sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Belmira Pinto dos Santos (Belmirinha)

Modista, com atelier de costura na Figueira da Foz, foi grande colaboradora do grupo cénico da Sociedade de Instrução.

Várias peças representadas, como O Grão-Ducado de Tavarede “… merece também referência especial o guarda-roupa, que é variado, luxuoso e tem algumas fantasias de belíssimo efeito, pelo que foi muito elogiada a srª. Belmira Pinto dos Santos, que revelou muito bom gosto na sua confecção”.

Outras operetas e fantasias, e citamos, por exemplo, O Sonho do Cavador, A Cigarra e a Formiga, Justiça de Sua Majestade, Entre Giestas e O Grande Industrial, tiveram guarda-roupa de sua autoria, muito do qual ainda se conserva entre o vasto espólio da colectividade.

Em 1928 foi distinguida com o diploma de sócia honorária, como reconhecimento dos serviços prestados.
Caderno: Tavaredenses com História

António Medina


Natural de Verride, nasceu no dia 20 de Janeiro de 1872, filho de Joaquim Medina e de Maria da Cruz.

Foi serralheiro na Companhia do Gás e Águas, onde se empregou muito novo. Depois do falecimento de seu pai, mudou a residência para o então chamado Casal do Rato e, casando com uma tavaredense, Otília Nunes, fixou-se em Tavarede.
Grande adepto do associativismo, como forma de cultura popular, começou a participar no grupo cénico e na filarmónica Verridense.

Quando estabeleceu residência em Tavarede, logo ingressou nos grupos dramáticos das Associações Velha e Nova, que funcionavam na Casa do Terreiro e no Palácio do Conde de Tavarede. Representou com os amadores dos grupos de João José da Costa e João dos Santos, na Casa do Terreiro, e do dr. Manuel Gomes Cruz, na Estudantina Tavaredense, onde também se integrou na sua tuna.

Foi um dos subscritores da lista que deu origem, em Janeiro de 1904, à fundação da Sociedade de Instrução Tavaredense. Foi director e amador dramático desta colectividade até meados de 1911, tendo saído, juntamente com seu irmão José, para fundar, em Agosto daquele ano, o Grupo Musical e de Instrução Tavaredense.

Continuou a dedicar-se ao teatro e à música, na tuna tocava rabecão (violão baixo), mas foi como director que mais se destacou na vida desta associação.

Em 1931, devido às enormes dificuldades financeiras do Grupo Musical, que não conseguiram ultrapassar, esta colectividade teve de vender o edifício da sua sede e mudar-se para o palácio, à altura pertencente a Marcelino Duarte Pinto. Deu a sua colaboração à tuna do Grupo até à sua extinção no ano de 1938.

A partir de então abandonou, por completo, a sua actividade associativa. Além da sua profissão, também era um pequeno lavrador, possuindo e amanhando umas terras na Chã e na Matioa. O vinho que produzia, tinha muita fama e costumava vendê-lo ao copo, na sua adega, em cuja porta, na época própria, pendurava enorme ramada de loureiro.

Foi membro da 1ª. Comissão Paroquial Republicana, eleita em 1911. O Grupo Musical homenageou-o, em 1925, descerrando o seu retrato, o qual se encontra exposto no salão da colectividade.

Morreu no dia 8 de Maio de 1958, encontrando-se sepultado em Tavarede. “O extinto, que fixou residência em Tavarede, ainda muito novo e ali constituiu família, foi um honrado cidadão estimado por todos que com ele privaram mercê do seu excelente carácter, tendo sido um entusiasta amador do teatro e da música, pelo que fundou o Grupo Musical e de Instrução Tavaredense”.


Caderno: Tavaredenses com História

D. Maria Mendes Petite

Fidalga do século catorze, foi casada com Estêvão Coelho e mãe de Pêro Coelho, que foi um dos carrascos de D. Inês de Castro, ao qual o rei D. Pedro I mandou justiçar, arrancando-lhe o coração pelas costas.

“O convento das freiras Dominicas, fundado em 1345, à custa de D. Maria Mendes Petite, na própria casa da sua residência, e doado às Donas Pregaratas, da Ordem de S. Domingos de Santarém”.

Esta fidalga dotou o mencionado convento com diversas propriedades que possuía em Vila Nova de Gaia; umas casas e herdade em Leiria; um terço de outras herdades em Santarém; umas azenhas e marinhas de sal em Tavarede…”.

