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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O Associativismo na Terra do Limonete - 115

         No ano seguinte, uma inovação surgiu no programa comemorativo do 88º aniversário. A Sociedade de Instrução Tavaredense realizou, no passado domingo, 12, uma ''Estafeta de Teatro" com partida do Teatro Gil Vicente em Coimbra, e chegada à terra do limonete.
O percurso foi feito a pé por muitas dezenas de amadores, que ao longo dos anos têm passado pelo grupo cénico de Tavarede, e terminou com uma festa-convívio no pavilhão daquela colectividade.
No trajecto, os amadores de Tavarede evocaram, simbolicamente, a grande actriz que foi Ester de Carvalho, em Montemor-o-Velho, e o actor Dias, em Maiorca.
Esta iniciativa fez parte do programa comemorativo do 88° aniversário da SIT, que teve no dia 11 a representação da peça “Os Anjos e o Sangue”, pelo Teatro Experimental de Mortágua.
No próximo dia 18 (sábado) o grupo cénico do GR Vilaverdense, leva à cena a revista "Badalando e Rindo".
No dia 19, pelas 16,30 horas, haverá concerto pela Filarmónica da Sociedade Artística e Musical Carvalhense (Carvalhais de Lavos) e actuação do Rancho Etnográfico do CR Cultural Carvalhense.
No dia 25, às 21,45 horas, o grupo cénico da SIT representa a comédia em 5 actos, original de Molière, "O Avarento".
E no dia 26, fecho do programa, haverá: às 8 horas, alvorada; às 17 horas, sessão solene e posse aos novos corpos gerentes.

         O avarento foi a peça escolhida para a comemoração do Dia Mundial do Teatro, de 1992. Tavarede, capital do nosso teatro amador concelhio, não poderia, como sucedeu em tantas localidades, deixar de assinalar o Dia Mundial do Teatro, que se comemorou no passado dia 27 de Março.
         É que se Tavarede tem tradições teatrais como ninguém, a verdade é que todo um Passado glorioso e um Presente não menos digno aumentou as responsabilidades da Sociedade de Instrução Tavaredense.
         Assim o entenderam. E muito bem, os seus actuais dirigentes, fazendo subir ao palco, na passada sexta-feira, um senhor chamado Molière, um homem que a todos deu o privilégio da alegria, traduzida e provocada pela magia da arte teatral.
         E não resistimos a transcrever afirmações de Mestre José Ribeiro, em carta a um amigo, a respeito deste autor universal: “Pois o Molière é um bom amigo. A graça com que ele se ri! A ironia com que ele critica! A profundidade do seu estudo da sociedade do seu tempo! Tenho rido com ele. E tenho pensado”.
         E estamos certos que com Molière riram os muitos assistentes que na sede da SIT quase, quase enchiam o salão de espectáculos, numa noite em que o ingresso era livre, tal como o riso que os amadores de Tavarede souberam extrair de um texto, a que somaram a postura natural própria, ou só própria, daqueles que sentem Molière.

         Mas Molière não faz apenas rir (o que já era suficientemente saudável), mas também provoca a reflexão. A reflexão sobre acto de viver, nas suas mais contrastantes situações, o repensar de atitudes no diálogo quotidiano que o Homem trava com o Homem.

          E “O Avarento”, peça em 5 actos, é (pode ser) o espelhar do que antes afirmámos, e embora ela decorra no século XVII, nem por isso o dia a dia... dos nossos dias evita o encontrar de posições similares. É tudo uma questão imaginativa.
         Antes da representação subiu ao palco o Dr. Pedrosa Russo, presidente do Lions, um clube de serviço que tanto tem feito, com as suas Jornadas de Teatro Amador, para o agarrar do Teatro. Com ele a Drª Ana Maria Caetano, ilustre e dedicada continuadora da linha teatral da SIT.
         Ambos falaram de Teatro, Teatro que é esperança, que é sonho, que é mentira, que é necessidade; Teatro que desperta a solidariedade, que confere dignidade  e combate ao racismo.
         Teatro que também é um modo de estar na vida.
         Teatro de que Coimbra vai ser capital, mas que bom seria, foi afirmado, não esquecer o restante distrito, não esquecer, acrescentamos nós. Tavarede.

         Na sessão solene comemorativa do 81º aniversário, o Grupo também recordou a prestou homenagem a um outro tavaredense, que havia prestado grande dedicação e colaboração à colectividade. Desde o passado dia 26 de Julho que o Grupo Musical e de Instrução Tavaredense tem vindo a comemorar o seu 81º aniversário, tendo, desde aquela data, concretizado várias iniciativas que passaram, por exemplo, de um concurso de pesca e um rally paper, hoje tão em uso.
         Mas dentro do programa comemorativo julgamos que o passado domingo terá vivido o momento mais nobre e de maior significado, ultrapassando bem o âmbito do Clube, para se alargar a toda a freguesia. Focamos particularmente a sessão solene realizada na moderna colectividade e durante a qual antigos elementos da prestigiada e saudosa orquestra Lúcia-Lima (os menos novos bem se lembram dela), prestaram homenagem à memória de José Medina, nos 50 anos da fundação daquele conjunto musical.
         A reunião foi presidida pelo vereador Carlos Gonçalves e em palco tomaram lugar, além do presidente da Junta de Freguesia de Tavarede e do Padre Matos, vários outros convidados.
         Executado o hino da colectividade e lido o expediente, o presidente do Grupo entregou lembranças e placas a vários amigos e filiados da associação, recebendo diplomas de sócios honorários José Joaquim Soares, António Maurício e Joaquim Gaspar.
         Como é normal nestas sessões de aniversário várias foram as pessoas convidadas a usar da palavra, não tendo esta fugido à regra.
         Recordamos Sérgio Gouveia, da Grão a Grão, Fernando Serra, em nome das colectividades presentes, Albarino Maia, de “O Figueirense”, o Padre Matos, sacerdote da freguesia... até que a intervenção emocionada de António Simões, presidente da Junta, se entrou no momento supremo da homenagem.
         Depois de reafirmar a sua confiança no futuro do Grupo, saudou os novos dirigentes, lembrando que o próximo grande passo irá ser o alargamento da sede, tendo agradecido a ajuda recebida da Câmara.
         Após oferecer a sua colaboração como presidente da Junta, teve palavras simpáticas para com os muitos músicos presentes que “voluntariamente estão a colaborar”.
         Depois António Simões Baltazar evocou a Tuna e o Lúcia-Lima Jazz, ambos fundados por Mestre José Nunes Medina, dando de ambos os agrupamentos uma preciosa imagem e do que representaram para Tavarede na sua vida cultural durante algumas dezenas de anos.
         Uma filha de José Medina foi então convidada a descerrar uma fotografia do homenageado, cerimónia que terá levado lágrimas aos olhos de muitos dos mais velhos, em especial daqueles que conviveram com Mestre José Medina.
         Em nome da família Medina agradeceu um sobrinho de José Medina que lembrou um pouco a Tavarede do seu “tempo” e a sua intensa vida cultural, na qual seu tio desempenhou uma acção de relevo.
         A sessão solene terminou com a feliz intervenção do vereador Carlos Gonçalves que após se congratular com os vários actos vividos naquela tarde, colocou à assembleia alguns pontos de reflexão sobre o futuro do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, prometendo o nunca negado apoio camarário.

