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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Abílio Simões Baltazar

Foi um dos três compradores da quinta do Robim, vendida, em 1914, pelos herdeiros de João António da Luz Robim Borges. Era natural de Almalaguês.

No dia 12 de Agosto de 1928, integrado numa excursão com pessoas de Tavarede e da Figueira da Foz, que se deslocavam a Fátima para participarem nas cerimónias religiosas que ali se efectuavam, foi uma das vítimas do acidente de viação ocorrido em Reguengo do Fetal, já próximo do seu destino.

Ainda foi conduzido ao Hospital de Leiria, mas, devido à gravidade dos ferimentos, foi transportado, horas depois, para a sua residência, na Vila Robim, onde faleceu instantes após a sua chegada. “O extinto, que sofreu dolorosamente em poucas horas, era um carácter probo, cheio de dignidade e dotado de excelente coração”. Contava 78 anos de idade e era casado com Maria José Pedro.

A propósito da compra daquela quinta, que estava montada com todo o equipamento necessário à exploração agrícola e pecuária, constou que, depois da aquisição e divisão dos terrenos, procederam ao levantamento de toda a instalação de rega, que, sendo a tubagem em chumbo, foi vendida, apurando, só nesta venda, um valor superior ao dispendido com a compra da quinta.
Caderno: Tavaredenses com História

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Luís João Rosa

“Faleceu em Tavarede, no último sábado, sepultando-se no domingo, o nosso amigo e dedicado correligionário sr. Luís João Rosa, proprietário da Quinta do Paço e ali, onde residia há anos, gozando da estima e consideração da população.

Deploramos a sua morte porque o tínhamos na conta de um dos nossos mais dedicados amigos e porque ali prestou serviços ao Partido Republicano Português, ainda ultimamente presidindo à Junta de Paróquia local.

O saudoso extinto, que era natural de Lavos, viveu em África alguns anos e, adquirindo alguns meios de fortuna, regressou aqui, comprando a quinta e a Casa do Paço de Tavarede, dedicando-se à lavoura e ao comércio de gados, tendo sempre um talho no nosso mercado. Era muito activo, mas a doença, que ultimamente o minava, prostrou-o no leito e em poucos dias lançou-o no tumulo”. (Outubro de 1916)

Luís João Rosa havia feito a compra do solar e quinta que pertenciam ao Conde de Tavarede, por escritura de 24 de Fevereiro de 1898, pelo valor de 5.000$000.

Pertenceu à Comissão de Beneficência da Freguesia de Tavarede, à Junta de Paróquia local, foi regedor e membro eleito para a 1ª. Comissão Paroquial Republicana, em 1911.

No campo associativo, pertenceu à Estudantina Tavaredense, a quem cedeu o Teatro Duque de Saldanha, instalado no solar que adquirira, e à Sociedade de Instrução, da qual fez parte como membro da Assembleia Geral.
Caderno: Tavaredenses com História

Ezequiel Leite Coelho Fortes

Era filho de António Leite Amaral Teles e de Joaquina Cândida Coelho Fortes. Residia em Tavarede, na sua quinta no caminho da Chã (Simôa), onde hoje está instalada a Junta de Freguesia e a Escola Primária, além de outras moradias.

Morreu a 17 de Janeiro de 1953, com a idade de 98 anos.

Não dispomos de outras informações sobre a sua vida. Recordamo-lo porque era costume, no dia de quinta-feira Santa, a rapaziada ir a sua casa pedir a “esmola”, sendo sempre contemplados com um bom punhado de avelãs, que tinha em abundância, de produção de diversas aveleiras existentes à beira do ribeiro que limitava a sua propriedade.
Caderno: Tavaredenses com História

António Pedrosa de Oliveira

Conhecido por António de Lavos, de onde era natural, e comerciante na Figueira, resolveu, em Abril de 1901, abrir em Tavarede um estabelecimento de mercearias e vinhos, ao Largo do Paço.

Aqui fixou residência até ao seu falecimento, que ocorreu em 21 de Fevereiro de 1912. Tinha 63 anos de idade.

Participou activamente na Junta de Paróquia, tendo sido nomeado regedor em 1904.

