quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 77

No dia 18 de Novembro de 1994 comemorou-se o centenário do nascimento de Mestre José da Silva Ribeiro. A colectividade e o seu grupo cénico de forma alguma poderiam deixar de assinalar a efeméride. E fizeram-no com enorme brilho, segundo os comentários publicados em diversa imprensa.

“… Com a lotação esgotada, a SIT assistiu, na noite do dia 18, ao regresso, às tábuas do seu palco, de Mestre José Ribeiro, sempre presente mercê de uma feliz encenação, que transportou para o palco objectos do Mestre, como a sua secretária, a sua cadeira, o seu candeeiro… o seu lugar de trabalho. Depois, bastaria um pouco de imaginação. E essa não faltou aos que conceberam esta representação, estas “Palavras de Uma Vida”, baseada em textos retirados do diário do homenageado, de passagens de algumas cartas, de peças que o Mestre levou à cena. Depois de tudo o que vivemos no dia 18 … Tavarede cantou os parabéns a José da Silva Ribeiro”.

Centenário do nascimento de José da Silva Ribeiro ‘Palavras de uma Vida’

O relatório da Direcção desse ano, refere, a propósito desta homenagem: “… gostaria de referir que se o êxito obtido com este espectáculo nos envaidece, também nos leva a sentir uma maior responsabilidade… … sabendo-se, pela experiência, que a defesa da tradição não significa, necessariamente, repetição, tudo faz supôr que a SIT esteja a escrever não só mais uma página na sua longa e rica história, como também tenha aberto o capítulo dedicado ao futuro. Mas o futuro não se mostrou nada fácil. E só com grande esforço e dedicação se tem conseguido manter em actividade a tradição tavaredense de fazer Teatro”.

“Antes do espectáculo houve uma sessão solene, a que presidiu o presidente da Câmara Municipal, e durante a qual vários oradores se referiram à vida e obra de Mestre José da Silva Ribeiro. Em nome da Sociedade de Instrução Tavaredense usou da palavra a presidente da Direcção drª Ilda Simões, que falou da herança nobre e rica legada por José da Silva Ribeiro e da responsabilidade de lhe dar o devido sentido, especialmente por falta de apoios financeiros, terminando com uma saudação especial ao homenageado. Este tom teria sequência na poética e tocante mensagem de Isaura Carvalho e prolongado na intervenção da drª Ana Maria Caetano que a rotulou como de gratidão e que desenvolveu com o comovido sentido autobiográfico devido a um pai espiritual.

Centenário do nascimento de José da Silva Ribeiro - Aspecto da sessão solene

A emoção cedeu lugar à razão quando foi lida mensagem do “Grande Oriente Lusitano” de saudação a José da Silva Ribeiro, na qual se destacava o papel na intransigente defesa dos valores da maçonaria e de como os soube pôr em prática na imprensa, na educação, na filantropia e no teatro… … O Dr. Deolindo Pessoa, homem de teatro que tem espalhado os conhecimentos adquiridos no TEUC por diversos agrupamentos nomeadamente o CITEC (Montemor-o-Velho) ou por terras de Lamego onde exerceu medicina, prestou homenagem ao saber e perseverança de José da Silva Ribeiro (sem esconder que as diferenças estéticas eram suplantadas pelo amor ao teatro) e pediu à Câmara Municipal que institucionalizasse o organismo coordenador das actividades teatrais do concelho, solicitado em 1986 aquando do 1º Encontro Regional de Teatro de Amadores organizado pelo Lions Clube da Figueira da Foz.

Na sua intervenção o presidente da Câmara Municipal, no que devia ter sido o encerramento da sessão solene, centrou a sua filosófica intervenção em torno da coerência e verticalidade da vida de José Ribeiro e da “probidade e profunda qualidade da sua pluridisciplinar e multifacetada obra” aspectos que em sua opinião cumpre analisar num sentido prospectivo e “não numa redutora perspectiva exclusivamente revivalista e panegírica”.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Até Deus querer, senhor Administrador!


