sexta-feira, 25 de março de 2011

JOAQUIM SEVERINO DOS REIS


Nasceu em Tavarede em 1888, filho de António Severino dos Reis e de Clementina Rodrigues. Casou em Setembro de 1910 com Etelvina de Oliveira Tondela (falecida em Maio de 1977, com 90 anos), e tiveram quatro filhos: José Joaquim, Fernando, Estrela e Carmina. Faleceu no dia 1 de Novembro de 1932, com 44 anos de idade.

Carpinteiro nas oficinas da Beira Alta, na Figueira, era vulgarmente conhecido por Joaquim Terreiro.

Frequentou a escola nocturna fundada por João dos Santos e pelo dr. Manuel Cruz, iniciando-se no palco num espectáculo realizado em 1902 pelos alunos desta escola. Fez parte do Grupo de Instrução e da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Em Agosto de 1911 adere à iniciativa dos irmãos Medina e é um dos fundadores do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, fazendo parte do seu grupo dramático durante vários anos.

Foi eleito, por diversas vezes, para os corpos gerentes desta colectividade. Igualmente foi membro da 1ª. Comissão Paroquial Republicana, eleita em Abril de 1911.

Caderno: Tavaredenses com História

Carlos Rodrigues dos Santos


Tavaredense, filho de Emídio Rodrigues Pinto e de Maria Jesus Silva Freitas, faleceu no dia 25 de Setembro de 1986. Casou com Clementina Fernandes, tendo um filho, João Carlos.

Operário na Companhia dos Caminhos de Ferro, desde muito novo que se dedicou à música.

Tocou
na Tuna do Grupo Musical e, fazendo parte do conjunto “Ginásio Clube”, da Figueira, foi convidado, em Janeiro de 1939, para regente da Tuna e para formar uma orquestra privativa para a colectividade, que abrilhantasse os bailes e festas ali a realizar.

Ensaiou e dirigiu a Tuna numa deslocação feita ao Buçaco, no dia 18 de Maio de 1939, quinta-feira de Ascensão. Foi a última actuação da Tuna fora da terra. Nesse verão, ainda foram abrilhantar as festas populares que realizaram na Chã, mas já fez o serviço muito incompleta.

Conseguiu organizar um conjunto musical que abrilhantou alguns bailes no Grupo Musical, mas teve escassos meses de existência.

Foi colaborador musical da Sociedade de Instrução e, pelos anos cinquenta do século passado, quando fizeram reviver o Rancho dos Potes Floridos do 1º. de Maio, foi o ensaiador da música acompanhante.

Sua esposa, Clementina, fez parte do grupo de amadores da Sociedade de Instrução, onde actuou entre 1924 e 1930, participando nas operetas Noite de S. João, Grão-Ducado de Tavarede e A Cigarra e a Formiga, entre outras. A SIT concedeu-lhe o diploma de sócia honorária em 1929.

Caderno: Tavaredenses com História

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 93


Foi propositadamente que deixámos para último capítulo destas recordações, a nota de um espectáculo que ficou memorável na história da Sociedade de Instrução Tavaredense. No dia 13 de Setembro de 2006 completaram-se 20 anos do falecimento de Mestre José da Silva Ribeiro. Era uma data que não podia ficar esquecida. Na verdade, por mais homenagens que se prestem à memória deste Homem, nunca a nossa Colectividade deixará de estar em dívida perante a enormíssima obra, educativa, social e cultural, que durante toda a sua vida ele dedicou à sua Colectividade e à sua Terra.



Em colaboração com o grupo cénico, foi organizado e preparado um espectáculo para levar à cena naquela data. Intitulou-se ‘O Sonho do Passado… A Esperança do Futuro…’. Dezenas várias de pessoas, entre amadores cénicos e colaboradores nas mais variadas tarefas, se juntaram para este fim. Alguns já retirados destas andanças há bastantes anos, não quiseram deixar de colaborar.