         Novas comemorações do Dia Mundial do Teatro. O grupo tavaredense esteve presente. E Tavarede não esqueceu que 27 de Março é o Dia Mundial do Teatro, efeméride que no nosso concelho, e ao que até neste momento sabemos, apenas foi assinalada, com uma representação, na catedral do Teatro Amador, vulgo Sociedade de Instrução Tavaredense.
         Mas a primeira nota agradável desta noite de Teatro talvez se possa situar na feliz circunstância da sala da SIT haver esgotado a sua capacidade de acolhimento, com alguns dos espectadores, de pé, nos corredores laterais da plateia, numa demonstração de que o Teatro tavaredense continua bem vivo, de que José Ribeiro também foi mestre na arte de cultivar continuadores, como confirmado ficou pela qualidade de encenação e representação da peça apresentada.
         Mas antes que o pano subisse, a presidente da Sociedade de Instrução Tavaredense, drª Ilda Manuela Simões, surgiu em palco para explicar a razão daquela noite de Teatro, dedicada acima de tudo aos amadores dos diversos grupos cénicos do concelho, que haviam aceite o convite para estarem presentes.
         A drª Ilda Manuela relembrou também João José da Costa, um presidente da Câmara (1862/1863 e 1864/65) que havia procedido à remodelação da Casa do Terreiro (local onde nos encontramos, disse), fazendo dela uma sala para Teatro.
         Mas hoje a SIT, embora lutando com dificuldades naturalmente económicas (e daí o seu apelo à Câmara e à Secretaria de Estado da Cultura) continua a representar, pois tem gente, quer “não visível”, que para além da cena tudo executa para que aconteça Teatro, quer gente que no palco “dá a cara”, para posteriormente chamar Jorge Monteiro de Sousa, um homem que faz mexer os cenários desde há longos anos, e João Medina, um amador que há 45 anos serve o Teatro.
         Ambos foram homenageados, tanto pela SIT, como pela assistência que lhes rendeu fortes aplausos. Eles simbolizam bem o espírito do Teatro Amador Tavaredense. 
         Contudo os momentos altos deste serão cultural na Sociedade de Instrução Tavaredense não se quedaram por aqui, antes que “Tamar” pisasse as tábuas.
         A drª Ana Maria, responsável pelas actividades cénicas da SIT, leu a mensagem, momentos antes recebida via fax (?!), referente ao Dia Mundial do Teatro.
         E ao proscénio seria ainda chamado o dr. António Gomes Marques, da Secretaria de Estado da Cultura, um homem a Tavarede ligado por elos afectivos e familiares, e de Teatro desde há muito amador.
         Com arte no gesto e com dom no lançar da palavra, o orador ofereceu à atenta plateia uma ponderada e pedagógica motivação para que sobre o próprio Teatro se reflectisse, advogando com alma e com razão um movimento que leve a que o Teatro seja uma realidade na Escola.
         E se, como transcreveu, “para fazer Teatro basta a matéria humana”, à Sociedade de Instrução Tavaredense ainda falta para continuar a pontuar como santuário concelhio (só concelhio?) do Teatro, dado que “a matéria humana”, muita dela novata nestas andanças, se definiu, na peça de Alfredo Cortez, como de primeira água, digna continuadora da escola de José Ribeiro.

         “Tamar” é a representação que a SIT vai levar às Jornadas de Teatro Amador; “Tamar” é a peça que o público concelhio amador do Teatro não pode deixar de aplaudir, caso não queira cometer um pecado cultural.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Associativismo na Terra do Limonete - 114

         No dia em que Mestre José Ribeiro completaria 96 anos de idade, nova homenagem foi prestada à sua memória, desta vez por iniciativa de uma comissão, que tomou a responsabilidade da iniciativa e durante a qual foi inaugurado o seu busto no largo fronteiro à Sociedade. Ao homenagear-se em Tavarede no próximo domingo a figura do grande cidadão José da Silva Ribeiro, a Sociedade de Instrução Tavaredense sentiu um enorme desejo de falar um pouco do Homem que foi a pedra angular da sua existência, do seu prestígio.
         O Teatro foi a arte escolhida para o engrandecimento da Sociedade de Instrução Tavaredense e dos que com ele conviviam nos inesquecíveis serões dos ensaios. Desde 1916, ano em que tomou as rédeas da direcção do grupo cénico, José Ribeiro instruiu e educou as mais variadas gerações de tavaredenses, tendo sempre como cartilha o texto dramático, por mais simples que se afigurasse a mensagem.
         Ao princípio, e pensamos que numa atitude de motivação e recrutamento de amadores, ensaiou variadas peças sendo, na sua maioria, comédias e operetas com adaptação de romances e contos, por exemplo, do grande escritor Júlio Dinis. Lembremos que os amadores eram gente que trabalhava a terra durante o dia ou exercia outras profissões bem agrestes e que à noite vinha aprender a falar, a ouvir e a estar, com os ensinamentos do Mestre. Também o público carecia de ser educado e, por isso, ele numa atitude verdadeiramente pedagógica começou dos enredos e das palavras mais simples dos autores nacionais, para gradualmente introduzir outras obras ditas “mais sérias”. Em 1946 entra em Tavarede Gil Vicente, o grande criador do Teatro Português. Introduzir textos vicentinos não foi tarefa fácil, embora o grupo cénico nessa época já tivesse alguns amadores com grande qualidade – Violinda Medina, João Cascão, Fernando Reis, irmãos Medina, João de Oliveira e outros -, no entanto a linguagem medieval era um tanto difícil para a maioria dos amadores. José Ribeiro, habituado a enfrentar todas as dificuldades, não desiste e em Tavarede representam-se variados trechos de Gil Vicente – Auto Pastoril Português, Auto da Barca do Inferno, Auto da Visitação, Pranto da Maria Parda, Auto da Feira, Farsa do Velho da Horta e outros. Como foi possível então representar com êxito o autor citado, bem como toda uma vasta galeria de autores clássicos e modernos da literatura portuguesa e estrangeira como Garrett, Marcelino Mesquita, Alves Redol, Luís Francisco Rebello, Molière, Marivaux, Shakespeare, Pirandello, Artur Miller, Diego Fabri?
         Antes do início dos ensaios, a peça sofria uma enorme fermentação, um enorme estudo pessoal, fruto de longas noites passadas à secretária, no escritório de sua casa. Cuidadosamente fazia os cortes necessários ao texto, de maneira a que a mensagem se tornasse fluida sem, de forma alguma, quebrar o espírito do autor. Seguidamente começavam os “bonecos” – pequenas figurinhas de chumbo – a bailar nas marcações do espaço cénico desenhado na folha de papel. Ao mesmo tempo fazia os contactos com o responsável pelo guarda-roupa, Anahory, e com os cenógrafos, a fim de haver um entendimento perfeito entre texto – indumentária – cenários – adereços. Começava então a fase dos ensaios que, segundo ensinamentos seus, se dividem em duas fases – o reconhecimento do texto, através dos chamados ensaios de mesa, e posterior passagem ao palco, em que o amador aprende a misturar as palavras, o tom de voz com a expressão corporal, a apropriação do espaço.
         E nesta tarefa se passavam alguns meses entre repetições, ralhos, risos, mas acima de tudo, num beber constante de ensinamentos da vida.
         Para José Ribeiro, o dia do espectáculo era tempo da celebração, o coroar de toda uma caminhada de trabalho e de prazer. O Mestre vivia, não só a sua, mas a de todos os que com ele partilhavam a arte de Talma.
         Através do Teatro ele foi capaz de fazer chegar o nome de Tavarede e da Figueira da Foz a quase todos os cantos de Portugal. Saibamos no presente honrar este homem simples procurando dignificar e reabilitar a arte do Teatro no espaço cultural do nosso concelho. A Direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense

