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sábado, 2 de outubro de 2010

António Maria dos Santos Júnior

Ensaiou o grupo dramático do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense no ano de 1927, levando à cena a opereta Os Cirandeiros e a comédia Os mistérios do Carvalho Santo.
Grupo cénico do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, que representou a opereta 'Os Cirandeiros'

Uma nota crítica de Julho daquele ano, referindo que a opereta acima foi representada no Parque Cine, na Figueira, diz “A completar o espectáculo fez-se ouvir, em estreia, o grupo coral da colectividade que, sob a direcção do amador António Maria dos Santos Júnior, cantou diversos números muito aplaudidos pela assistência. Este grupo coral tinha cerca de 70 componentes”.


Também encontrámos uma referência “à missa solene do dia de Ano Bom de 1927”. Foi abrilhantada pelo grupo coral tavaredense, “constituído por elementos dos melhores da tuna do Grupo Musical”, referindo ainda que “tiveram a proficiente direcção de António dos Santos Júnior, que além de possuir uma rara vocação musical, em que é culto, tem o predicado de… cantar melhor. É ele o primeiro tenor do grupo coral…”.
Caderno: Tavaredenses com História

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Manuel da Silva Jordão

Natural de Lavos, viveu durante muitos anos no lugar dos Carritos, onde era dono de uma quinta. Possuidor de avultados meios de fortuna, foi um grande protector do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense.

Fez um importante donativo à Câmara da Figueira para a compra do terreno onde está construída a escola primária dos Carritos, e doou o terreno necessário para a construção da Capela erigida no mesmo lugar.

Comprou os prédios, sitos na Rua Direita, onde viveu a família Águas e, conhecedor das deficientes condições em que estava instalado o Grupo Musical, cedeu-lhes aquelas casas para sua sede, sem lhes cobrar qualquer renda. Ainda colaborou nas obras ali realizadas para adaptação à sede, pelo que, em Janeiro de 1915, por ocasião da inauguração da referida sede, lhe foi prestada homenagem e descerrado o seu retrato, que foi colocado em lugar de destaque na sala de espectáculos.

Continuou, ao longo do tempo, a proteger aquela colectividade e, em 1924, anuindo à vontade manifestada pelos sócios, vendeu-lhes o aludido prédio em condições muito favoráveis e concedendo-lhes um dilatado prazo para pagamento de metade do valor da venda.

Por várias vezes a colectividade o homenageou e, pela Páscoa, todos os anos a Tuna o ia visitar aos Carritos para lhe desejar as Boas-Festas. No entanto, em 1928, como o Grupo Musical nunca havia feito qualquer amortização ao débito, exigiu a sua liquidação.

Não há muito conhecimento da forma como aconteceu a regularização da dívida, mas tudo terminou pela venda da sede e consequente mudança para outras instalações.

O que se sabe é que, em 1929, o presidente da Direcção da colectividade “deu conhecimento que já havia liquidado contas com o credor do Grupo, sr. Manuel da Silva Jordão, propondo que o mesmo senhor seja suspenso de sócio até à realização da primeira Assembleia Geral, pela qual deverá ser demitido, para o que se tem em vista o que se encontra estatuído, pois não só difamou o Grupo como menosprezou a honorabilidade de todos os componentes da Direcção e ainda que, em atenção à incorrecção manifestada, ou por outra, posta em prática pelo mesmo sr. Jordão, propôs também que fosse retirado imediatamente, da nossa sala de espectáculos, a sua fotografia, que ali se achava exposta, o que pôde ser feito acto contínuo, não deixando, no entanto, de ser levado este gesto ao conhecimento da digna Assembleia Geral, na primeira oportunidade”. Não comentamos e não conseguimos encontrar o retrato em questão. Mas sabemos que, em 1930, Manuel da Silva Jordão voltou a colaborar com o Grupo Musical, ofertando-lhe as acções de que era titular.

Também prestou colaboração ao Grémio Educativo e de Instrução Tavaredense.

Faleceu na sua terra natal, em Fevereiro de 1954, com a idade de 94 anos. Foi casado com Ana Maria da Silva Jordão, brasileira, que faleceu em Fevereiro de 1933, com 54 anos de idade.
Caderno: Tavaredenses com História

D. Francisco de Almada e Mendonça

Nasceu no dia 28 de Fevereiro de 1757 e morreu em 18 de Agosto de 1804, no Porto. Casou, em 26 de Dezembro de 1791, com D. Antónia Madalena de Quadros e Sousa, 10ª Senhora de Tavarede.

“… a laboriosa gente tripeira conhecia-o pelo ‘Grande Almada’. E foi, de facto, um Homem Grande, pela verticalidade das suas atitudes, pelo seu espírito empreendedor e larga visão das coisas públicas, mas, principalmente, pela magnanimidade do seu coração. Na Misericórdia da Cidade Invicta deixou um rasto de humilde caridade, pouco vulgar no seu tempo, em homens da sua condição. E, pelos vistos, também Tavarede sentiu os efeitos da sua bondade em grau que seria interessante averiguar e divulgar.

No entanto, este Grande Homem, morreu pobre e quase esquecido de todos, por razões que ainda hoje não estão muito aclaradas, mas a que não seria estranha certa política rasteira e cavilosa de almas pequeninas. A estatura moral e cultural do Grande Governador não lhe permitiriam furtar-se às venenosas mordeduras dos invejosos”.

Bacharel em Leis e doutor em Cânones, pela Universidade de Coimbra, foi desembargador do Paço, 1º. Senhor donatário da vila de Ponte da Barca, 1º. Alcaide de Marialva, inspector das Obras Públicas nas províncias do Norte e Juiz-Geral das coutadas reais do Reino, encontra-se perpetuado na cidade do Porto, com o seu nome atribuído a uma das principais ruas. Está sepultado no Prado do Repouso, num mausoléu encimado por um busto esculpido por Soares dos Reis.

