sábado, 27 de julho de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 33

Também é de referir que as duas colectividades tavaredenses, e muito devido aos correspondentes da imprensa figueirense, viram as suas relações esfriarem um pouco. Não terá sido o despique travado entre os dois grupos teatrais. Ambos tinham elevada categoria, amadores muito conscientes e bons ensaiadores. Mas, e talvez como uma previsão dos acontecimentos políticos que, poucos anos depois, tiveram lugar, serviam-se das colectividades para notícias que, na verdade, não tinham outra finalidade que não defender os ideais políticos deles. E sem dúvida que as duas associações acabaram por sofrer graves problemas, embora alheias a tais lutas.

         Bailes e espectáculos teatrais sucediam-se, tanto nas sedes como fora. No caso dos grupistas o seu esforço era incansável, com a intuito de angariarem receitas. Muitas vezes, porém, o trabalho não era compensado pelos lucros, de quando em quando mesmo prejuízo. Na Sociedade uma nova opereta é posta em cena. O público acorria a estes espectáculos, que o distraia e ‘arregalava a vista’, com cenários vistosos e colorido guarda-roupa. E a música ficava no ouvido, tão agradável ela era. Noite de S. João foi mais um êxito. Foi uma récita magnífica, podendo dizer-se que não será fácil fazer-se aqui melhor, quer pela alta responsabilidade da partitura, quer pela harmonia do conjunto que agora pudemos apreciar e que não é possível ultrapassar - num grupo de amadores de aldeia, bem entendido.

Em Maio de 1926, foi a Sociedade que procedeu a melhoramentos na sua sede. A sede da Sociedade de Instrução Tavaredense vai sofrer grandes transformações. As obras começaram já, devendo ficar concluidas durante o próximo mês de Maio, para o que os trabalhos prosseguirão com a maior actividade.O átrio de entrada para a sala de espectáculos é completamente transformado, ficando mais amplo e o pavimento nivelado. A antiga e perigosa escada para o 1º andar, é substituida por uma outra mais ampla, cómoda e elegante, em dois lances perpendiculares. O salão do 1º andar, por onde se fazia a comunicação com o palco, fica agora isolado, abrindo para um corredor por uma larga porta envidraçada. Ali se estabelecerá um confortável e decente gabinete de leitura.
         No rés-do-chão fica uma grande sala para recreio dos sócios e bufete, tudo instalado convenientemente. No 2º andar, que ficará em comunicação com as dependências do palco, far-se hão amplos camarins. Na sala de espectáculos é completamente transformada a superior, onde vai construir-se um balcão, em anfiteatro, que será mobilado com cómodos fauteuils que foram mandados fazer propositadamente para aqui.
         Estes importantes melhoramentos vêm beneficiar muitíssimo a sede da Sociedade de Instrução Tavaredense, que ficará assim com tôdas as dependências necessárias a uma boa instalação: escola, sala de leitura, sala de recreio dos sócios e bufete, gabinete da direcção e arquivo; e, para a secção teatral, uma cómoda sala de espectáculos, gabinete de caracterização e camarins no 1º e 2º andares. A direcção, que tomou a iniciativa das obras, está empregando todos os esforços para que estes importantes melhoramentos sejam inaugurados em Junho, com uma grande festa. Por isso mesmo ninguém lhe regateia merecidos louvores.

         Uma nova saída levou o grupo dramático do Grupo Musical e a sua tuna até Santo Varão. Eis a reportagem. Uma parte da secção dramática do próspero e florescente Grupo Musical e de Instrução Tavaredense foi no pretérito domingo a Santo Varão, suburbios de Formoselha, realizar um espectáculo com as conhecidas peças do seu vasto repertório - Erro Judicial e Cada Doido...
         Da representação das peças devo dizer, em abono da verdade, que se salientaram os amadores António Medina, José Medina, José Silva, etc., não esquecendo o soberbo trabalho do seu ensaiador, o nosso amigo António Medina Júnior e de sua irmã D. Violinda Medina e Silva, que mais uma vez receberam d’uma plateia fina e delicada, aplausos particulares e sinceros, de que, aliaz, são bem dignos, pois nada mais do que eles fazem se pode exigir a amadores de teatro. Que nos desculpem ferir-lhes a sua modéstia, mas isto é a verdade.
         Uma orquestra do mesmo Grupo, sob a direcção de António Ferreira Jerónimo, elemento distinto do mesmo, abrilhantou o espectáculo, ouvindo-se fortes aplausos.
         Isto é o menos para a minha pretenção. Agora, o mais, o que não pode nem deve ficar no tinteiro, é a expressão sincera dos meus parabéns ao povo de Santo Varão, pela forma bizarramente bela e acolhedora com que recebeu os rapazes de Tavarede.
         Sim, senhores!
         Assim é que se chama fazer estreitamento de amizades. Assim é que se chama receber bem um hóspede. Enfim: a isto é que se chama a verdadeira confraternização de povos.
         Há tempos deu-se a verdadeira antítese numa outra terra onde o Grupo também foi, para o mesmo fim, terra essa que é o berço de dois dos principais elementos do mesmo grupo...
         E esses elementos - devo frizá-lo - são geralmente estimados nessa terra...
         Mas... cada terra com seu uso e...
                                               * * * * *
         Logo de manhã, os amigos António Ferreira Jerónimo e José Silva conseguiram, da benevolência de Manuel Martinho Júnior, o empréstimo do seu barco, no qual “navegaram”, além destes, Manuel Fé Varela, António Ferreira, António Ferreira Menano e Francisco José Ferreira Menano Júnior, que conseguiram pescar na enorme vala que vae desaguar no rio Mondego, entre Santo Varão e Formoselha, incontestavelmente um dos pontos mais belos do lugar, uma suculenta dose de peixe, da qual foi feita uma caldeirada para os Tavaredenses, pelo sr. Luiz Fé Varela, que é autentico culinário no género.
         Promoveram-se vários passeios fluviaes na poética vala, passeios esses que ficarão bem gravados no mais recondido de todos os rapazes de Tavarede, que não havia maneira de sairem dos barquinhos frágeis que com eles deslizaram dôcemente sobre a quietude das aguas, onde se reflectiam os esguios choupos e os frondosos salgueiros, que proporcionavam agradáveis túneis de verdura onde se gozava a frescura d’uma sombra agradabilissima e benéfica...
         Os rouxinois, os pintassilgos, os melros e tantos outros passarinhos, que tinham escondido seus ninhos nas hastes ramalhudas das arvores que ladeiam a fresca vala onde se realizou o passeio fluvial, timbram em seus gorgeios despreocupados e alegres, regalando-nos os ouvidos e enebriando-nos a alma...
         Quem pudesse traduzir por palavras aquilo que de agradável e poético nos foi dado gosar em Santo Varão...
         Muitos Tavaredenses, como Medina Júnior, João d’Oliveira, Adriano e José Silva, José M. Gomes, Manuel Nogueira e Silva, Pedro e Jorge Medina, Manuel Cordeiro, etc., etc., não esquecendo as srªs. D.D. Guilhermina Cordeiro, Violinda Medina e Silva, Emília Pedrosa Medina, Laura Ramos Ferreira, etc., etc., só abandonaram a “flotilha” quando a noite começou por lançar seu manto nêgro sôbre os sanguíneos raios de sol de um dia que tombava, depois de imensa felicidade espiritual para quem, como os tavaredenses, sabe gozar um pouco das belêsas naturaes, com que a natureza fadou a terra!
         Amigo Medina Junior, em pleno palco, fez os protestos dos inolvidaveis agradecimentos do Grupo Musical ao povo de Santo Varão.
         Está certo. Isso foi oficialmente.
         Agora particular e publicamente, desejo eu fazê-lo, em nome de todos os tavaredenses, agradecendo mais uma vez aos cavalheiros que gentilmente cederam os barquinhos para aqueles passeios que ultrapassaram o belo e o agradavel!
         São momentos de intensa felicidade e alegria...
         São dos melhores bocadinhos que se passam neste mundo...
Obrigado, pois, por mim e por todos.

