sábado, 7 de novembro de 2009

Sociedade de Instrução Tavaredense - 2

Por ocasião do carnaval, os correspondentes locais mandavam as suas “alfinetadas”. Em 1905, e referente a um espectáculo que, efectivamente, se realizou no teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense, anunciava-se: “... haverá um grande sarau dramático-musical no teatro, para o que foram convidadas notabilidades artísticas e homens de ciência. O sr. António Mota executa na flauta uma sua difícil composição musical e recita a poesia “À procura dos borrados”. O sr. Luís João canta a romanza Rosita dá cá o botão e recita o monólogo Mira que heu lh’o xaquei... O sr. Alcafache apresenta o seu orfeão que há-de executar o hino da Murtinheira e o Maxixe ribeirinho. Os srs. César, Medina, Broeiro, Coelho e todos os demais actores e actrizes do teatro representam o drama sacro Os anjos que te respondam”.

Já referimos que, muitas vezes, os espectadores tinham que aguardar o início do espectáculo muito para além da hora normal. Numa notícia que comenta a representação da opereta “Vida airada”, escreve-se “... lembramos também a conveniência de começar os espectáculos mais cedo e não os prolongar até altas horas...”. Bem sabemos que os teatros, geralmente, eram apresentados aos sábados. Mas, os tavaredenses de então, na sua maioria trabalhadores das terras, nem ao domingo de manhã folgavam. Daí a razão do pedido feito.
E porque nos surge, no meio das nossas notas sobre teatro e colectividades, um pequeno retalho que achámos interessante, aqui o deixamos, e apenas como mera curiosidade. “No dia 4 de Julho de 1905, fez exame na escola Conde de Ferreira, proposto pela professora D. Maria Amália de Carvalho, José da Silva Ribeiro, que obteve a classificação de óptimo”.
As récitas continuavam. Alguns espectáculos ocorreram, mas, infelizmente, não temos nota do programa que os compunham. As várias notícias faziam comentários, louvavam os amadores, mas esqueceram-se de nos deixar o título das peças, num ou noutro caso.
A escola também se mantinha em pleno, cada vez com maior frequência. “Nunca em Tavarede houve uma Sociedade tão bem organizada e que tantos serviços tenha prestado à causa da instrução. Apesar das aulas serem criadas para os filhos de sócios, são ali admitidas crianças muito pobres e orfãs, a quem não só se ministra a instrução, mas são-lhe fornecidos os livros precisos”.
Acrescente-se que, além da instrução primária, a Sociedade de Instrução continuava com o ensino da música e criou uma “aula de desenho”. Não sabemos as frequências nem os resultados destas duas últimas actividades. Quanto à música, não existem notícias da formação de qualquer tuna ou outro agrupamento musical, para além daqueles que se formavam para abrilhantarem os espectáculos teatrais. Sobre a aula de desenho, que presumimos tivesse como mentor o talentoso tavaredense João Nunes da Silva Prôa, não encontrámos quaisquer notícias posteriores.
Anualmente, os alunos da escola nocturna, mostravam o seu aproveitamento. Além de fazerem uma exposição com os seus trabalhos escolares, organizava-se uma festa, em colaboração com a escola primária oficial que, regra geral, culminava com um sarau no teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense. Os alunos recitavam poesias, liam trechos clássicos, diziam monólogos, cantavam umas canções e o seu hino e terminavam a sua actuação com uma ou duas comédias e/ou um entreacto cómico. Nalguns anos também apresentavam alguns números de ginástica. A instrução física era-lhes ensinada por João dos Santos Júnior. Estes saraus terminavam com a participação dos amadores “mais velhos”, numa engraçada comédia que acabava por bem dispôr todos os assistentes.
Apesar dos parcos recursos de que dispunham, os responsáveis pela colectividade, sempre preocupados com o bem-estar e carências dos seus conterrâneos, logo pensaram ir mais longe, transformando a jovem SIT numa “associação de socorro mútuo”...

Como se nota pelos nomes que vão surgindo, os amadores e colaboradores que anteriormente se dividiam pela 'Estudantina' e pelo 'Grupo de Instrução' esqueceram velhas rivalidades e uniram seus esforços para erigir uma nova colectividade capaz de se manter e de prosseguir o caminho de instruir e educar os seus conterrânos.
Fotos: em cima, César Cascão, um dos fundadores. dirigente e amador teatral. Em baixo: João dos Santos Júnior, grande amigo e benemérito da SIT, professor das aulas de ginástica.

Joaquim Alves Fernandes Águas - 2

Há dias, recebi um mail enviado pelo sr. José Filipe Menéndez que é, nada mais nada menos, do que trineto do tavaredense Joaquim Alves Fernandes Águas, o fundador da conhecida Casa Águas. Além de palavras muito amáveis sobre o meu blogue, teve a gentileza de me indicar a possibilidade de obter o retrato daquele seu trisavô que, julga ele, ter sido pintado pelo mesmo autor do retrato de João José da Costa, visto terem sido conterrâneos e contemporâneos.

Também lhe agradeci por mail, que julgo tenha recebido, mas entendo que, complementando a biografia daquele ilustre tavaredense, que publiquei no dia 31 de Agosto último, devo aqui deixar inserido aquele retrato.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Fernando Gomes de Quadros

Morgado. 8º. Senhor de Tavarede.
Filho de Pedro Lopes de Quadros e Sousa e de D. Josefa.
Bacharel em Leis, viveu em Tavarede. Casou com D. Brites José da Silva e Castro, no ano de 1731.
De toda a família Quadros, terá sido o mais cruel e opressor do povo de Tavarede. Verdadeiro “senhor feudal”, escravizou os trabalhadores da aldeia, os quais obrigava a irem trabalhar para as suas terras, não lhes dando qualquer paga.
Numa exposição enviada ao rei D. José, o Cabido de Coimbra começa por referir que “traz as justiças daquele Couto debaixo do pé e nada se faz, pelo Juiz e vereadores, que se lhe não dê a saber. Não se faz (elege) Juiz, vereador e Procurador do Couto, que não sejam as pessoas que ele quer, ou não quer que sejam, porque quando se faz a Justiça (eleição), chama a casa os que hão-de votar, e quando eles não vão os procura e os faz votar nas pessoas que ele muito quer e fazendo o contrário, os ameaça com um vergalho, como fez ao Capitão Isidoro dos Reis, homem do hábito de Cristo, que sendo Juiz, ele o foi esperar para lhe dar com o dito instrumento”.
Só mais um pequeno exemplo para se apreciar as qualidades deste fidalgo. “… que anda actualmente amantizado com uma filha bastarda chamada Antónia, filha de Isabel Gomes, mulher de Manuel Gomes Raposo, há mais de dez anos, e tem parido dele várias vezes, e chegou a ir a casa da mãe furtá-la, e deu muita pancada no dito Manuel Gomes Raposo, porque entendia ser sua filha e como tal a defendia, para não ser roubada nem ofendida na sua honra…”. Deste caso, escreveu José Ribeiro um quadro que integrou numa das suas revistas sobre a história de Tavarede.
Esta exposição, muito longa, relata toda a espécie de abusos feitos por ele. Daqui resultou que, para acabar com tal situação, o rei acabou por elevar a vila o lugar da Figueira da foz do Mondego e para lá transferir a Câmara e Justiças de Tavarede.
Seus filhos varões, Pedro Joaquim e António Leite de Quadros e Sousa, não eram melhores do que ele, antes pelo contrário. O mais velho, matou um seu tio frade, dando-lhe um tiro quando ele estava a rezar, unicamente por este lhe ter dado uma repreensão e, ambos, foram autores de diversos crimes e tropelias, acabando por prestarem contas à Justiça. Tiveram mais duas filhas: D. Francisca, que morreu criança, e D. Joana Madalena de Quadros, que foi a herdeira do Morgado e Senhorio de Tavarede.