Mostrou sempre grande interesse pelo desenvolvimento cultural do povo. Foi ele quem mandou construir, no Porto, o Teatro de S. João, para o qual contratou as melhores companhias estrangeiras e nacionais, de teatro, ópera e bailado.

Passando grandes temporadas, com sua família, em Tavarede, presume-se ter sido ele o introdutor do teatro na terra do limonete, como meio de educação e instrução do povo tavaredense.
Caderno: Tavaredenses com História

Joaquim da Costa e Silva - Padre

Natural da Ereira, concelho de Montemor-o-Velho.

Foi provido no cargo de pároco de Tavarede em Junho de 1894, a que havia concorrido, por vaga devida à saída do padre António Augusto Nobreza. Era, então, coadjutor na paróquia de Paião.

Foi uma figura assaz controversa. Era uma pessoa muito inteligente e exerceu, em simultâneo com as funções paroquiais, o cargo de vereador na Câmara Municipal da Figueira. “Os próprios adversários políticos reconheciam-no como um denodado lutador pelo bem-estar dos povos das paróquias onde esteve”. Depois do Paião e Tavarede, foi transferido para Quiaios, em 1901, onde se manteve até ao seu falecimento em 28 de Dezembro de 1923.

“A doença que há tempo assaltava este sacerdote, há muitos anos colocado na freguesia de Quiaios, acabou na pretérita quinta-feira por subjugá-lo. O padre Joaquim da Costa e Silva que, antes de paroquiar Quiaios, esteve a dirigir a igreja de Tavarede, foi sempre um político activo, pondo a sua influência ao serviço dos homens que aqui defendiam a política regeneradora, antes de proclamada a República e, na vigência desta, dos que, monárquicos ou republicanos, combatiam a política democrática”.

Deve-se à sua influência a instalação da primeira escola primária oficial na nossa terra, no ano de 1896. Morou na casa da família Águas, tendo nós encontrado uma pequena nota que refere “… um ornamento da vida eclesiástica, que bem concebe, perante a ciência do século, qual o seu lugar como padre e como cidadão. Padres assim não destroem; moralmente, edificam”.

Teve uma história muito polémica na nossa terra. Quando teve conhecimento que o Conde de Tavarede, residente em Trancoso, havia resolvido vender a sua propriedade e solar, dirigiu-se àquela localidade para solicitar-lhe “um guarda-roupa para uma aplicação religiosa”.

Foi atendido e o Conde passou-lhe um bilhete para entregar ao seu feitor, no qual lhe ordenava que desse ao pároco “o que fosse preciso para a igreja”. Não vamos questionar o teor da conversa do padre Costa e Silva com o Conde. O que aconteceu é que levou muito mais mobília do que “um simples guarda-roupa”. De tal forma que, quando veio a Tavarede para assinar a escritura da venda e resolver o que fazer do restante de seus bens que aqui possuía, ao tomar conhecimento do que o pároco levara, teve o seguinte desabafo: “se a casa tivesse rodas também era capaz de a levar para casa dele”.

Todas estas notas foram recolhidas da imprensa local da época.
Caderno: Tavaredenses com História

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Augusto da Silva Jesus



Filho de José Maria de Jesus e de Maria da Silva, nasceu em 1919 e faleceu na Figueira no dia 12 de Fevereiro de 1990.

Casou com Berlarmina de Oliveira, tendo uma filha Maria Manuela.

Empregado nos escritórios da Companhia dos Caminhos de Ferro, foi dedicado e trabalhador elemento directivo do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, presidindo a diversos elencos. A colectividade nomeou-o sócio honorário no ano de 1951.

Um dos seus passatempos favoritos era a pesca amadora. Acompanhámo-lo muitas vezes. Quase sempre ia para o velho “Trapiche”. O seu sistema era interessante. Tinha uns ganchos em arame, com uma ponta aguçada que cravava nas tábuas e onde fixava as linhas, que deixava cair a prumo, com dois ou três anzóis iscados com sardinha. Presa ao gancho tinha, também, uma pequena lata, das de graxa, com pequenas pedras dentro. Quando as enguias ferravam e puxavam a linha, logo as latas tilintavam, dando-lhe a conhecer qual devia puxar. Era um sistema simples, mas que resultava.

Caderno: Tavaredenses com História

Belarmino Pedro

Nasceu em Almalaguês a 5 de Março de 1909, filho de Jacinto Pedro e de Maria de Jesus Filena. Casou com Maria Ascensão Coelho, não tendo descendência.

Veio, com sua família, para a nossa terra, ainda muito novo, residindo na Vila Robim.

Dedicou-se ao associativismo local e deu a sua colaboração ao Grupo Musical e, quando este vendeu o edifício da sua sede e mudou as suas instalações, aderiu ao Grémio Educativo, fazendo parte do seu grupo cénico e corpo directivo. Escreveu, para os amadores desta colectividade, o drama “O Vicentino”, que “pelo seu profundo carácter vicentino e pela óptima representação que teve, agradou plenamente e valeu ao seu autor uma chamada e uma calorosa salva de palmas”.

Em 1938 tentou fundar em Tavarede uma Casa do Povo, procurando comprar à Diocese de Coimbra a casa onde estivera instalado o Grémio Educativo que, depois da sua extinção em 1935, se encontrava abandonada e em adiantado estado de degradação. Não o conseguiu, mas do caso ficou registada uma violenta polémica que travou com o padre Abrantes do Couto, responsável, naquela ocasião, pela paróquia de Tavarede.