Um dia, estando doente, o seu amigo Ernesto Tomás foi visitá-lo. “… felizmente que o achámos melhor, bem capaz de lá para o S. João, mimosear os rapazes daqui, com umas danças e descantes dum rancho catita, que costuma organizar no seu quintal. A mulher, a Rosita que em tempos se dedicava ao palco, e que nos deu uns exemplares traquinas, folgazões, cheios da vivacidade da idade dourada, parecia-nos a mesma, com o mesmo génio franco, risonho, endiabrado, somente modificado um pouco pela idade, que já se acompanha de uma filha, a Josefita, loura, brincalhona, viva como a mãe”. Esta Rosita chamava-se Rosa Pais Pedrosa, era natural de Tavarede e morreu em Abril de 1927, com 83 anos de idade.
Caderno: Tavaredenses com História

Adelino da Cruz Mariano

Tavaredense. Foi um dedicado associativista, exercendo cargos directivos na Sociedade de Instrução e no Grupo Musical. Na primeira, também foi professor da escola nocturna. Enveredou pela carreira militar, tendo falecido em Setúbal, onde residiu durante vários anos.



Deixou uma interessante história. Enquanto residente em Tavarede, o seu meio de transporte era a bicicleta. Quando, profissionalmente, se ausentou da nossa terra, deixou a sua bicicleta, devidamente arrumada, na loja da casa onde morava com sua mãe, na rua Direita, perto do Largo da Igreja.



Um dia, em Dezembro de 1955, já anoitecera havia muito, encontraram sua mãe a passear a bicicleta, à mão, na estrada da Chã. Estranhando o caso, alguém quis saber o que se passava e logo teve a resposta: O Adelino havia escrito à mãe a pedir para alguém dar ar à bicicleta, para as câmaras e pneus não ressequirem.



A boa senhora não quis incomodar ninguém e foi ela mesma passear a bicicleta para lhe dar ar…








Tavarede Futebol Clube – Guarda-redes (1946)

(Caderno: Tavaredenses com História)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Belmira Pinto dos Santos (Belmirinha)

Modista, com atelier de costura na Figueira da Foz, foi grande colaboradora do grupo cénico da Sociedade de Instrução.

Várias peças representadas, como O Grão-Ducado de Tavarede “… merece também referência especial o guarda-roupa, que é variado, luxuoso e tem algumas fantasias de belíssimo efeito, pelo que foi muito elogiada a srª. Belmira Pinto dos Santos, que revelou muito bom gosto na sua confecção”.

Outras operetas e fantasias, e citamos, por exemplo, O Sonho do Cavador, A Cigarra e a Formiga, Justiça de Sua Majestade, Entre Giestas e O Grande Industrial, tiveram guarda-roupa de sua autoria, muito do qual ainda se conserva entre o vasto espólio da colectividade.

Em 1928 foi distinguida com o diploma de sócia honorária, como reconhecimento dos serviços prestados.
Caderno: Tavaredenses com História

António Medina


Natural de Verride, nasceu no dia 20 de Janeiro de 1872, filho de Joaquim Medina e de Maria da Cruz.

Foi serralheiro na Companhia do Gás e Águas, onde se empregou muito novo. Depois do falecimento de seu pai, mudou a residência para o então chamado Casal do Rato e, casando com uma tavaredense, Otília Nunes, fixou-se em Tavarede.
Grande adepto do associativismo, como forma de cultura popular, começou a participar no grupo cénico e na filarmónica Verridense.

Quando estabeleceu residência em Tavarede, logo ingressou nos grupos dramáticos das Associações Velha e Nova, que funcionavam na Casa do Terreiro e no Palácio do Conde de Tavarede. Representou com os amadores dos grupos de João José da Costa e João dos Santos, na Casa do Terreiro, e do dr. Manuel Gomes Cruz, na Estudantina Tavaredense, onde também se integrou na sua tuna.

Foi um dos subscritores da lista que deu origem, em Janeiro de 1904, à fundação da Sociedade de Instrução Tavaredense. Foi director e amador dramático desta colectividade até meados de 1911, tendo saído, juntamente com seu irmão José, para fundar, em Agosto daquele ano, o Grupo Musical e de Instrução Tavaredense.

Continuou a dedicar-se ao teatro e à música, na tuna tocava rabecão (violão baixo), mas foi como director que mais se destacou na vida desta associação.

Em 1931, devido às enormes dificuldades financeiras do Grupo Musical, que não conseguiram ultrapassar, esta colectividade teve de vender o edifício da sua sede e mudar-se para o palácio, à altura pertencente a Marcelino Duarte Pinto. Deu a sua colaboração à tuna do Grupo até à sua extinção no ano de 1938.