Senhor Administrador!!! Era o meu cumprimento diário. Durante tantos anos...

Há muito que estou habituado a sair de casa, por volta das 9 horas da manhã, ir beber o cafézito (a indispensável bica) à Santa Maria e, logo a seguir, visita à Casa Salgueiro. Cumprimentava o primo Zé Cordeiro, a Lita e a Sílvia. Era o costumado "Bom dia, senhor Administrador! Então de que se queixa?". Ele encolhia os ombros e eu completava "De nada, graças a Deus!".

Quando, por qualquer motivo eu não aparecia por lá da parte da manhã, ficavam em cuidados e telefonavam a saber se havia algum problema... Já era um hábito velho.

Pois o senhor Administrador, o meu primo Zé Cordeiro, partiu agora para a tal viagem para a qual todos nós temos bilhete reservado. É curioso: era o mais velho de três irmãos e foi o último a partir. Tinha 88 anos, completados no passado mês de Setembro.

Era um homem extraordinário. Bom e educado, estava sempre receptivo para com todos, amigos ou simples conhecidos. A Sociedade de Instrução Tavaredense era uma das suas paixões. Aliás, o Zé Cordeiro vivia para a Família, para a sua loja e para a colectividade. Foi um grande colaborador de mestre José Ribeiro. '... Em Tavarede, naquele tempo, ainda não havia automóveis e, então, lá ia o Zé Cordeiro levar a Violinda, na vespa, a sua casa na Rua da Fonte. Já os amadores tinham regressado a suas casas depois do ensaio, e só eu e José Ribeiro e a Violinda, à minha espera para a ir levar... Algumas vezes aconteceu com uma outra amadora, por sinal muito boa a representar, a Inês, que vivia no Casal da Robala, ser acompanhada a casa, a pé, por José Ribeiro. Eu ia à Figueira levar a Violinda e depois regressava pelo caminho do Casal da Robala, ao encontro do Mestre. para o trazer de volta para sua casa. Vezes sem conta isso aconteceu...". Este retalho faz parte do depoimento que escreveu para o livro do Centenário da SIT. É suficiente para mostrar a sua dedicação àquela casa.

Chegou, agora, a sua hora. Deixa imensas saudades. Que descanse em paz, é o que sinceramente deseja este velho primo, companheiro e amigo.
A fotografia acima terá sido a última que tirou. Foi no seu estabelecimento, na Casa Salgueiro.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Curiosidade

RELAÇÃO DAS FAMÍLIAS DE TAVAREDE E SEUS DESCENDENTES QUE CONHECI
DESDE 1915 A 1935.

Por Virgílio Silva Ramos

Com início na Casa do Paço (antiga habitação dos ex-Condes de Tavarede). seguindo pela ala direita da rua principal até á igreja da freguesia