Caderno: Tavaredenses com história

Eis um extracto da carta enviada a El-Rei D. José, relatando alguns dos crimes do 'nosso' Morgado:
Que No d.º Couto de Tavarede vive disoluta, e despoticam.te Fernd.º Gomes de Quadros, com o foro de Fidálgo da Caza de V. Mag.e, e Commendador nas Alhádas com tão absoluto, e independ.º poder com véxação das Just.as, e povo
Que trás a Just.as daquele Couto debayxo do pé, e Nada se fás pello Juis, e vereadores q. Se lhe não de a Saber, Não se fás Juiz Vereadores, e Procd.or do Couto q. não sejão as pessoaz q. elle q.r, ou não quer, q, Sejão; porq. qd.º se fás a Just.ª chama a cáza os q. hão de vottár, e qd.º elles não vão os procúra, e os fás vottár Nas pessoas q. elle m.to q.r, e fazendo o contr.º os ameássa com hu vergalho; Como fes ao Cap.tão Izidoro dos Reyz homem do habito de Christo, q. Sendo Juiz elle o foi esperár p.ª lhe dár com o dº. instrom.to, o quál, tendo avizo, Se retirou, qd.º Não certam.te o descompúnha.
Que qd.º a Just.ª fás elleyção de recebedor das Cizas de V. Magd.e, ou quatro, e meyo por cento, e outras fintas, Se lho não dão a Saber, quer q. Livrem a todos q.tos fazem, e por este resp.º Sucçede as mais das vezes vir Caminhr.º pellos quarteis, por não haver Recebedor por Cauza delle, E o povo paga m.tas Custas, q. Se houvéra Recebedor, q. tivesse Cobrado o pedido a tempo, escuzáva o mesmo povo de pagár ao Caminhr.º, e de experimentár tam grd.e vexação pella d.ª Cauza.
Que toda a pessoa, q. intenta por algùa demanda justa, ou quér Cobrar alguma divida, Se a tal pessoa Não vay primeyro pedir Licença, e dár Conta do q. intenta fazer, fás q. as Justiças dem a Snn.ca contra a tál pessoa, ainda q. tenha razão e just.ª pondo-se pella p.te Contraria Com todo o Seu absoluto poder chamando as Testem.as p.ª jurem o q. elle q.r, e discompondo as q. jurão a favor da tál pessoa, E não Só as p.tes tracta desta Sórte, Mas aos Juizes mandando-lhes com imperio, e ameássos q. façao o q. elle lhes insinúa, aliás páo, e vergalho. Porem ainda aqui Não párão as vexaçõenz, q. o d.º povo padeçe com a vizinhança deste homem.
Que naquella terra há m.tos criminozos por roubos, q. fazem Em cazas, e fazendas, por dividas q. debem, pancadas, e facadas, q. dão, os quais Logo se vão recolher a Caza delle Como Coutto Mais privilegiado, q. algu q. haja no Reyno, e Elle os recebe, e he Padrinho de todos; porq. Só o hé dos Máos, E deste Valhacoutto entrão a Continuár Nos Seus roubos, e descompostúras dando, e ferindo á Sombra e Cápa do seu Patrono; Como tambem o hé dos Siganos qd.º vem ´aquéllas terras, Sendo Cápa, e dando hospedágem a todo o Ladrão, e pessoa de Má Consciencia.
Que Sendo o termo do Coutto de Tavarede, m.to pequeno trás Nelle hu grd.e rebanho de Cábras estuindo todas as vinhas, e mais Novid.es dos pobres, e Se acazo lhas deitão fóra os donnos das fazd.as, os Criados Se Levantaõ contra elles, e os Amiássaõ Com Seu Amo. Cujo resp.to os intimida a não defenderem o q. he Seu, E o mesmo Sucçede com os gádos das pessoas, q. Saõ da Sua Cáza, por Serem m.tos os Comp.es, e Afilhados, q Logrão da izensaõ, e privilegios da mesma, e Estes ainda q. os Seus Gados Sejão danninhos Não saõ Coymados, e Se algu. por esquecim.to da Just.ª o foy, Logo o fas riscar do Livro, e fica izento da Coyma.
Que p.ª Mayor splendor da Sua Nobreza, e resp.to da Sua Caza quer q. tudo, o que pede Se lhe faça ou Seja torto, ou dir.to p.ª o q. intimida as Justiças deste Coutto com a Sua Crueld.e q. Como Saõ homens de Menos Esféra quaiq.r couza os intiMida, e por esta Cauza lhe disfársaõ as Suas insolençias, e a toda a pessoa, q. Não fás o q. elle pede lhe Costuma levantár Labéos e formár Crimes falsos, e Como tem m.tas pessoas do Seu Sequito, e iguál Condição fás as provas, q. quer E a outras as indús a q. jurem o q. elle quer, e Se o não fazem os castiga Com páo, e vergalho, e assim se Vinga de q.m lhe ultrajou o resp.º faltando-lhe so Seu empenho Sendo Maxima deste Sobjeito, Como praticou a Certa pessoa, Que p.ª a Sua Caza Ser respeitada ham de andár os Vezinhos sempre debayxo de hu páo, Sendo palavra m.tº Sua = Elles não querem, pois há de sahir o Castanho = que he hu bordão daquella Madr.a, Com q. tem dado Muntas pancadas em M.tos, e da mesma sorte.
Que trés os pobres trabalhadores destas terras arrastados; porq. todas as vezes, q. quer algu: Serviço feito os Manda rogár, e Se Não vão Logo por terem promettido p.ª outro Serviço os desCompoem a páo, e vergalho, e m.tas vezes os Costuma hir tirár do Serv.º de outras pessoas Aonde andão, ou do seu proprio Serv.º; dizendo, q. está prim.ro q. Ninguem, e Como lhes não pága Ninguem o quer Servir, e se o Servem hé com o temor da outra paga, q. elle Costuma dár.
Que Só as pessoas, q. vivem màl, e saõ mál procedidas favoreçe, E os ajuda p.ª o Mál, e fás Com as just.as os não perSiguão, Só p.ª os ter da Sua Mão p.ª Com ajuda destes fazer tudo q.to q.r, e ser respeitádo e temido; pois o ajudão Nas pendencias Como pessoas proprias, e Nas occaziõns de Algua próva de algua . Cauza Com os juram.tos fálsos, q. por Seu resp.º dão.
Que tambem tomou humas Cazas de Sobrado, e quintál A Theotonio dos S.tos Pinhr.º da Figr.ª, as quáes tinha No Coutto de Tavarede, Sem q. té Ao prez.te as qr.ª restituir a Seus herdr.ºs.
Que querendo o Cabb.º Exponente arendár a renda de Tavarede este Contrato p.ª o q. Mandou por Editáes p.ª Se saber o dia, em que a d.ª renda se havia de arrematár, o d.º p.ª Sua vinguansa Mandou por outros Editáes, e vários papéis com Letra desconhecida, q. dizião: Que qual.r pessoa, q. tomáse aquella renda visse Como a tomáva; porq. lhe havião de roubár os frutos, e perseguir a q.m a tomáse, e por esta rezão persegue Ao Prez.te Rendeyro Cauzando-lhe Mil vexaçoens, e ao Mesmo Cabb.º, induzindo o povo a q. lhe não págue os fóros, q. lhe são devidos, assim pello foràl do Mesmo Coutto, Como por Snn.cas q. Contra elles tem alcansádo. Porem esta inimiz.e q. o Suplld.º tem ao Cabb.º Não só he por ser Malévolo, Soberbo, e de desordenados Costumes, Mas porq. lhe vem por herança de seus Antepassados, Contra os quais alcansou o Cabb.º Expon.te m.tas Snn.cas, Não Sóem favor do Mesmo Cabb.º, Mas tambem daquelles póvos, q. opprimidos das injust.as, q. aquelles preversos homens lhe fazião, reccorrião ao Cabb.º Como Donatr.º daquelle Coutto por m.ce do S.r Rey Dom Sancho de gloriosa Memoria, E não So o d.º S.r Rey os defendeo daquelles Crueis vezinhos, Mas os Sr.es Reys Seus Sucçessores, de q. se ácham Snn.cas , e Cartas Aos Correg.es de Coimbra p.ª q. acudão ás vexações, q. os d.ºs Successivam.te lhes hião fazendo. q. este Odio vem sucçedendo de Pays em filhos, de filhos em Neptos té chegár a este; E assim Como este Odio Se estabeleçeo por geração, assim tambem a Malignid.e, e perversid.e de génios, e Soberba se foi Seguindo de huns em outros.
