segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Grupo Musical e de Instrução Tavaredense - 12

_ Em Novembro, novamente houve uma deslocação a Montemor-o-Velho, desta vez com as peças “As pegas de toiros”, “Medicomania” e a “Herança do 103”;

_ E, finalmente, em Dezembro, na sua sede, mais uma estreia. Foi apresentada a comédia “Sempre o mesmo tio Torcato”, com interpretação de Violinda Medina, Helena Gomes, José Medina, Adriano Silva, José Francisco da Silva e José Augusto Mota.

No ano seguinte, 1926, em Janeiro, o Grupo Musical fez deslocar o seu grupo cénico à Figueirense, para apresentação das comédias “As pegas de toiros”, “Sempre o mesmo tio Torcato”, e a opereta “A herança do 103”. No mês seguinte, ainda naquela mesma sala da Figueira, novo espectáculo com as comédias “As duas gatas”, “O Senhor” e “Os gagos”.

Em Junho de 1926, mais uma deslocação e mais um triunfo. Foi a Santo Varão. Aqui deixo, igualmente, a notícia.

“Uma parte da secção dramática do próspero e florescente Grupo Musical e de Instrução Tavaredense foi no pretérito domingo a Santo Varão, suburbios de Formoselha, realizar um espectáculo com as conhecidas peças do seu vasto repertório - Erro Judicial e Cada Doido...
Da representação das peças devo dizer, em abono da verdade, que se salientaram os amadores António Medina, José Medina, José Silva, etc., não esquecendo o soberbo trabalho do seu ensaiador, o nosso amigo António Medina Júnior e de sua irmã D. Violinda Medina e Silva, que mais uma vez receberam d’uma plateia fina e delicada, aplausos particulares e sinceros, de que, aliaz, são bem dignos, pois nada mais do que eles fazem se pode exigir a amadores de teatro. Que nos desculpem ferir-lhes a sua modéstia, mas isto é a verdade.
Uma orquestra do mesmo Grupo, sob a direcção de António Ferreira Jerónimo, elemento distinto do mesmo, abrilhantou o espectáculo, ouvindo-se fortes aplausos.
Isto é o menos para a minha pretenção. Agora, o mais, o que não pode nem deve ficar no tinteiro, é a expressão sincera dos meus parabéns ao povo de Santo Varão, pela forma bizarramente bela e acolhedora com que recebeu os rapazes de Tavarede.
Sim, senhores!
Assim é que se chama fazer estreitamento de amizades. Assim é que se chama receber bem um hóspede. Enfim: a isto é que se chama a verdadeira confraternização de povos.
Há tempos deu-se a verdadeira antítese numa outra terra onde o Grupo também foi, para o mesmo fim, terra essa que é o berço de dois dos principais elementos do mesmo grupo...
E esses elementos - devo frizá-lo - são geralmente estimados nessa terra...
Mas... cada terra com seu uso e...

* * * * *

Logo de manhã, os amigos António Ferreira Jerónimo e José Silva conseguiram, da benevolência de Manuel Martinho Júnior, o empréstimo do seu barco, no qual “navegaram”, além destes, Manuel Fé Varela, António Ferreira, António Ferreira Menano e Francisco José Ferreira Menano Júnior, que conseguiram pescar na enorme vala que vae desaguar no rio Mondego, entre Santo Varão e Formoselha, incontestavelmente um dos pontos mais belos do lugar, uma suculenta dose de peixe, da qual foi feita uma caldeirada para os Tavaredenses, pelo sr. Luiz Fé Varela, que é autentico culinário no género.


Promoveram-se vários passeios fluviaes na poética vala, passeios esses que ficarão bem gravados no mais recondido de todos os rapazes de Tavarede, que não havia maneira de sairem dos barquinhos frágeis que com eles deslizaram dôcemente sobre a quietude das aguas, onde se reflectiam os esguios choupos e os frondosos salgueiros, que proporcionavam agradáveis túneis de verdura onde se gozava a frescura d’uma sombra agradabilissima e benéfica...
Os rouxinois, os pintassilgos, os melros e tantos outros passarinhos, que tinham escondido seus ninhos nas hastes ramalhudas das arvores que ladeiam a fresca vala onde se realizou o passeio fluvial, timbram em seus gorgeios despreocupados e alegres, regalando-nos os ouvidos e enebriando-nos a alma...
Quem pudesse traduzir por palavras aquilo que de agradável e poético nos foi dado gosar em Santo Varão...