- Casa do Paço -

Marido e Esposa Filhos

João Rosa - srª. D. Aninhas - Maximiano
António d’Oliveira (viúvo) - João, Etelvina e António
José Mª. Almeida Cruz - srª. Guilhermina - Augusto e António (Almeida Cruz
cantor)
José Maria Cordeiro - srª. Anita - José, Laurinda, João, Mário,
António e Marquinhas
Silvestre - esposa (?) - Palmirinha
Arménio Santos - srª. Palmirinha - Mènito
António Mota - srª. Mª. Joaquina - (sem descendentes)
José Mª. Marques - srª. Preciosa - Elisa e Augusta
José Cordeiro(3º) - srª. Otília - Maria Otília
Francisco Proa - srª. Amélia - Guilhermina, Manuel, João, Maria
e Etelvina
David d’Almeida - Marquinhas - José, Idalina, Rosa e David
Maria Mota (viúva) - Emília e António
Manuel Monteiro - srª. Anita - Lídia
José Medina - srª. Helena - Otília
António Cascão - srª. Aurélia - César, Emília e Maria Jesus
Francisco Cordeiro - srª. Marquitas - Guilhermina, Emília e Rosa
João d’Oliveira - srª. Guilhermina - António, Manuel, Clarisse, Maria
Virgínea e João
João dos Santos - srª. Marquinhas - João, Arménio e Felismina
Gentil Ribeiro - srª. Emília - José, Felismina, Fernando,
Virgínia, Marquinhas, Guilhermi-
na e Gentil
João Torto - srª. Emília Alhadas - António e João
Padre Vicente - e criada - (sem descendência)
José Madurinho - srª. Mabília - Saúl
Joaquim Marques - srª. Rosa - Enedina, Helder e Benilde
Isequiel Mota - srª. Maria - Carmina, Eduardo, Joaquim, Au-
gusto, José, Albino e Idalina
Joaquim Noca - srª. Mariana - António, Maria, João, Virginia e
Emília
Maria Adelaide (viúva) - João
César Cascão - srª. Ascenção - Aurélia e João
António ... - ti Rosita - (sem descendência)
Joaquim Grilo - srª. Hermínia - Elísio, José, Maria e Adelina
Joaquim Melaço - srª. Maria Grila - Cacilda, Florinda, José, Guilher-
mina, Laura e Maria
João Salgado - srª. Emília - Augusta, António, João e Rosa ?
Manuel Botija - srª. Maria - Francisco, António e Adelino
José Ramos - Srª. Filomena - Virgílio, Maria, Aida,Emília e Rosa
Manuel da Calçada - srª. Mª. José - (sem descendência)
Florinda (viúva) - Luciana
António Gato - srª. Luz Soares - Luiz
João Noca - srª. Marquitas - Evangelina, Constanto e Bacelisa

Segue a rua Principal da igraja até ao Paço

António Melaço - srª. Etelvina (o bruto) - (sem geração)
Joaquim Toquim - srª. Ricardina - Manuel, António, José, João e
Joaquim
Manuel Escaldado - srª. Polónia - Ricardo e Viriato
António da Chã - srª. Emília - (sem descendência)
Tenente Almeida - srª. Beatriz - Alda, Lucília e Albertina
António Cachulo - srª. Clementina - Maria, Augusta, Idalina e César
José Melaço - srª. Beatriz - António e Clementina
António Melaço - srª. Maria José - José, Jesus, Emília e Júlia
Aníbal Prôa - srª. Mª. Jesus - Isolino e Ricardo
António Carvalho - srª. Etelvina(Lameira) - (sem geração)
Martinho - srª. Sofia - Hermínia, Leonilde, Augusta, Mar-
quinhas, Aires e Guilhermina
António Salgado - srª. Augusta - Laura, Sofia e Isabel
José da Silva Cordeiro - srª. Rosa - José, Raúl e Emília
Faustino Ferreita - srª. Emília - Renato
António Medina Júnior - srª. Emília - António e Almira
Manuel Maltez-(viúvo) srª. Feliciana - António, Piedade, José Maria,
Carmina, Emília e José
José Mª. Terreiro - srª. Amélia - Amélia e José Maria
José Jorge - srª. Maraia Cruz - Manuel J.Cruz (da Voz da Justiça)
António Silva - srª. Augusta - Adriano e José
António Medina - srª. Otília - António, José, Violinda, Pedro e
Ricardo
José Cipriano e filho Assalino - srª. Maria - Ermelinda, António, Francisco,
Alberto, José e Máximo
Mário Cordeiro . srª. Rosa - António e José
Cascôas (velhas) solteiras - (sem descendentes)
João Cordeiro - srª. Maria - José, Joaquim,Arménio e António
Guilhermina Fadigas (viúva) - Emília
Marcelino - srª. Emília - (sem descendentes)
Rosa Pais (viúva) - ( “ “ )
Manuel Cascato - srª. Eugénia - Ilda, João, José e Celeste

Segue a Rua dos quatro caminhos (Senhor d’Arieira)