         Mas um novo golpe sofreu o associativismo tavaredense em fins de 1990. No passado dia 6 de Dezembro, a Sociedade de Instrução Tavaredense ficou empobrecida, Tavarede vestiu-se de luto: João de Oliveira Júnior tinha sido atropelado mortalmente, em Coimbra quando atravessava uma passadeira, frente ao antigo teatro Avenida.
         Os tavaredenses algo atónitos pela dureza da situação procuravam não acreditar na realidade, que sobre eles se abatia.
         João de Oliveira estreou-se no teatro de Tavarede com apenas 14 anos e, desde então, manteve-se sempre no grupo cénico. Amador de alta categoria, ele experimentou as mais diversas personalidades representando, de forma admirável, grandes dramaturgos portugueses e estrangeiros. Ele era “o mau” do grupo, segundo as suas próprias palavras, já que ninguém gosta de fazer papéis antipáticos, paradoxalmente, fazia, de maneira admirável, a feição cómica. Como exemplos, podemos citar: o desconhecido em “Alguém Terá de Morrer”, o diabo do “Auto da Barca do Inferno”, o bofarinheiro do “Conto de Inverno”, “O Tartufo”, o “Médico à Força” de comédias de Molière e tantos outros!... 
         Desde cedo, este amador revelou-se alguém capaz não só de interpretar majestosamente os seus papéis, mas também de assimilar as técnicas inerentes à preparação e montagem de um espectáculo. Assim, momentos antes da morte de José Ribeiro ele assumiu a direcção do grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense fazendo por continuar uma arte que tanto tem dignificado as gentes de Tavarede. Pela sua mão foram à cena as seguintes peças: “Chá de Limonete”, “Alguém Terá de Morrer”, “Todo o Mundo e Ninguém”, “Tio Simplício”, “O Dia Seguinte”, “Horizonte”, “Os Velhos”!, “O Sonho do Cavador”, estando a ensaiar neste momento outra fantasia de José Ribeiro.
         Ao longo dos tempos, João de Oliveira não era apenas o excelente amador, ele desempenhou funções directivas na Sociedade de Instrução Tavaredense, nunca fazendo questão dos cargos exercidos – desde presidente a vogal – ele exerceu-os com a mesma competência e dignidade.
         No aspecto recreativo, ele foi sempre o grande impulsionador e animador dos Concursos de Pesca Rio e Mar, passatempo seu preferido, e também de todos os convívios sociais levados a cabo pela SIT. Como tavaredense, João de Oliveira teve uma postura exemplar: a palavra inimigo não fazia parte do seu vocabulário, ele recebia todos com a mesma franqueza, a mesma bonomia, pronto a ajudar a quem a si recorresse.
         Aos setenta anos ele brincava graciosamente com os seus netos, forma de lhes transmitir alguns ensinamentos e, acima de tudo, de lhes mostrar o lado bom da vida.
         Com a partida de João de Oliveira, todos ficámos roubados do convívio como colega de direcção, como do amador de teatro, como Amigo sincero! A Sociedade de Instrução Tavaredense perdeu de forma amarga mais uma das suas traves mestras – o grande continuador da obra admirável de José Ribeiro. A Direcção da Sociedade de Instrução Tavaradense.
         Obs. – “O Figueirense”, que solicitou este testemunho à Direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense, associa-se ao desgosto de todos os tavaredenses

         Foi a jovem amadora tavaredense Ana Maria Caetano quem tomou a direcção do grupo cénico. A sua primeira peça, como encenadora, foi a fantasia Terra do Limonete. E o teatro tavaredense comemorou o Dia Mundial do Teatro, em 1991, com uma sessão na sua sede. Tavarede, santuário de muito teatro, não esqueceu (como podia?) de assinalar o Dia Mundial do Teatro, que ocorreu na passada semana, no dia 27.
         Não sabemos de outras iniciativas que tenham decorrido no nosso concelho, mas, se eles acaso não se desenvolveram, Tavarede salvou, como se diz, a honra do convento, ao promover, na sua sede, uma noite em que o Teatro e José da Silva Ribeiro voltaram a dar mãos, encheram a Sociedade de Instrução Tavaredense e reconfortaram o espírito de todos que participaram nesta comemoração.
         Presidiu à sessão o Dr. Luís de Melo Biscaia, vereador do pelouro da Cultura, o qual, em mesa de honra, estava rodeado pelo presidente da Junta de Tavarede, António Baltazar, e pelas drªs. Ilda Manuela e Ana Maria Caetano, bem como pelo presidente da SIT, Manuel Lontro.
         E seriam de Manuel Lontro as primeiras palavras explicativas da razão desta sessão, na qual a comissão promotora da homenagem a José Ribeiro resolveu aproveitar o Dia Mundial do Teatro não só para evocar o Mestre, mas também para do Teatro falar, como se os dois, adiantamos nós, se pudessem separar.
A Drª Ilda Manuela leu depois a mensagem do Director Geral da Unesco, Frederico Mayor, relativa à data que se assinalava e na qual aquele responsável distinguiu o instinto criador de todas as mulheres e de todos os homens, enunciando seguidamente alguns dos grandes desafios do nosso tempo, recordando também o valor da comunidade teatral internacional, incitando às manifestações desta arte ímpar, na contribuição do advento de um mundo mais criador e mais fraterno.
         A intervenção de fundo coube à Drª Ana Maria, actual ensaiadora d SIT, discípula de Mestre José Ribeiro, a qual, corajosa, mas conscientemente, pegou nas rédeas da colectividade após o falecimento de João de Oliveira, outro homem grande do Teatro tavaredense.
         E a palestrante traçou um cuidado retrato destes dois grandes e indissolúveis triunfos culturais de Tavarede, isto é, historiou a fecunda actividade teatral e evocou José da Silva Ribeiro.
         Recordou os tempos da fundação da SIT, lembrando as sociedades dramáticas que se representavam de casa a casa, a acção de João José da Costa e a contribuição que este ex-presidente da Câmara deu à actividade teatral transformando a Casa do Terreiro em Teatro do Terreiro, a escola nocturna que o antigo regime encerrou em 1942, as representações, as dificuldades...
         Mas 1916 é marco histórico-cultural de Tavarede, pois é nesse ano que José da Silva Ribeiro, com apenas 18 (?) anos, se assume como ensaiador da SIT, estreando-se com a opereta “Entre duas Avé-Marias”.
         E pelo palco de Tavarede passou uma população que se cultivou, educou, progrediu, tomando características próprias que se haviam de reflectir no dia a dia da vida real.
         E neste Dia Mundial do Teatro foi bom aprender e recordar muito do que o Teatro deve a Tavarede, muito do que Tavarede deve a Mestre José da Silva Ribeiro, viajando ciceroniado pela Drª Ana Maria, num agradável passeio cultural que nos conduziu dos primórdios teatrais tavaredenses até aos nossos dias, havendo ainda tempo para saudar Violinda Medina, João Cascão, os irmãos Broeiros, Manuel Nogueira, Francisco Carvalho e tantos outros pilares humanos da SIT.
         E a palestrante concluiria as suas palavras com a certeza de que “em Tavarede deixou bem colocada a semente do Teatro”, finalizando com um viva ao Teatro.
         O Dr. Luís de Melo Biscaia encerraria a primeira parte desta sessão evocativa do Dia Mundial do Teatro, declarando “que hoje sabe bem revivermos José da Silva Ribeiro neste Dia Mundial do Teatro”, realçando posteriormente quer a sua acção, quer a de todos os amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense, felicitando, por fim, a oradora pelo seu brilhante trabalho.
         A derradeira parte desta reunião foi toda ela ocupada pela passagem de um vídeo, no qual nos foi apresentada uma completa entrevista realizada ainda com o Mestre José Ribeiro, ora situada em sua casa, ora localizada na sua segunda casa, a SIT.
         E se soube bem reviver Mestre José Ribeiro nas palavras da Drª Ana Maria, como afirmou Luís Biscaia, não menos emotivo foi revê-lo nas imagens, sentir toda a sua determinação, vontade, todo o seu “amor ao Teatro e às suas gentes de Tavarede”.

