sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Alfredo Esteves Cardoso

Natural de Brenha, onde nasceu no ano de 1918 e faleceu em 2001.

Muito dedicado ao associativismo, destacou-se como músico. Também deu a sua colaboração no campo teatral, chegando a dirigir a secção cénica da Troupe Recreativa Brenhense.

Com seu pai e irmãos, era sócio gerente de uma casa de bicicletas na Figueira. Era curioso o facto de serem eles quem preparavam o almoço diário, a cuja mesa se sentavam também os primos que trabalhavam na Figueira, e cuja ementa diária era “bacalhau cozido com batatas e cebolas”. Fosse Verão ou Inverno. Amigos havia que, quando vinham de visita à Figueira, ali iam almoçar, pois sabiam antecipadamente o prato que os esperava, sempre regado com o bom “palhete” de Brenha.


Concurso de pesca da SIT. - À direita, com seu irmão José Esteves e João de Olveira Júnior

Alfredo Cardoso, colaborou cerca de 70 anos, com a Sociedade de Instrução Tavaredense, tocando violino na orquestra, dirigida, primeiro por António Simões, e depois por seu primo Anselmo, José Ferreira e José Custódio Ramos.

No ano de 1951, a colectividade nomeou-o seu sócio honorário.

Caderno: Tavaredenses com História

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 84


Antes de começarmos a recordar as comemorações do Centenário, assinalamos que, em 2002 e pelo aniversário, foi levada à cena a peça de Pirandello ‘O Homem, a Besta e a Virtude’.

‘O Homem, a Besta e a Virtude’

E em Abril de 2002, com a presença do autor, Dr. Luís Francisco Rebelo, o nosso grupo cénico representou ‘É urgente o amor’. O autor, findo o espectáculo e em cena aberta, manifestou o seu agrado e satisfação pelo desempenho dado a esta sua obra.

Nesse ano o grupo cénico teve uma inovação. Resolveu apresentar, nalguns locais da aldeia, teatro de Gil Vicente. Foi um enorme êxito e grande assistência se aglomerou nos locais onde houve teatro.



‘Teatro de Rua’

Também na nossa sala de espectáculos foi levado a efeito um espectáculo dedicado a Gil Vicente, com a apresentação da peça ‘A farsa do Velho da Horta’, a que se seguiu uma palestra, pelo Dr. José Bernardes Cardoso, sobre o glorioso autor português do século XVI.

‘Farsa do Velho da Horta’

No aniversário seguinte foi representada nova peça de Luís Francisco Rebelo. Desta vez foi a peça ‘Páginas arrancadas’. Foi esta a última peça representada pelo grupo cénico antes de atingir o seu centenário.

‘Páginas arrancadas’

E chegamos, finalmente, às festas comemorativas do primeiro centenário da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 83


O Centenário da Sociedade de Instrução Tavaredense aproximava-se rapidamente. Uma comissão de sócios foi constituída para a organização de umas comemorações em tudo condignas com o passado da Colectividade. O espectáculo de aniversário de Janeiro de 2000, preparado pela encenadora e directora do grupo dramático, Ilda Simões, teve o título de ‘Instantes de Teatro’.


Duas cenas de
‘Instantes de Teatro’

“Momentos de vidas passadas e presentes, testemunhos da dedicação que os tavaredenses têm pela terra onde nasceram e pelos homens que fizeram a sua história” foram a tónica da representação com que a Sociedade de Instrução Tavaredense encerrou as comemorações do 96º aniversário da colectividade. Escrevendo no palco (de tão ricas tradições) Gratidão, Homenagem e Dedicação num arranjo teatral denominado “Instantes de Teatro” que teve o condão de repôr em cena muitos dos êxitos que contribuiram para o brilhante historial da Sociedade de Instrução Tavaredense, o grupo cénico soube estar à altura das responsabilidades com mais uma “peça” de magnifica concepção e actuações de grande brilho.

No dia Mundial do Teatro de 2000 foi levada à cena uma das mais conhecidas e admiradas peças de Bernardo Santareno, ‘O pecado de João Agonia’,”… Inserido nas Jornadas de Tavarede por Timor, a peça subiu novamente à cena na passada segunda-feira, dia 27, assinalando o Dia Mundial do Teatro, data que anualmente tem sido sempre comemorada, com uma representação teatral pelos amadores da SIT.