         Foi mais uma ajuda para os seus cofres. Entretanto, e com a colaboração do Grupo Musical, que lhes cedeu instalações para a sua sede, no dia 3 de Outubro de 1926, um grupo desportivo festejou o seu primeiro aniversário. Chamava-se Sportsinhos Foot-ball Club, cuja principal actividade desportiva era o futebol, chegando  a disputar o campeonato regional de terceira categoria. Foi seu fundador José Maria Cordeiro, vulgarmente conhecido por Zé Neto, que conseguiu obter a colaboração de um jornal desportivo da época, o qual lhes forneceu o equipamento.

sábado, 20 de julho de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 32

         E no ano de 1926 foi, logo no seu dia primeiro, comemorado mais um ano do Grupo Musical Carritense, conforme refere esta nota. Festejou galhardamente no passado dia de Ano Bom mais um aniversario da sua fundação o simpatico Grupo Musical Carritense, do vizinho e aprazivel logar dos Carritos.
         De manhã, a tuna da mesma sociedade fez a alvorada, subindo ao ar nesse momento, uma salva de 21 morteiros. Ás 13 horas esteve exposta a séde, que se encontrava profusamente ornamentada com lindas flores naturaes e artificiaes. Mais tarde a mesma tuna foi esperar a do florescente Ateneu Alhadense, das Alhadas, que vinha retribuir a visita que aquela colectividade lhe havia feito a quando da brilhante comemoração do seu 1º aniversario. Depois de cumprimentar alguns directores do Grupo, dirigiram-se para a séde desta sociedade, onde lhes foi servido um excelente e abundante copo d’agua. Em nome da direcção, deu as boas vindas o sr. Antonio Lopes, respondendo o ilustre presidente do Ateneu, sr. Desidério Nossa, que agradeceu num curto mas primoroso e eloquente discurso as sinceras e afectuosas homenagens que estavam sendo prestadas á sua associação. Retiraram pouco depois os vizitantes, muito bem impressionados, sendo acompanhados até á saida da povoação pela tuna do Grupo dos Carritos. Esta seguidamente andou, como de costume, cumprimentando os seus consocios. Ás 18 horas, realisou-se a sessão solene, á qual presidiu o sr. Antonio Lopes, representante do Grupo Musical e d’Instrucção Tavaredense, secretariado pelos srs. Augusto de Oliveira, delegado do União Football Club, de Buarcos e José Simões. Após a leitura do expediente, foi colocada no estandarte do Grupo – uma bela obra do distinto pintor figueirense, sr. Antonio Piedade – pela esposa do nosso bom amigo, sr. Albino Jorge Carlos, uma linda fita de seda, oferecida por uma comissão de senhoras casadas, usando então da palavra o sr. presidente para se referir á simpatica iniciativa das oferentes, que muito as dignificava pelo alto exemplo do amor associativo que acabavam de patentear.
         Á noite efectuou-se o baile que esteve muito concorrido.
         Sinceramente felicitamos na pessoa do inteligente e incançavel presidente da direcção, nosso querido amigo sr. Manuel Maria Santiago, todos os associados da prestimosa colectividade pela patriotica obra que há cinco anos veem realizando.

         Por sua vez, a Sociedade de Instrução, festejando igualmente o seu 22º aniversário, comemorou-o com atraente programa, destacando-se, na récita de gala, a apresentação de uma nova opereta sobre os usos e costumes da nossa terra, da mesma parceria da anterior, Gaspar de Lemos e António Simões. Tinha, apenas, um acto e três quadros, mas mereceu o seguinte comentário: Era esta a principal atracção da récita. Havia um grande interêsse pela representação da Pátria Livre, e pode dizer-se que a revista agradou plenamente. Os aplausos foram calorosos, entusiásticos, fazendo a assistência bisar quási todos os números de música. Houve chamadas ao autor, ao maestro e ao ensaiador. João Gaspar de Lemos Amorim e António Simões mereceram sem favor as prolongadas salvas de palmas que se ouviram – o primeiro, por ter escrito com alegre fantasia e uma certa irreverência o comentário ligeiro e gracioso dalguns acontecimentos e factos locais; e o segundo pela felicidade com que pôs e adaptou os números de música, alguns deles lindíssimos; mas não são menos dignos de elogio o espírito e a boa vontade com que os amadores se houveram, de modo a poderem representar a Pátria Livre apenas com 10 dias de ensaio. Não pode exigir-se mais de amadores de aldeia. A impressão geral da representação foi a melhor, sendo especialmente notadas a apresentação correcta e afinação dos córos. A orquestra, constituída por 14 figuras, magnífica.

Bem sabemos que estamos a transcrever demais, mas o caso é que, pessoalmente, consideramos a terceira década do século vinte, a que maior impacto teve no associativismo tavaredense. Os grupos dramáticos, que alcançaram retumbantes êxitos, recebiam imensos convites. A tuna, por seu lado, tinha enorme fama. E ambas as associações tavaredenses desempenhavam os seus estatutários fins, tanto cultural como recreativamente, da maneira mais honrosa para a terra.


Tuna do Grupo Musical e  de  Instrução Tavaredense


Contudo, não deve esquecer-se que, apesar dos enormes esforços empreendidos, o Grupo Musical começava a sentir as maiores dificuldades para cumprir com os seus compromissos financeiros assumidos com a realização das obras, aproveitando-se da enorme complacência do seu sócio benemérito e benfeitor, vendedor do edifício da sede, iam protelando a amortização da compra, procurando solver primeiramente as dívidas contraídas a outros credores. É por isso, e pelo que mais adiante relataremos, que se dizemos que, em nossa opinião, foi uma década verdadeiramente dourada, considerando o desenvolvimento cultural e recreativo, também não podemos deixar de referir as muitas tristezas e desgostos que a impossibilidade do cumprimento das responsabilidades assumidas, terão acabado por causar nos seus mais dedicados e esforçados sócios e colaboradores. 

sábado, 13 de julho de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 31

         E foram, pela segunda vez, a Montemor-o-Velho, agora com as comédias Pega de touros e Medicomania e a opereta num acto A herança do 103... limitar-nos-emos a registar o agrado com que foi acolhido o trabalho dos amadores tavaredenses, que sabem honrar a sua terra e têm, indiscutivelmente, adentro do ser grupo, elementos de um valor incontestável, criaturas a quem Tavarede bastante deve pelo muito que se sacrificam em prole da sua civilização, pelo muito que trabalham no louvável desejo de a roubar à banalidade que caracteriza a vida de quase todas as pequenas terras portuguesas, escreveu um dos correspondentes jornalisticos daquela vila.

