sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Faustino Ferreira


Natural de Tavarede, aqui nasceu no dia 5 de Maio de 1889, filho de António Ferreira e de Margarida Ramos. Casou com Emília Gaspar da Silva. Teve um filho, Renato e três filhas, Maria de Lurdes, Gracinda e Alda..

Trabalhador nas Oficinas Mota, da Figueira, trabalhou depois, durante muitos anos, na quinta do Sotto Maior, como mecânico das máquinas que produziam a electricidade para o palácio e anexos, bem como era responsável pelo fornecimento e distribuição da água necessária aos consumos.

“… um dos bons amadores tavaredenses, há tempos desligado destas massadas por habitar na Figueira, veio de novo ligar-se aos seus companheiros de palco. É que concorda com a orientação do Grupo.

E como ainda está novo, entende dispensar-lhe todo o seu esforço, todo o seu valor”.

Desde a fundação do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, de que terá sido um dos primeiros sócios, fez parte do seu grupo cénico. Diversas críticas, aliás, referem-no como amador de muito boa qualidade.


Caderno: Tavaredenses com História

Eduardo Pinto de Almeida

Foi regente da Tuna do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, dirigindo também a orquestra que tocava com o grupo cénico.

Em Dezembro de 1924, o Grupo inaugurou as obras que executara na sua sede. Na primeira parte do sarau, “apresentou-se a Tuna no palco, que executou, sob a proficiente direcção do maestro sr. Pinto de Almeida, um reportório escolhido, que a numerosa assistência não se cansou de aplaudir”.

São de sua autoria as partituras das operetas, representadas pelo Grupo Musical, Ninotte e Amores no Campo. Foi nomeado sócio honorário desta colectividade.

No ano de 1925, o Grupo Musical efectuou uma deslocação à Marinha Grande, com o seu grupo cénico e a sua tuna. Esta, no segundo espectáculo, “fez a sua apresentação no palco, onde tocou várias peças, constituindo um acto”, que a assistência aplaudiu com entusiasmo.
Regressando a Tavarede na segunda-feira, 12 de Outubro, e como o maestro Pinto de Almeida fazia anos nesse dia, foi-lhe oferecido “um bonito objecto de vidro, com a seguinte gravação – Ao maestro Pinto de Almeida, no dia do seu aniversário natalício – 12-
Caderno: Tavaredenses com História

Elvira Sisnandis

Filha do Conde Sisnando Davidiz e de Ourovelida Nunes. Foi ela a autora, juntamente com seu marido, da doação do “Lugar de S. Martinho na vila de Tavarede”. É o primeiro documento onde aparece o nome da nossa terra.

“Carta de doação – Em nome da Santa e indivisa Trindade, eu, servo de Deus, Martim Moniz, juntamente com minha mulher Elvira Sisnandis, pois que desde remotos tempos é costume dos nobres paternos, levados pelo afecto do amor, distribuírem alguma parte dos seus próprios benefícios pelos seus amigos fiéis, cujos serviços lhes comprazem, por isso também nós benevolamente comovidos pelo favor da vontade, de boa mente e de motu próprio, fazemos carta de doação a ti, João Gondesindiz, do lugar de S. Martinho na vila de Tavarede. Pelo oriente está aquela várzea que parte com a vila de Tavarede pela pena de Azambujeiro e daí corta no Sovereiro Curvo em direcção à Mamôa; pelo ocidente a vila de Emide; pelo sul estão as salinas junto do rio Mondego; pelo norte a vila de Quiaios.

Concedemos-te, na mesma já mencionada vila de S. Martinho, todos que outrora aí recebeu Cidel Pais do Conde D. Sisnando, que Deus tenha, e estão situados no território de Montemor para o lado da praia ocidental…”.
Caderno: Tavaredenses com História

Moreira Júnior (Gravador)

Escrito de José da Silva Ribeiro por ocasião do falecimento deste grande amigo de Tavarede:

“A vaga que se abriu agora com a morte de Moreira Júnior, essa – não será preenchida. É mais uma... a fazer maior a clareira neste exército de voluntários. Moreira Júnior foi um notável voluntário nas hostes pacíficas da Sociedade de Instrução Tavaredense.

