sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

José Maria Marques

“Mais conhecido por José Maria Peniche, por seu pai ser natural desta vila, nasceu na Figueira, passando mais tarde a residir em Tavarede. E aos 10 anos, em 7 de Janeiro, entrou as portas das Oficinas Mota, então dirigidas por Urbano Fernandes da Silva Mota, como aprendiz, com o salário de 30 reis por semana, o preço de 2 pães”.

Fez a instrução primária na escola do “anão”, na Rua da Fé, na escola de “Santo Antoninho”, na Rua 9 de Julho e na escola da Associação de Instrução Popular, na Rua da Cadeia.

Aposentou-se com 80 anos de idade, depois de ter trabalhado, na mesma empresa, mais de 70 anos, apenas faltando durante o tempo em que prestou serviço militar e para tratamento de “algumas queimaduras em serviço”. “80 anos de idade, 70 anos a trabalhar na mesma casa. 70 anos de trabalho profícuo, competente, de alto nível técnico, à escala nacional”.

“Um grupo de antigos e actuais empregados das fundições Mota de Quadros entregou-lhe uma mensagem, com desenhos alusivos à fundição de metais, em homenagem às suas qualidades de camarada e de profissional”.

“Durante uma crise, foi-lhe reduzido o ordenado e também à maior parte dos empregados. Entretanto, reconhecida já a sua capacidade, foi convidado a dirigir uma fundição a construir no Rio de Janeiro. Demovido do projecto de sair do país pelo patrão, logo lhe foi restabelecido o ordenado anterior”.

Foi um dedicado colaborador do grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, desempenhando tarefas na montagem dos cenários e respectivas cenas.

Foi regedor de Tavarede e membro da Comissão Paroquial.

Casou com Preciosa Mota Oliveira, teve duas filhas, Elisa e Augusta, e faleceu no dia 27 de Janeiro de 1982. Era filho de Henrique Marques e Rita da Silva. Nascera no dia 1 de Janeiro de 1890.
Caderno: Tavaredenses com História

Henrique Tavares de Almeida


Foi uma figura carismática em Tavarede. Casado com Beatriz Ferreira de Almeida, seguiu a carreira militar, distinguindo-se como responsável pela secretaria do quartel onde estava colocado. Todos os dias, manhã cedo, vinha a Tavarede uma charrette do quartel para o levar para o serviço, o mesmo sucedendo à hora do seu regresso a casa.

Nasceu a 14 de Outubro de 1887 e faleceu em 31 de Janeiro de 1969.


Era um casal muito procurado pelos seus conterrâneos que o solicitavam para apadrinhamento dos seus casamentos, nunca dizendo que não.

Também colaborou, por diversas vezes, com as associações locais, assumindo o cargo de presidente da direcção.

Caderno: Tavaredenses com História

António Rodrigues dos Santos


Nasceu no dia 25 de Setembro de 1896 e faleceu em 18 de Janeiro de 1974. Casou com Maria de Oliveira da Silva, tendo três filhos: José, Arménio e Antonino.

Começou a actuar no grupo cénico da Sociedade de Instrução no ano de 1920, na opereta Entre duas Ave-Marias. Até ao ano de 1969, ano em que acabou a sua actividade no grupo, figurou mais de 50 personagens, em peças como Os Amores de Mariana, Noite de S. João, Em busca da Lúcia-Lima, Grão-Ducado de Tavarede, Os Fidalgos da Casa Mourisca, A Morgadinha dos Canaviais, Justiça de Sua Majestade, A Cigarra e a Formiga, O Sonho do Cavador, O Grande Industrial, Entre Giestas, A Nossa Casa, Raça, Frei Luís de Sousa, Terra do Limonete, etc.

Uma nota triste. Num espectáculo com a peça Raça, em que figurava o personagem Dr. Magalhães, com a casa passada e praticamente tudo pronto para começar o espectáculo, recebeu António Santos a notícia do falecimento de seu filho, Arménio. O espectáculo não podia ser adiado. Foi José Ribeiro que, improvisadamente, foi fazer o papel, o que causou algumas dificuldades aos outros amadores, pois não sabia nem o papel nem as marcações.