Procurando desenvolver ainda mais a sua actividade associativa, e para dar a conhecer a mesma, convidaram um jornalista figueirense a fazer uma visita à sua sede. Ficou admirado com o que viu e, então, publicou o seguinte: Um director do florescente Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense, colectividade que em Tavarede - a vizinha e pitoresca aldeia que de todas as freguezias do concelho está em mais intimo contacto com a Figueira - vive com muito trabalho e sacrifício, do povo e para o povo, mas mais para o povo, do que de êle, convidou-nos há dias para uma vizita, á noite, à séde da colectividade da qual é um devotado amigo.
         Com franqueza, assim com estas noites, em que os diques angelicais primam em converter num “pinto” um pobre mortal que não tenha a dita de possuir uma rica “impermeàvel”, tal proposta não veio muito a tempo...
         Mas, por consideração para com o nosso amigo e ainda pela insistente maneira como nos pediu, lá fomos há dias a Tavarede, a vizitar as aulas nocturnas, que sob a direcção de dois sócios, funcionam no Grupo Musical e d’Instrução.
         A nossa alma atingiu o cumulo da satisfação: - por chegarmos e regressarmos de Tavarede sem apanharmos gôta de água, e mais ainda por, ao ingressarmos naquela colectividade, depararmos com uma chusma de crianças, rapazes e raparigas, alguns já adultos, a receberem a luz sublime da Instrução.
         N’uma ampla sala, toda claridade, toda higiéne e de cujas parêdes pendem retratos vários, entre os quáis o da insinuante figura do imortal maestro figueirense David Souza, em tamanho natural, rodeiam umas mezas grandes algumas dezenas de alunos. São filhos de sócios e muito principalmente filhos de não sócios. São, emfim, tavaredenses que procuram uma escola competente onde possam aprender á noite o que de dia se lhes torna impossível fazer. É seu professor o António Lopes, ajudante de António Victor Guerra, que por motivo dos seus muitos afazeres ainda não poude ir exercer as funções do seu cargo.
         É a aula nº. 2, em que os alunos recebem as antigas regras da instrucção primária (1º. e 2º. graus) e algumas explicações de francês.
         Mais adiante, outra sala, a nº. 1, em que uns 20 meúdos aprendem, pelo método João de Deus, as primeiras letras, tendo por professor o José Francisco da Silva.


José Francisco da Silva - professor de música

         Em face da grande amizade que nos prende ao nosso apresentante, tivémos a liberdade de lhe fazer esta pergunta:
         - Porque motivo não substituem as mezas por carteiras?
         - Pela razão absolutamente natural de que nós não temos verba para as mandar fazer. Vivemos com muitas dificuldades, meu amigo, andamos uma duzia e meia de sócios mais devotados a trabalhar pela vida do meu Grupo. Não ignora que no verão temos dado espectaculos por Brenha, Maiorca, Montemór, que fizémos ultimamente uma excursão á Marinha Grande, onde démos tambem dois espectaculos, cujo produto foi muito favoravel ás nossas necessidades.
         - E o Grupo pagou todas as despezas dos excursionistas?
         - Não, meu amigo. Cada um tomou de sua conta as despezas de comboio e hospedagem. De contrário, não merecia a pêna pensarmos em mais excursões...
         - Essa acção é meritória - retorquimos. E porque não trabalham assim os restantes sócios em quem vejam algum aproveitamento para o teatro ou para a musica? Pois se a casa do Grupo é de todos...
         - A essa pergunta só eles podiam responder...
         - Mas isso não se compreende. Sacrificio mútuo é que é necessário para a vossa obra. Caso contrário, o desânimo apodéra-se, mais dia, menos dia, daqueles que trabalham, dos verdadeiros caminheiros do progresso desta colectividade, e os resultados serão verdadeiramente desagradaveis para ela.
         - Não. Não é bem assim. Não vê que nós, no nosso livro de actas, temos uma proposta dum sócio que foi unanimemente aprovada e que é para os que de qualquer fórma trabalham um incitamento a um melhor esforço, a uma melhor boa-vontade para o fazerem?
         - ?
         - Consta d’isto: - Há por exemplo um grupo de 12 homens que dá um espectaculo ou que toca num rancho. Rende êsse trabalho uma determinada importância, que é dividida por todos êles. Em essas quotas partes atingindo a soma de 50$00 escudos, cada um dêsses homens tem direito a uma acção do Grupo. Assim, posso afoitamente dizer-lhe, que por este processo só não tem acções todo aquêle que não quer trabalhar. Esses não são considerados amigos do Grupo.
         - É realmente boa, essa iniciativa. Cada um que trabalha, gósta sempre de vêr uma justa recompensa.
         - Já vê, pois, o meu amigo, que para sustentarmos o bom funcionamento das nossas escolas, ou antes, da nossa colectividade, não é a insignificância das quotas, apenas de 1 escudo mensal...
         Terminada a pequena palestra o nosso amigo conduziu-nos ainda á aula de musica, onde Antonio d’Oliveira Cordeiro dava lições a alguns alunos.
         Entrámos na plateia, onde 5 plafons expargiam luz electrica a jôrros, e vimos no palco os velhos amigos do Grupo Musical - Zé e Antonio Medina - rodeados de filhos e de mais alguns elementos da parte dramática. Ensaiavam uma peça para breve levarem á scena.
         Em conclusão. Tudo ali trabalhava, desde o João d’Oliveira, na Direcção até ao mais humilde dos amadores scenicos, tudo no Grupo Musical trabalhava em pról do mesmo e da instrução do povo.
         Tavarede, assim, colóca-se bem. Ou antes, colóca-se melhor. Bem vista, já toda a gente sabe que ela está. E devido a quê? Positivamente aos esforços, á persistente inergia dos seus filhos mais intimos - dos seus filhos mais apaixonados e mais bairristas!
         Retirámos de Tavarede belamente impressionados com a nossa visita ao Grupo Musical, de quem ouviamos falar, de quem nos falavam tantos amigos - mas de quem nunca fizémos ideia fôsse aquilo que justamente é: - uma colectividade filantrópica e benemérita, uma colectividade, verdadeiramente útil e simpática, que honra e enobrece cada vez mais a linda e encantadora terra do Limonete.
         E é precisamente para colectividades como o Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense que os nossos govêrnos deviam olhar...
         Quantas e quantas escolas primárias ha por êsse país fóra, com professores só para receberem as respectivas mensalidades, que não apresentam um terço da obra do Grupo Musical, que vive só á custa daquêles que de dia trabalham na oficina e á noite na Associação?
         Quantos?
         Que nos respondam aquêles que de vez em quando apregôam moralidade, Instrução e... principio associativo...