A sensibilidade inclinava-o para as artes plásticas. Não podia satisfazer-se a desenhar perfis da via férrea, carris e éclisses, tire-fonds e travessas de caminho de ferro. Desenhador e artista, dedicou-se às artes do desenho e montou na Figueira a única oficina de gravura química, cuja falta vai ser localmente sentida. O seu temperamento de artista – às vezes irascível, irreverente, insubordinável até a sugestões amigas – criara nele também o gosto do teatro. Nas suas saídas da aldeia figueirense, não deixava de ir ver teatro em Lisboa, ou no Porto, ou ali em Coimbra ou Aveiro quando adregava passar por lá Companhia lisboeta de comediantes ou bailado. Também os amadores lhe interessavam – e ia a Tavarede cheirar o limonete nas representações daquela gente simples que ali continua a tradição teatreira que de longe vinha. E Moreira Júnior passou a dar ao grupo de Tavarede uma colaboração valiosa, oferecida mais do que solicitada – e esta nota atingia bem fundo o nosso sentimento de gratidão – e que fica exuberantemente documentada na colecção dos programas teatrais de Tavarede.

Ex-libris de José da Silva Ribeiro, desenhado por Moreira Júnior

Quando se preparou uma brincadeira a que se chamou Chá de Limonete, Moreira Júnior quis ilustrar o programa da estreia. São do seu lápis todos os desenhos e da sua oficina todas as gravuras que ali figuram: lá está, felicíssima alegoria, o bule, sobre o ramo de limonete, oferecendo a chávena de chá, donde se evola capitoso fumo que, sobre o velho paço dos Quadros de Tavarede, vai desenhar a grande e aliciante palavra – TEATRO. E no ex-libris impresso no livro das Bodas-de-Ouro, outra vez aparece, servindo de fundo a dois versos arrancados ao Todo-o-Mundo e Ninguém de Gil Vicente, o raminho de limonete.

Desde então – quase vinte anos – nunca mais parou a colaboração de Moreira Júnior ao grupo de Tavarede. Todas as gravuras do livro 50 anos ao Serviço do Povo, das peças publicadas e dos programas da Sociedade de Instrução Tavaredense, retratos de autores, alegorias do Teatro, cenas de muitas representações – tudo foi sua generosa oferta. Se ao artista nunca se pagou a concepção e a realização de um desenho, também nunca à oficina se pagaram as gravuras – pois nem o custo do material Moreira Júnior aceitava dos tavaredenses.

E lá partiu – ainda cedo!... – este tão devotado voluntário da teatrada do limonete”.

Caderno: Tavaredenses com História

Mosteiro de Santo António


O guardião e frades do Mosteiro de Santo António da Figueira, situado junto da vila de Buarcos, fizeram petição a Vossa Majestade, nesta Mesa da Consciência e Ordens, dizendo que desembarcaram os ingleses, no mês de Maio passado, na barra desta vila, deram com o dito Mosteiro e roubaram e destruiram tudo o que nele havia, sem ficar coisa alguma, quebrando todas as imagens de Santos e levando os retábulos, sinos e ornamentos, com o que o dito Convento ficou de todo destruído e sem coisa alguma com que celebrasse os Ofícios Divinos e se remedeiem as necessidades da Casa, e desejando o Conselho da Universidade de Coimbra favorecer ao dito Mosteiro e frades dele, o que lhe impede os estatutos poder fazer sem licença de Vossa Majestade, pelo que pedem a Vossa Majestade seja servido dar licença à dita Universidade, para que lhes faça esmola do que Vossa Majestade for servido, e informou o Reitor e deputados da dita Universidade, que no tempo que ela acudiu em socorro da vila de Buarcos, quando os ingleses a saquearam, se viu o grande estrago que fizeram nela e juntamente no Mosteiro de Santo António da Figueira, e que logo então muitos dos estudantes que foram na jornada, lhe aplicaram de esmola o soldo que venceram os dias que lá gastaram e que, contudo, lhes parece que deve Vossa Majestade se sirva dar licença à Universidade, para que, das rendas dela, darmos aos frades do dito Mosteiro cinquenta cruzados para ajuda de se repararem da perda que tiveram.

Parece que visto o que os Suplicantes alegam e informação que houve da Universidade, que Vossa Majestade deve haver por bem de dar licença à dita Universidade, para que das rendas dela dêem aos Suplicantes os cinquenta cruzados de esmola, de que em sua carta fazem menção.

Lisboa, 3 de Janeiro de 1603.