Que fazendo algumas pessoas fornos p.ª Cozerem o Seu pão Em suas cázas lhes tem o suppd.º entrado pellas portas Dentro aCompanhado de seus Criados, e valentes, e lhos derrubão, e desfazem; Como fizerão a Luiz de Faria da Figr.ª, Theotonio dos S.tos Pinhr.º, Antonio Ozorio todos homens de bom daquella terra; o q. obra Com o pretexto de ter provizão, e Snn.cas possessorias p.ª ter forno de poya Na Figr.ª tudo obtido em tempo em q. aquella terra, e povoassão não cheguaria a ter Cem vezinhos, Sendo q. hoje tem mais de Seis Centos, Sendo impossivel q. este augmento de povo Seja bem Servido Só Com o d.º forno, e fornálha, q. o pred.º pertende Conservár apezár de toda a povoassão em Notoria perda da Mesma, e de seu pão, damno, q. Sófrem por Não Serem espancados, e descompostos pello pred.º, e Seu f.º Pedro Jozé.
Que o pred.º Suppd.º acutilou Nas Logeas do P.e Cura Manoél Thomas Ao feitor de Fernando Maria Morador Na Cid.e de Coimbra, q. habitáva No lugár da Figr.ª por Nome MaNoel Ribr.º Brávo, q. No d.º Lugár tinha Logea de Comercio Correndo atras deste Com a espada Núa desde o Armazem, em q. estava quantid.e de peixe, té ás d.as Logeas, por o pred.º Feytor lhe Não dár fiadas humas arobas de pescadas Secas, q. lhe pedia.
Que o d.º Suppd.º foi a Caza de Caetano dos Sanfos do d.º Lugar da Figr.ª p.ª lhe dar, o quál Com medo p.ª Se Livrár Saltou de hua jeenella abayxo de q. ficou manco de ambos os pés, E assim vive.
Que Não querendo hu preto do P.e Jozé dos Reys consintir que o gado do Suppd.º andase em hua fazd.ª do referido Snr. do preto o d.º Suppd.º com hu. seu filho entrarão Na d.ª fazd.ª p.ª Mál tractarem o d.º preto, q. por fugir escapou de ser espancádo Com ármas, q. Levávão.
Que as Just.as daquelle Coutto de Tavarede todas temem, e tremem do Suppd.º, e de Seus Criados; por estes Não Só castigárem por obra, e palavra, Não Só ao q. lhe fázem Coymas a seus Comp.es, ou Caz.ros, ou outros Seus protegidos; Mas a quaesa.r q. lhe não obedecão, em quáisq.r Matr.as de Seu empenho; porq. Contra o Suppd.º, e Sua familia Se não administra Just.ª Naquelle Coutto em tanto
Que dando o Suppd.º huns Capítulos contra o Rendr.º do Cabb.º Exponente, e do Juis Executor do Mesmo Cabb.º No Supposto Nome do povo, e Cam.ra, Sendo V. Mag.e Servido Mandar q. o Correg.or de Coimbra o informá Se, Mandou o referido Correg.or chamar os off.es da d.ª Cam.ra de Tavarede p.ª q. asignassem os d.ºs Capítulos, os quáes Sendo Vistos pellos d.ºs off.es da referida Cam.ra disserão, q. taiz Capítulos Não fizerão, Nem Mandarão fazer, e q. o denominarem se feitos em Seu Nome, hera com falsid.e, como o hera a Narrativa dos mesmos, e q. por este Motivo os Não asignávão, do q. Sendo Sabedor o Suppd.º Mandou chamár os d.os off.es a sua Cáza, e os descompos, e ameassou, q. Se não asignasem os d.ºs Capítulos os havia de Moer Com hu. páo; E os pred.os off.es por se verem Livres das vexaçoens, q. o d.º Suppd.º Costuma executár com medo os asignarão. Sem embb.º do q. V. Mag.e informado da Verd.e pello d.º Correg.or foi Servido escuzár o requerm.to
Que he o Suppd.º de tão depravado Animo q. té aos Religiozos Franciscanos de S.to Ant.º do d.º Lugár da Figr.ª chegua a ferir a tirannia daquelle; porq. querendo, fundádo Na Sua Fidalguia, Se lhe faça tudo o q. pede, e Sucçedendo Lansár fóra do Serv.º daquella Communid.e o P.e Guardião della ao Barbr.º da mesma, por fáltas q. tinha feito, recorreo o d.º Barbr.º ao patrocínio do Suppd.º , e pedindo este Ao referido P.e Guardião o houvese de tornar a admitir; porq. lhe negou a d.ª graça Logo o Suppd.º o Ameassou q. lhe havia de tirár q.tas esmollas pudése, Como Com eff.º pratica impedindo-lhe pellos Meyos, q. pode excogitár os Sermoens daquellas freguezias Vezinhas, e outras mais esmóllas, q. Se lhe costumão dár.
Que o Suppd.º he costumado a proteger Facinorozos, e a injuriár os honrados; porq. andando hu. Franc.co de Olivr.ª do d.º Lugár da Figr.ª Omiziado por Crime de trayção, e Aleyvozia se refugiou p.ª o Caza do mesmo Suppd.º (com Exemplo deste proteger a outros mais delinquentes) E o d.º Suppd.º o acompanhou Com hua espada debayxo do braço te o d.º Lugár da Figr.ª, e cheguando ambos á porta do P.e Liborio (q. hera o offendido Com a d.ª trayção, e aLeyvozia) estiverão quietos m.to tempo olhando p.ª as janéllas, e Cázas do d.º P.e observando se Sahia p.ª o discomporem, Segundo Se entendeo.
Que o Suppd.º Nunca pagou a pessoa algua, q. o Servise Assim Com Couza fiáda, Como emprestada, e Se acázo Alguns Credores lhe pedem o q. lhe emprestárão, ou fiarão os descompoem espancando-os Com páo, ou vergálho, e ao pouco de palávra, e Se manda pedir algua. Couza fiáda E Se lhe não fia fás o Mesmo, Com o q. vivem aquelles povos tam opprimidos q. Ninguém he S.r de ter couza algua.Ao pé do Suppd.º; porq. tudo o q. lhe fás conta, fás Seu, tomando por forsa de pancádas o alheyo Se lho não dão, Não paguando tambem aos trabalhadores, q. o Servem.
Que Mandando o pred.º Suppd.º pedir a hu. Ingles chamádo Daniel humas pipas emprestadas; porq. este lhas não Emprestou, em rezão de lhe Serem necessr.as p.ª a Condução dos Seus vinhos p.ª o q. já as tinha postas Na práya p.ª Se embarcarem p.ª a d.ª Condução, o d.º Suppd.º Mandou Conduzir p.ª Sua Caza as de q. Necessitáva contra a vont.e do d.º Daniél Seu dono Sem Sua Çic.ª; Como tambem mandou Conduzir p.ª Sua Cása hua pouca de Madr.ª, e páos de grd.e preço, q. achou Nas d.as prayas da Figr.ª; Sendo a d.ª Madr.ª de hu. homem de Lx.ª de q. estáva entregue por Coomissão Luís da Costa do d.º Lugár da Figr.ª; E haverá dous annos Com pouca diferença Mandou o d.º Suppd.º pedir hua Carrada de Canas a hu. homem de Buárcos, e não Condescendendo este Com a p.am porq. as queria p.ª as suas Vinhas, o d.º Suppd.º Com absoluto poder Mandou os Seus Criados a fazenda do dº. homem, e q. della trouxessem as Canas; Como Com eff.º violentam.te trouxerão p.ª as vinhas do referido Suppd.º
Que tendo António Jozé de Saldanha de Aveyro huma Quinta chamada da Fonte Com huma Morada de Cazas de Sobrádo No Coutto de Tavarede, q. São de huma Capélla lhas demullio violentam.te o Suppd.º, e Se aproveitou de toda a pédra, telha, e Madr.as, E fes das Cazas, e Área dellas picadeyro de Cavállos, dmnificando os béns da Cappella, q. lhe Não pertençem, e andando os béns desta arendados por tres Moyos de Milho Annualm.te o d.º Suppd.º pello Odio, que tinha ao referido Antonio Jozé, fes com que Ninguem arendase a d.ª Quinta por Mais de Setenta alq.res de Milho; E alguns annos a fes ficár com menos renda por falta das d.as Cazas, q. herão Nobres, e tinhão acomodação p.ª os frutos, q. Agora Não tem.
Que ao Marchante João Lopes de Mayorca deve o Suppd.º quantid.e de dr.º de Váca, q. lhe fiou, e qd.º aquelle lhe pede a dívida o ameássa, e descompoem Com hu. vergalho chamando-lhe Nomes injuriozos; E todo o Marchante q. vay com Váca Ao Lugar da Figr.ª, ou há de dár vaca p.ª Caza do Suppd.º E de suas Amigas Sem osso, q. Nunca lhe pága, ou se algu. o Não fás hé descomposto Com páo, ou vergalho pello Suppd.º, ou sua familia.
(Album Figueirense - A mudança da Câmara de Tavarede para a Figueira)