“O pecado de João Agonia”, é a história de um jovem (marcado pela maldição de uma avó louca) que, nos anos 60, e após ter cumprido serviço militar em Lisboa, regressa à sua aldeia serrana. O jovem traz com ele um segredo que procura apagar da memória, mas que acaba por ser revelado por um vizinho despeitado. A ignorância das gentes da terra para quem a homossexualidade era uma chaga maior que a lepra… vai desencadear toda a tragédia que se abate sobre a família dos Agonias”.

‘O pecado de João Agonia’

A preparação das comemorações centenárias ocupavam muito tempo, mas o grupo cénico não parava. Em 2001 foi Anton Tchecov que subiu à cena com as peças ‘Um pedido de casamento’, ‘O Urso’ e ‘O canto dos cisne’.


'O Canto do Cisne'

‘O Urso’

Nesse mesmo ano, e não esquecendo a tradição, mais uma efeméride é comemorada em Tavarede. Desta vez foi o centenário do nascimento de José Régio, de quem se representou a peça ‘O meu caso’.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 82


“Iniciada por “sinistro” cortejo sob o comando do Juiz seguido de luzido (muitas tochas) séquito a que a música fúnebre e muitos embuçados emprestavam um ambiente pesado através das ruas que levavam da SIT às ruínas do Paço, aí teve lugar a “prisão da Velha Malvada” que, após sumário exame (de grande comicidade brejeira), foi conduzida a tribunal (palco do Teatro da SIT)”. A tradição mantinha-se. Mais uma vez a “Serração da Velha” se cumpriu na data própria.

Em Maio de 1998 o então Ministro da Cultura, Dr. Manuel Maria Carrilho, visitou a sede da Sociedade, onde ouviu atentamente contar a história da nossa colectividade, bem como as necessidades mais prementes, na ocasião a instalação eléctrica. Depois de algumas palavras, ‘A cerimónia encerrou com breves palavras de Manuel Maria Carrilho que referiu ser preciso “manter vivos os anseios do povo”. Manifestou também conhecer o trabalho desenvolvido em Tavarede assim como no concelho figueirense, uma vez que a Figueira da Foz foi durante 18 anos a cidade das suas férias. Disse ser necessário “combinar esforços” e que o contributo que conferiu para o equipamento pode ser ampliado se tal o justificar”. O Ministro concedeu um subsídio de 4 mil contos para as obras referidas.

O 95º. aniversário foi festejado com um espectáculo com a representação da comédia ‘O Festim do Baltazar’ e uma parte com ‘História Cantada de Tavarede’, peça

que envolveu cerca de 50 pessoas. E foi anunciado que a SIT, a exemplo do que tem feito com outras figuras de relevo nacional, iria ‘assinalar o bi-centenário do nascimento de Almeida Garrett, um dos grandes vultos da literatura portuguesa’.


‘Na presença de Garrett’

“No ano em que se comemora o duplo centenário do nascimento do grande dramaturgo não podia a “Capital do teatro” do nosso concelho deixar passar em claro tal efeméride. Fê-lo de modo bem vincado e digno partindo de um texto adrede escrito, permitindo-se ilustrar a representação com diversas incursões por algumas obras do polígrafo, com especial realce para o Frei Luís de Sousa, de que nos apresentou o terceiro acto, completo. Teve esta encenação a particularidade de, em simultâneo, manter quase sempre em cena o próprio Garrett, o qual ia respondendo a curioso e bem elaborado questionário de uma arguta jornalista e, ao mesmo tempo, revendo-se, emocionado e feliz, na sua própria obra, a dois séculos de distância.


‘Na presença de Garrett’
‘Frei Luís de Sousa’

Confirmando o que alguém disse, muito justamente, ser Garrett “de entre todos os escritores do século XIX o mais lido, o mais estudado e o mais amado pelas novas gerações”, as autoras do texto, dras. Ilda Manuela Simões e Maria Clementina Reis Jorge Silva, tiveram a feliz ideia – como esclarecidas pedagogas que se orgulham de ser – de pôr em palco vários alunos das nossas escolas, os quais, além de breve troca de impressões com o presencial autor, declamaram alguns dos seus mais significativos poemas.

Também a História de Portugal, no que concerne à ligação ideológica do liberalismo defendido e vivido por Garrett no segundo quartel do século XIX, com a implantação da República em 1910, e, mais perto de nós, com a eclosão do 25 de Abril de 1974, foi feita uma abordagem oportuna e proficientemente pedagógica e digna de registo. Finalmente: ante os tão demorados agradecimentos expressos pela responsável a todo um ror de gente que contribuiram para tal realização, fica a todos a certeza de que o teatro mexe, verdadeiramente, em Tavarede. Parabéns!”.

