terça-feira, 8 de março de 2011

António Duarte Silva

Natural de Tavarede, filho de João Duarte Silva e de Maria Correia Cunha, faleceu no dia 18 de Fevereiro de 1949, contando 56 anos de idade.

No ano de 1924 abriu, no antigo Largo do Forno, uma padaria a que deu o nome de “Padaria 5 de Outubro”. Uma notícia comenta: “… e o tipo de pão, de um fabrico esplêndido, é o mesmo do das Alhadas – fino e gostoso. O forno também está destinado a cozer pão de milho”.
Caderno: Tavaredenses com História

José Silva Gomes

“Lavrador no Saltadouro, que de dia passa o tempo revolvendo a terra, nela cultivando o pão que garante aos seus o sustento de que carecem.

Mas o sr. José Gomes compreende, e bem, que o homem não vive apenas do pão que alimenta o estômago e que outro pão, o do espírito, lhe é também preciso. E dispôs-se a semear pelos cérebros dos rapazes que dele se acercam, à noite, aqueles conhecimentos das primeiras letras que ele dispõe. É interessante e generoso o seu trabalho, que nada custa a ninguém, a não ser a ele próprio, que nele perde as horas em que o seu corpo poderia repousar das fadigas dos incessantes dias. Isto é louvável, digno de ser registado”. (Notícia em Fevereiro de 1922)
Caderno: Tavaredenses com História

João de Oliveira


Faleceu no dia 20 de Junho de 1973, com 87 anos de idade. Era filho de António de Oliveira e de Maria José Tondela. Foi casado com Guilhermina Rodrigues Cordeiro, que morreu a 29 de Junho de 1957, com 67 anos.

“Afastado há anos de todas as actividades, por motivo de doença que lhe tolhia os movimentos, no seu espírito manteve-se sempre acesa a chama da fé nos seus ideais. Membro da Junta, regedor da freguesia ou chefe político, em todas as funções se houve com verticalidade, firmeza, entranhado amor à sua terra”.

Exerceu a sua actividade profissional, como carpinteiro, ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro, tendo-se reformado em altas funções de chefia.

Desde muito novo que se dedicou ao serviço da sua terra, exercendo, por diversos períodos e conforme o regime no poder, as tarefas de presidente da Junta de Paróquia e de regedor, cargos que sempre procurou exercer com imparcialidade política e na defesa dos interesses locais. Foi elemento destacado da secção local do Partido Democrático, após a implantação da República.

No campo associativo, começou muito cedo a participar na vida activa das colectividades da terra do limonete. Pouco participativo nas áreas do teatro e da música, como executante, distinguiu-se, e teve acção muito importante, como dirigente.

Em Janeiro de 1904 foi um dos fundadores da Sociedade de Instrução Tavaredense. E no ano de 1914, por divergências políticas, deixou esta colectividade e ingressou no Grupo Musical e de Instrução, que, com cerca de três anos de existência, ajudou a desenvolver, fazendo parte dos seus órgãos sociais e integrando-se, também, no seu grupo cénico.

Foi, sem dúvida, um dos grandes pilares desta colectividade que, durante quinze anos, se elevou ao nível das melhores do concelho, com uma sede condigna, uma secção dramática brilhante e uma tuna que foi considerada como uma “das melhores e mais bem organizadas do concelho”.

Uma crise financeira motivada pela compra da sede e obras realizadas, levou aquela colectividade a ter de vender o edifício e acabar com o teatro, sendo forçada a mudar a sua sede para a casa do Paço.

João de Oliveira colaborou, então, com o padre Cruz Dinis, pároco da freguesia, na fundação do Grémio Educativo e de Instrução Tavaredense, colectividade de índole religiosa, que se instalou na anterior sede do Grupo Musical.

Quando esta associação encerrou a sua actividade, com a transferência do padre José Martins da Cruz Dinis, em 1935, deixou, por completo, de participar na vida associativa. No ano de 1965, a Sociedade de Instrução inaugurou a sua nova sede e os seus dirigentes convidaram João de Oliveira, único sócio fundador ainda vivo, a estar presente na sessão solene comemorativa, tendo aceite o convite e sendo integrado na mesa da presidência. Foi aquela a primeira vez que entrou nesta colectividade, depois do seu abandono, no distante ano de 1914.

Caderno: Tavaredenses com História

Sociedade de Instrução Tavaredense - 91


Continuaram as festividades. A 19 de Setembro teve lugar o II Encontro de Filarmónicas. Desta vez tivémos a colaboração das filarmónicas de Quiaios, da Boa União Alhadense e de Arazede.

II Encontro de Filarmónicas

E depois do tradicional concurso de pesca do mar, foi apresentada, no dia 1 de Outubro, a exposição ‘Cem anos de vida e de teatro’, no Centro da Artes e Espectáculos, amavelmente cedido pela Câmara Municipal. Esteve aberta ao público até ao dia 2 de Novembro e obteve considerável número de visitantes, que muito apreciaram a mesma.