Na sessão solene comemorativa do 14º. aniversário da sua fundação, o Grupo descerrou os retratos dos seus fundadores José e António Medina. Foi o professor António Vitor Guerra, à altura director da colectividade, que fez o elogio da obra encetada por aqueles dois sócios, historiando um pouco sobre a história associação aniversariante.

sábado, 6 de julho de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 30

Da opereta Em busca da Lúcia Lima, a nossa escolha recaíu nesta nota: Primeiro que tudo, - registêmos consoladôramente o triunfo alcançado pelo nosso querido amigo e dedicado colaborador. O espectaculo de sabado, a favor do Hospital, satisfez a quantos. O Parque, não tinha poiso vago. De galerias, balcão, camarotes, frizas, descia uma bicha humana que alastrava pela plateia. E toda a gente, quer pontuando com salvas quentes de palmas, a maior parte dos córos, quer no final do 2º acto aclamando com entusiasmo autor e seus auxiliares, - n’uma chamada ao proscenio vibrante de sinceridade – claramente demonstrou o seu agrado.
         N’uma operêta, vulgarmente, há apenas um motivo ligeiro, um fio leve de entrecho, para se fazer ouvir musica. Em busca de Lúcia-Lima, tem mais que isso, tem seu enrêdo, começo, meio, fim, tudo afinado e certo, como é proprio do talento do autor. Conta-se em duas palavras.
         Dois brazileiros, sabem por um jornal, que em Tavarede, se oferece como noiva uma linda rapariga – Lúcia-Lima. Metem-se n’um avião. E surgem no Largo da Igreja da ridente povoação visinha. Por telegrama, o povo sabe da sua chegada. Na receção, um dos aviadores apaixôna-se pela filha do regedôr, prendada rapariga cheia de graça. Pinga-Amor, galo do burgo, não vê com bons olhos que outro lhe requeste aquela a quem quer como ás meninas de seus olhos. E manhosamente faz constar que Lúcia-Lima, abalára para Macau..
         Os dois brazileiros, seguem no rastro da que os fizera abalar de longes terras. E vão ao Oriente, tombando por sua desgraça, n’uns arrozaes sagrados. A lei chineza é concisa a tal respeito. São condenados á morte escura. Mas já a filha do Mandarim se rendera d’Amor por um dos brazileiros. Prepara lhes a salvação e a fuga. E vem com eles, no avião possante que os retorna a Tavarede.


Nos jardins do Mandarim

         Em cinco, seis scenas bem lançadas, desfaz-se o equivoco. O jornal que lhes levára a noticia, era um numero de carnaval. Lúcia-Lima, afinal, é o nome do arbusto aromatico a que sôe de chamar-se limonête. Tavarede é a terra do limonête, por conseguinte a terra de Lúcia-Lima. Desmascara-se o Pinga-Amor. E a peça acaba como tudo o que remata certo, - com o casamento da chinezinha airosa e da provocante filha do regedôr, com os dois simpaticos e endinheirados aviadores...
         Vista agora o leitor tudo isto de rendas claras, de graça fina, de versos onde o ritmo cantante do poeta, se espelha como uma aza ligeira na agua clara d’um regato. Empreste-lhe o culto gosto de Antonio Simões, fornecendo-lhe musica viva, saltitante, travessa, achando sempre o motivo proprio para cada recorte do poêma. Bons scenarios. Otimo guarda-roupa. E encenação primorosa d’esse inteligente môço que é José Ribeiro, - tão profundamente fino e esperto, quanto simpaticamente modesto. E terá um espectaculo brilhante, que sobremaneira honra a Sociedade de Instrução Tavaredense.
         Para que se não cuide que olhámos a Lúcia-Lima, pelo oculo d’aumento da nossa estima pelo autor, oiçâmos impressões de quem de direito:
         Sr. Rodrigo Galvão, profundo conhecedor de theatro, meteur-en-scéne distintissimo, primoroso diseur:
         =Gostei. O librêto é interessante, original e tem finalidade. Musicas felizes. Que assombroso trabalho para conseguir aquilo. E sobretudo, que magnifico motivo de Educação Social...
         Sr. Antonio Pereira Correia, - aclamado autor de diversas obras congeneres:
         Sim, senhor. Agradou-me. Estou satisfeito. Que se podia exigir mais?...
         Sr. Luiz Dias Guilhermino, amador dos melhores da Figueira que há longos anos ao theatro dedica o melhor do seu esforço:
         A peça é bôa. E que fantastico trabalho o de José Ribeiro. Na Figueira, ninguem era capaz de fazer melhor... E é opinião geral!

         Prosseguiam, entretanto, na campanha de angariação de fundos. Um erro judicial, no Teatro Ester de Carvalho, em  Montemor-o-Velho:  o desempenho, do lindo drama, como da chistosa comédia Cada doido!, agradou em absoluto, motivo porque todos os intérpretes viram coroados com fartos aplausos os seus trabalhos, por parte da assistência que era numerosa

         Uma nova associação foi fundada no Casal da Robala. Teve o nome de União de Instrução e Recreio Robalense. A primeira direcção era composta por Joaquim Simões, presidente; Emídio Santos, vice-presidente; António Vaz de Oliveira e Alexandre Simões, secretários; João Rocha, tesoureiro; e António Freitas Cardoso e António Gomes, vogais. A inauguração teve lugar no dia 1 de Janeiro de 1926, mas não encontrámos nenhuma nota sobre a mesma.