O tema era, é claro, sobre o Mestre. Procurou-se recordar os seus princípios no teatro e no jornalismo. Foi lido o primeiro conto escrito por ele num pequeno jornal de que foi um dos fundadores: ‘O Poeta’, e o conto: ‘Os passarinhos’. Evocou-se a sua passagem como amador dramático no nosso palco. Foi o galã em diversas peças, contracenando com Eugénia Tondela (mais tarde esposa de António Piedade). Foi também director dedicado e entusiasmado. Veio a tropa. José Ribeiro, com o posto de sargento, fez parte do corpo expedicionário que foi mobilizado para a defesa de Angola. Foram cerca de dois anos e meio que esteve ausente. Quando regressou, de imediato retomou o seu posto na SIT: o de encenador e responsável pelo grupo cénico.

A primeira peça que levou à cena, nesta qualidade, foi uma opereta: ‘Entre duas Avé-Marias’. Recordou-se uma canção desta peça. Seria impossível recordar num só espectáculo toda a actividade teatral de Mestre José Ribeiro. Procurou-se, assim, recriar alguns números das mais célebres peças por si encenadas ou, mais tarde, escritas por ele mesmo. Foi um trabalho enorme e dificultoso, tendo em conta que seria para uma única representação.


Valeu a pena. Quando o espectáculo começou, e apesar de ter sido dia de trabalho, a sala estava repleta. Como convidados especiais estiveram presentes o Delegado Regional da Cultura, dr. Pedro Pita, e a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

E se o espectáculo havia começado com o ‘Sonho’, simbolizando o sonho do teatro sempre presente em José Ribeiro, terminou com a ‘Esperança’, esperança num futuro que ele tão bem havia simbolizado numa das suas peças. Foi uma homenagem digna, tanto do homenageado como da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Acabaram as nossas historietas sobre a Sociedade de Instrução Tavaredense. Mas ainda haverá outras coisas a recordar. Quase 110 anos de teatro são um manancial enorme. Peças representadas, nomes das amadoras e amadores, outros colaboradores… Tudo são coisas que merecem ficar recordadas. Tudo, afinal, faz parte da História da nossa terra, TAVAREDE.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 92


No dia 5 de Janeiro de 2005 iniciou-se o programa de encerramento das comemorações do centenário. E, nesse dia, o espectáculo foi memorável. Com a colaboração da Delegação em Coimbra do Inatel, foi possível apresentar a orquestra russa ‘Silver Strings’.

‘Orquestra Silver Strings’

Aspecto da assistência (plateia)
E a 9 de Janeiro de 2005 foi levado a efeito o ‘Almoço de Gala’, com animação musical e a participação do ‘Grupo de Cordas e Cantares de Coimbra’. Tal como aquando do ‘Jantar da abertura’, também este almoço decorreu com a maior alegria. A lotação esgotou-se e igualmente estiveram presentes diversas entidades oficiais.

O leque de Lady Windermere

Na semana seguinte dar-se-ia início ao encerramento oficial das comemorações e festejado o centésimo primeiro aniversário. Para o espectáculo de gala, o nosso grupo cénico apresentou a peça ‘O Leque de Lady Windermere’, de Oscar Wilde. Com esta peça o nosso grupo deu várias representações uma das quais no Grande Auditório do Centro, num espectáculo oferecido pela SIT ao Povo da Figueira da Foz.

A Drª. Maria Rosário Águas proferindo o seu discurso

No domingo seguinte, 16 de Janeiro, teve lugar a tradicional sessão solene. A presidir, a Sociedade de Instrução Tavaredense teve a honra de ter presente a Doutora Maria do Rosário Águas, ao tempo Secretária de Estado da Administração Interna. Como havia sido seu avô, o saudoso Anselmo Cardoso Júnior, o autor da música daquela que é considerada como o ‘hino’ do nosso grupo cénico, a ‘Canção do Limonete’, a Filarmónica da Lares, que amavelmente colaborou neste acto solene, tocou aquele número, que foi cantado por toda a assistência presente. Antes da sessão actuou o Coro de Câmara do Orfeão de Valadares.

