sábado, 11 de maio de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 22


       E enquanto no Grupo Musical os espectáculos se sucediam, os amadores da Sociedade, com o regresso do seu ensaiador, retomaram a actividade normal. Os ensaios da opereta Entre duas Avé-Marias decorrem com grande entusiasmo, estando a direcção da parte musical confiada ao sr. Manuel Martins, hábil regente da filarmónica Figueirense, dessa cidade, que se esforça por conseguir o melhor efeito dos variados números de música e especialmente dos lindissimos coros, que lhe estão merecendo especial cuidado. A abertura da época teatral da Sociedade de Instrução vai constituir um verdadeiro sucesso.
         Sabemos estar já definitivamente assente que, logo em seguida à representação desta opereta, entrará em ensaios a linda comédia em 3 actos Nono: não desejarás..., que será representada em récita de gala por ocasião das festas comemorativas do 16º aniversário da Sociedade, a que se procura dar grande brilhantismo. O desempenho desta comédia está confiado aos nossos melhores amadores, pelo que podemos garantir que vamos ter em Tavarede bom teatro, daquele bom teatro que há algum tempo parece ter-se divorciado da nossa terra.
         Muito louváveis são os esforços tenazes dos rapazes que na Sociedade de Instrução procuram agora continuar a sua já importante obra de educação, arrancando ao vicio da taberna os nossos trabalhadores e proporcionando-lhes na associação, por intermedio da escola e do teatro, uma atmosfera sã de educação e de recreio.

         E a década terminou com o teatro em pleno. A Sociedade levou à cena a comédia O grande hotel de sarilhos e o Grupo o drama Gaspar, o serralheiro. Foi muita gente da Figueira assistir aos espectáculos que se realizaram em Tavarede, no sábado na S.I.T. e no domingo no G.M.I.T., lê-se numa notícia de Dezembro de 1920.

         Mas os Autos Pastoris não podiam faltar. Para o Natal teremos ali (Grupo) os Autos Pastoris, que pela certa levarão a este teatro muita concorrência. Infelizmente, trata-se de mais uma representação do Presepe, ensinando os amadores a falar a cantar, tornando-os incapazes de depois declamarem com correcção a mais simples comédia. Era uma opinião, que em nada correspondia à realidade e ao gosto dos tavaredenses.


Os pastores brutos - Presépio no GMIT - antiga sede

sábado, 4 de maio de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 21


Escrevemos, atrás, da polémica travada entre os directores do Grupo e o correspondente local, Anibal Cruz. Tal como as colectividades, também Anibal Cruz fez as pazes com os seus antigos consócios. Um dia, um tavaredense emigrado no Brasil, saudoso da nossa terra, procurou notícias. Foi aquele correspondente que lhe respondeu e vale a pena aqui deixar recolhidas as notas que publicou na imprensa figueirense, sobre as nossas associações e para informação daquele conterrâneo.     Perguntas-me como vae a Sociedade d’Instrucção, a collectividade que, com o teu esforço, ajudas-te a fundar. Dizer-te-ei que tem tido grandes progressos nos ultimos annos, principalmente no meio theatral, onde se evidenciaram alguns dos nossos prezados conterraneos, taes como o José Ribeiro (o filho mais velho do Gentil, conheces?) o Armeniosito, como lhe chamavas, e o nosso pandego Jayme Broeiro, que trabalharam pela Sociedade d’Instrucção com amor, sabendo assim erguel-a ao nivel das boas aggremiações educativas. Hoje não há tanto enthusiasmo, porque o Zé Ribeiro foi como sargento para as longinquas paragens africanas defender o nosso dominio colonial, e o Armenio Santos e outros socios foram tambem chamados ás fileiras militares.
         Olha que os nossos rapazes já representaram aqui o Amor de Perdição, aquella soberba peça de Camillo que tu, de quando em vez, me falavas e dizias não haver coisa melhor. E representaram-na muito correctamente, ensaiados por um distincto amador e meu amigo sr. Vicente Ferreira, da Figueira. N’esse dia foi uma enchente á cunha. Pessoas de muitas partes do concelho a Tavarede vieram para assistir ao espectaculo. E eu ao admirar as bellas scenas do drama, muita vez me lembrei de ti, que, apaixonado como és de tudo que seja de Camillo, devias gostar de vêr os nossos patricios a interpretar a sua melhor obra sem a anavalhar como se costuma dizer.
         Pois a Sociedade d’Instrucção tem já uma boa folha de serviços prestados ao nosso povo, ora instruindo-o pela escola, ora educando-o pelo palco. Mas ainda mais fez: - promovem na sua séde algumas conferencias interessantes, sendo conferente o dr. José Cruz que muito tem feito em prol do bem-estar do povo trabalhador. A sua palavra auctorisada combate os vicios prejudiciaes á saude e á bolsa do operario que, n’este meio pequeno, passa o tempo nas tabernas. Emfim já vês que a tua Sociedade vae progredindo consideravelmente.