Aliás, Belarmino Pedro terá sido o tavaredense, natural ou residente, mais polemista de sempre. Além desta, travou duros combates na imprensa local, especialmente com “A Voz da Justiça”, ou, melhor dizendo, com José Ribeiro, em defesa do padre Cruz Dinis e, anos mais tarde, com António Jerónimo, igualmente por questões religiosas, mas, também, políticas. Outras ficaram registadas, mas de menor impacto local.

Foi funcionário na secretaria da Câmara Municipal da Figueira da Foz e dedicou-se ao jornalismo, dando a sua colaboração não só a jornais locais, mas a muitos outros de âmbito regional e nacional e diversas revistas.

Escreveu diversas obras, de que destacamos o opúsculo “5 Momentos em 14 Anos” , que publicou em honra de António Lopes, de quem foi grande amigo e admirador da sua obra à frente da Junta de Freguesia.
Com José Maria de Carvalho colaborou na fundação do jornal “A Voz da Figueira”, de que foi chefe da redacção, passando, em Julho de 1969 e até ao seu falecimento, no dia 17 de Setembro de 1980, a exercer o lugar de director.

“… o nosso director, o amigo, o jornalista de garra, o polémico sem tréguas, o homem íntegro e vertical, o esposo amantíssimo, o católico de uma só fé, o guerreiro que teceu armas toda uma vida em defesa da sua dama e da sua divisa – Por Portugal e pela Figueira.

A nossa emoção não nos deixa transmitir ao papel tudo o que se podia dizer de Belarmino Pedro, tal o gigantismo da sua inconfundível personalidade de intelecto, sobejamente admirado e até criticado (porque não confessá-lo?), que fez estremecer muita gente pela sua determinação, pela sua coragem, pela sua coerência, pela sua imparcialidade e lealdade e de sentimentos patrióticos. O seu ideal de servir e não se servir, apontam-no como homem com H grande, de verdadeiro exemplo de cidadão das mais nobres virtudes, hoje pouco comuns nos dias conturbados e bem confusos em que vivemos. O seu exemplo de jornalista impoluto e sem nunca ter sido capaz de virar a cara ao medo, por se sentir intransigente na defesa da verdade e da justiça, deixa-nos um raio de luz que jamais de apagará do caminho bem difícil, e por vezes incompreendido, que temos de percorrer”.

Caderno: Tavaredenses com História

Alzira de Oliveira Fadigas Serra



Natural de Tavarede, onde nasceu no ano de 1907, era filha de António Migueis Fadigas e de Constança de Oliveira Alhadas. Casada com José Fernandes Serra, teve uma filha, Aurélia, e um filho, José António. Faleceu em 1992.

Amadora do grupo cénico da Sociedade de Instrução durante os anos de 1924 a 1930, começou a representar em Noite de S. João e acabou na peça Noite de Agoiro, participando em Em busca da Lúcia-Lima, Pátria Livre, Grão-Ducado de Tavarede, O Sonho do Cavador e A Cigarra e a Formiga.

Dotada de excelente voz, há críticas muito elogiosas à sua interpretação na Canção da Cotovia, na opereta Em busca da Lúcia-Lima, além de outras. Era sócia honorária da colectividade.


Caderno: Tavaredenses com História

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

César da Silva Cascão


Filho de António da Silva Cascão e de Aurélia Silva, faleceu em Tavarede no dia 4 de Agosto de 1956, com 68 anos de idade. Foi casado com Maria Ascensão Marques e tiveram dois filhos: João e Aurélia.

Um dos fundadores da Sociedade de Instrução Tavaredense, em Janeiro de 1904, foi o primeiro secretário da Direcção.

Serralheiro de profissão, exerceu a sua actividade na Figueira da Foz, na oficina Mota, então instalada no Rua do Paço, e que mais tarde adquiriu e teve continuidade com seu filho João.

Ainda antes da fundação da S.I.T., já se dedicava ao associativismo, fazendo parte dos directores da Estudantina, instalada no Teatro Duque de Saldanha, na Casa do Conde de Tavarede. Também foi membro da Junta de Paróquia local.

Foi sempre um dirigente associativo activo e participativo. Na associação de que fora um dos fundadores, desempenhou diversos cargos, quer na Direcção, quer na Assembleia Geral. Foi sócio honorário da colectividade.

Era proprietário de algumas pequenas fazendas agrícolas que amanhava cuidadosamente. Na sua residência, frente ao actual Largo D. Maria Amália de Carvalho, tinha instalado um alambique, que, na época própria, era muito solicitado para destilação do bagaço resultante das vindimas. É com certa nostalgia que recordamos os bocados que nós, rapazolas de então, ali passávamos, depois da saída da escola. Ficávamo-nos a olhar, admirados, o delgado fio que corria para a garrafa em pé, dentro duma bacia com água fria. Com frequência era pesada para ver a graduação. Quando baixava de um grau determinado, deixavam de a aproveitar. Era, então, altura de nós comermos uns figos, que íamos apanhar às figueiras das redondezas, e bebermos umas gotas daquela “água quente” que muito apreciávamos
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Caderno: Tavaredenses com História

Elói Domingues

Natural da freguesia de Maiorca, onde nasceu no dia 28 de Março de 1903, filho de José Domingues e de Maria da Luz Pinto, casou com Pureza Pinto Lourenço, tendo um filho, António. Faleceu, em Tavarede, a 8 de Setembro de 1995.
Elói Domingues e esposa, Pureza Lourenço, numa reunião familiar pelo Natal

Padeiro de profissão, tomou conta da padaria existente em Tavarede, no antigo Largo do Forno. Ao mesmo tempo, amanhava as terras que possuía na nossa terra e em Maiorca, e sendo um pequeno agricultor, fabricava vinho que, na altura própria, vendia ao copo na sua loja, cuja porta enfeitava com uma pernada de loureiro, costume antigo que assinalava local de venda de vinho.
Também tinha um pequeno alambique onde, além do seu, destilava o bagaço daqueles que fabricavam vinho e faziam aguardente.