Muitos Tavaredenses, como Medina Júnior, João d’Oliveira, Adriano e José Silva, José M. Gomes, Manuel Nogueira e Silva, Pedro e Jorge Medina, Manuel Cordeiro, etc., etc., não esquecendo as srªs. D.D. Guilhermina Cordeiro, Violinda Medina e Silva, Emília Pedrosa Medina, Laura Ramos Ferreira, etc., etc., só abandonaram a “flotilha” quando a noite começou por lançar seu manto nêgro sôbre os sanguíneos raios de sol de um dia que tombava, depois de imensa felicidade espiritual para quem, como os tavaredenses, sabe gozar um pouco das belêsas naturaes, com que a natureza fadou a terra!”.

Refiro que a maior parte destes espectáculos se destinavam à angariação de fundos, a favor da aquisição da sede e custo dispendido com as obras realizadas. Como simples curiosidade, anoto que o preço dos bilhetes para os espectáculos na sua sede, para sócios e familiares, era de um escudo, para balcão, cadeiras e superior, e cinquenta centavos, para a geral. Nos bailes e “matinées” dançantes era mais caro, pois custava cada entrada um escudo e cinquenta centavos.

Com o mesmo fim, nas festas ao São João, na nossa terra, e naquele ano de 1926, foram montadas barracas em diversos locais, com vários divertimentos e nas quais colocaram tabuletas com a seguinte inscrição: “Para as escolas do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense”.

Ainda antes de passarmos à nova festa, que teve lugar em Dezembro de 1926, para as comemorações do 15º. aniversário, não quero deixar de transcrever uma reportagem, publicada no jornal “O Figueirense”, em que se comenta a intensa actividade da colectividade.

“ Um director do florescente Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense, colectividade que em Tavarede - a vizinha e pitoresca aldeia que de todas as freguezias do concelho está em mais intimo contacto com a Figueira - vive com muito trabalho e sacrifício, do povo e para o povo, mas mais para o povo, do que de êle, convidou-nos há dias para uma vizita, á noite, à séde da colectividade da qual é um devotado amigo.
Com franqueza, assim com estas noites, em que os diques angelicais primam em converter num “pinto” um pobre mortal que não tenha a dita de possuir uma rica “impermeàvel”, tal proposta não veio muito a tempo...
Mas, por consideração para com o nosso amigo e ainda pela insistente maneira como nos pediu, lá fomos há dias a Tavarede, a vizitar as aulas nocturnas, que sob a direcção de dois sócios, funcionam no Grupo Musical e d’Instrução.
A nossa alma atingiu o cumulo da satisfação: - por chegarmos e regressarmos de Tavarede sem apanharmos gôta de água, e mais ainda por, ao ingressarmos naquela colectividade, depararmos com uma chusma de crianças, rapazes e raparigas, alguns já adultos, a receberem a luz sublime da Instrução.
N’uma ampla sala, toda claridade, toda higiéne e de cujas parêdes pendem retratos vários, entre os quáis o da insinuante figura do imortal maestro figueirense David Souza, em tamanho natural, rodeiam umas mezas grandes algumas dezenas de alunos. São filhos de sócios e muito principalmente filhos de não sócios. São, emfim, tavaredenses que procuram uma escola competente onde possam aprender á noite o que de dia se lhes torna impossível fazer. É seu professor o António Lopes, ajudante de António Victor Guerra, que por motivo dos seus muitos afazeres ainda não poude ir exercer as funções do seu cargo.
É a aula nº. 2, em que os alunos recebem as antigas regras da instrucção primária (1º. e 2º. graus) e algumas explicações de francês.
Mais adiante, outra sala, a nº. 1, em que uns 20 meúdos aprendem, pelo método João de Deus, as primeiras letras, tendo por professor o José Francisco da Silva.
Em face da grande amizade que nos prende ao nosso apresentante, tivémos a liberdade de lhe fazer esta pergunta:
- Porque motivo não substitúem as mezas por carteiras?
- Pela razão absolutamente natural de que nós não temos verba para as mandar fazer. Vivemos com muitas dificuldades, meu amigo, andamos uma duzia e meia de sócios mais devotados a trabalhar pela vida do meu Grupo. Não ignora que no verão temos dado espectaculos por Brenha, Maiorca, Montemór, que fizémos ultimamente uma excursão á Marinha Grande, onde démos tambem dois espectaculos, cujo produto foi muito favoravel ás nossas necessidades.
- E o Grupo pagou todas as despezas dos excursionistas?
- Não, meu amigo. Cada um tomou de sua conta as despezas de comboio e hospedagem. De contrário, não merecia a pêna pensarmos em mais excursões...
- Essa acção é meritória - retorquimos. E porque não trabalham assim os restantes sócios em quem vejam algum aproveitamento para o teatro ou para a musica? Pois se a casa do Grupo é de todos...
- A essa pergunta só eles podiam responder...
- Mas isso não se compreende. Sacrificio mútuo é que é necessário para a vossa obra. Caso contrário, o desânimo apodéra-se, mais dia, menos dia, daqueles que trabalham, dos verdadeiros caminheiros do progresso desta colectividade, e os resultados serão verdadeiramente desagradaveis para ela.
- Não. Não é bem assim. Não vê que nós, no nosso livro de actas, temos uma proposta dum sócio que foi unanimemente aprovada e que é para os que de qualquer fórma trabalham um incitamento a um melhor esforço, a uma melhor boa-vontade para o fazerem?
- ?
- Consta d’isto: - Há por exemplo um grupo de 12 homens que dá um espectaculo ou que toca num rancho. Rende êsse trabalho uma determinada importância, que é dividida por todos êles. Em essas quotas partes atingindo a soma de 50$00 escudos, cada um dêsses homens tem direito a uma acção do Grupo. Assim, posso afoitamente dizer-lhe, que por este processo só não tem acções todo aquêle que não quer trabalhar. Esses não são considerados amigos do Grupo.
- É realmente boa, essa iniciativa. Cada um que trabalha, gósta sempre de vêr uma justa recompensa.
- Já vê, pois, o meu amigo, que para sustentarmos o bom funcionamento das nossas escolas, ou antes, da nossa colectividade, não é a insignificância das quotas, apenas de 1 escudo mensal...”

