sábado, 26 de outubro de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 46

Reconhecemos, à distância, que tal polémica não teve qualquer razão de existir. Foi o amor ao teatro que venceu. Não se sentindo bem na nova associação, talvez mesmo augurando-lhe um futuro muito efémero, escolheram o teatro do Terreiro onde todos tinham a consciência de que, com a sua colaboração, ganhava o teatro tavaredense. Ali iriam encontrar o tal ensaiador de ‘largos conhecimentos’, que muito influiu na sua actividade, triunfante durante tantas décadas. Esqueçamos, pois, tais polémicas e continuemos com o associativismo tavaredense.
         Em Novembro de 1931, o grupo teatral da Sociedade representou Os fidalgos da Casa Mourisca, uma adaptação do conhecido e popular romance de Júlio Dinis. Obteve um êxito fora do vulgar a representação da peça extraída do belo romance de Júlio Deniz, Os Fidalgos da Casa Mourisca. A escolha foi acertada, pois a peça está perfeitamente dentro do critério seguido pela Sociedade de Instrução Tavaredense, que só faz representar no seu teatro obras que contenham lição moral e educativa. É o caso dos Fidalgos: todos os seus actos são límpidos, sem a mancha dum só duplo sentido; nêles se exaltam as mais belas qualidades da alma, de faz a apologia do teatro como título de verdadeira nobreza, se combatem os privilégios de casta e defendem os principios liberais, com desgosto do egresso Frei Januário que em tôdas as manifestações de progresso moral e material vê a mão da Maçonaria. Magnífica lição que a Sociedade de
Instrução proporciona aos seus associados através dum divertimento espiritual de pouco mais de três horas!


            Os fidalgos da Casa Mourisca – Manuel Nogueira, António Graça e Violinda Medina

O desempenho, considerado como de amadores, é excelente, primoroso nalguns passos. Os papéis femininos foram entregues a três distintas amadoras: Violinda Medina e Silva, Emília Monteiro e Maria Teresa de Oliveira, que se houveram brilhantemente. Violinda fez a Baronesa de Souto Real com a vivacidade própria, sendo admiráveis a forma e as expressões irónicas nos diálogos com o padre. Muito bem! Emília Monteiro foi uma Berta delicada como no-la mostrou Júlio Deniz; algumas cenas com o orgulhoso D. Luís foram cheias de comoção, dominando o espectador. Maria Teresa interpretou a rude e bondosa Ana do Vedor de maneira que confirmou as suas qualidades já reveladas noutros papéis: é uma excelente característica. Nos papéis masculinos merece referência especial António Graça que fez o Frei Januário brilhantemente, entusiasmando as pessoas que conhecem e sabem apreciar teatro; foi sóbrio, correcto, sem caír em exagêros e ao mesmo tempo sem deixar perder um efeito, sabendo falar e sabendo ouvir admiravelmente. É um bom trabalho, do melhor que lhe temos visto fazer. António e Jaime Broeiro imterpretaram respectivamente o D. Luís – orgulhoso dos seus pergaminhos, fechado no seu espírito reaccionário e a final vencido pela ternura e dedicação dos corações que o cercam – e o Tomé da Póvoa, o homem do povo sempre leal, símbolo do trabalho e da honra. Fizeram-nos pondo à prova em papéis de tanta responsabilidade os seus recursos de bons amadores. Nos filhos do velho fidalgo vimos João Cascão (Maurício), exuberante onde era preciso, irreflectido, uma criança grande em quem a bondade faz esquecer os disparates que pratica, e Manuel Nogueira (Jorge), sereno e grave, reflectido na sua pouca idade e sabendo sacrificar as aspirações do coração ao que êle considera o seu dever de filho. Cascão é um amador seguro, articulando primorosamente, sem deixar perder uma palavra mesmo quando a situação exige uma dição precipitada. Manuel Nogueira merece um elogio especial pelo muito que conseguiu fazer, entrando e vencendo quási sempre as dificuldades do papel. Interpretava pela primeira vez uma personagem daquele género, e nunca lhe coubera outro de tanta responsabilidade. Vimo-lo com prazer aproveitando o máximo e correspondendo a quanto dêle era legítimo exigir. Figura simpática e distinta sem afectação, voz bem timbrada, deu-nos um Jorge como o viram quantos leram o romance. Nos fidalgos do Cruzeiro, A Santos e F Carvalho; João Nogueira no filho de Ana do Vedor; J Vigário e J Gaspar, em papéis de menor responsabilidade, todos ocuparam o devido lugar e fizeram um bom conjunto.
         Claro que houve hesitações, já atenuadas na segunda representação, e há ainda falhas; mas seria difícil que as não houvesse em amadores numa peça desta envergadura.
         A Sociedade de Instrução não poupou esforços e despesas para apresentar convenientemente esta formosa peça, e consegui-o, embora dispendendo importante quantia em guarda-roupa, cenários, etc.
         Felicitamo-la pelo êxito artístico alcançado e felicitamos o excelente grupo de amadores que tão brilhantemente se houve.