         O Grupo Musical é uma aggremiação que está em principio, mas já com progressos rasoaveis. Fundou-se sem meios e installou a sua séde n’uma casa pequena, onde construiu um theatrito para as familias dos associados passarem as noites grandes. E foi vivendo com este auxilio e com qualquer donativo recebido quando a sua tuna fazia serviço em festas, e que hoje, dizem me, já vive mais desafogadamente. O sr. Manuel da Silva Jordão, dos Carritos, cidadão de fortuna, offereceu lhe para séde a casa que pertencia ao sr. João Aguas, na rua Direita, e a direcção do Grupo, n’um impulso de vontade, ao receber tão valiosa offerta, metteu obras na casa e construiu um elegante theatro. Mas avalias pelas coisas do teu tempo, o interesse com que os rapazes trabalhavam na realisação das obras. Trabalhavam de noite e aos domingos, os socios, que eram pedreiros, carpinteiros, pintores, etc., sem quererem um centavo sequer. O interesse d’elles era só que a sua sociedade progredisse e isso assim tem acontecido, pois que, o theatro acabado, ali teem effectuado récitas magnificas, representando se dramas de sensação, d’aquellas peças tragicas de que tu eras apaixonado. Os Medinas (principalmente o Zé), são as fabricas do riso d’esses espectaculos. Que fartadella tu apanhavas se o visses na comedia O Cabo de Ordens...
         O João da Simôa é o regente da tuna e, tem sido incansavel, os rapazes apresentam-se afinadinhos e executam módinhas de gosto. O Antonito Medina, o filho do Antonio que tu, por certo, conheces, é tambem muito activo e dedicado socio do Grupo Musical e vem a ser ainda outro tio... Ora aqui tens mais uma sociedade com futuro.

         Enquanto o Grupo Musical prosseguia activamente, com o teatro e com a música, a Sociedade de Instrução, pelos motivos que já referimos, pouca actividade tinha além da sua escola nocturna. Talvez por isso começassem a surgir os mexericos e, para esclarecer a situação, o correspondente local de um peródico figueirense fez publicar a seguinte notícia. Alguem terá dito que esta briosa colectividade morreu, isto por não se ter ouvido falar nela há muito tempo. Não, senhores. Ela vive e viverá sempre, continuando na sua obra altruista de há já 13 anos.
         Abriu na segunda-feira as portas da sua escola nóturna, não só para os associados e filhos destes, mas para todos que queiram arrancar-se ao analfabetismo. Os alunos são já em numero de 25, e espera-se que seja aumentado. Na abertura da escola fez-se uma preléção aos alunos, estando tambem presentes varios socios, a todos se dizendo o fim para que se fundou aquela Sociedade e o caminho que ela tem seguido e seguirá sempre, os deveres que a todos compete satisfazer para serem homens dignos, etc., etc.
         A Sociedade d’Instrução Tavaredense está a cumprir a sua obra em prole da educação do povo. Da sua escola teem saído elementos que agora sabem honrar o seu nome. Vendo isto, eis porque ela, querendo continuar a afirmar a sua boa vontade, auxiliando o progresso dos filhos desta terra, abriu agora as suas aulas       Os paes não teem razão de se queixar da falta de escolas.
         O que é preciso é que ali mandem os filhos todas as noites e saibam dar o valor ao sacrificio daqueles que estão ali para os educar e os querem vêr seguir bom caminho.
         A obra da Sociedade d’Instrução Tavaredense foi sempre baseada na educação do povo e no levantamento moral da sua terra. Mas para elevar o excelente nome da Sociedade é preciso que todos trabalhem, cumprindo os seus deveres, não desprezando, não pondo ao canto o que tanto trabalho tem levado a exaltar. A Sociedade d’Instrução Tavaredense tem dentro do seu gremio homens firmes. Há de viver sempre e cumprir o seu honrado programa. Levantar, pois, a Sociedade d’Instrução Tavaredense, é erguer o bom nome da nossa terra!

         Depois de fazer a habitual representação do Presépio, pelo Natal, em Janeiro de 1918 o Grupo Musical repôs em cena o Auto dos Reis Magos. E apesar das dificuldades, o grupo da Sociedade, por ocasião do seu 14º. aniversário, representou o emocionante drama social Honra e Dever e a chistosa comédia Um julgamento no Samouco.

         E depois de uma enorme série de representações com o drama Erro judicial, o Grupo Musical saíu fora do concelho, para ir dar um espectáculo com esta peça a Verride, terra natal dos seus fundadores, os irmãos Medina. Foi uma noite bem passada e há muito tempo que nas tábuas do nosso velho palco não são executadas peças com tanta correcção. O programa constou do citado drama e da comédia Os gagos.

         Em Junho de 1918,  o Associativismo tavaredense e a Sociedade de Instrução, em especial, sofreram um rude abalo com o falecimento de Gentil Ribeiro, pai do ensaiador, ausente em África, no cumprimento do serviço militar, regente da sua orquestra, autor do hino da colectividade e que havia sido um dos fundadores da Estudantina, chegando a ser regente da sua tuna.

         Mas em Maio de 1919 regressou a Tavarede, José Ribeiro. A colectividade, plena de regozijo, realizou uma festa de homenagem. Subiram á scena chistosas comedias, cujo desempenho nada deixou a desejar, salientando-se os excellentes amadores Jayme, Graça, Coelho, Emygdio, etc., e a simpatica amadora Helena de Figueiredo que, interpretando varios papeis com toda a correcção, mais uma vez deu provas abundantes das suas largas aptidões para a famosa Arte de Talma.

