quinta-feira, 26 de agosto de 2010

António Marques Lontro Júnior

Filho de António Marques Lontro e de Joaquina Domingues, faleceu no dia 13 de Março de 1966, contando 74 anos de idade. Houvera nascido a 1 de Dezembro de 1891.

Foi casado com Piedade Gaspar, tendo os filhos: Benjamim, Vitalina, Maria da Piedade e Manuel.

António Amaral e Piedade Gaspar

Era canteiro de profissão.
Foi sócio e colaborador do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense desde a sua fundação, sendo eleito secretário da Direcção na primeira Assembleia Geral. Tocou flauta na Tuna desta colectividade.
Colaborou, também, com a Sociedade de Instrução Tavaredense, fazendo parte da sua orquestra durante alguns anos.


Em 1925, fez parte da Comissão Paroquial de Tavarede.
O Grupo Musical homenageou-o nomeando-o seu sócio honorário.

Caderno: Tavaredenses com história

João Adelino da Silva Pereira

Nasceu em Tavarede no dia 7 de Junho de 1913 e faleceu em Cantanhede, em 28 de Dezembro de 1967.

Tirou o curso do magistério primário em Coimbra e, enquanto exercia a sua actividade de professor, matriculou-se na Universidade daquela cidade, onde se licenciou em Direito.

Passou a exercer advocacia em Cantanhede, onde foi nomeado presidente da Câmara e ali desenvolvendo intensa actividade, nomeadamente nos campos da assistência rural, no abastecimento de águas, fomento escolar e cultural, etc.

Publicou “As obras públicas municipais e as suas limitações” e “O dever de servir – imperativo de consciência”.

“… Filho de Tavarede, há largos anos pertencia também a Cantanhede, onde exerceu advocacia e a cujo município presidia há quase 7 anos, exibindo uma distinta folha de serviços prestados ao concelho que administrava: assistência rural e abastecimento de águas, fomento escolar e cultural, etc.: lembremos, do domínio cultural, os actos de 1965 celebrados na vila, em memória do 3º. Conde de Cantanhede, vencedor da batalha de Montes Claros. Reflexos dessa jurisprudência aplicada aos temas administrativos são também os escritos que apresentou ao X Congresso Beirão, em 1965”

“Entretanto, o mais destacado campo de sua acção de homem e jurista prudente foi o ensino. O dr. Silva Pereira começou a sua vida profissional como professor primário e casou com a srª D. Julieta Gonçalves da Silva Pereira, igualmente professora primária. Tais factos não parecem acidente, antes se afiguram inerentes à estrutura daquele espírito, revelada ainda, mais ou menos notoriamente, em outros actos como: a criação e direcção do Colégio Infante de Sagres, o mais populoso estabelecimento de ensino particular da zona; o apoio oficial dado à criação da Escola Técnica de Cantanhede; a comunicação, cheia de actualidade, apresentada ao I Congresso Nacional do Ensino Particular (1965), sobre “A rede escolar nacional e os estabelecimentos do ensino particular”; e o movimento, que umas vezes iniciou e outras vezes secundou, tendente ao estabelecimento de boas e afectivas relações de vizinhança entre os estabelecimentos de ensino, dentro das zonas e nas regiões”.

A Câmara de Cantanhede, em reconhecimento da obra deste ilustre tavaredense, homenageou a sua memória atribuindo o seu nome à avenida à beira-mar, na Praia da Tocha, daquele concelho.

Caderno: Tavaredenses com história

Manuel Nogueira e Silva


Natural de Tavarede, onde nasceu no ano de 1907, era filho de Francisco da Silva Proa e de Amélia Augusta Nogueira e Silva. Casou com Fernanda da Silva Ribeiro e teve dois filhos: Madalena e João José. Faleceu no dia 10 de Dezembro de 1964. com 57 anos de idade.

Tipógrafo de profissão, era o proprietário da Tipografia Nogueira, na Figueira.

Foi amador dramático de elevada categoria. A primeira vez que o seu nome aparece na imprensa, é em 1916, numa notícia referente a uma “Festa da Árvore”, onde recitou a poesia A Luz do ABC. Integrou-se no grupo cénico do Grupo Musical protagonizando algumas peças, mantendo-se ali até esta colectividade acabar com a sua secção teatral.

Juntamente com Violinda Medina e outros, foi um dos elementos que transitaram para os amadores da Sociedade de Instrução, onde fez a sua estreia, em 1931, no papel de Jorge, em Os Fidalgos da Casa Mourisca.