O presidente da Câmara Municipal, Engº. Duarte Silva, assinando o Livro de Honra da Exposição

De referir que, além de outras personalidades, a exposição recebeu a visita do Primeiro Ministro, Dr. Pedro Santana Lopes, da Drª. Teresa Caeiro, Ministra da Cultura e Drª. Celeste Amaro, Delegada Regional do Ministério da Cultura.

Dois aspectos da exposição

Depois de um espectáculo proporcionado pelo GIAC, de Coimbra, com a peça ‘Os Manga sem Tanga’, festejou-se o S. Martinho. Com castanhas assadas e jeropiga! Mas, antes do magusto, houve um ‘café-concerto’. Recordando as primeiras peças musicadas representadas pelo grupo cénico da SIT, foi contada a história de algumas destas peças (Em busca da Lúcia-Lima, Grão Ducado de Tavarede, etc.) e lembradas algumas das suas cantigas. Um facto queremos aqui recordar: Este café-concerto foi o embrião do actual Grupo de Cantigas de Tavarede.

Em Novembro, no dia 27, foi levado a efeito um ‘Encontro das Colectividades da Freguesia’. Estiveram presentes, à tarde, o Rancho Estrelinhas da Chã, o Rancho Etnográfico os Cavadores do Saltadouro e o Rancho do Limonete, do Grupo Musical Tavaredense. À noite, houve a participação do Grupo Musical Carritense que apresentou, no nosso palco, a opereta ‘Isabel de Aragão’.

Estávamo-nos a aproximar do fim. Em Dezembro, numa criação do elemento da comissão José Manuel Cordeiro Oliveira, realizou-se ‘A Luz do Natal – Recriações em Luz Negra’, que permaneceu patente às visitas até ao dia 9 de Janeiro


Também foi organizada uma festa do Natal para as crianças. Foi representada no pavilhão desportivo a peça ‘O Pequeno Imperador’.


O Pequeno Imperador

Organizou-se, igualmente, uma festa para a ‘Passagem do Ano do Centenário’. “Pegue na sua ceia, não se esqueça das bebidas e venha confraternizar connosco. Olhe que para o segundo Centenário ainda faltam muitos anos!!!”, dizia o programa. Foi uma noite animada, pois foi grande o número de famílias que se juntaram a confraternizar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 90


Em Junho fizémos uma confraternização do grupo cénico e seus colaboradores. Foi escolhido o lugar da Simôa e houve sardinhada e febras grelhadas, tudo regado com um bom vinho tinto. Depois do almoço, e para ajudar a digestão, recordaram-se alguns dos velhos jogos tradicionais da nossa terra, principalmente o ‘jogo da pela’, que teve um torneio rijamente disputado.

No mês seguinte houve um espectáculo de jazz e música ‘country’, no largo fronteiro à nossa sede e que teve a colaboração do ‘Dixie Gringos’, de Coimbra. E no mês de Agosto teve lugar um passeio mistério, que deixou de o ser quando se sentaram à mesa para comerem uma bela ‘chanfanada’. Foi a Miranda do Corvo, com passagem pelo Senhor da Serra, etc.

Tivémos depois uma actuação pelo Grupo Musical ‘Saxe Ensemble’, de Coimbra, que se realizou na nossa Igreja Paroquial.

‘Saxe Ensemble’ na Igreja Paroquial de Tavarede

Chegámos a outro momento alto das comemorações. No dia 13 de Setembro de 2004 comemoraram-se 18 anos sobre a data do falecimento de Mestre José Ribeiro. A Sociedade de Instrução Tavaredense aproveitou a efeméride para proceder ao lançamento do livro do Centenário ‘100 Anos – Ao serviço do Povo… e caminhando’.

“A Sociedade de Instrução Tavaredense viveu aquele que foi considerado um dos pontos altos das comemorações do centenário, com o lançamento do livro “100 anos – Ao serviço do povo… e caminhando”, inspirado nos livros de José da Silva Ribeiro, evocado exactamente 18 anos depois da sua morte.

“Continuamos a respirar nestas quatro paredes, o enorme amor pelo teatro”. Foi assim, que o presidente da Sociedade de Instrução Tavaredense (SIT), evocando José da Silva Ribeiro, se dirigiu a todos os que quiseram partilhar daquele que foi considerado como o “ponto alto das comemorações do centenário”, uma cerimónia que chegou a estar prevista para o dia 27 de Março (Dia Mundial do Teatro) e “mais condizente com as actividades da colectividade”, mas que foi mudada para que o livro agora lançado, pudesse integrar fotos das comemorações do centenário. Vítor Medina adiantou ainda que a figura do mestre José Ribeiro “há-de perdurar sempre, enquanto a colectividade existir” e que “grande parte do livro é um complemento”, aos livros lançados pelo mestre, aquando das bodas de ouro e diamante da colectividade.