 
 








                                 José Ribeiro - militar
         Todas as sallas, lindamente ornadas de verdura e flôres naturaes, ostentavam varios retratos do homenageado, caprichosamente engalanados, com sêdas preciosissimas, rosas, cravos, etc., dispostos com fino gosto por mãos habeis de sympathicas meninas da nossa terra, o que dava ás mesmas sallas um aspecto bonito e encantador.
         Foi sem duvida uma festa muito sympathica, reinando sempre a mais franca e sincera alegria em todos os corações dos que a ella assistiram. Foi uma festa familiar. Foi uma festa que deu jus aos homenageandos, que tendo em consideração que José Ribeiro foi para a Sociedade d’Instrucção, antes de se auzentar para Africa, um dos melhores, senão o melhor elemento e um incansavel e desinteressado trabalhador, quizeram provar-lhe que com a festa em sua honra o seu inesquecivel reconhecimento e a sympathia que lhe dedicam.
         Não somos socios d’aquella collectividade, nem tampouco contribuimos com a nossa modesta cooperação, mas, com franqueza, gostámos immenso; a nossa satisfação é tão grande, que não podemos de forma alguma deixar de felicitar os seus organisadores, sendo extensivos até á pessoa do homenageado os protestos do nosso jubilo não só pelo seu feliz regresso, mas ainda por ser alvo d’uma manifestação que revestiu a maior imponencia e brilhantismo.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O Primeiro de Maio em Tavarede





(fantasia 'Ecos da Terra do Limonete')


POTE FLORIDO 
P’ra saudar Maio florido,
Tão propício aos namorados,
Vem o cortejo garrido
Com seus potes enfeitados”

E as alegres raparigas,
Contentes em seus amores,
Enchem o ar de cantigas
E do perfume das flores… 
E o pote de barro
Tremendo no ar,
Parece bailar
Alegre e bizarro,
Parece brincar
Co’a moça travessa
Que o leva à cabeça,
Feliz, a cantar… 

 “Quando Abril começa a despedir-se, as raparigas animam-se, combinam, organizam o rancho. E na véspera do dia ansiosamente esperado, pedem às vizinhas, correm aos jardins, vão ao mercado – e levam para casa arregaçadas de flores. Arranjam os trajos. Enfeitam os potes, que desaparecem sob os desenhos caprichosos das rosas e malmequeres. Mal pregam olho durante a noite.  E quando a manhã só é adivinhada pelo seu espírito em alvoroço, erguem-se, chamam-se umas às outras, reúnem-se – e as suas vozes fazem a alvorada antes que o chiar das rabecas e o tom-tom dos violões arrepie o ar nos estremeções da afinação.
         E marcham. Estrada fora, marcam em piso leve, airosas e frescas, o compasso da marcha que as suas vozes erguem no espaço, subindo alto, levada muito alto no perfume das flores, até fundir-se na atmosfera da madrugada húmida e ainda pesada dos orvalhos da noite. Sobre as cabeças inquietas levam os potes floridos.  Dentro dos peitos arquejantes uma ansiedade, uma aspiração indecisa que toma forma nas suas bocas e é Amor nos seus lábios vermelhos sem pintura...
            Naquele ano, o tempo estava chuvoso. Mas elas, queriam lá saber da chuva!... O 1º. de Maio era sempre o 1º. de Maio. No 1º. de Maio há sempre sol. Elas não acreditam na chuva. E se a chuva vier – há-de desfazer-se ao calor das suas vozes, dos seus corações ansiosos, da sua mocidade ardente. 

(Da peça 'O Sonho do passado... a Esperança do Futuro' - Efeméride '20 anos do falecimento de José da Silva Ribeiro')

sábado, 27 de abril de 2013

O Associativismo em Tavarede - 20


Pelo Natal, o Grupo Musical levou à cena Os Autos Pastoris, cuja apresentação está a causar grande entusiasmo em Tavarede. Seguiu-se, como era tradição, a representação de Os Reis Magos.






      Presépio no Grupo





Na Sociedade, e depois de uma notável actividade durante cerca de cinco anos, Vicente Ferreira deixou a direcção do teatro, em 1915, tendo sido escolhido, para o substituir neste cargo, o então jovem amador José da Silva Ribeiro. Assumiu as suas novas funções começando, de imediato, a ensaiar a opereta Entre duas Avé-Marias, que subiu à cena de Janeiro de 1916.