         Tavarede não esqueceu o Dia Mundial do Teatro. Bastou que do Mestre José Ribeiro se falasse...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O Associativismo na Terra do Limonete - 113

         Numa outra notícia, publicada em Janeiro de 89, a nossa atenção foi despertada pelo seu título: ‘Em Tavarede senhoras dão o exemplo’. No passado domingo a Sociedade de Instrução Tavaredense esteve em festa, ao comemorar em Sessão Solene, os seus brilhantes 85 anos de vida, de uma vida onde INSTRUIR e RECREAR tem sido o objectivo prioritário.
         É de todos sabido, como o fez notar a Drª Ana Maria Caetano, presidente da sociedade, que o TEATRO sempre foi particularmente cultivado pelas gentes de Tavarede, ainda que ele seja uma actividade de enormes dificuldades, que resultam não só do elevado número de pessoas que envolve, mas também de todo um conjunto técnico de conhecimentos que urge possuir-se. E em Tavarede, diria ainda a 1ª oradora desta sessão solene, não se brinca ao Teatro, mas faz-se Teatro pelo Teatro, recorrendo-se às melhores obras dos melhores dramaturgos, independentemente dos problemas daí resultantes.
         Esta Sessão Solene foi presidida pelo Dr. Abílio Bastos em representação da Câmara Municipal. Na mês de honra tomariam ainda lugar vários convidados e amigos da colectividade em festa.
         Momento sempre solene foi o acto de posse dos novos Corpos Sociais. Solene e pouco usual (infelizmente), pois em Tavarede as senhoras dão exemplo, como o prova o facto de quatro senhoras passarem a compor a nova Direcção: Presidente, Drª Ana Maria Caetano, Vice-Presidente: Drª Ilda Manuela Simões, 1ª Secretária, D. Otília Maria Cordeiro, 2ª Secretária, D. Maria Luísa Lontro de Sousa.
         Uma saudação muito especial para estas quatro senhoras que, numa atitude sempre de enaltecer, se prontificaram a servir na sua Sociedade, esquecendo todos os sacrifícios que tal decisão possa acarretar.
         Nesta sessão usaram ainda da palavra o sr. Padre António Matos Fernandes que, além das usuais felicitações destas cerimónias, aproveitou para agradecer a colaboração que a SIT deu à Paróquia durante o ano findo. O sr. Carlos Cardoso, amigo da casa e representante da Sociedade Figueira-Praia teceu depois uma curiosa, oportuna e justa crítica à representação que na véspera tivera lugar naquele palco, demonstrando não só um apurado sentido crítico, mas igualmente um agradável espírito de humor e bagagem “técnica-teatral”.
         Também o Director de “O Figueirense” usaria da palavra para saudar a SIT, e proferir alguns comentários sobre a quase total ausência de jovens na sala. De referir que esta terá sido uma das sessões solenes mais despidas de público dos últimos tempos, problema que a nova gestão não deixará de solucionar. E bem.
         O Dr. Joaquim Barros de Sousa teceria como que o discurso oficial da sessão. Demonstrando um profundo conhecimento sobre a SIT e sobre Mestre José da Silva Ribeiro, o palestrante recordaria, entusiasmado, a figura desse grande Homem de Teatro e a obra que criou em Tavarede, obra que – disse – tem raízes, pois o Teatro não acabou em Tavarede com o seu desaparecimento.

         O primeiro de Maio desse ano foi alvo de notícia. Com ar festivo, um colorido inigualável, a Figueira rejuvenesceu na manhã do 1º de Maio! Os sorrisos multiplicaram-se, expontâneos, nos lábios doces das raparigas a fazer lembrar as descrições de Maurício Pinto ou de um Raimundo Esteves.
         Com os potes à cabeça, cobertos de lindas e perfumadas flores naturais, como aliás é seu hábito, Tavarede surgirá uma vez mais, entoando aquela bonita melodia que a tradição soube imortalizar. “É o encanto de Tavarede”, como simplesmente nos disse Álvaro Marques, o grande impulsionador (também o ensaiador) do Rancho 1º de Maio do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense.
         Esta colectividade, fundada em 1911, para além de um meritório trabalho no campo cultural, como é o caso de uma escola de iniciação cultural, preservou e acarinhou sempre a música, arte aliás para a qual esteve sempre vocacionada.
         Em 1961 “reaparecemos em força com o Rancho do 1º de Maio e apostámos sempre na diversidade e qualidade musicais”, afirmou-nos ainda Álvaro Marques. Este ano, segundo apurámos, 18 pares (adultos) constituirão o Rancho 1º de Maio do GMIT, para além obviamente de um conjunto de 15 elementos que, sob a orientação de Vítor Murta, serão o suporte musical deste agrupamento folclórico. Agrupamento que ainda pretende imprimir alguma veracidade aos temas que interpreta inserindo um ou outro instrumento de cordas, caso dos violinos e violas.
         “O Figueirense” teve conhecimento ainda que os ensaios decorrem já a um ritmo espantoso, não só com a preocupação  de burilar os últimos pormenores de trajo e marcação como também, com o entusiasmo habitual, começarem-se por “fitar” já os locais onde proliferam as flores mais bonitas de Tavarede.
         =É o cheiro das várzeas e do limonete que dão um “pulo” à Figueira.