domingo, 1 de novembro de 2009

Dia das Bruxas

Noticiaram, jornais e televisões, que ontem, 31 de Novembro, foi festejado em todo o Mundo o dia das Bruxas. Permito-me discordar. Em todo o Mundo... não, pois onde não ha Bruxas não houve comemorações, visto não haver que festejar. E Tavarede, a nossa querida Terra do Limonete, não tem Bruxas.
Mas, diga-se a verdade, já as teve... e das boas (ou, seja, das más!). Felizmente, desde 1927, não temos 'artigos' dessa espécie. Foram-se todas embora, na companhia do deus Mercúrio que, naquele já afastado ano, nos deu a elevada honra de visitar a nossa terra. E para que não julguem que estou a mentir (peço-lhes o favor de não duvidarem do nosso querido e saudoso Mestre José Ribeiro), vou transcrever pequenos retalhos da peça onde ele narrou aquela visita. Ora leiam:



Mercúrio - Sou Mercúrio - Deus do comércio e dos ladrões.

Sou o arteiro Deus Mercúrio
Dos Deuses o confidente;
E apesar de filho espúrio
Trago sempre a bolsa quente.

Coro - Ele é o deus da eloquência
Muito grato aos intrujões;
É mestre que tem a ciência
Do comércio e dos ladrões.

Mercúrio - Da mamã que era uma cróia,
Herdei prendas singulares;
E o papá, que é pai dos deuses,
Pôs-me asas nos calcanhares.

Às tias, manos e manas,
Que sabem que ando ligeiro,
Levo os recados e as cartas
Como bom alcoviteiro.

Coro - Tão astuto e tão prendado
Faz brejeiras op’rações,
Por isso é muito estimado
Dos lojistas e ladrões.

Tio Joaquim - Pois muito me conta. Efectivamente os jornais disseram que vossa senhoria passava perto da Terra. De modo que aproveitou a ocasião para nos fazer uma visita. Mas então vem assim vestido?

Mercúrio - É verdade. Chegou ao meu planeta a fama da grande fita dos badalos em Tavarede, e por isso vim vestido de máscara. Estamos no entrudo.
(Isto das fitas fica para outra vez)

Mercúrio - Se me não engano, estou na Terra do Limonete, não é verdade?

Tio Joaquim - Exacto. Terra de muita fama e de pouco proveito...

Mercúrio - E posso saber a quem tenho a honra de estar falando?

Tio Joaquim - Ao Tio Joaquim. É como todos me tratam: tio Joaquim. Cá na terra há mais Joaquins, mas Tio Joaquim há só um, que sou eu! É como lhe digo. Até os correios assim me conhecem. Os avisos da décima trazem só: Tio Joaquim - Tavarede. E cá vêm ter.

Mercúrio - É então pessoa de alta importância...

Tio Joaquim - Não é por me gabar, mas graças a Deus, sou, sim senhor. Abaixo do senhor Vigário, sou eu. Cá na Terra toda a gente me consulta, toda a gente quer saber a minha opinião, todos querem o meu conselho. Sou eu quem regula o amanho das terras da freguesia: “Oh João, aproveita esta estiada para a sementeira da leira da baixa. Ó Manel, trata-me da vinha, que se te vai embora se não lhe acodes c’o sulifate. Não te descuides c’os tomates, Zé da Estina, amarra-os se os queres ter grandes. Etc. etc. Eu é que digo o que se há-de semear neste crescente, eu é que aviso se vem chuva ou se temos bom tempo p’ró minguante.