O Associativismo tavaredense, em Março de 1916, recebeu novo impulso. As duas colectividades, até então distantes uma da outra, fizeram as pazes e colaboraram activamente na Festa da Árvore, organizada pela professora da escola primária oficial da nossa terra. Consideramos este facto um marco na vida associativa de Tavarede e, como tal, aqui transcrevemos uma das reportagens que encontrámos sobre a referida festa. Tavarede esteve em festa no último domingo com a Festa da Arvore, que resultou ser muito concorrida por innumeras pessoas tanto dos casaes vizinhos como d’essa cidade, o que era de esperar, em vista do esmerado programma, que prometia dar uma festa excellente.
         E foi-o sem duvida, deixando boa recordação na memoria das pessoas que n’ella tomaram parte, principalmente das creancinhas.
         O programma marcava para as 14 horas o cortejo civico, em que tomariam parte os alumnos das escolas official-mixta e nocturna, e outras associações locaes com os seus estandartes, mas devido ao mau tempo, só se organisou pelas 15 horas, approximadamente, sahindo da escola official em direcção ao Largo do Paço, onde foram plantadas duas arvores. Ali, a srª. D. Maria José Paula Santos, illustre professora, recitou a poesia allusiva á Arvore, que os ouvintes no final muito applaudiram.
         Em seguida, o cortejo dirigiu-se ao Largo do Forno (em frente á escola official), onde se plantaram mais quatro arvores. Alguns musicos do Grupo Musical encorporaram-se n’elle, executando a marcha A Arvore, que as creancinhas cantaram com todo o enthusiasmo. O jantar dos alumnos das duas escolas, que estava marcado para as 16 horas, e que era servido no Grupo Musical, foi magnifico.
         A commissão encarregou-se de comprar um lanigero, que, assado e guisado com as respectivas batatas, exhalava um cheirinho, que era sem duvida de todo o ponto agradavel, estando o palco replecto de creanças, que lindamente fizeram as honras da meza. A plateia e galeria encontravam-se apinhadas de curiosos, que todos se regalavam em vêr comer. A algumas pessoas de fora, que após o jantar retiraram, e que foram muito bem impressionadas, ouvimos nós dizer que até parecia impossivel n’uma pequenina aldeia, fazer-se assim uma festa que sem duvida foi excellente.
         Às 21 horas principiou o sarau dramatico-musical no theatro da Sociedade de Instrucção Tavaredense, em que tomaram parte, alem das mesmas creanças, uma orchestra do Grupo Musical, sob a regencia do distincto professor, sr. Antonio Rodrigues Paula Santos, d’essa cidade. O programma era dividido em 3 partes, e da seguinte forma:
         1ª. parte, A Portugueza, cantada por todas as creanças. N’esta altura, o sr. dr. José Gomes Cruz, pronnunciou um breve e patriotico discurso, vivas a Portugal, á Republica, etc., que muito enthusiasmou o publico. S. exª. falou sobre aquella festa e sobre a nossa situação, sendo no final muito applaudido. Em seguida, a menina Maria Ribeiro, recitou a poesia As Arvores, discursando depois o sr. Marcial Ermitão sobre variados assumptos, principalmente da participação de Portugal na guerra. Foi por varias vezes interrompido e no final tambem foi muito ovacionado. Seguem-se a Luz do A B C, poesia, pelo menino Manuel Nogueira e Silva, Anjo da Guarda, uma canção, cantada por todas as creanças, Na Escola, poesia recitada pelo sr. Francisco Loureiro, e Os Luziadas, marcha, cantada por todas as creanças, finalisando assim a 1ª. parte.
         A 2ª. parte, abriu com o Hymno das Arvores, entoado por todas as creanças, seguindo-se a poesia Às Arvores, pelo menino Antonio da Silva Broeiro, o monologo Pois sim senhor... pela menina Eduarda F. Serra, a canção O Ninho, entoada por todas as creanças, Ao rebentar da seiva, poesia, pela menina Maria Nathalia Victorina, O Pintasilgo, canção, entoada por todas as creanças, improvisando n’esta altura o sr. José Ribeiro, um brilhante discurso, explicando aos pequenitos o que era a festa da Arvore, falando tambem da guerra, etc., sendo no final calorosamente applaudido, seguindo-se depois as poesias Ás creanças e A Escola, recitadas respectivamente pelo sr. Antonio Medina Junior e pela menina Emilia Cardosa, e a canção A Escola, entoada por todas as creanças, finalisando a segunda parte com um discurso do sr. dr. Manuel Gomes Cruz, que fez vêr ao publico varias phases da guerra, falando tambem sobre a ligação das Sociedade d’Instrucção e Grupo Musical, que durante muito tempo andaram indifferentes, e agora na séde d’aquella colectividade tinham cruzados os seus estandartes, acabando o seu discurso por dizer que estava muitissimo satisfeito, não só por isto, mas por vêr uma festa d’aquella ordem na sua terra.
         O hymno da Maria da Fonte, entoado por todas as creanças, dá começo á 3ª. parte, seguindo-se a Poesia Infantil, pela menina Emilia d’Oliveira, Engeitadinha, pela pequenina Adelaide da S. Flôr, A Madrugada, canção entoada por todas as meninas, o A B C, poesia, pelo sr. Antonio da Silva Coelho e depois Portugal, poesia, pela sua interessante filhita Izaura.
         Finalmente representou-se a comedia drama em 1 acto, As Arvores, representada pelos meninos Aurelia Cascão e seu mano João, que tambem foram muito applaudidos, pondo termo ao sarau o hymno A Sementeira. Ah! não nos esqueça dizer que antes do panno cahir, o sr. Marcial Ermitão veiu ao palco ler o seguinte telegramma de saudação ao sr. Presidente da Republica:
                            Presidente da Republica - Palacio de Belem -
                            Lisboa. - Povo de Tavarede, reunido para ce-
                            lebrar festa da Arvore, vibrando mais intenso
                            enthusiasmo patriotico, applaude Portugal na
                            guerra. A Commissão.
         N’esta altura, o enthusiasmo de todos quantos assistiam á festa redobrou de intensidade, ouvindo-se constantes acclamações a Portugal, á Republica, á Inglaterra, á França, etc., tocando a orchestra por varias vezes o hymno nacional. Na mesma orchestra tambem executado piano a distincta professora srª. D. Maria José Paula Santos, filha do sr. Antonio R. Paula Santos, que muito mais abrilhantou a Festa da Arvore de Tavarede, no dia 19 de Março do anno de 1916, dia que jámais esquecerá às pessoas de Tavarede, principalmente às creancinhas que n’ella tomaram parte.
         Pelo bom exito d’esta festa, não podemos deixar de felicitar a digna professora official d’esta localidade, srª. D. Maria José Paula Santos e seu pae, o distincto professor de musica, sr. Antonio Rodrigues Paula Santos, incançaveis de tenacidade e trabalho, envolvendo tambem nas nossas felicitações a commissão organisadora da festa, que não se poupou a esforços e sacrificios para que ella resultasse, como resultou, brilhante e inolvidavel.