O programa deste espectáculo refere ‘… procura dar uma visão da vida e da obra de Almeida Garrett. Uma jornalista convida o escritor para uma entrevista e à medida que esta se vai desenvolvendo irão surgindo no palco fragmentos de algumas obras de Garrett…’.

Soiedade de Instrução Tavaredense - 81


No ano de 1997, por motivos de ordem particular, a encenadora do grupo cénico, Ana Maria Bernardes, teve de abandonar a sua actividade teatral. E ‘com toda a sua boa vontade e dedicação, apesar disso implicar muito sacrifício da sua parte’, lê-se no relatório da Direcção desse ano, aceitou o convite feito para aquele cargo a amadora Ilda Manuela Duarte Simões.

Também nesse ano, e já não era a primeira vez que isso acontecia, houve grande dificuldade em constituir novo elenco directivo. Mas, felizmente, a crise foi ultrapassada. “… Ao ter, pela primeira vez na sua história, uma direcção totalmente composta por mulheres a Sociedade de Instrução Tavaredense não quer enveredar, obviamente, por uma qualquer guerra de sexos, mas sim dar continuidade a uma tradição que conta (e muito) com a participação do sector feminino.

Ainda que, de facto, esta situação resulte de uma acentuada crise directiva, a opção directiva acaba também, de forma indirecta, por prestar uma justa homenagem a todas as mulheres que, ao longo dos tempos e de uma forma por vezes heróica deram forma e fundo aos objectivos da Sociedade de Instrução Tavaredense. Decerto ela, “a mulher tavaredense” pelos exemplos cívicos e artísticos que soube dar, seria na verdade, a merecedora de algo que a perpetuasse publicamente e não algo que por natural e datado no tempo não vai além do que é efémero.

Mas, numa prova de que os exemplos recebidos não foram em vão, as novas gerações de mulheres, voluntária e decididamente, disseram não ter medo dos “papéis principais”, posição que tanto visa honrar o passado como criar condições para que os ideais do associativismo sejam comungados, efectivamente, pelas classes mais jovens e não sirvam apenas de motivo para verborreias fáceis e estéreis debitadas em ultraromânticas sessões solenes…”.

Nesse ano, as duas colectividades tavaredenses (Sociedade e Grupo) uniram-se para se apresentarem nas Marchas de S. João. “… Das nove marchas que desfilaram apenas quatro o fizeram para concurso. A primeira delas, da freguesia de Tavarede, envolveu o trabalho do Grupo Musical e Instrução Tavaredense e da Sociedade Instrução Tavaredense. Composta por cerca de 50 elementos, vestidos com as cores da cidade, amarelo e verde, a marcha de Tavarede fez uma alusão aos laranjais da localidade, famosos no século XVII.


‘Na Feira dos Malandrecos’

E porque as políticas já mexem, para não haver lugar a “interpretações erradas”, os organizadores distribuiram às pessoas um resumo descritivo da marcha. No panfleto podia ler-se que “a laranja de Tavarede teve fama no século XVII e chegou a ser exportada para Roma”. A marcha de Tavarede procurou, por isso, fazer referência aos laranjais, ao transporte do produto para vários pontos da Europa e ao “consumo das laranjas pelas entidades eclesiásticas romanas”. Cestas e caravelas cheias de laranjas e lampiões foram os elementos presentes na marcha que, com movimentos muito diversificados, encerrou o seu desfile com a abertura da laranja gigante. Lá dentro, uma jovem com uma pequena faixa identificava a origem da marcha…”.

Por sinal, a classificação das marchas deu muito barulho. O júri, que havia dado o primeiro prémio à nossa marcha, fez marcha atrás e classificou-nos em segundo, dando o primeiro a outra marcha concorrente.


Um estranho no Natal’

O aniversário seguinte, 1998, teve teatro juvenil e teatro adulto. Primeiro, os jovens apresentaram as peças “Na Feira dos Malandrecos” e “Um estranho no Natal”. Depois, e na primeira encenação de Ilda Simões, houve uma reposição. Foi com a peça ‘A Forja’, de Alves Redol, que já havia sido levada à cena 27 anos antes.