Terminada a pequena palestra o nosso amigo conduziu-nos ainda á aula de musica, onde Antonio d’Oliveira Cordeiro dava lições a alguns alunos.
Entrámos na plateia, onde 5 plafons expargiam luz electrica a jôrros, e vimos no palco os velhos amigos do Grupo Musical - Zé e Antonio Medina - rodeados de filhos e de mais alguns elementos da parte dramática. Ensaiavam uma peça para breve levarem á scena.
Em conclusão. Tudo ali trabalhava, desde o João d’Oliveira, na Direcção até ao mais humilde dos amadores scenicos, tudo no Grupo Musical trabalhava em pról do mesmo e da instrução do povo.
Tavarede, assim, colóca-se bem. Ou antes, colóca-se melhor. Bem vista, já toda a gente sabe que ela está. E devido a quê? Positivamente aos esforços, á persistente inergia dos seus filhos mais intimos - dos seus filhos mais apaixonados e mais bairristas!
Retirámos de Tavarede belamente impressionados com a nossa visita ao Grupo Musical, de quem ouviamos falar, de quem nos falavam tantos amigos - mas de quem nunca fizémos ideia fôsse aquilo que justamente é: - uma colectividade filantrópica e benemérita, uma colectividade, verdadeiramente útil e simpática, que honra e enobrece cada vez mais a linda e encantadora terra do Limonete.
E é precisamente para colectividades como o Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense que os nossos govêrnos deviam olhar...
Quantas e quantas escolas primárias ha por êsse país fóra, com professores só para receberem as respectivas mensalidades, que não apresentam um terço da obra do Grupo Musical, que vive só á custa daquêles que de dia trabalham na oficina e á noite na Associação?
Quantos?
Que nos respondam aquêles que de vez em quando apregôam moralidade, Instrução e... principio associativo... “.

Fotos: 1 - António Oliveira Cordeiro; 2 - Emília Pedrosa Medina; 3 - Adriano Augusto Silva

Sociedade de Instrução Tavaredense - 16



Voltaremos a falar sobre “O Sonho do Cavador”. Com várias reposições, a última das quais em 1987, recebeu diversas alterações ao texto inicial, tendo nós encontrado quatro versões, muito embora nelas sempre se tenha mantido a linha base inicial.
Uma notícia de Junho de 1928, dá-nos conhecimento de que se realizou na Sociedade “uma interessantíssima sessão, na qual foi passada uma fita contendo mais de 100 fotografias de tipos e cenas de O Sonho do Cavador, projectadas, com admirável nitidez, num écran especial”.
A este propósito, informamos que se tratou de um trabalho do fundador e proprietário da Casa Havanesa, então situada ao Cais da Alfândega, na Figueira. Bem gostariamos de ver estas fotografias, mas, até hoje, ainda não as conseguimos localizar, não sabendo, aliás, se ainda existem. Por uma outra notícia, sabemos que estas fotografias, ou parte, estiveram, depois, expostas nas montras de vários estabelecimentos, sendo muito admiradas, pois “algumas das fotografias expostas, são perfeitas e honram a secção fotográfica da Casa Havanesa, onde foram executadas”.
Pelo aniversário comemorativo do 24º ano da fundação, em Janeiro de 1928, um grupo de amigos da colectividade, que se haviam autodenominado de “Grupo dos Dez Fixes”, fez integrar no programa um almoço, “servido em três grandes mesas, no palco”, a 50 crianças da freguesia. E na sessão solene foram descerrados dois retratos.





