsabilidade, de que soube tirar todo o efeito, merecendo, por isso, muitos aplausos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As restantes amadoras, Beatriz Loureiro, Aldora Santos e Eugénia Oliveira e Silva, contribuiram bem para o agrado que os dois espectáculos deixaram no público.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há nomes que são a perfeita antítese de quem os usa, e estão neste caso Jaime Broeiro e António Broeiro, que, tanto na “Justiça de Sua Majestade” como na “Cigarra e a Formiga”, têm papéis de muita responsabilidade, que desempenharam como autênticos artistas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;João Cascão, o figurante maior da “fantasia”, merece, também, a designação de amador muito distinto, como bem mereceu os aplausos muito entusiásticos que o público premiou o seu consciencioso trabalho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António dos Santos e Manuel Nogueira desempenharam, também, muito bem os seus papéis, dando-nos êste último um pescador verdadeiro na linguagem, na indumentária, no gesto, em tudo – a que o cenário “Beira Mar” deu um grande realce.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É justo falar, também, no trabalho dos restantes amadores – António Graça, Francisco Carvalho, José Vigário e Francisco Loureiro, pois todos se esforçaram pelo bom desempenho dos papéis que representaram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A massa anónima: oficiais do exército, criadas da estalagem, camponeses e camponesas (da 1ª peça), e cigarras, formigas, cavadores, rapazes e raparigas, marítimos e peixeiras (da 2ª) não desmancharam o conjunto, e mereceram, também, muitas palmas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Músicas muito lindas: bem ensaiadas e bem regidas; marcações muito boas, cenários e guarda-roupa na altura das peças e do seu desempenho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só me resta felicitar o grupo cénico da “Sociedade de Instrução Tavaredense”, pelo bom êxito da sua jornada triunfal a Coimbra, que o espera para novos aplausos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Au revoir”. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.22)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O GRUPO CÉNICO TAVAREDENSE EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das críticas dos jornais de Coimbra, muito honrosas para o grupo cénico tavaredense e das quais transcrevemos alguns trechos no último número, registamos também as elogiosas referências do brilhante cronista de Coimbra para o Primeiro de Janeiro, insertas na crónica de quarta-feira última:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“ Nos primeiros dias desta semana, exibiu-se no Teatro Avenida um grupo cénico – Instrução e Recreio Tavaredense – que teve um grande, um extraordinário sucesso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, o trabalho que representa a maneira como os seus componentes se apresentaram no desempenho dos “papéis”, é qualquer coisa a merecer admiração e simpatia, o melhor e mais respeitoso acolhimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porque não se trata de pessoas com uma educação superior, mas de simples, de modestos trabalhadores que fora das horas das suas ocupações, vão aprender a representar, a cantar, como quem diz, conhecer e falar correctamente a nossa língua, a entender as suas expressões literárias, a corrigir atitudes, a interpretar trechos musicais, ou seja, finalmente, a fazer Arte e da boa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isto é, de facto, qualquer coisa de merecimento, sôbre tudo nos tempos de terrível materialismo que vão decorrendo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas se o conjunto é admirável na interpretação das peças, estas são, por sua vez, obras de valor, merecedoras também da mais recolhida admiração.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;...............&lt;br /&gt;A sua exibição foi em favor da Obra do Professor Elísio de Moura, ou seja do Asilo da Infância Desvalida, outro motivo para que o grupo de Tavarede fique na memória dos conimbricenses pela sua valiosa contribuição para uma das melhores obras de benemerência desta terra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqui deixamos, pois, estas notas como o eco dos vibrantes aplausos merecidamente dispensados pela nossa exigente plateia à S. I. R. Tavaredense. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.25)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A PROPÓSITO DA JUSTIÇA DE SUA MAJESTADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mer caro José Ribeiro&lt;br /&gt;Saiba você, - são cinco e vários da madrugada. Já luz o buraco. Escrevo-lhe do Entroncamento. A uma mesa do restaurante. Oloresce e fumega diante de mim, uma chávena de café loiro. Venho de ver e ouvir a sua peça. E como tenho que aguardar neste poiso, uma vasta hora (- sem ter mais que fazer! -) podemos palrar como velhos amigos que somos. Suponha você, José Ribeiro, que se sentou aqui em face. Você engulipa o seu praxista café. Eu palro...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Oiça, José Ribeiro. Eu não sou crítico de coisa nenhuma. Muito menos de teatro. Sou avesso, por índole, a escovar adjectivos. Mas apetece-me hoje, neste dealbar nevoento duma manhã fria, conversar consigo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, rugem combóios. Apitam cornetas estrídulas. E já apagadas as derradeiras estrêlas, lucilam os lumes vários da Estação. Porque ainda não é dia claro. Você sabe o tom de violeta esmaecido das manhãs. É a luz que há. Imprecisa. E vaga...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Você conhece melhor que eu o teatro moderno. Nomeadamente o teatro nórdico. Esse assombroso teatro russo. O teatro da Suécia, da Noruega, da Dinamarca, - que fugindo velho ídolo, do velho Ibsen, e tem novas características e novos rumos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Teatro dinâmico. Breve. Sintético. Conciso. Claro que a análise psicológica. Mas rútila. Fulgurando como um clarão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E eu bem compreendo que você, José Ribeiro, não podia (nem devia!) fazer teatro assim para as galantes raparigas e para os rapazes firmes, da sua Tavarede, - viçosa e fresca, sussurante de águas, tôda engalanada de verduras, idílica, perfumada do doce aroma das lúcias-limas!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois é preciso haver um Procópio Ferreira, para um “Deus lhe pague”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A aproximação do teatro ao cinema – tem de fazer-se!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nós hoje falamos e escrevemos com um poder de síntese, (aqueles que o sabem fazer, que nanja eu!) que faria corar as longas orações do Padre António Vieira!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E temos de pôr a verdade no teatro!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aquilo dum major ter enxertado uma menina, como quem esfrega um ôlho, - nem no tempo em que o Afonso Henriques caçava moiros!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As mulheres defendem-se como feras!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E tudo na sua peça é suave e doce. É uma história contada a crianças, no tempo apartado em que havia lareiras e ao borralho se contava que – “era uma vez uma fada...”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Isto de palrar a uma mesa de restaurante, emquanto se espera um combóio, e a manhã se define, - leva-nos a perder o fio à conversa...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que eu queria era felicitá-lo. Perdi-me em bambalarachas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;..................&lt;br /&gt;Bem! Beba um golo de café. Eu mais um de chá. E tenha paciência. Mas falta meia hora para o combóio. Já é quási dia claro. Anda o sol, a arranhar a névoa. Cantam galos. E ali no arvoredo, deve trilar a passarada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vamos falar a sério.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A adaptação é uma maravilha. Um achado. Certo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Formosa música. Esse António Simões (que está pançudo como eu!) teve sempre um atilado gôsto. Dê por mim novo braço ao António Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;..................&lt;br /&gt;D. Violinda é uma artista. Assim mesmo. E sem favor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito galante a Emília Monteiro. Muito galante e muito bem!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gostei profundamente da Maria Tereza, na “Roberta”. Profundamente! Aquilo chama-se – representar!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Guilhermina, fresca como as suas cerejas. E tão linda!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os Broeiros, são dois excelentes amadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um rico major.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;... E não posso continuar. Vamos acabar. Eu com o meu chá. Você com o seu café! Está o combóio a abalar para longes terras. O sol já abriu a sua asa de oiro. As silharias da estação resplendem! Gloriosa manhã de Maio. Adeus, José Ribeiro. Perdoe a maçada. Isto foi uma conversa ligeira e despretenciosa. E só para nós dois...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estreita-o ao coração num largo abraço de muita sincera admiração o seu amigo firme Raym.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;N.R. – esta crónica, justamente elogiosa para os amadores tavaredenses, sai mutilada. Não deve o amigo Raym estranhar o facto: bem o avisámos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com as linhas de reticências a que recorremos nós prestamos, a final, um bom serviço ao cronista: suprimimos a razão que possivelmente ficaria ao leitor para acusá-lo de injustiça... por excessivo louvor. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.29)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;AS PUPILAS DO SR. REITOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A propósito do filme com este título)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;...............&lt;br /&gt;Olhe, José Ribeiro: há largos meses, encontrava-me por acaso em Tomar, vi anunciado para essa noite um espectáculo com a opereta As Pupilas do Sr. Reitor, por amadores de Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fez-me o caso espécie e resolvi ir ao teatro. Julgava eu ir desopilar largamente a figadeira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao finalizar o primeiro acto – e repare que não digo ao principar... – estava entusiasmado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O libretto é defeituoso. E compreende-se, em opereta extraída de romance. Mas o desempenho, os cenários, a indumentária e a música, formam um todo que não esquece facilmente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em especial, colhe-se dêsse espectáculo o espírito das autênticas Pupilas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Respeita-se, com todo o escrúpulo, o intuito do autor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quis saber a que título vinha de tão longe, da Figueira da Foz, um núcleo de amadores assim; quem o fizera, quais os seus objectivos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para encurtar, porque V. era capaz de não consentir pormenores: fui-lhes apresentado e formei a par dos admiradores da sua Sociedade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E – deixe lá passar esta – ao sair do Parque, há dias, após a projecção da fita, tive pena, sincera mágoa, de não acompanhar de perto, desde o início, a filmagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que ter-me-ia permitido sugerir ao realizador, a preciosa idea de obter uma representação das Pupilas do Senhor Reitor pela companhia de Tavarede, para ver bem como pode fazer-se arte, com as Pupilas, as do Júlio Deniz. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 08.24)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO TAVAREDENSE EM COIMBRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua carta de hoje o correspondente dêste jornal em Coimbra regista o novo êxito que o esplêndido grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense obteve naquela cidade, na segunda-feira, representando no Teatro Avenida, a peça Os Fidalgos da Casa Mourisca, em benefício da Associação dos Diabéticos Pobres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos os jornais fazem elogiosas referências aos amadores tavaredenses, o que nos é agradável registar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Gazeta de Coimbra, salientando as grandes dificuldades do drama para ser representado por amadores, numa época em que o drama está fora da moda, diz que o grupo tavaredense vincou os créditos que já tinha alcançado em Coimbra, o que é razão para o felicitar sinceramente. E o Despertar, frisando a correcção do desempenho, escreve: “O Teatro Avenida encheu-se por completo, tendo todos os amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense sido muito aplaudidos. O grupo de amadores de Tavarede pode, pois, ufanar-se de ser, na especialidade a que se dedica, um dos melhores do país”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Século, o Primeiro de Janeiro, o Comércio do Porto e o Jornal de Notícias, nas suas correspondências, igualmente registam o brilhante êxito do grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Também nós gostosamente o felicitamos, tanto mais que ao êxito artístico correspondeu o êxito material: o teatro esgotou a lotação e mais de 400 pessoas não obtiveram lugar. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 11.09)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-2279706337944522446?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/2279706337944522446/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/teatro-da-sit-notas-e-crirticas-10.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/2279706337944522446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/2279706337944522446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2012/01/teatro-da-sit-notas-e-crirticas-10.html' title='Teatro da S.I.T. - Notas e Crírticas - 10'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-894018615577319862</id><published>2011-12-29T17:55:00.002Z</published><updated>2011-12-29T18:03:39.534Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;Como iamos dizendo - ás cegas percorriamos as ruas de Tavarede sem um raio de luz, e a este propósito, abrimos uns parenthesis, para lembrar á exma. camara municipal a necessidade de ali mandar collocar meia duzia de candieiros a petroleo, o que pouco custaria, attendendo a que existem no armazem das inutilidades alguns, que pertenceram á antiga illuminação da cidade e que poderiam ser aproveitados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tavarede, assim como Buarcos, em um futuro mais ou menos proximo, constituirão bairros da cidade, e isso prevê-se pelo continuo estender de casaria pelas estradas que mutuamente as liga. Devia isso trazer um encargo, mais, para o magro cofre municipal, no entanto, mais um real ou dois que cada contribuinte pagasse, sair-lhe-ia da algibeira sem clamor, compensado com o beneficio recebido. Depois, por Tavarede faz se transito nocturno pela estrada que atravessa a povoação, e serve Buarcos á exportação das suas pescarias que se dirigem por ali a Brenha e outros pontos de seus áros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma tal medida, tomada, tendo por base estas rapidas considerações que fazemos, com certeza alliadas a outras que agora não explanamos, seria bem acolhida e digna de benemerencia uma camara que a pozesse em pratica. Oxalá a nossa opinião fosse ouvida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo... Palpando (com os pés) aquelle solo de Tavarede e de noite, como diziamos, encontramos um rapazito dos nossos passados tempos - hoje homem - o Joaquim Nunes, a quem pedimos para nos ensinar a morada d’um dos contemporaneos dos primeiros tempos das nossas visitas á povoação, que nunca nos passou da memoria, além d’outras cousas, pelo vermos representar no theatro do Paço de Tavarede, n’um drama - Os miseraveis de Londres - n’um papel em que dizia com toda a ingenuidade local: - Jorze, Jorze! se tens frio não tirel-o o capote...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este contemporaneo dos bons tempos era, e é - um rapaz, trabalhador, um mouro no trabalho - Antonio d’Oliveira. Mal diria elle que, áquella hora, o procurava, depois d’um interregno de vinte e tantos annos!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Batemos lhe á porta, nós e o Joaquim Nunes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ignorando quem seria respondeu-nos da cama:&lt;br /&gt;“Já estou deitado!”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao outro dia ficou com pena de se não ter levantado, quando soube quem eramos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * * &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda com o Nunes por companheiro pedimos lhe para nos indicar a morada de Antonio da Silva Proa e dizendo-nos estar atarefado na construcção d’um theatrinho, lá para o centro da povoação, ali fomos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Encontrámol-o com dois carpinteiros que trabalhavam no tecido do palco, e no meio de admirações de me ver n’aquella povoação foi me dando o braço arrastando-me a sua casa, aonde fomos dar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sua esposa, a Emilia do Cura, d’outros tempos, apresentava-se ainda com a sua natural bonhomia, affavel, boa moça como então era.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enleiamos uns cumprimentos rapidos cheios de alegria mutua, e o Antonio Proa, arrastando-nos sempre, e sempre prazenteiro, ferrou comnosco na sua adega...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo nos detivemos n’aquella mansão, porque, afinal, o Antonio tinha o theatrito a fervilhar lhe na cabeça. Era preciso lá ir. Palco, panno da bocca, bastidores, etc., absorviam-no.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se não conhecem o Antonio a que nos referimos, dir-lhe-emos que é o genio mais typico do genero fervilha. Não pára, não descansa, e em tendo que levar por deante um emprehendimento é capaz de não dormir seis dias ou mais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Generoso como o pae, que a fortuna ainda lhe conserva, é como elle intelligente, e um operario esculptor digno de menção no nosso acanhado meio. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 14-3-1896)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-894018615577319862?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/894018615577319862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/recordacoes-de-tavarede_29.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/894018615577319862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/894018615577319862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/recordacoes-de-tavarede_29.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-4634807716025100882</id><published>2011-12-29T17:11:00.002Z</published><updated>2011-12-29T17:50:43.564Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>Teatro da S.I.T. - Notas e Crírticas - 9</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1932&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;RÉCITA DE ANIVERSÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a benemérita Sociedade de Instrução Tavaredense pôde apreciar o número e a qualidade das dedicações e simpatias que a acompanham e facilitam a sua acção meritória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O 28º aniversário da sua fundação foi brilhantemente comemorado. Tavarede esteve em festa no sábado e no domingo. A população tavaredense associou-se com entusiasmo à comemoração, e fê-lo com sinceridade, porque sabe como tem sido eficaz e proveitosa a acção educativa da Sociedade de Instrução, através da sua escola nocturna, absolutamente gratuita e pública, que mantém há cêrca de 30 anos, e do seu teatro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem haja a benemérita colectividade pelo bem que tem feito, e que novas prosperidades experimente para que prossiga o seu caminho!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No sábado à noite realizou-se no teatro a récita de gala. A sala apresentava um belo aspecto festivo com a sua decoração: colgaduras de damasco artisticamente colocadas nas paredes e balcão, muitas flores, etc. A assistência, muitos sócios, convidados, famílias distintas da Figueira, etc., era numerosíssima. Todos os lugares ocupados e muitas pessoas comprimindo-se nas coxias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abriu a récita com a encantadora peça em 1 acto As Três Gerações, original do ilustre dramaturgo dr. Ramada Curto, que gentilmente autorizara a Sociedade de Instrução a representar esta sua obra. A peça tem três papéis – A Avó (Maria Teresa de Oliveira), A Filha (Violinda Medina e Silva) e A Neta (Guilhermina de Oliveira) – todos de grande responsabilidade. Carolina de Oliveira marcou bem a criada. O desempenho deixou a assistência admiravelmente impressionada. As palmas foram vibrantes e sucessivas ovações fizeram subiu o pano repetidas vezes. Foram notados os primores da montagem e o rigor das toilettes. Um acto de verdadeira arte, emfim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A 2ª parte foi constituída por um acto de recitativos, no qual tomaram parte os amadores: António Broeiro, Manuel Nogueira, Maria Teresa de Oliveira, António Santos, Emília Monteiro, João Cascão, Guilhermina Oliveira, Jaime Broeiro e António Graça, que disseram versos de autores portugueses e brasileiros, sendo todos justamente aplaudidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a récita fechou com a opereta A Herança do 103, desempenhada por Violinda Medina e Silva, José Silva, Manuel Nogueira e Pedro Medina. O desempenho fez rir os espectadores, que aplaudiram calorosamente os intérpretes. Foi especialmente notada a excelente voz de Violinda, que cantou primorosamente a sua parte, e em especial o dueto em que brilhou com Manuel Nogueira e que foi aplaudido com raro entusiasmo. Para o brilho do espectáculo contribuiu a excelente orquestra, sob a direcção do distinto amador sr. António Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi uma noite de intensa alegria que a todos impressionou agradavelmente. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 01.20)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;AS PUPILAS DO SR. REITOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos dar hoje a notícia de que o grupo cénico da Sociedade de Instrução inicou já os ensaios duma peça que vai constituir, tal como sucedeu com Os Fidalgos da Casa Mourisca, um êxito extraordinário: trata-se das Pupilas do Sr. Reitor – mais uma peça arrancada à obra tão portuguesa e tão bela de Júlio Deniz, e é possível ainda que para o repertório da Sociedade de Instrução Tavaredense entre também A Morgadinha dos Canaviais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As Pupilas do Sr. Reitor são um trabalho do distinto escritor teatral Penha Coutinho, em 3 actos e 4 quadros, com partitura do grande e saudoso maestro Felipe Duarte, em 23 números de lindíssima música – obra musical de alto valor em que se reflecte o típico sabor popular e o colorido campesino do romance, digna do nome do insigne compositor e cheia de dificuldades que a superior direcção do distinto amador António Simões e a competência e boa vontade de José Nunes Medina, auxiliado por outros elementos locais, hão de vencer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A representação deve manter o nome do grupo cénico à altura a que subiu com Os Fidalgos da Casa Mourisca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As duas pupilas – Clara e Margarida – personagens de responsabilidade e com exigências na partitura, são interpretadas por Violinda Medina Silva e Emília Monteiro, duas distintas amadoras, de excelente voz; Maria Teresa de Oliveira tem a seu cargo dois papéis do seu género, em que vai brilhar como na Ana do Vedor – a mulher do tendeiro João da Esquina e a governanta do Reitor; nas principais personagens masculinas: à cabeça, no João Semana, António Graça; Jaime Broeiro, no José das Dornas; António Broeiro, no Reitor; João Cascão, no Pedro; Manuel Nogueira, no Daniel; Francisco Carvalho, no João da Esquina; e noutros papéis, Guilhermina de Oliveira, Carolina de Oliveira, António Santos, José Vigário, etc., e um numeroso grupo coral. Os diversos coros, e são muitos nos três actos, todos a 3 e 4 vozes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A montagem está a ser preparada com todo o rigor, de modo a que a representação das Pupilas constitua no nosso meio um acontecimento de grande valor artístico. As quatro cenas, completamente novas, - uma para cada acto, tôdas diferentes – estão a ser conscienciosamente estudadas pelo distinto artista sr. Rogério Reynaud, que apresentará um trabalho magnífico digno de ser admirado e que será uma das suas melhores obras no género. O guarda-roupa vai ser executado a rigor por figurinos da época, e não será também descurado o mobiliário, para que tudo forme um conjunto artístico que corresponda aos esforços empenhados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A representação das Pupilas do Sr. Reitor, tal como a teremos em Tavarede, exige sacrifícios materiais – não falamos nos de outra ordem, porque êsses todos os fazem de boa vontade – que só dificilmente poderão ser cobertos. Embora: a Sociedade de Instrução não se esquece que o seu teatro o utiliza como instrumento de educação e não de lucros monetários. Atendendo a isto, o autor da peça, sr. Penha Coutinho, e a viúva do maestro Felipe Duarte cederam a obra à Sociedade de Instrução Tavaredense com dispensa absoluta de todos os direitos, o que registamos com o louvor que o acto merece.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As Pupilas do Sr. Reitor devem subir à cena pela Páscoa. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 02.13)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;AS PUPILAS DO SR. REITOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao notável esfôrço da Sociedade de Instrução Tavaredense, pondo em cena As Pupilas do Sr. Reitor com inegável carinho e absoluta probidade artística, correspondeu o grande êxito da estreia, que vai afirmar-se de récita para récita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Impressão de conjunto admirável. Interpretação excelente em todos os papéis, alguns feitos brilhantemente; guarda-roupa bem executado, feito a rigor, seguindo os desenhos de Roque Gameiro na edição de luxo do romance; cenários próprios, de bom efeito. O distinto artista Rogério Reynaud tem nas cenas que pintou para Tavarede um dos seus melhores trabalhos. O 1º acto é lindo, e ficará perfeito com os retoques que não foi possível dar-lhe para a primeira récita, por falta de tempo; mas a cena do 2º acto, a eira do José das Dornas onde se faz a desfolhada, em noite de luar, é esplêndido de desenho, de tonalidade e de efeito teatral. Tôda a montagem representa um esfôrço grande, digno de nota e nada vulgar em amadores. Acrescente-se a tudo isto a bela partitura de Felipe Duarte – 23 números de música deliciosamente portuguesa, de melodia que cai agradavelmente no ouvido e de esplêndidos efeitos de orquestração que o distinto amador António Simões ensaiou com a sua competência – e ter-se-à a explicação do êxito incontestável obtido pela representação das Pupilas do Sr. Reitor. Repete-se no próximo sábado a opereta, com a certeza de que a lotação será esgotada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo começou tarde, em virtude de dificuldades na montagem do cenário. E o último quadro teve de ser representado com cenário velho, por não estar concluído o novo. Estes inconvenientes estão removidos, e assim a próxima récita começará às 22 horas prefixas e acabará cedo, e será apresentado no último quadro o cenário próprio, a sala duma casa portuguesa, cheia de carácter, também um bom trabalho de Reynaud.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na montra da Casa das Jóias, à Praça Nova, estão expostas as maquettes dos cenários. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.13)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A REPRESENTAÇÃO DA OPERETA AS PUPILAS DO SR. REITOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O excelente grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense obteve no sábado um novo e grande triunfo, aliás já previsto; a opereta As Pupilas do Sr. Reitor, fica no seu reportório, depois dos Fidalgos da Casa Mourisca, como um belo êxito artístico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A interpretação foi sempre boa, das primeiras figuras às simples rábulas, num conjunto harmonioso e brilhante. Nas duas protagonistas vimos duas amadoras distintas: Emília Monteiro na triste Margarida, e Violinda Medina e Silva, na alegre Clara, a que deu a precisa vivacidade – ambas primorosamente. João Semana encontrou em António Graça o intérprete perfeito, o mesmo devendo dizer-se de Jaime Broeiro, no José das Dornas – dois tipos magistralmente desenhados, representação alegre, dando os efeitos cómicos com a maior naturalidade, sem um exagêro. António Broeiro compôs a primor a figura do bondoso Reitor, João Cascão e Manuel Nogueira, deram o carácter próprio ao rústico Pedro e ao volúvel Daniel. Maria Teresa fez com justo sabor as duas características – a mulher do tendeiro e a criada do João Semana; e F. Carvalho tem no João da Esquina um dos melhores papéis que lhe conhecemos. Uma rábula bem feita: a Francisca, por Guilhermina de Oliveira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Guarda-roupa a rigor e cenários de belo efeito – três cenas diferentes pintadas pelo distinto artista sr. R. Reynaud (a cena do 4º quadro só no próximo espectáculo pode ser apresentada). A música é lindíssima, bem portuguesa, com a assinatura do grande e saudoso maestro Felipe Duarte, que valorizou extraordinariamente a adaptação do experimentado escritor teatral Penha Coutinho. Pena foi que o número de abertura – a linda canção das lavadeiras – saísse com desafinação nas vozes, o que foi devido ao nervosismo com que o espectáculo começou a hora tardíssima (passava das 23!) por virtude da demora na montagem do cenário. O dueto das duas pupilas no 1º acto, foi magistralmente cantado por Emília Monteiro e Violinda Medina, que ouviram uma grande ovação; depois o grande concertante – a chegada do novo médico – difícil e de belo efeito, também aplaudido sem favor, e o côro final. No 2º acto dominou a Canção da Cabreira, em que sobressaiu a esplêndida voz de Violinda acompanhada pelo côro – quatro vozes – que arrebatou a assistência. Poucas vezes se tem feito neste teatro tão demorada e calorosa ovação. Outros números ainda foram aplaudidos e todos os restantes coros foram cantados com perfeita afinação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Merecem referência as caracterizações de António Esteves, felicíssimas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para o belo êxito das Pupilas contribuíram, além dos elementos citados, muitas dedicações desinteressadas e a competência e bom gôsto de dedicados amigos da SIT. É nosso dever registar os nomes de António Simões, que regeu a excelente orquestra – constituída por amadores mas formando um conjunto que se ouve com prazer – e dirigiu superiormente tôda a parte musical; José Medina, que ensaiou as vozes, dispendendo um esfôrço enorme em que foi ajudado por José Silva e Jerónimo Ferreira; e D. Belmira Pinto dos Santos e Pedro Campos Santos, que dirigiram a execução do guarda-roupa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A todos, e à Sociedade de Instrução, dirigimos as nossas felicitações pelo novo êxito alcançado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As Pupilas do Sr. Reitor repetem-se no sábado. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.13)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;EXCURSÃO A TOMAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próximo sábado e domingo vai o grupo a Sociedade de Instrução Tavaredense, constituído por 80 pessoas, a Tomar, onde representará, no sábado, As Pupilas do Sr. Reitor e no domingo, Os Fidalgos da Casa Mourisca, revertendo o produto destas duas récitas em benefício da instituição “Sopa dos Pobres”, daquela cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A visita do excelente grupo tavaredense é esperada com entusiasmo pelo povo tomarense, não só pelo fim beneficente das duas récitas como também pelas inesquecíveis impressões que ficaram da visita de há dois anos. Tomar, que tão galhardamente recebe os seus hóspedes, acolheu então os excursionistas com inegualável gentileza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As notícias vindas daquela cidade dizem que é grande o entusiasmo e que o teatro vai encher-se nas duas noites. E o simpático grupo terá o mais carinhoso acolhimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Também aqui há muito entusiasmo por esta visita. Tomar é uma das mais belas entre as belas terras de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sua paisagem, os seus encantos naturais, o seu pequeno e maravilhoso jardim, as margens formosíssimas do Nabão são motivos de encantamento para o espírito do visitante; não mais se esquecem; mas o tesoiro extraordinário das suas riquezas monumentais – a jóia incomparável do Convento de Cristo, Santa Iria, Nossa Senhora da Conceição, os Arcos, etc. – impõem a todos os portugueses o dever duma visita a Tomar. Quem uma vez ali vai, fica de tal modo enamorado das suas belezas que não tem remédio senão voltar para... reacender saudades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitas pessoas desta cidade desejam aproveitar a ida do grupo da Sociedade de Instrução para visitarem Tomar. A viagem pode fazer-se em excelentes condições de comodidade e economia, utilizando a camioneta dos Serviços Municipalizados, que partirá no sábado à tarde e regressará de Tomar na noite de domingo. A inscrição para esta viagem, que custa 25$00, ida e volta, está aberta. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.15)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A VISITA A TOMAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visita da Sociedade de Instrução Tavaredense constituiu por assim dizer o maior acontecimento que ultimamente aqui se tem registado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já o fim altruísta que trazia a Tomar tão simpática Sociedade, já porque ainda não tinham sido esquecidas as magníficas impressões deixadas há dois anos, tudo contribuiu para o bom acolhimento que aos tavaredenses foi dispensado e para o entusiasmo que durante dois dias se observou pela estada entre nós de tão amáveis visitantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Conforme fôra anunciado, a Sociedade de Instrução Tavaredense chegou a Tomar pelas 15 horas de sábado. O grupo era constituído por mais de 80 pessoas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na estação do caminho de ferro, além de muitos amigos, correspondentes dos jornais e povo, aguardava os visitantes a Comissão da Sopa dos Pobres, presidida pelo sr. capitão Jesus.&lt;br /&gt;Depois de feitas as apresentações e dadas as boas-vindas, dirigiram-se para os hotéis que lhes estavam reservados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao fim da tarde chegaram vários automóveis e uma camioneta com muitas pessoas e famílias que aproveitavam esta oportunidade para visitar a nossa terra. Entre outras pessoas vimos os srs.: dr. José Cruz, dr. Manuel Lontro Mariano, Manuel Jorge Cruz, Firmino Cunha, Fernando Reis, Francisco Freitas Lopes, Eduardo Soares Catita, Araújo, Carlos Traveira, etc. etc.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Refeito da viagem, espalharam-se pouco depois pela cidade, visitando o que temos digno de menção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pelas 20 horas foram cumprimentados pela Sociedade Filarmónica Gualdim Pais no Hotel Nabão e pelas direcções das nossas sociedades de recreio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À noite representou-se no teatro a linda opereta As Pupilas do Sr. Reitor, que agradou bastante. Aos principais intérpretes da peça foram oferecidos ramos de flores e a assistência aplaudiu calorosamente e fez chamadas especiais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No domingo, a-pesar-da chuva que caíu quási tôda a manhã, continuaram as visitas aos nossos monumentos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às 14 horas houve no Grémio Artístico uma matinée e um “Pôrto-de-Honra” oferecidos à Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi uma festa cheia de alegria e entusiasmo, de perfeita confraternização entre tomarenses e visitantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dançou-se animadamente, até às 20 horas. Enquanto no salão de baile se servia um chá às senhoras, num outro salão era servido o “Pôrto-de-Honra”. Usaram da palavra os srs. dr. José Cruz, dr. Lontro Mariano, Manuel Jorge Cruz, dr. Manuel Gomes Cruz, António Medina Júnior e os tomarenses António Duarte Faustino e Domingos Vístulo, que puseram em relêvo o significado desta visita e as consequências que dela resultam para a Figueira e Tomar com tão amistosas relações. Trocaram-se muitos e entusiásticos brindes, ouvindo-se, por vezes, aclamações calorosíssimas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À noite realizou-se o segundo espectáculo, com Os Fidalgos da Casa Mourisca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se a impressão deixada pelas Pupilas do Sr. Reitor tinha sido boa, a dos Fidalgos da Casa Mourisca ultrapassou tudo que se possa imaginar. À medida que a peça ia decorrendo, ia também por sua vez subindo a admiração do público pelo que estava observando. O cuidado da montagem das cenas, a forma de dizer dos distintos amadores, a perfeita interpretação de A Broeiro (D. Luís), de D. Violinda Medina e Silva (Baronesa), D. Emília Monteiro (Berta), D. Maria Teresa (Ana do Vedor), António Graça (Frei Januário), Nogueira e Cascão nos filhos do velho fidalgo, etc., formando um conjunto primoroso, que dava motivo a que a assistência, como que electrizada pelo que estava vendo, aplaudisse com entusiasmo e dissesse com justiça: parecem artistas e não amadores!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Num intervalo alguns amadores de S. Martinho do Pôrto, com o seu ensaiador, também um distinto amador teatral o professor de ensino secundário naquela vila, foi ao palco saudar o grupo tavaredense e oferecer flores às amadoras. O discurso proferido pelo ensaiador do grupo de S. Martinho do Pôrto, no qual se afirmava muita admiração pela forma invulgarmente brilhante como se estava representando a peça e se elogiava a Sociedade de Instrução Tavaredense pela sua formidável obra educativa, arrancou à assistência, que enchia completamente o teatro, novas e prolongadas ovações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, a Comissão da Sopa dos Pobres, à frente da qual estava o sr. capitão Jesus, veio ao palco agradecer a todos os tavaredenses o seu cativante desinterêsse e a sua amabilidade em virem até nós cooperar na grande obra de assistência em que se encontravam empenhados. Estas palavras foram cobertas de ovações calorosíssimas. Tôda a sala, repleta, vibrava de entusiasmo. As ovações repetiram-se quando o director do grupo cénico tavaredense, nosso amigo sr. José Ribeiro, agradeceu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitas flores, muitos aplausos e sobretudo muito entusiasmo e carinho, tudo dá motivo a que possamos afirmar terem deixado nos tomarenses as melhores impressões os dois brilhantes espectáculos que, numa hora feliz, a Sociedade de Instrução Tavaredense veio dar à nossa cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na primeira noite, a bem constituída orquestra que o distinto amador figueirense sr. António Simões nos apresentou, e que tão apreciada foi, executou, a abrir, numa simpática homenagem à nossa terra, o hino de Tomar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terminado o espectáculo de domingo realizou-se um baile no Grémio Artístico, que se prolongou até às 4 e meia de segunda-feira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os nossos simpáticos visitantes retiraram na segunda-feira, bem impressionados com o acolhimento que tiveram em Tomar, e os tomarenses viram-nos partir com saudade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Daqui felicitamos a simpática Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;=À vinda para Tomar, uma surprêsa aguardava os nossos visitantes em Caxarias: na gare da estação estavam as crianças da escola daquele lugar, tôdas levando flores e acompanhadas da nossa patrícia srª D. Iria da Fonseca Baptista e da srª D. Maria Cristina Trezentos, a cuja inteligente acção e belo espírito se deve a realização da récita infantil realizada em Caxarias e de que então demos notícia. Acompanhavam-nas ainda outras pessoas. À chegada do combóio, a srª D. Iria Baptista fez as apresentações e dirigiu saudações ao simpático grupo tavaredense, saudações que o director do grupo agradeceu com palavras de admiração pela obra daquelas senhoras e dos seus cooperadores. Às intérpretes das duas Pupilas foram oferecidos lindos ramos de cravos, bem como ao director do grupo, que por todos agradeceu, sensibilizado. No momento do combóio prosseguir a marcha, ergueram-se vivas calorosos aos tavaredenses e ao povo de Caxarias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Alguns rapazes tomarenses foram de automóvel, na segunda-feira, à estação de Chão das Maçãs, e ali esperaram o combóio que conduzia à Figueira os nossos visitantes, levando-lhes ramos de flores, o que deu origem a novas manifestações de carinhosa simpatia. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.25)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;TEATRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já aqui falámos na representação, em Tavarede, das Pupilas do Sr. Reitor e dos Fidalgos da Casa Mourisca. Não iremos, por isso, fazer novas referências à brilhante interpretação que as duas peças tiveram então e agora nos foi dado admirar de novo no Teatro Parque pelo excelente e por todos os motivos tão simpático grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O público que expontaneamente acorreu aos espectáculos de sábado e domingo e aplaudiu a representação das duas peças, foi justo, sem ser generoso. Pela excelente interpretação, tanto na parte declamada como na formosa e tão característica partitura que o grande e saudoso Felipe Duarte compôs para As Pupilas como pela rigorosa montagem cénica, as duas récitas constituíram dois belos espectáculos. Os oito cenários diferentes, o guarda-roupa, todo o arranjo das cenas foram notados pelo público, infelizmente pouco habituado a ver tratar as peças com o carinho que estas mereceram. Pena foi que as deficiências de iluminação eléctrica do teatro não permitisse realçar a beleza do quadro da desfolhada, no 2º acto das Pupilas, em noite de lua cheia, para a qual Rogério Reynaud pintou um cenário que honra o seu nome de artista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Felicitamos a Sociedade de Instrução Tavaredense pelo indiscutível êxito artístico que agora alcançou com estas duas peças tão singelas, tão saudáveis e tão portuguesas e absolutamente integradas no programa de educação moral da sua secção dramática.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sob este aspecto especial, as récitas de sábado e domingo talvez mereçam a atenção dos orientadores dos nossos vários grupos dramáticos. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 07.06)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;AS PUPILAS DO SR. REITOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Buarcos – O teatro do Grupo Caras Direitas teve no domingo uma enchente. Representou ali o bem constituído grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense a encantadora opereta portuguesa “As Pupilas do Sr. Reitor”, que é ornada de linda e maviosa música.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos os intérpretes se portaram com correcção e acêrto, mas, sem desprimor para os outros, queremos aqui salientar o trabalho de Violinda Medina e Silva, que, pela sua correcção na dicção e pela sua bem timbrada voz, sabe cativar o público que não se cansa de a ver. Interpretou muito bem o papel de “Clara”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Também nos merecem uma referência especial os irmãos Broeiros, que souberam fazer um “José das Dornas” e um “Reitor” à altura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cenário é dum efeito surpreendente, bem como o guarda-roupa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todos os espectadores ficaram satisfeitos, sendo bisados alguns números e ovacionados todos os personagens. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 09.21)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A RÉCITA EM BUARCOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festejado grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense obteve no domingo passado, em Buarcos, mais um êxito brilhante com a representação dos Fidalgos da Casa Mourisca. A lotação do teatro esgotou-se. Os aplausos foram entusiásticos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em carta da Figueira para a Gazeta de Coimbra diz o sr. Carlos de Almeida, que foi um distinto amador e é autor de várias peças teatrais:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“À noite, espectáculo no Peninsular por um grupo de bons artistas e récita no teatro de Buarcos pelo excelente grupo cénico de Tavarede, que representou o drama “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, uma das mais bonitas peças extraídas da obra de Júlio Deniz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez fiquei assombrado com o desempenho dado a uma peça cheia de dificuldades por gente modesta, sem cultura dramática. Por vezes me esqueci e julguei estar vendo representar autênticos profissionais e não gente duma simpática aldeia, em geral operários. O grupo das mulheres possui competências que não se discutem”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa carta anterior, e a propósito das Pupilas do Sr. Reitor, também se faziam as mais elogiosas referências ao grupo tavaredense. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 10.01)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CANÇÃO DO BERÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festejado grupo de amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense vai representar no seu teatro uma peça encantadora, uma verdadeira obra-prima da literatura teatral: Canção do Berço – obra dum poeta que é um grande dramaturgo espanhol, Martinez Sierra. Traduziu-a e adaptou-a outro grande poeta, o dr. Carlos Amaro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando foi representada em Madrid, um crítico distinto, Emile Carrére, escreveu num jornal espanhol:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Canção do Berço é a mais bela obra de teatro dêstes últimos tempos e o seu êxito é a consagração do artista, que, ao seu temperamento de poeta, seu subtil engenho e sua cultura, liga uma forte vontade de monge beneditino.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a emoção está na poesia alada, pura e cheia de grande dôr vital do irremediável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A crítica opinou que o primeiro acto é de assinaladíssima superioridade. Eu creio que o segundo é insuperável, ainda que seja menos harmónico no conjunto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As toucas negras substituiram as de linho branco, que se irisavam como pombas ao passar sob os vitrais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sóror Joana da Cruz e Sóror Marcela têm talvez algum fiosito branco entre os cabelos, e consomem-se no seu próprio amor, condenadas ao bárbaro suplício de amar sem amor. O sol da Primavera, o incensário florido do horto monacal, levam uma ardente conturbação às suas almas de nardo e invade-as uma imensa melancolia que é a nostalgia imensa daquela vida que triunfa para além dos muros pardos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Teresa encarna a adolescência, o amor humano, a Liberdade. A noiva ardente e enamorada, ao falar do homem a quem adora, faz assomar as lágrimas aos divinos olhos da freira. Quando chega o momento da separação, os corações estalam no peito. É a amargura trágica dos adeuses para sempre. Em cada abraço há um grande tremor de almas. Maio perfuma o sombrio locutório, a cotovia estende o seu vôo e aquela paz de melancolia terá algo de sepulcro monacal momentos depois. Ouvem-se os alegres guisos do carro que leva Teresa. O sino chama para o côro e a liturgia tem melancólicas ressonâncias do “miserere” na divina tarde azul.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sóror Joana aos graves acordes corais rompe em soluços, que é a divina e única eloquência das grandes dores. Ela foi quem dezóito anos antes arrulhou à filha de ninguém, adormecida no seu berço, com simples, luminosas palavras de uma excelsa ternura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Canção do Berço” é a melhor obra do teatro poético contemporâneo, cheio de penetrante poesia, livre de consonâncias, perfumada e subtil”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Canção do Berço é quási só representada por mulheres: o grupo tavaredense vai apresentar-nos um conjunto de doze amadoras, sendo seis em papéis de responsabilidade, o que é raro e difícil em grupos de amadores. Entram na peça apenas duas personagens masculinas, sendo uma delas o médico do convento de dominicanas, em Espanha, onde decorre a acção. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 11.16)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;TEATRO EM TAVAREDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no próximo sábado que a Sociedade de Instrução Tavaredense inicia a sua época teatral, levando à cena a encantadora peça em 2 actos, de Martinez Sierra, Canção do Berço, que o dr. Carlos Amaro, o poeta admirável do S. João Subiu ao Trono, traduziu e adaptou primorosamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Canção do Berço teve da crítica espanhola, francesa e portuguesa um acolhimento de rara admiração: é uma obra literária formosa e delicada e, ao mesmo tempo, uma sugestiva e equilibrada obra teatral. A peça foi em Espanha, como era natural, muito discutida, nas suas intenções filosóficas, que o autor lhe nega. Martinez Sierra veio à imprensa e falou sôbre a Canção do Berço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É êle que diz:&lt;br /&gt;“ A “relativa novidade do ambiente” fez com que alguém, surpreendendo-se de que um poeta possa quebrar o segrêdo da clausura, pergunte de que meios me servi para estudar detalhes da vida monástica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto tão simples e tão plácido representa a verdade da tão decantadamente tenebrosa existência monástica? É simplesmente fantasia do poeta? E o acontecimento que constitui o assunto? É imaginado? É real?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não há prodígio, milagre nem mistério nos pontos de observação que se aproveitaram para esta simplicíssima comédia. Certo: a vida das monjas é assim, e eu tive ocasião de o saber porque vivi sempre na proximidade material e espiritual de conventos e comunidades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espisódio ou acontecimento que constitui o “argumento” da obra nada tem de excepcional: certo que nem a todos os conventos de freiras entra pela roda uma criança; mas poucas comunidades haverá em que não tenha atrapalhado o juizo à maior parte das Madres – e a Igreja que lhes pôs o nome lá saberia porquê – um petiz, filho dalguma criada, do médico, dalguma vizinha pobre, dum parente, amigo ou desconhecido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E quando imaginei esta comédia baseada em um facto real, o meu único receio foi que o incidente, por ser demasiado vulgar ou conhecido, parecesse insignificante à maioria do público.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com respeito à intenção, e esta é a aclaração mais importante, já o disse no próprio dia da estreia que me propuz unicamente fazer uma obra de arte, aproveitando a intensa poesia de um ambiente que estranho não ter visto já em teatro num povo como o da Espanha, onde é tão familiar”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A peça é apresentada em Tavarede com uma montagem que está a ser feita com todo o carinho. É vestida rigorosamente, segundo a Constituição das Monjas Dominicanas, pelo guarda-roupa Castelo Branco, e os cenários são pintados por Rogério Reynaud.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na vitrina na Casa das Jóias à Praça Nova, é exposta amanhã a maquette do 1º acto. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 11.23)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;CANÇÃO DO BERÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense obteve no sábado um dos seus mais brilhantes êxitos artísticos, com a representação da peça de Martinez Sierra – Canção do Berço. A delicadíssima obra do consagrado dramaturgo espanhol bem merece o carinho e os cuidados com que a apresentou a Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No género, esta alta-comédia é, sem dúvida nenhuma, a mais bela obra teatral que o grupo tavaredense tem pôsto em cena, e também a de maior dificuldade. É uma peça de conjunto, em que os grandes papéis, por melhor interpretados que sejam, não podem fazer esquecer os outros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São dez as personagens femininas – além das figuras que não falam, o que é muito difícil de conseguir em grupos de amadores. Tomando em conta tudo isto, mais realça o belo êxito alcançado pela Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Canção do Berço é uma peça verdadeira, sincera, humana. Simples, pode dizer-se quási sem entrêcho, a sua técnica é sólida, as suas figuras são admiravelmente desenhadas e movem-se naturalmente, no ambiente próprio. O autor dá-nos a psicologia daquelas santas espôsas do Senhor em pormenores sugestivos descobertos, quási inventados – e todavia são verdadeiros – pelo seu talento. Algumas figuras assumem proporções de símbolos, sem nunca deixarem de ser simplesmente e humanamente – mulheres; a Prioreza, tão simpática, é a bondade cristã, sempre disposta a perdoar, dando aos textos da Regra e da Constituição uma elasticidade que, sem ser desrespeitadora, lhe permite ser condescendente; Sóror Joana é ela própria a canção do bêrço – encarna, na pureza ingénua do 1º acto e na saudade pungente do 2º, o amor maternal, o instinto de mãi que perdura mesmo naquelas a quem os votos monásticos condenaram à virgindade perpétua; Sóror Marcela, encantadora figurinha de monja que se define deliciosamente com as imagens do canário e do espelho, é o espírito de liberdade em rebeldia contra a clausura, tão forte que se não deixou morrer mesmo depois de trocado o véu branco do noviciado pelo véu preto e pelo escapulário benzido dos votos definitivos; Teresa, a criança oriunda do vício dum lupanar e que, para o coração e para a alma de Sóror Joana, “veio do céu, como todo o mundo”, essa é o Amor fonte de vida, é a própria Vida, é a Natureza, que não cabe dentro dum convento; por isso ela, criada no claustro, educada pelas freiras, e não obstante o amor verdadeiro “ao seu convento” e às “suas Madres”, deixa a casa santa em que cresceu e se fez mulher para, pelo braço do homem que ama, vir cá para fora, para o Mundo, onde também se pode amar e servir a Deus com mais utilidade cristã do que no convento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há ainda na peça outra figura magistralmente desenhada: é a Vigária – que personifica o respeito à lei, a fidelidade aos votos, a intransigência com o menor afrouxamento de disciplina do convento. Emquanto nas outras fala o sentimento, nesta domina a razão fria. Esta Madre Vigária chega o tornar-se antipática ao espectador, a sua frieza de coração quási parece crueldade – e, todavia,ela interpreta à risca a Regra e a Constituição, ela é, emfim, o espírito vivo da própria instituição: a antipatia que inspira ao espectador, não vem dela, vem da instituição que ela personifica com tôda a pureza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Emfim, diremos ao leitor que vale a pena ir a Tavarede ver representar a mais bela obra teatral que nos lembramos de ver posta em cena pelos nossos amadores. O conjunto é harmonioso, e, para mais, na montagem da Canção do Berço nota-se um esmêro carinhoso que dispõe bem. Os cenários de Reynaud, são lindíssimos, cheios de carácter e o guarda-roupa é o que a Constituição das Monjas Dominicanas manda que seja.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Canção do Berço repete-se no próximo sábado. O programa é completado com a opereta O 66, de lindíssima partitura, que no sábado passado não pôde ser representada por ter adoecido à última hora o sr. António Simões, o distinto amador que dirige a orquestra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São muitos os lugares tomados por pessoas da Figueira para a récita de sábado, o que é garantia de que o teatro terá uma enchente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 11-30)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-4634807716025100882?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/4634807716025100882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-crirticas-9.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/4634807716025100882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/4634807716025100882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-crirticas-9.html' title='Teatro da S.I.T. - Notas e Crírticas - 9'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-2886262805134658073</id><published>2011-12-22T18:11:00.002Z</published><updated>2011-12-22T18:19:00.879Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 8</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1931&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;RÉCITA DE ANIVERSÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução Tavaredense comemorou nos passados sábado e domingo os seus 27 anos de vida, o que equivale dizer: os seus 27 anos de luta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é demais, na notícia descritiva das festas da popular e prestimosa colectividade, dizer que a obra realizada durante estes 27 anos tem sido uma proveitosa obra de ensinamentos, uma patriótica obra de perfeição e educação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As suas aulas têm dado a muitos espíritos a luz radiosa das letras, tornando mais aptos e mais úteis à vida individual, e a bem da sociedade, que se abeira dos ensinamentos que naquele templo de luz são ministrados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E não poucas vezes a velha Sociedade tem vindo à Figueira, com o seu prestimoso grupo scénico, dar espectáculos em benefício dos doentes e dos pobres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não está mal, pois, que na hora festiva em que uma tão útil colectividade engrinalda as suas salas para festejar um dia cheio das mais caras recordações, que aqui, em homenagem, lhe dirijamos as nossas saudações pelo dia festivo que passou e os nossos cumprimentos pela obra de elevação e benemerência que tem realizado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As festas comemorativas do 27º aniversário começaram no sábado. Engalanaram-se as salas, com flores e colgaduras de damasco, aliando-se a estas notas de beleza uma caprichosa iluminação eléctrica, a côres. No poste principal, subiu a bandeira glorioso símbolo da Sociedade, que era acompanhada por outras bandeiras que puzeram na frontaria uma nota de côr festiva. Ergueram-se ao ar os primeiros foguetes anunciando a festividade, emquanto a sala de espectáculos se ia enchendo de sócios e convidados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dera-se, no palco, o sinal de comêço; cá fora, nem um lugar vago. A orquestra, sob a regência do sr. António Simões, executa o hino da Sociedade, ouvido de pé, tendo a assistência aplaudido com entusiasmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E segue a ordem do programa, fielmente, como fôra traçada no programa-convite. Sobe à scena a linda opereta em 1 acto “Evocação” – seguindo-se a formosa opereta em 2 actos “Noite de Agoiro” – da autoria do sr. dr. Celestino Gomes, que teve, no final do 1º acto, uma chamada especial, sendo-lhe oferecido entre calorosas palmas um artístico ramo de flores pelo presidente da Direcção, sr. António Cordeiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O espectáculo de gala terminou com a representação da encantadora opereta “66” – tendo os amadores recebido muitos aplausos e sendo, no final do espectáculo, novamente tocado o hino da Sociedade, levantando-se entusiásticos hurras.&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt; (Voz da Justiça – 01.21)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;TEATRO EM TAVAREDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça que a direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense ofereceu no sábado às famílias dos seus associados, representada pelo seu grupo dramático, é, incontestavelmente, das melhores que ali têm subido à scena, e pode dizer-se que a melhor daquele género.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São três actos deliciosos, ricos de graça, com situações explêndidamente criadas e alguns trocadilhos de rara felicidade. O espectador ri com satisfação e, em scenas em que domina a nota sentimental, a ternura dum singelo amor, tão simples e tão puro, a gargalhada cala-se mas não se apaga nos lábios o sorriso que denuncia os inefáveis prazeres da alma. A Luz de Alvorada é uma peça que merece ser vista e escutada, uma peça absolutamente limpa, isenta de escabrosidades, sem duplos sentidos e as graças pesadas a que tanta vez recorrem os comediógrafos para fazer rir os que já não coram. Quando o pano desce sôbre o 3º acto, o espectador levanta-se com uma sensação de alegria e bem-estar moral que lhe dão por bem empregues as três horas que passou a ouvir a deliciosa peça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A interpretação da Luz de Alvorada não é isenta de dificuldades e exige qualidades que não faltam nos amadores tavaredenses, os quais formam um grupo excelente. E a montagem é cuidada, podemos dizer perfeita dentro das condições do meio. Os scenários são dos distintos artistas Rogério Reynaud, os do 1º acto, e Alberto de Lacerda, os do 2º e 3º.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resumindo, diremos que a representação da Luz de Alvorada é uma bela nota de arte que a Sociedade de Instrução Tavaredense regista na sua actividade teatral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= A direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense comunica aos seus associados que resolveu repetir no próximo sábado, pela última vez, a peça “Luz de Alvorada”, satisfazendo o desejo de muitos sócios e famílias que não puderam assistir à récita passada. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça –04.08)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A FESTA DO JARDIM ESCOLA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.................&lt;br /&gt;E seguiu-se a representação da fantasia A Cigarra e a Formiga, pelo modesto e simpático grupo de amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense. Todos foram calorosamente aplaudidos, como era de justiça. No 1º acto houve a nota de arte culminante daquela noite de festa: Ilda Stichini disse primorosamente, com o seu formoso talento, e as suas poderosas faculdades de interpretação, A Fantasia e O Riso, belos versos dum artista de pintura que é também um distinto poeta – Alberto de Lacerda. Quando Ilda Stichini apareceu em cena, a assistência irrompeu numa extraordinária, prolongada e calorosa ovação, que bem lhe deve ter mostrado como é querida do público figueirense. Os versos da Fantasia disse-os a Artista ilustre com a vibração da sua delicada sensibilidade e a magia da sua voz. A assistência aplaudiu demoradamente, com sincero entusiasmo. Mas o número do Riso, que Alberto de Lacerda escrevera expressamente para Ilda Stichini, deixou verdadeiramente encantados os que o ouviram e se manifestaram com uma das mais vibrantes e expontâneas e demoradas ovações que naquele teatro se têm ouvido. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 07.29)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obteve um êxito fora do vulgar a representação da peça extraída do belo romance de Júlio Deniz, Os Fidalgos da Casa Mourisca. A escolha foi acertada, pois a peça está perfeitamente dentro do critério seguido pela Sociedade de Instrução Tavaredense, que só faz representar no seu teatro obras que contenham lição moral e educativa. É o caso dos Fidalgos: todos os seus actos são límpidos, sem a mancha dum só duplo sentido; nêles se exaltam as mais belas qualidades da alma, de faz a apologia do teatro como título de verdadeira nobreza, se combatem os privilégios de casta e defendem os principios liberais, com desgosto do egresso Frei Januário que em tôdas as manifestações de progresso moral e material vê a mão da Maçonaria. Magnífica lição que a Sociedade de Instrução proporciona aos seus associados através dum divertimento espiritual de pouco mais de três horas!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O desempenho, considerado como de amadores, é excelente, primoroso nalguns passos. Os papéis femininos foram entregues a três distintas amadoras: Violinda Medina e Silva, Emília Monteiro e Maria Teresa de Oliveira, que se houveram brilhantemente. Violinda fez a Baronesa de Souto Real com a vivacidade própria, sendo admiráveis a forma e as expressões irónicas nos diálogos com o padre. Muito bem! Emília Monteiro foi uma Berta delicada como no-la mostrou Júlio Deniz; algumas cenas com o orgulhoso D. Luís foram cheias de comoção, dominando o espectador. Maria Teresa interpretou a rude e bondosa Ana do Vedor de maneira que confirmou as suas qualidades já reveladas noutros papéis: é uma excelente característica. Nos papéis masculinos merece referência especial António Graça que fez o Frei Januário brilhantemente, entusiasmando as pessoas que conhecem e sabem apreciar teatro; foi sóbrio, correcto, sem caír em exagêros e ao mesmo tempo sem deixar perder um efeito, sabendo falar e sabendo ouvir admiravelmente. É um bom trabalho, do melhor que lhe temos visto fazer. António e Jaime Broeiro interpretaram respectivamente o D. Luís – orgulhoso dos seus pergaminhos, fechado no seu espírito reaccionário e a final vencido pela ternura e dedicação dos corações que o cercam – e o Tomé da Póvoa, o homem do povo sempre leal, símbolo do trabalho e da honra. Fizeram-nos pondo à prova em papéis de tanta responsabilidade os seus recursos de bons amadores. Nos filhos do velho fidalgo vimos João Cascão (Maurício), exuberante onde era preciso, irreflectido, uma criança grande em quem a bondade faz esquecer os disparates que pratica, e Manuel Nogueira (Jorge), sereno e grave, reflectido na sua pouca idade e sabendo sacrificar as aspirações do coração ao que êle considera o seu dever de filho. Cascão é um amador seguro, articulando primorosamente, sem deixar perder uma palavra mesmo quando a situação exige uma dição precipitada. Manuel Nogueira merece um elogio especial pelo muito que conseguiu fazer, entrando e vencendo quási sempre as dificuldades do papel. Interpretava pela primeira vez uma personagem daquele género, e nunca lhe coubera outro de tanta responsabilidade. Vimo-lo com prazer aproveitando o máximo e correspondendo a quanto dêle era legítimo exigir. Figura simpática e distinta sem afectação, voz bem timbrada, deu-nos um Jorge como o viram quantos leram o romance. Nos fidalgos do Cruzeiro, A. Santos e F. Carvalho; João Nogueira no filho de Ana do Vedor; J. Vigário e J. Gaspar, em papéis de menor responsabilidade, todos ocuparam o devido lugar e fizeram um bom conjunto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que houve hesitações, já atenuadas na segunda representação, e há ainda falhas; mas seria difícil que as não houvesse em amadores numa peça desta envergadura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução não poupou esforços e despesas para apresentar convenientemente esta formosa peça, e consegui-o, embora dispendendo importante quantia em guarda-roupa, cenários, etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Felicitamo-la pelo êxito artístico alcançado e felicitamos o excelente grupo de amadores que tão brilhantemente se houve.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas duas primeiras noites a lotação esgotou-se. E para sábado, 12, é já grande o número de lugares marcados. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.09)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-2886262805134658073?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/2886262805134658073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-criticas-8.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/2886262805134658073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/2886262805134658073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-criticas-8.html' title='TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 8'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-8836676232639496277</id><published>2011-12-22T18:03:00.003Z</published><updated>2011-12-22T18:09:46.159Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Ao tempo em que iamos a Tavarede, época em que tem lugar o que descrevemos, as estradas para lá eram quasi intransitáveis, isto, quer fossemos pela estrada do Pinhal, quer pela da Varzea.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira, era barranco que succedia a um barranco, pela outra, um assordeiro a outro assordeiro, entremeados de correntes d’agua. De noite, senão de dia, era preciso muito boa coragem para um menos affoito por lá passar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E justamente n’este tempo havia uma troupe de rapazes d’aqui que, até nas mais caliginosas noutes de inverno tinha a coragem de ir a Tavarede, a um theatro ou a um presepio. Bellos tempos! De quanto és capaz, mocidade!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De 1865 a 1868 frequentámos aquella pequena aldeia que, pela sua posição e naturaes attractivos se assimilha a Saint-Denis, na Africa Franceza. Como esta, ao sopé de montanhas que a circundam, aqui e além choupos a emmoldural-a, e de d’onde por entre as vareiras da vegetação nos espreita a medo, de longe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até que chegámos ao ponto de explicar a razão porque deveriamos antes dar a estes rabiscos o titulo - Uma viagem á China. Imagine-se que de 1868 para cá apenas estivemos em Tavarede uma hora, isto em Julho de 1874.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma declaração tal, a respeito de quem vive ha tantos anos perto d’essa povoação, para aquelles que quasi diariamente a frequentam, a gosar a amenidade da sua posição e do trato lhano e affavel dos seus habitantes, parece quasi inacreditavel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois é uma verdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por uma noute de Dezembro do anno passado fomos ali.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um amigo nosso, e muito estimado, lá e aqui, o Antonio de Lavos (como é mais conhecido), commerciante, achando-se bastante doente mostrou vontade de ver-nos. Vencendo a reluctancia ou esquecimento forçado de 22 annos largamos a nossa thebaida da Figueira e depois d’uns preliminares para tão extensa viagem, em dez minutos nos achámos em casa do doente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O nosso Antonio, que não contava que tivessemos tal heroicidade, ficou espantado ao ver-nos no seu quarto, a horas já um pouco adiantadas da noute.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Felizmente que o achámos melhor, bem capaz de lá para o S. João mimosear os rapazes d’aqui, com mais umas dansas e descantes d’um rancho catita que costuma organizar no seu quintal. A mulher, a Rosita, que em tempos se dedicava ao palco, e que nos deu uns exemplares traquinas, folgasões, cheios da vivacidade da idade dourada, parecia-nos a mesma, com o mesmo genio franco, risonho, endiabrado, somente modificado um pouco pela idade que já se acompanha d’uma filha, a Josephita, loura, brincalhona, viva como a mãe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como pouco tempo nos podiamos demorar entre aquella boa gente porque o carro em que haviamos ido... urgia, fomos aproveitando alguns minutos no percurso do povoado, indo quasi ás cegas, levado pelas recordações do passado á cata de amigos e conhecidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E dizemos ás cegas por pouco vermos de noute, ás cegas porque aquelle conjuncto de casas amodernadas poucos indicios nos dava dos seus traços passados, e aggravadas mais estas circumstancias, por estarmos habituados aqui á luz clara, brilhante, do gaz, quando ali caminhavamos atravez d’uma densa escuridão, que se não modificava nem ao menos por uns beneficos raios prateados de luar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 15/2/1896)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-8836676232639496277?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/8836676232639496277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/recordacoes-de-tavarede_22.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8836676232639496277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8836676232639496277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/recordacoes-de-tavarede_22.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-4806565367633764647</id><published>2011-12-22T17:54:00.003Z</published><updated>2011-12-22T18:00:52.474Z</updated><title type='text'>Natal</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2uo6t4OPxlY/TvNv_xefI1I/AAAAAAAABfc/6JSI07W7hJM/s1600/Natal%2B1.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; DISPLAY: block; HEIGHT: 284px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5689013895702717266" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-2uo6t4OPxlY/TvNv_xefI1I/AAAAAAAABfc/6JSI07W7hJM/s400/Natal%2B1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:180%;color:#336666;"&gt;E quem nos dá tanta Luz?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:180%;color:#336666;"&gt;... É Jesus!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;(Autos Pastoris - Pastores Brutos)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;Um breve apontamento para desejar a todos os meus Amigos e suas Famílias, um Natal cheio de paz e um Novo Ano de 1012 o melhor possível. Boas Festas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;(Imagem Internet)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-4806565367633764647?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/4806565367633764647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/natal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/4806565367633764647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/4806565367633764647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/natal.html' title='Natal'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2uo6t4OPxlY/TvNv_xefI1I/AAAAAAAABfc/6JSI07W7hJM/s72-c/Natal%2B1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-4359195009924525372</id><published>2011-12-16T11:49:00.002Z</published><updated>2011-12-16T12:07:00.239Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 7</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1930&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;RÉCITA DE ANIVERSÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra, verdadeiramente notável no capítulo da educação popular, que a Sociedade de Instrução Tavaredense realiza na vizinha povoação de Tavarede, é bem conhecida. Devemos filiar nesta circunstância a expressiva e calorosa simpatia que o público dedica a esta colectividade e que se não dispensa de lhe testemunhar por ocasião dos seus aniversários.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Na verdade, a acção desenvolvida pela Sociedade de Instrução Tavaredense é admirável sob todos os pontos de vista. Mantém, há quási três dezenas de anos, uma escola nocturna onde se recebem alunos, menores e adultos, sócios ou não sócios, aos quais é fornecido gratuitamente todo o material escolar. Não se limita a isto a sua função. Vai mais longe: entra no capítulo da educação e da cultura artística, limitada, como se compreende, às condições do meio -, servindo-se para isso do livro, da palestra educativa e do teatro. A influência moral e educativa exercida por intermédio do teatro, tanto sôbre os que nêle representam como nos espectadores, é evidente. Para atingir êste objectivo, segue-se na escolha das peças – algumas das quais expressamente escritas para êste fim – o critério de que o teatro não deve servir apenas para proporcionar distracção, deve, principalmente, ser um veículo de educação moral e cívica e até, num meio como é o de aldeia, um instrumento de cultura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi-nos muito grato verificar, por isso mesmo, a demonstração vibrante de simpatia pela benemérita agremiação tavaredense, a que deu lugar a festa do seu 26º aniversário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O programa executou-se com brilho excepcional, havendo nêle alguns números de muito relêvo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No sábado, a récita de gala reuniu no teatro, artisticamente ornamentado e iluminado – colchas de damasco nas paredes, flores, enorme profusão de lâmpadas eléctricas e um formoso lustre, nas côres da Sociedade de Instrução -, uma assistência numerosíssima e distinta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abriu a récita a alta-comédia em 1 acto O Caso de Consciência, de Octave Feuillet, em cujo desempenho Maria Tereza de Oliveira, António Broeiro e João Cascão souberam com justiça fazer-se aplaudir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se a peça em 1 acto Evocação, que deixou no público, mais pelo desempenho que propriamente pela peça, uma impressão agradabilíssima, diremos mesmo uma sensação de arte que bem se exteriorizou em aplausos calorosos. Emília Monteiro, Maria Tereza de Oliveira, António Broeiro e João Cascão representaram admiravelmente, mantendo uma perfeita harmonia de conjunto como não é fácil conseguir melhor em teatros de amadores duma pequena aldeia. Dignas de nota especial as primorosas caracterizações de António Esteves.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a récita fechou com chave de ouro – a opereta O 66, cuja dificílima e formosíssima partitura teve execução esplêndida pela orquestra dirigida pelo distinto amador sr. António Simões, que a assistência chamou ao palco para melhor o aplaudir, e foi muito bem cantada por Emília Monteiro, João Cascão e Francisco Carvalho. A representação teve o ritmo próprio, decorrendo com uma animação exuberante. Muito bem! Os aplausos foram entusiásticos e merecidos. A montagem era magnífica, figurando nela um fundo de belo efeito do distinto artista pintor sr. Henrique Tavares. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 01.22)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A RÉCITA DE HOMENAGEM A ALBERTO DE LACERDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi entusiástica e brilhante a festa de homenagem realizada a Alberto de Lacerda. O artista e poeta distinto a quem principalmente se deve o êxito invulgar alcançado pela fantasia A Cigarra e a Formiga, foi alvo de calorosas manifestações de simpatia e admiração.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense ornamentado com bom gôsto, oferecia um aspecto atraente. Colgaduras nas paredes e flores, muitas flores por tôda a parte. Era a última representação da encantadora peça – e a casa encheu-se! Da Figueira, do sul do concelho, de várias localidades, os automóveis e camionetas levaram muita gente a Tavarede. Esgotou-se a lotação e foi elevado o número de pessoas que não conseguiram obter bilhete.