         E foi com esta peça que deram, tempo depois, um espectáculo em benefício dos cofres do Grupo Musical que, em Assembleia Geral de Outubro de 1932, exarou, na respectiva acta, um voto de reconhecimento pelo auxílio prestado. Foi, aliás, esta última a acta encontrada até 1936, não se encontrando também as actas da Direcção, em igual período.

         Para comemorar o 28º aniversário da sua fundação, a Sociedade, entre outros actos solenes, realizou um espectáculo de gala. Abriu a récita com a encantadora peça em 1 acto As Três Gerações, original do ilustre dramaturgo dr. Ramada Curto, que gentilmente autorizara a Sociedade de Instrução a representar esta sua obra. A peça tem três papéis – A Avó (Maria Teresa de Oliveira), A Filha (Violinda Medina e Silva) e A Neta (Guilhermina de Oliveira) – todos de grande responsabilidade. Carolina de Oliveira marcou bem a criada. O desempenho deixou a assistência admiravelmente impressionada. As palmas foram vibrantes e sucessivas ovações fizeram subiu o pano repetidas vezes. Foram notados os primores da montagem e o rigor das toilettes. Um acto de verdadeira arte, emfim.
         A 2ª parte foi constituída por um acto de recitativos, no qual tomaram parte os amadores: António Broeiro, Manuel Nogueira, Maria Teresa de Oliveira, António Santos, Emília Monteiro, João Cascão, Guilhermina Oliveira, Jaime Broeiro e António Graça, que disseram versos de autores portugueses e brasileiros, sendo todos justamente aplaudidos.

         E a récita fechou com a opereta A Herança do 103, desempenhada por Violinda Medina e Silva, José Silva, Manuel Nogueira e Pedro Medina. O desempenho fez rir os espectadores, que aplaudiram calorosamente os intérpretes. Foi especialmente notada a excelente voz de Violinda, que cantou primorosamente a sua parte, e em especial o dueto em que brilhou com Manuel Nogueira e que foi aplaudido com raro entusiasmo. Para o brilho do espectáculo contribuiu a excelente orquestra, sob a direcção do distinto amador sr. António Simões. Transcrevemos este retalho porque contém uma informação bastante curiosa: a opereta A herança do 103 foi representada precisamente pelos mesmos amadores que a haviam representado anteriormente no Grupo Musical.

sábado, 19 de outubro de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 45

        Também nos merece uma referência, ainda que simples, mas estreitamente ligada ao nosso associativismo, para dizermos que, ensaiada pela actriz Ilda Stichini e em espectáculo em benefício à Misericórdia figueirense, foi levada à cena, no Parque, a peça O amigo Fritz, que teve a particularidade de ser representada, além daquela actriz, por amadores figueirenses, entre os quais José Ribeiro, que foi o protagonista. Ainda uma breve nota para uma nova associação desportiva, Sport Clube Tavaredense, realizadora de algumas provas ciclistas, mas que acabou por ter curta existência.
        