         Chegados a mais um aniversário da Sociedade, uma nova reposição teve lugar. No programa comemorativo do 86º. aniversário da Sociedade de Instrução Tavaredense destaca-se, para o próximo sábado, 27, às 21 horas e 45 minutos, a representação pelo grupo cénico, da comédia em 3 actos, de D. João da Câmara, “Os Velhos”.
         Em palco estarão, sob a direcção de João de Oliveira, os seguintes amadores, já conhecidos: José Medina, João José Silva, J. Luís do Nascimento, João Medina, João José Fadigas, Maria Conceição Mota, Maria de Lurdes Neto, Lurdes Lontro e Ana Maria Caetano.
         No dia seguinte, haverá alvorada às 8 horas; e às 17,30 horas, a sessão solene com a participação do Rotary Clube da Figueira da Foz. Nesta cerimónia far-se-á o lançamento público de uma publicação editada por aquele clube de serviços da nossa terra, sobre o grande tavaredense e mestre de teatro que foi José da Silva Ribeiro. Além dos amigos da SIT e das entidades oficiais, estará presente, como oradora da tarde, a drª. D. Judite Pinto. E ao acto associam-se também o Coral David de Sousa e a Filarmónica de Quiaios.
         A propósito, Carlos Alberto de Oliveira Cardoso e Hernâni da Costa Pereira, em nome da Direcção do Rotary, fizeram questão de nos oferecer, pessoalmente, duas brochuras do volume “Em memória de José da Silva Ribeiro” e a acompanhá-las a seguinte nota explicativa:
         “Na sua casa humilde de Tavarede, aos 13 de Setembro de 1986, morria José da Silva Ribeiro. Contava 92 anos feitos e fora lição de amor à terra natal e cidadania, de jornalismo e doação ao Teatro.
         Seis meses após, a 18 de Janeiro imediato, na sessão solene comemorativa dos 83 anos da SIT, quis o Rotary Clube da Figueira honrar a memória desse seu sócio honorário, para o que por várias formas participou naquele acto memorial.
         Reunindo a maior parte das comunicações então produzidas e juntando-lhes alguns outros elementos relacionados com a referida sessão ou com a personalidade homenageada, agora acaba este Rotary Clube de editar um volume “Em Memória de José da Silva Ribeiro”.
         E é esta obra que o Clube Rotário da Figueira pretende apresentar em Tavarede, na SIT; como forma, ainda e sempre, de honrar a memória daquele que toda a vida deu lição de amor à terra natal e cidadania de jornalismo e doação ao Teatro”.

         E, também, aqui queremos recordar a sessão solene desse mesmo aniversário, durante a qual o Rotary Clube da Figueira da Foz igualmente homenageou José Ribeiro. Na tarde do passado dia 28, a sede da Sociedade de Instrução Tavaredense registou uma animação fora do vulgar, pela circunstância da efectivação da sessão solene comemorativa do 86º. aniversário da prestigiosa colectividade da terra do limonete.
         Ao acto, e como estava previsto, associou-se na sua máxima representatividade, o Rotary Clube da Figueira da Foz, que aproveitou a oportunidade para lançar o livro “Em Memória de José da Silva Ribeiro” (publicação esmerada graficamente  que contém as comunicações da homenagem que este clube de serviço da nossa terra prestara àquele “mestre” da arte de Talma, no ano de 1987).
         Após a execução do hino da colectividade pela Filarmónica Quiaiense, e feitos os convites às diversas entidades para participarem no lugar de honra do palco, usou em primeiro lugar da palavra a presidente da Direcção, drª. Ana Maria Caetano, que deu explicações porque não subiu à cena na noite do dia anterior a peça de teatro “Os velhos”, cujos motivos assentaram no facto de alguns dos seus amadores terem sido surpreendidos pelo surto da gripe, e desenvolveu matéria sobre as linhas fundamentais da orientação da colectividade na arte de bem dizer e de bem recriar.
         O pároco da freguesia, padre António Matos, fez alusões pertinentes à representação da peça ali levada à cena pelo TEM (Teatro Experimental de Mortágua).
         O presidente da Junta, António Simões Baltazar, na sua simplicidade de expressão, prometeu o melhor apoio e espírito de ajuda àquela colectividade aniversariante, orgulho da sua terra natal.

         A evocação de diversas facetas e o amor de figuras tavaredenses à sua terra berço e à sua SIT, foi oratória muito apreciada pelos presentes, saída da boca da drª. Maria Almira Medina, directora do “Jornal de Sintra”, que, naturalmente, realçou o nome de seu pai, António Medina Júnior.
         Na ocasião foi anunciado que a Direcção deliberara conceder 3 títulos de sócios honorários: a José Medina (uma dedicação sem precedentes e amador de teatro de altos méritos); a Carlos Alberto de Oliveira Cardoso; e ao Rotary Clube da Figueira da Foz.
         A segunda parte da sessão foi ocupada pela presença do Rotary: o presidente engº. Costa Pereira e o dr. Carlos Estorninho (este apresentou um interessante trabalho literário, que abordou a colaboração de José Ribeiro no semanário “A Voz da Justiça”).
         Como oradora oficial a drª. Judite Mendes Pinto Abreu, filha do saudoso rotário e figueirense de elevada cultura, Maurício Pinto, salientou José Ribeiro como homem de teatro, como jornalista, como pensador, como homem de família.
         A sessão foi encerrada pelo presidente da Câmara Municipal, engº. Manuel Alfredo Aguiar de Carvalho, que rendeu o seu preito de admiração à obra da SIT na cultura popular.
         O Coral David de Sousa interpretou vários números do seu reportório, muito aplaudido pelo nível artístico evidenciado.

         Como nota final, podemos anunciar que o livro editado pelo Rotary encontra-se à venda na sede da SIT. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O Associativismo na Terra do Limonete . 112

         Apesar do rude golpe sofrido, o associativismo prosseguiu o seu caminho, iniciado havia quase duzentos anos. Por ocasião do aniversário de 1987, o grupo cénico homenageou a memória de José Ribeiro levando à cena O sonho do cavador, a mais representada obra teatral do Mestre. Recordemos uma notícia sobre as comemorações. Para além da reposição da bonita peça musicada “O Sonho do Cavador” que subiu à cena no passado dia 17, o ponto mais alto do programa elaborado pela Sociedade de Instrução Tavaredense para assinalar condignamente os seus 83 anos foi, sem dúvida, a Sessão Solene realizada no domingo seguinte ao da representação, pelas 17 horas.
         Numa verdadeira diversidade de temas, focou-se a pessoa grande e recentemente desaparecida, esse homem a quem Tavarede e a própria cidade tanto devem – José da Silva Ribeiro.
         Presentes, individualidades relevantes da vida figueirense, tendo a presidência pertencido ao engº Aguiar de Carvalho, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal.

