terça-feira, 8 de março de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 91


Continuaram as festividades. A 19 de Setembro teve lugar o II Encontro de Filarmónicas. Desta vez tivémos a colaboração das filarmónicas de Quiaios, da Boa União Alhadense e de Arazede.

II Encontro de Filarmónicas

E depois do tradicional concurso de pesca do mar, foi apresentada, no dia 1 de Outubro, a exposição ‘Cem anos de vida e de teatro’, no Centro da Artes e Espectáculos, amavelmente cedido pela Câmara Municipal. Esteve aberta ao público até ao dia 2 de Novembro e obteve considerável número de visitantes, que muito apreciaram a mesma.

O presidente da Câmara Municipal, Engº. Duarte Silva, assinando o Livro de Honra da Exposição

De referir que, além de outras personalidades, a exposição recebeu a visita do Primeiro Ministro, Dr. Pedro Santana Lopes, da Drª. Teresa Caeiro, Ministra da Cultura e Drª. Celeste Amaro, Delegada Regional do Ministério da Cultura.

Dois aspectos da exposição

Depois de um espectáculo proporcionado pelo GIAC, de Coimbra, com a peça ‘Os Manga sem Tanga’, festejou-se o S. Martinho. Com castanhas assadas e jeropiga! Mas, antes do magusto, houve um ‘café-concerto’. Recordando as primeiras peças musicadas representadas pelo grupo cénico da SIT, foi contada a história de algumas destas peças (Em busca da Lúcia-Lima, Grão Ducado de Tavarede, etc.) e lembradas algumas das suas cantigas. Um facto queremos aqui recordar: Este café-concerto foi o embrião do actual Grupo de Cantigas de Tavarede.

Em Novembro, no dia 27, foi levado a efeito um ‘Encontro das Colectividades da Freguesia’. Estiveram presentes, à tarde, o Rancho Estrelinhas da Chã, o Rancho Etnográfico os Cavadores do Saltadouro e o Rancho do Limonete, do Grupo Musical Tavaredense. À noite, houve a participação do Grupo Musical Carritense que apresentou, no nosso palco, a opereta ‘Isabel de Aragão’.

Estávamo-nos a aproximar do fim. Em Dezembro, numa criação do elemento da comissão José Manuel Cordeiro Oliveira, realizou-se ‘A Luz do Natal – Recriações em Luz Negra’, que permaneceu patente às visitas até ao dia 9 de Janeiro


Também foi organizada uma festa do Natal para as crianças. Foi representada no pavilhão desportivo a peça ‘O Pequeno Imperador’.


O Pequeno Imperador

Organizou-se, igualmente, uma festa para a ‘Passagem do Ano do Centenário’. “Pegue na sua ceia, não se esqueça das bebidas e venha confraternizar connosco. Olhe que para o segundo Centenário ainda faltam muitos anos!!!”, dizia o programa. Foi uma noite animada, pois foi grande o número de famílias que se juntaram a confraternizar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 90


Em Junho fizémos uma confraternização do grupo cénico e seus colaboradores. Foi escolhido o lugar da Simôa e houve sardinhada e febras grelhadas, tudo regado com um bom vinho tinto. Depois do almoço, e para ajudar a digestão, recordaram-se alguns dos velhos jogos tradicionais da nossa terra, principalmente o ‘jogo da pela’, que teve um torneio rijamente disputado.

No mês seguinte houve um espectáculo de jazz e música ‘country’, no largo fronteiro à nossa sede e que teve a colaboração do ‘Dixie Gringos’, de Coimbra. E no mês de Agosto teve lugar um passeio mistério, que deixou de o ser quando se sentaram à mesa para comerem uma bela ‘chanfanada’. Foi a Miranda do Corvo, com passagem pelo Senhor da Serra, etc.

Tivémos depois uma actuação pelo Grupo Musical ‘Saxe Ensemble’, de Coimbra, que se realizou na nossa Igreja Paroquial.