Foi das últimas casas em Tavarede onde se matava o porco. Era sempre dia de festa para todos os amigos. Desde madrugada, com a morte do porco até à desmancha, havia reunião onde não faltavam os tradicionais petiscos, como o sarrabulho e as papas de moado, regadas abundantemente com o seu vinho e jeropiga, que ele também preparava.

Talvez pelo horário da sua profissão, nunca deu colaboração ao associativismo, havendo nota de unicamente ter feito parte de uma gerência do Grupo Musical. Era sócio do grupo de amigos “Os Inseparáveis”.

Caderno: Tavaredenses com História

José Medina


Natural de Verride, Montemor-o-Velho, onde nasceu no ano de 1870. Contava 57 anos de idade quando morreu, no dia 26 de Novembro de 1927. Era filho de Joaquim Medina e de Maria da Cruz.

Serralheiro na Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, veio, com sua mãe e seus irmãos, António e Tobias, morar para o antigo Casal do Rato, quando seu pai faleceu.

Amador teatral e musical na Filarmónica Verridente, logo se integrou no meio associativo figueirense. Casando com a tavaredense Maria Lopes Raposeiro, veio residir para a nossa terra. Era uma família numerosa, pois tiveram cinco filhos: Jorge, João, Gracinda, Joaquim e Manuel. Este último, aliás, um pouco tardiamente, pois já então contava 54 anos. Como nota curiosa, o correspondente em Tavarede de um periódico figueirense noticiou o facto assim: “ O nosso querido sr. José Medina, - o espirituoso Zé Medina – depois de enveredar na idade em que lhe parecia melhor passar à categoria de avô, teve o prazer de encomendar mais um né-né, que lhe chegou a casa há poucos dias. Como não houve, felizmente, qualquer desastre na encomenda, pois mãe e filho se encontram bem, queremos abraçar cordialmente o nosso bom e velho amigo, dando-lhe por conselho – se o permitir – que suspenda tais transacções, visto que elas acarretam muitas despesas e cuidados”.

Entretanto, e para fazer face às despesas familiares, abrira uma barbearia em Tavarede, onde, depois do emprego, atendia a sua clientela.

E continuou entusiasticamente no teatro e na música. Como amador teatral, colaborou representando na Estudantina Tavaredense, na Sociedade Recreio Operário e no Teatro Boa União, estes dois na Figueira, na Casa do Terreiro, com João dos Santos a ensaiar, e na Filarmónica Figueirense. “… humilde rapaz que, no teatro, tem sempre sido alvo das mais entusiásticas e sinceras manifestações de aplauso, das quais é bem digno, pela extrema graça e naturalidade que sabe imprimir a todos os papéis que lhe são confiados”.

Nunca rivalizava os grupos onde representava. Sempre que o convidavam, e desde que estivesse disponível, aceitava o convite. Representou, também, no Grupo de Instrução e, depois, na Sociedade de Instrução até ao ano de 1911, saindo para, juntamente com seu irmão António, fundarem o Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, em Agosto daquele ano.

“Um amador dotado de excepcionais faculdades histriónicas, cómico de grande naturalidade e fantasia e que no drama se impunha pelo vigor e verdade da sua representação”, escreveu, a seu respeito, Mestre José Ribeiro.

No Grupo Musical fez parte da secção dramática até à sua morte, desempenhando variadíssimos papéis, encontrando-se diversas referências elogiosas nas críticas da época. Igualmente fazia parte da Tuna, onde tocava violão.

“Após alguns dias de doença, faleceu no pretérito sábado, nesta localidade, o sr. José Medina, ferreiro nas oficinas da Beira Alta. O funeral, realizado no mesmo dia à tarde, foi muito concorrido, seguindo o féretro coberto com a bandeira do Grupo Musical, de que o extinto fora fundador e era, entre os seus amadores dramáticos, um dos mais valiosos elementos…”. O Grupo Musical havia-o homenageado em 1925, descerrando o seu retrato, que está exposto no seu salão.

Caderno: Tavaredenses com História

Raul Martins

Nasceu em Mourão, Évora, em 1891 e morreu na Figueira da Foz, no dia 31 de Janeiro de 1979.
Veio para a Figueira da Foz no ano de 1913, integrado no Regimento de Infantaria 28, aquartelado nesta cidade, onde serviu com o posto de segundo sargento. Fez campanhas em França e em África durante a 1ª. Grande Guerra.

Foi atleta e remador da Associação Naval 1º. de Maio, fazendo parte, como timoneiro, da tripulação que ganhou a “Taça Alzira”. Também colaborou com o Sporting Clube Figueirense, praticando ginástica e tiro, e onde introduziu as modalidades de basquetebol e campismo.

Foi, igualmente, grande entusiasta pelo teatro amador. Escreveu três peças: O Pintassilgo, Mãe Maria e Noite de Santo António. “A peça decorre num meio tipicamente português, tornando-se bastante agradável. E, além de revelar uma apreciável aptidão do seu autor, é de entrecho fácil e profundamente sentimental, tanto do agrado das nossas plateias populares” (Noite de Santo António). Como amador e ensaiador, prestou colaboração em muitos grupos cénicos, tanto da Figueira como de algumas das suas freguesias.