José Mª. Fresco - srª Maria Luísa - Maria, Camila, Celestino e José

Segue a Rua da Fonte até à Várzea

António Menano - Srª. Marquinhas - Almerinda, Emília e Alice
José Medina - srª. Maria - Jorge, João, Joaquim, Gracinda
e Manuel
António Matias - srª. Maria - Manuel, José, António e Joaquim
ti Roque - srª. Rosa Clara - Belmira
Antónia Carriça (sòzinha) - (sem descendentes)
Francisco Loureiro - srª. Emília - ?
José Cavaleiro - srª. Maria - Maria e Constantino
Manuel Loureiro - srª. Maria - Francisco, Maria, José, Manuel,
Rosa, Beatriz, Laura, etc.

Seguem as ruas interiores e Stº. Aleixo

José Mª. Maltez - srª. Ascenção - (sem descendentes)
António Maltez - srª. Rosa Maganôa - António, Virgínia e João
Joaquim Lopes - srª. Augusta (tarouco) - Joaquim, Domingos, Maria, Antó-
nio, Maximiano, Francelina, Ma-
nuel e João
Jaime Broeiro - srª. Ana Rôla - António Joaquim e Celeste
Manuel Leonor - srª. Maria - Joaquim,Celestino,Amélia e Maria
Samuel - Delfina Rôla - Ana
Francisco Carvalho - srª. Maria - José, Joaquina, etc.
Fernando Ribeiro - srª. Maria - Fernanda e Aurélia
Manuel Fernandes - srª. Mª. Augusta - Idalina, Alice, César,Emília e José
António Noca - srª. Constância - Maximiana, João, Emília, Alzira,
Carolina e Constância
Joaquim José - srª. Joaquina - João, Anita, Rosalina, Guilher-
mina, António e Adelaide
Mateus Cordeiro - srª. Joaquina - Isabel, José e João
Benjamim Monteiro - srª. Isabel - Silvino, Jorge, Alice, Arménio e
Canuto (faltou Rui)
António Grilo - srª. Anita - José, João, Emília e Efigénia
Manuel M. Fadigas - srª. Eduarda - (...)
Manuel das Botas - srª. Emília - Luz, João, José e Olímpia
José Lindote - srª. Mª. Miúda - Maria e Manuel Lindote
António Fadigas - srª. Glória - António (sargento) faleceu no
Ultramar. (José. António era o
mais novo. Falta Inédine)

Manuel da Chã - srª. Joaquina - Leopoldina, Belmira e António
José Moço - srª. Angélica Palaia - Evangelina e Adelaide
João Russo - srª. Maria - António, Marquinhas, Emília e
José
Manuel Sêco - ti Justina Grila - Maria, Beatriz, Augusta, Laura e
Emília
João P. da Silva - srª. Catarina - José, Caetano, Elísio, Ana, Fi-
lomena e Maria(do 2º matrimónio)
José G. d’Apolónia - srª. Idalina
António Amaral - srª. Piedade - Benjamim, Manuel (Balé) e Vita-
lina (Falta Maria)
José Vigário - ti Marquitas Pires - (sem descendentes)
António Jerónimo - srª. Laura - Mário António e Firmino António
(é Fermim)

-Estas 5 famílias ficaram fora da ordem por habitação-

Josefina Nunes (viúva) - Ricardo e Rosa
José Noca - srª. Maria Ribeiro - Letícia
João da Simôa - srª. Clementina - António e Emília
António Jorge - srª. Estrêla - Clementina
Domingos Lopes - srª. Belmira - (sem descendentes)

Segue a Rua do Outeiro

António Carvalho - srª. Mª. Cascôa - Francisco,Joaquina e Marquinhas
Francisco Pila - srª. Joaquina - José, Celeste (falta António e Júlio-
Henrique Broeiro - srª. Emília - Jaime, António, Manuel e José
António Marques - srª. Júlia - Augusto, Joaquim e Júlia
Manuel Tá-Mau - srª. Maria - Helena, Joaquim e João (Adelino)
José Cordeiro Neto - srª. Mª. José - Helena Maria
Manuel Batª. Ferreira - srª. Emília - Mário, Carlos, Alexandre, Manuel,
José e António
Elídio - srª. Maria Faim - (sem descendentes)