         Havia dois anos que tinha eclodido a 1ª. Grande Guerra. Em 1916, o nosso País também entrou em campanha. Foram vários os amadores mobilizados e, entre eles, José Ribeiro, o ensaiador teatral da Sociedade. Foi uma ausência de cerca de três anos e disso se ressentiu a actividade do grupo cénico que, durante este período, sofreu alguma inactividade.

         Por sua vez, o Grupo Musical, graças às suas novas instalações, que lhe proporcionaram uma muito maior e diversificada actividade, continuava na sua missão. O grupo musical que, desde a sua fundação em 1911, abrilhantava as suas festas e os seus espectáculos, deu lugar a uma tuna que, como adiante veremos, alcançou extraordinário êxito. Saíu, pela primeira vez, no dia de Páscoa de 1916, para cumprimentar os seus sócios locais e indo visitar e apresentar cumprimentos à Sociedade de Instrução, à sua sede no Terreiro. Foi, em seguida, à Figueira, onde apresentou cumprimentos a diversas entidades e colectividades, e acabou por se deslocar aos Carritos, numa visita de gratidão ao seu sócio benemérito Manuel da Silva Jordão. Recorde-se que, nesta saída, apesar de desfalcada de alguns elementos, saíu constituída por 24 elementos. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 19


Não vamos aqui recordar todos os espectáculos, apresentados tanto pela Sociedade como pelo Grupo. Foram muitos e variados, mas isso apenas é uma prova demonstrativa de que o Associativismo estava bem radicado na Terra do Limonete e que procuravam, com o maior entusiasmo, cumprir a missão a que se haviam proposto: a Instrução e a Educação do povo da sua terra.

Com certa curiosidade, foi numa notícia de um correspondente de um jornal figueirense, que soubemos de um caso que acabou por ter grande influência no nosso associativismo. De Buarcos – Tivemos, particularmente, conhecimento de que, ao Grupo Musical Tavaredense foi, por um dos seus consocios, offerecida uma casa para recreio dos seus associados e espectaculos publicos. Pela muita sympathia e consideração que aquelle Grupo nos merece, associamo-nos á alegria que deve ir no coração d’aquelles que o desejam vêr progredir, e fazemos sinceros votos para que em breve o possamos vêr tão engrandecido, quanto os seus fundadores o desejam.

         Instalado na sua nova sede, o Grupo Musical prestou homenagem ao seu sócio benemérito, sr. Manuel da Silva Jordão. Com a maior solemnidade, realisou-se no ultimo sabbado, como estava marcado, o primeiro espectaculo na nova séde d’aquella casa d’instrucção musical e theatral, que decorreu animadissimo.
         Pouco antes de se começar o espectaculo foi, pelo sr. dr. Manuel Gomes Cruz, proferido um discurso, que enthusiasmou o publico, e não só a este como tambem aos socios do Grupo Musical. Aquelle senhor ao dizer, entre outras coisas, que o honravam com aquelle progresso na sua terra, e não só a elle como a todos os seus conterraneos, foi, para a numerosa assistencia, que o ouvia com o maior respeito, uma alegria, e pouco depois, agradecendo em nome de todos os sócios d’aquella colectividade ao seu grande benemerito, ao seu grande protector, sr. Manuel da Silva Jordão, foi-lhe inaugurado o seu retrato, tocando a orchestra o hymno da Associação. S. Exª., ao acabar o seu discurso, foi calorosamente applaudido.
         Seguiu-se depois o espectaculo que, digamos de justiça, decorreu sempre animado, andando os amadores como deviam: No drama ha a notar, além dos outros trabalhos, o de Maria Esteves, que pela primeira vez que entrou em scena fez o que devia. O resto, tudo bem. Tomou parte n’este espectaculo o conhecido amador, sr. Alvaro Ferreira, de Coimbra, que agradou muito.
         A séde achava-se lindamente ornamentada, ostentando, entre outros retratos, o do conhecido actor Almeida Cruz, filho de Tavarede. Depois do espectaculo houve baile, durando até quasi de manhã. No outro dia, domingo, baile novamente, prolongando-se até depois da meia noite. Emfim, foi uma festa digna de registo, que honra muito a pequenina aldeia de Tavarede.
         Os nossos maiores desejos são, que em Tavarede se façam muitas acções, tão cheias de luz e progresso, como a de sabbado ultimo. Parabens aos sócios do Grupo Musical Tavaredense.