         Para além das intervenções da Presidente da Direcção, Drª Ana Maria Caetano, usaram da palavra o Revdº Padre Matos, Pároco de Tavarede e o artista Zé Penicheiro.
         A série de discursos com que o Rotary Clube quis brindar a assistência, que enchia por completo a sala da SIT, foi iniciada pelo Engº Cadilhe, a que se seguiram Carlos Cardoso, Jerónimo Pais e os Drs. Marcos Viana, Carlos Estorninho, Pires de Azevedo e José Manuel Leite.
         Todos, se referiram à memória de José Ribeiro, expondo e exaltando as muitas qualidades que eram apanágio do homenageado.
         Poder-se-á dizer que os 83 anos da Sociedade de Instrução Tavaredense passaram despercebidos para, com saudade, lembrar a figura ilustre e querida da terra do limonete. Uma tarde cultural, também, a que Tavarede já nos habituou!
         Na parte final fez-se escutar o hino, pela tuna da SIT, tendo, toda a restante parte musical estado a cargo da Filarmónica Paionense.
         Refira-se, ainda, o descerramento de um quadro de Zé Penicheiro, e o facto de Francisco Simões, um artista que a cidade bem conhece, ter criado uma medalha evocativa.
         As comemorações do aniversário da SIT terminaram, praticamente, com o descerramento no átrio da sua sede, de um medalhão alusivo a José Ribeiro, acto de que se incumbiu o dr. Carlos Estorninho.

         As homenagens ao ilustre falecido continuaram durante algum tempo e, a título póstumo, também oficialmente foi lembrado. Por iniciativa do “Lions” da Figueira da Foz, a Secretaria de Estado da Cultura concedeu um justo galardão póstumo a José Ribeiro, entregue, numa breve cerimónia, a sua irmã.
         O acontecimento registou-se na noite de 27 de Março, no Salão de Festas do Casino Peninsular, gentilmente cedido, para esse efeito, pela Administração da Sociedade Figueira-Praia.
         Infelizmente, uma cerimónia tão importante para a população da cidade e com tão grande significado, ficou bastante prejudicada por duas circunstâncias lamentáveis e duas escolhas infelizes.
         A primeira circunstância lamentável foi a fraquíssima assistência, sintoma real e inegável – mais um! – de um desinteresse geral, que ninguém merecia, nem os promotores da iniciativa, nem a memória de um homem íntegro, que deu o melhor de si mesmo a este concelho, numa fidelidade extraordinária, quando tinha à sua mercê todas as possibilidades concretas de se integrar na oligarquia lisboeta e aí fazer carreira frutuosa, como tantos outros, ontem e hoje.
         Se não fosse a boa gente de Tavarede, a dar um alto exemplo de dignidade e gratidão, o Casino teria, talvez, uma ou duas dúzias de assistentes.
         A segunda circunstância lamentável foi o completo desfazamento entre o conteúdo e forma da Conferência, escolhida para assinalar o Dia Mundial do Teatro, o apontamento teatral do actor Jacinto Ramos, mais os poemas que declamou, e o género de público, na sua realidade concreta, que ali se juntou. Se o orador oficial e o actor, em vez de português, falassem chinês, o efeito não seria muito diferente e o significado das palmas não sofreria grande abalo.
         As duas escolhas infelizes foram a do conferencista e a do actor.
         O conferencista, com pouco respeito pelo público, forneceu uma pseudo-história do Teatro, truncada, sectária, demagógica e subjectiva, possivelmente interessante sob a forma de panfleto, editado pelo autor, mas deslocada do contexto e fora, estamos crentes, das intenções que presidiram ao convite.
         O actor, esquecendo-se da cortesia devida a quem hospeda, aproveitou o ensejo para, a despropósito, criticar o tipo de obras de remodelação no Casino Peninsular, com a supressão do “teatro”.
         Não é propriamente a casa de alguém, a quem se come previamente o jantar, o local mais apropriado para se lhe fazerem críticas públicas...
         Se tudo isto servir de lição, para o futuro, então talvez se não tenha perdido totalmente o tempo.
         Moralidade da história: não basta ser-se “catedrático” para se ser conferencista, assim como não chega entrar na Telenovela para se ser malcriado.


        Para participar nas Jornadas do Teatro desse ano, foi escolhida a peça Alguém terá de morrer, cuja representação teve lugar em Maiorca, ... a SIT brilhou com a representação de uma das melhores peças do teatro português, perante uma sala cheia de público maravilhado com a arte e saber de um dos melhores grupos de teatro portugueses.

         Recolhemos, também, a notícia de que, em Junho de 1987, o Clube Desportivo da Chã vai criar uma secção de teatro, numa iniciativa a todos os títulos simpática por visar a educação e cultura dos seus associados. Por sua vez, o Grupo Musical Tavaredense iniciou novas actividades, destacando-se aulas de ginástica, enquanto continuavam em ‘bom ritmo’ as aulas de iniciação musical.

         Em Março de 1988, uma notícia, muito agradável para os tavaredenses, é publicada num periódico figueirense. Para mim, ir a Tavarede é recordar idos tempos da década de 40 em que ali, dentro do perímetro da freguesia rural que já foi sede de concelho, situada bem nas abas desta buliçosa cidade da Figueira da Foz que, quatro décadas volvidas, perfurou por tudo quanto é sítio este remansoso ambiente. Iniciei todo um passado de doze frutuosos anos no ex-Colégio Liceu Figueirense, mais tarde transformado em Seminário Menor da Diocese de Coimbra...
         Para mim, ir a Tavarede é lembrar essa figura ímpar de José Ribeiro, a quem tive a felicidade de conhecer, e evocar todo o apoio, a vários níveis, dele recebido quando, já homem feito, na década de 60, eu me viria a ocupar, também, na encenação de umas “pècitas” de que saliento “Casa de Pais” e “Luz de Fátima”...
         Para mim, ir a Tavarede é encontrar a amizade franca e permanente de alguns amigos de infância e de outros de mais recente data, colegas de profissão, alguns deles enfronhados, ao que vejo, de alma e coração, nas actividades e iniciativas culturais do bom povo da terra que os viu nascer e a que tanto se orgulham de pertencer...
         Para mim, ir a Tavarede é... hoje, também e sobretudo, admirar o seu Teatro nas peças que com pendular regularidade ali vêm sendo postas em cena, com o carinho, o bairrismo e a competência em que a gente de Tavarede é exímia...
         De longe vem a tradição de fazer bom teatro em Tavarede e inúmeras foram as representações a que já assisti. Desta vez, se me descuidava, deixava, mesmo, de admirar todo o garbo e empenhamento que aquele núcleo de inimitáveis amadores, perdão... de artistas, colocou, mais uma vez, na encenação da bela peça rústica da autoria de Manuel Frederico Pressler, HORIZONTE, cuja primeira representação teve lugar no já recuado ano de 1945 e que, agora, foi a escolhida para as comemorações do 84º aniversário da Sociedade de Instrução Tavaredense, em Janeiro último.
         A acção decorre no Ribatejo e versa um tema do quotidiano de muitas famílias – o casamento da Rita, que acaba por ir com quem o seu coração muito bem escolhe e não com aquele que o pai queria que fosse -, tendo como personagens elementos das mais diversas ocupações. Licenciados e barbeiros, empregados de escritório, carpinteiros e electricistas, de tudo ali há sem quaisquer complexos ou discriminações e apenas com uma finalidade: “darem o melhor de si levando até ao público o BOM TEATRO num convívio de amizade e simpatia”...
         Perdeu, caro leitor. Perdeu, se acaso não viu esta representação em Tavarede. Acredite que só terá a lucrar se se deslocar ali sempre que haja TEATRO. Ele é de... primeira água, creia!

         ... E deixa de passar essas tardes (ou noites) de insípida rotina em que costuma mergulhar. É uma boa OPÇÃO! – Alfredo Amado .