         Em Outubro de 1925, foi promovida uma grande excursão à Marinha Grande, com a participação da tuna e do grupo cénico do Grupo Musical. Eis a reportagem desta visita. Noticiou o "Figueirense" a ida do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, com a sua tuna e secção dramática, á laboriosa e sempre hospitaleira Marinha Grande. Todavia, o mesmo jornal não disse - a partir do principio de que não tinha procuração para o fazer - que o povo excursionista da minha terra regressou da Marinha cumulado de indeléveis gentilezas e cativantes provas de amizade.
Ora eu, como excursionista e na qualidade de rabiscador de noticias para o "Figueirense", já de há muito devia ter cumprido a obrigação de dizer aos meus prezados leitores, embora ligeiramente, o que foram esses momentos de verdadeira apoteose para a colectividade tavaredense. Mas, por falta de vagar, e ainda por uma simpática constipação que me converteu em um dos mais impacientes escritores..., eu tenho imperdoavelmente cometido essa falta, que certamente nesta altura a Consciência me relevará.
***
A excursão á Marinha, leitor amigo, levada a efeito há próximo de 15 dias, tinha em mira duas coisas: -proporcionar aos sócios da simpática colectividade que na minha terra vive do povo e para o povo, alguns momentos de alegre e feliz passatempo espiritual; e dar ali dois espectáculos para adquirir fundos de receita com que, conjunctamente com outros que da mesma honesta forma noutras partes tem auferido, possa ir amortizando a sua dívida - que não é pequena, mas que já foi maior, pois ainda não há um ano que inaugurou a sua nova sede, que é vistosa e decente, e já amortizou próximo de 10 contos.
E tudo se conseguiu na Marinha Grande. Tudo. Os tavaredenses souberam ser tavaredenses, pois se conduziram sempre com garbo e com aprumo, motivo porque colheram loiros para si e para a terra que orgulhosamente representavam.
Á chegada da excursão - sábado á noite, 10 - a tuna, sob a proficiente direcção do amigo sr. Pinto d’Almeida, executou uma "marcha" de saudação á Marinha. Percorreu as ruas principais da vila, no meio das maiores aclamações, sempre acompanhada de muito povo conduzindo archotes acesos. Deu ingresso na benemérita e simpática colectividade dos Bombeiros Voluntários, onde lhe foram dadas as boas vindas, sendo-lhe servido um "copo d’água”, após o que se dirigiu ao teatro "Stephens", tendo pouco depois começado o espectáculo, que agradou plenamente.
António d’Oliveira Lopes apresentou no palco, antes desse espectáculo, todos os amadores dramáticos e o regente da tuna da sua terra, e um dos mesmos amadores leu uma saudação ao povo marinhense. Seguiu-se depois o espectáculo, que felizmente decorreu á medida dos desejos de todos que nele tomaram parte. Houve chamadas especiais e muitas aclamações. Alguém me disse - "O espectáculo de hoje foi o melhor reclame para o de amanhã. Vão ter uma casa á cunha, com certeza".
E, digo-o com satisfação, assim sucedeu, pois nunca o teatro Stephens deu uma verba tão bôa, tão rechonchuda como no domingo, 11 de Outubro, em que os humildes amadores dramáticos e musicaes da minha colectividade viram coroada de êxito toda a sua espectativa, dando por abençoado o tempo que ali foram. Chegada a hora do espectáculo d’este dia, uma comissão de cavalheiros pediu encarecidamente que alterássemos a ordem do programa e representássemos o drama da véspera, ao que gostosamente acedemos.
A tuna, fazendo a sua apresentação no palco, tocou várias peças, constituindo um acto. Seguiu-se "O Erro Judicial", em 3 actos, e a terminar a hilariante opereta em 1 acto "Herança do 103", ornada de 7 lindos números de musica, tudo tendo agradado plenamente. Houve também um grande pedido, no sentido de a excursão se prolongar por mais um dia, afim de dar outro espectáculo - que pela certa redundava em nova enchente. Todavia, não poude ser, em atenção aos compromissos morais de cada um.
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A tuna, com todos os demais tavaredenses, cumprimentou, durante o dia de domingo, a Camara Municipal, todas as colectividades e algumas entidades marinhenses, tendo sido recebidos duma maneira verdadeiramente cavalheiresca -apanágio do povo da laboriosa Marinha Grande. Em todas as colectividades houve trocas de inequívocas provas de franca e sincera cordealidade para de futuro. Aos Bombeiros Voluntários, em cuja sede formava aprumadamente uma plêiade de beneméritos que tem por diviza dar a 'Vida por vida", foi pela Direcção do Grupo Musical Tavaredense oferecida uma fotografia da sua Tuna, com amável dedicatória
Não podemos explicar o que foi esse momento - dos mais solenes e imponentes que se gosaram naquela viagem feliz que jamais se apagará dos espíritos de todos os rapazes do Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense. O brioso comandante dos Bombeiros, meu amigo sr. Joaquim de Carvalho, aceitou, vizivelmente comovido, essa singela oferta, que perpetua a data em que um punhado de tavaredenses soube ir nobremente apertar, cada vez mais fortemente ainda, o laço da antiga amizade que une a Marinha Grande á Figueira da Foz. Ora Tavarêde é uma ramificação das mais vitalícias do concelho da Figueira da Foz e não a desprestigiou. Houve uma troca de abraços, muitos abraços, emquanto os "urrhás" se confundiram com as notas vibrantes do Hino do Grupo Musical.
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No domingo, em pleno palco do teatro José Stephens, que funciona por conta dos Bombeiros, foi esta colectividade nomeada sócia honorária do Grupo Musical Tavaredense, como preito de gratidão e respeito por tão filantrópica e benemérita instituição marinhense, a quem a excursão deve, em parte, os maiores loiros e os maiores triunfos ali alcançados. Pois a Direcção dos Bombeiros Voluntários, em face disto, quiz provar-nos ainda, e doutra forma, a sua maior estima, a sua maior admiração. Ofereceu-nos, também em pleno palco, uma bela fotografia do seu corpo activo e respectiva direcção, com penhorante dedicatória.
A imensa massa de espectadores irrompe então em delirantes aclamações e a comoção dos tavaredenses não consente que doutra forma se agradeça aquele nobre gesto dos beneméritos marinhenses - a não ser com uns abraços bem fortes, bem cordeaes - com uns abraços bem significativos.
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Em conclusão, leitor amigo. Se esta noticia não foi por mim dada ha mais tempo, e duma forma mais completa, é porque o tempo me escasseiou para o fazer. Mas como vale mais tarde do que nunca, eis o motivo porque eu não quiz, embora extemporânea e pálidamente, contarte algo do que os meus olhos viram na feliz excursão do Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense - a que me honro de pertencer desde ha 14 anos, quando a ajudei a fundar.
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Singular coincidência. Um mero acaso disse-nos na Marinha, na segunda-feira, 12, que fazia anos o nosso regente - o amigo sr. Eduardo Pinto d’Almeida. Imediatamente a Direcção do Grupo, representada por João d’Oliveira, José Francisco da Silva e António Medina, por António Lopes e ainda pelo despretencioso autor destas linhas, da assembleia geral do mesmo Grupo, comprou numa fabrica um bonito objecto de vidro a que fez gravar a seguinte dedicatória: -"Ao maestro Pinto d’Almeida, no dia do seu aniversário natalicio - 12-X-925 - oferece a Direcção do Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense", que lhe foi oferecida, bem como uma batuta artística, na sede do mesmo Grupo, em Tavarêde, sob a influencia dos loiros colhidos na Marinha Grande, que também foi fartamente aclamada.
O amigo Pinto d’Almeida, agradeceu comovido a amável lembrança do Grupo Musical, que ele acompanhou com todo o gosto para a Marinha e que acompanhará com toda a satisfação seja para onde for. Porque - disse - a companhia dos rapazes do Grupo Musical honram seja quem for, demais nos seus casos.
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Muito propositadamente, guardei para o fim os especiaes agradecimentos do Grupo Musical Tavaredense, de quem tenho procuração para o fazer, aos srs. Joaquim Carvalho e Luiz António Faria, da Marinha, pela forma incansável e deveras penhorante como ali auxiliaram a excursão da minha terra. Eles foram, sem desprimor para ninguém, os melhores cooperadores do feliz sucesso obtido pelos tavaredenses na sua linda terra, encantadora e hospitaleira. Obrigado, pois, amigos Joaquim Carvalho e Luiz Faria, obrigado. E creiam que a minha colectividade jamais esquecerá os vossos preciosos favores.