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A representação decorreu com brilho, sendo aplaudidos muitos números. Desempenho correcto, honrando as tradições do modesto e simpático grupo de amadores, que foi alvo dos maiores e mais expressivos elogios. Nos finais de acto os aplausos encheram a sala, obrigando o pano a subir repetidas vezes. E sobretudo no último, a assistência arrebatada pelos formosos versos do Amor, muito bem ditos por João Cascão, e pela beleza do quadro, irrompeu em ovações intermináveis, chamando os autores da peça e da partitura, os principais intérpretes, José Medina, que foi um valioso elemento no ensaio das vozes, e, por fim, tôda a companhia que tão brilhantemente representara A Cigarra e a Formiga. O público deixou o teatro com saudade, encantado com o espectáculo, tendo feito a Alberto de Lacerda, no final do 2º acto, uma manifestação especial e obrigando-o a vir ao palco, de onde saíu carregado de flores e envolto nas mais carinhosas e entusiásticas ovações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Têm sido vários os pedidos para que de novo volte à scena esta festejadíssima peça. Estavam-lhe garantidas novas e sucessivas enchentes. Mas é impossível atender de momento estes desejos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À noite, no Hotel Reis, um grupo de amigos e admiradores de Alberto de Lacerda ofereceu lhe um banquete, que decorreu numa atmosfera de viva simpatia. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.14)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EXCURSÃO A TOMAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomar é uma cidade encantadora. A beleza do seu rio, com margens verdejantes e arborizadas, convidando a gozá-las; a variedade de panoramas que oferece; e a maravilha do Convento de Cristo, jóia de arte que só por si basta para celebrizar aquela linda terra, - são motivos que atraem visitantes e justificam a constante passagem por ali de excursões, idas de todos os pontos do país. Quem uma vez fôr a Tomar, vem encantado e não se dispensa de lá voltar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois a Sociedade de Instrução Tavaredense vai oferecer ao seu grupo dramático um passeio àquela risonha cidade, no dia 6 do próximo mês de Julho. Ali representará a linda fantasia em 3 actos A Cigarra e a Formiga, que por certo agradará em Tomar tanto como agradou nas sucessivas representações em Tavarede e na Figueira, onde alcançou um êxito invulgar. Esta peça, que tem uma lindíssima partitura, com cêrca de 30 números de música, será representada em Tomar com absoluto rigor de montagem, com todo o variado guarda-roupa e scenários dos 10 quadros que constituem A Cigarra e a Formiga. Seguirá com o grupo a esplêndida orquestra, dirigida por António Simões, distinto amador autor da partitura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabemos que muitas pessoas estranhas ao grupo, que é constituído por 70 figuras, desejam aproveitar o belo passeio a Tomar. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.04)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;COISAS... DE TEATRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esta semana estreada em Lisboa uma revista a que se pôs o título de A Cigarra e a Formiga. Não se trata, bem entendido, da fantasia A Cigarra e a Formiga, escrita para o grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense, muito representada em Tavarede, na Figueira e em Buarcos e que no dia 6 de Julho próximo subirá à scena no Teatro de Tomar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas... vale a pena contar a história, que pode fazer-se com a simples transcrição do que disseram os jornais – sem aludir ao que êles não disseram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando há pouco apareceu anunciada A Cigarra e a Formiga nº 2 – chamemos-lhe assim, para a distinguirmos da outra – estava a tratar-se em Lisboa de fazer representar a primeira, A Cigarra e a Formiga nº 1.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi por isso que um dos autores desta, o distinto artista sr. Alberto de Lacerda, fez as diligências que constam da seguinte carta por êle dirigida aos jornais:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Exmo. sr. Director do jornal.....&lt;br /&gt;Tendo visto anunciada para breve uma revista com o título “A Cigarra e a Formiga”, venho, como co-autor da fantasia em 3 actos com o mesmo título, já representada em vários teatros da província, pedir a V.Exª o favor de publicar os seguintes esclarecimentos para evitar futuras confusões, quando, porventura, a peça a que me refiro e tem a prioridade do título, venha a ser, como espero, representada em Lisboa:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1º - ao ver anunciada a revista procurei um dos seus autores, meu colega, antigo colaborador em revistas escolares e velho amigo, sr. Fernando Santos, fazendo-lhe ver os inconvenientes de dar à sua o mesmo título da minha peça, que êle conhecia desde o dia seguinte ao da sua estreia em 18 de Maio de 1929, data em que lhe fiz oferta dum exemplar do volume das copias e contei a efabulação de “A Cigarra e a Formiga” nº 1.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;2º - que Fernando Santos me prometeu resolver com os seus colaboradores o assunto, trazendo-me depois a seguinte resposta textual: “Não pode ser, tens de ter paciência”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;3º - que cá ficamos, o meu colaborador e eu, com paciência, à espera de aplaudir “A Cigarra e a Formiga” nº 2, fazendo votos pelo seu inteiro sucesso, mas não abdicando do título com que apresentaremos a nossa, a que tem o nº 5 no registo da conservatória da Propriedade Intelectual.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agradecendo, sou, com a maior consideração...... Alberto de Lacerda”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apenas O Século publicou esta carta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Diário de Lisboa, talvez porque a carta fôsse... extensa, fez dela um resumo. Fez um resumo? Fez isto que aí vai:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Do nosso amigo e distinto pintor Alberto Lacerda, recebemos uma carta, em que nos comunica ter uma opereta com o título “A Cigarra e a Formiga”, título êste igual àquele com que apareceu agora anunciada uma revista em que colabora o seu velho amigo e também pintor e colaborador em peças de estudantes, Fernando Santos. Diz mais que a pedido dêste resolveu êle e o seu colaborador ficarem à espera de aplaudir “A Cigarra e a Formiga nº 2”, fazendo votos pelo seu inteiro êxito”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Compare-se isto com a carta, e digam-nos se isto é um resumo dela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É pena que num jornal onde se escreve bem, numa secção teatral muito completa, que deve estar a cargo de bons redactores, se não saiba resumir uma carta. Se alguma vez chegar a fundar-se a Escola de Jornalismo, em que temos ouvido falar, deverá incluir-se no programa: - fazer resumo duma carta. Parece coisa fácil – e, todavia, tropeçam nela jornalistas muito distintos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O jornal República publicou êste diz-se:&lt;br /&gt;“Que o sr. Alberto de Lacerda, co-autor de uma fantasia em 3 actos intitulada “A Cigarra e a Formiga”, vai protestar contra o facto de estar anunciada para breve uma revista com o mesmo título”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diz-se?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recebeu a carta de Alberto de Lacerda e escreveu: - Diz-se...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que mais precisaria a República para – ter a certeza?&lt;br /&gt;No dia seguinte acrescentava:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Que o distinto escritor teatral, referindo-se ao nosso último “diz-se” de ontem opinou: - Ora, se alguém devia protestar seria o “La Fontaine”...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim matava a questão. Desde que os autores da nº 1 tiraram da fábula de La Fontaine o título para a sua peça, porque não haviam os outros da nº 2 aproveitar êste mesmo título para outra peça?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A República não quis ver mais nada. As circunstâncias em que foi baptizada não lhe interessaram. Como são as coisas! A nós parecia-nos que precisamente estas circunstâncias é que importava considerar. Curteza de inteligência nossa – não pode deixar de ser...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois da carta de Alberto de Lacerda, foi enviada aos redactores da secção teatral de todos os jornais de Lisboa a carta seguinte:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Figueira da Foz, 12 de Junho de 1930.&lt;br /&gt;Prezado Camarada&lt;br /&gt;O signatário, redactor encarregado da secção teatral do jornal “A Voz da Justiça”, da Figueira da Foz, julga do seu dever levar ao conhecimento dos seus exmos. Camaradas o caso que com êle e com o seu colaborador Alberto Vergilio da Rocha Portugal Correia de Lacerda, de Lisboa, se está passando.&lt;br /&gt;Resumirei em poucas palavras.&lt;br /&gt;Sou autor, com Alberto de Lacerda, duma fantasia em 3 actos “A Cigarra e a Formiga”, peça estreada em 18 de Maio de 1929 e representada depois em vários teatros da província. Esta peça está registada, sob o nº 5, na Conservatória da Propriedade Intelectual e é nossa intenção fazê-la representar em Lisboa. Surpreendeu-nos, por isso, o facto de vermos anunciada para breve, em Lisboa, uma revista com o mesmo título.&lt;br /&gt;Nada mais natural, todavia, que aparecerem duas peças com o mesmo título, e nenhum reparo se faria se duma coincidência se tratasse. Sucede, porém, que é um dos autores da revista anunciada com o título da nossa peça, o exmo. sr. Fernando Santos, que eu não conheço pessoalmente mas sei ser amigo e camarada do meu colaborador Alberto de Lacerda, ao qual êste ofereceu, logo no dia seguinte ao da estreia da nossa fantasia, um exemplar do livro das cópias de “A Cigarra e a Formiga”, tendo-lhe ainda contado a efabulação da peça.&lt;br /&gt;Alberto de Lacerda procurou agora o seu amigo exmo. sr. Fernando Santos e fez-lhe ver os inconvenientes de apresentar a sua revista com o mesmo título da nossa fantasia, e pediu-lhe que o substituísse. Esta solicitação não foi atendida, persistindo os autores da revista em apresentá-la com um título que êles muito bem sabem que pertence a outra peça já representada, devidamente registada e que se procurava fazer representar em Lisboa.&lt;br /&gt;Não há, como se vê, simples e natural coincidência nesta igualdade de títulos. Trata-se dum caso consciente.&lt;br /&gt;Não acrescentarei outras considerações. Esta simples exposição de factos é bastante para que com inteiro conhecimento os exmos. Camaradas possam apreciar o acto de que, eu e o meu colaborador, nos confessamos vitimas.&lt;br /&gt;Agradecendo a vossa atenção, subscrevo-me com a maior consideração, Camarada mº. obdº. José da Silva Ribeiro”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se solicitou a publicação desta carta; não se pediu sequer uma referência: pretendeu-se pôr apenas os camaradas ao corrente de factos cujo conhecimento talvez pudesse interessar às suas secções e de qualquer modo facilitaria os seus juízos. Não houve o propósito – que seria desumano, temos de reconhecer! – de incomodar os camaradas. Não há, portanto, que estranhar o silêncio dos que silenciosos se ficaram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Rebate, amavelmente, publicou a carta na íntegra. E o Diário de Notícias não pôde reprimir o seu azedume, a que deu escape desta maneira:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Uma questão de títulos – Escreveu-nos o sr. José da Silva Ribeiro, queixando-se de ter sido espoliado dum título duma peça, que já foi representada e se encontra devidamente registada. Se assim é, não percebemos porque nos escreve o sr. José da Silva Ribeiro. Aos jornais recorre-se, quando a sua intervenção se reputa indispensável. Se o sr. Ribeiro tem a peça registada, isto é, se tem a lei por si, não precisa de incomodar os jornais: invoque a lei e embargue a peça que usurpou o título da sua, e está acabada a questão”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se assim é...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois claro que é. Que dúvida tem? Não se lhe indicou o número do registo da peça? Se a carta não tivesse sido dactilografada, poderíamos supôr que no Diário de Notícias não entenderam a letra...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A revista ABC, com um desassombro que deve ter deixado assombrados outros colegas, não se esquivou a tratar do caso, e fê-lo desta maneira:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Do ilustre artista sr. Alberto de Lacerda e do nosso prezado camarada na imprensa da Figueira da Foz, sr. José da Silva Ribeiro, recebemos há dias uma carta relatando um facto grave e que, por dever de justiça e de leal camaradagem, resolvemos dar a devida publicidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É o caso que sendo êstes senhores autores de uma peça teatral intitulada “A Cigarra e a Formiga”, que foi representada em 1929 em vários teatros do país e cujo título se encontra registado na Conservatória da Propriedade Intelectual, se consideram espoliados nos seus direitos ao verem o título da sua peça aproveitado por outros para a nova revista actualmente em scena no Teatro da Trindade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, o mais grave da questão é que um dos autores da nova revista, o sr. Fernando Santos, possuía, por lhe ter sido oferecido pelo sr. Alberto de Lacerda, um exemplar da peça dêste senhor, pelo que não pode alegar ignorância da existência do referido título. Acresce ainda a circunstância de o sr. Fernando Santos ter sido procurado pelo sr. Alberto de Lacerda logo que a nova revista apareceu anunciada e ter-se recusado a modificar o título da peça de que é co-autor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dadas estas agravantes, nada nos impede de supôr que, tendo-se os autores da nova revista apoderado do título de uma peça alheia, se tenham também apropriado do resto...”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cabe dizer que na Inspecção Geral dos Teatros foi, muitos dias antes da representação da nº 2, apresentada uma reclamação, devidamente documentada, que ainda não obteve despacho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, agora que a nº 2 – depois de três ou quatro vezes ter sido adiada a sua estreia – subiu à scena e se viu que a revista tanto pode chamar-se A Cigarra e a Formiga como, por exemplo, Agulhas e Alfinetes, visto que a obra representada nenhuma relação apresenta com o título, ocorre perguntar: que teria custado ao sr. Fernando Santos mudar o título, lembrando-se, quando lho lembraram, que se esquecera de que tinha em seu poder as copias oferecidas por um seu amigo e antigo colaborador, duma peça intitulada A Cigarra e a Formiga e de que êsse mesmo seu amigo era autor?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E aqui está a história. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.28)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma récita, ontem, com esta peça festejadíssima. Mais uma enchente à cunha no teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense, tendo sido elevado o número de pessoas que não pôde obter lugar. A lotação esgotou-se mais uma vez, como nas vinte e tantas representações anteriores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No 3º acto, o quadro novo As pragas do Egipto produziu esplêndido eleito. Os scenários são do sr. dr. João Carlos Gomes e o guarda-roupa, que é excelente, foi executado segundo figurinos do sr. Henrique Tavares. As decorações foram feitas pelas alunas dêste distinto artista, srªs DD. Henriqueta Leite da Silva, Maria Eugénia Coelho, Guiomar Gaspar da Mota Veiga, Regina Simões, Cremilde de Freitas, Emília Saraiva, Celeste Amaral e Ilda Carvalheiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O número da Fonte de Tavarede igualmente agradou muito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A assistência aplaudiu calorosamente O Sonho do Cavador, que continua firme no agrado do público. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 07.05)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;FIGUEIRA – TOMAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Tomar – Impossível dar uma notícia, embora resumida, a tempo de ser publicada na Voz da Justiça de quarta-feira, pela qual os leitores possam avaliar o que foi a recepção que aqui teve a excursão organizada pela Sociedade de Instrução Tavaredense. Imponência, beleza, entusiasmo, sinceridade – eis as características dessa admirável recepção, que não esquece aos que da Figueira vieram a Tomar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na estação as duas centenas de excursionistas eram aguardados por enorme multidão. O povo de Tomar – que admirável, hospitaleiro e carinhoso povo, êste de Tomar! – acorreu a receber e saudar os visitantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um cortejo imponente, constituido pelas duas bandas e tuna locais, representantes de várias colectividades, imprensa, etc., atravessou as ruas de Tomar por entre aclamações à Figueira, a Tomar e à Sociedade de Instrução Tavaredense. O aspecto da rua principal era imponentíssimo, com colgaduras de damasco nas janelas. Senhoras gentilíssimas lançavam flores sôbre os visitantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sessão de boas-vindas na Câmara Municipal foi entusiástica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À noite, a récita com A Cigarra e a Formiga – com uma casa à cunha – atingiu um êxito indescritivel. O pano subiu duas, três, quatro vezes, e as aclamações delirantes, não cessavam. Foi colocada no estandarte da Sociedade de Instrução Tavaredense uma lindíssima fita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A comissão de senhoras e a comissão de recepção foram duma gentileza rara. Encantaram-nos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dentro de 2 horas começará a representação do Sonho do Cavador, em benefício da Misericórdia de Tomar. Grande entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só no próximo número é possível fazer relato desenvolvido. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 07.09)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;FIGUEIRA – TOMAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direcção da simpática Sociedade de Instrução Tavaredense tem fortes razões para sentir-se inteiramente satisfeita com o brilho invulgar, com o êxito verdadeiramente notável da sua última iniciativa: a visita a Tomar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Promovendo esta visita, a Sociedade de Instrução não proporcionou somente um passeio magnífico, tanto sob o ponto de vista de beleza como educativo, aos 80 elementos da sua secção teatral: realizou um acto digno de ser considerado pelo que êle representa de valioso no estreitamento de relações entre Figueira e Tomar, na propaganda recíproca das duas cidades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tomar conhece mais a Figueira do que a Figueira conhece Tomar. Ali o número de pessoas que vêm à nossa praia passar o verão é relativamente elevado, constituindo uma colónia em que predominam a admiração e a simpatia pela nossa terra. Com a visita de agora, se esta simpatia naturalmente alastra e se avigora, também é verdade que Tomar conquistou lugar no espírito dos figueirenses, que para a Figueira vieram verdadeiramente encantados. E tanto e de tal maneira, que muitos se dispõem a repetir o passeio e fazem, aliás com verdade, a mais convincente propaganda de Tomar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E compreende-se que assim seja!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tomar é uma terra privilegiada de beleza. A cidade não é grande. Quem subiu lá acima ao castelo – que panorama de deslumbramento! – vê-a muito aconchegada, as casas encostadas umas às outras, comprimindo-se, afastando-se dum e outro lado das ruas perpendiculares que vão dar ao sopé do monte, partindo da praça em frente da Câmara, até que a vista encontra, lá ao fundo, a corrente verde-azulada do rio, ensombrado de esguios choupos e langorosos chorões. Mas as suas belezas naturais e o valor artístico dos seus monumentos dão-lhe grande e justo renome como verdadeira cidade de turismo que é.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A paisagem é deslumbradora. Em redor, perdendo-se nos longes, alastra na planície e trepa às encostas a mancha acizentada dos olivedos, sôbre os quais o oiro do sol parece transformar-se em prata.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais perto de nós, nos jardins e nos quintais que ficam dentro da cidade, a vegetação é exuberante, o verde é o fundo sôbre que se projecta e brinca e se transforma a luz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há frescura saudável – Tomar bebe-a constantemente no seu rio pródigo e lindo, fonte de riqueza e de poesia: são as águas nabantinas que alimentam as noras pitorescas que regam hortas e jardins, e cantam nos açudes a canção da energia que movimenta os maquinismos das fábricas, e dão a graça e a ternura ao arvoredo e às sebes das margens acolhedoras que chamam pelo Amor...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O convento de Cristo é uma jóia que por si só justifica uma visita a Tomar. O espírito sente-se preso no rendilhado daquelas pedras que falam da nossa história – e as horas passam sem que sintamos aproximar o desejo de nos apartarmos de tanta maravilha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o povo de Tomar? A sua franqueza, a sua comunicativa sinceridade, o carinho que não esconde aos seus visitantes, o espírito acolhedor que faz a sua tradição de povo hospitaleiro como nenhum outro o é mais!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tomar vivia há cêrca de um mês no pensamento dos promotores dêste passeio. Até que o dia próprio chegou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A excursão partiu da Figueira no combóio das 9,50 de domingo, seguindo nela, além dos elementos do grupo teatral da Sociedade de Instrução Tavaredense, muitas outras pessoas da Figueira. Eram cêrca de duas centenas os excursionistas. E muitas mais teriam sido se a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses tivesse concedido facilidades para o transporte. Além das que seguiram pelo combóio muitas pessoas foram da Figueira em automóveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após uma longa demora na Lamarosa, chega o combóio que conduz a excursão pelo ramal de Tomar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os figueirenses sabiam, contavam que seriam recebidos com simpatia. Mas não podiam esperar a grandiosidade das manifestações que lhes reservavam os tomarenses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Finalmente o combóio parou, e uma grande girândola de foguetes estraleja no espaço. Cá dentro, na gare, trocam-se os primeiros cumprimentos estão a comissão de recepção, representantes da Câmara Municipal, das diversas agremiações locais, imprensa, etc.; está também a comissão de gentis senhoras, a quem o presidente da Sociedade de Instrução Tavaredense oferece, em nome dos excursionistas, um lindíssimo ramo de cravos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, uma multidão enorme aguardava os visitantes. A manifestação é calorosa, ouvindo-se palmas e vivas incessantemente. O estandarte da Sociedade de Instrução cruza com os das associações que ali esperavam. A Tuna Comercial e Industrial de Tomar, a Banda Republicana Marcial Nabantina e a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais executam os seus hinos. E, em meio de grande entusiasmo, forma-se um cortejo imponente em que estão representados, além da comissão de recepção, a Câmara Municipal, Associação Comercial e Industrial, Centro Democrático Tomarense, Clube Tomarense, Grémio Artístico Tomarense, Tuna Comercial e Industrial de Tomar, Banda Republicana Marcial Nabantina, Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, Sporting Clube de Tomar, União Foot-ball Comércio e Indústria, Associação de Classe dos Caixeiros de Tomar, Orfeão Tomarense, jornal “De Tomar”, jornal “Acção”, Liga dos Combatentes da Grande Guerra, os excursionistas e muito povo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cortejo atravessou as ruas da cidade por entre aclamações e vivas. Das janelas pendiam ricas e lindas colchas e as senhoras atiravam flores. Os da Figueira, entusiasmados e reconhecidos, gritavam: - “Viva Tomar! Vivam as senhoras de Tomar! Viva o povo tomarense!” – e logo a multidão correspondia e as muitas centenas de vozes diziam: “Viva a Figueira! Viva a Sociedade de Instrução Tavaredense!”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cortejo, enorme, imponente, as bandas de música e a tuna tocando alternadamente, sobe a Rua de Serpa Pinto, cujo aspecto era deslumbrante. As aclamações sucedem-se e as flores não deixam de caír das janelas engalanadas. Ao desembocar na praça, em frente ao edifício da Câmara Municipal, uma grande girândola de foguetes sobe e estraleja no ar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os excursionistas são recebidos na escada pela comissão administrativa e sobem ao andar nobre. A sala das sessões enche-se rapidamente, ficando a multidão pela escadaria e no largo fronteiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sr. tenente José da Rocha Mendes, vogal da comissão administrativa que estava servindo de presidente, apresenta saudações de boas-vindas aos visitantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No seu discurso fala das belezas de Tomar, dos seus atractivos como cidade de turismo, dos seus monumentos gloriosos. Afirma a sua simpatia pelos visitantes e faz um elogio rasgado e caloroso da acção educativa da Sociedade de Instrução Tavaredense, promotora desta excursão, lamentando que associações como estas não estejam espalhadas por todo o país. Ao terminar, afirmando o seu desejo de que os visitantes levem de Tomar as mesmas agradáveis impressões que de si hão de deixar, ouviu-se uma entusiástica e prolongada ovação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Respondeu José Ribeiro em nome dos excursionistas. Num discurso breve agradeceu as saudações e afirmou o seu reconhecimento perdurável pelo acolhimento mais do que amável, mais do que gentil, porque era sinceramente carinhoso, que lhes dispensava o povo de Tomar e que ali, na Câmara Municipal, tão eloquentemente se ratificava. E, tendo palavras de admiração pela cidade de Tomar, e pelas qualidades afectivas e virtudes cívicas do seu povo, terminou erguendo um viva a Tomar, que foi secundado e aplaudido delirantemente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terminada a sessão de boas-vindas, que foi entusiástica e amistosíssima, o cortejo dispersou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de a Direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense ter apresentado cumprimentos no Quartel General, foi recebida, com mais figueirenses que a acompanhavam, no Grémio Artístico, onde lhe foi oferecido um “Pôrto de Honra” pela comissão de recepção, constituída pelos senhores..........&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trocaram-se entusiásticos brindes por Tomar, pela Figueira, por Tavarede, pelas agremiações de Tomar e pela Sociedade promotora da excursão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta gentileza da comissão de recepção – que não seria a última! – deixou os visitantes reconhecidíssimos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos excursionistas aproveitaram o resto da tarde para visitar os lugares pitorescos da cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À noite realizava-se no teatro a récita anunciada, na qual o grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense representava a fantasia A Cigarra e a Formiga.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os visitantes, ao entrarem no teatro, não puderam esconder a sua surprêsa. A sala estava ricamente ornamentada. Mas não era apenas a riqueza da ornamentação que deslumbrava: eram, sobretudo, o seu bom-gôsto e a sua requintada feição artística. No proscénio, suspensas no alto, uma enorme cigarra e uma formiga de igual tamanho eram como que o título da peça que ia representar-se ali no palco. Magistralmente construídas, são um trabalho que honra quem o fez, o sr. Augusto Alves Henriques. E tôda a restante ornamentação, que recebeu a influência e foi dirigida pelo sentimento artístico do sr. Francisco António Ainado, era alusiva à peça. Na ribalta, sôbre a verdura das ervas, viam-se dois carreiros de formigas – curiosíssima estilização – carregando caixas e sacos; a um e outro lado do palco, duas grandes cigarras tocando guitarra, com efeitos de luz eléctrica. No primeiro balcão, em tôda a volta, em quadros encimados por uma cigarra, descrevia-se a fábula de La Fontaine; aqui e ali, sôbre as colchas riquíssimas artisticamente dispostas, mais cigarras; e ainda em tôda a volta – um friso de formigas; e muitas flores artificiais, feitas por mãos delicadas de senhoras, agrupavam-se em lindos desenhos. Tudo isto formava um conjunto raro de beleza, produzindo um efeito deslumbrante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando subiu o pano, estavam no palco a comissão de gentis senhoras de Tomar – srªs DD.........., alguns elementos da comissão de recepção e os representantes da Sociedade de Instrução Tavaredense, com o estandarte. A orquestra executou o hino desta colectividade, que a assistência saúda com uma carinhosa salva de palmas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sr. dr. Amilcar Tavares Casquilho faz, num discurso brilhante, a apresentação do grupo de amadores tavaredenses e do sr. dr. José Gomes Cruz, que com perfeito conhecimento poderá falar à assistência da acção dêste simpático núcleo. Regosija-se com esta visita, salientando as vantagens que podem resultar dum maior estreitamento de relações entre a Figueira e Tomar, e termina com um viva à Sociedade de Instrução Tavaredense. A assistência aplaudiu demoradamente o sr. dr. Casquilho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Respondeu-lhe o sr. dr. José Cruz, que agradeceu as referências feitas e explicou a constituição dêste grupo de amadores da sua terra, falando também sôbre a obra educativa da Sociedade de Instrução. Terminou exprimindo a gratidão que ia no espírito de todos os que vieram a Tomar e aqui tiveram o penhorante e inesquecível acolhimento que lhes foi dispensado. Uma salva de palmas, entusiásticas, demorada se ouviu sôbre as últimas palavras do ilustre tavaredense, palmas que de novo se reacendem quando da comissão de senhoras se destaca a figura gentilíssima da sua presidente e coloca na bandeira da Sociedade de Instrução Tavaredense uma fita comemorativa desta visita. É uma riquíssima fita de sêda preta e vermelha – as côres da cidade de Tomar – primoroso trabalho de pintura do sr. Joaquim Tamagnini Barbosa, figura de prestígio moral pelas suas qualidades e virtudes cívicas e que desta forma se associou às homenagens prestadas pelos tomarenses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se a representação da fantasia A Cigarra e a Formiga, cujo agrado foi enorme. Logo no 1º acto, quando terminou o número de apresentação de José Cigarra, a assistência irrompeu na ovação mais calorosa que pode imaginar-se. Os bravos e as palmas demoraram-se com um entusiasmo indescritivel. Muitos números foram bisados e nos finais de acto as ovações atingiram o rubro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A assistência, tendo sabido que estava num camarote o distinto artista e poeta Alberto de Lacerda, obrigou-o a vir ao palco. António Simões teve várias chamadas especiais, sendo aplaudidíssimo com admiração e simpatia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O teatro estava cheio e os espectadores retiraram com uma impressão de agrado que a ninguém escondiam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tomar tem a sua Misericórdia. É uma instituição benemérita, cujo estabelecimento hospitalar é digno de ver-se. Faz honra à cidade. Não será fácil encontrar melhor, nem sequer igual, em terras como Tomar. Quem o visita traz de lá uma impressão que não esquece. A amplidão dos seus corredores, o asseio irrepreensível, o confôrto que se prodigaliza aos doentes, o bem-estar possível, as enfermarias bem arejadas e cheias de luz, a esplêndida e moderna sala de cirurgia – como a da Misericórdia da Figueira -, tôdas as dependências e instalações bem situadas, conforme o plano geral previamente estudado por arquitecto competente, tudo isto e o mais impressiona bem. E êste notabilíssimo desenvolvimento do hospital de Tomar é obra de relativamente poucos anos. Fez-se com um auxílio dum donativo de 240 contos do benemérito sr. João de Oliveira Casquilho, honrado e bemquisto cidadão felizmente ainda vivo, com mais de 90 anos, e cuja actividade e espírito empreendedor estão bem patentes na sua fábrica de papel da Matrena. Mas esta obra benemérita do hospital deve-se também à sua Mesa administrativa, que tem como provedor o respeitado tomarense sr. João Tôrres Pereira, figura de prestígio cujos cabelos brancos falam dos seus muitos anos de dedicação à sua terra; e principalmente, ao distinto médico sr. dr. Cândido Madureira, alma talhada para o bem, dedicando-se inteiramente ao sofrimento alheio. Trabalha no hospital há quási trinta anos, com uma devoção, uma pertinácia e, sobretudo, uma inteligência notáveis. Quando se encontram exemplos como êste do dr. Madureira – que a população tomarense justamente admira com simpatia – não se pode deixar de acreditar na solidariedade e na bondade da alma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois a Sociedade de Instrução Tavaredense ofereceu à Misericórdia a récita de segunda-feira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O teatro encheu-se de novo. O mesmo entusiasmo. A mesma vibração. O mesmo sentimento de carinho a manifestar-se em tudo e em todos. Se na véspera intérpretes, autores e maestro foram aplaudidos e chamados, não o foram com menos entusiasmo no Sonho do Cavador. A excelente orquestra contribuiu poderosamente para o brilho do espectáculo. Justamente foi de novo chamado ao palco António Simões, a quem os espectadores significaram o seu muito agrado pela formosa partitura. E a récita terminou – tendo José Ribeiro proferido algumas palavras de despedida e agradecimento – em meio dum entusiasmo delirante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O provedor da Misericórdia e o médico sr. sr. Madureira foram ao palco cumprimentar o grupo.&lt;br /&gt;O regresso fêz-se na têrça-feira, no combóio que sai de Tomar às 12,35.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À estação do caminho e ferro foram apresentar despedidas representantes da comissão de recepção e de várias organizações locais. Também ali estiveram os srs. Tôrres Pereira e dr. Cândido Madureira, representando a Misericórdia. À partida do combóio ergueram-se vivas e trocaram-se despedidas que exprimiam a alegria e a saudade, tanto nos que partiam como nos que ficavam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma outra demonstração de simpatia estava ainda reservada aos excursionistas: um grupo de tomarenses veio de automóvel a Chão de Maçãs, ao encontro do combóio em que a excursão regressava à Figueira, fazendo entrega dum ramo de flores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Os excursionistas, dividindo-se em grupos, visitaram os pontos mais agradáveis da cidade, monumentos, fábricas, etc. Demoraram-se no aprazível parque do Monchão, gozando a sua amenidade; subiram ao castelo dos templários, percorreram o famoso e formoso Convento de Cristo; viram funcionar as fábricas de tecidos de algodão, assistiram ao fabrico de papel no Prado e na Matrena, etc. etc. De tôda a parte trouxeram as impressões mais gratas pelas facilidades que lhes dispensaram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Assistiu aos dois espectáculos o sr. brigadeiro Lacerda Machado, comandante da região, a quem a comissão de recepção apresentou a direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Muitas foram as amabilidades recebidas. A firma Joaquim José Soeiro, ofereceu às amadoras do grupo dramático uma caixa de finíssimos rebuçados da sua fábrica “A Preferida”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= A direcção do Grémio Artístico foi duma cativante gentileza para com os visitantes, pondo as suas salas inteiramente à sua disposição. No fim dos espectáculos foram ali oferecidos bailes aos componentes do grupo dramático e pessoas que o acompanhavam, dançando-se animadamente, nas duas noites, até cêrca das 5 horas da madrugada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Os excursionistas, que se distribuiram pelo Hotel União Comercial, Pensão Moderna e Hotel Nabão, fazem as melhores referências à maneira como foram tratados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= A Sociedade promotora desta visita está reconhecidíssima à comissão de recepção, que foi incansável. A gratidão da Sociedade de Instrução Tavaredense é profunda, e não pode exprimir-se em palavras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Merece também os maiores elogios o Sporting Clube de Tomar, que propositadamente não deu espectáculo no domingo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi ainda importantíssima a colaboração dos briosos rapazes do União Foot-ball Comércio e Indústria, na ornamentação do teatro. Durante noites consecutivas trabalhou-se activamente nas salas dêste clube.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= O jornal “De Tomar” publicou um número especial que foi distribuído pelos visitantes. A primeira página era-lhes dedicada e trazia uma gravura da praia da Figueira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Regosijamo-nos com o êxito brilhantíssimo desta iniciativa da Sociedade de Instrução Tavaredense. Felicitamo-la.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, saudando a hospitaleira cidade de Tomar, formulamos sinceros votos pelo seu progresso. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 07.12)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-4359195009924525372?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/4359195009924525372/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-criticas-7.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/4359195009924525372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/4359195009924525372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-criticas-7.html' title='TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 7'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-24824363833117447</id><published>2011-12-16T11:39:00.004Z</published><updated>2011-12-16T11:48:12.007Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>RECORDAÇÕES DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666600;"&gt;(Muita coisa já tenho recordado destas 'Recordações de Tavarede, escritas pelo figueirense Ernesto Fernandes Tomás, e que foram publicadas na 'Gazeta da Figueira' ao longo do ano de 1896. Pareceu-me, no entanto, que seria interessante recordar toda a notícia. É muito interessante, pois dá-nos a conhecer a vida da nossa terra pelos anos de 1865/1868)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;A um pouco que vamos dizer de Tavarede, não seria fora de propósito fazel-o, encimando os rabiscos com a epigraphe - Uma viagem á China. Para o leitor desprevenido ha-de parecer esta introducção a proposito d’um enygma. Pois não é. Explicando:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ahi pelos anos de 1865, tendo voltado d’umas voltas pela America, no primeiro domingo que tinha adiante, depois da chegada, ouvi falar uns rapazes amigos em uns theatros em Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desde creança, um lamechas por divertimentos de tal genero, acompanhei até lá os amigos e sem mais demora... a caminho de Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tavarede era então um pequeno burgo, menos desenvolvido que hoje, anegrado por uns grupos de casas em derrocada, que serviram de habitação a uma população pobrissima de trabalhadores laboriosos, vivendo uns dias de trabalho n’esta cidade, enquanto que outros, transformando os terrenos á volta da antiga povoação, nos proporcionavam o gozo de um jardim de cintura, alegre, verdejante, provocando-nos ao viver no campo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tavarede assim, a povoação dos tempos coevos da monarchia, engrandecida mais tarde com o foral de D. Manoel, trazia-nos á memoria umas lendas tradiccionaes ali escondidas entre verduras e flores. Bons tempos esses!