         Aproveitando a data da comemoração do seu 20º aniversário, o Grupo Musical inaugurou as suas novas instalações. Foram brilhantes as festas comemorativas do 20º. aniversário da fundação desta colectividade, que coincidiram com a inauguração das suas novas instalações na casa do Paço.
         Um entusiasmo grande animou todos os números do programa, cuja execução, pode dizer-se, pôs Tavarede em festa, festa a que jubilosamente se associou tôda a população tavaredense, com insignificantissimas excepções.
         O Grupo Musical entrou numa fase de desenvolvimento consciente, mostrando-se agora decidido a caminhar desembaraçadamente e com firmeza, escolhendo com decisão o caminho que quer seguir. Com um esfôrço enorme, admirável - e quando alguém poderia supor que o Grupo ia morrer ingloriamente e sem o confôrto dos sacramentos da Igreja - os rapazes do Grupo Musical conseguiram já reorganizar a sua tuna, agora constituida com muitos e valiosos elementos, e instalar-se na nova sede.
         Começaram as festas comemorativas no sábado à noite, com um baile. Uma enorme concorrência afluíu à sede do Grupo Musical, que tinha sido engalanada e apresentava um aspecto festivo. O baile realizou-se no salão, que se encheu de pares que dançaram animadamente até de madrugada ao som duma excelente orquestra.
         No domingo de madrugada a tuna fez a alvorada, percorrendo as ruas da povoação, enquanto estralejavam foguetes.
         Às 10 horas realizou-se o almôço de confraternização.
         A tuna saíu de novo à tarde, a cumprimentar os corpos gerentes, e pelas 17 horas realizou-se a sessão solene. Foi brilhante, sob todos os pontos de vista. Foram duas horas de alegria, de comoção e entusiasmo em que vibrou a população tavaredense, que enchia o salão. Havia também muitos convidados de fora, muitas pessoas da Figueira e representantes das associações do concelho. Uma assistência numerosa, que as salas não podiam comportar.
         Presidiu o sr. dr. José Cruz, secretariado pelos srs. Adalberto Simões de Carvalho, da Associação Naval e António Cordeiro, da Sociedade de Instrução Tavaredense.
         Após a leitura do numeroso expediente, foi dada posse aos corpos gerentes, assim constituidos:
         Assembleia Geral : Presidente, José da Silva Lopes; vice-presidente, José da Silva Cordeiro; 1º. secretário, Adriano Augusto da Silva; 2º. secretário, António Pedro de Carvalho.
         Direcção: Presidente, Fernando da Silva Ribeiro; vice-presidente, Faustino Ferreira; 1º. secretário, António Marques Lontro; 2º. secretário, João Renato Gaspar de Lemos; tesoureiro, José Nunes Medina. Vogais substitutos: Armando Amorim, José Maria Matias, César Figueiredo, José Severino dos Reis e Flaviano Pinto de Sousa.
         Conselho Fiscal: Efectivos: António Ferreira Jerónimo, António Migueis Fadigas e José Maria Gomes. Substitutos: Manuel Vigário, Manuel de Oliveira e Joaquim Severino dos Reis.
         A assistência saudou-os com muitas palmas, enquanto a tuna executava o seu hino.
         Logo a seguir propôs o sr. presidente um minuto de silêncio em homenagem à memória de José Medina, fundador do Grupo Musical Tavaredense. Tôda a assistência, se manteve de pé, em silêncio.
         E a sessão prosseguiu depois, com um entusiasmo que era bem visivel em todos os assistentes. Não nos é possível, por o jornal não dispôr de espaço para isso, dar um relato desenvolvido desta imponente sessão solene, em que proferiram discursos os srs. dr. Manuel Cruz, sargento-ajudante de artelharia Sanches, dr. Manuel Lontro Mariano, professor Rui Martins, José Ribeiro e dr. José Cruz, que encerrou a sessão entre ovações calorosas e repetidos vivas ao povo de Tavarede e ao Grupo Musical.
         Às 21 horas e meia deu-se início ao baile de gala, animadissimo como o da véspera. A meio do baile foram distribuidos os prémios aos vencedores das provas ciclistas organizadas pelo Sport Clube Tavaredense, que foram os srs. Ricardo Nunes Medina, do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, 1º. prémio - taça e medalha oferecidas pelo Sport Tavaredense e uma medalha oferecida pelo G.M.I.T., Abel Ladeiro, do União Alhadense, 2º. premio - medalha; e João Marques Cardoso, do Sport Clube Tavaredense, 3º. prémio - medalha. Foram saudados com muitas palmas.
         E as festas comemorativas do 20º. aniversário do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense, terminaram de madrugada de segunda feira, deixando a todos as mais agradaveis impressões.

         E uma nova colectividade em Tavarede foi anunciada. Já não é nossa a novidade, bem o sabemos, que acaba de fundar-se uma nova colectividade, com o nome de Grémio Educativo de Instrução Tavaredense. Tavarede, desta maneira, avançou mais um pouco no progresso associativo.
         Há muito que se fazia sentir a falta duma escola nocturna, que funcionasse, regularmente, dirigida por gente competente e de sã moral, visto o número de rapazes novos ser elevadissimo, pois que sendo uma população pobre, na sua maioria operariado, não seria possível a frequência a outra escola que não seja a nocturna. Precisamente por isso é que afirmamos que a falta do Grémio Educativo e de Instrução Tavaredense, há muito se fazia sentir.
         E para complemento e prova cabal, temos o resultado dessa mesma escola, que, com uma frequência de 60 alunos, lá vai singrando, apta a honrar sobremaneira o nome dos seus méstres, P.e Cruz Diniz e Belarmino Pedro, e em especial o da nova colectividade.
        Para ocasião mais oportuna guardamos as nossas impressões, visto esta já ir longa.

         Não conseguimos encontrar qualquer cópia do estandarte, que sabemos ter sido desenhado pelo pintor António da Piedade ... aquela cruz de Cristo sustentando um livro – símbolo da instrução – é simplesmente um modelo de arte e bom gosto, nem do emblema do Grémio Educativo.  Mas, de imediato, um outro problema surgiu. A nova colectividade continuou com a actividade teatral, ali se mantendo alguns amadores e o ensaiador. Enquanto alguns amadores da antiga secção dramática do Grupo tomaram a decisão de abandonar o palco, outros resolveram ingressar no teatro da Sociedade. Tem sido bastante censurado o facto de vários amadores do Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense, se prestarem a fazer parte do Grupo Cénico da Sociedade de Cima.
         É deveras lamentavel tal atitude, que só revela o pouco amor associativo e a pouca consideração pelas lutas antagónicas de há 19 anos! E viva a fraternidade! Pois se Zé Medina revivesse seria o primeiro a apertar-lhe as... mãos e certamente a dizer-lhe muito obrigado...
         Tambem não foi levado, em boa conta um celebérrimo telegrama inserto nas colunas do orgão maçónico. A ser verdade o que me informam é caso para perguntar: O que quererá dizer aquilo? Pois que naquelas colunas não havia guarida, para uma só linha do seu signatário, visto que as combateu durante bastantes anos, não só neste jornal mas principalmente da extinta Gazeta da Figueira?! E viva o liberalismo...