E obrigado, também ao sr. Guilherme Roldão, que na sua colossal fabrica de vidros quiz mimozear todos os excursionistas com lembranças da Marinha Grande. Esses agradecimentos ainda são extensivos a António Fonte, a Álvaro Roldão, e seu cunhado Barros, a José Barosa e ao bom Carlos d’Almeida Galo, etc. - todos amigos de ha muitos anos e que na sua terra em muito nos auxiliaram também".

sábado, 29 de junho de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 29

E se pela época natalícia não foi representado, pelos amadores tavaredenses, o tradicionalíssimo Presépio nem os Reis Magos, os nossos conterrâneos não perderam a ocasião de assistir à representação, no Grupo, desta última peça, representada pela troupe dramática da Sociedade Filantrópica e Instrução, de Buarcos, ‘a qual foi muito aplaudida’.

         Uma das primeiras iniciativas do Grupo, logo após a inauguração das referidas obras, foi a abertura de aulas de instrução primária. Contra a nossa espectativa, as aulas de instrução primaria desta florescente e útil instituição teem cada vez mais concorrência. Com franqueza, nós nunca pensámos que o numero de alunos excedesse de 20 a 30. Hoje, porém - e apezar de a escola apenas funcionar há duas semanas - já se eleva a 60, entre o sexo feminino e masculino, pequenos e adultos.
Isto prova evidentemente que o Grupo Musical é bem digno do titulo que tem e que dele não foge. Ou por outra, não é hoje Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense, apenas por mera conveniência...
Nada. Propôz-se a uma obra sublimemente bela e dignificante e eil-o a mourejar quotidianamente, para levar a bom cabo o seu espinhoso mas simpático desideratum. Podemos afoitamente dizer - e sem snobismos... - que o Grupo Musical é hoje uma das mais bem organizadas e progressivas associações de recreio e instrução do concelho da Figueira da Foz. Não será isto uma verdade?
Senão, vejamos: - tem em plena actividade uma escola de instrução primária, dividida em 3 grupos, com 60 alunos; tem uma escola de musica com 30 alunos; tem um bom grupo dramático; e tem também, pronta a fazer serviço, uma acreditada tuna, que ainda há bem pouco tempo se exibiu em concerto, sob a direcção do nosso bom amigo sr. Pinto d’Almeida. Não cumprirá, porventura, esta colectividade, com o preceituado nos seus estatutos? Cumpre como poucas.
Continue, pois, a trabalhar assim, para merecer os melhores elogios e simpatias de toda a gente digna e sensata, são os votos mais sinceros deste seu devotado amigo, que afinal o é também e muito principalmente, dos progressos e engrandecimentos de Tavarede, sua terra natal, para cujo bom nome o Grupo Musical tem contribuído nos últimos anos com a melhor das quotas partes.
E de futuro, melhor há-de acontecer, estamos disso absolutamente certos, se atendermos à forma bizarra como tudo caminha a dentro de tão ótima e benemérita colectividade, que dia a dia se vai afirmando cada vez mais prospera e engrandecida. Oxalá os valentes e encorajados amigos do Grupo não saibam nunca o que são desanimos ou más vontades, para seu prestigio e honra.

Também não podermos deixar de referir que igual iniciativa tiveram os directores do jovem Grupo Musical Carritense. Desde há tempo que aqui se sente bastante a falta de uma escola nocturna, onde aqueles que de dia labutam no seu árduo trabalho possam, à noite aprender, quanto mais não seja, as primeiras letras. A Direcção do Grupo Musical Carritense, que tem sempre em vista zelar o mais possível os interesses dos seus associados, não só proporcionando-lhes divertimentos, como também tratar de desenvolver o mais possível a sua cultura física, resolveu levar a efeito aulas nocturnas, que dentro em breve devem ser inauguradas na sua sede.
         Estas aulas, que podem ser frequentadas tanto por crianças, como por adultos, são de grande interesse para esta terra, e por este alto serviço é bastante digna de louvores a Direcção daquela simpática colectividade, que dia a dia vai mostrando o carinho que nutre pelo lugar onde tem a sua sede. Oxalá veja coroado de bom êxito este seu esforço.

         Tiveram muito impacto os espectáculos que foram preparados e levados à cena, pouco tempo depois, pelas duas associações tavaredenses. Na Sociedade, um original do poeta figueirense, radicado em Tavarede, João Gaspar de Lemos Amorim, com música de António Maria de Oliveira Simões, que havia tomado a direcção musical desta colectividade, e que se intitulava Em busca da Lúcia Lima,  e no Grupo, também original de um outro poeta figueirense, António Amargo, musicada pelo regente da tuna, Eduardo Pinto de Almeida, a opereta chamada Ninotte, espectáculos estes que acabaram por gerar uma pequena polémica entre os correspondentes locais de jornais figueirenses. A ‘coisa’ começou com uma nota publicada em “A Voz da Justiça”.

 No florescente Grupo Musical Tavaredense, que todos os dias regista novos progressos e que assim conseguiu passar de – a melhor colectividade do concelho – para a melhor do distrito – e em breve será, possivelmente, a melhor do país, vão adiantados os ensaios para a récita da Páscoa, na qual a secção dramática fará uma brilhante afirmação do seu notável valor scénico. Só o corpo coral é composto de 20 das nossas mais esbeltas raparigas, não falando nos rapazes.
         António Amargo foi duma rara felicidade, revelando o seu arreglo do João Ratão os seus conhecimentos da técnica teatral. A Ninotte tem todas as condições para ser representada por amadores com muito agrado. Há scenas muito bem traçadas e figuras desenhadas com vigor. O José Serrano (João Ratão), é explêndido, como explêndida é a scena na associação, quando se inaugura o teatro do herói. Emfim, Tavarede vai ter pela Páscoa duas magníficas récitas. Não temos senão que regosijar-nos com o facto.

         António Amargo não gostou e, claro, logo respondeu. Se andam a bulir cá com o rapaz, que tinha recolhido à privada e metido a viola no saco, também eu tenho o direito de meter a minha colherada.
Discutem periódicos se a minha dramatúrgica pessoa empalmou "João Ratão", que é português e macho metamorfoseou em "Ninotte", que é francesa e fêmea. Mas que teem eles com isso? A "Ninotte" é tão minha filha que até uma das minhas filhas tem uma boneca preta, a quem baptisou de "Ninotte". É imitada do "João Ratão"? Mas isso mesmo já se disse e redisse - e eu escrevo o que me apetece. Roubei? Pois chamem para o caso a atenção da polícia e espetem comigo na cadeia!
Mas pelo amor de Deus não me macem...
Que culpa tenho eu que os dois grupos dramáticos de Tavarede andem de candeias às avessas e que eu ande metido na baila como Pilatos no credo? Lá se avenham um com o outro, mas deixem-me em paz. O sr. que da terra da srª D. Lúcia Lima manda lerias para "A Voz da Justiça" entretenha-se lá com as intrigas do burgo tavaredense e faça referências à "Ninotte" e a mim... depois da opereta ir à scena. É boa? É má?... O futuro a Deus pertence... Então não querem lá ver? Eu a apanhar por tabela e a servir de pim pam pum no meio de rivalidades com que eu nada tenho! O diabo não tem sono!...