‘Saxe Ensemble’ na Igreja Paroquial de Tavarede

Chegámos a outro momento alto das comemorações. No dia 13 de Setembro de 2004 comemoraram-se 18 anos sobre a data do falecimento de Mestre José Ribeiro. A Sociedade de Instrução Tavaredense aproveitou a efeméride para proceder ao lançamento do livro do Centenário ‘100 Anos – Ao serviço do Povo… e caminhando’.

“A Sociedade de Instrução Tavaredense viveu aquele que foi considerado um dos pontos altos das comemorações do centenário, com o lançamento do livro “100 anos – Ao serviço do povo… e caminhando”, inspirado nos livros de José da Silva Ribeiro, evocado exactamente 18 anos depois da sua morte.

“Continuamos a respirar nestas quatro paredes, o enorme amor pelo teatro”. Foi assim, que o presidente da Sociedade de Instrução Tavaredense (SIT), evocando José da Silva Ribeiro, se dirigiu a todos os que quiseram partilhar daquele que foi considerado como o “ponto alto das comemorações do centenário”, uma cerimónia que chegou a estar prevista para o dia 27 de Março (Dia Mundial do Teatro) e “mais condizente com as actividades da colectividade”, mas que foi mudada para que o livro agora lançado, pudesse integrar fotos das comemorações do centenário. Vítor Medina adiantou ainda que a figura do mestre José Ribeiro “há-de perdurar sempre, enquanto a colectividade existir” e que “grande parte do livro é um complemento”, aos livros lançados pelo mestre, aquando das bodas de ouro e diamante da colectividade.

Com recolha e texto de Vítor Medina, e coordenação do professor José Augusto Bernardes, o livro, à venda por 25 euros, está “dividido” em cinco partes, “marcos do passado”, “cem anos de teatro”, “o centenário” e “quadros históricos”, é “uma edição de luxo, com mil exemplares”, e apesar do presidente da direcção estar “consciente de que não os vamos vender todos”, garante que os apoios e patrocínios “cobrem metade”, e uma parte será guardada pela colectividade.


Aspeto da sessão de apresentação do livro do Centenário

Capa do livro do Centenário

À cerimónia, que contou com a presença de diversas entidades da região, aliou-se o presidente da Câmara por considerar que a SIT “é a jóia da coroa da Figueira”. Sem querer “ofender e menosprezar” outras colectividades, Duarte Silva recordou que José da Silva Ribeiro “é uma referência nacional” e que a colectividade mantém a sua “tradição”, no domínio do teatro.

Após a cerimónia do lançamento do livro, o grupo cénico prestou homenagem ao amador José Lopes Medina. “Pisou pela primeira vez o palco aos 14 anos, em 1954, com 3 peças, “Revivendo o Passado”, “Sonho do Cavador” e “A Cigarra e a Formiga”. Cinquenta anos depois, José Lopes Medina continua com a mesma vontade de representar e com o mesmo “dilema”: qual é a sua primeira casa. “Já quando era rapaz e iam a casa de minha mãe procurar-me, ela respondia ‘está na casa dele’, ou seja, na SIT”. Hoje, como naquela época, José Medina continua sem saber “se esta é a minha primeira ou segunda casa”, tamanho é o amor à colectividade.

A homenagem de que foi alvo na noite de segunda feira, encara-a como “algo especial, que traduz o trabalho de 50 anos de teatro, trabalho sempre na mesma colectividade”, onde já representou “dezenas e dezenas de peças, talvez centenas”, diz com algum orgulho. Mas ainda hoje, quando entra para o palco, sente o mesmo “nervoso”, um nervoso bem conhecido dos actores e que, segundo garante, “sai completamente quando entro em palco”, garante este homem do teatro de Tavarede, que sente “cada vez mais força para continuar”. (Diário de Coimbra – 15.Setembro.2004

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

José Maria Marques

“Mais conhecido por José Maria Peniche, por seu pai ser natural desta vila, nasceu na Figueira, passando mais tarde a residir em Tavarede. E aos 10 anos, em 7 de Janeiro, entrou as portas das Oficinas Mota, então dirigidas por Urbano Fernandes da Silva Mota, como aprendiz, com o salário de 30 reis por semana, o preço de 2 pães”.