Mercúrio - É o barómetro da freguesia.

Tio Joaquim - Lá isso de barómetro não sei o que é. Sou assim uma espécie de folhinha, de Borda d’Água. Dizem os jornais que agora na Itália o Massolini é que manda no trigo, ele é que diz se as terras hão-de dar muito ou pouco. Mal comparado, eu sou o Massolini da agricultura cá da terra. E às vezes não basta o conselho. É preciso obrar. E eu obro muitas vezes nas terras dos outros. Quem quer bons enxertos, vem ter comigo. Ninguém os faz melhor.

Mercúrio - Nessa idade?

Tio Joaquim - Sei mais disso que os novos, e ainda não me falta firmeza para abrir o golpe no cavalo e meter o garfo.

Mercúrio - Acredito.

Tio Joaquim - Se são precisos louvados para avaliações ou para partilhas vêm-me chamar; e nos compromissos de gado nada se faz sem mim. Não há curral de porcos em que eu não tenha entrado. Em questões de porcaria ninguém me leva a melhor.

Mercúrio - Vejo que fui muito feliz em aqui o encontrar. Ninguém melhor do que o Tio Joaquim poderá mostrar-me o que nesta aldeia há de notável. Uma terra velha como esta deve possuir curiosos e históricos monumentos. Se me não falha a memória, reza a história que quando Cristo andou pelo mundo já existia Tavarede.
Já acreditam na visita? Pois na altura existiam em Tavarede, como em qualquer outra parte, muitas bruxas. Faziam todo o mal possível. Vejamos:

Festeiro - E eu é que me vejo agora nestas aflições que até me fazem entesicar. Mas isto foi castigo. A freguesia, depois que cá veio a maldita da excomungada música do Troviscal, anda fora da graça de Deus. Até à igreja vão roubar o dinheiro que era para a festa!

Tio Joaquim - Oh homem! mas que tem a música do Troviscal com o roubo do dinheiro?

Festeiro - Ora essa! Pois tudo isto o que é senão castigo por ter tocado na terra uma música com as gaitas excomungadas?

Tio Joaquim - Sim, sim, tens razão, mas tu é que andas aí a consumir-te com essas ralações.

Festeiro - Isso é que me dói. Os outros é que as fazem e eu é que as pago. Mas quem seria! Quem seria o ladrão!

Tio Joaquim - (Tendo uma ideia) Ah! Já sei!

Festeiro - Já sabe?!

Tio Joaquim - Já sei quem foi o ladrão.

Festeiro - Mas diga lá, com trezentos milhões de... (arrependendo-se e benzendo-se) Nosso Senhor me perdoe.

Tio Joaquim - Foram as bruxas!

Festeiro - As bruxas!

Tio Joaquim - Pois se não foste tu, nem o João Bento, nem o Felisberto, nem o Joaquim e se mais ninguém entrou na Sacristia, quem é que havia de ser senão as bruxas?

Festeiro - Tem razão, tio Joaquim. As bruxas! Foram as bruxas, não há dúvida! E ainda há quem não queira crer que há bruxas. Foram elas.

Tio Joaquim - Pois claro que foram!

Festeiro - E eu que ainda me não tinha lembrado delas. Malditas! Até à igreja vão. Obrigado Tio Joaquim. Tirou-me da consciência um peso de vinte arrobas. Vou já dizer isso ao senhor Vigário. Até logo. (sai)

Mercúrio - Como é que as bruxas entraram na Sacristia sem ninguém ver, é o que eu não percebo.

Tio Joaquim - Ora essa! Entraram pelo buraco da fechadura da porta de trás, ou por alguma greta da janela.

Mercúrio - Essa agora! Então as bruxas são formigas para entrarem pelo buraco da fechadura?

Tio Joaquim - O senhor Mercúrio nunca viu as bruxas? Lá no seu Planeta não há bruxas?

Mercúrio - Não. Mas sei que Tavarede tem fama de ter muitas bruxas.

Tio Joaquim - Pois mal sabe Vossa Senhoria a praga de que está livre. Há lá nada pior que as bruxas! Coisas que por aí se vêem e que não se sabe quem as faz, já se sabe que é obra das bruxas. Em tomando uma pessoa à sua conta, dão cabo dela. E então fazem cada patifaria... Uma vez entraram no curral do Fadigas, montaram a cavalo num boi, e tanto lhe chuparam o sangue que o boi ficou que parecia um carneiro. Outra: O Zé Augusto foi para o Brasil e deixou cá a mulher. Voltou daí a quinze meses, e quando chegou a casa, a mulher tinha um filho. O rapaz quiz divorciar-se, mas por fim acomodou-se porque aquilo foi... tinham sido as bruxas. As bruxas! Ui! Que praga! E ladras?!... Nas fazendas, faltam batatas, aparecem roubados os couvais; e sabe quem é o ladrão? São as bruxas. Às vezes leio nos jornais: Um grande furto na ourivesaria tal. No Banco qualquer coisa verificou-se um desfalque de duzentos contos. Descobriu-se uma importante falsificação de notas. A polícia fez várias diligências sem resultado, mas espera descobrir os criminosos. (rindo) Ah! Ah! Ah! Pois sim, espera, vai esperando que hás-de descobrir boas coisas - penso cá com os meus botões -.

Mercúrio - E descobre?

Tio Joaquim - Isso sim! Como há-de descobri-los se os criminosos são as bruxas?! Tudo obra das bruxas, tudo bruxarias.

Mercúrio - Mas afinal o que são as bruxas?

Tio Joaquim - O que são? São mulheres, pois o que haviam de ser? Mulheres do diabo.

Mercúrio - Mas mulheres como as outras?

Tio Joaquim - Sim senhor. São mulheres que voam sem terem asas. À meia noite, untam-se com um óleo esquisito que têm dentro dum chavelho de carneiro, e pronto - voam por cima de toda a folha.

Mercúrio - Oh! É admirável! Mulheres a voar! Quero vê-las, Tio Joaquim; não abandonarei a Terra sem ver essas mulheres que cabem pelo buraco das fechaduras e que voam sem terem asas.

Tio Joaquim - Veja lá o que faz. Não brinque com coisas sérias!

Mercúrio - Quero vê-las, quero conhecê-las, quero levá-las para o meu Planeta. Bruxas, mulheres voadoras, vinde a Mercúrio!

Tio Joaquim - (Meio assustado) Não as chame, que podem aparecer... Não sabe com quem se mete.

Mercúrio - Bruxas de Tavarede, que chupais os bois, roubais as hortas e fazeis nascer meninos que não têm pai! Vinde a Mercúrio, mensageiro dos Deuses, Deus do comércio e dos ladrões! Voareis comigo! (Simultaneamente Tio Joaquim vai dizendo: Esteja calado, não chame por elas que podem aparecer!) Atirai fora o chavelho de carneiro. Untar-vos-eis com o meu óleo, que é o azougue, e voareis com as minhas asas, que são velozes como o pensamento. Voaremos, voaremos sempre, subireis comigo aos Céus. Bruxas de Tavarede, vinde a Mercúrio! (Aparecem as bruxas)

Tio Joaquim - (Benzendo-se) Padre, Filho, Espírito Santo! Valha-me a Santíssima Trindade!