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Associativismo na Terra do Limonete - 111

         Mestre José da Silva Ribeiro faleceu em Setembro de 1986. José da Silva Ribeiro morreu no sábado à noite, após prolongada agonia. Da sua pequena aldeia, a infausta notícia, logo ali conhecida, espalhou-se pela cidade e por toda a parte, causando fundo pesar. Tavarede, a Figueira, o País mesmo, perderam um homem de valor que deu à Cultura popular, ao Teatro especialmente, à instrução e à beneficência, e ao jornalismo também, todo o fulgor da sua inteligência. José Ribeiro era figura carismática em Tavarede. A obra por ele realizada na Sociedade de Instrução Tavaredense jamais poderá ser esquecida, tão grande ela foi. A popular colectividade, sempre fiel ao seu nome é, na verdade, um marco da Cultura do povo na sua terra. A José Ribeiro se deve em grande parte, na maior parte, essa obra em que participou toda a população, pois raro será o habitante que não tenha pisado o seu palco, onde se revelaram talentos na Arte de Talma, alguns de verdadeiros artistas, como Violinda Medina, Maria Teresa de Oliveira, Vitalina Lontro, Maria Natália Santos, João da Silva Cascão, Fernando Reis, António Jorge da Silva, João de Oliveira Júnior, Manuel Nogueira e outros, à frente do vasto rol de amadores, a ultrapassar as três centenas, sem contar com outros colaboradores nos ensaios de peças musicadas, na construção, pintura e montagem de cenários, na iluminação, no guarda-roupa, etc.
         O ilustre e já saudoso tavaredense era um homem de Teatro, dedicado ao estudo da Arte e da obra dos seus mais talentosos Mestres, tanto nacionais como estrangeiros, bastando citar entre eles Gil Vicente, Almeida Garrett, Camões, D. João da Câmara, Marcelino de Mesquita, Ramada Curto, Carlos Selvagem, Alves Redol, Luís Francisco Rebelo, Shakespeare, Molière, Bernstein, Luigi Pirandelo, Arthur Miller, Alejandro Casona, Diego Fabri e muitos outros, dos quais foram representadas as mais famosas peças em espectáculos realizados em Tavarede e noutras localidades do país, algumas vezes a favor de obras de beneficência, os quais só num período de 25 anos, de 1954 a 1977 atingiram o número de 394.
         Ele próprio dedicou ao Teatro algumas das suas produções literárias, nalgumas das quais se reproduzem as mais belas cenas da vida da sua pequenina aldeia e sua história, sendo de sua autoria também o livro “50 Anos ao Serviço do Povo”, e o derradeiro que intitulou “75 Anos... e Caminhando”, dedicado a sua mãe, “àquela bondosíssima e corajosa Mulher que, ainda moça, com seu marido pisou as tábuas do palco no teatrito do sr. Conde, no Paço de Tavarede e no teatro do Terreiro, do sr. João Costa”; àquela Mulher, continua ele na sua dedicatória, “que na sua dolorosa viuvez manteve heroicamente, mesmo à custa de rudes trabalhos em vindimas alheias, a desprotegida família”.
         Além da sua longa actividade como jornalista, nas colunas de “A Voz da Justiça”, que foi um dos mais prestigiosos jornais do país, José da Silva Ribeiro exerceu outras funções, sempre intimamente ligadas ao sector da instrução, tanto na antiga Sociedade de Instrução Popular como na Escola Industrial e Comercial de Bernardino Machado, de que foi secretário, e membro da Comissão Auxiliar do Jardim-Escola João de Deus.
         Foi expedicionário a África, por ocasião da I Grande Guerra.
         Em breves traços, a biografia de um homem que foi autodidacta mas se distinguiu pela sua grande inteligência e pelo trabalho ao serviço da grei. A quem as colectividades do concelho muito devem e em muitas das quais, também, fez ouvir a sua palavra fluente, falando, quase sempre, de Teatro e da sua força cultural.
         O Governo, por proposta do ex-Presidente da República, General Ramalho Eanes, distinguira-o com a Comenda da Ordem da Liberdade, e a Câmara Municipal também o homenageou ao conceder-lhe a Medalha de Ouro da Cidade. A última homenagem pública foi-lhe prestada no encerramento do I Congresso de Teatro Amador da Figueira da Foz, onde o seu nome foi indicado para apadrinhar um Centro de Apoio aos agrupamentos de Teatro.
         José da Silva Ribeiro nasceu, como já se disse, em Tavarede no dia 18 de Novembro de 1894, vai fazer portanto 92 anos. Faleceu no dia 13, na sua casa da rua que hoje tem o nome de “A Voz da Justiça”. Filho de Gentil da Silva Ribeiro e de Emília Coelho de Oliveira, era irmão do sr. Gentil da Silva Ribeiro, residente no Porto, o qual, encontrando-se acidentalmente ausente em Espanha, só no dia seguinte ao do funeral chegou a Tavarede.
         O funeral do ilustre jornalista, político e homem de Teatro realizou-se no domingo à tarde para o cemitério local, onde, por sua expressa determinação, o corpo foi inumado na campa de sua mãe. Cumpriram-se os seus desejos de ter um funeral “modesto, de pessoa simples que não pobre de todo”. O féretro ia coberto com as bandeiras Nacional e da Sociedade de Instrução Tavaredense e a chave da urna foi conduzida pelo sr. Dr. Carlos Estorninho, grande amigo do falecido.
         No préstito incorporaram-se, além do sr. Presidente da Câmara Municipal e de muitas outras pessoas, entre elas algumas de representação oficial, directores de diversas colectividades, com os seus estandartes envolvidos em crepes, um piquete dos Bombeiros Voluntários, outro em representação da PSP, etc. Não houve, no momento do corpo baixar à terra, nenhuma oração fúnebre em homenagem ao homem que, por muito tempo, será lembrado como benemérito da cultura e da instrução do povo.

         Organizado pelo Lions Clube da Figueira da Foz, foi levada a efeito uma sessão, na qual foi homenageada a memória do nosso ilustre conterrâneo. E aqui recordamos dois depoimentos de dois dos seus velhos amigos, Zé Penicheiro e Gomes Gil. A minha homenagem e recordação de um Homem de Cultura e Amigo a quem muitos de nós devemos o exemplo da luta pela liberdade, da dedicação sem limites pela sua Terra e da Obra cultural e imensa que nos deixou.
         Guardo comigo a sua última carta quando de uma Exposição de Pintura sob o tema “A Mulher e a Figueira” em Setembro de 1981.
         “... Você sabe muito bem que eu sou semi-analfabeto na Arte da Pintura. E se distingo um óleo dum guache, uma aguarela duma têmpera, e se distingo o retrato da caricatura, ignoro como se praticam os milagres da paleta. Tal como o meu rústico aldeão-cavador, que sente que a leira é boa para aquela qualidade de couve que planta e ignora totalmente a análise da terra que amanha.
         Esta convicção da minha insuficiência não me impediu de lhe dizer atrevidamente a minha admiração e preferência pela belíssima paisagem da Serra que descobri, envergonhada, quase escondida atrás da porta de entrada: pintura muito bela, ainda de estilo naturalista, já distanciada da forma caricatural, em que a figura humana como a paisagem nos são dadas sob o domínio omnipotente das linhas rectas, no estilo pujante e expressivo, na forma e na cor, que é a maneira vigorosa do Zé Penicheiro.
         Meu caro Zé Penicheiro, eu tenho aqui, na minha frente, belíssimas caricaturas do tempo, aliás não longínquo, em que o seu traço ainda usava, com o mesmo sentido artístico e não menor valor expressivo, a riqueza e a melodia da curva: estou a olhar para a primorosa caricatura do Romeiro, do “Frei Luís de Sousa”, que na emergência representava o nosso pobre Teatro, e da Peixinha, a famosa bruxa de Buarcos; e em frente destes dois admiráveis desenhos, o quadro famoso das duas comadres da má-língua, tão vivas, tão ricas de verdade na coscuvilhice, estupenda caricatura no colorido e no desenho, já mais próximo da técnica em que o Zé Penicheiro se fixou e que está muito notável e exuberantemente documentada na exposição de agora...”.
         Um texto para reflectir e um Amigo para recordar apesar dos breves momentos de encontro na rua ou nos bastidores do seu teatro de Tavarede, pela distância que então nos separava.
         Ontem como hoje ficará sempre bem vivo, para mim, a sua presença. Zé Penicheiro.

