sexta-feira, 25 de março de 2011

CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO



O Convento de Santo António, que pertenceu aos religiosos reformados da Ordem de S. Francisco, foi fundado por Frei António de Buarcos, monge franciscano, em 1527, com o auxílio de António Fernandes de Quadros, senhor de Tavarede, que ofereceu os terrenos precisos para a construção do edifício e da cêrca e ainda algum dinheiro.

D. João III também concorreu com valiosos donativos. A História Seráfica diz do local onde foi edificado:

“ O sítio (que pertence ao couto de Tavarede, e na jurisdição do cabido da Sé de Coimbra) é muito alegre e aprazível, com a vista do mar e da terra, dos quais elementos logram as atenções humanas deste assento, dilatadíssimos espaços.

Os ares são frescos e saudáveis; a fábrica do Convento muito conforme com a pobreza do nosso estado; a cêrca ampla e frutífera; a devoção dos povos estranhável e muito caritativa.”

Como sucedera à Igreja Matriz, todo o edifício chegou a estar muito danificado, ao princípio do século XVIII. As obras de reparação, que alteraram também a frontaria, ficaram concluidas em 1725.

Com a extinção das ordens religiosas (1834), e depois de várias instâncias junto do Governo, foi o convento entregue à Câmara Municipal para nele se instalarem os Paços do Concelho, escolas primárias e um hospital.

A parte destinada a hospital e os terrenos da cêrca, passaram ao domínio da Misericórdia em 12 de Dezembro de 1839. Mais tarde, a parte do prédio que a Câmara demolira até aos alicerces, para fazer os edifícios municipais, foi também entregue à Santa Casa por troca com um terreno desta instituição que oferecia melhores condições para o referido fim.

Desta transacção resultou a ampliação do hospital.


(Aspectos da Figueira da Foz - Turismo 1945)
Nota: Foto retirada da Internet

MARINO DE FREITAS FERRAZ

Nasceu em Tomar no ano de 1911, filho de João da Guia Ferraz e de Emília Couceiro de Freitas. Casou com a tavaredense Eugénia de Oliveira Silva (1919-1999), filha de João Augusto da Silva e de Maria Oliveira Silva, de quem teve um filho, Dagoberto.

Era comerciante em Tomar, onde fixaram residência, após o casamento. Regressou à Figueira, dedicando-se ao comércio de sapataria, como gerente da Sapataria Elite, na Figueira, que sua esposa herdara de António Broeiro.

Colaborou activa e intensamente com a Sociedade de Instrução Tavaredense, de que foi dedicado director durante várias gerências.

Na década dos anos quarenta, do século passado, iniciou nesta colectividade as “Festas da Pinhata”, que alcançaram grande prestígio e tinham sempre farta concorrência. Foi um dos elementos mais esforçados da comissão das obras de remodelação e ampliação da Sociedade, inauguradas em 1965.

Faleceu, com 65 anos de idade, em 20 de Setembro de 1976. Nos últimos anos, havia-se dedicado à restauração, tendo aberto um restaurante na Figueira da Foz.

“… Sempre que se verifica o falecimento de um dos nossos sócios, ele constitui para nós um motivo de tristeza pela perda de um familiar da nossa SIT. Permitam-nos, por tal motivo, que neste acto chamemos a atenção da digníssima Assembleia para a obra que o falecido Marino de Freitas Ferraz que, com a sua coragem e espírito de iniciativa, levou a cabo a obra da sede da nossa Associação, pedindo que para ele seja aprovado um voto de profundo pesar e que seja guardado um minuto de silêncio em sua memória”, lê-se no relatório da colectividade de 1976.

Sua esposa, Eugénia, foi elemento do grupo cénico da Sociedade de Instrução durante o período de 1935 a 1939, participando em peças como O Sonho do Cavador, A Cigarra e a Formiga, Justiça de Sua Majestade, A Morgadinha de Valflor, Entre Giestas, etc.

Caderno: Tavaredenses com História

JOSÉ JOAQUIM BORGES

Nasceu na Figueira a 6 de Junho de 1814 e morreu no dia 2 de Junho de 1891.

Filho de Jacinto Pereira Borges, fez os seus estudos no Seminário de Coimbra, não chegando a ordenar-se padre, embora tenha recebido ordens menores e, por diversas vezes, fez pregações no púlpito da Igreja de S. Julião, da Figueira, quando se comemoravam acontecimentos políticos importantes com cerimónias religiosas.

Matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1838, formando-se no ano de 1843. Exerceu advocacia na Figueira da Foz durante cerca de 48 anos.

Dotado de um vigoroso espírito combativo, entrou para a Associação Comercial, levando à saída da mesma os Silva Soares, fundadores daquela instituição.

Foi colocado, durante o período “cabralista”, à frente da Câmara Municipal em 1847, e, como presidente da comissão administrativa, manteve-se no posto até 1851. Voltou à presidência da Câmara nos anos 1858/1859, 1860/1861, 1868/1869 e 1870/1871. Também foi, por mais de uma vez, procurador à Junta Distrital. Era Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Em 1871 publicou um folheto, com 36 páginas, a que deu o título de “Exposição Política a Sua Majestade El-Rei, por José Joaquim Borges, bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Advogado, Cavaleiro da Ordem de Cristo e actual presidente da Câmara Municipal da Vila da Figueira”.

Nesta publicação apresentava soluções para os grandes problemas nacionais, versando matérias como administração, instrução, agricultura, obras públicas, marinha mercante, administração colonial, Tribunal de Contas, etc., num total de 20 temas. O escrito foi bastante ridicularizado pelos seus opositores, especialmente os locais.

Era proprietário da quinta mais tarde designada por “Vila Robim”, que, por sua morte, foi herdada por seu sobrinho João António da Luz Robim Borges, que a transformou numa quinta modelar.

Caderno: Tavaredenses com História

JOAQUIM SEVERINO DOS REIS


Nasceu em Tavarede em 1888, filho de António Severino dos Reis e de Clementina Rodrigues. Casou em Setembro de 1910 com Etelvina de Oliveira Tondela (falecida em Maio de 1977, com 90 anos), e tiveram quatro filhos: José Joaquim, Fernando, Estrela e Carmina. Faleceu no dia 1 de Novembro de 1932, com 44 anos de idade.

Carpinteiro nas oficinas da Beira Alta, na Figueira, era vulgarmente conhecido por Joaquim Terreiro.

Frequentou a escola nocturna fundada por João dos Santos e pelo dr. Manuel Cruz, iniciando-se no palco num espectáculo realizado em 1902 pelos alunos desta escola. Fez parte do Grupo de Instrução e da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Em Agosto de 1911 adere à iniciativa dos irmãos Medina e é um dos fundadores do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, fazendo parte do seu grupo dramático durante vários anos.

Foi eleito, por diversas vezes, para os corpos gerentes desta colectividade. Igualmente foi membro da 1ª. Comissão Paroquial Republicana, eleita em Abril de 1911.

Caderno: Tavaredenses com História

Carlos Rodrigues dos Santos


Tavaredense, filho de Emídio Rodrigues Pinto e de Maria Jesus Silva Freitas, faleceu no dia 25 de Setembro de 1986. Casou com Clementina Fernandes, tendo um filho, João Carlos.

Operário na Companhia dos Caminhos de Ferro, desde muito novo que se dedicou à música.

Tocou
na Tuna do Grupo Musical e, fazendo parte do conjunto “Ginásio Clube”, da Figueira, foi convidado, em Janeiro de 1939, para regente da Tuna e para formar uma orquestra privativa para a colectividade, que abrilhantasse os bailes e festas ali a realizar.

Ensaiou e dirigiu a Tuna numa deslocação feita ao Buçaco, no dia 18 de Maio de 1939, quinta-feira de Ascensão. Foi a última actuação da Tuna fora da terra. Nesse verão, ainda foram abrilhantar as festas populares que realizaram na Chã, mas já fez o serviço muito incompleta.

Conseguiu organizar um conjunto musical que abrilhantou alguns bailes no Grupo Musical, mas teve escassos meses de existência.

Foi colaborador musical da Sociedade de Instrução e, pelos anos cinquenta do século passado, quando fizeram reviver o Rancho dos Potes Floridos do 1º. de Maio, foi o ensaiador da música acompanhante.

Sua esposa, Clementina, fez parte do grupo de amadores da Sociedade de Instrução, onde actuou entre 1924 e 1930, participando nas operetas Noite de S. João, Grão-Ducado de Tavarede e A Cigarra e a Formiga, entre outras. A SIT concedeu-lhe o diploma de sócia honorária em 1929.