Segue o caminho dos Canos

José d’Almeida Ramos - Clarisse - Anabela
José Serra (da Rita) - srª. Maria - Marquinhas, Eduarda, José e
Fernando
João do Ricardo - srª. Maria - António, Emília e Rosa
António Maria - srª. Joaquina - Abel, Júlio, Adelina e Adriano
Domingos Tavares - srª. Maria - José António, Belmiro e Maria
Emília
Emília Monteiro (viúva) - Carlos e Benjamim

Segue o caminho do cemitério até ao Saltadouro

José Toquim - srª. Maria - Manuel, Emília, António, Marqui-
nhas, Urbano, Eugénia e Adelino
João Gaspar de Lemos (viúvo) - Ricardina e Cândida
Joaquim Madrugada (viúvo) - António, Carolina, Rosa, Manuel
e Francisco
António Catalão (viúvo) - Marta
Manuel M. Fadigas - ti Maria - João, Joaquim, Maria e Manuel
António Ferreira - srª. Margarida - Quitas, Emília, Beatriz, Joaquim,
José, Carlos e Faustino (o lº.)
Manuel Ladeira (viúvo) - António e Maria
Joquim Médoinho - srª. Maria - José, Maria e Aurora
António Faim - srª. Delfina - Manuel, Josefina e Maria
Manuel Rocha - srª. Adelaide - José (o Prosa)
José Larpão - srª. Augusta - Manuel e José
António Peidito - srª. Maria - Augusto e António
José Figueiredo - srª. Piedade - Manuel e Augusto
Manuel Geada - srª. Joaquina - Belmira, Maria e João
João Quilheiro - srª. Maria - António, José e Augusta
Joaquim Viúvo - srª. Rosa - Manuel e Marta
José Figueiredo - srª. Maria - César, Antº. Augusto e João

Foi escrito em 1988, por Virgílio Ramos

NOTA: Por lapso não foram registadas na devida altura as seguintes famílias:

António Lopes - srª. Emília - António (Engenheiro)
António Prôa - srª. Emília - Francisco, João, Aníbal e Cle-
mentina
António Jorge - srª. Estrela - Clementina
Pedro Medina - srª. Maria - Vitor e Violinda
António Tavares - srª. Emília - (?) (Ermelinda, António e José)
José Grilo - srª. Josefa - (?) (António, Emília e João)
João Gaspar - srª. Emília - (?) (João Pedro)
Manuel Tondela - srª. Joana - José, Maria José e Eugénia
Fradique (viúvo) - Rosa e Virgínia
José da Simôa - sacristão (viúvo) - Joaquim, João e Emília

Nota - Esta relação foi feita pelo saudoso tavaredense Virgílio Ramos, muitos anos depois da sua deslocação para Coimbra. Foi feito de memória, disse ele. Tem algumas falhas. Seria interessante actualizar esta listagem, mas não tenho elementos para tal, o que certamente iria originar imensas falhas. Assim, publico esta relação para que se houver alguns conterrâneos que disponham de elementos, tanto para a correcção como para a actualização, muito agradeço.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 76


“Considerada por muitos como a catedral do teatro amador do nosso concelho, a Sociedade de Instrução Tavaredense está a comemorar noventa anos de existência brilhante, sendo unanimemente realçada a sua acção dentro do movimento associativo, a influência pedagógica que, ao longo dos anos, tem positivamente exercido dentro da sua comunidade e, a sua faceta culturalmente mais válida, o trabalho que desde sempre desenvolveu em prol do Teatro.