Até ao ano de 1951, em que abandonou a actividade teatral, participou em diversas peças ali levadas à cena. Na primeira série de Chá de Limonete desempenhou os personagens de D. Sancho I, Fernando Gomes de Quadros e O Teatro, com que terminou a sua carreira.

Tavarede Futebol Clube (1946),
com Fernando Reis, à sua direita

Amador de largos recursos, tanto no drama como na comédia, entrou, entre muitas outras, em As pupilas do Senhor Reitor, Justiça de Sua Majestade, A Cigarra e a Formiga, O Sonho do Cavador, O Grande Industrial, Entre Giestas, Génio Alegre, Envelhecer, Injustiça da Lei, etc. Desempenhou, de forma a merecer muitos elogios, o papel de Joane, o parvo, no Auto da Barca do Inferno.


Em 1955, em espectáculo evocativo, voltou a reviver o personagem Miguel Mateus, em Entre Giestas.


Desde Os Fidalgos da Casa Mourisca “… sereno e grave, reflectido na sua pouca idade e sabendo sacrificar as aspirações do coração ao que ele considera o seu dever de filho”, até ao Teatro, onde “actua primorosamente mostrando poder convencional”, encontram-se muitas críticas elogiando as suas interpretações.


Morreu muito novo. “Talvez que a natural bondade de que era dotado, o conduziu tão cedo a pagar à Natureza o tributo que todo o ser humano lhe é devedor. O sentimento artístico que possuía, generosamente herdado dos seus ascendentes, manifestou-o, além de em outras actividades, na sua profissão de tipógrafo consciencioso e de amador dramático do melhor quilate, e a demonstrar esta nossa asserção está o facto de ainda não há muito tempo, o ilustre director cénico da SIT, de que fez parte durante largos anos, ter-lhe tecido, publicamente, os maiores e mais significativos louvores”.

Caderno: Tavaredenses com história

Sociedade de Instrução Tavaredense - 48

A Conspiradora (Violinda Medina 'Marquesa dos Arcos' e João de Oliveira Júnior 'Conde de Riba d'Alva')

Voltemos, uma vez mais, ao teatro. Pelo 53º aniversário da sua fundação, foi levada à cena, em primeira representação, a peça “A Conspiradora”, “peça duma categoria indiscutível (ainda há muito pouco esteve em cena em Lisboa, no Monumental), que agradou em absoluto”.
A um espectáculo que se realizou no final de Fevereiro de 1957, no Casino Peninsular, assistiu o autor da peça, Dr. Vasco de Mendonça Alves, que veio de Lisboa, propositadamente, assistir à récita daquela peça pelos amadores tavaredenses. Mestre José Ribeiro, antes de se abrir o pano, “fez a apologia dos seus dotes de dramaturgo e, no final do 2º acto, a assistência solicitou a sua comparência no palco, tendo-lhe D. Violinda Medina feito entrega de um delicadíssimo ramo de flores, gesto que foi sublinhado com calorosos aplausos”. O ilustre visitante manifestou, publicamente, nítida satisfação pelo feliz desempenho e triunfo obtido pelos tavaredenses com esta sua peça.

Em todas as deslocações que efectuaram, com esta peça, triunfaram em absoluto. As críticas foram unânimes. “Efectivamente, foi um dos mais belos espectáculos a que temos assistido. É que “A Conspiradora” é, simplesmente, uma admirável peça de Teatro repleta de emoções. O seu enredo tem-nos presos do princípio ao fim da representação. Na sua acção perpassa e vibra a alma das antigas lutas liberais. As situações, por vezes hilariantes, casam-se perfeitamente com as cenas dramáticas, algumas das quais violentas. A dedicação à Pátria, o amor da Família e o sacrifício por uma Causa, são temas nela tratados pelo ilustre autor, na realidade, de maneira superior. Fala-nos simultaneamente à inteligência e ao coração – o precioso relicário que guarda os sentimentos bons e maus do homem. Apesar de terem decorrido já algumas dezenas de anos sobre a data da sua estreia, o assunto é actual.
E os humildes amadores, ensaiados pela mão de fada de José da Silva Ribeiro, conseguiram, o que constitue um dos seus maiores títulos de orgulho, na interpretação das figuras que lhe foram distribuidas, “dominam” completamente a selecta e distinta assistência, que enchia o teatro, arrancando-lhe vibrantes e entusiásticos aplausos, pois a representação, por vezes, foi interrompida, tal a profunda emoção causada durante algumas cenas e em que, para não ferirmos susceptibilidades não citaremos nomes, alguns brilharam a grande altura. Não exageramos, portanto, em afirmar que todos ficaram satisfeitos: o autor, o grupo e o público, cuja opinião é sempre de considerar. Assim vale a pena trabalhar...”.