A partir de então abandonou, por completo, a sua actividade associativa. Além da sua profissão, também era um pequeno lavrador, possuindo e amanhando umas terras na Chã e na Matioa. O vinho que produzia, tinha muita fama e costumava vendê-lo ao copo, na sua adega, em cuja porta, na época própria, pendurava enorme ramada de loureiro.

Foi membro da 1ª. Comissão Paroquial Republicana, eleita em 1911. O Grupo Musical homenageou-o, em 1925, descerrando o seu retrato, o qual se encontra exposto no salão da colectividade.

Morreu no dia 8 de Maio de 1958, encontrando-se sepultado em Tavarede. “O extinto, que fixou residência em Tavarede, ainda muito novo e ali constituiu família, foi um honrado cidadão estimado por todos que com ele privaram mercê do seu excelente carácter, tendo sido um entusiasta amador do teatro e da música, pelo que fundou o Grupo Musical e de Instrução Tavaredense”.


Caderno: Tavaredenses com História

D. Maria Mendes Petite

Fidalga do século catorze, foi casada com Estêvão Coelho e mãe de Pêro Coelho, que foi um dos carrascos de D. Inês de Castro, ao qual o rei D. Pedro I mandou justiçar, arrancando-lhe o coração pelas costas.

“O convento das freiras Dominicas, fundado em 1345, à custa de D. Maria Mendes Petite, na própria casa da sua residência, e doado às Donas Pregaratas, da Ordem de S. Domingos de Santarém”.

Esta fidalga dotou o mencionado convento com diversas propriedades que possuía em Vila Nova de Gaia; umas casas e herdade em Leiria; um terço de outras herdades em Santarém; umas azenhas e marinhas de sal em Tavarede…”.

Não há qualquer indicação quanto à localização das azenhas e das marinhas doadas.
Caderno: Tavaredenses com História

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

José Maria Cordeiro (Zé Neto)

Nasceu no dia 20 de Fevereiro de 1910, filho de João Cordeiro e de Maria Joaquina Vaz. Era conhecido por José “Neto”, pois seu avô e um tio tinham o mesmo nome.
Casou com Maria José da Silva Figueiredo e teve uma filha, Helena Maria.
Muito culto, foi um grande coleccionador de “ex-libris”, deixando uma bem organizada colecção, e dedicou-se à história da sua terra, organizando vários cadernos com recortes de jornais, especialmente relacionados com o teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense.
Adepto das práticas desportivas, foi um dos fundadores do Sportsinhos Futebol Clube, em 1926, de que foi dirigente e atleta, e no ano de 1940, do Atlético Clube Tavaredense, “que se propõe trabalhar no sentido de chamar ao desporto, alguns “terroristas” que ainda por aí existem, que vêem erradamente no desporto não o revigoramento da raça, mas, sim, o seu definhamento”.
Foi muito dedicado à Sociedade de Instrução, exercendo diversos cargos directivos e de responsável pela biblioteca, que dirigiu durante vários anos com a maior proficiência. A colectividade distinguiu-o com o diploma de sócio honorário, em 1979.
No grupo cénico, onde actuou, como amador dramático, de 1946, na peça Horizonte, até 1965, em Centenário de Gil Vicente, interpretou diversas personagens em peças levadas à cena. No entanto, a sua grande colaboração prestada ao teatro terá sido como ponto, tarefa que desempenhou enquanto teve saúde.
Foi correspondente de jornais figueirenses e, em 1957, escreveu versos para serem cantados com a música da marcha “Tavarede tão airosa”, de António de Oliveira Cordeiro, a que deu o título de “Marcha dos Pacatos”:

Tavarede, aldeia linda,

De perfume sem igual,
Filha da mais bela praia
Deste lindo Portugal.
Foi berço de fidalguia,
Deixou nome na história,
Hoje tem o seu teatro
P'ra lhe dar fama e glória.
Figueira, terra formosa,
Tens o condão de encantar
Quem lá vai a vez primeira,
Por força há-de voltar.
Pequenina, aconchegada,
Cada canto é um alegrete,
Para a cura das 'maleitas'
Tem o 'chá de limonete'.

Temos por nome “Os Pacatos”,
- Esse nome não negamos –
Mas se nos chega a “mostarda”
Com certeza espirramos.