E para recordarmos estas peças, aqui reproduzimos duas das muitas notícias publicadas na Imprensa da Figueira e relativas às mesmas. Da Ninotte escolhemos esta: Como havia sido largamente noticiado, a secção dramática do Grupo Musical Tavaredense levou á scena no Teatro Parque, a opereta em 3 actos, Ninotte, da auctoria do nosso ilustre colaborador António Amargo.
Não procurou ele na Ninotte, apresentar uma peça de pulso, não só pelo meio a que ela foi destinada, mas também por ser representada por um grupo de amadores. A peça é uma imitação livre da conhecida opereta "João Ratão", já nossa conhecida, que a companhia Santanela -Amarante tem no seu reportorio e constitue sempre um agrado.
Fez uma opereta leve, polvilhada de graça natural e soube manter no enredo, fácil e interessante, uma feição simples, que não tem frases metidas ad hoc, nem personagem que não tenham uma razão de existir, e que não exista em qualquer aldeia. A Ninotte é, pois, uma excelente peça para o meio em que o auctor a faz decorrer, e marca como mais um trabalho, embora simples e modesto, em que António Amargo se afirma e se impõe.
A enriquecer a peça, está a musica, linda e agradável, que Pinto d’Almeida com o seu reconhecido savoir faire nos apresenta. Tem alguns números excelentes, que se ouvem com prazer pela suavidade e encanto do tema – genuinamente português.
* * *
A secção dramática do Grupo Musical Tavaredense é um agregado de rapazes e raparigas com extraordinária habilidade e vocação para pisar taboas de palco. Pelo que se vê, o teatro em Tavarede é um culto que paes, filhos e avós praticam, com uma boa vontade de louvar, e uma perseverança digna de registo.

Não ha ninguém, naquela terra, que não tenha já representado. Antes assim: - o teatro cultiva e educa o espírito, e os tavaredenses só terão a lucrar com isso. No primeiro plano, destaca-se D. Violinda Medina, uma distincta amadora, dotada dos melhores recursos para afirmar dia a dia os seus progressos. Não temos melhor na Figueira. E as deficiências que lhe notámos cremos que facilmente lhe desapareciam, se

houvesse um ensaiador de largos conhecimentos que a orientasse. Na Ninotte dá-nos uma Alice comme il faut, viva, alegre e insinuante, marcando excelentemente o seu lugar. A sua voz é sã e agradável. Se se dedicasse á arte de Talma, seria uma distincta artista.


Violinda Medina, à data desta representação

José Medina, no Serapião Bento dos Anjos, revela-se-nos um autentico sacristão. É um amador seguro, de boa mascara e dicção clara, que impõe a sua figura no decorrer de toda a peça, sem uma falha ou uma indecisão, e muito menos sem exageros. No Zé Serrano, o valente soldado regressado de França, teve António Medina Júnior uma boa interpretação. Exagera por vezes o papel, prejudicando-se por não vincar melhor o tosco francez, com que mete seu palão, com frequência. De resto, sabe pisar o palco e tem habilidade para o teatro.
Helena Gomes, na fidalga, D. Josefa, soube vencer as dificuldades do seu papel, e Clarisse Santos, na Maria, a noiva do Serrano, também se houve por uma forma agradável, salvo pequenas deficiências. Celeste S. Amorim, na falsa Ninotte, falseou um pouco o seu papel, pois não soube vencer bem a figura estouvada da falsa franceza, deixando-a passar quasi apagada, o que não devia ser.
António Medina, (cabo d’ordens), José Silva (Elias, o professor), Adriano Silva (Morgado), Faustino Ferreira (regedor) e Manuel d’Oliveira e Silva (Pancracio Brasileiro), desempenharam os seus papeis com sofrível correcção. Aquele Napoleão Valente, major reformado, que certa vez, do Quilombo fez qualquer coisa que não se chegou a saber, mas que devia ser acto heróico, foi o peor de todos os amadores, no que também tiveram culpa os restantes.
No conjuncto, o desempenho agradou, tendo o publico, nos finais dos actos e em algumas scenas de maior agrado, aplaudido com entusiasmo. Os coros, embora algumas vezes fugissem um pouco á orquestra, não desmancharam o conjuncto. Em nosso entender, a peça devia ter sido um pouco mais ensaiada, para depois a representarem aqui. O publico da Figueira é um pouco mais exigente e conhece alguma coisa (pouco, é certo) de teatro. Em sintese: é um bom grupo de amadores, que trabalha e progride.
Vicente Ferreira, que ensaiou e marcou, revelou-se uma boa vontade a aproveitar.
***

António Amargo, Pinto d’Almeida e Vicente Ferreira, receberam do publico as palmas merecidas pelo seu bom trabalho. Aqui os felicitamos sinceramente bem como o grupo de amadores, pela excelente noite que nos proporcionaram, e pela boa assistência que tiveram e que os aplaudiu merecidamente.