E foi desta forma entusiástica e entusiasmante que foram encerradas as comemorações do primeiro centenário da Sociedade de Instrução Tavaredense. Outro se iniciou. Já cá não estaremos para assistir, mas, temos a plena convicção, que a nossa Colectividade, apesar das diversas adversidades com que terá de lutar, infelizmente como todas as colectividades de cultura e recreio, continuará a honrar e dignificar o nome da nossa terra natal – TAVAREDE.

Vamos terminar estas recordações sobre a SIT. Não o faremos, no entanto, sem aqui deixar uma palavra de louvor e de ânimo a todos os componentes do actual grupo cénico e do grupo Cantigas de Tavarede, cuja estreia teve lugar a anteceder a sessão solene do 103º. aniversário, em Janeiro de 2007.

“Por ocasião das comemorações do centenário, realizámos um sarau evocativo das primeiras revistas-fantasias escritas e musicadas propositadamente para o nosso grupo cénico. Recuámos até aos anos de 1925/1927, contámos algumas histórias (enredo) e ouvimos algumas das suas canções, que notícias da época referiam como lindíssimas. E, na verdade, todos quantos as escutaram agora, ficaram encantados com elas. Foi só uma pequenina amostra. Não houve possibilidade para continuar, como pretendíamos, por impossibilidade de gravação de outros números musicais.

Desde 5 de Fevereiro de 1905, dia em que se apresentou a primeira opereta, Casamento da Grã-Duquesa, até aos nossos dias, muitas foram as operetas e revistas que o grupo cénico representou e cujas músicas (partituras e partes) se encontram “armazenadas” numa estante da nossa biblioteca. E, ainda antes da fundação da SIT, já aqui se representaram operetas, cujas músicas talvez ainda existam naquele arquivo.

Uma das nossas intenções, e sempre em colaboração com o grupo cénico, era fazer uma recolha gravada das músicas existentes e, se possível, criar um agrupamento coral que, em saraus evocativos, e não só, apresentasse algumas daquelas cantigas. Mas, para tal, tornava-se imprescindível a colaboração de uma pessoa com cultura musical, que se encarregasse de tal tarefa. Julgamos ter agora a possibilidade de concretizar este projecto. Um credenciado Maestro, nosso conterrâneo, e que já connosco tem colaborado há vários anos na composição e gravações utilizadas em diversas peças levadas à cena, admite colaborar connosco, iniciando algumas gravações e ensaiando o referido agrupamento coral. Mas, para concretizar esta iniciativa, temos de ponderar cuidadamente os seus custos. É verdade que, em nossa opinião, este projecto é muito importante para a conservação do passado da colectividade, mas, os nossos cofres, estão praticamente vazios e, embora os trabalhos que acima referimos sejam feitos pelos directores e alguns amigos, nas suas horas de ócio, há custos que não podem ser ignorados”.

E o sonho tornou-se realidade. Todos os esforços feitos foram positivos e é bem certo que tudo vale a pena fazer em prol do Associativismo e das nossas Colectividades. Nós somos dos que acreditamos na sua utilidade, agora como há cem ou duzentos anos. Outros objectivos, é certo, mas sempre necessárias para o desenvolvimento cultural e social de todos. E a nós, sobretudo, não falta a esperança no seu futuro.

terça-feira, 8 de março de 2011

António Duarte Silva

Natural de Tavarede, filho de João Duarte Silva e de Maria Correia Cunha, faleceu no dia 18 de Fevereiro de 1949, contando 56 anos de idade.