Esta vida são dois dias,
Toca a rir, folgar, gozar…
E se dívidas cá deixarmos
Alguém as há-de pagar.

Sua esposa, Maria José (19.03.1910 – 22.04.1984), filha de Helena Figueiredo Medina, também foi uma excelente amadora teatral, Iniciou-se em 1925, na opereta Em busca da Lúcia-Lima e terminou, em 1929, em A Cigarra e a Formiga, participando em Pátria Livre, Grão-Ducado de Tavarede, O Sonho do Cavador, etc. Igualmente a Sociedade de Instrução lhe concedeu o diploma de sócia honorária, em 1928.


Caderno: Tavaredenses com História

João Jorge da Silva


Natural de Tavarede, onde nasceu no ano de 1882, era filho de José Jorge da Silva e de Ana Cunha. Era conhecido por João da Simôa, certamente porque terá nascido ou morado neste lugar, no caminho da Chã. Casou com Clementina Nunes Proa e tiveram dois filhos: António e Emília. Faleceu a 5 de Maio de 1952, com a idade de 70 anos.
Profissionalmente foi tipógrafo, exercendo funções de impressor na tipografia de “A Voz da Justiça”.
Aderiu, desde a sua fundação, ao Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, onde, em 1912, foi professor de uma aula de música. Dirigia a orquestra dos teatros e foi o organizador e regente da primeira tuna desta associação, à frente da qual esteve cerca de seis anos. Foi nomeado sócio honorário desta colectividade em Dezembro de 1937.
Abandonou a actividade associativa, por volta de 1918. No entanto, em Abril de 1924, aparece uma notícia informando que “decorreu animadíssimo o baile realizado na Sociedade de Instrução Tavaredense no último sábado, por iniciativa do nosso amigo João Jorge da Silva. A concorrência foi grande, reinando a melhor alegria e prolongando-se a dança até alta madrugada de domingo”.
Sua esposa, Clementina, dedicou-se, durante muitos anos, à venda de tremoços, freiras e pevides, com “estabelecimento” no Largo do Paço, junto ao qual moravam.


Caderno: Tavaredenses com História

Francisco de Carvalho

Nasceu em Tavarede, filho de António Carvalho e de Joaquina da Silva Cascôa. Morreu, em Buarcos, no dia 11 de Fevereiro de 1980.
Prestou serviço militar no Regimento de Infantaria 28, sendo incorporado no Corpo Expedicionário que foi combater em França, na I Grande Guerra, donde regressou em Maio de 1919.
Durante cerca de 50 anos fez parte dos amadores da Sociedade de Instrução. Iniciou a sua colaboração em 1914, em Os Amores de Mariana, acabando na peça A Conspiradora. Representou papéis em peças como Amor de Perdição, Entre duas Ave-Marias, Noite de S. João, Em busca da Lúcia-Lima, Pátria Livre, Grão Ducado de Tavarede, O Sonho do Cavador, A Cigarra e a Formiga, Os Fidalgos da Casa Mourisca, Justiça de Sua Majestade, Entre Giestas, A Morgadinha de Valflor, Ana Maria, Peraltas e Sécias, A Conspiradora, etc.
Tinha uma excelente voz de barítono, refere uma crítica de A Cigarra e a Formiga. Em 1954, por ocasião da Bodas de Ouro da colectividade, reviveu o papel de Ti Martinho Grave, da peça Entre Giestas, que interpretara muitos anos antes.
Certamente por ter inalado gazes nocivos durante a campanha militar, sofreu graves perturbações psíquicas, o que forçou ao seu internamento num hospital para doentes mentais, durante bastante tempo.
Foi sócio honorário da SIT, em 1967.
Caderno: Tavaredenses com História

sábado, 30 de outubro de 2010

Silvestre Monteiro da Cunha

Faleceu em 25 de Fevereiro de 1914. Antigo capitão da marinha mercante, residia em Tavarede e exercia o cargo de piloto da barra da Figueira.

“Relativamente novo, o seu passamento foi muito sentido pelos seus muitos amigos que lhe apreciavam as excelentes qualidades de carácter. Muito trabalhador, passara toda a vida na labuta rude do mar.

Iniciando-se na costa, bem depressa se lançou em carreiras mais longínquas, percorrendo muitos portos do Brasil e fazendo ali estações demoradas.