         Embora alguns amadores, quer da Sociedade quer do Grupo, já tivessem participado em diversos espectáculos na Figueira da Foz, em benefício de necessitados, a primeira saída do grupo cénico da SIT foi à sede da Filarmónica Figueirense, onde apresentou a opereta Os amores de Mariana. Deixamos, aqui, para a história, a notícia desta deslocação. Conforme noticiámos no penultimo numero do nosso jornal, teve logar no pretérito domingo, no elegante teatrinho da Figueirense, o espétáculo que foi abrilhantado pelo grupo dramatico da Sociedade d’Instrução Tavaredense, que levou à cêna a opereta Os Amores de Mariana.
         Não mentimos quando afirmámos que o publico corresponderia com a sua presença, no vasto salão da Figueirense, ao apêlo feito por esta simpatica colétividade, organisando uma récita que, como a de domingo, tarde se nos apagará da memória. E também não mentimos fazendo as mais elogiosas referências ao grupo de Tavarede, que sabe conduzir-se de forma que encanta todos que logram o prazer de o ouvir. Por tal razão os nossos cumprimentos aos briosos rapazes que tão bem aproveitam as suas horas vagas, cultivando sob a diréção d’um habil amador, como o é Vicente Ferreira, uma Arte tão querida do nosso povo: - Arte dramatica.


O grupo cénico da SIT, que representou esta peça

         Os Amores de Mariana agradam pela sua simplicidade e agitam os corações pela boa musica que tem, verdadeiros mimos da nossa fértil canção portugueza. E se nós temos vontade imensa de nos prendermos à Mariana, salta logo essa figura de Zé Piteira, bonacheirão mas amorudo, que não gosta da brincadeira e descarrega traulitada.
         É que o nosso camponez ama valentemente como uma vaca, e sendo só pão, pão, queijo, queijo, não consente – e faz muito bem – que o queijo da sua conversada se vá unir a qualquer pão da cidade, que envenena e não quer casar.
         E mesmo tem o nosso Zé Piteira carradas de razão nos seus zelos: - é que a srª. Mariana é o beijinho lá da aldeia, une-se, casa-se bem com o pitoresco daquele Minho ridente em que as flôres são belas e teem perfumes estonteantes; e por tal é triste que um jinota todo triques à beirinha venha com forçada meiguice apoderar-se da filha do Manuel d’Abalada, que de bom gosto dá tudo quanto tem e ainda mais à filha ao simplorio Zé Piteira.
         A alma é esta, e a poesia ressalta no campo a todo o passo, de maneira que desde o Barnabé Pacóvio, o brazileiro d’agua-doce, até à Morgadinha do Freixo, que já se conheceram... trez vezes, todos à uma anuem ao casamento, e o simpatico Zé lá se abicha com aquela linda Mariana, bem contra a vontade desse Ernesto, o jinota, que queria... que se acabasse esta maçadoria que fica escrita para registo da noite de domingo ultimo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 18