(nos cadernos do Dr. Marcelino Mesquita, donde retirámos o texto acima, acrescenta-se, sobre a vinda de um porpo de estudantes em defesa de BuarcosJ

“… e que vindo os ingleses às vilas de Buarcos e Figueira, acompanhou o Reitor, com armas, cavalos e seus criados e outras pessoas à sua custa, oferecendo-se a todo o sucesso, como devia e fora em todas as ocasiões do serviço de Sua Majestade…”. O Reitor confirma esta informação do Dr. Baltazar de Azevedo, lente de Medicina, acrescentando: “… e que vindo os ingleses às vilas de Buarcos e Figueira, acompanhara, a ele Reitor, levando dois cavalos e armas e, além dos seus criados, outras pessoas à sua custa…”.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 86


“Tornando público um programa que considera ‘ambicioso’. E para cuja concretização a falta de verbas apresenta o principal problema, a Comissão do Centenário da SIT mostra-se esperançosa de que ‘os apoios venham a aparecer’, e aposta nas mais diversas manifestações culturais para marcar uma importante data da colectividade. As actividades de angariação de verbas não têm parado, sendo que os almoços mensais realizados por senhoras da SIT, e a participação da ExpoACIFF têm dado frutos. Diversas entidades oficiais ligadas à cultura já foram abordadas mas, apesar de se mostrarem ‘receptivas a colaborar, a resposta não varia muito: não há dinheiro’. No entanto, afirmam, ‘não vamos deixar de celebrar esta data condignamente’.

A conferência de imprensa

Cumprindo o programa, foi já editada a medalha comemorativa do centenário, e está garantida uma exposição de teatro, no CAE, que exporá o espólio da SIT. O hino do centenário, da autoria de João Cascão, também se encontra em fase de orquestração para a Tuna, e deverá estar pronto no final do ano. O dia 15 de Janeiro vai começar com o hino da colectividade e o comemorativo do evento, tocados pela Tuna de Tavarede, realizando-se depois, à noite, o jantar de gala no pavilhão gimnodesportivo. O grande espectáculo está agendado para 17, e a sessão solene realiza-se a 18, data provável do lançamento do livro do centenário, coordenado por José Bernardes, e que ‘conta a história da colectividade e dos 100 anos de teatro, ao longo de 250 páginas ilustradas com cerca de 180 fotos’.

Realizar-se-ão ainda vários saraus e conferências, e homenagens a Violinda Medina, João de Oliveira Júnior e José Ribeiro. Programados estão ainda jogos florais, encontro de tunas, concurso de fotografia e desenho, jogos tradicionais e a criação de um memorial, em azulejo, que ostente o nome daqueles que mais deram à SIT, ao longo de 100 anos. Apesar das dificuldades, a comissão está confiante no surgimento de apoios: ‘a cidade vai estar, por certo, ao nosso lado”.

Sede da Sociedade de Instrução Tavaredense

E no dia 15 de Janeiro de 2004, às 8 horas da manhã, a Tuna de Tavarede tocou o hino da colectividade centenária, frente à sua sede, enquanto era hasteada a bandeira no mastro principal, seguindo-se a tradicional salva de 21 morteiros.

Aspecto do Jantar do Centenário

Pelas 21 horas teve lugar o ‘Jantar do Centenário’, no nosso Pavilhão Desportivo. Todas as paredes se encontravam revestidas com alguns dos cenários da Colectividade, nomeadamente aqueles que representam cenas da nossa aldeia. O tecto foi forrado com faixas de tecido azul e vermelho, as cores da SIT.

Foi presidido pelo representante do Governo Civil de Coimbra, encontrando-se presentes diversas entidades oficiais da Figueira da Foz e de Tavarede. Estiveram presentes cerca de 200 pessoas e o jantar foi servido pelo Restaurante O Amigo, da Tocha.

Actuação do Orfeão Académico de Coimbra

Durante o jantar houve acompanhamento musical pelo nosso consócio Maestro João da Silva Cascão e no final, depois de diversas intervenções oratórias, actuou o Orfeão Académico de Coimbra, patrocinado pelo Governo Civil. “ No pavilhão da colectividade, virado ‘museu’ com algumas das relíquias de cenários que marcaram o historial invejável de cem anos de devoção ao teatro no seio da Sociedade de Instrução Tavaredense a engalanar as paredes do amplo recinto e criar uma envolvência onde se ‘respirava’ teatro por todo o lado, decorreu o ‘Jantar do Centenário’, 1º acto do longo programa de realizações que ao longo do ano irão enriquecer as celebrações deste marco histórico: ‘primeiro centenário da SIT’. Solenidade que reuniu cerca de 200 pessoas, a maior parte delas amadores que pisaram o palco, para além dos muitos convidados que honraram o evento em representação do Governo Civil, Câmara Municipal da Figueira e autarquia local.