Adquirindo alguns meios de fortuna e resolvendo fixar definitivamente residência na sua casa de Tavarede, não quer ainda deixar de empregar a sua actividade, ocupando assim o lugar de piloto da nossa barra, que desempenhou com energia, revelando sempre conhecimentos técnicos que inspiravam confiança aos que têm interesses ligados à navegação que demanda o nosso porto”.
Viúvo de Belmira Jorge Lé da Cunha, falecida em Março de 1913, deixou uma filha, Palmira Lé da Cunha, que veio a casar com Arménio dos Santos, da Quinta dos Condados.

Fez parte dos corpos directivos da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Por ocasião da morte de sua esposa, encontrámos a seguinte nota: “… apesar de esperado o triste desenlace, foi imenso o sentimento que se apossou de todas as pessoas que conheciam as belas qualidades da extinta. Sofrendo há anos da doença que dia a dia lhe minava a existência, ela compadecia-se mais ainda das dores alheias e a ocultas, sem alardes, sabia exercer actos de verdadeira caridade. É por isso que hoje muitos infelizes, a quem valeu em momentos aflitivos, pranteiam sinceramente o seu desaparecimento”.
Foto: Rua Direita ao Largo do Paço - A primeira casa à esquerda foi a residência de Silvestre Monteiro da Cunha
Caderno: Tavaredenses com História

João dos Santos Júnior

Nasceu no ano de 1877, filho de João dos Santos.

Profissionalmente foi funcionário público, estando, durante bastantes anos, colocado na Câmara Municipal de Condeixa, com a categoria de chefe da secretaria.

No campo associativo, foi dedicado colaborador de seu pai, sendo eleito como primeiro presidente da direcção do Grupo de Instrução Tavaredense, em 1900, colectividade esta que foi a antecessora da Sociedade de Instrução.

Na escola nocturna desta colectividade foi o professor da aula de ginástica “prática então pouco comum, mesmo no sistema da instrução primária”. Nos saraus organizados pelos alunos, apresentava sempre uma classe de ginástica. “… os alunos da escola nocturna, que desempenharam com muita precisão, alguns exercícios de ginástica sueca, pelo que o seu instrutor, sr. João dos Santos Júnior, foi delirantemente aplaudido”.

A colectividade homenageou-o em 1914, nomeando-o seu sócio honorário e descerrando o seu retrato, que se encontra exposto no salão nobre.

Faleceu no ano de 1965.
Caderno: Tavaredenses com História

Fernão Gomes de Melo Quadros e Sousa

Morgado, 6º. Senhor de Tavarede.

Filho de Pedro Lopes de Quadros e de D. Maria Teles. Nasceu e viveu em Tavarede.

Casou com D. Brites Maria de Albuquerque e tiveram a seguinte descendência:

Pedro Lopes de Quadros e Sousa, herdeiro do morgado; D. António Coutinho de Quadros, Cónego Regrante de Santo Agostinho e depois Prior de S. Martinho de Salréu; Frei José, frade Bernardo; Manuel de Melo Pereira de Quadros, a quem chamaram “o moço”, que foi capitão e morreu na defesa de Castelo Rodrigo; Francisco de Meneses Teles, Freire de Avis, em Palmela; D. Mariana Coutinho, D. Inês Soares e D. Leonor Coutinho, freiras no Convento de Lorvão; e António Fernandes de Quadros.

Há registo, ainda, de dois filhos bastardos: João e António de Quadros.

Quando enviuvou entrou para o Seminário do Varatojo, onde tomou o hábito de leigo e “viveu em grande edificação”.

“… quando faleceu sua esposa, sofreu tal abalo moral que, vendo seus filhos criados, saiu furtivamente, noite alta, dos seus Paços e sem comunicar a pessoa alguma a resolução que tomara, dirigiu-se a pé ao Convento do Varatojo, onde se meteu frade leigo, com o nome de Frei José da Santa Maria, e onde viveu alguns anos, sem ser reconhecido, praticando os mais humildes serviços na Cerca e na Igreja do Convento, vindo a falecer após uma longa vida de sacrifício e santidade.

Um aspecto do Convento do Varatojo (Internet)

Assim desprezou as pompas do mundo, num raro gesto de renúncia, este nobre Senhor de Tavarede, fidalgo da Casa de El-Rei, Cavaleiro de Cristo e Comendador Hereditário de São Pedro das Alhadas, da mesma Ordem, brilhante homem da Corte, soldado ilustre das guerras do Ultramar e homem de muito e discreto saber”.