Fez a instrução primária na escola do “anão”, na Rua da Fé, na escola de “Santo Antoninho”, na Rua 9 de Julho e na escola da Associação de Instrução Popular, na Rua da Cadeia.

Aposentou-se com 80 anos de idade, depois de ter trabalhado, na mesma empresa, mais de 70 anos, apenas faltando durante o tempo em que prestou serviço militar e para tratamento de “algumas queimaduras em serviço”. “80 anos de idade, 70 anos a trabalhar na mesma casa. 70 anos de trabalho profícuo, competente, de alto nível técnico, à escala nacional”.

“Um grupo de antigos e actuais empregados das fundições Mota de Quadros entregou-lhe uma mensagem, com desenhos alusivos à fundição de metais, em homenagem às suas qualidades de camarada e de profissional”.

“Durante uma crise, foi-lhe reduzido o ordenado e também à maior parte dos empregados. Entretanto, reconhecida já a sua capacidade, foi convidado a dirigir uma fundição a construir no Rio de Janeiro. Demovido do projecto de sair do país pelo patrão, logo lhe foi restabelecido o ordenado anterior”.

Foi um dedicado colaborador do grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, desempenhando tarefas na montagem dos cenários e respectivas cenas.

Foi regedor de Tavarede e membro da Comissão Paroquial.

Casou com Preciosa Mota Oliveira, teve duas filhas, Elisa e Augusta, e faleceu no dia 27 de Janeiro de 1982. Era filho de Henrique Marques e Rita da Silva. Nascera no dia 1 de Janeiro de 1890.
Caderno: Tavaredenses com História

Henrique Tavares de Almeida


Foi uma figura carismática em Tavarede. Casado com Beatriz Ferreira de Almeida, seguiu a carreira militar, distinguindo-se como responsável pela secretaria do quartel onde estava colocado. Todos os dias, manhã cedo, vinha a Tavarede uma charrette do quartel para o levar para o serviço, o mesmo sucedendo à hora do seu regresso a casa.

Nasceu a 14 de Outubro de 1887 e faleceu em 31 de Janeiro de 1969.


Era um casal muito procurado pelos seus conterrâneos que o solicitavam para apadrinhamento dos seus casamentos, nunca dizendo que não.

Também colaborou, por diversas vezes, com as associações locais, assumindo o cargo de presidente da direcção.

Caderno: Tavaredenses com História

António Rodrigues dos Santos


Nasceu no dia 25 de Setembro de 1896 e faleceu em 18 de Janeiro de 1974. Casou com Maria de Oliveira da Silva, tendo três filhos: José, Arménio e Antonino.

Começou a actuar no grupo cénico da Sociedade de Instrução no ano de 1920, na opereta Entre duas Ave-Marias. Até ao ano de 1969, ano em que acabou a sua actividade no grupo, figurou mais de 50 personagens, em peças como Os Amores de Mariana, Noite de S. João, Em busca da Lúcia-Lima, Grão-Ducado de Tavarede, Os Fidalgos da Casa Mourisca, A Morgadinha dos Canaviais, Justiça de Sua Majestade, A Cigarra e a Formiga, O Sonho do Cavador, O Grande Industrial, Entre Giestas, A Nossa Casa, Raça, Frei Luís de Sousa, Terra do Limonete, etc.

Uma nota triste. Num espectáculo com a peça Raça, em que figurava o personagem Dr. Magalhães, com a casa passada e praticamente tudo pronto para começar o espectáculo, recebeu António Santos a notícia do falecimento de seu filho, Arménio. O espectáculo não podia ser adiado. Foi José Ribeiro que, improvisadamente, foi fazer o papel, o que causou algumas dificuldades aos outros amadores, pois não sabia nem o papel nem as marcações.

Era sócio honorário da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Caderno: Tavaredenses com História

António Mendes da Silva

Nasceu em Tavarede em 1836 e morreu em 7 de Novembro de 1916.

Operário carpinteiro, foi um dos fundadores da respectiva associação de classe, que o elegeu sócio honorário.

Emigrou para o Brasil. Fez parte, depois, da comissão municipal republicana de 1895, que se reuniu pela primeira vez em sua casa, na Rua Fernandes Coelho; durante anos continuou a pertencer à mesma comissão.