Coube ao dr. Manuel Gomes Cruz fazer o elogio e apresentação dos homenageados. “As suas primeiras palavras são de felicitação para a colectividade a que se honra de pertencer, e cujos serviços à educação do povo de Tavarede põe em relevo. Alude à homenagem que acabava de ser prestada, mostrando como a Sociedade de Instrução sabe manifestar a sua gratidão aos que a ajudam na sua nobre missão. António Simões é um elemento valiosíssimo, que, com a sua competência e dedicação sem limites, conseguiu fazer brilhar, da maneira de todos conhecida, o grupo dramático; Manuel Tondela foi durante cerca de vinte anos o professor de primeiras letras da aula nocturna, prestando ali grandes e desinteressados serviços”.



Aproximam-se as comemorações das “Bodas de Prata”. Depois de uma série de 17 representações, as duas últimas em Buarcos, no Grupo Caras Direitas, “O Sonho do Cavador” interrompeu a sua carreira. E começaram os preparativos para as festas de aniversário. “Sob a direcção do sr. António Simões, coadjuvado pelo sr. José Nunes Medina, organizou-se o orfeão desta Sociedade, constituído por umas 50 figuras. Fazem parte dele os alunos da escola nocturna, as amadoras e amadores do grupo dramático e ainda outros sócios”.

Vejamos, então, o programa que foi distribuido.
Sábado – 19 de Janeiro – Récita de gala: I parte – Hino da Sociedade de Instrução (vozes e orquestra), pelo orfeão, dirigido por António Simões; Amor Filial, de Tomás Borba; Rapsódia, de Joice; e Zé Pereira, de Armando Leça. II parte – Recitativos e música, com a gentil colaboração da distinta poetisa srª D. Maria de Jesus e do sr. José Maria de Jesus. III parte – Representação da opereta em 2 actos As duas mantas do Diabo, com 12 números de música do sr. José L. Páscoa.
Domingo – 20 de Janeiro – Alvorada, às 7 horas, por um fanfarra; almoço, às 11 horas, a 50 crianças da freguesia; às 15, sessão solene; e às 21, baile de gala.
Entretanto a assembleia geral reuniu para apresentação das contas. “A leitura do relatório da direcção produziu uma impressão esplêndida. É um documento em que se faz uma exposição clara do que foi este ano de gerência. Tudo ali se relata com clareza, de modo que todos os sócios ficaram conhecendo a aplicação que tiveram as receitas da Sociedade. O esforço da secção dramática foi admirável e permitiu que se saldassem os dois empréstimos – das obras do edifício e da instalação eléctrica. A gerência liquidou estes empréstimos, pagando cerca de uma dezena de contos, e deixou para a nova gerência um saldo de mais de 800$00”.


As festas decorreram com o costumado brilho. A imprensa refere que as espectativas não só foram confirmadas, mas, mesmo, excedidas. “Dificilmente poderá realizar-se com maior simplicidade, mais alto significado e maior brilhantismo a comemoração do aniversário duma colectividade cujo programa se subordina a este tema geral – Instrução e Educação”.


Fotos: Os homenageados nesta sessão solene: António Maria de Oliveira Simões e Manuel Rodrigues Tondela

Sociedade de Instrução Tavaredense - 15


Foi um ano histórico, o de 1928, para a Sociedade de Instrução. A sua secção dramática teve uma actividade extraordinária. Bastará dizer que, no relatório da direcção, se escreve “... seja-nos permitido dizer que esta verba (17.000$00), nunca até hoje atingida em espectáculos de anos anteriores, representa um esforço de grande valor e digno da maior admiração e reconhecimento de todos os que fazem parte desta Sociedade, para com o seu grupo dramático...”.
Antes de pormenorizar um pouco do que se realizou em espectáculos, vamos transcrever mais um pouco daquele relatório, mas, agora, sobre a escola nocturna: “... tinha esta direcção o maior empenho em transformar completamente a sua escola, dotando-a com um professor efectivo profissional, apetrechá-la com o necessário material escolar e ainda introduzir-lhe alguns melhoramentos internos e o rasgamento de portas e janelas necessárias para a tornar, enfim, aquilo que de facto deve ser uma escola de primeiras letras: Higiénica, Alegre, Atractiva, Confortável e Útil”. Boas intenções, sem dúvida, mas que só parcialmente foram realizadas, por falta de verbas.
Pelas comemorações do 24º aniversário, Tavarede esteve em festa, “sendo evidente o entusiasmo e alegria com que a população se associou ao regozijo dos associados da colectividade, cuja acção educativa vem sendo proficuamente exercida há mais de duas dezenas de anos”.
Fez parte do espectáculo de gala mais uma revista sobre os usos e costumes da terra do limonete. Foi seu autor José da Silva Ribeiro, com versos de Gaspar de Lemos e a música era de António Simões. Chamava-se “Retalhos e Fitas”. Pelo Carnaval, além desta revista e de uma comédia, representou-se D. Ferrabrás de Alexandria, tragédia burlesca, em verso, com música e representada duma “maneira original”. Quando lemos esta notícia, logo nos veio à memória nossa tia Helena Figueiredo Medina, que, quando se encontrava bem disposta, já centenária, evocava tantas vezes esta peça, começando com “um dia, numerosa cavalgada...”, continuando o seu recitativo sem hesitações e com uma memória admirável.