Caderno: Tavaredenses com História

Abílio Alves Fernandes Águas

Natural de Tavarede, onde nasceu a 17 de Outubro de 1841, faleceu na Figueira da Foz, no dia 20 de Janeiro de 1892. Contava, portanto, 82 anos de idade e era filho de Joaquim Alves Fernandes Águas e de Ana Ribeiro da Silva. Casou com Rosa Emília da Conceição.

Abastado proprietário e conceituado negociante, desenvolveu importante actividade comercial como exportador, principalmente de vinhos. Como armador, foi proprietário, só ou em sociedade, dos brigues Figueirense e Baía e da escuna Feiticeira, durante muitos anos matriculados na Capitania da Figueira.

Figurava nos primeiros lugares da lista dos 40 maiores contribuintes deste concelho.

Quinta da Borlateira (Ao Senhor da Arieira)

Militou, activamente, no Partido Regenerador que, pela sua morte, “lamentou a perda irreparável de um dos seus mais valiosos soldados”.

Foi venerável da Ordem Terceira de S. Francisco e mesário da Santa Casa da Misericórdia.

Em sua memória, a família, no dia 31 de Janeiro de 1892, fez a distribuição de esmolas aos pobres da Freguesia de Tavarede, “na sua Quinta da Borlateira”, aos Quatro Caminhos do Senhor da Arieira.

Caderno: Tavaredenses com História

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pedro Nunes Medina

Nasceu em Tavarede, em 16 de Maio de 1906, filho de António Medina e de Otília Nunes. Casou com Maria Alves Garcia, tendo dois filhos: Violinda e Vítor Manuel.

Sapateiro de profissão, tentou seguir a carreira militar como músico, na banda do Regimento de Infantaria 20. Antevendo, no entanto, dificuldades em conseguir atingir uma breve promoção, deixou a tropa e empregou-se nas oficinas dos caminhos de ferro.

Seguindo o exemplo familiar, desde muito novo se integrou no Grupo Musical, fundado por seu pai, como amador teatral e músico. Tinha especial vocação para a opereta e para a comédia, havendo várias referências elogiosas a actuações suas.

Na Tuna, tocou bandolim, banjo e viola. Quando o Grupo Musical acabou com a secção dramática, foi um dos elementos que passaram a colaborar na Sociedade de Instrução. Iniciou-se, nesta colectividade, na opereta As pupilas do Senhor Reitor, participando, entre outras, em Entre Giestas e Recompensa. Em 1940 e 1941, foi um dos mais entusiasmados com a reposição que o Grupo Musical fez, no teatro da Sociedade, do “velho” Presépio.


Em 1940 foi um dos elementos iniciais do conjunto “Lúcia Lima Jazz”, organizado por seu irmão José, tocando trombone, instrumento que havia tocado na banda militar. Por motivo de saúde passou a tocar rabecão, mantendo-se no conjunto cerca de quinze anos.


Conjuntamente com seus primos Jorge e João e alguns amigos, fundou o grupo “Os Inseparáveis” que, todos os dias 1 de Maio, se reuniam em alegre confraternização. Com a aderência de muitos amigos, este grupo era bastante acarinhado, pois, esses dias, eram sempre dias de festa na terra, que eles acordavam bem cedo com a alvorada que faziam pelas ruas da aldeia, em alegre arruada.


Internado nos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde foi operado ao estômago, devido ao tormento que passou com a sede e conhecendo bem a frescura deliciosa da fonte do Prazo, fez a promessa de ir com a família, no primeiro domingo de Julho de cada ano, passar o dia junto da capela de S. Paio. Com o passar dos anos, além da família e amigos mais próximos, esta reunião tornou-se verdadeira romaria, com muita gente atraída pela dança e jogos de cartas e malhas que ali se realizavam. Uma desordem entre pessoas estranhas, levou a que esta romaria acabasse, passando unicamente, enquanto a saúde lho permitiu, a ali ir almoçar e passar um bocado da tarde com a família mais chegada.


De espírito alegre e divertido, sempre aparentando boa disposição, apesar da doença que o minava interiormente e o levou muito cedo, pois faleceu em 3 de Setembro de 1959, com 53 anos, tinha sempre uma anedota ou uma historieta para contar, algumas das quais um pouco picantes, mas que eram as mais desejadas de ouvir.