Em Tavarede, foi ensaiador e intérprete no grupo cénico do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense. Dotado de excelente voz, foram muito elogiados pela crítica os duetos que cantou com Violinda Medina, especialmente naquelas suas duas últimas peças.

Foi nomeado sócio honorário desta colectividade, no ano de 1928.

No mês de Agosto de 1930, foi realizado “um espectáculo dedicado ao nosso mui digno ensaiador, exmo. sr. Raul Martins, sendo-lhe oferecida uma recordação, não para lhe compensar o seu trabalho valioso, mas para que ele veja nessa simples recordação, a estima e admiração em que por todos nós é tido”.

Quando o Grupo Musical terminou com a sua secção dramática, Raul Martins passou a colaborar com o Grémio Educativo e de Instrução Tavaredense, que teve curta existência. Em 1934, pouco antes de acabar com a sua actividade, esta associação prestou-lhe homenagem descerrando o seu retrato.

Caderno: Tavaredenses com História

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

José Vigário

Tavaredense, sapateiro, era filho de José Vigário e de Emília Monteiro. Nasceu no ano de 1899 e faleceu em Janeiro de 1973.

Vivia com a Ti Marquitas do Pires, que, nas escadas da casa onde viviam, no Largo do Terreiro, era “comerciante” de freiras e pevides.

Começou a representar no grupo cénico da Sociedade em 1924, na opereta Noite de S. João, mantendo-se em actividade até ao ano de 1961, na fantasia Terra do Limonete.

Entre muitas outras, participou nas peças Em busca da Lúcia-Lima, Pátria Livre, Grão-Ducado de Tavarede, O Sonho do Cavador, A Cigarra e a Formiga, Os Fidalgos da Casa Mourisca, As pupilas do Senhor Reitor, Justiça de Sua Majestade, Génio Alegre, Entre Giestas, Auto da Barca do Inferno, Chá de Limonete, Frei Luís de Sousa, Peraltas e Sécias, etc.

Chá de Limonete - José Vigário (S.Pedro) e João Oliveira Júnior (Frei Manuel de Santa Clara)

Em Janeiro de 1968, esta colectividade atribuiu-lhe o diploma de sócio honorário.
Caderno: Tavaredenses com História

Fernando Duarte Santos

Natural de Tavarede, onde nasceu no ano de 1905. Era filho de João Santos e de Maria José Duarte Caldeira. Foi casado com Idalina Fernandes dos Santos e morreu no dia 29 de Março de 1985. O casal não deixou descendentes.

Sapateiro de profissão, era habilíssimo na sua arte. Tinha a oficina em sua casa, na sua Direita.

Foi um devotado elemento da Sociedade de Instrução Tavaredense e do seu grupo dramático, participando sempre em papéis secundários, mas sempre mostrando a melhor vontade em servir o seu grupo.

Como director, fez parte de diversas direcções, reservando para si o cargo de porta-estandarte. Também foi dedicado cobrador da colectividade. No ano de 1979, a Sociedade de Instrução Tavaredense nomeou-o seu “Sócio Honorário”.
Peça 'Ana Maria' - Fernando Santos é o quarto a contar da esquerda

Haviam-lhe posto a alcunha de “Xanato”. É que, por diversas vezes, chegava atrasado aos ensaios ou às reuniões e, pedindo desculpa, sempre se justificava por “ter estado a acabar um xanato” (conserto de sapatos).

Humilde e simples, fazia gosto em apresentar-se, dentro da sua modéstia, nas melhores condições. Não raras eram as vezes, quando o grupo se deslocava de camioneta a qualquer terra, ir de pé. “Para não engelhar as calças”, dizia ele…

Sua esposa, Idalina, foi amadora teatral na Sociedade de Instrução, desde 1920, na peça Os Amores de Mariana, até 1929, em A Cigarra e a Formiga.

Idalina Fernandes, que faleceu no dia 3 de Outubro de 1972, com 73 anos de idade, era filha de Manuel Fernandes Júnior, um dos fundadores da Sociedade de Instrução, e de Maria Augusta de Oliveira. Curiosamente, encontrámos uma indicação, numa acta do Grupo Musical, que diz o seguinte, referindo-se a esta tavaredense, em Março de 1926: “pelo sr. Manuel Fernandes, foi informado o vice-presidente da direcção, que sua filha Idalina, havia acedido ao pedido que lhes fora feito para fazer parte da nossa secção dramática. Pelo presidente, sr. António Vítor Guerra, estando aquela senhora presente, foram-lhe apresentadas as boas-vindas, ao mesmo tempo que lhe solicitou encarecidamente para que, quando desejasse fazer qualquer reclamação, por qualquer inconveniência, em que se sentisse melindrada, portas adentro do Grupo, que se dirigisse a esta Direcção, a qual estaria sempre pronta a resolver o assunto de forma a desaparecerem mal entendidos…”. Não temos mais qualquer nota da sua participação neste grupo cénico.

Também foi nomeada sócia honorária da SIT.

Caderno (Tavaredenses com História)

Adriano Augusto da Silva

Natural de Tavarede, onde nasceu no dia 18 de Agosto de 1898, filho de Augusta da Cruz e de António Francisco da Silva. Casou, em Maio de 1921, com Maria Joana da Cruz, filha de José Maria Cordeiro e de Ana da Cruz, da qual se divorciou em Outubro de 1924. Em segundas núpcias, casou com a conhecida amadora teatral Violinda Nunes Medina, em Julho de 1925. Faleceu no dia 26 de Outubro de 1979.