E em Abril de 1928, mais precisamente, no dia 28, é levada à cena aquela peça que se tornaria no emblema maior do nosso grupo cénico, “O Sonho do Cavador”. Uma das muitas notícias de então, depois de comentar a estreia da peça, conclui “em resumo: O Sonho do Cavador marca em Tavarede, que é uma pequena e bem pobre aldeia, um acontecimento de certo relevo artístico”.
Mas, qual terá sido a razão para tão grande sucesso? “A peça encerra a história, que é apresentada com fantasia dentro da qual a verdade tem lugar, dum cavador que a ambição da riqueza leva a abandonar a aldeia, depois de atirar fora a enxada e amaldiçoar o trabalho. Como trabalha desde pequeno, julga ter conquistado o direito à felicidade – e para ele – a felicidade não se encontra fora da riqueza e esta não se alcança cavando a terra. Na própria ambição encontra o castigo do seu erro; vê-se mais pobre do que era, e as figuras simbólicas dos três homens felizes mostram-lhe como os pobres, os humildes, também, podem gozar a felicidade; o cavador regressa à aldeia, onde o esperam ainda a enxada leal e a noiva fiel – e a peça fecha com o elogio da vida simples e humilde do

campo, na qual a saúde do corpo anda sempre junta à alegria da alma”.
É este o fio condutor da peça, desde a abertura, com a sesta do Manuel da Fonte em que, mais uma vez, ele sonha com a riqueza, e o final, em que o cavador, guiando a charrua puxada por uma junta de bois, abre os sulcos na terra, onde, um pouco atrás, Rosa, já sua esposa, vai espalhando a semente.
Pelo meio, no decorrer nos dez quadros que compunham a versão primeira, desfilavam cenas e figuras caracteristicamente tavaredenses, como o cortejo da Merenda Grande, e figueirenses, com a presença do afamado Concurso Hípico.
Grande parte do êxito é da responsabilidade dos 28 números de música, que compõem a partitura da maestro amador António Simões. A quinta representação, em 26 de Maio, é em sua homenagem. “António Simões foi alvo duma ovação no final do primeiro acto, ovação que se repetiu calorosamente no fim do espectáculo, quando, em nome dos intérpretes da peça, lhe foi entregue um lindo ramo de cravos. O palco ficou coberto de flores”.

Fotos: 1 - O Tio João da Quinta, dando o 'sim' à filha, Rosa e ao Manuel da Fonte. 2 - 3 - 4- As mesmas figuras em desenhos do Prof. Alberto de Lacerda

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Vitalina Gaspar Lontro

Recordei, ainda não há muito tempo, a minha estreia como amador teatral, pelo Natal de 1949.

Fazia o papel de minha mãe a Vitalina. Faleceu ontem, 20 de Fevereiro e foi hoje a sepultar no cemitério da sua e nossa terra: Tavarede.


Como todas as raparigas e rapazes dos anos 20, 30, etc., fez parte do grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, fazendo a sua estreia em 1936, na peça 'Canção do Berço', com o papel de Sóror Maria de Jesus. Ainda no mesmo ano representou na reposição de 'O Sonho do Cavador'.

A partir de então e até 1955, muitas foram as peças em que interveio. A Morgadinha de Valflor, Entre Giestas, Recompensa, Envelhecer, O Grande Industrial, Horizonte, Génio Alegre, Raça, Pé de Vento, Serão Homens Amanhã, Ana Maria (que foi a última, em 1955), passando por muitas outras, como comédias, autos de Gil Vicente, etc.

Na primeira série do 'Chá de Limonete' fez os papéis de Chá, Sebastiana Luiz, A mulher da gamela, etc.
Em 1952 os amadores tavaredenses foram a Leiria apresentar a peça 'Raça'. Eis a nota que o crítico Miguel Franco, escreveu sobre a Vitalina: "D. Vitalina Lontro, curiosa na 'Viscondessa': duma comicidade, às vezes hesitante, mas sempre sóbria, elegante até. Merece felicitações especiais por ter conseguido dominar o quantas vezes indomável: o 'fácil' da figura, e ainda por outros motivos que se prendem com a estrutura da sua personagem e a maneira como foi compreendida, quando teria sido tão natural interpretá-la de modo diverso'.


Em 1994, comemorando os 100 anos do nascimento de Mestre José Ribeiro, a nossa conterrânea Ana Maria Caetano escreveu 'Palavras de uma Vida', na qual a Vitalina Lontro regressou ao palco da SIT para interpretar o papel dela própria, num acontecimento a que assistiu, aquando da prisão de Mestre José Ribeiro, quando ia com ela, a pé, para Tavarede, depois de um dia de trabalho.