E hoje a SIT, neste seu ciclo “post José Ribeiro”, soube continuar a lição do Mestre, para nos voltar a surgir com uma pujança e validade que certos “velhos do Restelo” talvez ousassem arquivar na descrença. Bastaria atentar no programa comemorativo deste aniversário para se ter a certeza de que o concelho da Figueira pode continuar a orgulhar-se desta colectividade, que, numa renovada leitura e interpretação dos desejos dos tavaredenses, não busca apenas no Teatro corresponder às solicitações dos seus associados.


‘Omara’ 1994

Amanhã, vai assinalar-se a Grande Noite do Teatro, com a estreia da peça de Sigfredo Gordon “Omara”, numa tradução de José Ribeiro. Em “Omara”, peça de premente realismo, o autor oferece-nos o drama de uma mãe que ama o seu filho com tão excessivo e doentio ardor, que não se resigna a perdê-lo quando descobre que ele tem uma noiva”, escreveu ‘O Figueirense’.

‘Há trinta anos vivia eu a cerca de seis léguas da Figueira, mas chegavam ali ecos da actividade teatral em Tavarede… Amado, de nome, e amador de uns tantos ofícios em minha vida, houve uma altura em que me deu, também, para ensaiar uns “teatros”. Preparação especifica não tinha, pelo que tive de estudar umas coisitas, aproximar-me de entendidos nestas áreas e… avançar!

Sei que um dos primeiros passos que dei foi na direcção da terra do limonete. E aí vinha eu, com os homens do clube lá da terra (os quais pouco mais tinham em seus horizontes que uns bailes de vez em quanto…), até à capital do Teatro, que era, na altura, muito justamente, e continua a ser hoje, a freguesia de Tavarede. Figura emblemática de todas estas andanças era a pessoa de José da Silva Ribeiro com quem tive o privilégio de contactar por diversas vezes; em algumas delas recebi preciosos ensinamentos e prestimosa colaboração na cedência de adereços e cenários diversos.

Os anos iam passando, a minha situação sócio-profissional haveria de ser também alterada, até que… não sei por que bula, vim a cair, de novo, por onde havia começado a minha vida prática – a Figueira da Foz. Uma vez aqui, e desde há uma dezena de anos, mais e mais venho admirando Tavarede, quero dizer, todo o interesse e carinho que as suas gentes vêm manifestando pela arte de Talma. Faleceu, entretanto, o grande mestre, mas a escola por ele criada continua, em ritmo apreciável e agora mais adulta, porque liberta, também, de um certo trauma de orfandade por que, naturalmente, passou.

A peça presentemente ali em cena não desmerece, em nada, quantas ali já tive oportunidade de presenciar. Da autoria de um notável escritor mexicano, numa tradução de José Ribeiro, o seu desempenho foi confiado a verdadeiros artistas na arte de pisar o palco. Curioso que nela figuram elementos que entraram na primeira representação, já lá vão 28 anos, ainda que, agora, vestindo outras peles (caso de João Medina, ora o dr. Ayala, e, na altura, o jardineiro Tobias).

‘Omara’ - 1965

Como figura central, desta vez, a drª Ilda Manuela Simões, com a gana que se lhe conhece, em substituição da imortal Violinda Medina. Arrogante e altiva no seu orgulho solitário, sempre disposta a enfrentar as lutas, “Omara” foi muito bem interpretada (?) por Ilda Manuela. Despeitada e roída de ciúmes, deixa-se, no entanto, vencer, no final, ao “entregar-se” no caso que a atormentava devido ao patológico e possessivo sentimento que nutria pelo filho, quando este pretendeu amar uma mulher, à qual “Omara” apenas vaticinava pureza, candura, virgindade… Teatro de primeira água, também desta vez, em Tavarede”, escreveu um admirador do nosso teatro num jornal da Figueira.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 75