         Iniciou-se uma polémica lamentável, travada a propósito desta mudança. Vamos dar um pequeno exemplo, transcrevendo um pedaço de uma carta enviada para um jornal figueirense, por um amador do Grupo quem havia pouco tempo, se mudara para a capital. Foi, com o maior prazer, que vi assumir novamente o nome de Tavarede - minha terra natal - nas colunas do Figueirense” - baluarte digno dêste nome, - cujas correspondências são assinadas pelo sr. “Tóni”, para mim desconhecido, é certo, mas o que não impede de o felicitar pelas acertadas palavras que na sua correspondência de 23-10-931, dirigiu ao brio de certos cavalheiros que, esquecendo-se do amôr que durante longo tempo existiu - ou parecia existir - pelo Grupo Musical e d’Instrução Tavaredense, se deixaram agora arrastar pelo canto da sereia que ha muito os cubiçava.
         E porque não existe ainda êsse amôr e respeito pelos princípios daquela Associação que tanto levantou o nome de Tavarede? Não serão os mesmos homens de outrora? Decerto que são. O que talvez não existe, é o carácter de uns e a vergonha de outros. Ou será efeito dos desejos da S.D.N. para a realização da Paz entre os homens? Que falta de pundonor! Como todos se devem rir na sua ausência.

         Sr Tóni, não há melhor testemunha que o jornal para tempos futuros. Por tal motivo, sou de parecer que os nomes dêsses cavalheiros, que se diziam “Grupistas”, e que a Sociedade era uma sombra má... e muito mais, que se lhes deparava a todo o momento, sejam publicados numa das suas correspondências, assim que êles aderirem à Sociedade, para que os tavaredenses que mourejam o pão nosso de cada dia, longe da sua terra, façam um juizo dêsses “Grupistas ferrenhos”.

sábado, 12 de outubro de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 44

        Um outro acontecimento digno de ser recordado nestas histórias, aconteceu no dia 22 de Julho de 1931. O grupo cénico da Sociedade de Instrução foi ao Parque Cine colaborar na festa anual do Jardim Escola figueirense. ... E seguiu-se a reprentação da fantasia A Cigarra e a Formiga, pelo modesto e simpático grupo de amadores da Sociedade de Instrução Tavaredense. Todos foram calorosamente aplaudidos, como era de justiça. No 1º acto houve a nota de arte culminante daquela noite de festa: Ilda Stichini disse primorosamente, com o seu formoso talento, e as suas poderosas faculdades de interpretação, A Fantasia e O Riso, belos versos dum artista de pintura que é também um distinto poeta – Alberto de Lacerda. Quando Ilda Stichini apareceu em cena, a assistência irrompeu numa extraordinária, prolongada e calorosa ovação, que bem lhe deve ter mostrado como é querida do público figueirense. Os versos da Fantasia disse-os a Artista ilustre com a vibração da sua delicada sensibilidade e a magia da sua voz. A assistência aplaudiu demoradamente, com sincero entusiasmo. Mas o número do Riso, que Alberto de Lacerda escrevera expressamente para Ilda Stichini, deixou verdadeiramente encantados os que o ouviram e se manifestaram com uma das mais vibrantes e expontâneas e demoradas ovações que naquele teatro se têm ouvido. Parecia que as palmas não acabavam mais, num desejo irreprimível de ouvir de novo a música arrebatadora daquela voz.

         Com a mudança da sede, o Grupo Musical viu-se sem condições para continuar com o teatro e a sua tuna desorganizou-se. Foi numa reunião em Agosto, que os sócios da colectividade resolveram regorganizar a tuna, nomeando para seu regente José Francizco da Silva, conseguindo de imediato a inscrição de 35 elementos e já actuando nas habituais festas de verão, tocando num pavilhão montado no Largo do Paço.

         Em Agosto de 1931, encontrámos a seguinte nota, publicada num jornal figueirense: Como êste jornal já noticiou, foi grande a concorrência aos festejos populares aqui realizados. No Largo do Paço tocou a Tuna de Tavarede e no Largo do Forno a Tuna de Caceira.
         A nota mais curiosa dos festejos deu-a o padre da freguesia, que deve ter ficado definitivamente elucidado àcêrca do prestígio de que goza nesta localidade. Realizavam-se na mesma ocasião festas religiosas que, como é hábito desta população ordeira, ninguém perturbou. O padre, talvez porque não conhecia bem os tavaredenses, cometeu a leviandade de afirmar que não consentia que em Tavarede se realizassem os costumados ranchos na véspera da cerimónia religiosa. Os rapazes da tuna de Caceira submeteram-se, e anunciaram as suas danças só para domingo à tarde; em Tavarede, porém, ninguém quis saber do que dissera o padre, não ligando a menor importância às suas fanfarronadas e ameaças de excomunhão e parecidas coisas, e a tuna de Tavarede organizou o seu festival para sábado e domingo. O padre empregou todos os seus esforços para evitar isso, pedindo e ameaçando, mas nada conseguiu. De modo que... não teve outro remédio senão dizer aos rapazes de Caceira que fizessem também festival no sábado. Isto foi motivo de gargalhada, porque ninguém pôde perceber como é que as leis da Igreja não permitiam que a tuna de Caceira tocasse na véspera da festa religiosa, e, depois de se conhecer a deliberação da tuna de Tavarede, que se não importou para nada com as absurdas e abusivas determinações do padre, já o permitiam.
         Se o padre tratasse apenas do que vai pela igreja, sem querer emiscuir-se em assuntos a que não o chamaram, não se sujeitava a estes desastres.