No ano de 1924 abriu, no antigo Largo do Forno, uma padaria a que deu o nome de “Padaria 5 de Outubro”. Uma notícia comenta: “… e o tipo de pão, de um fabrico esplêndido, é o mesmo do das Alhadas – fino e gostoso. O forno também está destinado a cozer pão de milho”.
Caderno: Tavaredenses com História

José Silva Gomes

“Lavrador no Saltadouro, que de dia passa o tempo revolvendo a terra, nela cultivando o pão que garante aos seus o sustento de que carecem.

Mas o sr. José Gomes compreende, e bem, que o homem não vive apenas do pão que alimenta o estômago e que outro pão, o do espírito, lhe é também preciso. E dispôs-se a semear pelos cérebros dos rapazes que dele se acercam, à noite, aqueles conhecimentos das primeiras letras que ele dispõe. É interessante e generoso o seu trabalho, que nada custa a ninguém, a não ser a ele próprio, que nele perde as horas em que o seu corpo poderia repousar das fadigas dos incessantes dias. Isto é louvável, digno de ser registado”. (Notícia em Fevereiro de 1922)
Caderno: Tavaredenses com História

João de Oliveira


Faleceu no dia 20 de Junho de 1973, com 87 anos de idade. Era filho de António de Oliveira e de Maria José Tondela. Foi casado com Guilhermina Rodrigues Cordeiro, que morreu a 29 de Junho de 1957, com 67 anos.

“Afastado há anos de todas as actividades, por motivo de doença que lhe tolhia os movimentos, no seu espírito manteve-se sempre acesa a chama da fé nos seus ideais. Membro da Junta, regedor da freguesia ou chefe político, em todas as funções se houve com verticalidade, firmeza, entranhado amor à sua terra”.

Exerceu a sua actividade profissional, como carpinteiro, ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro, tendo-se reformado em altas funções de chefia.

Desde muito novo que se dedicou ao serviço da sua terra, exercendo, por diversos períodos e conforme o regime no poder, as tarefas de presidente da Junta de Paróquia e de regedor, cargos que sempre procurou exercer com imparcialidade política e na defesa dos interesses locais. Foi elemento destacado da secção local do Partido Democrático, após a implantação da República.

No campo associativo, começou muito cedo a participar na vida activa das colectividades da terra do limonete. Pouco participativo nas áreas do teatro e da música, como executante, distinguiu-se, e teve acção muito importante, como dirigente.

Em Janeiro de 1904 foi um dos fundadores da Sociedade de Instrução Tavaredense. E no ano de 1914, por divergências políticas, deixou esta colectividade e ingressou no Grupo Musical e de Instrução, que, com cerca de três anos de existência, ajudou a desenvolver, fazendo parte dos seus órgãos sociais e integrando-se, também, no seu grupo cénico.

Foi, sem dúvida, um dos grandes pilares desta colectividade que, durante quinze anos, se elevou ao nível das melhores do concelho, com uma sede condigna, uma secção dramática brilhante e uma tuna que foi considerada como uma “das melhores e mais bem organizadas do concelho”.

Uma crise financeira motivada pela compra da sede e obras realizadas, levou aquela colectividade a ter de vender o edifício e acabar com o teatro, sendo forçada a mudar a sua sede para a casa do Paço.

João de Oliveira colaborou, então, com o padre Cruz Dinis, pároco da freguesia, na fundação do Grémio Educativo e de Instrução Tavaredense, colectividade de índole religiosa, que se instalou na anterior sede do Grupo Musical.

Quando esta associação encerrou a sua actividade, com a transferência do padre José Martins da Cruz Dinis, em 1935, deixou, por completo, de participar na vida associativa. No ano de 1965, a Sociedade de Instrução inaugurou a sua nova sede e os seus dirigentes convidaram João de Oliveira, único sócio fundador ainda vivo, a estar presente na sessão solene comemorativa, tendo aceite o convite e sendo integrado na mesa da presidência. Foi aquela a primeira vez que entrou nesta colectividade, depois do seu abandono, no distante ano de 1914.

Caderno: Tavaredenses com História