O aniversário de Janeiro de 1993 teve o ponto mais alto na sessão solene comemorativa, durante a qual foi prestada homenagem póstuma a dois destacados amadores do grupo cénico: Fernando Severino dos Reis e António Jorge da Silva, tendo sido descerrados os seus retratos pintados pelo artista António Azenha.
Fernando Reis (O Romeiro) e António Jorge da Silva (Telmo Pais) na peça ‘Frei Luís de Sousa’ - 1951

E no Dia Mundial do Teatro desse ano, o grupo cénico levou à cena a peça ‘Tá Mar’, de Alfredo Cortez, tendo aproveitado a oportunidade para também homenagear ‘duas dedicações vivas à causa do ‘nosso teatro’, Jorge Monteiro de Sousa (o homem que faz dos cenários o seu brincar) e João Medina, 45 anos a pisar aquelas tábuas carregadas de história, tradição e muitas glórias’.

Em 1993, e pela primeira vez, o grupo cénico tavaredense ultrapassou as fronteiras. Convidada pela Câmara Municipal, uma embaixada tavaredense deslocou-se a França, a Gradignan, cidade geminada com a Figueira da Foz. “… A presença de Tavarede e dos seus amadores aproximava-se não apenas do fim, mas igualmente do seu momento mais elevado: nessa noite houve Teatro, na fabulosa sala das Quatro Estações, uma maravilha da técnica na construção de teatros!

Dizem os entendidos que foi uma das mais conseguidas representações das várias já efectuadas da “Tá Mar”, pela SIT e que mereceu nos fartos aplausos dos assistentes no anfiteatro. Em nome da verdade se deve dizer que não eram muitos. Tavarede, nessa noite, teve sérios inimigos: a televisão final da Taça de França, com a equipa do português Artur Jorge; a impiedosa chuvada que durante horas se manteve; um jantar de portugueses da zona, que comemorava o 10 de Junho e ainda uma festa que a uma centena de metros Gradignan vivia. Mas Tavarede e os seus amadores cumpriram com toda a dignidade a missão que haviam aceitado.



João Medina a ser caracterizado por Mestre José Ribeiro















Jorge Monteiro de Sousa, moço do fidalgo, 'Auto da Barca do Inferno'


O nome da Figueira da Foz, os propósitos da geminação, a arte dos amadores – teatrais, musicais, gastronómicos,--- - que de Tavarede, da sua freguesia, levaram a Gradignan uma mensagem de amizade, --- tudo, tudo foi cumprido com a qualidade, dedicação, muito figueirentismo, espírito de sacrifício, por um punhado de gente que bem merece o prémio de Divulgação do Nome da Figueira da Foz. Parabéns, amadores de Tavarede…”.

‘Tá Mar’

‘… pensamos que foi deveras gratificante para todos e sobretudo para esta colectividade levar o bom nome da nossa terra para além fronteiras…’, escreve-se no relatório da Direcção desse ano.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

NATAL


A todos os meus Amigos Leitores, suas Famílias e para todos os Tavaredenses, em geral, e figueirenses, desejo que passem com a maior Paz e Tranquilidade a quadra Natalícia que nos está a chegar.

Igualmente aproveito para desejar um Novo Ano de 2011 bastante melhor do que este que está a terminar.

Saúde para todos e, aproveitando a oportunidade, agradeço o me terem acompanhado nestas minhas histórias sobre a minha Terra, Tavarede, terra do limonete, e, em especial, sobre a vida das nossas Colectividades e aqueles que, embora já tenham partido, nos deixaram o exemplo da sua vida dedicada à sua terra.

Boas Festas para todos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sociedade de Instrução Tavaredense - 74

O Teatro em Tavarede continuava. A nova encenadora, Ana Maria Caetano, pôs em cena, como se referiu, a peça musicada ‘Terra do Limonete’. Agradou bastante. Uma nota crítica refere “Peça escrita pelo saudoso mestre José da Silva Ribeiro, há trinta anos, o seu texto, que nos conta a história de Tavarede desde o século XVI, numa harmoniosa sequência de quadros de fantasia com outros de tradição e pitoresco local, ainda hoje se mantém perfeitamente actual. Assistimos a um dos últimos espectáculos e ficámos agradavelmente surpreendidos com a representação onde a par de antigos e consagrados amadores, surgem muitos elementos novos com excelentes qualidades para fazer teatro. O público que enchia por completo a sala, não regateou fortes e merecidos aplausos ao grupo de Tavarede, ao qual também nós endereçamos os nossos parabéns”.