         Continuavam, desta forma, as interferências da Igreja nas tradições da aldeia e, por consequência, do associativismo local. E, nesse mesmo jornal, também foi publicada esta nota:         Mais uma manobra do padre da freguesia, ajudado pelas duas ou três pessoas da terra que o acompanham, que falhou estrondosamente. Encaminhavam-se as coisas para que o padre, com 20 e tantos contos que para isso lhe entregavam – a Igreja é rica e dinheiro foi coisa que nunca faltou aos jesuítas – comprasse o edifício da sede do Grupo Musical, continuando êste ali a servir de instrumento nas mãos do clericalismo. Descoberta a manobra, a assembleia geral do Grupo que se não deixou conduzir como imbecilmente supunham que era fácil conseguir, repeliu altivamente a manobra e abandonou a casa, mantendo a sua independência e colocando a descoberto e no seu lugar o padre e os sacristães. A casa foi efectivamente comprada, e nele gastará o padre uns bons 30 contos – o que não é nada para quem de tanto dispõe – mas já não é possível qualquer equívoco porque tôda a gente sabe para que aquilo vem a ser.

         Analisando todos estes acontecimentos, uma interrogação nos surge: O Grupo Musical havia sido forçado a mudar de sede e, tendo o direito de opção, o edifício foi vendido à Diocese de Coimbra, aparentemente sem qualquer lucro, e os sócios da colecrtividade aceitaram passivamente a transacção? O que se pode concluir de tudo isto é que, como em breve veremos, o padre Cruz Dinis conseguiu o que desejava.


sábado, 5 de outubro de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 43


Certamente estarão recordados que, no primeiro caderno, referimos a morte do padre Manuel Vicente, como tendo tido enorme influência no associativismo tavaredense. À frente da paróquia desde o princípio do século, aquele pároco, simples e popular, embora tivesse mostrado interesse pela vida e actividade das associações da terra, muito pouco participou nas mesmas. Talvez por esse motivo, aquando do movimento militar de 28 de Maio de 1926 e da restauração do conservadorismo, a sua missão sacerdotal prosseguiu normalmente e se teve alguns problemas com os seus paroquianos, esses foram ocasionados por algumas directrizes ordenadas pela Diocese.