A Sociedade de Instrução Tavaredense concedeu-lhe o diploma de Sócia Honorária em 1946.

Emigrante durante vários anos, regressou definitivamente à sua terra natal, onde viveu até agora. Que descanse em paz esta nossa conterrânea que agora nos deixou.
É muito interessante o seu depoimento publicado no livro do Centenário da SIT.
Fotos: 1 - Auto da Barca do Inferno "Anjo"; 2 - Chá de Limonete "O Forno da Poia" (segunda da direita); 3 - Em Tomar, nos anos 40 (primeira da direita)

O S. Paio e a sua capela

Hoje volto a escrever umas coisas sobre o S. Paio do Prazo e a sua capela.

Deveria, esta capela e este santo, ter bastantes devotos em Tavarede. No ano de 1564, o Cabido da Sé de Coimbra, proprietário de todo aquele local, enviou uma carta de confirmação 'para haver licença de bôdo, junto à ermida de São Paio, no Couto de Tavarede'.



Mas... quem foi este Santo? Vejamos a história deste santo segundo a Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira:

Pelágio ou Paio (S) - Mártir; festa litúrgica na diocese de Coimbra, a 26 de Junho. Era, ao que parece, originário de Tui. Tendo ficado cativo na batalha de Val de Junquera seu tio Hermoíglo, bispo de Tui, foi o jovem Pelágio, que contava apema 10 anos de idade, dado em reféns pela sua libertação. Enviadfo para Córdova, esteve encarcerado três anos, ao fim dos quais foi martirizado por ordem de Abderramão III. As actas do martírio foram escritas por um presbítero chamado Ragnel, pouco depois do acontecimento. Aí se diz que o menino passava o tempo na prisão lendo as 'Escrituras' e conversando com outros cristãos cativos ou que iam visitá-lo. Um dia foram ao cárcere uns ministros de Abderramão que, encantados pela sua beleza, falaram nele ao califa. Mandou este que o levassem à sua presença e tentou convertê-lo às práticas muçulmanas e atraí-lo a actos desonestos. Como o menino resistisse, mandou-o matar. Os algozes cortaram-no aos pedaços, ainda vivo, em horroroso suplício que durou três horas, das 11,3o da manhã às 2,30 da tarde, no domingo 25 de Julho de 925. Os cristãos de Córdova recolheram as relíquias, colocando a cabeça na igreja de S. Cipriano e o resto na de S. Gens. A fama do martírio espalhou-se rapidamente por toda a Península e em breve ultrapassou as fronteiras. Pelo ano de 960, uma poetisa, de origem saxónica, chamada Rowinta, consagrou-lhe uma composição em versos latinos. O culto de S. Paio tornou-se muito popular em Portugal, passados poucos anos depois do seu martírio. Há umas sessenta e cinco igrejas paroquiais que o têm como titular.

Surgiu-nos, então uma enorme surpresa! A imagem que representa o santo e que está no altar da capela não é, de forma alguma, a de um menino de treze anos! Já homem de idade, com cerrada barba preta, não é, de forma alguma, aquela beleza que encantou os ministros de Abderramão! Mas parece não haver dúvidas de que o S. Paio venerado em Tavarede é aquele martirizado menino.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

António de Oliveira Lopes

Nasceu em Tavarede no dia 9 de Fevereiro de 1903, filho de Joaquim Lopes e de Augusta G. Oliveira. Foi casado com Emília Rodrigues Cordeiro e tiveram um filho, António Francisco. Faleceu no dia 5 de Outubro de 1974, contando 71 anos de idade.
Fez a instrução primária em Tavarede, tendo por professora D. Maria Amália de Carvalho, de quem sempre se mostrou, em toda a sua vida, devotado admirador.


Continuou os estudos na Escola Dr. Bernardino Machado e empregou-se nos escritórios da Companhia da Beira Alta.
Desde muito novo que o associativismo o atraiu. Foi elemento activo nos corpos sociais do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, desempenhando o cargo de presidente da Direcção durante o período difícil que acabou por levar a colectividade a vender o edifício da sua sede e a terminar com a sua secção dramática.
Entretanto, dedicou-se com entusiasmo ao desporto. Como corredor pedestre, participou em variadas competições, nomeadamente em voltas pedestres à Figueira, chegando a campeão distrital da légua, numa prova disputada em Coimbra, em Agosto de 1923. O remo foi outra modalidade desportiva em que se distinguiu, integrando uma tripulação do Ginásio Clube Figueirense que se sagrou campeã nacional em 1931.