Coro das Bruxas - A nossa alegre,
Risonha vida
É agradável,
É divertida:
Sobre os telhados
Voar, voar;
E numa eira
Dançar, dançar...

Neste baile do Sabá
De bruxas e diabitos,
Haja risadas macabras,
Haja uivos, haja gritos,

Haja guinchos de vampiros,
Do morcego e da serpente,
Em homenagem infernal
A Satan omnipotente.

A nossa alegre
Risonha vida
É agradável,
É divertida:
Sobre os telhados
Voar, voar;
E numa eira
Dançar, dançar...

Mercúrio - Lindas bruxas,
Lindas bruxas feiticeiras!
Dou-vos as minhas asas
E voareis sem mais canseiras!...

Bruxas - Somos as bruxas
Sempre a girar,
Corremos mundo
Sempre a voar.
Se nos apraz
E dá na bolha,
Vamos por cima
De toda a folha.

E lá se foram todas, com o deus Mercúrio, para nunca mais voltarem. Fazem cá falta? Isso não sei responder. Talvez algum dos meus caros leitores, se por acaso os tiver, saibam alguma coisa sobre o assunto. E se souberem, informem-me, por favor.

(Retirado da peça: 'Retalhos e Fitas - 1927"

sábado, 31 de outubro de 2009

José Nunes Medina

Nasceu em Tavarede, em 26 de Janeiro de 1901, filho de António Medina e de Otília Nunes do Espírito Santo.
Casou, em Novembro de 1922, com Helena de Figueiredo, que foi dedicada amadora do grupo dramático da Sociedade de Instrução Tavaredense, (ver nota) de quem teve uma filha, Maria Otília.
Foi empregado nos escritórios da Companhia dos Caminhos de Ferro, reformando-se em 1961.
Desde muito novo que, seguindo o exemplo familiar, se dedicou, activamente, ao associativismo local. A sua vocação para a música revelou-se muito cedo. Fez parte da tuna do Grupo Musical e, com a idade de 20 anos, foi seu regente. Escreveu inúmeros números musicais, havendo uma notícia que refere que a tuna, sob sua direcção, “executou um vasto programa de sua autoria”.
Certamente motivado pelo facto de sua mulher pertencer ao grupo da Sociedade de Instrução, também passou a dar a sua valiosa colaboração a esta colectividade, muito em especial no ensaio dos coros das peças musicadas e do orfeão que foi criado para actuação pelas “bodas de prata” em 1929.
Como amador dramático, só encontrámos registo da sua participação, em 1925, na opereta Entre duas Ave-Marias, no papel de Morgado d’Arrifana.
Após a extinção da tuna, no ano de 1938, continuou a sua actividade como professor de música e, em 1940, fundou no Grupo Musical, o célebre conjunto “Lúcia-Lima-Jazz”, do qual foi director durante alguns anos, além de executante de saxofone.
Naquele tempo, as aparelhagens sonoras eram um luxo a que só tinham acesso os grupos musicais mais endinheirados. No “Lúcia-Lima”, os números cantados eram-no feito por quase todos os componentes, pois não havia solista. Usavam, então, uma espécie de “funil”, feito em cartolina cor de rosa!
“… agora, que se encontra livre das suas preocupações quotidianas de funcionário, imenso prazer sentiríamos se José Medina, que é possuidor duma alma verdadeiramente artística, dedicasse uma pequena parte do tempo de que dispõe, à cultura da sublime arte que é a música. Quer compondo, quer educando os nossos conterrâneos, servindo as duas colectividades recreativas locais, que bem necessitam da sua preciosa colaboração, como, aliás, por várias vezes lhe tem prestado.
… distinto músico, devem-lhe as actividades culturais e artísticas de Tavarede, serviços que não podem ser esquecidos e que muito nos apraz evocar neste momento em que, ainda cheio de vitalidade, entra no gozo de merecida reforma”.
A Sociedade de Instrução nomeou-o sócio honorário em 1962, distinção com que igualmente havia sido galardoado pelo Grupo Musical.
Era um verdadeiro “aficionado” pelos grupos corais. Reunião de confraternização em que estivesse presente, era certo que a mesma não terminaria sem que José Medina, de pé sobre um banco ou uma cadeira, estendesse os braços a reger o improvisado orfeão. Algumas vezes, notando a falta de um ou dois elementos que ele considerava indispensáveis, ia mesmo chamá-los a casa, esquecendo-se das horas e ainda que eles já estivessem deitados, “obrigava-os” a levantar e ir com ele para a reunião. Tocava diversos instrumentos, mas era um gosto, aos domingos de manhã, ouvi-lo tocar flauta, acompanhando sua mulher Helena, que cantava os mais lindos números do teatro, ou da autoria de seu marido, enquanto costurava.
Pertenceu ao grupo “Os Inseparáveis”, que reunia, em confraternização, todos os dias 1 de Maio. Igualmente era um dos mais entusiastas pelas festas do S. João de Tavarede, de que algumas vezes foi mordomo.

O Grupo Musical prestou-lhe homenagem em 1992, “… musicólogo de mérito, que deixou bem vincado, junto de várias gerações, o seu talento e as suas qualidades de cidadão íntegro…”, tendo sido descerrado o seu retrato, que se encontra exposto no salão da colectividade.
Também a Junta de Freguesia de Tavarede o perpetuou, atribuindo o seu nome à rua que vai do Largo da Igreja à Chã.
Morreu em Tavarede no dia 25 de Outubro de 1984.

Fotos: 1ª. Uma das suas últimas fotografias; 2ª. Pormenor do quadro 'Ensaio', de Alberto Lacerda; 3ª. No 2º aniversário do 'LúciaLima Jazz'; e 4ª. Regendo o orfeão de 'Os Inseparáveis'.