         LEMBRANDO JOSÉ DA SILVA RIBEIRO         Em 1977, horas após a minha chegada a Monte Real, converso com um comerciante, já idoso. A conversa incide sobre a Figueira, e logo ele me fala, com entusiasmo, de “A Voz da Justiça” de que havia sido assinante! Aconteceu em Monte Real; poderia ter acontecido em Tomar, em Lisboa ou em muitas terras desse Portugal além por onde havia assinantes de a V.J. (leia-se, A Voz da Justiça)
         Era a V.J., um “jornal honrado” no dizer de J.R. (leia-se, José Ribeiro) seu principal responsável (O seu nome figurou no cabeçalho do jornal, como secretário de redacção, desde 2 de Janeiro de 1920 até 10 de Julho de 1937), que não gozava das simpatias de Salazar que, não contente com o seu despótico encerramento, ainda ordenou, ou permitiu o saque das suas oficinas.
         Pegando na Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, lemos que JR, agora desaparecido, além de jornalista foi também publicista, conferencista, autor teatral e combatente em Moçambique de 1916 e 1919.
         Como conferencista, muitas foram as vezes em que as suas palavras fluentes e ricas de conteúdo se fizeram ouvir, deixando no ar a suave mas penetrante ironia queirosiana, ou a verdade dita um pouco à Gil Vicente (não nos referimos, é claro, àqueles vocábulos que Gil Vicente e o nosso povo usava e usam e de que ele lançava mão, com certa frequência, durante os ensaios, segundo se diz).
         No que se refere a teatro, eis alguns números:
         De 1916 a 1953 a Sociedade de Instrução Tavaredense (SIT), sempre sob a sua orientação artística (excepto nos períodos em que teve de se ausentar para combater em Moçambique ou para gozar a “gentil hospedagem” da PIDE) fez 60 estreias de peças e, duma delas (“O Sonho do Cavador”) de sua autoria, fizeram-se mais de cinquenta representações!
         De 1954 a 1978 a SIT realizou um total de 394 espectáculos, sendo 249 em Tavarede e 145 noutras localidades (Vila Real, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Tomar, Lisboa, etc.)
         Em 1959, a SIT concorreu ao Concurso de Arte Dramática organizado pelo SNI. Apesar de JR não ser de modo algum simpático aos olhos de Salazar e seus sequazes, foram-lhe atribuídos os seguintes prémios:
         = Prémio Francisco Taborda, para a SIT; Prémio Carlos Santos, para o ensaiador; Prémio Maria Matos, 1ª interpretação feminina; Prémio Chaby Pinheiro, 1ª interpretação masculina e 2 Menções honrosas.
         Mas a sua acção na SIT não se resumiu ao teatro: de 1904 a 1942, funcionou na sua sede uma escola nocturna. Dessa escola e do teatro assim falou o tavaredense António da Silva Broeiro:
         “Eu sou o que a Sociedade de Instrução Tavaredense de mim fez. Devo-lhe tudo. Comecei lá em baixo na escola da noite, onde me ensinaram a ler, escrever e contar. Só à noite podia ir à escola: teria ficado analfabeto se não fosse a escola nocturna. Depois trouxeram-me para o teatro, ensinaram-me a compreender o que lia, ensinaram-se a conversar, a ouvir. Aqui fui instruído e educado”.
         Através do teatro produziu JR , na sua linda Tavarede uma obra de mérito múltiplo:
         Educou os seus conterrâneos, criando-lhes o gosto pelo teatro sério de autores nacionais e universais;
         Escreveu peças de temática local, através das quais foi ensinando a história de Tavarede e consciencializando as pessoas para problemas locais (a situação da agricultura, a poluição do ribeiro, a urbanização da Quinta do Paço, a ruína do velho palácio, etc).
         A enciclopédia referida, fala-nos ainda de JR combatente em Moçambique. Vamos saltar essa folha da sua vida para dedicarmos algumas palavras a um incomensurável filão aurífero: a sua qualidade de cidadão altruísta, desdenhoso dos bens materiais.
         Esse homem que tantas vezes repetia Almeida Garrett a propósito de Manuel Fernandes Tomás “... e morreu pobre”, nunca correu atrás dos bens materiais, sempre se esforçando por ganhar o seu pão até ao fim do caminho. Após o 25 de Abril, numa entrevista que António Medina Júnior, director do “Jornal de Sintra” (e tavaredense) lhe fez para o seu jornal, quando lhe perguntou se ele e as demais vítimas do roubo da Tipografia Popular iam reivindicar os seus direitos, logo JR lhe respondeu “Eu não peço nada, não preciso de nada – nem dos mortos, nem dos vivos”.
         Não sendo católico, nunca se aproveitou do palco para atacar a Igreja. (Quantos dos nossos intelectuais teriam a mesma atitude?).
         António Vítor Guerra, que foi fervoroso católico praticante, escrevia em 2 de Agosto de 1973 (antes do 25 de Abril) no jornal “A Voz da Figueira”:
         “Sem embargo de divergências ideológicas, político-religiosas, prendem-me a José da Silva Ribeiro laços de particular afecto, cujas raízes aprumadas, são velhas de decénios. De resto, a sua vida, plena de virtudes humanas, quer no âmbito familiar, quer no sector público, espraia-se em miragens, stricto sensu que não deixam de impressionar quantos, vivamente, em convívio mais directo, íntimo ou social, haja de com ele contactar.
         Bem merece de todos, sem discrepância, este ilustre tavaredense.
         No meu caso, porém, acresce a circunstância de ser devedor a José da Silva Ribeiro, de um somatório de atenções e gentilezas, singularíssimas, que há muito me tornaram insolvente consigo, e bem assim os departamentos culturais da cidade, a que durante anos estive ligado e a que ele tem dado achegas de tomo”.

         Este é o meu modesto contributo para que José da Silva Ribeiro seja melhor conhecido e mostrar o meu reconhecimento a quem sempre me cumulou de gentilezas e me franqueou a sua biblioteca. (A.M.Gomes Gil)