Exerceu actividade profissional nos escritórios da Companhia dos Caminhos de Ferro na Figueira, tendo sido destacado, ainda que por curtos períodos, para Celorico da Beira, onde ocupou o lugar de chefe da estação, especialmente durante uma doença de sua esposa, a amadora Violinda Medina, que, por recomendação médica, carecia dos puros ares da Serra.


Foi destacado elemento nas colectividades locais. No Grupo Musical e de Instrução, além de director, foi professor na sua escola nocturna e fez parte do seu grupo cénico, revelando-se um razoável amador, especialmente em operetas, pois era dotado de boa voz de tenor.

Era um dos três cantores que cantava no coro daquela colectividade nas festas religiosas para que era solicitado.


Quando aquele grupo cénico cessou a sua actividade, em 1931, acompanhou sua esposa na mudança para a Sociedade de Instrução, onde, enquanto a saúde lho permitiu, colaborou, no desempenho das funções de contra regra.


Também teve uma passagem, ainda que relativamente breve, pelo grupo cénico do Ginásio Clube Figueirense.


Como músico, fez parte da Tuna do Grupo Musical, tocando flauta. No ano de 1923, foi eleito membro da Junta de Freguesia.
Um dos trabalhos de Adriano Silva

Ocupava os seus tempos livres com uma actividade muito curiosa: vasculhava os locais onde sabia que despejavam lixos, procurando “cacos” de louça pintada, especialmente tigelas e chávenas. Utilizava, pacientemente, os pequenos retalhos em colagens que fazia em jarras e vasos, formando interessantes peças decorativas.
Caderno: Tavaredenses com História

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

António Marques Lontro Júnior

Filho de António Marques Lontro e de Joaquina Domingues, faleceu no dia 13 de Março de 1966, contando 74 anos de idade. Houvera nascido a 1 de Dezembro de 1891.

Foi casado com Piedade Gaspar, tendo os filhos: Benjamim, Vitalina, Maria da Piedade e Manuel.

António Amaral e Piedade Gaspar

Era canteiro de profissão.
Foi sócio e colaborador do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense desde a sua fundação, sendo eleito secretário da Direcção na primeira Assembleia Geral. Tocou flauta na Tuna desta colectividade.
Colaborou, também, com a Sociedade de Instrução Tavaredense, fazendo parte da sua orquestra durante alguns anos.


Em 1925, fez parte da Comissão Paroquial de Tavarede.
O Grupo Musical homenageou-o nomeando-o seu sócio honorário.

Caderno: Tavaredenses com história

João Adelino da Silva Pereira

Nasceu em Tavarede no dia 7 de Junho de 1913 e faleceu em Cantanhede, em 28 de Dezembro de 1967.

Tirou o curso do magistério primário em Coimbra e, enquanto exercia a sua actividade de professor, matriculou-se na Universidade daquela cidade, onde se licenciou em Direito.

Passou a exercer advocacia em Cantanhede, onde foi nomeado presidente da Câmara e ali desenvolvendo intensa actividade, nomeadamente nos campos da assistência rural, no abastecimento de águas, fomento escolar e cultural, etc.

Publicou “As obras públicas municipais e as suas limitações” e “O dever de servir – imperativo de consciência”.

“… Filho de Tavarede, há largos anos pertencia também a Cantanhede, onde exerceu advocacia e a cujo município presidia há quase 7 anos, exibindo uma distinta folha de serviços prestados ao concelho que administrava: assistência rural e abastecimento de águas, fomento escolar e cultural, etc.: lembremos, do domínio cultural, os actos de 1965 celebrados na vila, em memória do 3º. Conde de Cantanhede, vencedor da batalha de Montes Claros. Reflexos dessa jurisprudência aplicada aos temas administrativos são também os escritos que apresentou ao X Congresso Beirão, em 1965”

“Entretanto, o mais destacado campo de sua acção de homem e jurista prudente foi o ensino. O dr. Silva Pereira começou a sua vida profissional como professor primário e casou com a srª D. Julieta Gonçalves da Silva Pereira, igualmente professora primária. Tais factos não parecem acidente, antes se afiguram inerentes à estrutura daquele espírito, revelada ainda, mais ou menos notoriamente, em outros actos como: a criação e direcção do Colégio Infante de Sagres, o mais populoso estabelecimento de ensino particular da zona; o apoio oficial dado à criação da Escola Técnica de Cantanhede; a comunicação, cheia de actualidade, apresentada ao I Congresso Nacional do Ensino Particular (1965), sobre “A rede escolar nacional e os estabelecimentos do ensino particular”; e o movimento, que umas vezes iniciou e outras vezes secundou, tendente ao estabelecimento de boas e afectivas relações de vizinhança entre os estabelecimentos de ensino, dentro das zonas e nas regiões”.

A Câmara de Cantanhede, em reconhecimento da obra deste ilustre tavaredense, homenageou a sua memória atribuindo o seu nome à avenida à beira-mar, na Praia da Tocha, daquele concelho.

Caderno: Tavaredenses com história

Manuel Nogueira e Silva


Natural de Tavarede, onde nasceu no ano de 1907, era filho de Francisco da Silva Proa e de Amélia Augusta Nogueira e Silva. Casou com Fernanda da Silva Ribeiro e teve dois filhos: Madalena e João José. Faleceu no dia 10 de Dezembro de 1964. com 57 anos de idade.

Tipógrafo de profissão, era o proprietário da Tipografia Nogueira, na Figueira.

Foi amador dramático de elevada categoria. A primeira vez que o seu nome aparece na imprensa, é em 1916, numa notícia referente a uma “Festa da Árvore”, onde recitou a poesia A Luz do ABC. Integrou-se no grupo cénico do Grupo Musical protagonizando algumas peças, mantendo-se ali até esta colectividade acabar com a sua secção teatral.