Não há qualquer indicação quanto à localização das azenhas e das marinhas doadas.
Caderno: Tavaredenses com História

Sociedade de Instrução Tavaredense - 70


Como era habitual Mestre José Ribeiro fazer a apresentação das peças que levava à cena, foi com estranheza que, em 1984, antes da representação não tenha havido tal apresentação. O Mestre desta vez, apesar de ainda conservar todo o seu vigor, como o demonstrou a discursar na sessão solene, resolveu fazer a apresentação de Gil Vicente com um prólogo e quatro partes que preparou para o efeito. E foi desta forma inovadora, que José da Silva Ribeiro, depois de uma carreira teatral de quase oitenta anos, fez a última apresentação de um espectáculo ao povo da sua terra. Este motivo, leva-nos a aqui inserir a notícia, sobre este caso, publicada em ‘A Voz da Figueira’.

“A velha, prestimosa e consagrada Sociedade de Instrução Tavaredense, fundada em 15 de Janeiro de 1904, ali à ilharga da nossa terra, comemorou o seu 80º aniversário. Como sempre de forma tão adequada como simpática. Mas neste caso de maneira excepcionalmente brilhante, por o número em que figurou a costumada apresentação de uma escolhida peça teatral ser este ano constituído pela exibição da peça inédita em 1 prólogo e 4 partes, intitulada “Na Feira de Gil Vicente”, adaptação de mestre José da Silva Ribeiro e de homenagem e evocação da obra genial do fundador do Teatro Português.


‘Na Feira de Gil Vicente’

Foi, pode dizer-se, o brilhante corolário de uma inigualável actividade cultural, através do teatro, da colectividade aniversariante e também de uma acção ímpar, sob diversos aspectos, dessa grande figura de tavaredense, teatrólogo e democrata que é José da Silva Ribeiro. Só o que este nosso ilustre conterrâneo tem dado a conhecer ao povo do concelho sobre figuras e episódios da história nacional e de maneira particular e a merecer menção de relevo e justíssimo louvor a respeito de Tavarede e da Figueira e sua evolução através dos tempos, desde os mais remotos até à actualidade, não pode de maneira alguma ser resumido nas colunas de qualquer periódico. Mas isso de forma nenhuma deve impedir-nos de aqui deixar registado um superficial esboço do que tem sido há dezasseis lustros a vida da colectividade aniversariante e há mais de 65 anos a extraordinária, persistente, benemérita e incomparável actuação dentro dela da personalidade de José da Silva Ribeiro, servindo-a com a mais inexcedível abnegação e verdadeiro espírito de sacrifício sob todos os aspectos que é possível, desde os cargos directivos aos de autor teatral e “alma mater” da sua famosa secção dramática. Cuja fama largamente ultrapassou os limites do distrito, espalhando-se por importantes cidades e terras do país que visitou por várias vezes e sempre deixando significativamente assinalados a sua intervenção e invulgar brilho e mérito desta.

Para comprovar o que bastará, com certeza, registar certos factos que julgamos bastante elucidativos. A começar pelo de, após a brilhante carreira, com as suas múltiplas representações, nos vários palcos em que foram exibidas, das famosas peças “O Sonho do Cavador” e a “Cigarra e a Formiga”, das quais José da Silva Ribeiro foi o grande impulsionador e a que deu a mais operosa, destacada, importante e útil colaboração literária e teatral e depois de todo o grande esforço da sua montagem e encenação, ele jamais ter abandonado essa fase criadora de brilhante autor dramático. E, em virtude disso, ter escrito e feito representar esse belo rosário de inesquecíveis produções teatrais que começam em 1950 com “Chá de Limonete” (3 actos e 24 quadros) e continuam com “Terra do Limonete”, em 1961, “Camões e os Lusíadas” (1972), “Mesa Redonda” (1975), “Ontem, Hoje e Amanhã” (1979), “Ecos da Terra do Limonete” (1981), “Viagem na Nossa Terra (“Da folha de uma figueira à folha de uma videira”) (1982) e este ano “Na Feira de Gil Vicente”.


José da Silva Ribeiro
Uma das últimas fotografias suas

Uma destacada obra cultural a que não podem deixar ainda de associar-se, porém, coisas tão significativas como: uma famosa “Campanha Vicentina”, que levou a obra genial ao povo das nossas aldeias concelhias; as notáveis “Comemorações do Centenário de Garrett”, representando “Frei Luis de Sousa”, para além do nosso concelho, em Coimbra, Leiria, Tomar, Pombal, Alcobaça, Sintra, Soure, Marinha Grande e Condeixa; as comemorações do “Centenário de Marcelino Mesquita”, com a representação de “Peraltas e Sécias”; do “Centenário da Morte de D. João da Câmara”, levando à cena a sua famosa peça “Os Velhos” e do “V Centenário da Morte do Infante D. Henrique”, com a representação de “O Beijo do Infante”, do mesmo autor da peça anterior.