Padre Manuel Vicente

A que terá tido maior importância, certamente que foi a ordem do bispo de Coimbra proibindo as célebres cavalhadas ao São João, considerando-as profanas e, como tal, incompatíveis com as celebrações religiosas. Mas as cavalhadas eram, com os potes floridos de Maio, das mais queridas tradições do nosso povo. E se na Figueira, Buarcos e restantes localidades que mantinham, havia tantos anos esta tradição, acataram a ordem, as gentes de Tavarede resolveram tomar posição diferente. Embora grande número dos componentes da comissão organizadora das tradicionais festas ao S. João fossem católicos praticantes, não acataram as ordens do bispo e mantiveram a tradição, agravando a decisão ao contratar, para abrilhantar as festas, a banda do Troviscal, que havia sido excomungada pela Diocese coimbrã. Mas, acrescente-se, foram as últimas grandes festas realizadas em Tavarede em honra do santo percursor.
         Meses depois da morte do padre Vicente, e após um período em que Tavarede foi paroquiada pelo reverendo Abrantes Couto, da vizinha freguesia de Buarcos, um novo pároco foi nomeado para a nossa terra. Calhou a nomeação no padre José Martins da Cruz Dinis, ordenado havia relativamente pouco tempo. Ao tomar posse do seu novo cargo, o padre Cruz Dinis não tardou em notar o pouco interesse dos tavaredenses na prática da religião, pois uma grande parte da população não tinha o costume de frequentar a Igreja com a frequência que ele desejava. Perante a esta situação, de imediato resolveu inverter a situação. Bastante inteligente, além da sua missão paroquial também passou a dar aulas no Colégio Figueirense, breve se apercebeu da grande paixão dos tavaredenses pelo associativismo, destacando-se o teatro e a música.
Uma das suas primeiras iniciativas, e seguindo o exemplo das colectividades, foi criar uma nova aula, não nocturna, mas diurna, e, sendo grande o número de crianças sem hipóteses de frequentar a escola primária oficial, não tardou em ter uma frequência de algumas dezenas de alunos e alunas. Contudo, o espaço que dispunha para esta actividade não era muito, pelo que começou a pensar como resolver a situação.
Apercebendo-se, como referimos, do interesse dos locais pelas associações, terá começado a idealizar a ideia de se servir das mesmas para chamar a si muitos dos tavaredenses. Mas, num meio tão pequeno e tão pobre como era Tavarede, não seria viável fundar uma outra associação. E porque não utilizar uma das já existentes? A Sociedade de Instrução foi hipótese impossível. Restava o Grupo Musical...
Todos sabemos que esta colectividade atravessava, naq       uela época, enormes dificuldades. Além disso, alguns dos seus dirigentes e mais sócios, eram reconhecidamente conservadores, praticantes e devotos da religião católica e, como tal, terá procurado o seu apoio. E a verdade, cumpre dizê-lo, é que o Grupo acabou por ter de vender o edifício da sua sede, procurando resolver a sua situação financeira e continuando como inquilino, com a renda mensal de 166$70. Isto aconteceu em Junho de 1930.
Em Setembro daquele ano, como não tivessem conseguido pagar a renda, o comprador do edifício António Lopes, anterior presidente da Direcção e um dos credores do Grupo, logo escreveu à colectividade, ameaçando com uma acção de despejo. Ainda conseguiram regularizar a situação, graças a um empréstimo de alguns sócios, mas, em Julho de 1931, cerca de um ano depois da compra, surge uma assembleia geral em que é proposta a saída da associação para outra casa, havendo, até, a hipótese de dissolução do Grupo, o que foi rejeitado pela maioria presente. Foi-lhes cedido parte do antigo palácio dos condes de Tavarede, onde tiveram a sua sede até à década de 1970.
A última notícia de 1930 sobre a actividade do Grupo Musical, refere ser levado à cena, pelo Natal, o velho Presépio. Registemos ainda a notícia de que, em Setembro daquele ano, a tuna se havia deslocado a Vizeu, tendo as despesas desta viagem, no total de 369$50, sido suportadas por uma subscrição feita entre os sócios.
Também não foi possível efectuar nova garraiada que, devido ao elevado custo previsto, acabaria por resultar em mais prejuízo. Quanto ao cinema, alguns directores foram a Lisboa para tentar trocar ou vender a velha máquina de projectar e adquirir uma nova, mas as condições apresentadas não eram suportáveis para o Grupo.
Aparentemente, esquecemos que em Tavarede não existia somente o Grupo Musical. Não é assim. Se nos debruçámos mais longamente sobre este, isso foi devido à triste situação em que se encontrou. A Sociedade de Instrução, sempre infantigável, prosseguia activamente com o teatro e com a escola nocturna. Por sua vez, o Grupo Musical Carritense comemorou, em Janeiro de 1931, mais um aniversário, tendo na sessão solene usado da palavra José Ribeiro, que falou dos benefícios que as colectividades como esta podem prestar às populações rurais dos lugares onde exercem a sua acção, pois são um admirável elemento de educação.
Nos dias 17 e 18 daquele mesmo mês, foi a Sociedade que, festivamente, comemorou o seu aniversário. A Sociedade de Instrução Tavaredense comemorou nos passados sábado e domingo os seus 27 anos de vida, o que equivale dizer: os seus 27 anos de luta.
         Não é demais, na notícia descritiva das festas da popular e prestimosa colectividade, dizer que a obra realizada durante estes 27 anos tem sido uma proveitosa obra de ensinamentos, uma patriótica obra de perfeição e educação.
         As suas aulas têm dado a muitos espíritos a luz radiosa das letras, tornando mais aptos e mais úteis à vida individual, e a bem da sociedade, que se abeira dos ensinamentos que naquele templo de luz são ministrados.
         E não poucas vezes a velha Sociedade tem vindo, mêsmo à Figueira, com o seu prestimoso grupo scénico, dar espectáculos em benefício dos doentes e dos pobres.
         Não está mal, pois, que na hora festiva em que uma tão útil colectividade engrinalda as suas salas para festejar um dia cheio das mais caras recordações, que aqui, em homenagem, lhe dirijamos as nossas saudações pelo dia festivo que passou e os nossos cumprimentos pela obra de elevação e benemerência que tem realizado.
         As festas comemorativas do 27º aniversário começaram no sábado. Engalanaram-se as salas, com flores e colgaduras de damasco, aliando-se a estas notas de beleza uma caprichosa iluminação eléctrica, a côres. No poste principal, subiu a bandeira glorioso símbolo da Sociedade, que era acompanhada por outras bandeiras que puzeram na frontaria uma nota de côr festiva. Ergueram-se ao ar os primeiros foguetes anunciando a festividade, emquanto a sala de espectáculos se ia enchendo de sócios e convidados.
         Dera-se, no palco, o sinal de comêço; cá fora, nem um lugar vago, A orquestra, sob a regência do sr. António Simões, executa o hino da Sociedade, ouvido de pé, tendo a assistência aplaudido com entusiasmo.
         E segue a ordem do programa, fielmente, como fôra traçada no programa-convite. Sobe à scena a linda opereta em 1 acto “Evocação” – seguindo-se a formosa opereta em 2 actos “Noite de Agoiro” – da autoria do sr. dr. Celestino Gomes, que teve, no final do 1º acto, uma chamada especial, sendo-lhe oferecido entre calorosas palmas um artístico ramo de flores pelo presidente da Direcção, sr. António Cordeiro.