E o primeiro gesto de saudação à histórica entrada da colectividade no galarim dos ‘Centenários’ veio da apresentação pública da ‘Marcha do 1º Centenário’, referencial honroso de uma caminhada de muitos êxitos a envolver gerações e que guindou Tavarede ao lugar de destaque – houve quem a elegesse ‘Catedral do Teatro Amador’ – que extravasou o Concelho e mesmo o Distrito. Depois, abrilhantado pela suavidade musical saída do piano tocado por João Cascão, o banquete de sabores apadrinhados por celebridades ligadas à arte de Talma – entradas à Molière; creme à Garrett; bacalhau à D. João da Câmara; lombo assado à Gil Vicente; sobremesa à Shakespeare; café Pirandello, tudo regado a vinhos e digestivos à Terra do Limonete, com a novidade da ‘prova’ do Vinho do Centenário da SIT, uma recordação que pode ser comprada na colectividade -; a confraternização saudosa de cenas vividas naquele palco de tantas representações que moldaram vidas e criaram escola e as mesas davam vida nos dísticos que as distinguiram: ‘Romeu e Julieta’, ‘Frei Luís de Sousa’, ‘Os Velhos’, ‘As árvores morrem de pé’, a ‘chamar para a mesa’ ilustres desaparecidos cuja memória não poderia estar ausente deste momento alto do centenário, tudo serviu de motivo para solenizar esta data marcante de 15 de Janeiro de 2004…” .

Sociedade de Instrução Tavaredense - 85


Foi no dia 10 de Março de 2001 que, em reunião geral de sócios convocada expressamente para o efeito, foi formada a Comissão Organizadora das Festas do Centenário da Sociedade de Instrução Tavaredense. Uma dificuldade imediatamente se fez notar: a falta de dinheiro. A Direcção não tinha disponibilidades, mas a Comissão tinha a intenção de, a exemplo do sucedido nas Comemorações anteriores (Bodas de Ouro e de Diamante), conseguir obter financiamentos para todos os actos a realizar, recorrendo a entidades oficiais e particulares, sócios e amigos da Colectividade e realizando alguns eventos especificamente para a obtenção de receitas, sem recorrer, portanto, aos recursos da Colectividade.

Uma das primeiras iniciativas aprovadas, foi a realização de um almoço mensal. Como curiosidade, registamos que o primeiro destes almoços teve lugar no dia 13 de Outubro de 2002, tendo o prato principal sido “sopa da pedra”.

“São sobretudo mulheres. Justiça seja, porém, feita aos homens que também suam as ‘estopinhas’, mais na preparação da sala e da tenda – onde se vendem rendas e bordados e se pode ‘brincar’ às rifas -, do que propriamente na cozinha, com a mão na massa ou, no caso deste último domingo, na feijoada. Eles ajudam, é certo, mas elas trabalham, desde cedo, para que, por volta da uma da tarde, tudo esteja pronto. Parecem abelhas operárias, incansáveis no seu entra e sai entre a cozinha e a copa, espreitando panelas e descascando batatas ou golpeando castanhas. Entre o cheirinho da comida caseira e gracejos, vão dizendo que estão ali por gosto, porque quase nasceram na SIT, porque sentem orgulho em contribuir para que a festa do centenário da SIT, em 2004, ‘seja em grande’.

Um grupo de senhoras que trabalham na cozinha
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A estas mulheres não se coloca sequer a questão de poderem não alinhar nestas iniciativas. Em pleno século XXI, tempo áureo do egoísmo e do lucro, estas mulheres (pronto, e os homens também, que sempre dão uma mãozinha), entregam-se sem pedir ou esperar nada em troca.
Ainda que a comida não fosse caseira e, segundo informações de testemunhas no local, saborosíssima, mesmo assim, valia a pena uma visita. Há dúvidas? Então acabe com elas (e com o cozido à portuguesa) no próximo almoço, a 7 de Dezembro”.


Logótipo das Comemorações

Em Setembro desse ano foi deliberado mandar executar as medalhas comemorativas, cujo desenho foi gentilmente oferecido pelo sr. Francisco Simões, que igualmente desenhou o logótipo. Entretanto surgiu de imediato um problema. A casa fornecedora exigiu-nos o pagamento de 40% do custo, sendo os restantes pagos contra a entrega da encomenda. Valeu-nos o presidente da Junta de Freguesia que nos disponibizou a verba necessária para a sinalização da encomenda.












Medalha do Centenário - verso e anverso

Para realizar o dinheiro do seu custo, foram postas à venda no almoço mensal do dia 9 de Março de 2004, ao preço unitário de 10 euros.

Entretanto, em conferência de imprensa levada a efeito em Outubro de 2003, foi apresentado o anteprojecto do programa para as comemorações.