Entre as várias localidades aonde se deslocou com esta peça, conta-se Torres Novas. “O grupo dramático da SIT inscreveu, com a sua ida, pela primeira vez, a Torres Novas, onde foi dar mais um espectáculo de beneficência, nova página gloriosa nos anais da vida da humanitária colectividade”. Foi uma jornada triunfante. “A retirada, fez-se eram já 4 horas, tendo todos os tavaredenses regressado saudosos e gratos por tantas provas de gentileza, que calaram bem fundo no coração de todos e tornaram inesquecível esta sua triunfal jornada a Torres Novas”.
Em Novembro de 1957, Mestre José Ribeiro proferiu, na colectividade, a sétima palestra sobre teatro. Deu-lhe o título “O Teatro na Antiguidade”, descrevendo representações teatrais anteriores aos clássicos gregos; um drama do século de Salomão, que a Bíblia conservou entre os livros do “Velho Testamento”: o Cântico dos Cânticos. “Apesar de convalescente do forte ataque de gripe asiática, que o reteve no leito alguns dias, o brilhante orador soube com seu habitual à-vontade e profundo conhecimento do assunto versado, em que é considerado Mestre, prender a atenção da assistência, pois lhe ofereceu mais uma das suas esplêndidas lições, sob o ponto de vista Teatral e até Religioso”.
Para comemorar o cinquentenário da morte do poeta e dramaturgo D. João da Câmara, o grupo cénico tavaredense levou à cena a sua principal obra teatral, “Os Velhos”. Esta efeméride passou despercebida por toda a parte, menos em Tavarede. No “Despertar”, de Coimbra, vem o comentário. “Este desinteresse dos doutores em Teatro em Lisboa e Porto e dos grupos dramáticos de Coimbra por D. João da Câmara, foi quebrado (e, vá lá!, digamo-lo com um hiper-bairrismo que cremos perdoável, “puxemos a brasa... ao nosso distrito”) pelas raparigas e rapazes de Tavarede, por essas moças e moços – e sê-lo-ão sempre porque, em boa verdade, o que conta não é o embranquecimento dos cabelos ou o enrugamento do rosto, mas o encanecimento e as rugas do espírito – Amadores do Teatro e da Cultura que, conduzidos por um outro Amador, cujos limites da sua “cultura oficial” desconhecemos, mas cuja “cultura real” sabemos ser grande, ocuparam os ócios dos seus mesteres tão árduos a erguer sobre as tábuas do palco da Sociedade de Instrução Tavaredense, a obra-prima do teatro de D. João da Câmara, uma das mais belas senão a mais bela obra de todo o nosso teatro – Os Velhos”.

Os Velhos - Cena da ceia - 3º. acto

Figueira, Marinha Grande, Alhadas, Coimbra, Alfarelos, Quiaios, Santana, Torres Novas e Vila Verde foram as localidades onde se apresentaram os tavaredenses com esta peça e em espectáculos cuja receita reverteu a favor das obras da nossa colectividade.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 47


Sintra, a chamada sala de visitas de Portugal, recebeu o nosso grupo cénico nos dias 2 e 3 de Setembro de 1956, que ali representaram, em benefício da Santa Casa da Misericórdia local, dois espectáculos, com as peças “Frei Luís de Sousa” e “Peraltas de Sécias”. À representação desta segunda peça assistiu a senhora D. Inês Ressano Garcia, filha do autor e a quem foi oferecido um ramo de flores. Entre outros notáveis, que assistiram a estas representações, contaram-se os actores Alves da Costa e sua esposa, Brunilde Júdice que, entusiasticamente, felicitaram o nosso grupo.