Com recolha e texto de Vítor Medina, e coordenação do professor José Augusto Bernardes, o livro, à venda por 25 euros, está “dividido” em cinco partes, “marcos do passado”, “cem anos de teatro”, “o centenário” e “quadros históricos”, é “uma edição de luxo, com mil exemplares”, e apesar do presidente da direcção estar “consciente de que não os vamos vender todos”, garante que os apoios e patrocínios “cobrem metade”, e uma parte será guardada pela colectividade.


Aspeto da sessão de apresentação do livro do Centenário

Capa do livro do Centenário

À cerimónia, que contou com a presença de diversas entidades da região, aliou-se o presidente da Câmara por considerar que a SIT “é a jóia da coroa da Figueira”. Sem querer “ofender e menosprezar” outras colectividades, Duarte Silva recordou que José da Silva Ribeiro “é uma referência nacional” e que a colectividade mantém a sua “tradição”, no domínio do teatro.

Após a cerimónia do lançamento do livro, o grupo cénico prestou homenagem ao amador José Lopes Medina. “Pisou pela primeira vez o palco aos 14 anos, em 1954, com 3 peças, “Revivendo o Passado”, “Sonho do Cavador” e “A Cigarra e a Formiga”. Cinquenta anos depois, José Lopes Medina continua com a mesma vontade de representar e com o mesmo “dilema”: qual é a sua primeira casa. “Já quando era rapaz e iam a casa de minha mãe procurar-me, ela respondia ‘está na casa dele’, ou seja, na SIT”. Hoje, como naquela época, José Medina continua sem saber “se esta é a minha primeira ou segunda casa”, tamanho é o amor à colectividade.

A homenagem de que foi alvo na noite de segunda feira, encara-a como “algo especial, que traduz o trabalho de 50 anos de teatro, trabalho sempre na mesma colectividade”, onde já representou “dezenas e dezenas de peças, talvez centenas”, diz com algum orgulho. Mas ainda hoje, quando entra para o palco, sente o mesmo “nervoso”, um nervoso bem conhecido dos actores e que, segundo garante, “sai completamente quando entro em palco”, garante este homem do teatro de Tavarede, que sente “cada vez mais força para continuar”. (Diário de Coimbra – 15.Setembro.2004

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

José Maria Marques

“Mais conhecido por José Maria Peniche, por seu pai ser natural desta vila, nasceu na Figueira, passando mais tarde a residir em Tavarede. E aos 10 anos, em 7 de Janeiro, entrou as portas das Oficinas Mota, então dirigidas por Urbano Fernandes da Silva Mota, como aprendiz, com o salário de 30 reis por semana, o preço de 2 pães”.

Fez a instrução primária na escola do “anão”, na Rua da Fé, na escola de “Santo Antoninho”, na Rua 9 de Julho e na escola da Associação de Instrução Popular, na Rua da Cadeia.

Aposentou-se com 80 anos de idade, depois de ter trabalhado, na mesma empresa, mais de 70 anos, apenas faltando durante o tempo em que prestou serviço militar e para tratamento de “algumas queimaduras em serviço”. “80 anos de idade, 70 anos a trabalhar na mesma casa. 70 anos de trabalho profícuo, competente, de alto nível técnico, à escala nacional”.

“Um grupo de antigos e actuais empregados das fundições Mota de Quadros entregou-lhe uma mensagem, com desenhos alusivos à fundição de metais, em homenagem às suas qualidades de camarada e de profissional”.

“Durante uma crise, foi-lhe reduzido o ordenado e também à maior parte dos empregados. Entretanto, reconhecida já a sua capacidade, foi convidado a dirigir uma fundição a construir no Rio de Janeiro. Demovido do projecto de sair do país pelo patrão, logo lhe foi restabelecido o ordenado anterior”.

Foi um dedicado colaborador do grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, desempenhando tarefas na montagem dos cenários e respectivas cenas.

Foi regedor de Tavarede e membro da Comissão Paroquial.

Casou com Preciosa Mota Oliveira, teve duas filhas, Elisa e Augusta, e faleceu no dia 27 de Janeiro de 1982. Era filho de Henrique Marques e Rita da Silva. Nascera no dia 1 de Janeiro de 1890.
Caderno: Tavaredenses com História

Henrique Tavares de Almeida


Foi uma figura carismática em Tavarede. Casado com Beatriz Ferreira de Almeida, seguiu a carreira militar, distinguindo-se como responsável pela secretaria do quartel onde estava colocado. Todos os dias, manhã cedo, vinha a Tavarede uma charrette do quartel para o levar para o serviço, o mesmo sucedendo à hora do seu regresso a casa.

Nasceu a 14 de Outubro de 1887 e faleceu em 31 de Janeiro de 1969.


Era um casal muito procurado pelos seus conterrâneos que o solicitavam para apadrinhamento dos seus casamentos, nunca dizendo que não.

Também colaborou, por diversas vezes, com as associações locais, assumindo o cargo de presidente da direcção.

Caderno: Tavaredenses com História