Prestou serviço militar em Coimbra, sendo soldado na bateria de Artilharia 2.
Enquanto colaborador do Grupo Musical, foi professor na escola nocturna, encarregando-se também da aula de ginástica. Esteve presente, igualmente, na fundação do Atlético Clube Tavaredense.
Foi ele quem adquiriu o edifício sede do Grupo Musical, nas condições da colectividade ali continuar a exercer a sua actividade, mediante o pagamento de uma renda mensal. Todavia, como a associação falhou a liquidação da renda, tendo um atraso de dois ou três meses, mandou executar uma ordem de despejo e acabou por vender a casa à Diocese de Coimbra que, por acção do padre Cruz Dinis, ao tempo pároco em Tavarede, ali instalou uma nova colectividade, o Grémio Educativo e de Instrução Tavaredense.
Abandonou temporariamente o associativismo para se dedicar à autarquia local. Entretanto, em 1955, foi eleito presidente da Direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense, cargo que desempenhou em 11 gerências, até ao ano de 1969, tendo tido primordial acção nas obras de remodelação e ampliação da sede, inauguradas em 1965.
Desempenhou, ainda, o cargo de presidente da Assembleia Geral do Grupo Musical durante vários mandatos.
A sua acção principal em Tavarede, foi, contudo, como membro da autarquia local. Politicamente, nunca o ocultou, foi um fervoroso adepto do regime anterior, mas sempre utilizou a sua militância na defesa dos interesses da sua terra. Além de secretário e regedor, foi presidente da Junta de Freguesia durante 14 anos.
“Arranjo urbanístico de largos e alargamento e pavimentação das ruas, abastecimento de água ao domicílio na sede da freguesia, construção de lavadouros, recuperação de fontes para abastecimento de água às populações (a fonte de Tavarede, que embelezou, era a sua ‘menina dos olhos’), a electrificação pública de lugares da freguesia, ampliação do cemitério, etc., foram alguns dos melhoramentos que conseguiu realizar durante os seus mandatos”.
É claro que foi uma figura controversa. Tavarede tinha forte tradição republicana, o que acabou por originar algumas questões polémicas. Uma realidade ficou, todavia. Para ele, a sua terra estava sempre em primeiro lugar. Bastará ver, como exemplo, um telegrama que José Ribeiro, o grande defensor dos sagrados princípios da Liberdade e da Democracia, lhe enviou por ocasião em que um grupo de tavaredenses lhe promoveu uma homenagem como “justa consagração pública da obra bairrista”. “Alheando-me significado politico homenagem e reafirmando minha oposição actos políticos que condeno, junto meu aplauso aos de nossos patrícios louvando tua entusiástica dedicação, infatigável persistência ao serviço da nossa terra”.
Aquando do seu falecimento, escreveu-se numa notícia “… Tavarede perde um dos maiores obreiros do seu progresso. Na presidência da Junta, cargo para que foi eleito diversas vezes e a que só resignou por motivo de doença, ele desenvolveu notável actividade, realizando uma série de obras, que muito beneficiaram os diversos lugares da freguesia”.


Foi de sua iniciativa a homenagem promovida à primeira professora primária oficial da localidade, D. Maria Amália de Carvalho, e da colocação do monumento à criança no largo que tem o nome daquela professora.
Foi dado o seu nome a uma praceta em Tavarede, perto do Paço.

Caderno: Tavaredenses com história

Fotos: 1 - António de Oliveira Lopes; 2 - Acompanhando D. Maria Amália de Carvalho, aquando da homenagem que lhe foi prestada.