Para não deixar de fazer ainda referência à preciosa intervenção de José da Silva Ribeiro e da Sociedade de Instrução Tavaredense, no “IV Centenário de Shakespeare”, no “V Centenário do Nascimento de Gil Vicente” e “IV Centenário da Publicação dos Lusíadas”, no qual foi levado à cena o “Auto de El-Rei Seleuco” e uma evocação escrita propositadamente para o efeito.

O que tudo torna sumamente merecedora deste postal de efusivos parabéns a colectividade aniversariante e José da Silva Ribeiro, digno de todos os louvores que seja possível endereçar-lhe nesta ocasião festiva e bem merece pelos seus mais de 65 anos consecutivos de serviços ao teatro e à cultura, com a isenção, talento, amor e inteligência que os tornam excepcionais, como ainda pelas qualidades morais e cívicas que lhes emprestam adequada moldura e dão ainda maior relevo e projecção”.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 69

Ainda em 1982, foi representada a peça ‘O Fim do Caminho’. E para o aniversário a comemorar em Janeiro de 1983, foi posta em cena a revista fantasia ‘Manta de Retalhos’. Foi a última, de uma longa lista, que Mestre José Ribeiro escreveu contando ao povo da sua terra a história, os usos e os costumes dos nossos antepassados.







‘O Fim do Caminho’





‘Afinal a Organização das Jornadas Culturais de Teatro Amador, não teria por certo dificuldades em presenças de colectividades, se por ventura as mesmas quisessem apresentar uma peça que já tivesse sido vista e revista! E dizemos isto apenas por concordarmos em absoluto com comentários ouvidos e que praticamente transcrevemos. Mas, falando de outro assunto, assistimos ontem à representação da peça “O Fim do Caminho”, num original de Allan Langdon Martin e levada à cena pela Sociedade de Instrução Tavaredense. E então, partindo do princípio de que o Teatro é a imagem e não realidade, o Teatro não se faz com homens! Faz-se isso sim com personagens; e os personagens de Teatro ou são transfiguração da sua (Teatro) verdade ou então são bonecos sem significado. Essa transfiguração é orientada precisamente através da interpretação que o encenador (quem foi?) faz do texto e do estilo que vai seguir. E foi isso que aconteceu: Dentro do estilo realista o encenador não transformou a acção dramática numa cópia da realidade (e muito bem) aproximou-se o mais possível da realidade histórica referente à época em que a acção decorreu, muito bem acompanhado por um belo guarda-roupa. Quanto à distribuição, ele não nos pareceu de todo correcta, tão somente pelo facto de um interveniente nos parecer o que poderemos considerar de “monocordo” e o personagem de Jeremiah Wayne, sem qualquer descortesia para quem o interpretou, mesmo com o rigor da caracterização que tentaram dar-lhe, estaria talvez um pouco deslocado na idade. Salvo as espreitadelas pela cortina e aquelas falhas que todos nós sabemos existirem antes dos actores entrarem, a representação não nos merece grandes reparos, mas sim um bravo. Gostámos de assistir a um nivelamento mais ou menos correcto dos actores, mas é claro que João Medina, foi ele mesmo, quer no velho Dr., quer no Centro Dramático. A todos, gratos pela representação’. Retirámos esta nota do jornal figueirense ‘Mar Alto’, a propósito da participação do nosso grupo nas Jornadas de Teatro Amador de 1983.

O 80º. aniversário da Sociedade de Instrução Tavaredense foi festejado nos dias 14 e 15 de Janeiro de 1984. Mestre José Ribeiro ainda teve forças para montar um espectáculo extraordinário. Mais uma vez apresentou Gil Vicente. E fê-lo como só ele era capaz de o fazer. ‘Há muito que, em Tavarede, o Teatro anda associado a todas as manifestações das suas gentes. Não será exagerado afirmar-se, até, que a vida em Tavarede gira em torno do seu Teatro. E, se alguém tiver dúvidas a tal respeito, apenas terá de ali se deslocar numa dessas ocasiões para constatar.