Naturalmente, o visado não podia deixar de responder. Temos procurado evitar pôr á luz do sol os animaesinhos que em pleno seculo XX – é verdade, no seculo das luzes – imitam o vestuario como os homens e que, quando nos apanham distrahidos no meio d’arena, nos levam bravamente d’encontro á trincheira... É pena ser acto deshumano, pois que, pela nossa salvação – se não tivéssemos medo de censura – lhes ferrariamos no lombo com vontade o bello aguilhão que por mais d’uma vez, os tem conduzido ao redondel, onde aprenderam a ser dignos e honestos.
         São animaesinhos, não merecem outra classificação, que ingratamente pagam com pontapés (é para não dizer coices) o único favor que lhe fizémos de perder um precioso tempo, e até a saude, domando-os para os apresentar com agrado duas vezes em publico!!
         A declaração - ignorancia - que pediram ao nosso amigo e sr. redactor da Gazeta, em nome do Grupo Musical Tavaredense, para publicar, é a prova sufficiente de tudo quanto aqui temos affirmado e que toda a gente que nos conhece poude avaliar a canalha que continúa envergonhando uma terra que tem filhos illustres e onde habitam pessoas honradas que desejam o socego e o respeito para se poder viver honestamente.
Os imbecis - tendo à frente os Medinas de Verride, nascidos e creados n’aquella terra como vagabundos - pediram a uma pessoa que devia, pela sua illustracção inhibir-se de escrever as coleras d’uma ignorancia rara, fugindo por completo ao assumpto de que se tratava, mas que nós vamos contar para quem nos lêr admirar os actos que vehementemente combatemos e que nos levou a pedir a demissão de sócio d’aquelle Grupo. Apreciem:
         Quando a Sociedade d’Instrucção Tavaredense abriu a matricula de alumnos para a escola nocturna que sustenta, foram dois rapazes, socios do Grupo Musical, matricularem-se, visto o poderem fazer gratuitamente. No dia seguinte foram, como de costume, passar algumas horas da noite no seu Grupo, quando o Antonio Medina, presidente da direcção, os chamou e lhes disse com uma auctoridade de mandão: “Quem pertencer aqui não póde ser lá de cima!”. Nós, que estavamos presentes, cumprimos o nosso dever: incitando a instruir-se quem d’isso necessite e censurando os ignorantes que não comprehendem o papel que querem desempenhar, pois deviam vêr que sós, sem consentimento d’assembleia geral, não podia expulsar associado algum. Os rapazes, um veiu anichar-se novamente no Grupo Musical e o outro seguiu o caminho da escola, porque pensou que d’esta receberia luz para o cerebro e d’aquelle colheria vicios que são prejudiciaes e vergonhosos a toda a gente.
         Bem, vendo estas coisas, frequentavamos poucas vezes o Grupo Musical, mas sempre que ali iamos admirava-se uma triste scena de taberna: o Medina chegando de casa, naturalmente de cear, pedia com um descaramento tão velhaco, para fazerem uma vaca, um vintem, outras vezes dez reis, etc., a todos os socios que ali se encontravam reunidos e mandava comprar vinho que elles bebiam e mais algumas creanças que se embriagavam de tal maneira que era necessario irem buscal-as para casa.
         Visto tal orientação, deixámos de frequentar o Grupo, mas sendo sempre sócio...
         Ha dias queixam-se-nos alguns moradores de Tavarede, porque todas as noites não os deixavam descançar alguns rapazes do Grupo Musical que faziam arruaças a certas e determinadas pessoas com as chamadas serenatas, dizendo-nos que para os outros estavamos logo promptos para os verdascar quando erravam, mas que para os nossos bons consocios havia a maior benevolencia. E nós, com bons modos para evitar que elles estendessem a perna, pedimos que tivéssem mais senso e vergonha. Mas, o que fômos dizer!... Os animaesinhos já não nos conheciam como domador. Olhavam-nos cynicamente...
         Passaram-se alguns dias, gritam-nos contra o Grupo que consentia sahir da sua séde a altas horas da noite uns malvados que arrombaram a porta da casa d’uma pobre mulhersinha, caso que mencionámos indignados na Gazeta da Figueira, pedindo ás auctoridades locaes ou administrativas sevéra lição a quem assim procede.
         Se elles já nos não olhavam com bons olhos, depois até chegaram a organisar um complot, do qual faziam parte elementos da gente do bunho, para nos darem uma tareia de esticar o pernil. Percebemos a marosca e eis nos immediatamente perante o casco do rijo craneo da alta personagem do sr. presidente da direcção do Grupo Musical, pedirmos que nos riscasse do numero dos seus socios.
         Decorridos meia duzia de dias apparecem nas paredes d’esta povoação o menú para um lauto jantar que lhes vamos offerecer pelos actos que nem, talvez, garotos o fizéssem e que promettemos, sem faltar a esta responsabilidade, de lhes encher a barriga até fartar. Ora, agora digam-nos as pessoas conscienciosas, se temos ou não razão? Se era ou não cabida a nossa declaração, publicada no dia 16 do corrente?
* * *
         Em vista das graves affirmativas que ali se fazem a nosso respeito, em vez de deixar ao arbitrio das pessoas de bem a nossa resolução em desprezar os grosseiros insultos de taes infames, vimos por este meio emprazar os animaesinhos d’aquelle Grupo a dizerem-mos:
         1º - Qual a calumnia que nós levantámos a um rapaz digno e que era a causa de nos expulsarem do Grupo?
         2º - Quaes as sociedades onde temos sido desconsiderados?
         3º - As provas em como nós frequentavamos na Figueira os sitios mais vergonhosos, praticando acções ridiculas, a ponto de usurpar ás infelizes algum dinheiro?
         4º - Qual a infamia praticada por nós no dia 10 do corrente?
         Nada mais queremos saber! O resto - prosa d’arrieiro - devolvo-lh’o escorrendo a fectida lama com que pretendiam sujar-nos... Felizmente, estamos bastante acima para que possamos livrar-nos mais uma vez d’esses machos de almocreves e sentimo-nos mais uma vez honrados pelo proceder digno da nossa familia - que os deixou entrar em sua casa, julgando-os qualquer coisa honesta - os mandou já arranjar as albardas para que no proximo dia 1 de Janeiro de 1913 irem em marcha aux flambeau... em procura de abrigo. Annibal Cruz
* * *
         P.S. - Como se annuncia para ahi á bocca cheia que, apenas se publique esta resposta, a nossa morte será fatal e, em vista de não termos meios de fortuna, appellamos para os corações generosos para nos enviarem qualquer quantia para o nosso caixão e para darmos uma pinga aos socios do Grupo Musical Tavaredense para solemnizar esse funesto dia. Desde já agradecemos, pedindo tambem ao Diabo - já se vê, porque creaturas da nossa força não podem ter lugar no Céu de Deus - que nos feche, para nunca mais de lá sahirmos as portas do Inferno, porque se nos deixam voltar a este miseravel mundo, onde ha tanta gente velhaca, teremos de usar esporas e um bom marmelleiro para passearmos na nossa terra sem receio.

         Como dissemos, a questão passou para o tribunal, tendo a acção, posta pelo Grupo, sido julgada em 1914. Infelizmente não conseguimos saber qualquer coisa sobre a sentença.