Caderno: Tavaredenses com história

Sociedade de Instrução Tavaredense - 1

Como sabemos, a Sociedade de Instrução Tavaredense foi fundada no dia 15 de Janeiro de 1904. A primeira informação que recolhemos na imprensa figueirense, foi no dia 31 de Janeiro daquele ano, que diz: Alguns rapazes d’aqui acabam de organisar uma associação que tem por fim derramar a instrucção pelos seus associados e filhos d’estes.
Como já conta grande numero de socios e bastantes elementos, tencionam fundar brevemente uma caixa economica.
Os fundadores de tão prestavel associação estão animados da melhor vontade.
Por certo não faltará quem os auxilie, jàmais n’uma obra tão digna d’apoio.
Não desanimem, pois que ainda podem recuperar o tempo perdido em coisas sem resultado para o seu desenvolvimento intellectual, que é do que todos os homens devem tratar nas suas horas d’ocio
.
No seu livro "50 Anos ao Serviço do Povo", Mestre José Ribeiro escreve: Nasceu a Sociedade de Instrução Tavaredense, como vimos pela acta da fundação, a 15 de Janeiro de 1904. A iniciativa foi recebida com aplauso e secundada com entusiasmo. Logo as pessoas mais em destaque da localidade lhe prestaram apoio, e aos 14 sócios fundadores outros se juntaram.
Acho oportuno fazer um comentário sobre este assunto. Um documento (uma folha de papel de 25 linhas) que foi encontrado, entre os velhos papéis, na biblioteca da colectividade, datado de Julho ou Agosto de 1903, encabeçado pela informação que se tratava da recolha de assinaturas para a fundação de uma nova sociedade de instrução, contém 47 (salvo erro) assinaturas. Este documento encontra-se encaixilhado e pode ser consultado na colectividade. Na verdade, as primeiras 14 assinaturas são as que constam da acta da fundação, tendo, por sinal, um dos nomes iniciais sido riscado e trocado por um outro que se encontrava muito para baixo.
Assim, é de perguntar: A Sociedade de Instrução Tavaredense foi fundada pelos 14 subscritores da acta ou pelo total daqueles assinantes, que terão delegado neles para efeitos da legalização notarial? Para nós, e respeitando opinião contrária, os fundadores da colectividade deverão ser considerados todos os que assinaram aquele documento inicial.
Como também sabemos, a primeira preocupação foi a escola nocturna. Por interessante, vou inserir uma notícia que a Gazeta da Figueira publicou a 13 de Fevereiro de 1904, sob o título 'Instrução em Tavarede'.
Não nos cançaremos de louvar a iniciativa dos rapazes que tentaram este emprehendimento. Applaudimol-a com o ardor d’um coração de quem sempre tem pugnado pelo derramamento da instrucção e que nunca deixará de o fazer. É que um homem instruido, de sentimentos nobres, generosos, pode ser um cidadão prestavel á sociedade, á sua patria, e vale bem por uma legião d’analphabetos. E, quasi sempre, a instrucção é a única mensageira que pode levar ao homem a verdadeira felicidade.
Um pequeno exemplo:
N’uma escola de Tavarede ensinámos algum tempo um petiz, de quem, a falar a verdade, não conhecemos os paes. Emquanto elle frequentou a aula, talvez porque seguisse os bons conselhos que ali lhe davam, tinha um comportamento exemplar, caprichava em apparecer de vestuario e cara lavada, cabeça limpa, etc. Se o encontravamos pela rua, não deixava nunca de nos fazer o seu amavel cumprimento. E nós gostavamos d’aquillo – não por vaidade – mas porque notavamos que o rapazito sabia cumprir com os seus deveres de bom discipulo e porque ia comprehendendo já as regras da boa civilidade.
Certo dia deixou elle de apparecer na escola.
Mais tarde encontrámol-o n’uma estrada. Mal o conhecemos; e elle tambem já não nos fez aquelle antigo cumprimento... Passou... em trajo desprezivel, uma perna da calça arregaçada, ponta de cigarro ao canto da bocca e de boné ás tres pancadas, deixando entrevêr uma guedelha que por certo não andaria limpa...
Eis, bem synthetisado, n’um simples exemplo – e há tantos como este! – o valor d’uma escola, e o valor dos homens que ella pode educar para a vida, para a sociedade.
O rapazito de quem lhes falo, abandonando a escola e não tendo paes que o obrigassem a ir lá, passou em pouco tempo por aquella transformação. E se não vier a ser um ladrão ou um assassino, ou se se entregar mesmo a um trabalho rude, vem, no emtanto, a ser um ignorante e por assim dizer um desgraçado!
...
E em Setembro de 1904 começaram os ensaios para a nova época teatral, a primeira da jovem colectividade, que se iniciava em Novembro, prolongando-se até finais de Maio do ano seguinte. Sob a direcção de João dos Santos, o grupo dramático fez a sua estreia no dia 3 de Novembro do mesmo ano, um sábado. “Além de várias cançonetas, vão à cena as comédias “Os Medrosos”, “Páscoa e Quaresma” e “Livrem-se lá desta!...” e o entreacto cómico “Quarto com duas camas”.
Dias antes fizera-se a experiência da iluminação a gás de acetilene, que substituiu os tradicionais candieiros a petróleo, obtendo-se magníficos resultados. E a mesma notícia conclui “dizem-nos que a orquestra se compõe de numerosos e bons executantes. Tudo faz prever uma festa brilhantíssima e a que só é dado assistir os associados e suas famílias”.
Em Janeiro de 1905, realizou-se a primeira Assembleia Geral. Porque pormenoriza e contém dados curiosos, aqui transcrevemos uma notícia datada de 19 de Janeiro: “
Passou no domingo, 15, o 1º. aniversário da fundação da Sociedade de Instrução Tavaredense. Por este motivo conservou-se durante o dia embandeirada a fachada do edifício onde se acha instalada tão benemérita colectividade, e à noite, reunida a Assembleia Geral, foram presentes as contas do ano findo. Por elas se vê que a direcção, apesar das avultadas despesas que fez com a instalação das aulas, gabinete de leitura, etc., administrou com tanta economia que ainda passa ao ano futuro um saldo de 35$080 reis.
Procedeu-se em seguida à eleição dos corpos gerentes que ficaram assim constituidos: Assembleia Geral – Presidente, Manuel Jorge Cruz; Vice-Presidente, João Migueis Fadigas; 1º. Secretário, Manuel Lopes de Oliveira; 2º. Dito, António da Silva Coelho. Direcção – Presidente, Fradique Baptista Loureiro; Vice-Presidente, José Luís Mota; 1º. Secretário, José Maria Cordeiro Júnior; 2º. Dito, César da Silva Cascão; Tesoureiro, António Luís Mota; Vogais, Manuel dos Santos Vargas e João Jorge da Silva; Substitutos, Manuel Fernandes Júnior, António Jorge da Silva, José Fernandes Serra, João de Oliveira e António Medina. Conselho Fiscal – Manuel Nunes de Oliveira, Joaquim Saraiva e Saul Gaspar de Figueiredo.
Pelo sr. José Rodrigues da Fonseca foi proposto um voto de louvor à direcção cessante, sendo unânimemente aprovado pela assembleia.
De todas as agremiações que em Tavarede se têm fundado, é esta, incontestavelmente, a que conta com melhores elementos de vida. Pelo seu estado florescente, pelo aumento sucessivo de associados e sobretudo pelo fim altruísta para que foi criada, previmos um largo futuro a esta colectividade, sustentada por homens dotados dos melhores sentimentos e que desejam unicamente elevar a sua terra, não se poupando a fadigas e despesas para conseguirem – derramar a instrução e afastar da taberna muitos daqueles que ali procurariam o seu passatempo em libações e jogatinas perigosas.
Quem entra naquele santuário, à noite, fica surpreendido pela bela disposição de todas as dependências: numa sala a aula de alunos menores, em grande número; noutra a aula de maiores, infelizmente menos frequentada; noutra, gabinete de leitura; noutra, exercícios de música, e no tablado cultiva-se a arte de Talma.
Na melhor ordem, respeito e alegremente, todos trabalham.
Dentre as trinta e cinco crianças que se encontram todas as noites postadas às suas carteiras, destacam-se duas vestidas de preto. São orfãos. O pai, um bom exemplo de trabalhador, morreu há pouco tempo na enxerga dum hospital, deixando a sua numerosa prole na mais extrema pobreza. Faltou-lhes o pai, mas lá está a Santa Caridade abrigando-os sob o seu manto. Com o maior carinho e boa vontade, ali lhes ministram a instrução que carecem.
Muito haveria que dizer acerca desta instituição, mas ficaremos hoje por aqui, fazendo votos para que a benemérita Sociedade de Instrução Tavaredense prossiga desassombradamente no honroso caminho que encetou, e não lhes faltará o apoio de todos os que amam o desenvolvimento da instrução pelas classes desprotegidas.”
E no dia 5 de Fevereiro, foi o evento comemorado com um espectáculo que “... começou com a distribuição de prémios a dez alunos que mais se distinguiram pelo seu aproveitamento nas aulas nocturnas durante o ano findo. Os prémios conferidos constavam de livros instrutivos e aos alunos extremamente pobres foram dados vestuários. Não podemos descrever a impressão que este acto causou a todos os espectadores presentes, especialmente quando foram apresentadas as crianças orfãs e pobrezitas. Vimos as lágrimas deslizarem pelas faces de muitas pessoas”
O programa completou-se com a representação das seguintes peças: “O casamento da Grã-Duquesa”, opereta em 1 acto; “Dó-Ré-Mi”, terceto; “Desabafos do Zé Leiteiro”, cena cómica; “O espinho”, monólogo; e ainda as comédias em 1 acto, cada, “Dois estudantes no prego” e “Milagre de Santo António”. As notícias referem que tudo estava muito bem posto em cena e o desempenho de todos os amadores foi magnífico. “A música, composição do sr. João Prôa, é lindíssima, muito adequada e a sua execução, pela orquestra regida pelo mesmo senhor, foi magistral”.
Foi desta forma que se iniciou a acção beneficente da Sociedade de Instrução Tavaredense, com especial incidência nos alunos da sua escola nocturna mais carenciados. O saldo passado à nova gerência, no montante de 35$080 reis, resultou duma receita de 63$140 reis e uma despesa de 28$060. São valores que, agora, nos parecem insignificantes. Mas não o eram, na realidade, pelo menos num meio tão pobre como Tavarede. A quota mensal, estabelecida na acta da fundação, era de cento e vinte reis. Pois, mesmo este valor, em breve se mostrou demasiado elevado para muitos dos tavaredenses, que lutavam, diariamente, com mil e uma dificuldades económicas. Não tardou muito a surgirem os primeiros “riscados” por falta de pagamento!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dia de Finados