         O espectáculo de gala terminou com a representação da encantadora opereta “66” – tendo os amadores recebido muitos aplausos e sendo, no final do espectáculo, novamente tocado o hino da Sociedade, levantando-se entusiásticos hurras.
         Entre o final da récita e a alvorada, houve um pequeno intervalo. E assim, muito antes de romper o dia já subiam ao ar girândolas a anunciar a alvorada. Um grupo musical de elementos da Sociedade, executando o hino e acompanhado por muitos sócios, saíu da sede, para pôr em alvorôço de alegria a povoação.
         Seriam 11 horas quando foi recebida solenemente pela Direcção da Sociedade todo o curso de ginástica infantil da Associação Naval 1º de Maio, que tinha ido levar os seus cumprimentos de felicitações à Sociedade tavaredense.
         Agradeceu a visita, em nome da Direcção, o sr. António Cordeiro, sendo oferecido abundantes doces às crianças, emquanto entre a Direcção e os representantes da Naval eram trocados brindes muito afectuosos, falando em nome dos visitantes o sr. Raúl Correia. Foram lançados vários vivas pelas crianças à Sociedade em festa.
         À tarde teve lugar a largada de centenas de pombos correios, gentilmente cedidos para esse fim pela Sociedade Columbófila Figueirense e pela nova agremiação Associação dos Columbófilos Figueirenses.
         Cêrca das 16 horas chegou a tuna do Grupo Instrução e Recreio, de Quiaios, que foi dar o seu generoso concurso às festas, as quais começaram pouco depois.
         A casa regorgitava. Tudo cheio. Entusiasmo, alegria. Sobe o pano. A orquestra executa o hino, ouvido em silêncio e aplaudido com grande entusiasmo.
         Está na mesa da presidência o presidente da assembleia geral, sr. João Gaspar de Lemos Amorim, que convida para presidir àquela sessão o sr. dr. Manuel Gomes Cruz. A assistência dispensa ao distinto advogado uma prolongada salva de palmas, que o sr. dr. Cruz agradeceu, convidando para secretariar os srs. Manuel Maria Santiago e Afonso Henriques.
         O sr. presidente lastima que não esteja presente, por falta de saúde, o prestimoso elemento da Sociedade, o impulsionador incansável dos seus triunfos artísticos, - José da Silva Ribeiro, coração generoso que tanto tem trabalhado por aquela obra de educação que é a Sociedade de Instrução Tavaredense, e comunica que vai ser prestada uma justa homenagem a um outro trabalhador – convidando a menina Lucília de Almeida a descerrar o retrato que está coberto pela velha bandeira da Sociedade. Fez-se silêncio, e aparece o retrato de Jaime da Silva Broeiro. Uma enorme salva de palmas remata o acto solene do descerramento.
         Jaime Broeiro, de lágrimas nos olhos, não esconde a sua surpresa e a sua comoção. E o sr. dr. Manuel Cruz dispensou, a seguir, palavras de carinho e de admiração ao homenageado.
         Lembra que aquele soldado defensor da Sociedade está no seu pôsto, sem um único ressentimento nem desfalecimento, desde a fundação da Sociedade. Fôra nomeado, na última assembleia geral, sócio honorário, descerra-se no momento festivo, o seu retrato. Era a consagração, o prémio ao trabalho, à devoção. Aquela homenagem tinha além dessa significação, o exemplo às gerações vindouras que veriam, sempre que houvesse motivo para isso, o preito de reconhecimento da colectividade.
         Nova salva de palmas coroou as palavras de justiça do sr. presidente, sendo o homenageado muito abraçado. Começando a ler o numeroso expediente de felicitações, e sendo dada posse aos novos corpos gerentes, usa da palavra a seguir o sr. dr. José Cruz.
         O paladino da educação e da instrução, orador que põe nos seus discursos um forte cunho de sinceridade, teceu um primoroso hino aos triunfos da Sociedade de Instrução Tavaredense. A mágua que tinha era de não estar nesta festa o grande pau de fileira que é José Ribeiro, a alma da Sociedade. Falou dos seus benefícios, apontando-os, como títulos de glória, aos seus patrícios e incitando à frequência da Associação, para melhor aperfeiçoamento dos caracteres. Admirou a acção, a união, e a disciplina, - base em que devem assentar os alicerces que tornam grandes as pequenas obras, que têm sido o guia orientador daquela prestimosa e benemérita agremiação. Terminando o seu primoroso discurso com palavras de fé nos destinos e triunfos da Sociedade.
         Uma quente ovação abafou as últimas palavras do distinto orador, usando a seguir da palavra o inteligente académico sr. dr. Manuel Lontro Mariano, que começou por associar o entusiasmo da sua mocidade à significativa festa em que eram comemorados 27 anos de vida, que bem podia dizer-se serem 27 anos de intensa luta. Referiu-se, com elevação, aos largos benefícios que trazem às povoações, colectividades que se impõem pela generosidade dos seus programas e pela elevação da sua obra de beleza, em cujo número, com justiça, tem de se contar com a simpática Sociedade de Instrução Tavaredense, rematando o seu fluente discurso com palavras de incitamento e continuidade por tão interessante e proveitosa obra. Nova salva de palmas reboa pela sala, a aplaudir êste discurso, usando, a seguir, da palavra, o distinto professor Rui Fernandes Martins.
         Começa o orador, já tão conhecido das festas da nossa colectividade, a falar daquela festa, a qual não pode deixar de impressionar o seu espírito sempre ávido por aqueles momentos festivos e solenes, que são quási sempre o prémio justíssimo às virtudes daqueles que se entregam a elas, corajosamente, patrioticamente. E redobra de entusiasmo, cresce de vigor, ao evocar a obra educativa da Sociedade, tecendo inteligentemente, sôbre o delicado e transcendente assunto, um formoso discurso.
         Nova e estrondosa ovação se faz ouvir, premiando a valiosa oração de Rui Martins.
         Novamente o sr. presidente usou da palavra, querendo, antes de encerrar a sessão, dirigir as suas saudações a todos quantos cooperaram em tão brilhante festa, tendo palavras de fé no futuro e engrandecimento da patriótica Sociedade.
         A orquestra tocou o hino; soaram mais palmas, vivas, hurras, - e encerrava-se a sessão.
         À noite realizou-se o baile de gala, que terminou na madrugada de segunda-feira, tendo-se notado sempre o mesmo entusiasmo.
         Ao fecharmos esta notícia não queremos fazê-lo sem mais uma vez felicitarmos calorosamente a Sociedade de Instrução Tavaredense, agradecendo a gentileza do convite para as suas brilhantes festas.
         Ao nosso amigo José da Silva Ribeiro, que não assistiu aos festejos por estar doente, foram dirigidas palavras de muita amizade e admiração por parte de todos os oradores.
         Foi nomeado sócio honorário da mesma colectividade, proposta que foi aprovada com uma grande manifestação de carinho e respeito, o grande benfeitor, sr. Joaquim Felisberto da Cunha Soto Maior.
         Como referimos o último espectáculo levado a efeito na sede do Grupo Musical, em 1930, foi na noite de Natal e a última notícia encontrada sobre a actividade desta colectividade, foi em 14 de Fevereiro de 1931 com as comédias A propósito, Casar para morrer e A hospedaria infernal. E em Abril seguinte, ainda houve uma saída a Maiorca, onde foi representado o programa Os dois nénés, Casar para morrer e A herança do 103