Mas a Sociedade, a quem esta questão não dizia respeito, prosseguia a sua acção teatral com a apresentação de alguns dramas e diversas comédias, que sempre agradavam e dispunham bem. Por sua vez, a escola nocturna registava sempre mais alunos a frequentarem as suas aulas.

Segundo os elementos que  conseguimos reunir, foi em Janeiro de 1913, no programa comemorativo de mais um aniversário, que começaram a ter lugar as chamadas sessões solenes que, a partir daquele ano, passaram a fazer parte regular das festividades comemorativas dos aniversários, e que atraíam a Tavarede imensas pessoas da Figueira e de outras localidades.

Às 15 horas começou a plantação de árvores no largo pertencente ao edifício, formando-se seis grupos, por tantas serem as árvores.Cada um destes grupos de rapazes encarrega-se do tratamento da planta que lhe coube em sorte e no fim do ano serão premiados os que maior zelo manifestarem no cumprimento da sua missão.
         A este acto, a que assistiu uma multidão de povo, vimos, com prazer, alguns homens, velhos, lançarem mão das pás e enxadas, ajudando afanosamente os rapazes na sua árdua tarefa. Belo exemplo!
         Às 16 horas, achando-se a sala repleta de espectadores, procedeu-se à sessão solene para a distribuição de prémios aos alunos mais aplicados e posse ao novo corpo gerente.
         Proposto pelo sócio sr. João dos Santos, para presidir à sessão, o sr. Dr. Manuel Gomes Cruz, iniciador da primeira escola nocturna em Tavarede há mais de treze anos e que posteriormente ficou a cargo da Sociedade de Instrução, foi por uma unânime salva de palmas aprovada esta proposta.
         Tomando lugar, o sr. Dr. Cruz nomeou para secretários os cidadãos João dos Santos e Manuel Jorge Cruz e, aludindo à criação da primeira escola nocturna em Tavarede, pôs em relevo os generosos serviços que a ela prestou o sr. João dos Santos. Prosseguindo no seu pequeno mas brilhante discurso, louvou as direcções que têm trabalhado pelo progresso da Sociedade de Instrução, enalteceu o valor da festa da árvore e incitou os que o escutavam a cooperarem sempre em obras de instrução, educação e civismo como aquela que ali se celebrava e que muito honrava Tavarede. Uma salva de palmas cobriu as suas últimas palavras.
         Erguendo-se para falar o sr. Dr. José Gomes Cruz, produziu-se na sala um grande silêncio. Começou por dizer que, sendo convidado para tomar parte numa festa tão simpática, na sua terra, acedeu da melhor vontade, e limitando-se apenas a dar uma lição de botânica. Não podemos, por falta de tempo e espaço, acompanhar o ilustre conferente que, durante mais de uma hora, prendeu, com bastante interesse, todo o auditório, usando de uma linguagem de fácil compreensão para todos. Concluiu por um apelo patriótico aos seus conterrâneos para que trabalhassem sempre no sentido de serem úteis a si e à Pátria. Ao terminar o conferente foi calorosamente ovacionado.
         Tomando a palavra o sr. Manuel Jorge Cruz, congratulou-se por assistir a tão simpática festa e por ter ensejo de ver que não foi inutilmente que ali, em algumas sessões idênticas, a que presidiu, aconselhou aos seus consócios a trabalhar pelo desenvolvimento daquela colectividade, que continuava a sua marcha desassombradamente, derramando a instrução nas classes pobres. Terminou incitando as crianças no estudo e mostrando-lhes as vantagens que obtinham instruindo-se, e recomendando-lhes com instância a guarda e tratamento das árvores que acabavam de plantar. Palmas da assistência.
         Fazendo de novo uso da palavra o sr. Dr. Manuel Cruz, refere-se ao carinho com que em algumas nações se tratam as árvores e elogia a dedicação de José da Silva Ribeiro pelo seu trabalho em prol da Sociedade, acabando por erguer um viva ao povo de Tavarede, que foi entusiasticamente correspondido.
         Encerrada a sessão, os alunos entoaram o hino escolar, ouvindo-se depois muitos vivas aos srs. Drs. Afonso Costa, Bernardino Machado, Manuel e José Cruz, Sociedade de Instrução, República Portuguesa, etc.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Morreu o Jorge!...

A notícia correu célere. O Jorge Monteiro faleceu há poucas horas.

Embora fosse aguardada, não deixou de chocar todos quantos com ele conviveram.
Era um dos sete filhos do casal Benjamim Monteiro de Sousa e Isabel Cordeiro. Casado com a nossa conterrânea Maria da Piedade Lontro, tiveram dois filhos, dos quais tiveram a infelicidade de perder, muito jovem, o rapaz. Ficou a Luísa. A toda a sua Família as nossas condolências.

Foi um incansável trabalhador na Sociedade de Instrução Tavaredense. Trabalhava nos bastidores, colaborando com Mestre José Ribeiro na montagem nas cenas. E, além dos cenários, era sempre o Jorge que se encarregava da montagem do antigo estrado, por cima da plateia, para a realização de festas.

Foi nosso companheiro na equipa de basquetebol da SIT. 

Mais um 'Tavaredense com história' que desaparece! Paz à sua alma e que descanse em paz.

Casamento do Jorge e da Maria