Era sócio honorário da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Caderno: Tavaredenses com História

António Mendes da Silva

Nasceu em Tavarede em 1836 e morreu em 7 de Novembro de 1916.

Operário carpinteiro, foi um dos fundadores da respectiva associação de classe, que o elegeu sócio honorário.

Emigrou para o Brasil. Fez parte, depois, da comissão municipal republicana de 1895, que se reuniu pela primeira vez em sua casa, na Rua Fernandes Coelho; durante anos continuou a pertencer à mesma comissão.

Ocupou o lugar de vereador da Câmara. As associações figueirenses de caridade e de instrução foram largamente subsidiadas por António Mendes da Silva. Foi figura destacada da Maçonaria.
Caderno: Tavaredenses com História

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 89


Depois de uma conferência pelo Dr. António Guardado, voltou a tradição da ‘Serra a Velha’ e no Dia Mundial do Teatro, o Lions Clube da Figueira associou-se às nossas comemorações oferecendo-nos uma placa que está afixada no átrio da entrada. Houve teatro pelo Grupo de Teatro Drª. Cristina Torres, que apresentou a peça ‘Sopinha de Mel’. A nossa Colectividade aproveitou a ocasião para prestar homenagem ao saudoso amador e encenador João de Oliveira Júnior.

Foi descerrado o retrato de João de Oliveira Júnior

Em Abril houve mais uma palestra, desta vez pelo Engº. António Santos Silva e houve mais uma tradição que foi recordada: a ‘festa da Pinhata’. Realizou-se durante o almoço mensal e teve a animação da orquestra ‘Melodias de Sempre’, de Brenha. E também se voltou a recordar a ‘Queima do Judas’, no sábado de Aleluia. No dia 19 de Abril, quinta-feira de Ascenção, reviveu-se a ‘Merenda Grande’. O mau tempo, contudo, não permitiu a ida ao antigo pinhal da Borlateira, pelo que foi comemorada com a merenda no nosso pavilhão desportivo.


Padre Borga e Tuna da Universidade do Algarve

Ainda nesse mesmo mês tivémos um espectáculo com a presença do Padre Borga e no final exibiu-se a ‘Tuna da Universidade do Algarve’ que se encontrava na Figueira e nos fez uma surpresa com a sua colaboração.

O mês de Maio trouxe-nos o Grupo de Instrumentos de Sopro de Coimbra, dirigido pelo Maestro Adelino Martins, uma colaboração nas comemorações do Dia de Tavarede e o primeiro ‘Encontro de Filarmónicas do Centenário’. Estiveram presentes as Filarmónicas dos Carvalhais, de Santana e a Gualdim Pais, de Tomar. Foi uma magnífica tarde musical que encheu por completo o nosso pavilhão.


A Banda de Tomar foi recebida no salão nobre da Câmara Municipal

E no dia 29 ainda houve confraternização com a realização do ‘Rallye Paper’. As comemorações prosseguiram em Junho com ‘Teatro de Rua’.”ANTES DE SAIR PARA A RUA... Porque o Teatro é um divertimento, tem uma função cultural e educativa e porque o espectáculo se dirige ao público, assim estes meios e fins conduzem-nos à escolha de determinado processo de comunicação que é o contacto directo com as pessoas e com os lugares onde se desenrolam as acções.



Dois momentos do ‘Teatro de Rua’ (A sesta e a Fonte de Tavarede)

Vamos assim adoptar um processo bem diferente do que é usado habitualmente, nestes cem anos em que se faz teatro, porque os intérpretes vão mais do que nunca tomar consciência das respectivas personagens, dos sentimentos que lhes vai na alma, das ideias que as determinam, da época em que vivem, dos ambientes em que se movem.

Os quadros que vamos representar, são de fundo histórico caracteristicamente local – bem da terra do limonete, constituída sobre factos e com figuras da história de Tavarede, com as tradições locais, os costumes locais e o ambiente local. Ficará este trabalho como testemunho da nossa dedicação à terra humilde onde nascemos, temos vivido e de que muito gostamos, como hino ao trabalho e também como afirmação da simpatia que votamos e da solidariedade que nos liga a todos os homens e mulheres da nossa aldeia.