Fernando Severino dos Reis

Natural de Tavarede, onde nasceu no dia 3 de Março de 1913, filho de Joaquim Severino dos Reis e de Etelvina Tondela. Casou com Carolina de Oliveira Alhadas, tendo uma filha: Maria Isabel.
Marceneiro e carpinteiro da maior competência, foi empregado nas oficinas dos Caminhos de Ferro, onde atingiu a posição de chefe de brigada, com que reformou.
Foi amador dramático de notáveis recursos. Começou no Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, de que seu pai havia sido um dos fundadores, e transferiu-se para o grupo cénico da Sociedade de Instrução quando aquela colectividade acabou com a sua secção dramática.
Também fez parte da célebre Tuna do Grupo Musical, onde tocava ”pandeireta”. Durante a sua longa carreira teatral desempenhou mais de cem “papéis”, começando, na Sociedade de Instrução, na peça Justiça de Sua Majestade e terminando em Comédia da Vida e da Morte, no papel de Conde do Laranjeiro, levada à cena em Outubro de 1980.
A Morgadinha de Valflor, O Grande Industrial, Entre Giestas, Génio Alegre, A Nossa Casa, Horizonte, Auto da Barca do Inferno, Raça, Frei Luís de Sousa, Serão Homens Amanhã, Catão, Israel, Ana Maria, Peraltas e Sécias, A Conspiradora, Os Velhos, As Árvores Morrem de Pé, O Dia Seguinte, Omara, Para Cada Um Sua Verdade, O Processo de Jesus, Romeu e Julieta, e O Avarento, foram algumas das peças em que figurou, desempenhando sempre papéis relevo.
Nas peças de sabor local, como O Sonho do Cavador, Chá de Limonete, Terra do Limonete, Cântico da Aldeia e Ontem, Hoje e Amanhã, além de outras, também deu a sua colaboração artística. Nestas, talvez as interpretações mais notáveis tenham sido a do Velho Tavarede e O Velho Palácio, em Chá de Limonete, onde compôs aquelas duas figuras com elevada craveira.
“Senhor absoluto do seu papel, conserva durante todo o espectáculo a mesma calma e o mesmo sentido de responsabilidade (Velho Tavarede)… ….surge o portão do palácio. Batem. Abre-se o portão e a figura do palácio de Tavarede aparece, gasta, alquebrada, mutilada. Voz fraca e cansada pelas injustiças dos homens. E a evocação surge – cheio de emoção e de mágoa pelo mal feito. Fernando Reis foi bem escolhido para o papel, desempenhando-o com magnífico acerto” (Chá de Limonete).
“… deu um Romeiro de que nada há a dizer que não seja um merecido elogio. Não podia pedir-se mais. E, como em Peraltas e Sécias lhe coube um papel de feição completamente diverso, igualmente desempenhado com impecável correcção, teve ensejo, pelo contraste, de revelar o seu real merecimento”. (Frei Luís de Sousa e Peraltas e Sécias).



A Sociedade de Instrução Tavaredense nomeou-o “Sócio Honorário” em 1979 e, em Janeiro de 1993, prestou homenagem à sua memória, descerrando o seu retrato, que se encontra exposto no salão nobre da colectividade.
“O Teatro faz parte da minha vida. Chega-se a uma altura em que se não pode passar sem ele”, disse, como resposta, a uma pergunta feita por um jornalista de Lisboa. “Faço teatro desde os 14 anos. Levanto-me todos os dias às 6 horas, para poder estar no emprego às 7,30, mas isso nunca foi motivo para deixar de ir aos ensaios”, dizia com certo orgulho.
Tinha dois passatempos: a pesca e os pássaros. Quando o verão se aproximava, ia colocar um tabuleiro com água, em pinhal escolhido, onde todos os dias ia renovar a água, para os pardais se irem habituando a lá irem beber. Depois, quando lhe parecia boa ocasião, levantava-se de madrugada e, ainda antes da aurora romper, ia montar a rede no bebedouro e fazer a barraca onde, pacientemente, aguardava a ida dos incautos pássaros a beber.
Fernando Reis faleceu no dia 1º de Maio de 1986, no Hospital da Universidade de Coimbra, precisamente naquele dia que ele mais aguardava durante todo o ano. Era um dos mais entusiastas participantes do grupo “Os Inseparáveis”, que nesse dia se reuniam em alegre convívio e confraternização.
Em Agosto de 1954, o grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense deslocou-se a Condeixa, onde apresentou a peça Frei Luís de Sousa. O palco foi montado ao ar livre. Na cena do incêndio, final do primeiro acto, ao pegar fogo a um cartucho que simulava o incêndio, uma fagulha foi incendiar um segundo cartucho, pegando fogo, inadvertidamente, às barbas e fato de Romeiro, pois já estava pronto para entrar em cena no segundo acto. Apressadamente foi levado ao hospital local para lhe ser prestado socorro. Já estava fechado, pelo que tiveram de bater à porta, com bastante violência, para um rápido atendimento. Este hospital era assistido por freiras. Quando uma delas abriu a porta e se deu de caras com aquela figura do Romeiro, desatou a fugir pelo corredor em altos gritos. Apesar das dores que estava a sentir, Fernando Reis não resistiu a soltar uma boa gargalhada! Foi uma situação sem grande consequência, mas que poderia ter sido bastante grave.
Sua esposa, Carolina de Oliveira Alhadas, (1911 – 1985), integrou o grupo dramático da SIT durante vários anos. Iniciou a sua participação em 1926 na opereta Noite de S. João.
O Sonho do Cavador, A Cigarra e a Formiga, As pupilas do Senhor Reitor, Justiça de Sua Majestade, O Grande Industrial, A Morgadinha de Valflor e Entre Giestas foram algumas das peças em que interveio.
Em 1954, no espectáculo preparado para as comemorações das Bodas de Ouro, reviveu uma das suas antigas personagens.


Caderno: Tavaredenses com história
Foto: 1 - O Velho Tavarede (desenho de Zé Penicheiro - Chá de Limonete); 2 - Contracenando com Violinda Medina e Silva, na peça 'Ana Maria'; 3 - Casamento.