Frei Luís de Sousa - 2º. acto

Na “Tabela” do Teatro Carlos Manuel, onde se realizaram as referidas récitas, foi afixado, não se sabe por quem, um significativo soneto pondo em relevo as actuações dos nossos amadores. Está assinado, simplesmente, por um “Espectador”.
Em Novembro de 1956, por ocasião do aniversário natalício de José Ribeiro, uma comissão representativa da direcção da SIT, como o dia coincidia com um domingo, em conjunto com elementos da secção dramática e comissão de diversões, resolveu prestar-lhe uma homenagem. Recusou terminantemente. Tomaram, então, a iniciativa de “realizar um almoço de confraternização para inauguração da época de inverno, para assim os sócios terem a satisfação de encontrar junto de si, naquele dia, o Homem que, há mais de 30 anos, tão brilhantemente dirige a secção dramática”, o qual decorreu num ambiente da mais sã e fraterna amizade.
“A necessidade imperiosa da reparação do edifício da nossa sede, com a substituição de todo o telhado, por um lado, e o incentivo que temos recebido de alguns sócios, amigos e admiradores da obra cultural e beneficente da nossa colectividade, por outro, levaram esta direcção a trazer ao conhecimento, apreciação e resolução da assembleia geral, o projecto das obras de transformação da sede, projecto que foi graciosamente elaborado pelo senhor Arquitecto José Isaías Cardoso e que já se encontra aprovado pela Inspecção-Geral dos Espectáculos”.
Embora a época não fosse propícia, a direcção tomou a deliberação de tentar a realização do empreendimento. “Para a realização destas obras, temos já donativos e receitas especialmente destinadas a este fim, na importância de 31.000$00. Contamos com outros donativos e esperamos obter da Câmara Municipal e da Comissão Municipal de Turismo subsídios para o mesmo fim. E estamos também convencidos de que a actividade da secção dramática ajudará poderosamente a levar por diante o nosso objectivo, dando espectáculos nas várias localidades do concelho e noutras localidades do País aonde se tem deslocado para fins beneficentes”.
Gerou-se, então, uma verdadeira onda de solidariedade para com a SIT. A imprensa colaborou significativamente. Para não alongarmos muito, vamos só transcrever um pouco do apelo, feito por um dedicado sócio, através do “Notícias da Figueira”. “Não há ninguém, fora ou dentro do distrito de Coimbra, que ignore em que têm sido gastos os operosos e construtivos 53 anos de existência da SIT. E como tem sido repartido o seu abnegado esforço; como tem sido proveitosa – para as instituições de caridade – a sua abençoada missão de dar sem olhar a quem. Dar, em sacrifícios de toda a espécie, muito da sua acção, do seu valimento, do seu trabalho, operado religiosamente nas curtas horas de lazer dos seus dedicados amadores dramáticos e do respectivo e ilustre director, em benefício dos desprotegidos da sorte. Uma longa vida de acção cultural e humanitária – de manifesto e útil proveito para todos. Para todos, sim. Simplesmente, a SIT tem-se esquecido de si. Cuidou mais nos outros, do que em si. Saltou por cima dos sagrados preceitos de que boa caridade começa por nós próprios... De tão louvável sistema, a velhinha SIT chegou ao estado em que se encontra: Pobre. Pobre – mas asseada e limpa; vigorosa e linda. Só rica em conceitos e gratidões.

Peraltas e Sécias

A sua sede carece de benefícios e ampliações. Uma alma tão grande não pode continuar, por mais tempo, a “vegetar” numa humilde e acanhada casa adaptada à sua elevada acção. À sua graciosa missão. Precisa de meio-ambiente próprio. É digna de “viver” com mais comodidade e mais conforto. Sendo isto verdade – porque o é -, pergunto: Tornar-se-à missão difícil tentar um apelo aos amigos e admiradores da benemérita SIT, no sentido de obter uma subscrição pública, por intermédio da imprensa, da Figueira e de fora, destinada à aquisição de tijolos para as obras de que necessita a simpática e utilíssima colectividade de Tavarede?”.
O apelo foi ouvido. Não se abriram subscrições na imprensa, mas não tardaram a surgir apoiantes à intitulada “Campanha do Tijolo”. Numa outra notícia, refere-se que “a fogueira alastra. O sr. José Augusto Guedes, da Fontela, quiz ser o primeiro a oferecer materiais para as obras da colectividade. Assim, enviou hoje 2.000 tijolos dos autênticos, acompanhados de vales para 1.500 quilos de cal”.
E, diga-se já, em breve as obras se tornaram uma realidade. Foram grandes as ajudas que sócios, amigos e admiradores deram. Muito contribuíu, também, o grupo cénico, com os vários espectáculos que realizou. Mas a grande ajuda acabou por vir da benemérita Fundação Calouste Gulbenkian. O subsídio que concedeu, cerca de metade do custo das obras, tornou possível que, ao fim de tantos anos, o grande sonho se tornasse realidade. A nossa colectividade passou a dispor de uma das melhores salas de espectáculos do nosso concelho.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

José Francisco da Silva



Nasceu no dia 26 de Junho de 1900, em Tavarede, filho de António Francisco da Silva e de Augusta Cruz. Foi casado com Guilhermina Nogueira e Silva, tendo, como descendentes, as filhas Benvinda, Armandina e Amélia.