sábado, 22 de junho de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 28

Mas, e porque a história não é só feita de elogios, igualmente aqui inserimos uma crítica referente à representação da opereta Os amores de Mariana, na Figueira. O meu vizinho Roque Maleitas, que teve artes de arrancar-me por algumas horas ao meu pacato isolamento na noite de 13 do corrente para ir ao Parque ver Os Amores de Mariana, opereta desempenhada pelos amadores dramáticos da Sociedade de Instrução Tavaredense, surgiu há pouco à minha porta brandindo com indignação e cólera um número do Figueirense. Indagada a causa daquele insólito estado de alma, Roque Maleitas, sempre bufando e apontando com dedo sinistro a 5ª coluna da 2ª página da já citada luminácia, desabafou nestes termos:
         = Tome lá! Leia! Leia as pachonchadas dum tal A P. Veja o desplante do farçola! Parece mordido da tarântula ou que recebeu requerimento para dizer mal de tudo por conta alheia!
         = Oh! Homem de Deus, sossegue, aplaque essas iras e conversemos tranquilos como bons vizinhos e amigos. O homemzinho não há de ser tão mau que ache tudo péssimo. Ora vamos lá a ver isso.
         Após lida com a atenção que o caso requeria a crítica teatral do sr A P, eu, para julgar com imparcialidade e justiça, chamei em meu auxílio as minhas impressões do espectáculo, e, confrontando-as com as manifestadas no Figueirense, declarei ao amigo Roque que na verdade não concordava com aquelas opiniões, embora fôssem abalizadas, a julgar pelo tom catedrático e categórico, que é de morrer a rir como a Maria Rita. (Por tamanha ousadia peço, curvado e reverente, tôda a desculpa a êste conspícuo Sarcey, mas tenho por hábito pensar pela minha cabeça e pôr sempre de lado sentimentos que possam influir no meu ânimo. A minha acanhada capacidade não permite ir tão longe quanto eu desejaria, mas conservo sempre presentes as nobres e altivas palavras de Juvenal: Vitam impendera vero – consagrar a vida à verdade!).
         Vou pois, vizinho Roque, com a franqueza e lealdade que se devem a um amigo, dizer de minha justiça e fazer a contestação dos erróneos pontos de vista do crítico A P, que se me afiguram castelos de cartas, derrubáveis com um leve sôpro.
         Pela leitura inteira do relato salta logo aos olhos que o crítico A P mete o bedelho e aprecia duma assentada a parte literária da peça, a parte musical e orquestral e emfim a parte puramente scénica. Apre que é ter talento como o diabo! Outro que não A P, com tanta competência às costas por certo que largaria asneira nalgumas das ditas partes. Mas o perentório A P não esteve com meias medidas, largou a dislatar a torto e a direito.
         = Vizinho e amigo, observou Roque Maleitas, agora que estão em moda as designações por iniciais, as dêste figurão não poderiam traduzir-se por Asno Perfeito? Que lhe parece?
= Amigo Roque, tanto pode dar-se essa tradução como outra adequada. Eu, sem repelir a que lhe dá, que fica a matar, optaria pela de: - A P – a pedido – e cá tenho as minhas razões. Mas nada de divagar e deixe-me dizer-lhe o que penso.
         Em tôdas as operetas, ainda as mais cuidadas, como o Solar dos Barrigas, o Burro do Sr. Alcaide, a Noite e Dia, Os Sinos de Corneveille e outras, o entrecho, a efabulação, emfim a parte meramente literária resumem-se em fantasias quási sempre ilógicas, desenrolando-se e caminhando a acção com o fim evidente de exibir música, e para isso não se despreza o mais insignificante episódio. Os Amores de Mariana, produto dum artista sem mira a ostentar resplendor na cabeça, é uma peça modesta, sem pretensões e portanto imerecedora duma crítica ríspida, tão radical e exterminadora que a todos se afigura feita de encomenda. Para que evocar nêste caso o Barão de Antanholes, que não é uma peça inteiriça, nem vinca cousa alguma, como conselheiramente declara o A P? Ninguém leva a mal ao exigente crítico a familiaridade com as operetas do sr. Pereira Correia. Nesse ponto goza de tanta liberdade como certos animais importunos... Depois, amigo Maleitas, afirmar que Os Amores de Mariana têm passagens pouco decentes é mostrar desconhecimento da Giroflé – Giroflá, da Perichole, da Mascote e tantas, tantas. Cá por mim não lhe vi cousas próprias a provocar caretas a um pater – familias ou a fazer córar uma donzela beiroa. Com tão assanhadiço pudor não deve o austero Aristarco pôr os pés no teatro mas deve ficar em casa bebendo capilé de cavalinho e lendo a Imitação de Cristo. Referindo-se ao desempenho, repare o amigo Roque, o tremebundo crítico manobrou uma rêde varredura! Por magnânina complancência escaparam Helena de Figueiredo e António Coelho; mas não poupou da indispensável ferroada. Para mim, meu estimável vizinho, Helena tem mais do que jeito, tem compreensão, apresenta-se sem bisonho acanhamento, possui voz maleável, canta agradavelmente, e bem melhor que várias belfécias que às vezes nos impingem as secções dramáticas da Figueira, que em questões de recta pronúncia, metem num chinelo o Padre António Vieira.
         António Coelho pode desafrontadamente pedir meças aos esperançosos amadores em que A P descobre futuros Talmas. Tem intuição clara das situações e não merece na scena da embriaguês o reparo sandeu. Jaime Broeiro, que é um amador caracteristicamente cómico, apreciável; António Silva, que exibiu um morgado típico; Idalina Fernandes, que em scena não deixa surpreender a mais passageira gaucherie, e os demais rapazes só mereceram do peitado crítico o esmagador ditame: Nada mais se aproveitou!
         Este articulista de afirmações acácias, as quais não passam de lérias pacóvias, não compreende nem avalia o esfôrço pertinaz, o trabalho paciente e exaustivo, quási heróico, de preparar criaturas, umas insuficientemente cultas e outras mais ou menos rudes e pô-las em condições de se exibirem em público. Não compreende nem avalia esse trabalho colossal, e daí o artiguelho inábilmente acintoso, verdadeira cornucópia de baboseiras, despejadas com ares doutorais. Sentenceia êle que a marcação lhe parece deficiente. Vê-se que disso não percebe êle nada e nem sequer sabe o que seja marcação. Melões confunde com batatas. Desconfio, amigo Maleitas, que tôda em burundanga visa o José Ribeiro, que é o ensaiador. Suponho que errou o alvo e perdeu o seu tempo e feitio, porque êste belo rapaz tem como lema o conceituoso provérbio árabe: “Os cães ladram mas a caravana passa”.
         Asseguro-lhe meu prezado Maleitas, que não é hercúlea empresa desfazer o resto da meada de estultas frioleiras dêste Aristarco pataqueiro, mas a conversa já vai longa. Não quero todavia deixar sem reparos a preciosa observação, talvez um pouco ousada que reza da forma seguinte: “Em Tavarede é natural que estes senões não se notem, agora nesta cidade, onde nem sempre agradam os nossos melhores amadores e muitas vezes até artistas de carreira, foi arrôjo exibir uma opereta inferior, mesmo muito inferior”.
         Apesar de residir neste velho Buarcos, você sabe, amigo Maleitas, que a tal cidade disfruta a justa fama de ser um imenso foco de civilização, um copioso alfôbre de sábios e de altas mentalidades, que em crítica de arte são bem mais exigentes que os dilettants do teatro Scala, e tanto assim que amadores ensaiadores (todos em primô-castello!) são criaturas que deram as suas provas passando em seguida à categoria de notabilidades consagradas. Os habitantes de Tavarede e do resto do concelho são todos bárbaros e selvagens. Como o vizinho leu, o crítico encapotado achou cediça a música coordenada à ligeira e interpretada deficientemente. Foi realmente um êrro de palmatória, é preciso confessar, porque a opereta, popular e despretenciosa como é, devia ser ornada com música dos Huguenotes ou do Barbeiro de Sevilha, e interpretada, está bem de ver, por artistas da envergadura da Patti, da Borghia Mamo e do Caruso.
         Terminando, amigo Maleitas, e sério, sério, acho muito mais decente e honesto, mais digno de elogios e incitamentos que o grupo dramático da Sociedade de Instrução Tavaredense empregue em coisas teatrais o tempo que tira aos seus labores ainda com o risco de sofrer as zagunchadas de zoilos peitados e de língua corrosiva, em vez de seguir o exemplo da jeunesse doirée dos finitos de papo-sêco que desperdiça os seus ócios nos gineceus da R. da Cêrca e nos santuários recônditos da batotinha amena.
         De resto, vizinho e amigo Maleitas, que assistiu à representação da modesta opereta, abismado com o severo julgamento dêste crítico plugúrrio, aplicará ao mesmo a sublime quadra, que bem assenta em casos tais:
                                      Pilriteiro que dás pilritos
                                      Porque não dás coisa boa?
                                      Cada um dá o que tem
                                      Conforme a sua pessoa.

         Sr. Director, pela publicação destas linhas, que pretendem simplesmente fazer um pouco de justiça a quem a merece e enfreiar filáucias mal intencionadas, ficar-lhe hei sumamente grato. Um leitor da “Voz”.