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como até hoje, os edifícios que nos chamavam a attenção, mais pelo contraste da sua extensão, com a exiguidade das outras pobres construcções, eram: o Paço, a Igreja, a casa denominada - da Renda e uma outra ao cimo da povoação pelo lado do norte, que nos indicavam como a casa de Ourão. Ainda outra deixava de entrar n’esta relação, e que existe ainda com boa apparencia ao lado do caminho para a fonte da povoação, a que chamavam a - casa do sr. João Anselmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando por essa epocha entrei, pela primeira vez, no edifício do Paço, velho alcaçar aonde esteve D. Maria Mendes Petit, mãe de Pero Coelho, um dos que fizeram de D. Ignez de Castro uma victima, condemnada pelo seu amor clandestino; quando subi aquellas escadas de pedra, frias e humidas que iam dar ao andar nobre do edifício e percorri aquellas salas vastas, mas sem conforto, lembrou-me mais do que uma vez que por ali teriam andado os passos do velho soldado da India, D. Francisco d’Almada, que por lá teria pizado António Pereira de Quadros, e a ultima habitante do velho solar, D. Antónia Magdalena de Quadros e Sousa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estes últimos jazem hoje junto ao altar-mor, em carneiro, na egreja da Mizericordia d’esta cidade, edificado em terrenos que lhes pertenciam e ao antigo couto de Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Percorrendo aquella antiquissima habitação, ainda encontrámos os restos d’um altar, n’uma das divisões ao lado do corredor principal que se dirige, no andar nobre, do norte ao sul. Um oratório, apresentando o seu esqueleto em madeira, tosca, conserva ainda ligados uns restos de forro de panno escuro, com umas linhas de galão sem brilho já.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De resto nada de interessante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Descendo ao rez-do-chão do Paço encontrámos tambem os despojos, de madeira e ferro, de um vehiculo de luxo, que poderiam ter pertencido a uma sege ou carroção a bois, cuja entidade se escondia nas brumas do passado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma tradicção que ouvimos do povo e que se liga á existencia d’umas columnas de marmore branco, muito correctas, que dividem a meio, verticalmente, as janellas da frente do Paço, hoje dos Condes de Tavarede, diz-nos que D. Francisco d’Almada, tendo combatido na India ou na Africa, os infieis, no assalto a um pagode do gentilismo, depois de o tomar, trouxe, para Lisboa, na armada, as columnas do pagode, que foram distribuidas como galardão áquelles que mais se distinguiram na guerra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A egreja de Tavarede, na sua architectura acanhada e ornatos architectonicos ressentidos do cunho das construcções jesuiticas, é, como todos os outros edifícios, um exemplar dos da época quinhentista. Obedecendo ás pragmáticas e mandados dos frades cruzios, então n’esse caso dominantes, mostra-nos, em um edifício, o obrigativo das suas regras, o seu sello de auctoridade, isto como em tudo que os tivesse de authenticar. Nada sabemos da época precisa da sua fundação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas cauzas que dizem respeito á historia das povoações do nosso concelho, encontramos em tudo uma falha quasi completa de dados auctorizados, que nos faz vacillar, para descrever, sem mentir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da casa de Ourão, apenas nos consta que uma gente de linhagem fidalga possuia esta casa, e que alguns habitantes de Tavarede lhe eram obrigados ao pagamento de fóros de que eram senhoria. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 8.2.1886)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-24824363833117447?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/24824363833117447/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/recordacoes-de-tavarede.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/24824363833117447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/24824363833117447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/recordacoes-de-tavarede.html' title='RECORDAÇÕES DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-1219633062128433388</id><published>2011-12-10T14:32:00.002Z</published><updated>2011-12-10T14:55:31.462Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 6</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1929&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obteve o êxito que prevíramos a récita de sábado, no Teatro do Casino Peninsular, com O Sonho do Cavador, em benefício da Misericórdia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A lotação esgotou-se, e grande número de pessoas ficou sem ver a festejada peça, por não ter obtido bilhetes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Representação animada, correcta por parte de todo o simpático grupo de amadores, que se apresentam com a sua natural modéstia, sem a pretensão ridícula de quererem impor-se como artistas de mérito. Tanto na parte declamada como no canto, os vários intérpretes brilharam, impondo-se à admiração do público, desde as primeiras figuras, aos simples coristas, todos formando um conjunto interessante. E deve dizer-se que a assistência era distinta, selecta, vendo-se entre ela conhecidos e exigentes apreciadores de teatro da nossa terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A impressão geral, tanto no que respeita à interpretação como à montagem, foi excelente e muito honrosa para o grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense, que no sábado firmou o seu triundo brilhante em O Sonho do Cavador.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aplausos calorosos, entusiásticos, como não é vulgar na plateia, exigente e fria, da nossa terra. Muitos números da linda partitura – uma obra feliz de António Simões executada correctamente pela sua orquestra – foram aplaudidos e outros tiveram de ser bisados. Nas chamadas especiais a autores da peça e da música e aos intérpretes denunciavam-se o interêsse e o prazer com que os espectadores assistiam àquela récita, que tinha ainda a torná-la mais simpática o facto do seu produto se destinar à Misericórdia da Figueira. Por êste acto de generosidade ouvimos justos elogios à Sociedade de Instrução Tavaredense. Bem haja!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de começar a peça, o sr. dr. José Cruz pronunciou um discurso de apresentação que a assistência ouviu com prazer e aplaudiu no final com uma grande ovação. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;01.30)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador é uma revista-fantasia, em 3 actos e 10 quadros, da autoria de João José, com musica de Antonio Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi para assistir a esta peça levada à scena pelo grupo dramático da Sociedade de Instrução Tavaredense que quasi toda a Figueira ocorreu no dia 26 passado, ao Peninsular. Não me permite esta secção, nem mesmo as normas estabelecidas em obediencia às velhas praxes jornalisticas para récitas de amadores, que façâmos a analise critica dessa revista-fantasia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Limitamo-nos, apenas, a registar o entusiasmo, verdadeiramente bizantino, com que a “plateia” da Figueira recebeu esta peça, representada ab initio num modesto teatro do ridente povoado de Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas registando o facto, somos forçados a abordá-lo, ainda que simplesmente ao de leve, para que ele desça a ocupar a posição devida – uma bem velada meia sombra da maior parte das teatradas levadas à scena por amadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não vamos incidir as nossas considerações sobre certas confusões de linguagem; sobre a falsa colocação de pormenores que atraiçôam a unidade do enrêdo; nem tão pouco sobre várias scenas que se repetem, confundindo, entediando e monotizando a pouca acção que já por si se revela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não procuramos esclarecer o espirito critico dos leitores, referindo a falta de colocação de incidentes verdadeiramente inverosimeis que quebram o legitimo equilibrio dos detalhes; nem apresentamos o mau amanharamento deste ou daquele quadro; e a ilogica e pouca racional iniciação do cavador na cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não salientamos sequer as scenas que, exageradamente romanticas, se apresentam sob a vida negra dessa ilusão perdida em face de amazonas mal engendradas que só existem na precoce imaginação do auctor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não repetimos o que sobre a peça escreveu um colega local: “a peça não vale nada”...; nem mesmo revelamos o péssimo gosto de vários quadros, com manchas verdadeiramente insonsas de fraco tom e falhas de minima e mais prudente concepção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nada disso fazemos, porque se a “plateia” da Figueira é, de facto, “plateia” – ela, de facto, tambem, já julgou definitivamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como explicar, então, este grande entusiasmo que de certo publico se apoderou, para apresentar o original de João José como a oitava maravilha do mundo; o verdadeiro formigueiro que de longada ia estrada além, até Tavarede, para assistir ás primeiras representações; a partida de tal grupo dramático de Tavarede em vento norte a Buarcos; e daqui, a este assalto ao Peninsular?!...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Valor intrinseco da peça, positivamente que não, porque fazendo eco dessa local a que nos referimos – “a peça não vale nada”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Valor de partitura, tambem não pode ser, visto a plateia da Figueira estar habituada a ouvir o que há, de bom e de melhor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo sequer nos podemos integrar na forma como decorre a acção, ou pela maneira por que os factos se sucedem, sem qualquer particularidade que emocione verdadeiramente o publico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E no entanto, o O Sonho do Cavador que o espirito judaico-franco-maçon de Tavarede nos exportou, é uma revista-fantasia de bons costumes, com uma bem acentuada nota regionalista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se explica assim, a obra de arte feita para agradar a todos os corações simplorios, do ir.’. João José que personalisa a nota regionalista da revista que se apresenta com certo ar de rejuvenescimento nacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, como é de facto, não se explica duma forma plausivel a verdadeira corrida democrática que da peça se tem feito, fazendo dela uma verdadeira parada politica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que, na verdade, o O Sonho do Cavador com uma nota acentuadamente regionalista, transbordando de amôr á terra e pela terra, é uma peça tudo quanto há de mais antidemocrática, promovendo a par e passo uma atmosfera nacional que a Democracia não pode perfilhar, por ser estructuralmente anti-nacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, se o publico a aplaudiu por méra questão politica, fazendo dela uma Grande Parada, não soube integrar-se nela, na coerencia dos seus proprios principios, visto ela ser a máxima negação de todos os máximos principios do Numero, para ser uma peça que representa a verdadeira arte nacional, na tése que pretende defender.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem todos, porém, assim o compreenderam. E, desta forma, o tal publico fala, ouve e quere fazer falar e ouvir os outros – os indiferentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, assim, essa publico fazendo da peça uma Grande Parada, conseguiu arrastar a Tavarede, outro publico novo e incredulo, propagueando mil e uma coisas, e enaltecendo ao maximo um valor intrinseco desse O Sonho do Cavador que, de verdade, nada, ou pouco, vale em si.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se satisfazendo ainda, arrasta-o, em pleno sucesso, até Buarcos, e daqui, ao Peninsular.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E porquê?!... Simplesmente porque o auctor – tenho muito prazer em dize-lo – é um ir-‘- democrático que se encobre com o pseudonimo de João José e faz parte das hostes aguerridas que combatem a actual situação politica, vivendo aliás na sua dependencia, porque a serve como seu funcionário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da peça, fizeram, pois, mais uma manifestação politica, aproveitando a boa-fé de certo publico que pretende divertir-se, criando de tal modo, um certo espirito de unidade politica que na realidade não existe e que sem grande elevação de pensamento pretende sustentar o fogo sagrado das trincheiras maçonicas da Figueira e seus arredores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, a Grande Parada, longe de ser da Metro Goldwyn Mayer Films, Lda. pois apenas é da Sociedade de Instrução Tavaredense, vai sintetisando o pensamento que representa e vive por intermédio desse ir.’. factotum maximus do orgão fariseu da sua terra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É que a politica não esquece deveres imaginarios, e sempre procura nas cada vez mais densas trevas que a apresentam, aquela politica de infiltração que pretende criar um espirito de unidade secreto que um trabalho de critica de arte pode prejudicar e aniquilar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É o nosso espirito de combatividade que ora chama a atenção da “plateia” da Figueira, para o que se passa com o O Sonho do Cavador, na certeza da incoerencia que nomeadamente designa essa Grande Parada... democrática.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da nossa emoção artistica, está tudo verdadeiramente dito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Basta que salientemos ainda que, pela analise da obra, o mecanismo de tal peça é tudo quanto há de menos democrático – apesar de escrita por um democrático e ao serviço de democráticos – porque a “Democracia significa desunião, partilha de sentimentos, oposição e luta de interesses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por lei natural, da consciencia da Nação nasceu a Patria. Pela rebelião constante do preconceito do numero contra a inteligencia, a Democracia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Democracia desconhece a natureza, escraviza as almas e mata a Nação”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E porque o O Sonho do Cavador é fundamentalmente anti-democrático, porque é nacional, - que demonio de simpatia, de aplauso ou entusiasmo lhes pode merecer o mesmo O Sonho do Cavador, com a sua tese regionalista?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A não ser que essa “plateia”, esse publico democratico que constitue essa curiosa multidão ignara de incultos amadores, apenas tenha em mira individualizar o individuo auctor, num gesto de intriga politica, bem próprio daquelas assembleias cujo “caracter especifico da eleição é o Numero, e o Numero é a antimonia da Qualidade”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas se assim é, se tudo se congrega à volta do ir.’. auctor, que fica então?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O depoimento insuspeito duma “plateia” que se deixou arrastar pela comédia democrática, “à mentira democrática, à fraude democrática – numa palavra à Democracia que é, por definição, mentira, fraude, comedia, e que se pode captar áqueles que não são incompativeis com os mentirosos, os comediantes e os burlões”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi essa a virtude d’ O Sonho do Cavador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas como na Democracia “à medida que o Numero aumenta, a competencia restringe-se” – o depoimento que os democráticos acabam de fazer com o O Sonho do Cavador, merece que o não deixemos em silencio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador, por si, revela que o nosso Teatro ainda “poderá ser português de Portugal, e a nossa vida de espirito, fortalecida em independencia honrada e salvadora, cessará de ver-se humilhada em tal aspecto, na condição de colonia de presidiários da cultura francesa” não se integrando no que diz Ch. Grun – Les régionalistes, qui comprennent á merveille l’importance du théatre, refusent, tout naturellement, de se satisfaire des tournées parisiennes (dites, par les agences, tentatives de décentralisation théatrale) et, même des pieces incolores dues á un auteurs local e montées par um directeur en mal de réclame et de décentralisation, lui aussi – porque, “contra estas mistificações estão bem prevenidos o instincto e a consciencia dos regionalistas”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pela Grande Parada... democrática de que foi alvo, revela o O Sonho do Cavador, em sua plenitude maxima, aquela tão nossa conhecida politica de – Oh! Escola, semeai!... traduzida pelos principios amorfos da L.’., E.’. e F.’., tristes simbolos da ordem revolucionária imperante do Poder anonimo que em 34 nos foi imposto pelas armas estrangeiras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois dessa ideologia revolucionária que ora serve de cobertura a todas essas lojas maçonicas que por ahi andam, ao serviço de politicos em escrupulos que a Dictadura afastou da Nação – se mistificou o Sonho do Cavador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a Figueira aceitou, indiferente, como indiferente Buarcos aceitou a mistificação. Somente para aqui, vem rotulada pela Santa Casa da Misericordia...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas os fins são os mesmos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eles ficaram exuberantemente demonstrados na noite de 26 de Janeiro, deste Santo Ano de Cristo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eis o que teriamos escrito logo a seguir á representação d’ O Sonho do Cavador, no Peninsular se nos fosse dado apresentar o nosso protesto em publico!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda que tarde, porêm, ele aí fica, claramente definido nas colunas aguerridas desta trincheira de Bom Combate.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E... sic transit gloria mundi. (a) José João. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(O Jornal da Figueira – 02/27)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do êxito invulgar do Sonho do Cavador – que terá de ser reposto em scena para uma nova série de récitas, satisfazendo-se dêste modo os insistentes pedidos feitos à direcção -, um outro êxito artístico vai alcançar, mais retumbante ainda, o grupo de amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Decorrem activamente os ensaios da nova peça A Cigarra e a Formiga, interessantíssima fantasia em 3 actos. A peça tem uma acção que resulta do conflito da fábula, e encerra uma lição moral que é a sua finalidade, como é do programa educativo da Sociedade de Instrução. Cêrca de 30 números de música, quási todos originais de António Simões, alguns dêles admiráveis e reveladores do temperamento artístico do distinto amador; versos dum poeta que se afirma brilhantemente, alguns números duma grande beleza; guarda-roupa de lindo efeito, que está sendo executado sob a direcção duma distinta modista e por figurinos próprios desenhados por um artista de méritos conhecidos; scenários próprios, etc. – todo um conjunto de elementos que só raramente conseguem reunir-se.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A interpretação está a cargo dos modestos amadores que representaram o Sonho do Cavador. O grupo coral – 24 pessoas – tem agora, além de todos os seus antigos elementos, mais quatro novas amadoras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, é cada vez mais forte a simpatia e a admiração que a população da nossa terra vota à benemérita colectividade local, cuja notável obra educativa vem sendo desenvolvida há mais de 25 anos com o aplauso de tôdas as pessoas de bem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Cigarra e a Formiga, podemos afirmá-lo, será mais um êxito brilhante da Sociedade de Instrução Tavaredense. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.13)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive anteontem na Sociedade de Instrução Tavaredense, onde assisti à primeira representação da fantasia em três actos “A Cigarra e a Formiga”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esplendidamente levada à scena, “A Cigarra e a Formiga” em nada fica àquem do festejadíssimo “Sonho do Cavador”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, assim, eu mais uma vez fiquei com a soberba consoladora convicção de que naquela Sociedade há um grande culto pela Arte; de que naquela Sociedade a valer se trabalha para que o nome de Tavarede, ou mais ainda – o da Figueira -, se engrandeça e nobilite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução Tavaredense marca indubitavelmente um lugar de incontestável destaque entre as suas congéneres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Trilhando com nobreza uma directriz formosa, surda a doestos próprios de réptis; indiferente perante os dispautérios de inteligências falidas; sempre trabalhando com paixão fervorosa dos fortes, dos que sabem querer, a Sociedade de Instrução Tavaredense é uma sociedade que tem um passado glorioso, e diante de si um futuro risonho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De ascenção em ascenção, de triunfo em triunfo, ela chegou onde hoje se encontra: ao cume glorioso que tôdas as Sociedades congéneres, que muito prezem o seu nome, que muito trabalhem pelo seu engrandecimento, devem apetecer galgar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, neste concelho, já tive ocasião de observar – e com bastante satisfação o registo – que quási em tôdas as localidades os homens bons colectivamente trabalham por desviar a população dos antros onde a miséria, a embriaguez e o vício proliferam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é só a Sociedade de Instrução Tavaredense. .............................(Rui Fernandes Martins) &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.22)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas informações que tinhamos, contávamos já que a nova peça da Sociedade de Instrução Tavaredense – A Cigarra e a Formiga – agradaria ao público; mas estávamos longe de supôr que ela viria a constituir o que, tendo em vista o lugar e os elementos que a representaram, pode, sem exagêro, classificar-se de êxito sensacional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agradou muito a peça, pela sua simplicidade, pelos conceitos que nela aparecem, pela sua função educativa, pela finalidade moral que encerra. Mas os versos que pelos 3 actos estão espalhados surpreenderam pelo seu encanto, pela beleza que nêles palpita e pela arte com que estão trabalhados. Versos como os da Cigarra e a Formiga, só um artista de fina sensibilidade e profundos conhecimentos de arte de versejar poderia fazê-los. Citamos ao acaso: a poesia maravilhosamente bela A Fantasia, o Desleixo e o Fatalismo, profundos de observação; o soneto A Tenacidade, modelar na forma e rico de expressão enérgica; o recitativo da Toilette, graciosíssimo de comentário ligeiro; e para não falarmos nas lindas quadras ao sabor popular que se cantam na Desgarrada do 2º. acto, no Prólogo, na Alegria de Viver e em outros números, citaremos os belíssimos versos que fecham a peça – O Amor – que são simplesmente maravilhosos, arrebatadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Digamos ainda que a partitura é formosíssima. Sem querermos diminuir o valor da linda música do Sonho do Cavador, afigura-se-nos que na Cigarra e a Formiga tem António Simões um trabalho valiosíssimo, magistral como interpretação do poema, rico pela variedade de expressão. António Simões bem mereceu a chamada entusiástica com que a assistência fundamente impressionada, o alvejou logo no fim do 1º. acto. Muito bem!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E do desempenho que dizer? Que excedeu em muito o que poderia esperar-se do grupo modesto da Sociedade de Instrução. O principal papel foi confiado a João Cascão, que no José Cigarra se manteve brilhantemente à altura a que ascendeu no Manuel da Fonte. Muito bem! No final do número A cigarra tem guitarra, e a formiga tem barriga, primorosamente cantado, a assistência irrompeu na mais calorosa e entusiastica ovação que ali temos ouvido, sucedendo o mesmo no recitativo final. Jaime Broeiro cheio de naturalidade no Desleixo e no António do Moleiro; o mesmo diremos de António Broeiro – o seu trabalho no 2º. acto é perfeito, cingido às rubricas da peça, mantendo admiravelmente a figura de João Viúvo dentro da necessária discrição; Emília Monteiro, Maria José da Silva, Maria Tereza, Guilhermina de Oliveira e Carolina de Oliveira mereceram os aplausos que ouviram, devendo também citar-se António Graça, que disse muito bem o Prólogo, Francisco Carvalho (esplêndida voz de barítono), José Vigário e F. Loureiro. Duas boas vozes que brilharam: Alzira de Oliveira e César Figueiredo. E todos os restantes, nos coros, se mantiveram nos seus lugares, formando um bom conjunto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O guarda-roupa é interessante, tendo sido justamente elogiada a modista srª. D. Belmira P. Santos. E os scenários completam a impressão de beleza colhida pelos espectadores. A cozinha do 2º. acto – completa, produzindo belo efeito. E o pano da apoteose final pode considerar-se uma formosíssima tela, tanto pela beleza da concepção como pela sua execução primorosa – em tudo digno do distinto artista sr. Alberto de Lacerda, que gentilmente o ofereceu à Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resumindo: um espectaculo magnífico, que deixou as melhores e mais fundas impressões nos que a êle assistiram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A casa estava cheia. E vai encher-se de novo no sábado com a representação da Cigarra e a Formiga. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.22)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A repetição da fantasia em 3 actos A Cigarra e a Formiga levou no último sábado a Tavarede grande número de pessoas desejosas de verem a nova peça em scena no teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O agrado no público acentuou-se mais ainda. Muitos números foram aplaudidos e outros tiveram de ser bisados. E não sucedeu isto apenas nos números de música (João Cascão ouviu no número do 1º quadro do José Cigarra mais uma ovação calorosíssima): o monólogo do Desleixo, o belo recitativo da Fantasia e o soneto A Tenacidade foram escutados com visível satisfação e cobertos com salvas de palmas entusiásticas; e, no final, os lindos versos que preparam a apoteose do Amor arrancaram à assistência uma ovação demoradíssima que bem mostrava o estado de espírito da assistência, na sua maioria constituída por pessoas desta cidade. O formosíssimo quadro com que fecha a peça deixou no público uma impressão dominante, sendo muito apreciado o belo trabalho de pintura do distinto artista sr. Alberto de Lacerda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Cigarra e a Formiga dá no próximo sábado a última representação. A maioria dos seus intérpretes emprega-se na agricultura e os trabalhos intensivos da época não permitem, nas noites pequenas de Junho, a realização dêstes espectáculos. E assim A Cigarra e a Formiga, tal como já sucedera ao Sonho do Cavador, tem de interromper em pleno triunfo a sua carreira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pode antecipadamente dizer-se que a lotação se esgotará no próximo sábado. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.29)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como prevíramos o teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense teve no sábado uma casa à cunha. A lotação esgotou-se e os aplausos foram vibrantes, calorosíssimos. A Cigarra e a Formiga está absolutamente firmada no agrado do público, que agora a consagrou com manifestações tão expontâneas como entusiásticas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os números aplaudidos foram muitos. O côro final do 2º acto e o Jazz-band foram bisados; o número do José Cigarra, no 1º acto, que João Cascão diz, mais do que canta, primorosamente, provocou uma ovação enorme, demorada; no final do 1º quadro do 2º acto, quando a cortina correu sôbre o concertante – página magistral da partitura de António Simões – a assistência, verdadeiramente subjugada pela brilhante representação que nalgumas personagens nos dá a impressão de ser realizada por artistas e não por modestos e despretenciosos amadores, irrompeu numa salva de palmas calorosas, que durou minutos, repetindo-se as chamadas e obrigando os intérpretes a aparecer duas, três, quatro vezes. O mesmo sucedeu no fim da peça, com os belos versos do Amor que fundamente impressionam os espectadores, impressão que mais vigorosamente se firma com o formosíssimo quadro pintado pelo distinto artista sr. Alberto de Lacerda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O êxito do Sonho do Cavador não esqueceu ainda. Pois aí está A Cigarra e a Formiga marcando outro êxito enorme e invulgar em grupos de amadores de aldeia. Infelizmente a época obriga a interromper a sua representação, em pleno triunfo, com as lotações esgotadas e aplausos que não cansam. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.05)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal O Século, na sua página teatral de terça-feira, publicou um artigo crítico acêrca da interessante fantasia em 3 actos A Cigarra e a Formiga, com tanto agrado representada pelos modestos amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense. Vem assinado com as iniciais J.T. e por isso atribuímos o artigo ao distinto crítico e escritor teatral de Lisboa, sr. dr. José Tocha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos muito prazer em arquivar no nosso jornal esta apreciação, feita por pessoa de especial autoridade e competência, da peça A Cigarra e a Formiga, sobretudo pelas palavras de justiça que nela se dedicam aos humildes rapazes e raparigas que a interpretam e à acção, a todos os títulos notável, que a Sociedade de Instrução Tavaredense continua desenvolvendo em prol da educação do povo de Tavarede. Transcrevamos:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Em Tavarede, a dois passos da Figueira da Foz, há uma sociedade de instrução, a Sociedade de Instrução Tavaredense, que dispõe dum pequeno teatro, uma autêntica boite, como agora se diz, onde costuma realizar espectáculos curiosíssimos, récitas em que representa uma companhia de amadores absolutamente excepcional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Basta dizer que a constituem humildes trabalhadores do campo ou das oficinas, que trabalham de sol a sol e à noite aprendem, estudam, ensaiam com as dificuldades que se adivinham, sabendo-se que entre êles muitos há que nem sabem lêr.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há dias assistimos a um dêsses espectáculos, representando-se a fantasia em 3 actos “A Cigarra e a Formiga”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A peça é um trabalho de notável merecimento literário, bem construída, interessando de princípio ao fim e visando a produzir um efeito moral dos mais salutares, qual o duma lição clara que prende e diverte os que a recebem – todos os que assistem – e fica por certo nos espíritos de todos melhor que a mais profunda prédica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Subido o pano, à frente duma cortina, o Prólogo vem dizer de sua justiça. Vai contar-se uma história que, embora o pareça, não é velha. E o próprio Prólogo apresenta ao público as duas figuras simbólicas, a Cigarra e a Formiga, retirando-se em seguida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em presença uma da outra, cada qual procura fazer valer os seus predicados e aponta os defeitos da outra, ante José Cigarra um rapaz leal e bom mas um tanto alegre e folgazão, um tanto cabeça de vento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em casa da Cigarra, depois em casa da Formiga assiste José Cigarra a um desfiar de figuras simbólicas apresentadas com habilidade, metidas na carpintaria da peça com lógica e a propósito, como sejam a Alegria de Viver, o Riso, o Fatalismo, a Abundância, o Pão, o Vinho, o Oiro, etc. terminando o 1º. acto com uma apoteose ao trabalho que a Formiga apresenta como suprema aspiração das pessoas bem formadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No segundo acto as figuras simbólicas transformam-se em figuras da vida real.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António Moleiro, viúvo, vive com uma filha, Luísa, que namora José Cigarra com consentimento e agrado do pai. Este, porém, a certa altura, sabendo que João Viúvo, um ricaço boçal da aldeia, procura casar de novo porque, diz êle, a mulher que escôlha valerá bem por duas criadas, tocado pelo espírito da ganância, pela ambição de riqueza, ajuda a pretensão do velho quanto ao casamento com Luísa. Esta, como filha obediente e submissa acata tudo sem protestos embora, intimamente, se contrarie porque o seu desejo seria casar com José Cigarra. A atitude de Luísa deixa no espírito dêste uma dúvida sôbre o amor que ela dizia consagrar-lhe. E José Cigarra resolve, despeitado, rir e divertir-se na festa de S. João que a seguir se realiza. É êste um quadro cheio de realidade, felicíssimo sob todos os pontos de vista, que inclui uma desgarrada cantada pelos dois noivos, ela porque a isso a constrangeram, êle para lhe responder, que é um verdadeiro achado teatral e um primor de poesia no género.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segue-se o 3º. acto, em cujo primeiro quadro se assiste à passagem de figuras da vida moderna, agitada e fútil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cabelos cortados, a toilette arrojada, o jazz, e charlston, etc., são assuntos para uma série de números cheios de vivacidade e de graça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, José Cigarra farta-se da vida estouvada e procura em casa da Formiga encontrar o que deseja.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em casa da Formiga, enquanto espera que o recebam, adormece e sonha. No sonho aparecem-lhe, nas suas verdadeiras proporções, as figuras reais da peça. João Viúvo é a Formiga com todos os seus defeitos e sem nenhuma das suas qualidades. Êle próprio é a Cigarra estouvada de mais e com pouco amor ao trabalho. Pesando prós e contras êle mesmo tira as conclusões e é já abraçado a Luísa, que nunca deixou de lhe querer, que responde à Cigarra e à Formiga e às suas censuras, uma porque êle se inclina para as teorias da outra. Ambas têm qualidades e ambas têm defeitos. José Cigarra, aprendeu com ambas e concluíu que é preciso trabalhar, lutar, ser bom e honrado sem deixar de ser alegre em saber rir e divertir-se. De tudo isto sai a inevitável e eterna vitória do amor e acaba a peça com uma interessantíssima apoteose ao Amor da família, do trabalho, do semelhante, da Pátria, enquanto um hino solene se faz ouvir e o pano cai.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se é certo que a peça é, a todos os títulos, um trabalho notabilíssimo, digno mesmo dum ambiente mais amplo que um simples teatrinho de aldeia, o que principalmente interessou foi a companhia. É que não conhecemos nada que se compare. Temos visto muita vez grupos de furiosos, mais ou menos desastrados, mais ou menos aproveitáveis, mas nunca viramos um conjunto tão curiosamente organizado e tão excepcional pela circunstância de ser recrutado entre gente do campo e de profissões humildes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Prólogo, António Graça, é cavador de enxada; José Cigarra, João Cascão, é ferreiro de ofício.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São dois elementos de real valor, principalmente o segundo que, por ser um rapaz, estava muito a tempo de se fazer um óptimo actor, porque não lhe faltam qualidades para isso. Os mais, entre os rapazes e as raparigas, revelaram-se também bons intérpretes, com defeitos naturais, mas desculpáveis. Entre êles Emília Monteiro, Guilhermina de Oliveira, Maria Teresa de Oliveira, Maria José da Silva, Francisco Carvalho, os dois irmãos Broeiros, César de Figueiredo, etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A música, de António Simões, acompanha com felicidade tôda a peça, nomeadamente no concertante do segundo acto, que é uma página de real merecimento, e no fim do 6º. quadro, onde motivos populares são habilmente aproveitados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alberto de Lacerda, doublé de pintor e poeta, não se limitou a fazer os versos: pintou parte do scenário, sendo particularmente feliz na apoteóse final, que como idéa completa admiravelmente o sentido geral da peça e como execução é um bom trabalho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;.......................&lt;br /&gt;Exemplos como os da Sociedade de Instrução Tavaredense devem ser seguidos por tôda a parte, deviam mesmo ser auxiliadas pelo Estado estas simpáticas iniciativas, que roubam à ociosidade e à taberna um punhado de bons trabalhadores e servem para recolher proventos destinados ao cofre duma escola.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É possível que muitos leitores destas linhas tenham para o que fica dito o encolher de ombros desdenhoso, natural em quem não acredita sem ver.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois é pena que Tavarede fique ainda assim tão longe. Vendo se convenceriam de quanto pode conseguir a boa vontade ao serviço duma idéa generosa e sob todos os aspectos simpática. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.15)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;TEATRO DE AMADORES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucedeu o que previramos: o grupo de amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense levou ao teatro Parque, no sábado e no domingo, duas enchentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na primeira noite representou-se A Cigarra e a Formiga, que despertou um interêsse invulgar e obteve um agrado completo que pode bem avaliar-se pelas ovações calorosas que se ouviram frequentemente, sublinhando vários números e intensificando-se mais ainda nos finais de acto. No final da peça, a assistência, dominada pela beleza dos versos do Amor, que João Cascão diz primorosamente, e pelo formosíssimo quadro pintado pelo distinto artista sr. Alberto de Lacerda, irrompeu numa salva de palmas entusiástica, que demorou minutos – uma ovação extraordinária, como só raramente ali temos ouvido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O desempenho é interessante e, por parte de alguns – citemos, por exemplo, Jaime e António Broeiro e João Cascão, para não falarmos no interessante grupo de raparigas que interpretam papéis de responsabilidade, podemos dizer que é brilhante. A música é um factor importante na Cigarra e a Formiga: a linda partitura honra o distinto amador nosso patrício sr. António Simões, que foi duma grande felicidade, tanto nos números originais – o terceto do Pão, Vinho e Oiro, o número de José Cigarra, o terceto do Fatalismo, o magistral concertante do 2º. acto e a página musical magnificamente interpretativa da música do 3º. acto – como nas adaptações, reveladoras dum perfeito sentido teatral. O côro com que fecha o 2º. acto, evocando motivos populares, é simplesmente encantador. A assistência bem o compreendeu. E vem a propósito dizer que António Simões realizou êste trabalho notável – como outros anteriores – sem mira na celebridade ou no interêsse: nem pretende que o considerem mais do que um amador, que neste campo trabalha por prazer espiritual, nem procura auferir lucros, pois não percebe pelo seu esfôrço a mais insignificante remuneração.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No domingo representou-se O Sonho do Cavador. Era a 19ª. representação. E, a-pesar-de a peça ser já muito conhecida na Figueira, a casa encheu-se e a assistência, satisfeita com a sua interpretação, aplaudiu com entusiasmo nos finais de acto e manifestou-se com palmas em muitos números.