Caderno: Tavaredenses com História

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sociedade de Instrução Tavaredense - 93


Foi propositadamente que deixámos para último capítulo destas recordações, a nota de um espectáculo que ficou memorável na história da Sociedade de Instrução Tavaredense. No dia 13 de Setembro de 2006 completaram-se 20 anos do falecimento de Mestre José da Silva Ribeiro. Era uma data que não podia ficar esquecida. Na verdade, por mais homenagens que se prestem à memória deste Homem, nunca a nossa Colectividade deixará de estar em dívida perante a enormíssima obra, educativa, social e cultural, que durante toda a sua vida ele dedicou à sua Colectividade e à sua Terra.



Em colaboração com o grupo cénico, foi organizado e preparado um espectáculo para levar à cena naquela data. Intitulou-se ‘O Sonho do Passado… A Esperança do Futuro…’. Dezenas várias de pessoas, entre amadores cénicos e colaboradores nas mais variadas tarefas, se juntaram para este fim. Alguns já retirados destas andanças há bastantes anos, não quiseram deixar de colaborar.

O tema era, é claro, sobre o Mestre. Procurou-se recordar os seus princípios no teatro e no jornalismo. Foi lido o primeiro conto escrito por ele num pequeno jornal de que foi um dos fundadores: ‘O Poeta’, e o conto: ‘Os passarinhos’. Evocou-se a sua passagem como amador dramático no nosso palco. Foi o galã em diversas peças, contracenando com Eugénia Tondela (mais tarde esposa de António Piedade). Foi também director dedicado e entusiasmado. Veio a tropa. José Ribeiro, com o posto de sargento, fez parte do corpo expedicionário que foi mobilizado para a defesa de Angola. Foram cerca de dois anos e meio que esteve ausente. Quando regressou, de imediato retomou o seu posto na SIT: o de encenador e responsável pelo grupo cénico.

A primeira peça que levou à cena, nesta qualidade, foi uma opereta: ‘Entre duas Avé-Marias’. Recordou-se uma canção desta peça. Seria impossível recordar num só espectáculo toda a actividade teatral de Mestre José Ribeiro. Procurou-se, assim, recriar alguns números das mais célebres peças por si encenadas ou, mais tarde, escritas por ele mesmo. Foi um trabalho enorme e dificultoso, tendo em conta que seria para uma única representação.


Valeu a pena. Quando o espectáculo começou, e apesar de ter sido dia de trabalho, a sala estava repleta. Como convidados especiais estiveram presentes o Delegado Regional da Cultura, dr. Pedro Pita, e a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

E se o espectáculo havia começado com o ‘Sonho’, simbolizando o sonho do teatro sempre presente em José Ribeiro, terminou com a ‘Esperança’, esperança num futuro que ele tão bem havia simbolizado numa das suas peças. Foi uma homenagem digna, tanto do homenageado como da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Acabaram as nossas historietas sobre a Sociedade de Instrução Tavaredense. Mas ainda haverá outras coisas a recordar. Quase 110 anos de teatro são um manancial enorme. Peças representadas, nomes das amadoras e amadores, outros colaboradores… Tudo são coisas que merecem ficar recordadas. Tudo, afinal, faz parte da História da nossa terra, TAVAREDE.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 92


No dia 5 de Janeiro de 2005 iniciou-se o programa de encerramento das comemorações do centenário. E, nesse dia, o espectáculo foi memorável. Com a colaboração da Delegação em Coimbra do Inatel, foi possível apresentar a orquestra russa ‘Silver Strings’.

‘Orquestra Silver Strings’

Aspecto da assistência (plateia)
E a 9 de Janeiro de 2005 foi levado a efeito o ‘Almoço de Gala’, com animação musical e a participação do ‘Grupo de Cordas e Cantares de Coimbra’. Tal como aquando do ‘Jantar da abertura’, também este almoço decorreu com a maior alegria. A lotação esgotou-se e igualmente estiveram presentes diversas entidades oficiais.