“Começou com tipógrafo e empregou-se nos escritórios da Beira Alta”. Foi membro da Junta de Freguesia e regedor, nomeado em 1923. Como escrivão da Junta, promoveu uma subscrição pública para a compra do relógio colocado na torre da igreja.

Foi amador teatral do Grupo Musical, destacando-se na opereta, mas foi na música que exerceu maior actividade. Tocava na Tuna e fez parte do célebre quinteto que, além de abrilhantar os bailes nesta colectividade, tocava nas missas solenes, acompanhando o coral, em Tavarede e noutras localidades para onde eram convidados.

Quando o Grupo Musical mudou de sede e extinguiu a sua secção dramática, passou a colaborar com o grupo cénico da Sociedade de Instrução, em especial no ensaio dos coros, conjuntamente com José Medina e António Jerónimo, embora também chegasse a integrar o elenco teatral.

Ao mesmo tempo, continuava no Grupo Musical, tocando e dirigindo a Tuna, sendo, em 1931, escolhido para seu regente, por votação dos músicos. Já anteriormente reorganizara a Tuna daquela colectividade e, em 1929, com a colaboração dos músicos pertencentes às duas associações, levara uma Tuna à Martingança, a abrilhantar umas festas populares lá realizadas. Foi ele que teve a iniciativa da passagem da Tuna pelo Mosteiro de Batalha e ali deixar uma placa em homenagem ao Soldado Desconhecido.

Faleceu, inesperadamente, a 16 de Novembro de 1951, com 51 anos de idade.

“Era uma pessoa muito prestável e muito bondosa. Em Tavarede, pode dizer-se que não tinha um inimigo e muitos dali lhe ficaram a dever alguns bons favores”.

No dia 29 de Junho de 1952, “foi prestada homenagem à memória de um homem que tão desinteressadamente trabalhou para as associações recreativas do concelho e de modo particular para as locais, de que era sócio honorário. Elas devem-lhe serviços que não podem, com efeito, ser esquecidos, pelo desinteresse material com que foram prestados”. A sua campa, no cemitério local, foi construída por subscrição pública.

Como acima se referiu era sócio honorário do Grupo Musical e da Sociedade de Instrução, além de outras colectividades do concelho o terem distinguido com igual diploma. O seu retrato encontra-se exposto no salão do Grupo Musical.

Grupo 'Os Inseparáveis' - José Francisco da Silva é o segundo da direita, em pé

Era um excelente “garfo”. Um dia, encontrando-se no Porto com um grupo de amigos, foram almoçar a um restaurante. O prato do dia era “caras de bacalhau com couves e batatas”. Era um dos seus pratos favoritos. Notou, contudo, que nas restantes mesas, todos os comensais estavam comendo com faca e garfo, certamente com algumas dificuldades. Depois de servido, pendurando o guardanapo no colarinho da camisa, disse para os presentes: “Os senhores desculpem mas, na minha terra, isto come-se à mão”. Pouco depois, todos os presentes já chupavam os ossinhos à mão…

Caderno: Tavaredenses com História

Maria Almira Esteves Ferrão

Quadro '3 Glórias Nacionais' - peça 'Chá de Limonete' - (da esq. para a dir) - António Jorge da Silva (O Endireita); João da Silva Cascão (Manuel da Fonte); João Oliveira Júnior (Frei Manuel de Santa Clara); Maria Almira Esteves Ferrão (Fado); José Maria Cordeiro - Zé Neto (Futebol); e Manuel Nogueira e Silva (Teatro)


Tavaredense, filha de Alberto Ferrão de Almeida e de Maria José Esteves. Nasceu a 30 de Março de 1928 e faleceu no dia 13 de Novembro de 1998. Casou com António Santiago Venâncio, não tendo descendência.


Foi amadora teatral da Sociedade de Instrução Tavaredense. Teve a sua estreia em Noite de Teatro Português, em 1947. Participou, a partir de então, em Não subam escadas às escuras, Horizonte, Os dois inseparáveis, Raça, Auto da Barca do Inferno, Não mentirás, O Cão e o Gato, Pé de Vento, Chá de Limonete, Na boca do Lobo, Chá e Terra do Limonete. No ano de 1990 deu a sua colaboração ao espectáculo de homenagem à memória de José Ribeiro.

Caderno: Tavaredenses com História