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os modestos e humildes rapazes da Sociedade de Instrução Tavaredense têm razão para estar contentes com o seu incontestável triunfo. As manifestações dos espectadores que encheram o teatro nas duas noites foram eloquentes. Era a primeira vez que um grupo de amadores anunciava duas récitas e esperava o público, sem fazer a costumada passagem prévia da casa com as circulares do estilo. O público compreendeu – como se viu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Merece registo o facto. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.19)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das bandas de Tavarede, onde a seita dos três pontinhos ilumina a obtusidade de meia duzia de camponios ensinando-os a dar á perna num geito lôrpa e a proferir sandices de olhos em alvo, chegou ao teatro “Parque Cine” da Figueira um grupo dramático, apregoado pelos arautos da grande imprensa neste “Século” tartufo, como a expressão maxima – que fino!... – da arte de Talma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, assim, tivemos nós um hilariante espectaculo com a representação sumida duma fantasia “A cigarra e a formiga” historia absolutamente inédita no dizer do infeliz “prólogo” – um homenzinho ridiculo, dum ridiculo inconsciente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A peça é uma amalgama de bocadinhos alheios onde não falta a piada porca, a forçar gargalhadas pela torpeza, sem teatro e sem arte, pretexto apenas para a apresentação da companhia. Uns bocados de aqui, uns versos de acolá, uma sugestão de alem, isto tudo muito mal cerzido, falho de unidade, distribuido por três actos e 10 quadros. Há um prólogo a apresentar em versos imbecis, sem gramática e sem metrica, os dois personagens principais – uma Formiga, lua cheia vestida de cinzento, de voz monocórdica e sem gestos, e a outra, um bicharôco verde que consegue atravessar o palco continuamente, de principio ao fim, com um risinho lôrpa engatilhado nos labios desmesuradamente abertos. Durante este primeiro acto, sem preparação teatral, recorre-se a um desenrolar monótono de fantoches manejados sabe Deus como e porquê.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No segundo acto, por certo o menos peor da fantasia, assiste-se a um pandemónio amoroso em que a filha não quer casar, mas que diz que quer porque o pai quer, ficando o namoro desprezado sem saber o que quer, no meio duma confusão tam grande que não há forma de se perceber nada. O segundo quadro deste acto fornece-nos um arraial de S. João, sem movimento, sem côr e sem vida, mero pretexto para uma misera desgarrada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O terceiro acto continua a baboseira inicial, terminando por uma estupidificante apoteose ao amor, muito ridicula e pobrinha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se vê tudo isto é nojento em demasia, tanto mais que os vinte e sete numeros de musica anunciados se resumem, na sua concepção a uma monótona e bafienta repetição de motivos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dos scenarios: o do primeiro quadro, especialmente, é um pastelão de cores com as perspectivas erradas; o do segundo sofre-se; o do terceiro apresenta-nos um cofre tam bem pintado de azul que é o melhor efeito comico da peça. De resto como muito bem diz a cigarra, tudo aquilo é fantasia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do valor literário da obra, ainda que muito pese ao habilitado critico do Século, a nossa apreciação, nada pode encarecer. Quizeramos fazer algumas transcrições, mas o espaço falta-nos. Não resistimos contudo a esta edificante quadra:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ai minha mãe, minha mãe!&lt;br /&gt;Vivesses tu tinha eu pae!&lt;br /&gt;Assim se o pranto me cai,&lt;br /&gt;Não tenho pae nem ninguem!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E basta!... que isto de se gritar pela mãe, quando se pretende chamar o pae que fugiu atravez da mãe por a menina chorar, é o que de melhor conhecemos no genero Rosalino Candido, Calino &amp;amp; Companhia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A interpretação, não supre as faltas atraz anotadas, antes continua a asneira. Iletrados, ou pouco menos, as silabas saiem-lhes da boca numa inconsciencia tal que comove.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução Tavaredense melhor faria, se ensinasse as boas regras do A B C aos seus associados em vez de os meter num palco a fazerem rir pelo ridiculo das suas pretensões artisticas. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;( O Jornal da Figueira – 06/19)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tavarede é uma aldeazinha surta em aros da Figueira, que possui uma cigarra cantadeira, uma formiga agenciadora e um cavador com sonhos de grandeza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois, da cigarra, da formiga e do cavador, fizeram Eu e Ele e João José duas peças teatrais a que chamaram fantasias e fantasias são de sua imaginação de artistas, a que deram tôda a graça de Tália, apresentado-as ao público no palco de um modesto teatrinho de aldeia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Fama, que não veio à terra só para dar notícias da maldade dos deuses, trouxe à Figueira o nome destas fantasias, e atrás do nome vieram as próprias fantasias ao palco do grande teatro do Parque, onde nos proporcionaram, em duas noites seguidas, fugidias horas daquele prazer íntimo que se chama deleite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cigarra fez-me sentir a alegria de viver e o cavador deu-nos uma bela lição de moral.&lt;br /&gt;Entre os intérpretes alguns há que seriam actores quando e onde o quisessem ser, e de entre estes destacaremos João Cascão, Jaime e António Broeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Postas em scena com brilho, ornadas de bela música do sr. António Simões, - mestre António Simões, como agora sói dizer-se, música flutuante, ligeira, viva, como realmente o deve ser a música dos vaudevilles, se, dando a primazia ao Sonho do Cavador, estas duas fantasias fizessem viagem daqui para Lisboa, mostrariam aos alfacinhas que a escola de representar, a verdadeira escola de representar, não está no Conservatório, e que, a respeito de virtuosidade de estrêlas, vedetas e girls consagradas pelos nossos amigos O Século e O Diário de Notícias, temos conversado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em meu entender as verdadeiras escolas de representar são os teatros de amadores e os teatros da feira de Alcântara e das Amoreiras, de onde saíram o grande José Ricardo, a Angela Pinto, o Pitorra, o Alfredo Carvalho e outros tantos que, assinalando-se na arte de Talma, honraram o teatro português.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou certo de que em Lisboa, onde tenho visto peças teatrais de valor inferior ao destas duas fantasias tanto na parte literária como no desempenho, A Cigarra e a Formiga e O Sonho do Cavador não seriam desdenhadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando nos dispuzemos a ir ao teatro do Parque assistir ao desempenho das duas fantasias a que nos vimos referindo, sabiamos não ir ali encontrar a Sara Bernhardt nem o Coquelin nem o Ferreira da Silva, a grande Virgínia ou o colossal Kean, mas gente humilde, do campo e das oficinas, gente de quem não há o direito de dizer mal porque não são profissionais, porque não são remunerados, gente digna de tôda a nossa estima por preferir à pândega das tabernas a bela camaradagem dos camarins, gastando seus ócios em proveitoso estudo, procurando nestas diversões engrandecer a sua associação, que, no caso, é a Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por tais razões me predispus à benevolência, a deixar passar culpas, tôdas as culpas, e a aplaudir tudo quanto de mau ou de bom descesse ao proscénio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo correu bem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo excedeu a minha espectativa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os rapazes e as raparigas de Tavarede portaram-se à altura, e a plateia aplaudiu com entusiasmo, com calor, com sinceridade, com consciência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito bem!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cigarra e a companheira e, principalmente o sonho do cavador, devem voltar à scena, devem mostrar-se à colónia balnear, aos espanhóis, à turba que, nas cálidas noites de Agôsto e Setembro, invade as casas de prazer do Bairro Novo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Disse, e... Haja saúde! (a) Arnaldo Serrão &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.15)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;CARTA ABERTA A “EU E ELE”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vós, que em Tavarede malbaratais as primicias dum talento de que esta Pátria de neurasténicos e hipocondriacos tanto necessita; a Vós, que no verso, na prosa e na pintura dais cartas como manejadores sabidos da boçalidade das massas; a Vós – ó gentes! – eu saúdo. E, saudando-vos, genuflectido na posição reverente d’um fanático da gargalhada perante ícones do ridiculo, - quero dizer-vos as palavras da verdade que sinto em mim estereotipada em risos, quando mentalmente vos contemplo atravez da vossa obra gigantesca de triunfos scénicos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Vós, e áqueles da mascarada grotesca dos três pontinhos, que tão arteiros foram em achar-vos para gaudio – ou piedade! – das gentes de ideia sã. Escutai:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há tempos, nesta Figueira onde cresci embalado nos murmurios inconfundiveis do Atlantico, alguem me convidou a ir ao Teatro apreciar um, então muito falado, Sonho do Cavador. Fui. Dessas três horas de aborrecimento mesclado de tristeza por tanta inépcia, nada vos direi. Basta contar-vos que aquela sucessão torpe de motivos scenicos incongruentes e massuda, me turvou de piedade, não por vós – cavaleiros de triste figura! – mas pela plateia ignara, boçal, sem acuidade artistica, que vos aplaudia num entusiasmo de loucuras feito. Era de mais a inconsciencia!... No entanto como tivésse pensado – o homem é sempre dado á benevolencia! – que o caso não mais se repeteria, calei justas reprimendas, deixando que os vossos amigos - ... de Peniche... – impunemente continuassem a troçar-vos com o apelido de génios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tempos volvidos, porém, novos pseudónimos – porque um anonimato covarde n’uma obra d’arte? – assinavam uma outra peça que fui ver, no intuito humano de saber alevantada a escola de Tavarede que da primeira vez se abaixara. Escutei com atenção de principio ao fim; era o mesmo encadeamento bárbaro do Sonho do Cavador; era a mesma métrica deficiente, a mesma chalada ideia e... e os mesmos auctores, como depois vim a certificar-me.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Continuava-se a asneira, continuavam-se os elogios irresponsaveis. Não podia ser. Devia haver qualquer manejo oculto por detraz daqueles scenarios, escondido no emanharamento néscio de palavras e até nas capas das musicas maçonicamente coloridas de vermelho e verde; qualquer coisa de vergonhosa porque se esconde, de pérfidas porque se mascára.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recompuz então o pensamento chôcho das obras, recompuz diálogos, aproximei situações, e vi – espanto! – o ataque mação, nojento e repelente á Sociedade e á Igreja, muito disfarçado é certo, mas vibrante e poderoso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E Vós, inconscientes, arrastados pela vaidade e orgulho ao altar do ridiculo, meteis-me pena; por isso vos quero avisar: a vossa obra não é nada, nada vale, para eles como para ninguem; apenas por traz dos seus scenários eles manejam, por traz do vosso frete eles trepudiam. E não notaes nada, nada descobris, inchados como a rã duma fábula interna, vaidosos, lôrpas, sem pensardes que o ridiculo é o melhor azourrague dos pavões da popularidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se feri a vossa modestia, perdão!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como homem apenas quis servir-vos; e, se regeitais o serviço, levai á conta de inveja, essa missiva incomoda como a verdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Piedosamente. (a) Arnaldo Vaz &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(O Jornal da Figueira – 06/28)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;UMA FESTA DE HOMENAGEM BEM MERECIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último sábado realizou-se na Sociedade de Instrução Tavaredense uma encantadora festa de homenagem dedicada pela direcção aos intérpretes das peças O Sonho do Cavador e A Cigarra e a Formiga.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como era dia de S. Pedro, a sala apresentava uma decoração e iluminação interessantes, à maneira de arraial português.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma avaria na cabine que fornece luz a esta localidade, e que só foi remediada pelas 23 horas, forçou a dar início à festa mais tarde do que estava anunciada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A projecção no écran de mais de 200 fotografias das duas peças foi vista com grande satisfação, manifestando a assistência frequentes vezes a sua alegria. Seguiu-se depois o baile, que se prolongou, sempre com a maior animação, até às 5 horas de domingo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À 1 hora e meia fez-se um intervalo, durante o qual foi servida uma ceia aos amadores do grupo dramático. Numa outra sala, servia-se às amadoras e suas convidadas chá e doces.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às 5 horas houve novo e magnífico serviço, retirando todos excelentemente dispostos e com a impressão, aliás verdadeira, de que nunca se fizera ali uma festa tão encantadora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A homenagem que a direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense prestou ao seu grupo dramático foi bem merecida. Rapazes e raparigas têm sabido honrar o nome da associação e o da sua terra, como ainda há pouco se viu nessa cidade. E como muita gente desconhece as condições em que as duas récitas no Teatro Parque se realizaram, parece-nos oportuno fazer aqui uma ligeira referência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os espectáculos, marcados para os dias 15 e 16 de Junho, só puderam ser anunciados com 7 dias de antecedência, a pedido da empresa do teatro, isto é, depois das récitas da Companhia Auzenda de Oliveira. Além disso fez-se o que até então não se tinha feito: tratando-se de duas récitas, abriu-se a assinatura e esperou-se confiadamente que o público acorresse. E, sem se ter feito passagem prévia da casa, sem recorrer ao envio de circulares solicitando a aceitação de bilhetes, os dois espectáculos tiveram uma assistência grande. Do agrado do público não falaremos. Ficou bem evidenciado nos aplausos com que se manifestou não apenas nos finais mas também no decorrer dos actos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A festa de homenagem foi, pois, merecidíssima, e nela não foram esquecidos os nomes de António Simões, que com absoluto desinterêsse – pois não recebeu um centavo – musicou brilhantemente, com uma competência e uma felicidade evidentes, as duas peças, e de Alberto de Lacerda, o distintíssimo artista a quem se devem os lindíssimos scenários.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Felicitamos muito sinceramente a Sociedade de Instrução Tavaredense. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 07.03)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Buarcos – É no próximo sábado que a Sociedade de Instrução Tavaredense representa mais uma vez, no teatro do Grupo Caras Direitas, a festejadíssima revista-fantasia em 3 actos “O Sonho do Cavador”, que tantos e merecidos aplausos tem alcançado, representando já uma coroa de glória, não só para os seus autores como também para o excelente grupo scénico a quem está confiado o desempenho da peça, a importante série de récitas já realizadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A atestar o êxito garantido que vai ter mais uma vez, no próximo sábado, esta bem urdida obra, ornada de linda música, basta dizer que conta já 21 representações, em Tavarede, Figueira e Buarcos, sempre com lotações esgotadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para facilitar o transporte das pessoas da Figueira haverá carreiras de americanos de ida e volta. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 11.30)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A CIGARRA E A FORMIGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interêsse com que se aguarda a representação da encantadora peça A Cigarra e a Formiga, hoje, em Buarcos, está bem patente na enorme procura de bilhetes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não nos alongaremos em reclamos desnecessários, pois o público sabe já que se trata duma bela fantasia, apresentada com guarda-roupa e scenários de esplêndido efeito e com uma deliciosa partitura que é dos melhores e mais valiosos trabalhos do distinto amador sr. António Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Cigarra e a Formiga não vale apenas pelo efeito meramente teatral: é uma peça de intenção moral, e faz parte, pela lição que encerra, do repertório com que a Sociedade de Instrução Tavaredense, servindo-se do seu grupo dramático, procura neste campo exercer a sua função: - educar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As três horas que se passam vendo A Cigarra e a Formiga decorrem breves: o espectador não se cansa observando os diversos quadros, de tal maneira os números e as figuras passam ante os seus olhos e tão forte o poder de beleza e de descrição dos formosíssimos versos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E não são apenas pessoas de Buarcos que irão encher o magnífico teatro dos Caras Direitas: muitas outras desta cidade, tendo visto aqui, no Teatro Parque, a linda fantasia, marcaram lugares para hoje, nos Caras Direitas, aproveitando o ensejo para mais uma vez a apreciarem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há carreiras de americanos, da Praça Nova, para ida e regresso. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.07)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-1219633062128433388?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/1219633062128433388/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-criticas-6.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/1219633062128433388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/1219633062128433388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-criticas-6.html' title='TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 6'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-2119412737770763963</id><published>2011-12-01T16:38:00.002Z</published><updated>2011-12-01T16:47:00.737Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 5</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1928&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos enganámos: nem a chuva impertinente que caíu durante todo o dia impediu que o teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense se enchesse no último sábado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador agradou extraordinariamente. A peça é mais opereta que revista. Tem acção que caminha do 1º. ao último acto, surgindo de longe em longe, nalguns dos quadros, uma ou outra scena arrevistada, de acentuado sabor local; e tem, a dar-lhe unidade, uma intenção ideológica e de moralidade que, graças ao desempenho, foi sentida mesmo pelos espectadores que não puderam compreendê-la em todo o seu simbolismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A peça encerra a história, que é apresentada com fantasia dentro da qual a verdade tem lugar, dum cavador que a ambição da riqueza leva a abandonar a aldeia, depois de atirar fora a enxada e amaldiçoar o trabalho. Como trabalha desde pequeno, julga ter conquistado o direito à felicidade – e para êle – a felicidade não se encontra fora da riqueza e esta não se alcança cavando a terra. Na própria ambição encontra o castigo do seu êrro; vê-se mais pobre do que era, e as figuras simbólicas dos três Homens Felizes mostram-lhe como os pobres, os humildes, também podem gozar a felicidade; o cavador regressa à aldeia, onde o esperam ainda a enxada leal e a noiva fiel – e a peça fecha com o elogio da vida simples e humilde do campo, na qual a saúde do corpo anda sempre junta à alegria da alma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador tem música lindíssima. É uma partitura em que António Simões foi muito feliz. As adaptações são perfeitamente ajustadas às personagens e às situações, como os números originais afirmam as qualidades brilhantes dêste distinto amador musical. Completam admiravelmente a beleza do conjunto alguns lindos versos do sr. João Gaspar de Lemos: esplêndido como inspiração os do final do 2º. acto, e maravilhosos de técnica, de ritmo e de singeleza aqueles em que o Pagem Amor-Perfeito conta à Rainha das Flores a história ingénua da andorinha que morreu apaixonada pela canção do rouxinol; As Uvas, e o terceto do Milho são versos graciosos e dum belo descritivo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Valorizando a representação, há os scenários e um vistoso guarda-roupa, no qual se admiram cêrca de 40 interessantes e muito sugestivas fantasias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em resumo: O Sonho do Cavador marca em Tavarede, que é uma pequena e bem pobre aldeia, um acontecimento de certo relêvo artístico. Não admira que no próximo sábado se repita outra enchente, tanto mais que sabemos ser elevado o número de lugares que já no sábado ficaram marcados para pessoas desta cidade que nesse dia irão aplaudir os modestos e simpáticos amadores tavaredenses. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.02)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as diferentes diversões a que temos assistido nos últimos tempos, nenhuma nos surpreendeu tão agradavelmente como o espectáculo que há dias vimos no teatrinho de Tavarede. Foi o título que nos sugestionou e que quási nos obrigou a ir de abalada até à pitoresca localidade, facto êste que não deve admirar ninguém, pois, tratando-se de uma peça intitulada O Sonho do Cavador, natural seria que despertasse interêsse a um profissional de agricultura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não queremos ter a veleidade de armar em crítico teatral, que o não somos, nem para isso temos competência, mas não podiamos ficar silenciosos perante um espectáculo de costumes rurais em que a lavoura é glorificada, como glorificados são, no seu mais elevado grau, os dois maiores factores da felicidade humana: a Honra e o Trabalho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por seu turno estes são ali aplicados à agricultura, mãe de tôdas as indústrias, de tôdas as artes e (para que não dizê-lo?) de tôdas as sciências, pois que sem ela nada, absolutamente nada, seria possível nêste mundo!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É uma peça que, pela enormíssima lição de moral que encerra e ainda pela deliciosa música que tão apreciável a torna, muito gostaríamos de ver representar não só na Figueira, como ainda em outros centros populosos, visto a sua fácil adaptação a qualquer teatro do país.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que ela agradou, claramente o diz a quente e bem significativa demonstração de simpatia e aprêço que o público, que completamente enchia a sala, manifestou, no final de cada acto, aos simpáticos amadores, que, com tanto brilho, acêrto e correcção interpretaram o pensamento – quer musical, quer literário – dos seus distintos autores, para os quais vão neste momento as nossas mais sinceras felicitações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E foi ao som dêsses vibrantes aplausos que nós pensámos no que há de mentira torpe quando se afirma que o nosso público aprecia imenso as representações em que abunda a pornografia!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É falso! O povo continua a adorar hoje, como sempre, os espectáculos de boa doutrina e sã moral, a questão é darem-lhos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dir-nos hão agora: . Mas o público frequenta os teatros, embora recheados de pornografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. É certo, mas para onde há de êle ir distraír as suas mágoas, se não lhe dão outra coisa?(a) José Maria de Jesus &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.23)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linda revista-fantasia em 3 actos e 10 quadros O Sonho do Cavador constitui, sem dúvida nenhuma, o maior êxito teatral registado em Tavarede. Nunca uma peça aqui foi representada tanta vez seguidamente, com um tão completo agrado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como nas récitas anteriores, o teatro da Sociedade de Instrução esteve no último sábado o que se chama à cunha. Muitas pessoas estiveram de pé, e cêrca de 60 não puderam obter bilhetes, pelo que é já avultado o número de lugares marcados para a representação de sábado próximo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os aplausos foram calorosos, atingindo por vezes o delírio e obrigando a bisar muitos números.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No final do segundo acto houve chamadas entusiásticas a José Ribeiro, João Gaspar de Lemos, António Simões, etc., sendo-lhes oferecidos lindos ramos de flores e lendo o dr. Luís Fernandes um soneto cheio de humorismo, da autoria do dr. Ernesto Tomé, dedicado a José Ribeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A sala oferecia também lindo aspecto pela bizarra ornamentação feita com colchas de sêda, palmas e flores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A grande maioria da assistência era da Figueira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A assistência apreciou a aplaudiu o desempenho dado à peça pelos modestos amadores tavaredenses e a lindíssima partitura que para ela arranjou o distinto amador sr. António Simões. Foram também muito apreciadas as magníficas caracterizações, nomeadamente as do Ministro da Guerra, que é primorosa, do Saltadouro, e Quintal do Ferreira e Amola-facas-tesouras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No próximo sábado dá o Sonho do Cavador a 7ª récita. É outra enchente certa... &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.06)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa cheia hoje na Sociedade de Instrução Tavaredense: - em festa de homenagem ao festejado grupo de amadores que ali tem representado O Sonho do Cavador, realiza-se hoje a última representação desta aplaudidíssima revista-fantasia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tinha-se anunciado uma matinée para amanhã: mas não pode efectuar-se por falta de elementos indispensáveis da orquestra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por isso, as pessoas que desejam apreciar O Sonho do Cavador, que tão bem caíu no agrado do público vão hoje a Tavarede, à sua despedida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É numerosa a concorrência de pessoas da Figueira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nas montras de vários estabelecimentos desta cidade estão expostas interessantes fotografias de scenas e figuras do Sonho do Cavador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A exposição feita na Havanesa, ao Cais, tem chamado a atenção do público. Algumas das fotografias expostas, são perfeitas e honram a secção fotográfica da Casa Havanesa, onde foram executadas. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.30)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A DESPEDIDA DO SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense teve anteontem uma enchente formidável. Distintas famílias dessa cidade e muitas pessoas de outras localidades vieram assistir à última representação do Sonho do Cavador, que nesta matinée fazia a sua despedida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como nas anteriores, os aplausos foram vibrantes. Ao cabo de 10 representações seguidas, a peça manteve-se com o mesmo agrado, e são muitos e repetidos os pedidos para que ela volte à scena e vá à Figueira, ao que não é possível aceder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Justifica-se plenamente êste interêsse do público. O Sonho do Cavador foi apresentado com um conjunto de elementos que o impõem ao agrado geral: representação correcta, perfeita e brilhante até por parte dos amadores que fazem os primeiros papéis; montagem interessante e com certo cuidado e critério artístico que é de notar numa pequena aldeia como Tavarede; scenários lindos e apropriados, alguns notáveis como o quadro das Flores e, principalmente, o quadro final da Lavoura, ambos do distintíssimo artista sr. Alberto de Lacerda; guarda-roupa de bom gôsto, com estilizações curiosas, executado pela srª. D. Belmira Pinto dos Santos; caracterizações esplêndidas, flagrantes de verdade, de António Esteves; e sôbre tudo isto, uma partitura riquíssima, inspirada – do melhor que António Simões tem composto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os amadores mereciam referências especiais que não fazemos para não roubar ao jornal muito espaço, que é precioso. Diremos somente que João Cascão fez com grande naturalidade e observação o cavador Manuel da Fonte, pelo que a assistência o distinguiu com chamadas especiais; António Broeiro no Papo-Sêco tem nas scenas do 2º. acto com o laparôto de Tavarede um dos melhores trabalhos que lhe conhecemos; esplêndido também o Homem da Vaca, diálogo que Jaime Broeiro (Carreiro) valoriza com os seus recursos de correcto amador; Jaime tem ainda outros tipos felizes: O amola-facas-tesouras, e, a destacar, o Ti’João da Quinta (perfeita a scena com a filha e o cavador, no 3º. acto); F.Carvalho no Ministro da Guerra; Emília Monteiro, na Rosa e na Grã-duquesa de Tavarede; Idalina Fernandes na Rainha das Flores e na Batota; Maria Tereza na Agricultura e na Horta; Maria José e Guilhermina de Oliveira, nas Comadres; Alzira Fadigas, nas Uvas; José Vigário, no Pôrto da Figueira e no Relógio; - dão à peça uma representação aceitável. Clementina Fernandes, Carolina Fadigas, Laura e Maria Gil e Maria Loureiro e ainda os outros rapazes que entram nos vários grupos e formam um seguro corpo coral também mereceram as palmas dos espectadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vários números foram bisados e muitos outros aplaudidos. O Idílio, no 3º. acto, formoso dueto cantado por Emília Monteiro e João Cascão, arrancou à assistência uma ovação formidável, como não nos lembramos de ali ter ouvido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi enorme o movimento de automóveis e camionetas, pois até das Regalheiras de Lavos veio um grupo de mais de 20 espectadores. À saída do espectáculo, as ruas de Tavarede apresentavam um movimento extraordinário. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 07.11)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mais uma enchente enorme deu ontem, sábado, a 11ª récita a festejadíssima peça O Sonho do Cavador, que prossegue triunfalmente na sua carreira. Nunca aqui houve êxito semelhante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo agradou extraordinariamente, tanto aos que já conheciam a peça – alguns viram-na pela 9ª vez, e não estão ainda enfadados! – como os que vieram pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vários números de música foram aplaudidos com muitas palmas, como a Canção das Uvas, o último côro do 1º quadro, a bela estilização do patusco que fecha o 1º acto, o fado-canção, final do 2º acto e o lindo e difícil dueto do 3º acto, muito bem cantado por Emília Monteiro e João Cascão, que arrancaram à assistência uma ovação vibrante e prolongada, e ainda o côro dos cavadores e ceifeiras. Noutros números os aplausos atingiram o delírio, obrigando a bisar o Sulfato e Enxôfre, o côro dos Moinhos, o côro e canção da Rainha das Flores, o côro dos assobios e as Avemarias. O número do Concurso Hípico despertou um entusiasmo excepcional, sendo cantado três vezes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António Simões verificou mais uma vez o agrado que a sua linda partitura obtem. A scena das comadres e a do amola-facas-tesouras provocaram riso franco e foram aplaudidas com palmas; outra boa scena a dos compadres, feita com simplicidade pelos dois bons amadores Broeiros. No protagonista, João Cascão brilhou mais uma vez, representando algumas passagens do seu papel com magniifica observação e naturalidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Continuou a notar-se uma assistência distinta, como mais uma vez foi grande o número de pessoas que não puderam assistir por se ter esgotado a lotação. Entre outras pessoas dessa cidade, cujos nomes não nos ocorrem, vimos........&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O movimento de trens e automóveis foi enorme, dando a esta pequena aldeia uma animação excepcional. Para a repetição dêste espectáculo ficaram já marcados muitos lugares. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 10.31)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR, EM BUARCOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como aqui noticiámos, O Sonho do Cavador deu no sábado e domingo passados em Tavarede as suas duas últimas récitas. Foram mais duas enchentes, não tenso sido possível atender todos os pedidos de bilhetes, por em ambos os espectáculos se ter esgotado a lotação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Notícia que hoje damos vai com certeza agradar às muitas pessoas que ainda não puderam ver a festejadíssima peça ou desejem apreciá-le de novo: O Sonho do Cavador será representado no proximo sábado, em Buarcos, no teatro do Grupo Caras Direitas. Para esta récita, que é aguardada em Buarcos com excepcional interêsse, podem marcar-se lugares, nesta cidade, na Tabacaria Africana. Haverá carreiras de americanos para ida e regresso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador marca um triunfo invulgar em teatro de amadores. Quinze representações seguifdas dão bem a nota do agrado obtido. Esse mesmo agrado se verificará em Buarcos, onde a peça vai ser montada com o mesmo rigor com que o foi em Tavarede, com guarda-roupa e scenários próprios, sobressaíndo nêstes o formosíssimo quadro final da Lavoura, trabalho primorosamente executado pelo distinto artista sr. Alberto de Lacerda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É já elevado o número de lugares tomados. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.05)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO TAVAREDENSE, EM BUARCOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Buarcos – Como haviamos anunciado, o grupo dramático da SIT representou no pretérito sábado a interessante revista-fantasia O Sonho do Cavador, registando-se uma verdadeira enchente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não queremos destacar esta ou aquela personagem, no desempenho dos seus papéis, pois que tôdas formaram um conjunto digno de admiração pela forma correcta como sabem honrar a sua Sociedade, grangeando-lhe muitas simpatias e dando aos seus ensaiadores garantias que os animam e lhe dão ensejo para continuarem a dispensar o seu valioso e desinteressado serviço em prol da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador despertou vivo interêsse e levou ao Teatro dos Caras Direitas centenas de pessoas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O agrado foi geral e muitos dos números de música foram bisados. E não só as personagens revelaram a sua correcção e apresentaram um esplêndido guarda-roupa: há também a notar os scenários, que são de bom efeito e vistosos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Houve chamadas especiais ao ensaiador e aos srs. António Simões, João Gaspar de Lemos e Alberto Lacerda, elementos valiosos que cooperam desinteressadamente e com grande devoção na causa que a SIT defende.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador, tão justamente aplaudido, é uma verdadeira peça moral, bem apresentada, com linda música e que deixa o público bem impressionado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E para prova do seu brilhante êxito, bastará dizer que já está tomada quási tôda a lotação do elegante teatro dos Caras Direitas, onde no sábado, pela 2ª vez, vai ser representada a tão afamada peça. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12-19)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O SONHO DO CAVADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Buarcos – A segunda récita levada a efeito pela SIT com o Sonho do Cavador marcou mais uma enchente “à cunha”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta peça conta já 17 representações, o suficiente para afirmar a simpatia e a prova de aprêço em que tem sido tomada por centenas de pessoas, entre as quais se contam muitas de elevada categoria social, que, num gesto digno de nota, também quiseram prestar a sua gentileza à SIT, vindo admirar O Sonho do Cavador, que aos seus intérpretes grangeou fortes ovações e que proporcionou horas bem passadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sonho do Cavador, peça de muito agrado, constitui não só uma lição moral, mas ainda serve de estímulo para que os amadores que a representam continuem a levantar, com o seu auxílio, a prestimosa Sociedade de Instrução Tavaredense. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.19)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-2119412737770763963?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/2119412737770763963/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-criticas-5.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/2119412737770763963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/2119412737770763963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/teatro-da-sit-notas-e-criticas-5.html' title='TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 5'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-5112861492977470319</id><published>2011-12-01T16:28:00.005Z</published><updated>2011-12-01T16:34:17.377Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>BACELADA EM TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333300;"&gt;Foi recentemente posto á venda o disco nº 5 da Antologia da Música Regional Portuguesa, de Fernando Lopes Graça e Michel Giacometi. Este disco – relativo à Beira Alta, Beira Baixa e Beira Litoral, inclui o ritmo “Bacelada”, recolhido em Tavarede por Michel Giacometi, quando da sua estadia na Figueira, em Agosto de 1970, conforme o nosso jornal oportunamente noticiou. Dentre os textos que acompanham este disco, transcrevemos os seguintes excertos:&lt;br /&gt;“A música das províncias beirãs é acaso aquela que, dentre as nossas músicas regionais, mais cedo e com relativa continuidade foi e tem sido objecto da curiosidade de investigadores ou simples colectores. O sinal da partida foi dado pelo erudito Pedro Fernandes Tomás (não especificamente músico), quando, em 1896, publicou as suas Canções Populares da Beira, prefaciadas pelo ilustre Leite de Vasconcelos (também nada familiarizado com as disciplinas propriamente musicais)...”&lt;br /&gt;BACELADA – Documento recolhido em Tavarede (Figueira da Foz, Coimbra). Refere-se à cava da manta para plantio do bacelo, faina que se realiza entre Dezembro e Março. O capataz da bacelada é o mandador. Os bons mandadores eram disputados pelos proprietarios e recebiam jorna superior à dos cavadores. Embora cavando também com os seus companheiros, a tarefa principal do mandador consistia em manter, mediante o seu “canto”, o ritmo do trabalho, aproveitando no entanto o ensejo para inserir no “canto” improvisos destinados a fazer chegar aos ouvidos do proprietário certas reivindicações de ordem colectiva. Por seu turno, os proprietários fomentavam por vezes rivalidades entre os mandadores a seu soldo, sempre no intuito de manter ou acelerar o ritmo do trabalho. Com dificuldade, se poderá considerar estarmos aqui em presença de uma espécie propriamente musical. Mais do que um “canto”, trata-se antes de um “ritmo” – um ritmo de trabalho associado a um grito ou brado de estímulo, este, na verdade, já embrionariamente musical. Como tal, e posto que a prática tenha quase caído em desuso, o documento, além do seu aspecto sociológico, poderia, na sua dualidade grito-ritmo, interessar os estudiosos da pré-história da música, mormente os seguidores das doutrinas de Wallaschek e Bucher, que têm precisamente o ritmo e o esforço muscular como factores primordiais no surgimento do fenómeno musical. O mandador do grupo de três cavadores da presente gravação é José Marques Curado, de 59 anos de idade, cavador de profissão, semianalfabeto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333300;"&gt;(...) Está tudo certo? / Pronto /Firme gente / Carrega&lt;br /&gt;e manda arruar / E dá-lhe aí que é para durar menos / Car-&lt;br /&gt;reguem na terra dura / Arrua com esta pancada / Arrua ali-&lt;br /&gt;via bem / A terra nova com ela bem p’ra fora / Abaixo fer-&lt;br /&gt;ro / Isso mesmo / Entra e carrega-lhe outra / Carrega aí com&lt;br /&gt;outra alma (?) / Alto e caiu a coluna / Ainda lá vai uma&lt;br /&gt;minha gente / Levar a melhor / Abaixo e castiga-lhe outra /&lt;br /&gt;Arrua a terra que está rota e vai bem (?) / É o rego / É&lt;br /&gt;O rego / Aí ferro / E vara-lhe outra mano / Arreia e vara&lt;br /&gt;Melhor / Arrupa (?) essa p’ró sol e vai bem / Arrua tudo /&lt;br /&gt;Abaixo e manda ao fundo / Carrega com outra / Assenta em cima dela (...) op. Eh! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(O Dever - 17-04-1971)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-5112861492977470319?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/5112861492977470319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/bacelada-em-tavarede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/5112861492977470319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/5112861492977470319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/12/bacelada-em-tavarede.html' title='BACELADA EM TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-4417703391693426473</id><published>2011-11-23T16:11:00.002Z</published><updated>2011-11-24T12:32:43.249Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>Curiosidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;Dez conselhos...&lt;br /&gt;que valem dez libras!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;1 . Trabalha, que o trabalho moderado&lt;br /&gt;Dá força e saúde: - está provado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 . Os banhos, o asseio e a limpeza&lt;br /&gt;Conservam a saúde comcerteza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 . Ar puro, ar dos campos, agradável&lt;br /&gt;Respira-o se quizeres ser saudavel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 . Mastiga os alimentos bem cozidos&lt;br /&gt;Evitarás ao estomago mil perigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 . Quem come demasiado é glutão&lt;br /&gt;Arrisca-se a morrer de indigestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 . Os trabalhos da vida não aguenta&lt;br /&gt;Quem de comidas fracas se alimenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 . Quem a correntes de ar se expõe suado&lt;br /&gt;Andará sempre constipado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 . Aquele que a transpirar bebe água fria&lt;br /&gt;Decerto quer morrer de peneumonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 . Aquele que muito dorme pouco aprende&lt;br /&gt;O seu trabalho é pouco e menos rende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Aquele que se conforma com a sorte&lt;br /&gt;Larga vida terá e boa morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(A Voz da Justiça - 2.Fevereiro.1917)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-4417703391693426473?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/4417703391693426473/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/curiosidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/4417703391693426473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/4417703391693426473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/curiosidade.html' title='Curiosidade'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-852736975336308845</id><published>2011-11-23T15:44:00.004Z</published><updated>2011-11-24T12:31:06.911Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 5</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#003300;"&gt;1927&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;RÉCITA DE ANIVERSÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população de Tavarede teve no sábado e domingo a sua grande festa: o aniversário da Sociedade de Instrução Tavaredense, benemérita colectividade que, pela sua acção durante os seus 23 anos de vida, conquistou a simpatia pública, tornando-se um elemento de progresso já hoje indispensável à localidade onde tem a sua sede.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O programa das festas foi rigorosamente cumprido, tendo todos os números um brilho excepcional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No sábado à noite, a sede da Sociedade regorgitou: os sócios e convidados afluiram em elevado número, sendo enorme o interêsse pela récita de gala.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A elegante sala de teatro encheu-se a transbordar: não havia um lugar, e viam-se ainda muitas pessoas de pé. O aspecto da sala era de belo efeito: das paredes altas pendiam muitas colchas de damasco e espelhos artisticamente colocados, e a tôda a volta do balcão corriam entrelaçados veludos das côres da Sociedade de Instrução.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A récita abriu com o hino, executado pela excelente orquestra que António Simões, distinto e consciencioso amador, dirigiu com segurança.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O lever de rideau “Uma teima” foi representado com distinção, agradando muito a sua magnífica montagem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seguiu-se a comédia em 2 actos “Marido de Duas Mulheres”, de difícil representação por grupos de aldeia, e que teve uma boa interpretação por parte dos amadores Jaime Broeiro, António Graça, Maria Teresa de Oliveira, Maria José da Silva, Emília Monteiro, António Broeiro e Francisco Carvalho. Os dois primeiros souberam marcar e dar o preciso relêvo às diversas situações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A opereta “Simão, Simões &amp;amp; Cª.” também agradou muito, quer pela representação que lhe deram Virginia Monteiro, Jaime Broeiro, António Santos, Francisco Carvalho e J. Mota, quer pela esplêndida partitura, de difícil execução e de belos efeitos orquestrais. Os aplausos em todos os finais de actos foram calorosos e prolongados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A orquestra, muito bem constituida, deu grande brilho à récita, que teve um certo cunho de distinção. A assistência ouviu com prazer e premiou com muitas palmas a difícil e linda ouverture da ópera “Nabucodonosor”, de Verdi, que teve uma boa execução e a canção da zarzuela “Filhos de Zebedeu”, de Chapi. António Simões viu assim coroados de êxito os seus esforços, e por isso bem mereceu os elogios e parabéns de que foi alvo. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 01.19)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;GRÃO-DUCADO DE TAVAREDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia que demos acêrca da próxima récita da Sociedade de Instrução Tavaredense, no sábado de Aleluia, veio tornar ainda maior o interêsse que já se notava. Pode dizer-se que nenhum espectáculo, no nosso teatro, foi aguardado com tanto entusiasmo como êste.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já dissémos que se trata duma revista em 3 actos e 8 quadros. O Grão ducado de Tavarede, como se depreende do título, é uma revista fantasia, de carácter local, embora com aluzões à Figueira e a outras localidades vizinhas e ainda com intervenção de personagens de Brenha, Quiaios e Buarcos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense empenham-se em corresponder à espectativa do público, e certos estamos de que o espectáculo que êles vão proporcionar-nos no dia 16 do corrente constituirá um verdadeiro êxito pela sua novidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os 8 quadros da revista estão sendo montados com todo o rigor. Os scenários, que estão a pintar, devem produzir um belíssimo efeito. As maquettes do Inferno e Apoteose da Lavoura e da Apoteose das Flores são do distinto artista pintor sr. Alberto Portugal de Lacerda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O guarda-roupa é também lindíssimo, havendo algumas fantasias de muito bom gôsto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não podemos alargar-nos em pormenores. Entretanto diremos que o quadro final, o das Flores, pela beleza do scenário e do guarda-roupa, deve causar sensação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A orquestra é dirigida pelo distinto amador sr. António Simões, que musicou o Grão-ducado de Tavarede, tendo sido duma grande felicidade tanto na parte original como nas adaptações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E... nada mais nos é permitido dizer aos nossos leitores. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.26)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;GRÃO-DUCADO DE TAVAREDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista Grão-ducado de Tavarede levou ao teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense, no pretérito sábado, uma enchente completa, vendo-se entre a assistência muitas pessoas dessa cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O espectáculo agradou, podendo dizer-se com verdade, que causou extraordinária sensação nos espectadores tavaredenses, para os quais êste género é quasi novidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A música é lindíssima, alegre, bem escolhida e perfeitamente ajustada aos personagens e às situações. António Simões, o distinto amador figueirense, foi extraordinariamente feliz na partitura do Grão-ducado de Tavarede. A êle especialmente se deve o êxito da revista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os amadores, áparte naturais deficiências que sempre podem notar-se nestes grupos de aldeia, souberam dar uma curiosa e, nalguns casos, brilhante interpretação aos diversos papéis. Idalina Fernandes fez explêndidamente como ninguém faria melhor, a scena da civilização local em que, na volta do rio, as mulheres se descompõem; foi graciosa na Maçã e cantou muito bem o fado da Taberna. António Graça, António Santos e Emilia Monteiro, todos muito bem nos seus papéis. Jaime Broeiro mostrou-se o bom amador que é no Compadre, no Cavador e no Zé Borrachão. Dois bons tipos bem reproduzidos: o do Poeta João e O da Batuta, apresentados por José Vigário e António Broeiro, tendo êste feito também correctamente um dos Compadres. João Cascão, foi primorosamente no Nabo, no Café e no Aguilhão, tendo representado com alegria e vivacidade e cantando muito bem os seus números, brilhando especialmente no Dueto da Hortaliça, com Alzira Fadigas. Francisco Carvalho e Clementina de Oliveira têm também um bom dueto no Impedido e a Sopeira, além de outros papéis; esta foi muito aplaudida na Canção da Árvore, que cantou com linda voz e foi obrigada a bisar. Maria José da Silva fez muito bem o papel de Brenha, cantando esplêndidamente a sua parte no terceto com J. Cachulo e F. Rôla, o qual foi também bisado. A. Pinto, J. Mota e Maria Tereza de Oliveira e os restantes, todos fizeram a sua obrigação. Os coros muito firmes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os scenários são bons, tendo sido muito apreciados, principalmente o do Inferno e o das Flores. O quadro da Lavoura encantou a assistência. Por isso mesmo é de justiça atribuir ao distinto artista sr. Alberto Correia de Lacerda, que fez as maquettes e dirigiu a pintura dos scenários uma boa parte do êxito da revista. Merece também referência especial o guarda-roupa, que é variado, luxuoso e tem algumas fantasias de belíssimo efeito, pelo que foi muito elogiada a srª. D. Belmira Pinto dos Santos, que revelou muito bom gôsto na sua confecção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Grão-ducado de Tavarede dá no próximo sábado a sua última récita, o que equivale a dizer que o teatro vai ter nova enchente à cunha, dado o extraordinário agrado que a revista alcançou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns números da revista estão popularizados e começam a ser cantados pelo povo com os seus lindos versos! &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.20)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DA LÚCIA-LIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em busca da Lúcia-Lima é uma interessante opereta que o distinto poeta nosso conterrâneo sr. João Gaspar de Lemos Amorim escreveu para os amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense e que a plateia da Figueira teve já ensejo de aplaudir ali no Teatro Parque.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Delineada com muita fantasia, - os dois actos extremos passados em Tavarede e o segundo na China, graças à velocidade dum avião que transporta dois brasileiros do Rio de Janeiro à terra do limonete e daqui até às proximidades de Macau – o opereta tem scenas animadas e mostra-nos alguns curiosos tipos, com alusões locais e cheias de vivacidade. Cortando a prosa frequentemente, Gaspar de Lemos escreveu lindos versos, felizes de inspiração e perfeitamente dentro da acção teatral, alguns dos quais rapidamente se popularizaram em Tavarede: as quadras maliciosas das lavadeiras, a charge à justiça do Mandarim, a deliciosa canção da Cotovia, a característica Valsa do Limonete, etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Valorizando enormemente o trabalho literário, o distinto amador sr. António Simões coordenou e escreveu 23 números de música que constituem a encantadora partitura, que se ouve com prazer e que é mais uma demonstração da competência de António Simões no género de música teatral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O grupo dramático da Sociedade de Instrução Tavaredense, por seu lado, procura dar à peça uma representação acertada. A montagem é rigorosa, tanto quanto pode ser num teatro pequeno. Scenários próprios, guarda-roupa luxuoso. O 2º acto, passado na China, no jardim da residência do Mandarim, na festa dos seus anos, é de belo efeito, apresentado com lindo scenário, magnífica e rigorosa indumentária e esplêndida iluminação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Justifica-se assim o interêsse extraordinário pela reposição desta peça, que se representa no próximo sábado, em Tavarede, numa única récita dedicada aos sócios da Sociedade de Instrução. Infelizmente o teatro é pequeno para tantos espectadores. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 11.23)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DA LÚCIA-LIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o título da brilhante opereta que em Buarcos, no sábado, se exibiu no palco do Trindade, sob um chuveiro de aplausos, constituindo um grande triunfo para os seus distintos autor, sr. João Gaspar de Lemos Amorim; e regente da orquestra, sr. António Maria de Oliveira Simões, que para a peça compôs números de música original de uma graça e relêvo admiráveis. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sala do Trindade encheu-se de espectadores, alguns da Figueira e muitos de Tavarede, etc., que demonstraram, pelos aplausos, o subido agrado que lhes despertaram o enrêdo da peça, e, sobretudo, os lindos coros garganteados por galantes raparigas de Tavarede, brilhando ainda os números da “Flor-de-Chá”, por Idalina de Oliveira, que procurou corresponder com habilidade às exigências que o autor imprimiu ao seu papel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E por aí além, todo o conjunto de uma harmonia impressionante, o grupo dramático da benemérita Sociedade de Instrução Tavaredense marcou dentro do nosso meio uma nota agradabilíssima, primando ainda pelo seu aspecto scénico e guarda-roupa adequado e correcto, o que fez sobressair a peça, e deixando em todos os espíritos a saudade de que a noite não tivesse sido elástica, satisfazendo todos os anseios do público, que não pôde ocultar o seu entusiasmo e os seus aplausos unânimes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É justo salientar a excelente orquestra, composta dos melhores elementos que aqui se têm visto, e que, sob a segura regência de uma individualidade tratada como amador, ao público deu antes a exacta impressão de um distinto profissional.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para todos, pois, as nossas saudações mais entusiastas! &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.07)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-852736975336308845?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/852736975336308845/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/teatro-da-sit-notas-e-criticas-5.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/852736975336308845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/852736975336308845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/teatro-da-sit-notas-e-criticas-5.html' title='TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 5'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-6924157101681279275</id><published>2011-11-23T15:42:00.001Z</published><updated>2011-11-24T12:26:51.593Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>QUINTA DA CALMADA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;A Quinta da Calmada era, à data do 1º. registo na Conservatória do Registo Predial, um prédio composto de três casas (da Calmada, do Moço e da Malta), terreno lavradio ou de pinhais, pomares e vinhas, sito no sítio da Quinta da Calmada, freguesia de Tavarede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confrontações: norte, com herdeiros de Joaquim Alves Fernandes Águas; do sul, com pinhal dos herdeiros de Luiz Duarte da Encarnação e com o caminho superior dos loureiros até à extrema do prédio dos herdeiros de Manuel Dias; do nascente, com herdeiros de Manuel Dias e Roque Gasio; e do poente, com caminho público (inflectindo um pouco para o norte) para a Serra da Boa Viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pertenceu a Joaquim Marques Ramos Pinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve como herdeiros: António Mateus Ramos Pinto, nascido em 29 de Novembro de 1889 e falecido na Quinta da Calmada, em 30 de Junho de 1932. Foi empregado superior da Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, passando depois ao Porto, com a actividade de negociante e exportador de vinhos. Por motivo de doença adquirida no Porto, regressou à sua quinta em Tavarede, onde faleceu. E Joaquim Mateus Ramos Pinto, que à data da morte do irmão, residia em Leiria já há anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 16 de Outubro de 1942, foi feito um averbamento anexando, no mesmo prédio, dois artigos (33593 e 33594), ficando a constituir um só prédio, composto de terras de semeadura, pomar, pinhal e outras árvores, tais como oliveiras, loureiros, eucaliptos e vinha, com vários poços de rega, uma mina de água, duas casas de habitação, currais, palheiros, eira, mais logradouros e tudo o mais que lhe pertença, e denominado “Quinta da Calmada”, que confronta do norte com o Dr. Manuel Gomes Cruz, do sul com a estrada pública de Buarcos a Tavarede, do nascente com Rosa Francisca e com o Cónego José Duarte Dias de Andrade, e do poente com herdeiros de Luiz Duarte da Encarnação e com estrada pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou à propriedade da Mútua de Pescadores - Sociedade Mútua de Seguros, com sede em Lisboa, que, por escritura de 29 de Dezembro de 1962, a vendeu à Câmara Municipal da Figueira da Foz, pelo valor de 600 000$00, para instalação do Parque de Campismo, presentemente ampliado com outros terrenos que lhe foram anexados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O edifício principal foi utilizado, no final da década de 1910/1920 e princípios da década seguinte, como hospital para doentes atacados com a peste bubónica, que, posteriormente à primeira grande guerra, grassou em Portugal, tendo causado muitas vítimas nesta região.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-6924157101681279275?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/6924157101681279275/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/quinta-da-calmada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/6924157101681279275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/6924157101681279275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/quinta-da-calmada.html' title='QUINTA DA CALMADA'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-8615149161029137276</id><published>2011-11-18T17:46:00.004Z</published><updated>2011-11-18T18:05:09.445Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 4</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1926&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;RÉCITA DE ANIVERSÁRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, na nossa última correspondência, dissemos que as festas comemorativas do 22º aniversário da Sociedade de Instrução Tavaredense teriam grande brilhantismo, não nos enganámos. Pode dizer-se que Tavarede esteve em festa no sábado e no domingo, e o entusiasmo dos habitantes desta povoação – quási todos pertencendo à benemérita colectividade – exteriou-se duma forma evidente. Não admira. Há muitos anos que a Sociedade de Instrução Tavaredense vem realizando no nosso meio uma importante acção educativa. E por isso não lhe falta a simpatia pública.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O programa, duma simplicidade extrema, teve execução brilhante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No sábado, o teatro encheu-se completamente. O interêsse pela récita de gala era enorme; a afluência foi tamanha que pelos corredores havia dezenas de pessoas de pé, por falta de lugar. A sala oferecia um aspecto atraente. Nas paredes havia espelhos e colgaduras de damasco; pendentes do teto, largas fitas das côres da Sociedade – azul e granada – vinham prender-se na parede, formando docel que realçava a luz crua do lustre central; a tôda a volta da galeria e no arco do proscénio, estendia-se uma fita de lampadas eléctricas também das côres da associação. O efeito da iluminação era excelente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A récita abriu com a representação da peça de Bento Mântua Má Sina, que foi de novo aplaudida, seguindo-se-lhe a revista em 1 acto e 3 quadros Pátria Livre, do sr. João Gaspar de Lemos Amorim, música original e coordenada pelo sr. António Maria de Oliveira Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era esta a principal atracção da récita. Havia um grande interêsse pela representação da Pátria Livre, e pode dizer-se que a revista agradou plenamente. Os aplausos foram calorosos, entusiásticos, fazendo a assistência bisar quási todos os números de música. Houve chamadas ao autor, ao maestro e ao ensaiador. João Gaspar de Lemos Amorim e António Simões mereceram sem favor as prolongadas salvas de palmas que se ouviram – o primeiro, por ter escrito com alegre fantasia e uma certa irreverência o comentário ligeiro e gracioso dalguns acontecimentos e factos locais; e o segundo pela felicidade com que pôs e adaptou os números de música, alguns deles lindíssimos; mas não são menos dignos de elogio o espírito e a boa vontade com que os amadores se houveram, de modo a poderem representar a Pátria Livre apenas com 10 dias de ensaio. Não pode exigir-se mais de amadores de aldeia. A impressão geral da representação foi a melhor, sendo especialmente notadas a apresentação correcta e afinação dos córos. A orquestra, constituída por 14 figuras, magnífica. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 01.19)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PÁTRIA LIVRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próximo sábado vai o teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense ter mais uma enchente. Representa-se ali, pela segunda vez, a interessante revista em 1 acto e 3 quadros Pátria Livre, original do distinto poeta e escritor sr. João Gaspar de Lemos Amorim, com 9 números de linda música original e coordenada pelo hábil amador figueirense, sr. António Simões. Quando da sua primeira representação, a Pátria Livre agradou completamente. A revista tem côr local, tem fantasia e uma certa vivacidade de comentário que prendem o espectador, e gira à volta dêste acontecimento sensacional: a separação de Tavarede do concelho da Figueira, levada a cabo por uma revolução triunfante donde sai a proclamação da Republica do Limonete.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A música contribui muitíssimo para a excelente impressão deixada pela revista. Há alguns grupos de efeito nos quais tanto as raparigas como os rapazes se apresentam vestidos com fantasia muito expressiva. Dignos de nota, especialmente, o número da Fonte e côro das Bilhas e o côro de Ceifeiras e Cavadores, cantados com perfeita afinação por tôda a massa coral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A orquestra é excelente, bem constituída por 14 figuras, sob a regência segura de António Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Completando o espectáculo representar-se hão a opereta em 1 acto O Sol de Ouro, com magnífica partitura do sr. T Leroy, e a comédia em 1 acto Os Mentirosos, que é interpretada com alegria e vivacidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A concorrência vai ser grande, pela certa, pois muitas pessoas desta cidade têm empenho de ver a revista de Gaspar de Lemos e António Simões, e é esta a sua última representação por motivo de saída dum dos primeiros intérpretes. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 01.26)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;RÉCITA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realizou-se no sábado a anunciada récita no teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Casa cheia, como se esperava e aplausos calorosos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo agradou, e pode dizer-se que, tratando-se de amadores de aldeia, êles se houveram brilhantemente. A opereta O Sol de Ouro, que tem uma partitura lindíssima mas de difícil execução, foi admiravelmente cantada. Virginia Monteiro cantou com brilho o seu couplet, como foram tambem esplendidamente cantados os dois duetos desta com Francisco Carvalho. António Graça deu o preciso relêvo à canção militar. Os aplausos foram merecidos, dêles pertencendo grande quinhão à excelente orquestra, muito bem constituida e brilhando sob a batuta segura do distinto músico que é António Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A comédia Os Mentirosos mais uma vez fez rir a assistência. É de justiça frizar o esplêndido trabalho que nela têm Jaime Broeiro e Virginia Monteiro. Jaime é um amador perfeito, consciencioso, não há que notar-lhe uma falha; tira todo o partido das situações cómicas, sem esfôrço, sem recorrer a exagêros; é duma sobriedade perfeita. E Virginia é uma bela promessa. Tem vivacidade, tem alegria. Se estudar e não se deixar tomar pela vaidade, pode vir a ser uma boa amadora. João Cascão, Emilia Monteiro (esta uma principiante muito aproveitável) e José Mota formaram um conjunto harmónico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo fechou com a revista Pátria Livre, do distinto poeta e escritor sr. João Gaspar de Lemos, com música original e coordenada pelo sr. António Simões, hábil amador dessa cidade. Não há que fazer referências especiais. Todos se houveram muito bem. Os diversos números de música foram cantados a primor, sendo alguns aplaudidos e bisada a Canção da Cotovia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O guarda-roupa é apropriado e de muito efeito, contribuindo bastante, com a lindíssima música que António Simões compôs e adaptou com extrema felicidade, para o agrado com que a revista se vê.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi, emfim, um belo espectáculo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A saída de João Cascão, que é um dos bons amadores do grupo, não permite que a Pátria Livre se represente novamente, como era desejo do público. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 02.02)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;NOITE DE S. JOÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magnifica representação da opereta Noite de S. João, no último sábado, - não esquecendo, já se vê, que se trata de amadores. Foi, seguramente, um dos mais belos espectáculos que o esplêndido grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense nos tem proporcionado. A terrível noite de ventania impediu a enchente à cunha que estava assegurada, mas ainda assim a assistência foi animada, vendo-se bastantes pessoas de fora de Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros elogios e louvores pertencem, indubitavelmente, ao distinto amador musical sr. António Simões, cujo esfôrço triunfou brilhantemente. Dirigindo uma boa orquestra, constituída por amadores, conseguiu dar relêvo à belíssima partitura da opereta, tão rica de harmonia, de côr, de graça, de alegria encantadora. A sua interpretação é perfeita. Mas onde a competência e a inesgotável paciência de António Simões mais se evidenciaram, foi na forma como ensaiou as vozes, apresentando-nos coros firmes, cantando com bom relêvo, e fazendo ainda brilhar os solos, nos quais alguns amadores venceram admiravelmente as dificuldades da música.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dêstes, devemos citar em primeiro lugar Helena da Silva Medina, a distinta e simpática amadora que reapareceu no seu antigo grupo. A ela se deve, principalmente, o brilho agora obtido, e que não se conseguira há dois anos, por falta duma amadora com recursos para cantar a parte de Rosária. O número de abertura do primeiro acto, que por êste motivo fôra então cortado em parte, cantou-o agora Helena da Silva Medina com grande correcção. Muito bem! Outra amadora de merecimento é Virgínia Monteiro, que fez com graça a característica. Jaime Broeiro, António Graça e António Santos, representaram duma maneira impecável. Maria Teresa de Oliveira, César Figueiredo, Francisco Carvalho, José Maria Marques, José Mota e os restantes, todos deram uma acertada colaboração. No regente do sol-e-dó mais uma vez se salientou António Dias Cachulo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi uma récita magnífica, podendo dizer-se que não será fácil fazer-se aqui melhor, quer pela alta responsabilidade da partitura, quer pela harmonia do conjunto que agora pudemos apreciar e que não é possível ultrapassar – num grupo de amadores de aldeia, bem entendido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A António Simões, a Helena da Silva Medina, que aqui não tem quem a substitua em opereta, não só pela sua linda voz como pela simplicidade e correcção como representa, e aos restantes amadores, os nossos sinceros parabéns. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.16)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;NOITE DE S. JOÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro Parque teve anteontem grande concorrência, atraída pela opereta em 3 actos Noite de S. João, que os amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense representaram de modo a merecer aplausos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A plateia figueirense conhecia já êste grupo dramático pela representação das operetas Os Amores de Mariana e Em busca da Lúcia-Lima – e a mesma agradável impressão colheu agora desta terceira visita. É um grupo modesto, com deficiências que é muito difícil apontar em amadores de aldeia e que, aliás, em mais das vezes se encontram também na cidade. Tem, todavia, alguns magníficos elementos, à frente dos quais colocamos: Helena Nunes Medina, voz bem timbrada, muito agradável, e que a-pesar-de bastante doente mostrou quanto valia; Virgínia Monteiro, alegre, cheia de vivacidade, sabendo dar à frase a intenção própria; Jaime Broeiro, amador distinto que pode colocar-se ao lado dos mais distintos, vincando a nota cómica com uma naturalidade perfeita, sem exagêro nem desiquilíbrios; António Graça, sóbrio, correcto, ouvindo bem e mantendo um à-vontade com que valoriza as suas interpretações; e António Santos, que fez excelentemente o galã tímido da opereta, mantendo-se sempre bem dentro do tipo que acertadamente escolheu. Estas figuras principais são acompanhadas por outros amadores que, em papéis secundários, - como F. Carvalho, César Figueiredo, J. Maria Marques, J. Mota, etc., - formam um conjunto harmonioso, muito agradável, que quási faz esquecer as naturais deficiências que a uma crítica rigorosa – esquecida, bem entendido, a qualidade e a categoria dêste grupo dramático – não seria difícil apontar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acêrca do valor da Noite de S. João, que é reduzido quanto ao libreto mas que é grande quanto a música, já aqui dissemos o que pensávamos, a propósito da representação desta opereta em Tavarede. Não é ela isenta de dificuldades, mas deve dizer-se que o grupo de amadores tavaredenses, se nem tôdas consegue vencer em absoluto, doutras triunfa brilhantemente. A Noite de S. João exige um numeroso grupo coral, alegre, cheio de vida, sempre animado, dando ruido e côr aos 3 actos e principalmente ao quadro da romaria que é o 3º. – e isso não faltou agora, devendo ainda citar-se como elemento valioso para conseguir a boa impressão do público, o bom gôsto e o cuidado que se notavam na indumentária.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A partitura, obra artística do professor António Eduardo da Costa Ferreira, tem números admiráveis, cheios de beleza, encantadores pela expressão da frase musical, sempre adequada ao personagem e à intenção do verso, e pela magnífica orquestração.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na interpretação desta primorosa e rica partitura brilha o trabalho extraordinário, feito de muita paciência e incontestável competência, do distinto amador nosso patrício sr. António Simões. O que êle conseguiu em tão pouco tempo da sua bem constituida orquestra de amadores, foi muito; mas o que êle realizou com as vozes, com os coros – firmes como os vimos mesmo em alguns números de grande dificuldade, equilibrados, afinados sempre – foi muitíssimo. Não nos dispensamos de felicitá-lo sinceramente, pela maneira como soube aproveitar estes amadores de aldeia – gente rude, sem a mais rudimentar cultura musical.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A assistência manifestou-se com muitas palmas nos finais de acto, sendo igualmente aplaudidos alguns números de música, especialmente o dueto do 2º acto de Rosário e João que foi admiravelmente cantado, e a Marcha do Sol-e-Dó, que teve de ser bisada e na qual o regente (António Cachulo) tem uma excelente rábula.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os espectadores saíram satisfeitos do teatro, outro tanto sucedendo aos amadores, que souberam manter a tradição de que nesta cidade goza o grupo a que pertencem. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.18)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;1926.05.20 - NOITE DE S. JOÃO, NA FIGUEIRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cartas sem moral – Exmo. Sr. Custodio, Regedor de L... Alentejo – Meu presado amigo: Depois de uma viagem encomoda, sentado no nº 9 da fila A, cá cheguei são e escorreito e cheio de saudades da boa pinga do amigo Jeronimo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;V. é que deve estar ainda estafadissimo do pagode d’essa noite de S. João.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acredite, meu amigo, que fiquei admirado com a sua presença de espirito, pois que v. é um teso a valer. E tão teso que um tipo qualquer que andava de noite a roubar galinhas, embrulhado num lençol lhe meteu um susto que o fez bater com os calcanhares no pescoço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os seus homens é que são uns cobardes incapazes de fazer frente a um homem, e tão estupidos que não sabem distinguir os impáres dos páres.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que eu lhe gabo é o seu bom humor e o á vontade com que se mantem na frente d’aquela sucia de alarves tão selvagens como lobos. O Jeronimo é que chuchou valentemente com o meu amigo: mas aquilo não foi por mal, pode acreditar, pois que o mesmo sucedeu à mana Perpetua.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E agora por falar em Perpetua: ela sempre casa ou não?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um caso que me deixou bastante intrigado, foi o seguinte: quando o João pediu a Rosarinho em casamento houve aqueles brindes regados a vinho, e o trouxa do Serafim que já tinha levado com a tampa ainda ali ficou junto dos noivos e a brindar tambem. Isso com certeza é uso lá da terra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a proposito dos roubos do fantasma, tambem lhe quero contar uma historia dum roubo aqui praticado, (mas desta vez não foi azeite ou galinhas) um roubo intrincado como os diabos e que deu volta ao miolo d’um afamado detetive que tinha o habito de mecher muito com os braços e que não fumava sempre de cachimbo como pretendia um certo jornalista que fez a narração desta aventura que eu lhe passo a contar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ora o caso é que foram roubados uns vinte mil dolares (olhe que sempre é mais do que todos os roubos do tal lobis-homem) às ordens terminantes de uma certa dama da capital que julgo ser atris ou coisa parecida e que meteu uma catrefa de rapazes sérios neste enorme sarilho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas meteu-os de tal forma que o dinheirinho foi roubado mal e porcamente, sendo tudo descoberto, devido à má orientação da tal dama, o que levou o citado jornalista a terminar a sua reportagem, não dando os parabens áquela distinta artista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo isto se relaciona, embora não o pareça, com a festa da sua aldeia que foi orientada pelo narrador do roubo que, é bom frisar, estava de passagem na Figueira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E foi ele que o meteu a v. naquele sarilho que o fez deitar os bofes pela boca fóra e bem assim a todos os seus patricios que podiam muito bem ter festejado o santo casamenteiro d’uma maneira mais correcta. V. ainda meteu alguma figura porque cantou pouco: mas acredite que as lindas canções da sua terra foram cantadas muito a fugir não deixando brilhar algumas lindas musicas que tive o prazer de ouvir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No entanto a menina Rosaria fez um poucochinho de figura, pois que cantou o que lhe coube com uma certa graça e boa vós, não lhe sucedendo o mesmo quando fala, pois que atira muito a atris de teatro a valer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As canções ao desafio, essas foram uma lastimasinha que até faziam pôr em pé os poucos cabelos do maestro Simões, para quem o João olhava muito, esperando que a musica saísse da batuta...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas lá na terra não há quem cante? Se não há, é para lamentar, pois que para as cantigas ao desafio quer-se bôa vóz, vóz sã e cristalina, pois que as cantigas assim cantadas são sempre o caracteristico de uma aldeia quando há festa de arraial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De resto todos os seus patricios se houveram como puderam e embora não tivessem desacertado muito, bem podiam ter dado mais um pouco de brilho á festa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um abraço para o amigo Jeronimo e diga-lhe que dispense do seu serviço alguns dos creados pois que aquilo é gente de mais, apezar do pato ser grande... E agora para terminar, peço-lhe que diga ao seu amigo jornalista que eu não lhe dou os parabens pela organisação da vossa festa; mas que dos 20.000 dolares foram muito melhor roubados...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando houver outro arraial, mas que seja bom, avise que eu lá estarei fixe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um abraço do seu amigo certo AGFA&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;PS – A sua encomenda do tal aparelho para obrigar o João a andar direitinho, já está feita. A &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(O Figueirense – 05/20)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-8615149161029137276?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/8615149161029137276/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/teatro-da-sit-notas-e-criticas-4_18.