‘A Forja’

Facto curioso: o protagonista masculino, João Medina, representou o mesmo papel, o do ‘pai Malafaia’. E na sessão solene comemorativa do aniversário, foi prestada homenagem a este amador, que completava 50 anos de carreira no nosso grupo cénico. “… Vejo José Ribeiro por trás das cortinas”. Testemunho vivo de 50 anos de dedicação ao teatro, João Medina, no palco que fez parte da sua vida, não encontrou outra forma de agradecer que estas palavras: “Para aqui vim com 15 anos pela mão de José Ribeiro e ainda hoje o “pressinto” por trás daquelas cortinas a dar-me ânimo sempre que subo ao palco. E aqui andarei até cair nestas tábuas do “meu” teatro, como as árvores que morrem de pé”.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 80

“… Carpindo e choramingando a velha lá foi conduzida, à luz de archotes que teimavam em contrariar a chuva de “molha parvos”, até ao cadafalso, antecedida de um cómico julgamento, no palco da SIT. Não eram muitos os que acorreram à sala do Palácio da Justiça, e talvez por isso a velhota, de nome Ana Castanha Pilada, escutou o Juiz (que pelos vistos não saberá só de futebol…) declarar o corte como sentença final, talvez influenciado por uma bombástica testemunha. Claro que se ouviu o testamento, caseiro, para as pessoas da terra, a provocar alguns risos, não tantos quantos os necessários, o que parece vir a confirmar a falta de coragem… poética (só esta?) dos escribas”. Este apontamento vem a propósito do ‘Auto da Serração da Velha’ mais uma vez levado a efeito para cumprimento da tradição.
‘Auto da Serração da Velha’

Mas em 1996 cumpriam-se 10 anos da morte de José Ribeiro. Não esqueceu a data a Colectividade. “E José da Silva Ribeiro regressou a Tavarede na noite do passado sábado, tendo conseguido o milagre, cada vez mais inviável de concretizar, de esgotar a lotação possível da SIT, de tal forma que o nosso jornal (que se esquecera de marcar bilhete) passou a noite sentado (e bem) numa cadeira solta que, por simpatia da casa, conseguiu encostar a uma das paredes laterais da sala de espectáculos. Que bom seria que da próxima ida a Tavarede nos sucedesse o mesmo!

Como referimos na última edição de “O Figueirense”, no passado dia 13, sexta-feira, completavam-se dez anos sobre o falecimento de Mestre José da Silva Ribeiro, tavaredense que acreditamos ser o mais ilustre que a terra, dita do limonete, viu nascer. Dele não iremos ora traçar o bilhete de identidade de nobre cidadão, até porque, também no último jornal, já o fez – e com brilho – o dr. Pires de Azevedo. Apenas recordamos hoje que José da Silva Ribeiro tinha na Sociedade de Instrução Tavaredense o seu segundo lar, e que a sua gente (palavra para ele tão querida) era toda aquela que com ele criava e irradiava cultura através do Teatro, no palco e na plateia.

Pois bem, a sua gente, mesmo alguma que nunca viu o Mestre, marcou de forma extraordinariamente digna a saudade de 10 anos. E como o fez? Criando e divulgando cultura através do Teatro – tal como desde 1916 o fez Mestre José Ribeiro -. Pelas tábuas da SIT, num fim de semana super cultural, passaram os amadores de teatro da Chã, de Carritos e de Tavarede, prova provada que as sementes lançadas pelo homenageado, ao largo de uma vida, continuam a frutificar em agradável crescendo de vitalidade. Assistiu O Figueirense ao sarau inaugural deste ciclo de teatro e algumas notas, retiradas com certa emoção, terão certamente mais peso neste despretencioso apontamento de reportagem.




Cenas de ‘Lembranças’

E a primeira radica-se, desde logo, no facto da SIT não ter deixado passar em claro um evento que seria criminoso esquecer. Assinalou-o agregando à festa da gratidão mais duas colectividades teatrais da freguesia, numa divisão de honras que enobrece a SIT e, particularmente, a figura do evocado. Depois, já o escrevemos, não nos recordamos, mesmo olhando anos para trás, de encontrar na SIT uma casa tão repleta e tão participativa, verdadeiro oásis na desertificação que consome os campos da cultura.

Depois ainda, - reconfortante e esperançosa realidade – as nossas palmas ecoaram mais forte quando olhávamos para a quantidade de gente jovem – e talentosa – que os responsáveis da SIT tiveram a magia de apresentar em palco. Como Zé Ribeiro se sentiria feliz se pudesse (será que não pôde?!) aplaudir esta sua “nova gente”! Sem juventude não há futuro e de tal se aperceberam, até pedagogicamente, os continuadores do Mestre.