O leque de Lady Windermere

Na semana seguinte dar-se-ia início ao encerramento oficial das comemorações e festejado o centésimo primeiro aniversário. Para o espectáculo de gala, o nosso grupo cénico apresentou a peça ‘O Leque de Lady Windermere’, de Oscar Wilde. Com esta peça o nosso grupo deu várias representações uma das quais no Grande Auditório do Centro, num espectáculo oferecido pela SIT ao Povo da Figueira da Foz.

A Drª. Maria Rosário Águas proferindo o seu discurso

No domingo seguinte, 16 de Janeiro, teve lugar a tradicional sessão solene. A presidir, a Sociedade de Instrução Tavaredense teve a honra de ter presente a Doutora Maria do Rosário Águas, ao tempo Secretária de Estado da Administração Interna. Como havia sido seu avô, o saudoso Anselmo Cardoso Júnior, o autor da música daquela que é considerada como o ‘hino’ do nosso grupo cénico, a ‘Canção do Limonete’, a Filarmónica da Lares, que amavelmente colaborou neste acto solene, tocou aquele número, que foi cantado por toda a assistência presente. Antes da sessão actuou o Coro de Câmara do Orfeão de Valadares.

E foi desta forma entusiástica e entusiasmante que foram encerradas as comemorações do primeiro centenário da Sociedade de Instrução Tavaredense. Outro se iniciou. Já cá não estaremos para assistir, mas, temos a plena convicção, que a nossa Colectividade, apesar das diversas adversidades com que terá de lutar, infelizmente como todas as colectividades de cultura e recreio, continuará a honrar e dignificar o nome da nossa terra natal – TAVAREDE.

Vamos terminar estas recordações sobre a SIT. Não o faremos, no entanto, sem aqui deixar uma palavra de louvor e de ânimo a todos os componentes do actual grupo cénico e do grupo Cantigas de Tavarede, cuja estreia teve lugar a anteceder a sessão solene do 103º. aniversário, em Janeiro de 2007.

“Por ocasião das comemorações do centenário, realizámos um sarau evocativo das primeiras revistas-fantasias escritas e musicadas propositadamente para o nosso grupo cénico. Recuámos até aos anos de 1925/1927, contámos algumas histórias (enredo) e ouvimos algumas das suas canções, que notícias da época referiam como lindíssimas. E, na verdade, todos quantos as escutaram agora, ficaram encantados com elas. Foi só uma pequenina amostra. Não houve possibilidade para continuar, como pretendíamos, por impossibilidade de gravação de outros números musicais.

Desde 5 de Fevereiro de 1905, dia em que se apresentou a primeira opereta, Casamento da Grã-Duquesa, até aos nossos dias, muitas foram as operetas e revistas que o grupo cénico representou e cujas músicas (partituras e partes) se encontram “armazenadas” numa estante da nossa biblioteca. E, ainda antes da fundação da SIT, já aqui se representaram operetas, cujas músicas talvez ainda existam naquele arquivo.

Uma das nossas intenções, e sempre em colaboração com o grupo cénico, era fazer uma recolha gravada das músicas existentes e, se possível, criar um agrupamento coral que, em saraus evocativos, e não só, apresentasse algumas daquelas cantigas. Mas, para tal, tornava-se imprescindível a colaboração de uma pessoa com cultura musical, que se encarregasse de tal tarefa. Julgamos ter agora a possibilidade de concretizar este projecto. Um credenciado Maestro, nosso conterrâneo, e que já connosco tem colaborado há vários anos na composição e gravações utilizadas em diversas peças levadas à cena, admite colaborar connosco, iniciando algumas gravações e ensaiando o referido agrupamento coral. Mas, para concretizar esta iniciativa, temos de ponderar cuidadamente os seus custos. É verdade que, em nossa opinião, este projecto é muito importante para a conservação do passado da colectividade, mas, os nossos cofres, estão praticamente vazios e, embora os trabalhos que acima referimos sejam feitos pelos directores e alguns amigos, nas suas horas de ócio, há custos que não podem ser ignorados”.

E o sonho tornou-se realidade. Todos os esforços feitos foram positivos e é bem certo que tudo vale a pena fazer em prol do Associativismo e das nossas Colectividades. Nós somos dos que acreditamos na sua utilidade, agora como há cem ou duzentos anos. Outros objectivos, é certo, mas sempre necessárias para o desenvolvimento cultural e social de todos. E a nós, sobretudo, não falta a esperança no seu futuro.