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8615149161029137276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8615149161029137276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/teatro-da-sit-notas-e-criticas-4_18.html' title='TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 4'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-3567238277908750585</id><published>2011-11-18T17:38:00.004Z</published><updated>2011-11-18T17:44:55.500Z</updated><title type='text'>PRIMEIRAS REUNIÕES REPUBLICANAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;1911.01.04 - COMMISSÃO ADMINISTRATIVA PAROCHIAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sessão de 24 de novembro de 1910 – Presentes: José Joaquim Alves Fernandes, Antonio Medina, Manuel Fernandes Junior, Antonio Graça e José Garcia; Substitutos: Ricardo Simões e Antonio Secco d’Oliveira. Regedor: Gentil Ribeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foram distribuidos os pelouros, ficando assim constituidos: Expediente e economia, José Joaquim Alves Fernandes; secretário, Antonio Graça; thesoureiro, José Garcia; culto e cemiterio, Manuel Fernandes Junior; ruas e baldios, Antonio Medina.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Procedeu-se á revisão do inventario e tomou-se conhecimento d’umas circulares da administração d’este concelho e Commissão Administrativa da Figueira, resolvendo-se cumprir o que ellas dizem e responder á Commissão Administrativa, fazendo-lhe vêr as necessidades de que Tavarede carece, que são taes como o desdobramento da escola d’instrucção primaria, pois que a actual, ainda que a digna professora, srª D. Amalia de Carvalho, trabalhe incansavelmente no desempenho da sua missão, não satisfaz, porque é grande o numero de creanças de ambos os sexos que a frequentam, assim como a casa onde está installada não está em condições hygienicas, por isso é urgente este beneficio para esta freguezia; o cano d’esgoto da rua Direita que não dá vasão ás aguas da chuva, ficando a qualquer aguaceiro innundada a rua e casas proximas; e a grade da ponte do Rio que há tempo se encontra partida e que ameaça perigo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deliberou-se que se realisem as sessões no primeiro e ultimo domingo de cada mez; continuar no mesmo livro da junta transacta as despezas e receitas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sr. presidente apresenta um saldo de 1$465 reis da mesma junta, e os fóros que ainda estão por receber.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sessão de 4 de dezembro de 1910 – Presentes os cidadãos: José Joaquim Alves Fernandes, presidente; Antonio Graça, secretario; Antonio Medina e Manuel Fernandes; substitutos: Ricardo Simões, Joaquim Severino dos Reis e Antonio Secco d’Oliveira. Regedor, Gentil da Silva Ribeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lida e approvada a acta da sessão anterior.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sr. presidente apresenta o inventario revisto e assignado e diz que como não está no dito inventario o valor dos objectos d’ouro e prata propôs que se convide, de combinação com o parocho d’este freguezia, um ourives a pezal-os para se mencionar no livro de inventario os seus valores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sr. presidente diz mais: que se encarregará de vêr quem são as pessoas que se teem apossado dos baldios d’esta parochia, assim como tambem, em vista d’esta commissão e o governo da Republica não usufruirem qualquer lucro d’elles, achava melhor pedir ao governo para os mandar vender, podendo o seu producto ser applicado a escolas n’esta freguezia que é uma grande necessidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por proposta do sr. Ricardo Simões, foi deliberado realisarem-se as sessões d’esta commissão na capella de Santo Aleixo, devido a estar em pessimo estado a sala onde ellas se teem effectuado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resolveu-se tambem elaborar o orçamento ordinario para 1911 para ser posto á discussão na proxima sessão, e quando assignado e approvado pelas auctoridades competentes ser exposto ao publico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sessão de 18 de dezembro de 1910 – Presentes os membros: José Joaquim Alves Fernandes, Antonio Medina, Antonio Graça, Manuel Fernandes Junior e Joaquim Severino dos Reis. Regedor: Gentil da Silva Ribeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lida e approvada a acta da sessão anterior.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Procedeu-se á discussão do orçamento ordinario para 1911, sendo approvado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resolveu-se realisar uma sessão extraordinaria para o proximo domingo, 25 do corrente, para se fazer o orçamento duplicado sendo enviados á Administração d’este concelho para seguir os termos legaes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apresentou-se o sr. Manuel da Costa Pinto, ourives, que a pedido do sr. presidente vinha proceder á pesagem e valorização de todos os objectos d’ouro e prata pertencentes a esta parochia, o que se fez em seguida em casa do reverendo parocho sr. Manuel Vicente e que é de 43$420 reis em ouro e 75$342 reis em prata.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deliberou-se que se junte ao orçamento copia d’esta acta, pedindo ás dignas auctoridades a venda dos baldios para que o dinheiro da sua venda seja applicado á instrucção para o povo d’esta freguezia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sessão extraordinaria de 25 de dezembro de 1910. Presentes: José Joaquim Alves Fernandes, Antonio Graça, Antonio Medina e Joaquim Severino dos Reis. Regedor, Gentil da Silva Ribeiro. Lida e approvada a acta da sessão anterior. Discussão do orçamento ordinario duplicado, sendo approvado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sr. presidente deu conhecimento d’uma circular que recebeu da Commissão Administrativa da Figueira. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira - 4.1.1911)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-3567238277908750585?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/3567238277908750585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/primeiras-reunioes-republicanas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/3567238277908750585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/3567238277908750585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/primeiras-reunioes-republicanas.html' title='PRIMEIRAS REUNIÕES REPUBLICANAS'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-3586294326610094254</id><published>2011-11-12T11:59:00.002Z</published><updated>2011-11-12T12:17:49.739Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 4</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1925&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DA LÚCIA-LIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opereta Em busca da Lúcia-Lima levou ao teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense, no pretérito sábado, mais uma enchente. Foi extraordinária a concorrência, sendo a maior parte da assistência constituida por pessoas da Figueira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo agradou em absoluto, sendo calorosos os aplausos. Poucas vezes uma peça conseguiu em Tavarede o êxito alcançado por esta, despertando um entusiasmo bem significativo e que é o melhor prémio do esfôrço de quantos para êsse êxito contribuiram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em busca da Lúcia-Lima é, na verdade, uma linda opereta com tôdas as condições de agrado. O entrecho é interessante e os 1º. e 3º. actos têm boa côr local.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Está escrita com graça, com beleza, aqui e ali com um pitoresco feliz, e o contraste entre a linguagem do 1º. e último actos – passados em Tavarede – e o 2º. – passado na China -, está admiravelmente marcado. Mas há ainda outra coisa que muito valoriza o trabalho do sr. João Gaspar de Lemos ou êle não fôsse, além de um distinto escritor, um inspirado poeta -: os lindos versos com que são cantados os 23 números de música. Não são os versos vulgares, de rimas forçadas e vazios de sentido, geralmente encaixados à força no libreto: são autênticos versos, verdadeiras produções plásticas, com ritmo, com beleza, com alegria e expontaneidade. Citaremos, por exemplo, a romanza da Flôr de Chá, repassada de tristeza e sentimento; a Canção ingleza, tão pitoresca e característica; a lindíssima Canção da Cotovia, versos cheios de melodia, dum lirismo e duma graça ingénua que encantam; as quadras, de esplêndido sabor popular, cantadas pelo côro das lavadeiras; os pitorescos versos do Beijo, no 3º. e do dueto de Capitolina e Pinga-Amor, no 1º. acto...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Juntemos a estas qualidades da peça uma partitura soberba, feliz na inspiração e na beleza da orquestração, com números originais tão perfeitos como apropriada é a adaptação dos coordenados, e teremos a explicação do triunfo em tôda a linha desta opereta que alcançou em Tavarede um êxito até agora não atingido. João Gaspar de Lemos e o distinto amador de música António Simões bem mereceram os aplausos frenéticos com que a assistência os distinguiu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O desempenho, à parte pequenas deficiências inevitáveis nos melhores grupos de amadores, foi bom, brilhante e perfeito por vezes. Muito bem Idalina Fernandes, representando com distinção, imprimindo ao seu papel a tristeza requerida – pena é que a sua voz pouco extensa não lhe permita dar relêvo aos números de música; Virginia Monteiro, com uma naturalidade admirável na Capitolina; Alzira Fadigas e Emilia Monteiro brilharam na Folha d’hera e na Mariposa; A Graça, Jaime Broeiro e F. Carvalho, confirmaram os seus créditos de bons amadores, como também mereceram aplausos J. Vigário, A Santos e J. Cascão, êste um principiante que promete vir a ser um elemento valioso, pois tem qualidades para isso. E todos os outros souberam contribuir para a harmonia do conjunto. Merece referência especial a desenvoltura e a graça das raparigas no côro das lavadeiras e no côro das Emilias, como é também digno de registo a forma como todos capricharam no vestuário.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Sociedade de Instrução tem direito aos nossos aplausos pela maneira como pôs em scena a peça, não se poupando a despezas para que o scenário e a indumentária fôssem o que devia ser. A opereta teve uma apresentação brilhante, sendo de efeito deslumbrante o 2º. acto, no qual se exibiu um guarda-roupa a rigor e luxuoso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dificilmente se fará melhor em Tavarede, e por isso não nos surpreende o grande número de pedidos para nova representação desta opereta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À Direcção da SIT e ao seu esplêndido grupo dramático, os nossos sinceros parabéns. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 05.01)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DA LUCIA LIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por intermedio do nosso colaborador Raymundo Esteves tivémos a honra de ser apresentados ao exmo. sr. João Gaspar de Lemos, distinctissimo poeta e auctor da opereta “Em busca da Lucia Lima” que ultimamente tem sido representada com agrado no teatro da Sociedade d’Instrucção Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gaspar de Lemos, sem de longe pensar que o estamos entrevistando, vae-nos dando na sua agradabilissima conversação, todos os elementos de que carecemos, apenas um pouco ennublados na parte respeitante ao valor da peça, que segundo outros é bem urdida, mas que a sua modestia, que bem se coaduna com o seu valor, faz ver eivada de erros e que só (expressões suas) a tecnica e boa vontade de José Ribeiro e a explendida musica de Antonio Simões, poderiam salvar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Descreve-nos a peça. E o assumpto certamente bem tratado é tão curioso, tão interessante, tem tanto theatro, tamanha beleza, que a gente logo vê quanta modestia o auctor tem falando da sua peça do modo ligeiro que o fez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Começamos então a sentir verdadeiro desgosto por a não termos visto em scena e Gaspar de Lemos dá-nos umas leves esperanças de que ella seja aqui representada em récita de homenagem à Santa Casa da Misericordia, e volta-nos a falar com entusiasmo do valor da musica, da inteligente enscenação, do seu explendido desempenho que representa uma verdadeira consagração para José Ribeiro pelo triunfo obtido d’aquelles rudes e pouco cultos amadores que por única arma de combate para vencer tantas dificuldades, possuem a boa vontade e o grande desejo de progredir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que Gaspar de Lemos nos perdoe a traiçãosinha e fique certo de que aguardamos ocasião de podermos satisfazer o desejo de ver na ribalta a sua “Em busca da Lucia Lima”. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira – 05.02)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DA LUCIA LIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, senhores, a cilada foi bem planeada e bem levada a effeito, pondo isto em evidencia que o Raymundo Esteves, o estrategico do ardil, mostra natural vocação para bandoleiro. Não quer isto dizer que o cumplice entrasse subalternamente no caso como Pilatos no Crédo. Mas estão perdoados! Fiquem, porem, certos que ao largar os dois e ao afastar-me do local do sinistro, já no meu espirito eu tinha aprehensões e suspeitas da nefaria trama. E sem laivos de rancor, sem sombras de azedume ou leve ressentimento sequer, dei logo por bem empregado os poucos minutos gastos por nós trez a palrar sobre o assumpto provocador da cilada. Como bem comprehendem, esta deu ensejo a que eu prestasse homenagem bem convictamente ao maestro Antonio Simões, pessoa da minha maior estima, cuja nitida percepção das situações e fino sentimento artistico lhe deram azo a ornar o libretto com deliciosa e cativante musica, e bem assim ao José Ribeiro, admiravel rapaz, que realisou prodigios d’ensinamento na declamação e marcação da peça, manifestando mais uma vez a sua capacidade comprehensiva da techica teatral, não deixando escapar as mais subtis minucias, e tudo isto conjugado com heroica paciencia e uma vontade ferrea que contrariedade alguma conseguiu quebrantar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Exaro aqui o meu agradecimento sincero pelas boas palavras que me dispensa e que se me afiguram excessivas. Não ignora, é certo, que nas produções literarias d’esta natureza o libretto (enredo e efabulação) constitue quasi um simples pretexto para exhibir musica e indumentaria. Já vê, pois, meu caro Sr. Sobral, que para o exito da opereta Em busca da Lucia Lima e agrado com que nas trez recitas ella foi ouvida, eu contribui com diminuta quota. Longe de mim o proposito de querer adornar-me com vistosas plumas de enfatuado pavão. Desde o primeiro ensaio d’apuro reconheci logo que o valiosissimo concurso dos meus dois amigos e colaboradores evitaria o fracasso da peça. E d’esta vez fui profeta na minha terra. De resto nunca tive pretensões a lançar a publico, já não digo uma obra prima (crédo!) no genero mas qualquer coisa com o fim d’engodar a notoriedade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Creia-me com muita consideração, seu creado e admirador J. Gaspar de Lemos. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira – 05.09)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DA LÚCIA-LIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado, com grande concorrência, deram os amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense a sua anunciada récita em benefício da Santa Casa da Misericórdia, representando a opereta original do nosso conterrâneo sr. João Gaspar de Lemos Amorim, Em busca da Lúcia-Lima, com música original e coordenada pelo distinto amador figueirense sr. António Maria de Oliveira Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já neste jornal se disse com certa largueza, quando da sua representação em Tavarede, o que era esta opereta, de entrecho simples, com muita côr local, alguns tipos trazidos para o palco com felicidade, e em cujos três actos as brilhantes qualidades de poeta de Gaspar de Lemos se afirmam com pujança. Os versos da Lúcia-Lima fogem ao ramerrão das rimas forçadas, têm sentimento, têm princípio, meio e fim, são espontâneos, ajustam-se perfeitamente à acção da peça e à oportunidade em que são cantados. Os espectadores, fazendo ao autor chamadas calorosas no final do 2º. acto, foram justos. Dessas ovações coube grande quinhão a António Simões, que o público, merecidamente, chamou ao proscénio. António Simões é um distinto amador, com sentimento artístico e com excelentes qualidades de interpretação. A partitura com que faz cantar a opereta Em Busca da Lúcia-Lima é um trabalho de valor. Tem números originais lindíssimos e os coordenados estão perfeitamente adoptados. Não há dúvida: foi um colaborador valiosíssimo de Gaspar de Lemos. A êle se deve, incontestavelmente, uma grande parte do agrado com que a peça tem sido acolhida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O desempenho deixou bem impressionada a assistência. Trata-se dum grupo de amadores que vivem na aldeia, sem a ilustração e sem os sentimentos que o meio fornece aos amadores da cidade. Não têm também a menor educação musical – e isto é importante. Todavia, reconhecemos a êste grupo um certo valor, e por isso o julgamos com direito a algumas breves observações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros papéis femininos foram entregues a Idalina de Oliveira, que fez com distinção a Flôr de Chá, imprimindo ao personagem a tristeza requerida. É pena que a sua voz seja tão pouco extensa e não lhe permita vencer as dificuldades da parte que lhe coube na partitura, devendo, no entanto, dizer-se que cantou muito bem a romanza do 2º. acto; e a Virginia Monteiro, que nos deu uma Capitolina insinuante, alegre, risonha. Com o tique da menina d’aldeia educada na cidade mas que não pode desmentir o ditado: - o que o berço dá... Jaime Broeiro e António Graça afirmaram-se como amadores distintos e conscienciosos; A. Santos, J. Cascão e A. Silva, são também amadores com qualidades aproveitáveis; J. Vigário foi bem no Mandarim, não parecendo um principiante; e F. Carvalho, que é também um bom elemento, cantou com segurança a sua parte no concertante final do 2º. acto, outro tanto não podendo dizer-se do dueto com Flôr de Chá, que saíu muito incerto. Os outros amadores, em papéis de menor responsabilidade, bem como os coristas, mostraram-se cuidadosos, contribuindo para o agradável conjunto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os coros, a duas e três vozes, muito seguros, revelando o trabalho e a paciência de António Simões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A opereta está posta em scena com rigor de scenários e guarda-roupa. No 1º. acto há um belo fundo representando o Largo da Igreja de Tavarede, sendo também de excelente efeito a vista chinesa do 2º. acto. Rogério Reynaud tem na Lúcia-Lima um magnífico trabalho scenográfico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abel Santos, caracterizador, foi igualmente muito feliz. Optimos os tipos do Regedor e de Cosme Papóia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A assistência manifestou-se calorosamente com palmas nos finais de acto, tendo ainda aplaudido vários números de música.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A impressão deixada por esta récita foi lisonjeira para os amadores tavaredenses, que têm motivos para estar satisfeitos com o seu esfôrço, que foi justamente apreciado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E merece também os maiores louvores a Sociedade de Instrução Tavaredense, que desta forma quis auxiliar a benemérita instituição que é a Santa Casa da Misericórdia. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 06.16)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DE LUCIA-LIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro que tudo, - registêmos consoladôramente o triunfo alcançado pelo nosso querido amigo e dedicado colaborador. O espectaculo de sabado, a favor do Hospital, satisfez a quantos. O Parque, não tinha poiso vago. De galerias, balcão, camarotes, frizas, descia uma bicha humana que alastrava pela plateia. E toda a gente, quer pontuando com salvas quentes de palmas, a maior parte dos córos, quer no final do 2º acto aclamando com entusiasmo autores e seus auxiliares, - n’uma chamada ao proscenio vibrante de sinceridade – claramente demonstrou o seu agrado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;N’uma operêta, vulgarmente, há apenas um motivo ligeiro, um fio leve de entrecho, para se fazer ouvir musica. Em busca de Lúcia-Lima, tem mais que isso, tem seu enrêdo, começo, meio, fim, tudo afinado e certo, como é proprio do talento do autor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Conta-se em duas palavras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dois brazileiros, sabem por um jornal, que em Tavarede, se oferece como noiva uma linda rapariga – Lúcia-Lima. Metem-se n’um avião. E surgem no Largo da Igreja da ridente povoação visinha. Por telegrama, o povo sabe da sua chegada. Na receção, um dos aviadores apaixôna-se pela filha do regedôr, prendada rapariga cheia de graça. Pinga-Amor, galo do burgo, não vê com bons olhos que outro lhe requeste aquela a quem quer como ás meninas de seus olhos. E manhosamente faz constar que Lúcia-Lima, abalára para Macau...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os dois brazileiros, seguem no rastro da que os fizera abalar de longes terras. E vão ao Oriente, tombando por sua desgraça, n’uns arrozaes sagrados. A lei chineza é concisa a tal respeito. São condenados á morte escura. Mas já a filha do Mandarim se rendera d’Amor por um dos brazileiros. Prepara lhes a salvação e a fuga. E vem com eles, no avião possante que os retorna a Tavarede.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em cinco, seis scenas bem lançadas, desfaz-se o equivoco. O jornal que lhes levára a noticia, era um numero de carnaval. Lúcia-Lima, afinal, é o nome do arbusto aromatico a que sôe de chamar-se limonête. Tavarede é a terra do limonête, por conseguinte a terra de Lúcia-Lima. Desmascara-se o Pinga-Amor. E a peça acaba como tudo o que remata certo, - com o casamento da chinezinha airosa e da provocante filha do regedôr, com os dois simpaticos e endinheirados aviadores...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vista agora o leitor tudo isto de rendas claras, de graça fina, de versos onde o ritmo cantante do poeta, se espelha como uma aza ligeira na agua clara d’um regato. Empreste-lhe o culto gosto de Antonio Simões, fornecendo-lhe musica viva, saltitante, travessa, achando sempre o motivo proprio para cada recorte do poêma. Bons scenarios. Otimo guarda-roupa. E enscenação primorosa d’esse inteligente môço que é José Ribeiro, - tão profundamente fino e esperto, quanto simpaticamente modesto. E terá um espectaculo brilhante, que sobremaneira honra a Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para que se não cuide que olhámos a Lúcia-Lima, pelo oculo d’aumento da nossa estima pelo autor, oiçâmos impressões de quem de direito:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sr. Rodrigo Galvão, profundo conhecedor de theatro, meteur-en-scéne distintissimo, primoroso diseur:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;=Gostei. O librêto é interessante, original e tem finalidade. Musicas felizes. Que assombroso trabalho para conseguir aquilo. E sobretudo, que magnifico motivo de Educação Social...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sr. Antonio Pereira Correia, - aclamado autor de diversas obras congeneres: Sim, senhor. Agradou-me. Estou satisfeito. Que se podia exigir mais?...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sr. Luiz Dias Guilhermino, amador dos melhores da Figueira que há longos anos ao theatro dedica o melhor do seu esforço: A peça é bôa. E que fantastico trabalho o de José Ribeiro. Na Figueira, ninguem era capaz de fazer melhor...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E é opinião geral! &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira – 06.17)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;EM BUSCA DA LUCIA LIMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é meu costume em récitas de amadores, não faltei no sábado passado, no Parque-Cine, para vêr a representação da opereta em 3 actos, Em busca da Lucia Lima, da auctoria do sr. João Gaspar de Lemos Amorim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A peça não está mal feita e melhor posta em scena, mas nasce dum disparate carnavalesco e quasi todo o seu enredo é um disparate completo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é admissivel, nem mesmo em teatro, que um anuncio carnavalesco publicado num jornal de provincia, trouxesse a Tavarede, e de aeroplano, dois comerciantes brazileiros, que se faziam acompanhar dum muléque, para verem uma mulher que o já referido anuncio dizia ser formosa... Como se no Brazil não houvesse mulheres bonitas...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De aeroplano, só Gago Coutinho e Sacadura Cabral, atravessaram o Atlantico, não em busca duma mulher, mas em demanda de mais uma corôa de gloria para Portugal. Depois, os trez personagens referidos não me deram a impressão de terem chegado de aeroplano. Eduardo Leirosa ( Antonio Santos) entrou em scena vestindo uma imitação de um passe-montaigne, enquanto o seu companheiro Tomás Castanho (João Cascão) vestia um vulgar casaco de inverno e Juca Rabino (Emidio Santos) um fato de brim que se usa quando o calor aperta, como nestes dias. Como diz o nosso povo, preto tambem ser gente, e o desgraçado Juca Rabino, se tivesse vindo de aeroplano do Brazil a Portugal, quando chegasse a Tavarede era já cadaver, e não podia portanto, acompanhar o patrão a Macau, como acompanhou e donde regressou são e salvo, vestindo a mesma farpéla... Que diabo, ao menos vestissem-lhe uma pele de ovelha...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tambem não é humano nem admissivel que os referidos viajantes fossem prezos em Macau por terem caido em cima do arrozal sagrado. Ainda não há muito tempo que trez aviadores portuguezes foram à mesma provincia, tendo caido dentro dum cemitério, e não consta que tivessem sido prezos por tal delicto. Ainda se podia admitir tal incidente se a acção da peça se passasse há 300 anos atraz, mas os programas dizem que é da actualidade...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E depois, aquele cabo de mar, reformado e rude como todos os cabos de mar, aparece-nos consul de Portugal em Fchin-Fou, (China). Certamente que o auctor da Lucia Lima tem em muito pouca conta a diplomacia portugueza, que apezar de pouco selecionada, ainda não conta em seu seio vulgares cabos de mar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E para rematar as minhas considerações ácerca da peça devo dizer que era perfeitamente dispensavel a pornografia que a esmalta, que para mais nada serve se não para gaudio da gente ignorante que gosta sempre de ouvir porcarias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O desempenho. Gostámos, porque os amadores esforçaram-se por bem desempenhar os seus papeis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Idalina de Oliveira e Virginia Monteiro, andaram bem nos personagens, respectivamente, de Flôr-de-Chá e de Capitolina, em que revelaram um grande à vontade com que se mantiveram até ao fim da peça. Pena é que não tenham voz para bem cantar, porque declamam com sofrivel correcção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Antonio Santos e João Cascão são dois bons amadores, que muito podem ajudar o grupo de que fazem parte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não gostei de José Vigario no Mandarim Chi-Sha-Lá. Emquanto todos os seus familiares e respectivo povo andaram e revelaram gestos como é de uso nos habitantes do Celeste Imperio, ele dava passos de metro e gesticulava largo demais. Deu-me por vezes a impressão de estar a vêr o diabo do Presepe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Antonio Graça e Jaime Broeiro mostraram-se os bons amadores que são.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A musica. Principío por dar um abraço no Antonio Simões que foi feliz na musica que coordenou e na instrumentação com que a compôs. Só não gostei de ver chinezas a cantar musica regional portugueza, o que não seria admissivel nos habitantes da China, que nem casar querem com gente da Europa, como energicamente foi proclamado pelo soberano Mandarim Chi-Sha-Lá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas á parte este senão, escolheu musica muito bonita, que se ouviu com agrado e soube manter em ordem os córos que por vezes quizeram fugir dela. Bravo, seu maestro!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para quem vai a minha admiração máxima é para o ensaiador, sr. José Ribeiro. Só quem sabe o que é ensaiar amadores, sejam de que arte forem, é que pode avaliar o trabalhão que ele teve para fazer representar a opereta Em busca de Lucia Lima, como ela foi representada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sim senhor, muito bem. Boas marcas e muita ordem na entrada e saida dos diversos personagens. Se tivesse duas mulheres que cantassem bem, e um rapaz que tivesse boa figura e boa voz, o sr. José Ribeiro podia abalançar-se a representar operetas, já não digo de auctores consagrados, mas peças escritas com ordem e que um publico ilustrado ouvisse com agrado, porque tem geito para ensaiar e sabe disciplinar a sua gente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E são estas as impressões que recolhi da representação da opereta Em busca de Lucia Lima e que transmito ao papel ao correr da pena. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(O Figueirense – 06/18)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-3586294326610094254?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/3586294326610094254/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/teatro-da-sit-notas-e-criticas-4.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/3586294326610094254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/3586294326610094254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/teatro-da-sit-notas-e-criticas-4.html' title='TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 4'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-8310963119510618525</id><published>2011-11-12T11:51:00.006Z</published><updated>2011-11-12T12:01:41.821Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festas'/><title type='text'>S. MARTINHO DE TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;S. MARTINHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há memória ter-se realizado qualquer cerimónia litúrgica ao orago São Martinho da freguesia de Tavarede.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta imagem muito deteriorada, foi retirada da Igreja Paroquial há muitos anos para o Museu Municipal da Figueira, e agora restaurada, por iniciativa do Revdº Pároco sr. Manuel Joaquim da Costa Ferreira, conseguiu que ela voltasse para o seu lugar. Para festejar a sua colocação, que de novo ficará no culto da Igreja Paroquial, realiza-se no domingo, 30, às 10 horas: missa solene, sermão e comunhão geral. Cantará o grupo coral feminino de Tavarede; às 14 horas: chegada da Filarmónica Figueirense, que acompanhará a recolha das oferendas de Condados, Saltadouro e Tavarede, dirigindo-se, depois, à Chã, onde se juntarão as dos outros lugares: Caceira e Casal d’Areia, Carritos, Bairro da Estação e Bela Vista, Casal da Robala e Vergieira, Vila Robim e Várzea; às 15 horas: solene procissão, que percorrerá o itinerário do costume. No fim, leilão das fogaças dos vários lugares da freguesia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O produto das oferendas destina-se a custear as despesas da festa e da reparação da veneranda imagem de São Martinho, que, de novo, ficará ao culto na Igreja Paroquial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta festa está a despertar grande entusiasmo nas Comissões, qual delas melhor apresentará nos seus andores as oferendas em honra do São Martinho, Padroeiro de Tavarede, que no seu divino altar volta a presidir aos solenes actos ali a realizar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Figueirense - 29.11.1958&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;S. MARTINHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Festa de regosijo, foi a que se realizou no dia 30 do mês findo, com o regresso da imagem de São Martinho, orago da freguesia de Tavarede e que agora está de novo no culto da Igreja Paroquial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Festa inédita nesta freguesia, que revestiu grande contentamento. A procissão de lindo efeito, com a apresentação de 11 andores todos ornamentados com as oferendas que despertaram os olhares do povo, assim como o que conduzia a imagem de São Martinho – Padroeiro da freguesia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Está de parabéns o Revdº Pároco sr. Manuel Joaquim da Costa Ferreira por ter realizado esta festa integrada com o regresso do orago São Martinho – Padroeiro de Tavarede. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Figueirense - 13.12.1958&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-8310963119510618525?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/8310963119510618525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/s-martinho-de-tavarede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8310963119510618525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/8310963119510618525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/s-martinho-de-tavarede.html' title='S. MARTINHO DE TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-7300842018920102928</id><published>2011-11-04T15:32:00.003Z</published><updated>2011-11-04T15:40:24.579Z</updated><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 3</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;1924&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;OS AMORES DE MARIANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festejado grupo de amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense vai representar êste ano, em uma récita que se realiza no próximo sábado, no seu teatro, a linda opereta em 3 actos Os Amores de Mariana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta peça é, certamente, a mais feliz das que Miguel Costa escreveu e dedicou aos amadores. De entrecho simples, com alguns tipos bem copiados do natural e situações cómicas que provocam o riso sem que para isso seja preciso recorrer à graçola pesada ou a ditos equívocos, os 3 actos têm a dar-lhes maior animação nada menos de 29 números de música alegre, saltitante, muitos dêles de sabor popular admiravelmente adaptados à acção da peça pelo inspirado maestro que foi Dias Costa. Se acrescentarmos que Amores de Mariana tem um excelente desempenho por parte dos amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense, justificados ficam os aplausos que a opereta sempre conquista, sem que os espectadores mostrem sombra de cansaço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A récita de sábado está sendo esperada com grande interêsse, não só porque a opereta se não repetirá em Tavarede, mas também porque nela retoma o seu antigo papel – a protagonista – a distinta amadora tavaredense Helena de Figueiredo, que possui uma voz bem timbrada, muito agradável e com os recursos que a partitura exigem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas desta cidade irão a Tavarede no próximo sábado aplaudir mais uma vez a festejada opereta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No próximo dia 26 do corrente, domingo, o mesmo grupo de amadores vai a Quiaios, representar esta opereta no teatro do Grupo Instrução e Recreio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos a certeza de que agradará ali plenamente, ouvindo os seus intérpretes merecidos aplausos&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#000000;"&gt;. &lt;/span&gt;(Voz da Justiça – 14.10)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;OS AMORES DE MARIANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma noite esplêndidamente passada a de anteontem. O teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense teve uma enchente colossal, e a linda opereta Os Amores de Mariana foi mais uma vez ouvida com o maior agrado. Os aplausos foram entusiasticos em todos os finais de acto e nalguns números de música, que tiveram de ser bisados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O desempenho bom, mantendo os créditos do nosso festejado grupo de amadores. Helena Figueiredo, a distinta amadora que agora reapareceu no seu antigo papel e que foi acolhida com uma quente ovação e muitas flores, cantou admiravelmente a dificil parte de Mariana. Idalina de Oliveira soube, como sempre, fazer-se aplaudir na Morgada, que interpretou com grande naturalidade e muita graça. António Coelho, o apaixonado Zé Piteira; António Silva, no seu caricatural e tão expressivo Morgado do Freixo; Jaime Broeiro, no sacrista sabichão de latinório; António Graça, insubstituivel no brasileiro Barnabé; António Santos, que fez o janota conquistador; e Francisco Carvalho, com muita naturalidade no Manuel d’Abalada – souberam manter a alegria da peça através dos três actos, devendo dizer-se que os amadores que se incumbiram de papéis secundários ajudaram bem, dando um agradável conjunto. Os coros estiveram afinados e certos, o que poderosamente contribuiu para a boa impressão geral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entre a assistência estavam muitas pessoas da Figueira e Buarcos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No próximo domingo vão os nossos amadores representar esta opereta a Quiaios, no teatro do Grupo Instrução e Recreio onde, estamos certos, Os Amores de Mariana agradarão plenamente. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 10.21)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;NOITE DE S. JOÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como previramos, o teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense teve no último sábado extraordinária concorrência. Representou-se a opereta em 3 actos Noite de S. João, cuja lindíssima música agradou plenamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Coube o maior quinhão dos aplausos ao nosso amigo e distinto amador sr. António Maria de Oliveira Simões, cuja competência e bom gosto artístico ficaram bem revelados na forma brilhante como interpretou a dificílima partitura do professor António Eduardo da Costa Ferreira e ensaiou as vozes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que êle conseguiu, em pouquíssimos ensaios e através de várias dificuldades, dos nossos modestos amadores, que não possuem nenhuma cultura musical e alguns dos quais pela primeira vez representavam, foi muito, foi muitíssimo. Os aplausos que ouviu e as apreciações que todos fizeram ao seu trabalho foram merecidíssimos, porque não há dúvida nenhuma de que foi António Simões o elemento que mais contribuiu para o agrado da Noite de S. João.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não há que fazer referência especial ao trabalho de cada um dos amadores. Todos, aparte deficiências naturais em amadores de aldeia, desempenharam bem os seus papéis. Alguns dos antigos amadores, como Idalina Fernandes, Jaime Broeiro e António Graça, confirmaram os seus créditos, merecendo citar-se o excelente tipo de António Santos; Virgínia Monteiro, que pela primeira interpretava um papel de responsabilidade, fez a característica com muita graça, imprimindo à D. Perpétua a preciosa nota de ridículo; José Cachulo (outro principiante), Maria Teresa de Oliveira, F. Carvalho, J. Maria Marques e os restantes ajudaram bem o conjunto. Uma rábula esplêndida: a de António Cachulo no Regente do Sol-e-dó.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caracterizações primorosas, algumas de grande relêvo, do distinto artista que é Abel Santos; e scenários a carácter, de belo efeito, do sr. Rogério Reynaud.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Noite de S. João, que é uma opereta de grande responsabilidade, repete-se no próximo dia 19, e então teremos ensejo de verificar que foram suprimidas as deficiências e hesitações que pudemos notar nesta primeira representação. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.09)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;OS AMORES DE MARIANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grupo de amadores dramaticos de Tavarede veio no sabado ultimo ao Parque-Cine dar um espectaculo com uma opereta regional, cuja acção se passa nos arredores de Coimbra, segundo rezam os programas, e por tanto paredes meias com a nossa terra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fui assistir com um serto interesse, porque sempre gostei do teatro musicado, principalmente quando a acção se passa em qualquer das nossas provincias, algumas delas tão ricas em motivos para uma boa partitura. Os bons auctores é que vão escasseando.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As operetas do Pereira Correia são-me familiares, porque nunca deixei de assistir às suas representações, e apezar de bastante vista, ainda gosto do Barão de Antanholes, que tem musica bonita e bastante movimento de personagens. É uma opereta que vinca sempre em todos os que assistem às suas representações. O que não se dá com Os Amores de Mariana, que é uma opereta inferior e com passagens até pouco decentes, diga-se a verdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do desempenho pouco há a dizer, porque se tirarmos Antonio Coelho, que se mecheu à vontade, e Helena de Figueiredo, que tem geito, nada mais se aproveitou. Pena foi que o primeiro se não tivesse mantido na scena da embriaguez, porque teria sido perfeito e que a segunda tivesse pronunciado um tromento que a meu ver devia ter dito tormento. De resto, tem boa voz e canta com certo gosto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A marcação pareceu-me deficiente. Não percebi que o André, charlatão, surgisse no palco com a massa coral, em lugar de ali aparecer casualmente, o que deu a impressão de que entre ele e os caponios havia o melhor entendimento. Ou não?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tambem não compreendi a situação de Ernesto de Melo (Antonio Santos) depois de Mariana (Helena de Figueiredo) lhe ter dado com a tampa ter-se mantido no palco, assistindo à alegria que reinou à volta do Zé Piteira (Antonio Coelho), quando este teve a certeza do amôr de Mariana. Julgo que ele devia ter desaparecido, porque havia sido preterido pelo rival.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E para terminar com os meus reparos devo dizer que não achei proprio que no côro Brazileiro di água dôce, os comparsas, todos dos arrabaldes de Coimbra, québrassem tão harmonicamente a módinha brazileira. Lá que o Pancracio a exibisse e a massa coral se manifestasse de qualquer maneira propria do seu temperamento e educação, compreendia-se, agora que a secundassem com tanta geiteira é que se tornou reparavel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em Tavarede é natural que estes senões não se notem, agora nesta cidade, onde nem sempre agradam os nossos melhores amadores e muitas vezes até artistas de carreira, foi arrojo exibir uma opereta inferior, mesmo muito inferior.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A musica, além de cédiça, está coordenada muito à ligeira e foi interpretada muito deficientemente. Pena foi que assim sucedesse, porque a orquestra estava bem organisada e apta a executar uma partitura de mais vulto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o fim principal dos amadores tavaredenses foi arranjar dinheiro para o seu cofre, e esse atingiram-no, porque a casa estava quasi cheia, o que devia ter produzido uma boa receita.&lt;br /&gt;Felicito-os por tal motivo. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(O Figueirense – 12.18)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;OS AMORES DE MARIANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu vizinho Roque Maleitas, que teve artes de arrancar-me por algumas horas ao meu pacato isolamento na noite de 13 do corrente para ir ao Parque ver Os Amores de Mariana, opereta desempenhada pelos amadores dramáticos da Sociedade de Instrução Tavaredense, surgiu há pouco à minha porta brandindo com indignação e cólera um número do Figueirense. Indagada a causa daquele insólito estado de alma, Roque Maleitas, sempre bufando e apontando com dedo sinistro a 5ª coluna da 2ª página da já citada luminácia, desabafou nestes termos:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Tome lá! Leia! Leia as pachonchadas dum tal A P. Veja o desplante do farçola! Parece mordido da tarântula ou que recebeu requerimento para dizer mal de tudo por conta alheia!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Oh! Homem de Deus, sossegue, aplaque essas iras e conversemos tranquilos como bons vizinhos e amigos. O homemzinho não há de ser tão mau que ache tudo péssimo. Ora vamos lá a ver isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após lida com a atenção que o caso requeria a crítica teatral do sr A P, eu, para julgar com imparcialidade e justiça, chamei em meu auxílio as minhas impressões do espectáculo, e, confrontando-as com as manifestadas no Figueirense, declarei ao amigo Roque que na verdade não concordava com aquelas opiniões, embora fôssem abalizadas, a julgar pelo tom catedrático e categórico, que é de morrer a rir como a Maria Rita. (Por tamanha ousadia peço, curvado e reverente, tôda a desculpa a êste conspícuo Sarcey, mas tenho por hábito pensar pela minha cabeça e pôr sempre de lado sentimentos que possam influir no meu ânimo. A minha acanhada capacidade não permite ir tão longe quanto eu desejaria, mas conservo sempre presentes as nobres e altivas palavras de Juvenal: Vitam impendera vero – consagrar a vida à verdade!).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vou pois, vizinho Roque, com a franqueza e lealdade que se devem a um amigo, dizer de minha justiça e fazer a contestação dos erróneos pontos de vista do crítico A P, que se me afiguram castelos de cartas, derrubáveis com um leve sôpro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pela leitura inteira do relato salta logo aos olhos que o crítico A P mete o bedelho e aprecia duma assentada a parte literária da peça, a parte musical e orquestral e emfim a parte puramente scénica. Apre que é ter talento como o diabo! Outro que não A P, com tanta competência às costas por certo que largaria asneira nalgumas das ditas partes. Mas o perentório A P não esteve com meias medidas, largou a dislatar a torto e a direito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Vizinho e amigo, observou Roque Maleitas, agora que estão em moda as designações por iniciais, as dêste figurão não poderiam traduzir-se por Asno Perfeito? Que lhe parece?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;= Amigo Roque, tanto pode dar-se essa tradução como outra adequada. Eu, sem repelir a que lhe dá, que fica a matar, optaria pela de: - A P – a pedido – e cá tenho as minhas razões. Mas nada de divagar e deixe-me dizer-lhe o que penso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em tôdas as operetas, ainda as mais cuidadas, como o Solar dos Barrigas, o Burro do Sr. Alcaide, a Noite e Dia, Os Sinos de Corneveille e outras, o entrecho, a efabulação, emfim a parte meramente literária resumem-se em fantasias quási sempre ilógicas, desenrolando-se e caminhando a acção com o fim evidente de exibir música, e para isso não se despreza o mais insignificante episódio. Os Amores de Mariana, produto dum artista sem mira a ostentar resplendor na cabeça, é uma peça modesta, sem pretensões e portanto imerecedora duma crítica ríspida, tão radical e exterminadora que a todos se afigura feita de encomenda. Para que evocar nêste caso o Barão de Antanholes, que não é uma peça interiça, nem vinca cousa alguma, como conselheiramente declara o A P? Ninguém leva a mal ao exigente crítico a familiaridade com as operetas do sr. Pereira Correia. Nesse ponto goza de tanta liberdade como certos animais importunos... Depois, amigo Maleitas, afirmar que Os Amores de Mariana têm passagens pouco decentes é mostrar desconhecimento da Giroflé – Giroflá, da Perichole, da Mascote e tantas, tantas. Cá por mim não lhe vi cousas próprias a provocar caretas a um pater – familias ou a fazer córar uma donzela beiroa. Com tão assanhadiço pudor não deve o austero Aristarco pôr os pés no teatro mas deve ficar em casa bebendo capilé de cavalinho e lendo a Imitação de Cristo. Referindo-se ao desempenho, repare o amigo Roque, o tremebundo crítico manobrou uma rêde varredura! Por magnânina complancência escaparam Helena de Figueiredo e António Coelho; mas não poupou da indispensável ferroada. Para mim, meu estimável vizinho, Helena tem mais do que jeito, tem compreensão, apresenta-se sem bisonho acanhamento, possui voz maleável, canta agradavelmente, e bem melhor que várias belfécias que às vezes nos impingem as secções dramáticas da Figueira, que em questões de recta pronúncia, metem num chinelo o Padre António Vieira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António Coelho pode desafrontadamente pedir meças aos esperançosos amadores em que A P descobre futuros Talmas. Tem intuição clara das situações e não merece na scena da embriaguês o reparo sandeu. Jaime Broeiro, que é um amador caracteristicamente cómico, apreciável; António Silva, que exibiu um morgado típico; Idalina Fernandes, que em scena não deixa surpreender a mais passageira gaucherie, e os demais rapazes só mereceram do peitado crítico o esmagador ditame: Nada mais se aproveitou!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este articulista de afirmações acácias, as quais não passam de lérias pacóvias, não compreende nem avalia o esfôrço pertinaz, o trabalho paciente e exaustivo, quási heróico, de preparar criaturas, umas insuficientemente cultas e outras mais ou menos rudes e pô-las em condições de se exibirem em público. Não compreende nem avalia esse trabalho colossal, e daí o artiguelho inábilmente acintoso, verdadeira cornucópia de baboseiras, despejadas com ares doutorais. Sentenceia êle que a marcação lhe parece deficiente. Vê-se que disso não percebe êle nada e nem sequer sabe o que seja marcação. Melões confunde com batatas. Desconfio, amigo Maleitas, que tôda emburundanga visa o José Ribeiro, que é o ensaiador. Suponho que errou o alvo e perdeu o sem tempo e feitio, porque êste belo rapaz tem como lema o conceituoso provérbio árabe: “Os cães ladram mas a caravana passa”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Asseguro-lhe meu prezado Maleitas, que não é hercúlea empresa desfazer o resto da meada da estultas frioleiras dêste Aristarco pataqueiro, mas a conversa já vai longa. Não quero todavia deixar sem reparos a preciosa observação, talvez um pouco ousada que reza da forma seguinte: “Em Tavarede é natural que estes senões não se notem, agora nesta cidade, onde nem sempre agradam os nossos melhores amadores e muitas vezes até artistas de carreira, foi arrôjo exibir uma opereta inferior, mesmo muito inferior”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de residir neste velho Buarcos, você sabe, amigo Maleitas, que a tal cidade disfruta a justa fama de ser um imenso foco de civilização, um copioso alfôbre de sábios e de altas mentalidades, que em crítica de arte são bem mais exigentes que os dilettants do teatro Scala, e tanto assim que amadores ensaiadores (todos em primô-castello!) são criaturas que deram as suas provas passando em seguida à categoria de notabilidades consagradas. Os habitantes de Tavarede e do resto do concelho são todos bárbaros e selvagens. Como o vizinho leu, o crítico encapotado achou cediça a música coordenada à ligeira e interpretada deficientemente. Foi realmente um êrro de palmatória, é preciso confessar, porque a opereta, popular e despretenciosa como é, devia ser ornada com música dos Huguenotes ou do Barbeiro de Sevilha, e interpretada, está bem de ver, por artistas da envergadura da Patti, da Borghia Mamo e do Caruso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Terminando, amigo Maleitas, e sério, sério, acho muito mais decente e honesto, mais digno de elogios e incitamentos que o grupo dramático da Sociedade de Instrução Tavaredense empregue em coisas teatrais o tempo que tira aos seus labores ainda com o risco de sofrer as zagunchadas de zoilos peitados e de língua corrosiva, em vez de seguir o exemplo da jeunesse doirée dos finitos de papo-sêco que desperdiça os seus ócios nos gineceus da R. da Cêrca e nos santuários recônditos da batotinha amena.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De resto, vizinho e amigo Maleitas, que assistiu à representação da modesta opereta, abismado com o severo julgamento dêste crítico plugúrrio, aplicará ao mesmo a sublime quadra, que bem assenta em casos tais:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pilriteiro que dás pilritos&lt;br /&gt;Porque não dás coisa boa?&lt;br /&gt;Cada um dá o que tem&lt;br /&gt;Conforme a sua pessoa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sr. Director, pela publicação destas linhas, que pretendem simplesmente fazer um pouco de justiça a quem a merece e enfreiar filáucias mal intencionadas, ficar-lhe hei sumamente grato. Um leitor da “Voz”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 12.26)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-7300842018920102928?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/7300842018920102928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/teatro-da-sit-notas-e-criticas-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/7300842018920102928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/7300842018920102928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/teatro-da-sit-notas-e-criticas-3.html' title='TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS - 3'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-7488737786925771501</id><published>2011-11-04T15:10:00.005Z</published><updated>2011-11-04T15:24:08.510Z</updated><title type='text'>Centro de Dia de S. Martinho de Tavarede</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-gvEfN-neWWA/TrQDX_QHNxI/AAAAAAAABfQ/rNmNESb2Tyk/s1600/S%2BMartinho.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 184px; DISPLAY: block; HEIGHT: 274px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5671161541417187090" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-gvEfN-neWWA/TrQDX_QHNxI/AAAAAAAABfQ/rNmNESb2Tyk/s400/S%2BMartinho.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Mesmo sem estar inaugurado o Centro de Dia de S. Martinho, em Tavarede, cujas obras tiveram início em 1995, acolhe já 35 utentes e presta apoio domiciliário a outrs. As carências de apoio eram grandes ‘e não podia esperar por inaugurações’, disse-nos Simões Baltazar, presidente da Junta de Freguesia de Tavarede.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Iniciada em 1995, com o apoio de muitos tavaredenses, que aos fins-de-semana ali trabalharam e deram ajuda monetária ou materiais, assim como a ajuda importante de várias empresas, a obra cresceu sem apoios oficiais, já que estes só apareceram na parte final e foram bem vindos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;O sonho e a realidade podem hoje ser contemplados e mais de três dezenas de utentes já usufruem do conforto da instituição, que opresta também, dentro das suas limitações, apoio domiciliário a outras pessoas menos jovens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;O Centro de Dia de S. Martinho, da responsabilidade da Paróquia de Tavarede, nasceu para satisfazer algumas situações de carência na freguesia, que não podiam esperar mais, daí a sua entrada em funcionamento mesmo sem ter sido inaugurado, o que acontecerá brevemente, assim que os arranjos exteriores e zonas envolventes estiverem concluidos, explicou o presidente da Junta de Freguesia de Tavarede.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Ainda recentemente, reconhecendo os prestimosos serviços que esta instituição de solidariedade social está a prestar à comunidade, o Ministério da Segurança Social ofereceu uma carrinha ao Centro de Dia de S. Martinho, um apoio fundamental para o bom desempenho das funções do referido Centro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Independentemente de algumas iniciativas que têm decorrido, os arranjos exteriores e zoma envolvente ainda vão orçar perto dos três mil contos, valor que a Paróquia de Tavarede espera conseguir através da boa vontade de todos, no mais curto espaço de tempo, para poder concluir e inaugurar a obra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Todos os anos, por ocasião das festas de S. Martinho, em Tavarede, realiza-se o ‘Cortejo de Oferendas’ cuja receita tem revertido para o Centro de Dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Trata-se de uma iniciativa que tem o empenhamento da maioria dos lugares da freguesia, que este ano rendeu a importância de 2.283.945$00, distribuidos da seguinte forma ………………&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Diário de Coimbra - 6.1.2000)) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;em&gt;NOTA - É já no próximo domingo que se realiza este tradicional Cortejo de Oferendas, cuja receita reverte a favor da Paróquia de Tavarede. Se estiver perto, assista e colabore, se estiver longe, desde que seja tavaredense, não esqueça a sua terra natal.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-7488737786925771501?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/7488737786925771501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/centro-de-dia-de-s-martinho-de-tavarede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/7488737786925771501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/7488737786925771501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/11/centro-de-dia-de-s-martinho-de-tavarede.html' title='Centro de Dia de S. Martinho de Tavarede'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-gvEfN-neWWA/TrQDX_QHNxI/AAAAAAAABfQ/rNmNESb2Tyk/s72-c/S%2BMartinho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-3135483977949098259</id><published>2011-10-28T17:21:00.002+01:00</published><updated>2011-10-28T17:28:33.641+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tavarede - histórias'/><title type='text'>UMA VISITA A TAVAREDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;AINDA A EXCURSÃO À FIGUEIRA DA FOZ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;….&lt;br /&gt;Duas ou três voltas pela cidade… A música deixou de se ouvir, os foguetes calaram-se também… Numa torre distante, soaram, pesadas e lúgubres, as doze badaladas do meio-dia… Os estômagos daqueles quatro excursionistas (Medina, Gonçalves, Santa Bárbara e eu) deram horas, não sei bem se por espírito de imitação, se por necessidade…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Optemos pela última hipótese… O Santa Bárbara, sonhador, imaginava já um alto castelo de batatas cozidas, cercado por fortíssima muralha… e resistente barbacã de postas de bacalhau, vibrante e luzidio… E ele, qual conquistador da Idade Média, avançando, avançando sempre, eis que consegue tomar aquela fortaluza, embora sem prévia autorização do alcaide… Mas, tudo aquilo é um sonho…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, nunca largando o seu preciosíssimo sobretudo, resolve distribuir mais alguns prospectos lindíssimos do rico ramisco da Adega Regional, a estas ou àquelas espanholas que por ali cirandeiam… De súbito Medina chama um táxi e empurra-nos para dentro do auto… Alegram-se os semblantes e, para entreter, o Gonçalves admira a paisagem que, certamente, não consegue ver…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Somios chegados a Tavarede… Medina apresenta-nos sua mãi… Simpática velhota que nos recebe alegremente, pois estão ali, como ela diz, os amigos de seu filho… Percorremos as dependências da casa… Estamos encantados… Medina, cicerone atencioso, vai-nos indicando os retratos que se acham espalhados pelas paredes… São todos da família… Prestamos mais atenção às fotos do “velho” director quando era novo… O pai Medina aparece-nos de surpresa… “É o meu pai”, diz o Medina, cada vez mais satisfeito… Acolhimento cativante que nos faz despertar a vontade de jamais sairmos de Tavarede… Depois os manos… José, Pedro, Ricardo e Violinda… Todos nos recebem com agrado… Qualquer coisa nos atrai para a casa de jantar… É o almoço, o desejado almoço, que nos parece estar magnetizado… Qualquer coisa há, também, que nos provoca comentários… É a boroa, a característica boroa, que parece estar acanhada ao lado do pão de trigo… Supõe talvez que a desprezamos… Isso sim!... É ela que toma a presidência… - e nos convida, mais depressa, a baixar à adega…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;À tardinha, um passeio pelos arredores… Vamos a Brenha, povoação encantadora… - São rapazes dos jornais de Lisboa e do meu, como diz o Medina… Recebem-nos às mil maravilhas, longe de nos tomarem por simples distribuidores de jornais, como se podia deduzir da afirmação feita pelo natural daquelas lindas regiões…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que interessante!... Rapazes e raparigas, em volta duns coretos onde duas boas tunas tocavam, impecavelmente, canções em voga, fazem ouvir a sua cristalina voz:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não deves trocar Maria,&lt;br /&gt;As sedas por essa chita…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Não há tempo a perder!... – exclama o Medina… Com muita pena, subimos para o carro que nos há-de levar a Quiaios e à Serra da Boa Viagem… Vamos visitar a Mata dos Cedros, a Vela, a Bandeira… Enfim, estávamos dispostos a trocar todos os passeios por mais alguns momentos de permanência naqueles sítios… Mas, não podia ser… E lá fomos… Chegam ainda até nós os acordes dos violinos e as vozes das raparigas:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pois a flor quando é modesta,&lt;br /&gt;Não deixa de ser bonita…&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Alberto Cosme. (Jornal de Sintra - 22-9-1935)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-3135483977949098259?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/3135483977949098259/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/10/uma-visita-tavarede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/3135483977949098259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/3135483977949098259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/10/uma-visita-tavarede.html' title='UMA VISITA A TAVAREDE'/><author><name>Vitor Medina</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12576767783746827440</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UBkPRgLZm9o/SlYd5PaRH-I/AAAAAAAAAEM/BNNcqeYEXrs/S220/Desenho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7121898631565210777.post-5497056741289333545</id><published>2011-10-28T16:57:00.002+01:00</published><updated>2011-10-28T17:14:47.058+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Associativismo'/><title type='text'>TEATRO DA S.I.T. - NOTAS E CRÍTICAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1921&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ESPADELADA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazem-se por aí, de quando em vez, reclamadas récitas de amadores. É raro, no entanto, surgir alguma coisa que marque, alguma coisa que agrade, alguma coisa que amplamente satisfaça o espectador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Feita uma relativa excepção a alguns novos do Ginásio, a um ou dois rapazes da Naval, o resto acusa o vício atávico do presepe indigena, aquele ramerrão coçado e batido que vai do&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Oh meu menino Jesus&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da lapa do coração...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;até ao aflictivo carpir de Raquel chorosa, em face do arrogante Herodes barbaçudo. Récitas de caridade são sempre de fazer arripios. Ainda há dias, uma muito simpática instituição de assistência o demonstrou com largueza, organizando um espectáculo por tal forma e com tais gentes, que houve quem fugisse dos amadores mais espavorido que menina histérica de bravos bois desembolados...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há por isso que, jubilosamente, fazer justiça a um rancho de petizes que no passado sábado, em dia de aniversário e festa da Sociedade de Instrução Tavaredense, souberam riscar um encantador traço de beleza. Eram aí uns vinte e tantos meúdos e meúdas, trajados à minhota, os pimpolhos de jaqueta e chapeirão de feltro, e as pequenas com a clássica saia bordada, a chinela, o avental bordado, o chambre todo farfalhudo de oiros e o aceso lenço de ramagens, com suas franjas amplas em vermelho e amarelo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Representavam a Espadelada, - uma coisa regionalista e leve, em que com finura se encaixaram uns interessantes motivos de música popular, que estão tão a propósito para a criançada, como sôpa fôfa para uma dose de doirado mel!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu gostava que todo o fiel amadorzinho cá do burgo visse representar a meúdagem de Tavarede. É certo que aquilo mostra uma larga soma de trabalho. Vê-se com clareza a continuada e longa domesticação que sofreram. Calcula-se das lições, dos reparos, do ensino, do desbaste, que dia a dia, hora a hora, instante a instante, foram sofrendo até atingir o grau de perfeição com que brilhantemente se apresentaram em público. Cabe todo êste esfôrço inteligente e bem orientado à evangélica paciência de José Ribeiro. Sim, ao ensaiador cabe em quinhão grande o aprumo, a marcação, a linha com que a petizada disse e representou seus papéis. Graças a José Ribeiro é que não houve uma nota discordante e antes tudo aquilo, de comêço a fim, correu com a limpeza, a segurança, a firme tranquilidade dum veio de água seguindo sem estôrvo o seu caminho fácil. Mas o que o organizador da récita não fez, porque não podia fazê-lo por mais dedicação e mais conhecimentos, foi a naturalidade, o á-vontade, a natural vocação scénica com que se apresentou galhardamente a maioria dos meúdos-actores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Maria Ribeiro, uma garota ainda dos seus 12 anos, encarnou à maravilha um papel de velha mãe, com seus falares pausados, o passo cansado, o gesto lasso. Maria de Figueiredo deu uma Joaquina tão viva como uma cantiga vermelha numa tarde sádia de arraial alegre. António Cordeiro, fez um janota com aprumo, encarnando com facilidade o seu papel de sedutor sabido, com ápartes a tempo, um cofiar de bigodes a rigor, mantendo sempre o seu ar de pessoa fina. António Broeiro, fez um galã ingénuo e apaixonado, com arranques de alma tirados sem aparente dificuldade, movendo-se no seu papel de amorudo como se em vez dos seus dez ou onze anos, já uns dezoito ou vinte lhe trouxessem a cabeça a juros e o coração agarrado a saias em vez de a peões e papagaios ligeiros. E José Loureiro compoz com graça um marinheiro autêntico, desde as botorras de borracha até ao chapéu de oleado, e das barbaças de lobo do mar ao cachimbo entalado nos beiços com uma naturalidade de catraeiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que mais me maravilhou neste grupo de crianças, e nomeadamente neste marinheiro, lobo do mar de 13 anos, foi a correcção do gesto e a natural entoação da frase. Não foi esquecido um pormenor, nem olvidado um detalhe. O dito mais simples era composto com o modo mais frisante. Assim como o galã arrimava ao cacete a sua cara de sofrimento e de ciúme, assim o marinheiro bamboleava o andar nos hábitos de bordo, e a velha fazia o caminhar custoso e as moças cirandavam com calor o seu bailar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Até à beira da scena, nuns toques de aldeia que faziam mover e rodopiar o danço, um meúdito de seus oito anos, chocalhando nuns ferrinhos um acompanhamento bregeiro, e meneando a cabeça e o corpo frágil ao ritmo da modinha popular, tinha tal chiste e tamanha graça que ninguêm havia que não risse...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;... Emfim, um grupo de pequenos amadores, com o pior dos quais muito tinham que aprender todos os seus colegas maiores da terra e a grande maioria de seus iguais da Figueira! &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 01.21)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O 17º ANNIVERSARIO DA SOCIEDADE DE INSTRUCÇÃO TAVAREDENSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sympathica e florescente collectividade local Sociedade de Instrucção Tavaredense commemorou nos dias 15 e 16 d’este mez, d’uma fórma luzida, o seu 17º anniversario de fundação, constituindo aquelles dias na terra a que tenho a honra de pertencer uma festa d’um cunho tão brilhante, tão bello, que os seus associados devem orgulhar-se em ella calar tão bem no espirito de todos os tavaredenses dignos; de todos aquelles que, como eu, desprezam facciosismos associativos para se congratularem com o desenvolvimento da Instrucção e Educação do Povo na terra que lhes foi berço.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por lhe ser totalmente impossivel vir a Tavarede no ultimo sabbado e ainda porque sabia que eu como sendo de cá não tinha convite, o digno editor d’este jornal offereceu-me expontaneamente o da Gazeta, que aceitei reconhecido, porque estava possuido d’um certo empenho em vêr a péça que representavam uns pequenitos na SIT.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim foi, pois que n’aquelle dia dirigi-me lá cima ao Terreiro a occupar no theatro da Instrucção Tavaredense o logar que estava destinado ao editor d’este jornal – o meu patrão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um membro da direcção recebe-me delicadamente e entrega-se um bilhete de plateia, ao mesmo tempo que me indica o meu logar, que occupo após uma bréve vizita ás salas d’aquella collectividade, que eram aliás d’uma sumptuosidade pouco vulgar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A disposição das colgaduras ricas, das verduras e dos vazos de flôres revelava bem o fino gosto, a habilidade de quem os havia disposto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São 21 horas. A orchestra inicia o bem constituido programma com o Hymno da Associação, que é ouvido de pé pelas innumeras pessoas que enchiam o theatro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O panno sóbe e a figura sympathica de José Ribeiro surge no palco, e n’um vibrante e caloroso discurso frisa bem claramente qual a obra da Sociedade de que é Presidente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A assistencia ouve o com attenção, e no fim elle recebe acclamações fartas e justas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segundo o programma, segue-se a operetta em 1 acto, de costumes regionaes, A Espadelada, interpretada por um grupo de creanças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim foi, pois que após um breve intervallo o panno sóbe e a petizada começa de representar a alludida operetta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De principio a fim eu admirei todos, absolutamente, desde o protagonista ao simples comparsa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com franqueza: tenho pena de infelizmente não ter competencia para poder relatar com minuciosidade o que vi. Sei que me custa a crêr que um grupo de amadores com mais annos de pratica na arte de theatro do que os que teem de vida aquelles pequenos actores fossem capazes de representar A Espadelada com tanto escrupulo e d’uma fórma tão correcta como o grupo dos 20 e tantos petizes dos dois sexos que Zé Ribeiro com a sua proverbial paciencia pôz em scena lá em cima na Sociedade de Instrucção.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O filho mais velho do Jayme Broeiro, o Antonio, faz com tanta naturalidade o papel de Thomaz, que me dá a impressão d’um velho amador, batido. É um galã bom.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A irmãsita do Zé Ribeiro, a Maria, marca authenticamente o papel de Tereza. É uma velha que eu estou a vêr e não uma creança dos seus 10 ou 11 annos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Zé Borrasca cahiu bem no filho do Manél Loureiro, que faz sem dificuldades um velho marinheiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Antonio Cordeiro dá muita vida ao Ernesto. É um janota magnifico, como a Maria José, da Helena, uma camponeza authentica. Faz a Joaquina muitissimo bem, revelando para de futuro aptidões aproveitaveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Está um outro, um piriquito, de ferrinhos em punho, que sem dizer uma palavra faz como sóe de dizer-se um papelão. Não há um só espectador, o mais sizudo, que se não ria a bandeiras despregadas com o rapaz, que ostentando ao canto da bocca um cigarro brégeiro quasi tão grande como elle, acompanha lindamente com a cabeça, com o corpo e com o batuque dos ferrinhos, todos os numeros de musica que se tocam durante o tempo que está em scena!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É d’uma graça extraordinaria!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Emfim, todos os pequenitos, desde o mais taludo ao Gentilito, indubitavelmente o mais liliputiano dos engraçados amadores, houveram se d’uma fórma tão brilhante que não devo cohibir-me de os estreitar n’um cordeal abraço de felicitações, bem como ao seu ensaiador, o amigo Zé Ribeiro, por vêr coroado de bom exito todo o seu esforço, toda a sua muita paciencia, revelados no successo obtido com a representação da Espadelada, por um grupo de gentis creanças, n’um dos theatros da minha aldeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A terceira parte do Espectaculo de gala consta d’um acto de foliés-bergéres. Recitam com agrado varios amadores, que recebem ovações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seguidamente sóbe á scena a hilariante comedia Zázá, por adultos, que a desempenham com correcção e graça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E findou assim o primeiro dia de festa da Sociedade de Instrucção, onde se passaram algumas horas alegres e despreoccupadas. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Gazeta da Figueira – 01.22)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1923&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;ROSAS DE NOSSA SENHORA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado, às 21 horas e meia, realizou-se a récita de gala no teatro, que apresentava um aspecto festivo com a ornamentação. Representou-se a linda comédia em 3 actos Rosas de Nossa Senhora, com música original do distinto amador sr. António Maria de Oliveira Simões, dessa cidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O seu desempenho agradou muito, sendo aplaudidos calorosamente todos os intérpretes. Esses aplausos foram inteiramente merecidos, porque, tratando-se de amadores de fraquíssimos recursos, sem prática do palco, revelaram, alguns, habilidade, e todos, grande fôrça de vontade, sem a qual não seria possível o bom conjunto que apreciámos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A distribuição foi a seguinte: Marta, Idalina Fernandes; Rosa, Virginia de Oliveira; Rita, Emília Fadigas; Cigana, Eduarda Fernandes; Carriço, Francisco Carvalho; Tio João, José Vigário; Anastácio, José Maria Marques; D. Luiz, Fernando Ribeiro; José, António Cachulo; Um camponês, António Pinto. A todos estes amadores, bem como aos restantes que constituiam o grupo coral e que cumpriram muito bem a sua obrigação, dirigimos os nossos parabéns.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os 5 números são felizes, tendo a assistência manifestado o seu agrado com palmas que soaram ruidosamente. O autor, sr. António Simões, que assistia, teve de agradecer do palco entusiásticas ovações de que foi alvo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ensaiador e o dirigente da orquestra, o hábil regente da Figueirense, sr. Manuel Martins, viram estarem bem aproveitados os seus esforços, pelo que os felicitamos. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 01.23)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;OS AMORES DE MARIANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há vivo interêsse pela representação, no próximo sábado, da linda opereta em 3 actos Os Amores de Mariana, levada a efeito pelo festejado grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta récita é esperada com um entusiasmo que pode avaliar-se pela enorme procura de bilhetes, e os amadores procuram corresponder a êsse entusiasmo, dando relêvo à interpretação dos seus personagens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A opereta tem 29 números de música alegre, muito viva, parte original e parte coordenada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O grupo coral é constituido por 20 figuras de ambos os sexos, tomando parte na representação 30 pessoas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A distribuição é como segue: Morgada do Freixo, Idalina de Oliveira; Mariana, Virginia de Oliveira; Rita, Joaquina Cascão; 1ª camponesa, Emilia Fadigas; 2ª camponesa, Eduarda Serra; Zé Piteira, António Coelho; Manuel de Abalada, Francisco Carvalho; Roberto, sacrista, Jaime Broeiro; Barnabé Pacóvio, António Graça; Ernesto, António Santos; Tiago, José Maria Marques; André, Emídio Santos. &lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 03.27)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;OS AMORES DE MARIANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta linda opereta teve no sábado último um excelente desempenho pelos amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense. Todos os espectadores aplaudiram com entusiasmo nos finais de acto, fazendo chamadas especiais, como igualmente foram aplaudidos alguns números de música.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não há que fazer especializações. Todos os intérpretes dos principais papéis representaram com muito acêrto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O interessante par dos Morgados (Idalina de Oliveira e António Silva) foi esplêndido de graça, atraindo as atenções da assistência; A Coelho, no Zé Piteira, manteve-se com felicidade; Francisco Carvalho, no Manuel de Abalada, Virginia de Oliveira, na Mariana, e António Santos, no Ernesto, todos muito bem; Jaime Broeiro soube tirar partido do sacristão e Graça fez o brasileiro Barnabé com grande naturalidade, tendo de bisar o seu número Brasileiro di água doce, que cantou muito bem. Os restantes amadores houveram-se por forma a manter um bom conjunto, e os coros sairam afinados e muito certos, pelo que o regente, sr. Manuel Martins, foi justamente elogiado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A récita foi em benefício da Santa Casa da Misericórdia, dessa cidade, gesto simpático que muito dignifica a benemérita Sociedade de Instrução Tavaredense e os seus amadores dramáticos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Oxalá esta iniciativa fôsse seguida pelos grupos dramáticos das outras freguezias do nosso concelho, visto que aos infelizes de todo o concelho acode nos momentos dificeis da doença o hospital da Misericórdia desta cidade. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;(Voz da Justiça – 04.13)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Nota - As notas e críticas, iniciadas neste blogue na semana passada, são retiradas do caderno "100 Anos de Teatro", que compilei por ocasião do centenário da Sociedade de Instrução Tavaredense. Destes cadernos, pois são dois (1904-1954 e 1954-2004), constam também todos os espectáculos realizados, na sede ou fora, notas sobre alguns espectáculos, colaboradores diversos e amadores, indicando a peça e o papel representado e respectivo ano, além destas notas e críticas. Algumas serão, certamente, repetidas, mas julgo de interesse publicar tudo o que consta dos referidos cadernos. Caso alguns dos meus estimados leitores não aprecie, peço-lhe desculpa e peço que passe adiante. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7121898631565210777-5497056741289333545?l=tavaredehistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/feeds/5497056741289333545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/10/teatro-da-sit-notas-e-criticas_28.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/5497056741289333545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7121898631565210777/posts/default/5497056741289333545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tavaredehistorias.blogspot.com/2011/10/teatro-da-sit-notas-e-criticas_28.html' tit