Abriu uma oficina de sapataria em Tavarede, primeiro na Rua Direita e depois em sua casa, no Largo do Terreiro, para consertos e obra nova, onde tinha bastante clientela, principalmente de companheiros seus no trabalho. Também fazia parte do grupo de caçadores que, na época própria, calcorreavam montes e vales vizinhos, em busca de um ou dois coelhos que, normalmente, eram comidos depois da caçada, na loja do Guerreiro.


Em 1953 foi nomeado regedor mas, devido à precária saúde, pediu escusa do cargo pouco tempo depois de tomar posse.


São muitas as histórias que ele “pregava” aos amigos. Algumas delas já estão contadas noutros trabalhos. Amanhava uma pequena leira na fazenda da Chã, que era de seus pais. Batatas e vinho eram a principal produção, assim como no pequeno quintal de sua casa. Mas, tanto isto como outros produtos, as chamadas novidades, eram sempre semeados e colhidos em pequeníssimas quantidades. O vinho, então, dos corrimões plantados à volta da terra, para chegar aos 100 litros era sempre necessário juntar alguns canecos de água da fonte. Um dia, querendo confraternizar com os amigos com uma merenda farta e para provarem a “colheita” desse ano, lembrou-se de ir perguntar ao Guerreiro, que explorava a loja que fora de Francisco Cordeiro e de sua filha Emília, se estava disposto a comprar vinho novo, de qualidade especial e que certamente chamaria farta clientela.


Há pouco tempo na terra, não desconfiou e interessado em vinho bom, do lavrador, isso nem se perguntava. Combinaram de imediato ir fazer a prova nessa tarde, para o que lhe disse para levar uma boa merenda. À hora marcada, lá apareceu o Guerreiro, com uma farta omeleta de chouriço e carne, bem como as indispensáveis azeitonas e o pão. A loja da casa era bastante escura, pois só uma pequenina janela permitia a entrada da luz. Num pequeno quarto que havia à entrada, já estava preparada a mesa e respectivos copos. Logo assentaram arraiais e vá de começar a petiscar para fazer o peito à pinga.


O Guerreiro bem procurava ver a adega e os tonéis, mas a escuridão era total. Quando o petisco estava quase no final, agarra numa picheira e aí vão todos à adega para espichar a pipa principal. Qual foi o espanto do Guerreiro quando se depara com um pequeno barril de 100 litros… Claro que tudo acabou com uma valente gargalhada e sem qualquer ressentimento.

Caderno: Tavaredenses com História

Anibal Nunes Cruz

Natural de Tavarede, onde nasceu no ano de 1891, filho de Romana Gomes Cruz e de Joaquim Nunes.

Exerceu a função de tipógrafo, na Figueira da Foz. Fundou e dirigiu, conjuntamente com outros companheiros de profissão, entre os quais o seu conterrâneo José da Silva Ribeiro, os jornais “O Rapaz”, “O Poeta”, “A Redenção” e “O Grito”, este no ano de 1920 e que foi um “verdadeiro porta-voz do operariado figueirense”.

Foi, também, um dos fundadores do Grupo da Juventude Republicana Dr. Bernardino Machado, de cujo grupo cénico foi amador, e do Grupo da Mocidade Operária Figueirense, do qual foi o primeiro presidente da direcção.

Até ao ano de 1912 foi correspondente em Tavarede do jornal “Gazeta da Figueira”, assinando as suas notícias sob o pseudónimo de “Ladina” e de “Labina”, este último anagrama do seu nome, Aníbal.

Fez parte do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense como secretário da assembleia geral e serviu de ponto ao seu grupo dramático.

Em 1912, foi trabalhar para a Anadia, para a Tipografia “Bairrada Livre” e, posteriormente, mudou-se para Lisboa, onde exerceu o cargo de “chefe dos serviços gráficos” numa importante tipografia, até à idade da reforma. Foi, também, chefe da redacção do jornal “Ecos de Cacia”.

Após ter atingido a reforma, esteve em Tavarede numa curta estadia, fixando residência em Anta, Maiorca, onde morreu a 28 de Dezembro de 1964.

Casou com Ester Duarte Mota Cruz e teve um descendente: Joaquim Nunes Cruz.

Colaborou ainda em outros jornais locais, como “A Voz da Justiça”, “O Figueirense” e “A Voz da Figueira”.