Juntamente com Violinda Medina e outros, foi um dos elementos que transitaram para os amadores da Sociedade de Instrução, onde fez a sua estreia, em 1931, no papel de Jorge, em Os Fidalgos da Casa Mourisca.

Até ao ano de 1951, em que abandonou a actividade teatral, participou em diversas peças ali levadas à cena. Na primeira série de Chá de Limonete desempenhou os personagens de D. Sancho I, Fernando Gomes de Quadros e O Teatro, com que terminou a sua carreira.

Tavarede Futebol Clube (1946),
com Fernando Reis, à sua direita

Amador de largos recursos, tanto no drama como na comédia, entrou, entre muitas outras, em As pupilas do Senhor Reitor, Justiça de Sua Majestade, A Cigarra e a Formiga, O Sonho do Cavador, O Grande Industrial, Entre Giestas, Génio Alegre, Envelhecer, Injustiça da Lei, etc. Desempenhou, de forma a merecer muitos elogios, o papel de Joane, o parvo, no Auto da Barca do Inferno.


Em 1955, em espectáculo evocativo, voltou a reviver o personagem Miguel Mateus, em Entre Giestas.


Desde Os Fidalgos da Casa Mourisca “… sereno e grave, reflectido na sua pouca idade e sabendo sacrificar as aspirações do coração ao que ele considera o seu dever de filho”, até ao Teatro, onde “actua primorosamente mostrando poder convencional”, encontram-se muitas críticas elogiando as suas interpretações.


Morreu muito novo. “Talvez que a natural bondade de que era dotado, o conduziu tão cedo a pagar à Natureza o tributo que todo o ser humano lhe é devedor. O sentimento artístico que possuía, generosamente herdado dos seus ascendentes, manifestou-o, além de em outras actividades, na sua profissão de tipógrafo consciencioso e de amador dramático do melhor quilate, e a demonstrar esta nossa asserção está o facto de ainda não há muito tempo, o ilustre director cénico da SIT, de que fez parte durante largos anos, ter-lhe tecido, publicamente, os maiores e mais significativos louvores”.

Caderno: Tavaredenses com história

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

José Francisco da Silva



Nasceu no dia 26 de Junho de 1900, em Tavarede, filho de António Francisco da Silva e de Augusta Cruz. Foi casado com Guilhermina Nogueira e Silva, tendo, como descendentes, as filhas Benvinda, Armandina e Amélia.

“Começou com tipógrafo e empregou-se nos escritórios da Beira Alta”. Foi membro da Junta de Freguesia e regedor, nomeado em 1923. Como escrivão da Junta, promoveu uma subscrição pública para a compra do relógio colocado na torre da igreja.

Foi amador teatral do Grupo Musical, destacando-se na opereta, mas foi na música que exerceu maior actividade. Tocava na Tuna e fez parte do célebre quinteto que, além de abrilhantar os bailes nesta colectividade, tocava nas missas solenes, acompanhando o coral, em Tavarede e noutras localidades para onde eram convidados.

Quando o Grupo Musical mudou de sede e extinguiu a sua secção dramática, passou a colaborar com o grupo cénico da Sociedade de Instrução, em especial no ensaio dos coros, conjuntamente com José Medina e António Jerónimo, embora também chegasse a integrar o elenco teatral.

Ao mesmo tempo, continuava no Grupo Musical, tocando e dirigindo a Tuna, sendo, em 1931, escolhido para seu regente, por votação dos músicos. Já anteriormente reorganizara a Tuna daquela colectividade e, em 1929, com a colaboração dos músicos pertencentes às duas associações, levara uma Tuna à Martingança, a abrilhantar umas festas populares lá realizadas. Foi ele que teve a iniciativa da passagem da Tuna pelo Mosteiro de Batalha e ali deixar uma placa em homenagem ao Soldado Desconhecido.

Faleceu, inesperadamente, a 16 de Novembro de 1951, com 51 anos de idade.

“Era uma pessoa muito prestável e muito bondosa. Em Tavarede, pode dizer-se que não tinha um inimigo e muitos dali lhe ficaram a dever alguns bons favores”.

No dia 29 de Junho de 1952, “foi prestada homenagem à memória de um homem que tão desinteressadamente trabalhou para as associações recreativas do concelho e de modo particular para as locais, de que era sócio honorário. Elas devem-lhe serviços que não podem, com efeito, ser esquecidos, pelo desinteresse material com que foram prestados”. A sua campa, no cemitério local, foi construída por subscrição pública.

Como acima se referiu era sócio honorário do Grupo Musical e da Sociedade de Instrução, além de outras colectividades do concelho o terem distinguido com igual diploma. O seu retrato encontra-se exposto no salão do Grupo Musical.

Grupo 'Os Inseparáveis' - José Francisco da Silva é o segundo da direita, em pé

Era um excelente “garfo”. Um dia, encontrando-se no Porto com um grupo de amigos, foram almoçar a um restaurante. O prato do dia era “caras de bacalhau com couves e batatas”. Era um dos seus pratos favoritos. Notou, contudo, que nas restantes mesas, todos os comensais estavam comendo com faca e garfo, certamente com algumas dificuldades. Depois de servido, pendurando o guardanapo no colarinho da camisa, disse para os presentes: “Os senhores desculpem mas, na minha terra, isto come-se à mão”. Pouco depois, todos os presentes já chupavam os ossinhos à mão…

Caderno: Tavaredenses com História

Maria Almira Esteves Ferrão

Quadro '3 Glórias Nacionais' - peça 'Chá de Limonete' - (da esq. para a dir) - António Jorge da Silva (O Endireita); João da Silva Cascão (Manuel da Fonte); João Oliveira Júnior (Frei Manuel de Santa Clara); Maria Almira Esteves Ferrão (Fado); José Maria Cordeiro - Zé Neto (Futebol); e Manuel Nogueira e Silva (Teatro)


Tavaredense, filha de Alberto Ferrão de Almeida e de Maria José Esteves. Nasceu a 30 de Março de 1928 e faleceu no dia 13 de Novembro de 1998. Casou com António Santiago Venâncio, não tendo descendência.