José Ribeiro, dizia que estes quadros eram dos tais feitos apenas para serem vistos sobre as tábuas do palco. Fomos pôr a água ao lume para fazer este chá nas ruas da terra do limonete. Mais uma vez contamos com a ajuda do mestre... Como José Ribeiro escreveu: "É tempo de bater as três pancadas. Pano acima..." E nós continuamos: ...que o TEATRO VAI À RUA.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

José da Silva Cordeiro


Nasceu em Tavarede, a 2 de Janeiro de 1897, filho de Mateus Cordeiro e de Joaquina Mendes Silva. Casou com Rosa Rodrigues Cordeiro (falecida em Maio de 1977, com 83 anos), e tiveram três filhos: José, Emília e Raul. Morreu em 13 de Dezembro de 1969, com 72 anos de idade.


“José Cordeiro, pelas suas qualidades de carácter e dedicação pela sua terra, dando sempre o seu desinteressado concurso a todas as iniciativas que têm por fim elevar o nível moral dos tavaredenses, como exuberantemente o tem demonstrado na Sociedade de Instrução Tavaredense, e sua esposa, que é filha do falecido e estimado comerciante desta localidade, Francisco Cordeiro, gozam entre nós da melhor simpatia, motivo porque lhe auguramos um futuro feliz, de que são dignos”.


Foi membro da Comissão Paroquial da Freguesia e regedor, nomeado em 1921.


Tipógrafo de profissão, trabalhou na Tipografia Popular, de “A Voz da Justiça”, até ao seu encerramento em 1938, passando depois por diversas outras tipografias, acabando na Escola Gráfica Figueirense. Foi correspondente do jornal “A Voz da Justiça”, onde travou acesas polémicas, especialmente sobre a vida associativa local, e também de “O Figueirense”.


Devotado sócio e dirigente da Sociedade de Instrução, desempenhou, além de funções directivas, as mais diversas tarefas para que era solicitado. Uma dessas funções era a de porteiro, em dias de espectáculo. Passou-se com ele o seguinte caso:


Antigamente eram muitos os sócios que tinham o chamado “lugar cativo”. O teatro era o único divertimento que a maioria dos tavaredenses tinham e, então, só em casos de força maior é que deixavam de assistir aos teatros da sua colectividade. Isto fosse a peça representada uma ou 10 vezes, pois tinham sempre reservado o seu lugar. Uma noite, prestes o início do espectáculo, chega à porta da entrada sua esposa, a Tia Rosa, que, não encontrando o bilhete da algibeira, se recorda que o havia deixado em casa, por esquecimento. Pois, apesar de ter sido ele quem levara o bilhete e saber que o lugar era cativo, não deixou entrar sua mulher, obrigando-a a voltar a casa buscar o necessário bilhete.


Excesso de zelo? Talvez não. Era, isso sim, a necessidade do cumprimento do seu dever, aliás, o que sempre norteou a sua vida.


Caderno: Tavaredenses com História

Aniceto Mocho

No seu tempo, foi uma das pessoas mais conhecidas e características na aldeia.

Trabalhador rural e cabreiro, vivia, também, dos proveitos que obtinha ocasionalmente com alguns “biscates”. Era especialista na abertura de poços. Não dispomos de mais elementos sobre ele. No entanto, em 1950, Mestre José Ribeiro citou-o no quadro A Cidade e o Campo, em Chá de Limonete, quando o Campo respondendo a Frei Manuel de Santa Clara à pergunta onde ficava o “Couto de Tavarede” diz: “Couto de Tavarede? Não. Mocho temos cá, mas Couto não conheço”.

Adepto fervoroso dos jogos de cartas, era sempre desejado para parceiro nas partidas de “garujo”, que se disputavam frequentemente, à noite, na loja do Guerreiro.
Caderno: Tavaredenses com História