Foi ele que deixou a informação de que sua avó lhe contava que, no tempo das pequenas sociedades dramáticas, chegou a haver cinco presépios, ao mesmo tempo, em Tavarede.
Grande apaixonado pela sua terra natal, foi acérrimo defensor das velhas tradições tavaredenses. Entre outras, é de sua autoria a seguinte quadra:

A fonte de Tavarede,
Dia e noite a correr,
Dá frescura e prazer
A todos que tenham sede.

Caderno: Tavaredenses com História

Alberto Anahory


Nasceu no ano de 1906 e faleceu, em Lisboa, em 2000. Foi uma das mais dedicadas e valiosas colaborações que a Sociedade de Instrução Tavaredense recebeu. “Graças a ele, pelo seu sempre luxuoso e apropriado guarda-roupa com que vestiu grande número de peças representadas, alcançou o grupo cénico extraordinários êxitos”.

Em 1961, foi-lhe promovida uma festa de homenagem, tendo-lhe sido atribuído o diploma de sócio honorário. “Além de vestir a peça Terra do Limonete com a riqueza e gosto que nos foi dado observar, o que muito contribuiu para o êxito

alcançado, e em condições de aluguer excepcionalmente favoráveis, levou a sua generosidade ao ponto de tomar a seu cargo a resolução de muitos assuntos relacionados com o apetrechamento do palco, e ainda de toda a confecção e montagem do novo pano de boca, bambolinas e reguladores, que exigiram a sua permanência entre nós de vários dias, assim como de duas costureiras suas durante 20 dias a trabalhar na nossa sede, sem dispêndio algum para os cofres da colectividade”.

Só com a sua colaboração foi possível a montagem de muitas peças, pois, graças à sua amizade e generosidade, cobrava um preço verdadeiramente simbólico pelo aluguer do seu guarda-roupa, pois as receitas obtidas na bilheteira não conseguiriam suportar, nem de perto nem de longe, o seu custo real.

O seu retrato encontra-se no salão nobre da colectividade.

Caderno: Tavaredenses com História

sábado, 2 de outubro de 2010

Virgílio Ramos

Tavaredense, (19.07.1905-12.09.1999) tipógrafo impressor, empregou-se em Coimbra, na Tipografia Rainha Santa. Era, também, empregado no Teatro Avenida.

Ele e sua esposa, Zaida Maia (30.05.1905-19.04.1981), eram duas presenças constantes nos Hospitais da Universidade, quando lá estava internado algum tavaredense. Não havia, praticamente um só dia em que, especialmente ela, não fosse fazer visita aos “seus” doentes, a quem levava sempre uma palavra de conforto. Tiveram dois filhos, Virgílio e Vitor.

É de sua autoria uma “relação das famílias de Tavarede e seus descendentes, que conheci, desde 1915 a 1935”. Descreve as famílias pelas casas em que moravam, iniciando na Casa do Paço e seguindo pela ala direita da rua principal até à Igreja, regressando depois pelo lado contrário. Percorre, em seguida, as restantes ruas da localidade.

É um trabalho muito interessante, embora, como foi feito à distância, contenha diversas omissões e erros. Tem a indicação de ter sido feita em 1988.

Também foi componente do grupo “Os Inseparáveis”.
Caderno: Tavaredenses com História

João Carlos Emílio Vicente Francisco de Almada Quadros Sousa Lencastre Fonseca Saldanha e Albuquerque


3º. Conde de Tavarede, em 26 de Novembro de 1853.


Filho de Francisco de Almada Quadros Sousa Mendonça de Lencastre da Fonseca e Albuquerque e de D. Eugénia de Saldanha de Oliveira Daun. “Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, comendador das Ordens de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Carlos III, de Espanha”.


Foi casado por duas vezes. Da primeira vez com D. Maria da Piedade e da segunda com D. Maria Justina Ribeiro de Melo, filha do escrivão de direito de Trancoso.

Foi este Conde de Tavarede que mandou fazer grandes obras de transformação no palacete de Tavarede, onde habitualmente vinham passar férias, tendo ali mandado construir um teatro, a que deu o nome de Teatro Duque de Saldanha, e no qual esteve instalada a Estudantina Tavaredense.


Foi o primeiro presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz.


Faleceu no dia 11 de Julho de 1903.


Caderno: Tavaredenses com História