Foi amadora teatral da Sociedade de Instrução Tavaredense. Teve a sua estreia em Noite de Teatro Português, em 1947. Participou, a partir de então, em Não subam escadas às escuras, Horizonte, Os dois inseparáveis, Raça, Auto da Barca do Inferno, Não mentirás, O Cão e o Gato, Pé de Vento, Chá de Limonete, Na boca do Lobo, Chá e Terra do Limonete. No ano de 1990 deu a sua colaboração ao espectáculo de homenagem à memória de José Ribeiro.

Caderno: Tavaredenses com História

José Joaquim Alves Fernandes Águas

Nasceu em Tavarede no dia 21 de Janeiro de 1841 e morreu na Figueira (Praia de Buarcos) em 12 de Janeiro de 1919.
Segundo filho de Joaquim Alves Fernandes Águas e de Ana Ribeiro, enveredou, tal como seu irmão mais velho, José Alves Fernandes Águas, pela marinha mercante, onde conseguiu uma carreira brilhante, durante muitos anos.

Contramestre piloto (imediato) no brigue “Zarco”, passou ao comando do veleiro “Olinda”, matriculado na Capitania de Lisboa para viagem a Moçambique, em Novembro de 1872. Aquela matrícula refere como comandante o capitão José Joaquim Alves Fernandes. Só mais tarde é que nos seus registos aparece o apelido Águas.

Como oficial da marinha mercante, comandou diversos navios e conhecia, na perfeição, a costa oriental da África Portuguesa (Moçambique), tendo convivido de muito perto com oficiais graduados da Marinha de Guerra Portuguesa, que não desdenhavam dos seus conselhos.

Por ocasião do seu falecimento, a imprensa figueirense publicou a seguinte notícia:
“Domingo de manhã fomos dolorosamente surpreendidos pela notícia da morte, brusca, deste nosso bom amigo, sogro dos srs. drs. Manuel e José Gomes Cruz.

Com 79 anos, o velho Capitão Águas, designação por que era mais conhecido, por na sua mocidade ter comandado vários navios da marinha mercante, ainda no sábado à noite recolhera ao leito cheio de saúde e de bonomia, nada fazendo prever o triste desenlace que na manhã seguinte, abruptamente, havia de ferir sua extremosa família e os seus muitos amigos.

Era, da numerosa família Águas, o único ancião sobrevivente, a todos infundindo respeito o seu porte austero e as suas tradições de marinheiro destemido.

O sr. Capitão Águas deixou a vida marítima há perto de quarenta anos e durante o tempo em que a exerceu cometeu feitos de audácia de que, pela sua proverbial modéstia, nunca quis tirar relevo. Ele conhecia, no seu tempo, como ninguém, a costa da nossa Africa Oriental, e alguns dos oficiais mais graduados da nossa marinha de guerra, como, por exemplo, Augusto de Castilho, conviveram de perto com o nosso malogrado amigo, apreciando com grande consideração as suas valorosas qualidades de homem do mar.

Possuidor de alguns meios de fortuna, o sr. José Joaquim Águas constituiu o seu lar na Praia de Buarcos, ali, e, nos últimos anos, na sua Quinta da Esperança, à estrada de Tavarede, passando a sua existência, jamais deixando de exercer a sua actividade.

Ultimamente, há perto de dois anos, o sr. Artur de Oliveira, gerente da Sociedade Portuguesa de Navegação, convidou o sr. Capitão Águas para auxiliar os importantes serviços desta e, aceitando o convite, como que remoçando, o saudoso extinto soube, com zelo inexcedível, interessar-se pelas propriedades da sociedade, afirmando sempre os seus excelentes conhecimentos técnicos e fazendo ouvir os seus conselhos cheios de prudência.

Além de trabalhador, José Joaquim Alves Fernandes Águas possuía um espírito profundamente liberal, nunca recusando o seu apoio às instituições propagadoras da instrução.

Caderno: Tavaredenses com História



Foi membro dos mais graduados da Maçonaria, e, como tal, justamente considerado no Grémio Fernandes Tomás, desta cidade. Interessaram-no sempre os progressos do Partido Republicano, e por vezes, em tempo da propaganda e da organização partidária, fez parte da Comissão Municipal Republicana deste concelho, de comissões paroquiais, etc.
Da consideração de que gozava o nosso saudoso amigo foi testemunho a piedosa e imponente manifestação ontem dedicada ao seu cadáver, no acompanhamento que o levou da Figueira ao cemitério de Buarcos, onde, por vontade do finado, foi sepultado na terra, para, posteriormente, serem os seus ossos trasladados para o seu jazigo ali existente.
Nessa manifestação viam-se centenas de pessoas de todas as classes sociais, sobressaindo todo o pessoal da Sociedade de Navegação, cuja bandeira cobria o féretro, sendo também a chave deste, por solicitação do sr. dr. Manuel Gomes Cruz, conduzida pelo director - gerente da sociedade, sr. Artur de Oliveira
A família deste nosso amigo e a Sociedade de Navegação ofereceram ainda duas formosas coroas de flores, sendo outra conduzida pelo menino José Cruz, dedicada por ele, sua irmã e primos, todos netos do malogrado morto e que eram agora o seu maior enlevo”.