Uma palavra mais para os minutos “sofridos” pela plateia na primeira parte desta noite de evocação, quando em ecrã gigante se projectou parte de um filme no qual a personagem é o próprio José Ribeiro, falando de si, do Teatro, da SIT e “da minha gente”. O silêncio na sala durante a projecção da película e a bombástica ovação final… para bom entendedor. Mas, e o espectáculo?

Lembranças, de seu nome, ele é corporizado por um conjunto de curtas e variadas representações a que o Mestre em vida deu vida e que agora em palco (re)vivem com “gente velha e gente nova”, gente discípula directa do Mestre e gente (repetimos intencionalmente o termo) que José Ribeiro gostaria de ensinar. Também intencionalmente não falamos em nomes, pois tal não desejariam os amadores envolvidos nesta homenagem. Pensamos, finalmente, que este magnífico espectáculo, mesmo desatempadamente inserido na data que lhe deu razão de existir, necessitava de ser aplaudido uma outra vez, até porque certamente na SIT não esteve toda a “minha gente” de Zé Ribeiro”.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 79

A 15 de Janeiro de 1904, um grupo de homens simples de Tavarede fundou a Sociedade de Instrução Tavaredense tendo como principais objectivos – instruir e educar. Os tempos eram dificeis, mas estes homens perceberam que sem instrução e cultura não seriam cidadãos de corpo e alma. Por outro lado, esta colectividade foi bafejada pela sorte de ter entre os seus associados José da Silva Ribeiro, o tavaredense responsável pelo notável desenvolvimento da cultura neste espaço. Através do teatro ele ajudou muitos daqueles que com ele trabalhavam ou que somente assistiram aos seus espectáculos a encontrarem o seu sentido de vida. Os textos por si escritos ou por si escolhidos entre os grandes autores literários mostravam mensagens diversas, onde cada um se podia encontrar e defender a sua dignidade social.

Passados dez anos da sua morte, a Sociedade de Instrução Tavaredense continua a manter-se fiel ao propósito dos seus fundadores, reforçado por José Ribeiro. Por isso o teatro continua: a preocupação com a cultura está mais viva do que nunca. Assim, no dia 20 de Janeiro junte-se aos tavaredenses, assista à representação da peça de Luís Francisco Rebelo “O Dia Seguinte”. Neste texto o autor elogia a vida, fala dela como uma maravilhosa aventura, única e digna de ser vivida. Nestes tempos de alguns desencontros dos homens com o mundo, vá a Tavarede e reafirme o valor da sua vida nas palavras de Luís Francisco Rebelo: “O teatro deve ajudar os homens a viver”.

‘O Dia Seguinte’

Foi com esta peça que comemorou o aniversário de Janeiro de 1996. E em Fevereiro coube a vez ao Kiwanis Clube da Figueira da Foz homenagear a nossa colectividade, o nosso Teatro e José da Silva Ribeiro. Na reunião efectuada num restaurante da Figueira, a que assistiram diversos elementos responsáveis da nossa terra e da SIT, foram vários os oradores que historiaram a nossa actividade ao longo de tantos anos de existência. “… Claro que, para falar de José da Silva Ribeiro, lá estava a drª Ana Maria Caetano, a “filha” que ele não teve mas foi confidente, menina dos seus olhos, repositório vivo de muitos segredos que José Ribeiro jamais revelara.





Placa da Medalha de
José da Silva Ribeiro
(Átrio da entrada da SIT)







E a sua intervenção, qual oração ao Homem que durante 91 anos fez da liberdade uma opção, deixou comovidamente absortos os presentes que viram passar “o Homem de Tavarede”, o “Amigo da Família”, o “Político Assumido”, o “Filantropo”, o “Jornalista”, o “Escritor” e… o “Vulto de Teatro”. Com citações, confidências, anotações, conselhos, desabafos, ensinamentos e muito humanismo teceu, primorosa e devotadamente, a drª Ana uma imagem sublime desse Homem bom que legou aos vindouros exemplos tão nobres como trabalho, tolerância, fraternidade, liberdade.

O lutador que considerou o irreverente jornal “Voz da Justiça” sua glória e seu Calvário, fez da arte a sua Política, do palco de Tavarede “cátedra” de prestigiados amadores cénicos que deixavam confundidos famosos profissionais e “morreu de bem com a sua consciência” jamais poderá ser esquecido, afirmou a drª Ana que para remate da sua intervenção não encontrou melhor expressão que esta: = Resta-me a consolação de ter visto morrer um Homem de grande verticalidade”.