‘Na Feira de Gil Vicente’
Auto da Barca do Inferno





Agora, na comemoração do 80º aniversário da Sociedade de Instrução Tavaredense, o fenómeno repetiu-se: o momento mais alto das comemorações teve lugar no seu magnífico teatro onde foi levada à cena a peça “Na Feira de Gil Vicente”, com adaptação desse “homem grande de Teatro” que é José Ribeiro. Gil Vicente foi, assim, o “convidado” de honra de Tavarede, Gil Vicente que poderemos quase considerar familiar ali (quem não se lembra da inesquecível “melhor Maria Parda” que foi, sem dúvida, a saudosa Violinda Medina?). Desta vez foram levadas à cena: “No Lar de Uma Família Judaica” (prólogo), “Auto da Barca do Inferno”, “O Pote da Mofina Mendes”, “Gil Vicente vem à Feira” e “Auto da Feira”. Mas não será ousado apresentar, em Tavarede, peças de tal nível cultural?

É certo que a pergunta teria perfeito cabimento em relação à maioria dos centros portugueses. Mas a Tavarede não. É que ali há como que uma “representação colectiva” em que os que não sobem ao palco “representam” na plateia. Poder-se-á afirmar (passe o plágio) que quem não representa já representou e é esse facto que cria o tal ambiente em que se “respira teatro” e torna quase familiar a presença dos grandes vultos da cultura teatral. O teatro passou a fazer parte da vida desta gente, razão pela qual Gil Vicente é compreendido.

E sobre o espectáculo? Julgamos ter dito o suficiente. Adiantaremos, no entanto, que vimos em palco quatro gerações. E que, se aquele Diabo (João de Oliveira) foi o melhor que já vimos, “o sapateiro” (José Luiz Nascimento) e “o parvo” (João Medina Júnior), foram apenas duas excepcionais actuações num conjunto que surpreendia pela segurança com que todos dominavam a complicada linguagem de Gil Vicente, um autor que efectivamente, não está ao alcance de muitos grupos. Que nos perdoe o leitor a escassez de nota de reportagem aqui contidas. Mas a verdade é que, para poder ter uma ideia exacta do que foi o espectáculo, só terá uma forma: deslocar-se lá na próxima representação (21 do corrente às 21,45) só assim poderá ficar com uma ideia de conjunto, desde a peça aos actores, da orquestra (dirigida por José Custódio Ramos) ao guarda-roupa (Anahory), dos cenários... a tudo. Vá, que não se arrepende”.


‘Na Feira de Gil Vicente’


Na sessão solene desse aniversário, foi orador oficial o Dr. José Manuel Leite, grande amigo da nossa Colectividade. Permitam-nos que aqui recordemos algumas das suas palavras a propósito do espectáculo da noite anterior. ‘… Venho-vos hoje falar de um génio! Esse génio era o dono da “Feira” que vimos ontem representar neste teatro – Gil Vicente – “Feira” essa que foi montada por esse outro homem genial que nos acostumou a pedir-lhe e a exigir-lhe cada vez mais. Um é Gil Vicente, o outro é José Ribeiro. Pouco me importa neste momento perder-me em considerações de juízo de valor entre os dois. O que me importa é dizer o que os dois fizeram, nas suas respectivas épocas, contextos sociais, políticos e económicos e as condições de trabalho de cada um. O que me interessa salientar nesta hora, é que sem o segundo – José Ribeiro – nós aqui em Tavarede não conhecíamos o primeiro – Gil Vicente.

O que tem que ser salientado é que Gil Vicente renascentista, acarinhado e protegido pela corte portuguesa nos alvores do Séc. XVI, chegou ontem (como já o havia feito em ocasiões anteriores) a este palco, e a estas gentes. E isto devemos a Mestre José Ribeiro. Bem haja!”. Mais adiante afirmou: “Não é do Mestre José Ribeiro que venho hoje aqui falar. É do outro génio, é do seu colega Mestre Gil. E se tenho o arrojo de o fazer, é para suprir a falta das suas tão belas introduções a que em anos passados nos habituou antes de levantar o pano. Penso ser importante que todos façamos um esforço de caminharmos para trás no tempo – só 500 anos! Vamos deixar por uns momentos as preocupações do custo de vida, a ameaça dos mísseis nucleares, da “cultura” televisiva dos folhetins brasileiros. Ainda que não saiamos do país, vamos até à corte de D. João III, no alvor do séc. XVI…”.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

José Maria Cordeiro (Zé Neto)