Ocupou o lugar de vereador da Câmara. As associações figueirenses de caridade e de instrução foram largamente subsidiadas por António Mendes da Silva. Foi figura destacada da Maçonaria.
Caderno: Tavaredenses com História

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 89


Depois de uma conferência pelo Dr. António Guardado, voltou a tradição da ‘Serra a Velha’ e no Dia Mundial do Teatro, o Lions Clube da Figueira associou-se às nossas comemorações oferecendo-nos uma placa que está afixada no átrio da entrada. Houve teatro pelo Grupo de Teatro Drª. Cristina Torres, que apresentou a peça ‘Sopinha de Mel’. A nossa Colectividade aproveitou a ocasião para prestar homenagem ao saudoso amador e encenador João de Oliveira Júnior.

Foi descerrado o retrato de João de Oliveira Júnior

Em Abril houve mais uma palestra, desta vez pelo Engº. António Santos Silva e houve mais uma tradição que foi recordada: a ‘festa da Pinhata’. Realizou-se durante o almoço mensal e teve a animação da orquestra ‘Melodias de Sempre’, de Brenha. E também se voltou a recordar a ‘Queima do Judas’, no sábado de Aleluia. No dia 19 de Abril, quinta-feira de Ascenção, reviveu-se a ‘Merenda Grande’. O mau tempo, contudo, não permitiu a ida ao antigo pinhal da Borlateira, pelo que foi comemorada com a merenda no nosso pavilhão desportivo.


Padre Borga e Tuna da Universidade do Algarve

Ainda nesse mesmo mês tivémos um espectáculo com a presença do Padre Borga e no final exibiu-se a ‘Tuna da Universidade do Algarve’ que se encontrava na Figueira e nos fez uma surpresa com a sua colaboração.

O mês de Maio trouxe-nos o Grupo de Instrumentos de Sopro de Coimbra, dirigido pelo Maestro Adelino Martins, uma colaboração nas comemorações do Dia de Tavarede e o primeiro ‘Encontro de Filarmónicas do Centenário’. Estiveram presentes as Filarmónicas dos Carvalhais, de Santana e a Gualdim Pais, de Tomar. Foi uma magnífica tarde musical que encheu por completo o nosso pavilhão.


A Banda de Tomar foi recebida no salão nobre da Câmara Municipal

E no dia 29 ainda houve confraternização com a realização do ‘Rallye Paper’. As comemorações prosseguiram em Junho com ‘Teatro de Rua’.”ANTES DE SAIR PARA A RUA... Porque o Teatro é um divertimento, tem uma função cultural e educativa e porque o espectáculo se dirige ao público, assim estes meios e fins conduzem-nos à escolha de determinado processo de comunicação que é o contacto directo com as pessoas e com os lugares onde se desenrolam as acções.



Dois momentos do ‘Teatro de Rua’ (A sesta e a Fonte de Tavarede)

Vamos assim adoptar um processo bem diferente do que é usado habitualmente, nestes cem anos em que se faz teatro, porque os intérpretes vão mais do que nunca tomar consciência das respectivas personagens, dos sentimentos que lhes vai na alma, das ideias que as determinam, da época em que vivem, dos ambientes em que se movem.

Os quadros que vamos representar, são de fundo histórico caracteristicamente local – bem da terra do limonete, constituída sobre factos e com figuras da história de Tavarede, com as tradições locais, os costumes locais e o ambiente local. Ficará este trabalho como testemunho da nossa dedicação à terra humilde onde nascemos, temos vivido e de que muito gostamos, como hino ao trabalho e também como afirmação da simpatia que votamos e da solidariedade que nos liga a todos os homens e mulheres da nossa aldeia.

José Ribeiro, dizia que estes quadros eram dos tais feitos apenas para serem vistos sobre as tábuas do palco. Fomos pôr a água ao lume para fazer este chá nas ruas da terra do limonete. Mais uma vez contamos com a ajuda do mestre... Como José Ribeiro escreveu: "É tempo de bater as três pancadas. Pano acima..." E nós continuamos: ...que o TEATRO VAI À RUA.