Hoje, e dada a proximidade desta data, vou recordar o Dia de Finados. Antigamente era neste dia que se faziam as visitas ao cemitério para enfeitar e iluminar as campas dos entes queridos que haviam partido para a 'tal viagem' de que se não volta. E, para melhor o fazer, vou transcrever a notícia que um correspondente local enviou para a 'Gazeta da Figueira', em Novembro de 1900.

Sexta-feira, 2 – dia de finados. Dia triste, cheio de luto e de recordações saudosas d’aquelles que seguiram o eterno destino e deixaram despedaçado o coração dos que em vida os idolatravam.
Em todas as almas bem formadas de nobres sentimentos, em todos os corações generosos e estremecidos, se sente n’este dia a commoção ardente d’uma magua inolvidavel, d’uma magua que em muitos se traduz n’um copioso pranto de lagrimas, derramadas á beira dos tumulos dos seus desditosos mortos!...
A nossa Egreja transborda hoje de fieis que oram fervorosamente; do campanario os sinos tangem lugubremente esses funereos signaes que nos ferem o coração; aos cemiterios vae uma piedosa romagem depôr flôres sobre as campas dos entes queridos que se choram e que jámais tornarão a ver-se...
E assim se commemora o dia de finados, assim se celebra a data em que o kalendario recorda a memoria dos que á Vida foram poderosamente arrebatados pela implacavel Morte!...
Repousai em paz!

E vem a propósito lembrar que a capela do cemitério da paróquia também tem alguma história.
Vejamos uma notícia de Novembro do mesmo ano (1990):

Acabamos de saber que alguns parochianos d’esta freguezia se vão aggregar em commissão para colher dos habitantes da mesma freguezia donativos sufficientes para o acabamento interior da capella do nosso cemiterio, mandada edificar pela junta de parochia presidida pelo saudoso e benemerito cidadão sr. João José da Costa.
Foi este mallogrado cavalheiro quem teve a louvavel ideia de se mandar ali construir aquella capella, com o proposito de n’ella ser collocada a veneranda imagem do Senhor d’Arieira, e de servir tambem para lá installar o Santissimo Sacramento e as imagens que se vêem na egreja, quando por qualquer motivo isso fosse necessario.
A commissão a que nos referimos vae officiar à junta de parochia, a fim de esta conceder auctorisação para levar a cabo os seus honrosos intentos, visto ella não ter até hoje, passados que são uns poucos d’annos depois da morte do iniciador da construcção da capella o sr. João José da Costa, conseguido lançar nos seus orçamentos uma pequena verba destinada a acabar tão util obra, começada por um homem a quem se deviam acatar e respeitar as intenções.
Honra seja, portanto, àquelles que vão concluir a capella, e oxalá que todas as pessoas d’esta freguezia contribuam para tal fim.
Agora ha uma coisa séria a resolver e de que a mesma commissão vae tratar, que é de averiguar a forma como a imagem do Senhor d’Arieira, dada a Tavarede pelos proprietarios da extincta capella d’aquelle nome, foi ter à casa de deposito do cemiterio occidental d’essa cidade, sem que, segundo o que ouvimos, fosse auctorisado para o fazer qualquer dos membros da junta.
Eis um assumpto que aqui tem levantado grande celeuma, porque não só a imagem representa para os parochianos de Tavarede um grande valor, mas tambem porque estava destinada a occupar um logar determinado por um homem cuja memoria é sempre invocada com todo o respeito.
E, francamente, tambem não admittimos que a junta de parochia ou algum dos seus membros possa assim fazer, leviana e inconscientemente, offerta d’uma imagem d’aquellas, como se fôra uma coisa sem valor e que de direito não pertencesse à nossa freguezia, que é como quem diz aos tavaredenses.
Será bom que este caso se deslinde por homens que prezam os interesses e haveres da sua terra, e que não querem deixar-se lograr por quem não tem escrupulo em praticar actos tão melindrosos.

Sobre a imagem do Senhor da Areeira, encontrei uma notícia bastante mais recente, creio que na década de 1930/40, onde se referia que a imagem em questão, que, como lemos acima, estava guardada na capela do cemitério Ocidental da Figueira, para onde teria enviada, se iria procurar que se fizesse a sua devolução. Não me recordo, no entanto, de encontrar mais notícias deste assunto. Presumo que esta imagem está presentemente no Museu Municipal Dr. Santos Rocha mas, confesso, nunca procurei saber.
Ao fundo a capela do cemitério de Tavarede. Esta foto foi tirada por ocasião de uma homenagem à saudosa amadora Violinda Medina e Silva.