Integrada no programa comemorativo do 88º. aniversário, a Sociedade de Instrução Tavaredense levou a efeito um acto inédito: ‘a Estafeta do Teatro’. O trajecto escolhido, entre Coimbra (frente ao Teatro Académico de Gil Vicente) e a nossa sede, levou os participantes a cumprimentarem o Grupo de Teatro Amador de Taveiro, saudaram o CITEC, em Montemor-o-Velho, e evocaram, em Maiorca, o Actor Dias.

Para o espectáculo de gala foi ensaiada a peça de Molière ‘O Avarento’, que o grupo levou nesse ano às Jornadas de Teatro Amador, mas, devido a doença de um amador teatral, o espectáculo do aniversário teve de ser adiado, tendo sido convidado, para sua substituição, o Grupo Instrução e Recreio Quiaiense, que igualmente apresentou uma peça de Molière, ‘Médico à Força’.

‘O Avarento’

Foi com esta peça que comemorou o ‘Dia Mundial do Teatro’. E a propósito, aqui deixamos a transcrição da notícia que o jornal ‘O Figueirense’ publicou. “Tavarede, capital do nosso teatro amador concelhio, não poderia, como sucedeu em tantas localidades, deixar de assinalar o Dia Mundial do Teatro, que se comemorou no passado dia 27 de Março. É que se Tavarede tem tradições teatrais como ninguém, a verdade é que todo um Passado glorioso e um Presente não menos digno aumentou as responsabilidades da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Assim o entenderam, e muito bem, os seus actuais dirigentes, fazendo subir ao palco, na passada sexta-feira, um senhor chamado Molière, um homem que a todos deu o privilégio da alegria, traduzida e provocada pela magia da arte teatral. E não resistimos a transcrever afirmações de Mestre José Ribeiro, em carta a um amigo, a respeito deste autor universal: “Pois o Molière é um bom amigo. A graça com que ele ri! A ironia com que ele critica! A profundidade do seu estudo da sociedade do seu tempo! Tenho rido com ele. E tenho pensado”.

E estamos certos que com Molière riram os muitos assistentes que na sede da SIT quase, quase enchiam o salão de espectáculos, numa noite em que o ingresso era livre, tal como o riso que os amadores de Tavarede souberam extrair de um texto, a que somaram a postura natural própria, ou só própria, daqueles que sentem Molière. Mas Molière não faz apenas rir (o que já era suficientemente saudável), mas também provoca a reflexão. A reflexão sobre acto de viver, nas suas mais contrastantes situações, o repensar de atitudes no diálogo quotidiano que o Homem trava com o Homem.

E “O Avarento”, peça em 5 actos, é (pode ser) o espelhar do que antes afirmámos, e embora ela decorra no século XVII, nem por isso o dia a dia… dos nossos dias evita o encontrar de posições similares. É tudo uma questão imaginativa. Antes da representação subiu ao palco o Dr. Pedrosa Russo, presidente do Lions, um clube de serviço que tanto tem feito, com as suas Jornadas de Teatro Amador, para o agarrar do Teatro. Com ele a Drª Ana Maria Caetano, ilustre e dedicada continuadora da linha teatral da SIT. Ambos falaram de Teatro, Teatro que é esperança, que é sonho, que é mentira, que é necessidade; Teatro que desperta a solidariedade, que confere dignidade e combate ao racismo. Teatro que também é um modo de estar na vida. Teatro de que Coimbra vai ser capital, mas que bom seria, foi afirmado, não esquecer o restante distrito, não esquecer, acrescentamos nós, Tavarede”.