Nasceu no dia 20 de Fevereiro de 1910, filho de João Cordeiro e de Maria Joaquina Vaz. Era conhecido por José “Neto”, pois seu avô e um tio tinham o mesmo nome.
Casou com Maria José da Silva Figueiredo e teve uma filha, Helena Maria.
Muito culto, foi um grande coleccionador de “ex-libris”, deixando uma bem organizada colecção, e dedicou-se à história da sua terra, organizando vários cadernos com recortes de jornais, especialmente relacionados com o teatro da Sociedade de Instrução Tavaredense.
Adepto das práticas desportivas, foi um dos fundadores do Sportsinhos Futebol Clube, em 1926, de que foi dirigente e atleta, e no ano de 1940, do Atlético Clube Tavaredense, “que se propõe trabalhar no sentido de chamar ao desporto, alguns “terroristas” que ainda por aí existem, que vêem erradamente no desporto não o revigoramento da raça, mas, sim, o seu definhamento”.
Foi muito dedicado à Sociedade de Instrução, exercendo diversos cargos directivos e de responsável pela biblioteca, que dirigiu durante vários anos com a maior proficiência. A colectividade distinguiu-o com o diploma de sócio honorário, em 1979.
No grupo cénico, onde actuou, como amador dramático, de 1946, na peça Horizonte, até 1965, em Centenário de Gil Vicente, interpretou diversas personagens em peças levadas à cena. No entanto, a sua grande colaboração prestada ao teatro terá sido como ponto, tarefa que desempenhou enquanto teve saúde.
Foi correspondente de jornais figueirenses e, em 1957, escreveu versos para serem cantados com a música da marcha “Tavarede tão airosa”, de António de Oliveira Cordeiro, a que deu o título de “Marcha dos Pacatos”:

Tavarede, aldeia linda,

De perfume sem igual,
Filha da mais bela praia
Deste lindo Portugal.
Foi berço de fidalguia,
Deixou nome na história,
Hoje tem o seu teatro
P'ra lhe dar fama e glória.
Figueira, terra formosa,
Tens o condão de encantar
Quem lá vai a vez primeira,
Por força há-de voltar.
Pequenina, aconchegada,
Cada canto é um alegrete,
Para a cura das 'maleitas'
Tem o 'chá de limonete'.

Temos por nome “Os Pacatos”,
- Esse nome não negamos –
Mas se nos chega a “mostarda”
Com certeza espirramos.

Esta vida são dois dias,
Toca a rir, folgar, gozar…
E se dívidas cá deixarmos
Alguém as há-de pagar.

Sua esposa, Maria José (19.03.1910 – 22.04.1984), filha de Helena Figueiredo Medina, também foi uma excelente amadora teatral, Iniciou-se em 1925, na opereta Em busca da Lúcia-Lima e terminou, em 1929, em A Cigarra e a Formiga, participando em Pátria Livre, Grão-Ducado de Tavarede, O Sonho do Cavador, etc. Igualmente a Sociedade de Instrução lhe concedeu o diploma de sócia honorária, em 1928.


Caderno: Tavaredenses com História

João Jorge da Silva


Natural de Tavarede, onde nasceu no ano de 1882, era filho de José Jorge da Silva e de Ana Cunha. Era conhecido por João da Simôa, certamente porque terá nascido ou morado neste lugar, no caminho da Chã. Casou com Clementina Nunes Proa e tiveram dois filhos: António e Emília. Faleceu a 5 de Maio de 1952, com a idade de 70 anos.
Profissionalmente foi tipógrafo, exercendo funções de impressor na tipografia de “A Voz da Justiça”.
Aderiu, desde a sua fundação, ao Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, onde, em 1912, foi professor de uma aula de música. Dirigia a orquestra dos teatros e foi o organizador e regente da primeira tuna desta associação, à frente da qual esteve cerca de seis anos. Foi nomeado sócio honorário desta colectividade em Dezembro de 1937.
Abandonou a actividade associativa, por volta de 1918. No entanto, em Abril de 1924, aparece uma notícia informando que “decorreu animadíssimo o baile realizado na Sociedade de Instrução Tavaredense no último sábado, por iniciativa do nosso amigo João Jorge da Silva. A concorrência foi grande, reinando a melhor alegria e prolongando-se a dança até alta madrugada de domingo”.
Sua esposa, Clementina, dedicou-se, durante muitos anos, à venda de tremoços, freiras e pevides, com “estabelecimento” no Largo do Paço, junto ao qual moravam.


Caderno: Tavaredenses com História