Violinda Medina e Severo Biscaia em 'O Rei da Lã' 


          Após a realização de uma matinée dançante, no dia 7 de Fevereiro, abrilhantada por uma magnífica orquestra Jazz-Band, e daquela ida a Maiorca, todas as notícias encontradas passam a referir-se à nova sede, no Paço de Tavarede. E registamos que a amadora Violinda Medina, aceitando um convite formulado pelo Ginásio Figueirense, de que seu marido era grande adepto, foi colaborar com o seu grupo dramático, protagonizando ali duas operetas, O segredo da Aurora e O Rei da Lã.

sábado, 28 de setembro de 2013

O Associativismo na Terra do Limonete - 42

         Igualmente referimos o sexto aniversário do Grupo Musical Carritense. Pela forma como vem servindo a causa que abraçou – educação do povo -, merece que lhe rendamos as nossas homenagens, fazendo votos sinceros para que a tão útil instituição nunca faltem forças para seguir no caminho do progresso, isto é, no engrandecimento de Tavarede.

         Encontrámos o registo da programação de mais duas saídas. Uma do Grupo Musical, que estava a organizar uma excursão a Leiria, com as operetas Noite de Santo António e Entre duas Avé-Marias. Outra, a Sociedade, que em Março de 1930 chegou a ter combinada uma ida a Vizeu com as fantasias O sonho do cavador e A cigarra e a formiga.
Pensamos que nenhuma destas deslocações se concretizou. Da última verificou-se a indisponibilidade da sala na data prevista e quanto à primeira não se encontrou mais qualquer informação na imprensa nem nos registos da associação.

         Este ano de 1930 foi dificil, mesmo dramática para o Grupo, como já referimos. Mas, para finalizar este caderno, iremos agora registar a primeira saída do grupo cénico da Sociedade de Instrução para fora do concelho. Teve lugar em Julho daquele ano, com as fantasias A cigarra e a formiga e O sonho do cavador.


A primeira deslocação a Tomar

         A direcção da simpática Sociedade de Instrução Tavaredense tem fortes razões para sentir-se inteiramente satisfeita com o brilho invulgar, com o êxito verdadeiramente notável da sua última iniciativa: a visita a Tomar.
         Promovendo esta visita, a Sociedade de Instrução não proporcionou somente um passeio magnífico, tanto sob o ponto de vista de beleza como educativo, aos 80 elementos da sua secção teatro: realizou um acto digno de ser considerado pelo que êle representa de valioso no estreitamento de relações entre Figueira e Tomar, na propaganda recíproca das duas cidades.
         Tomar conhece mais a Figueira do que a Figueira conhece Tomar. Ali o número de pessoas que vêm à nossa praia passar o verão é relativamente elevado, constituindo uma colónia em que predominam a admiração e a simpatia pela nossa terra. Com a visita de agora, se esta simpatia naturalmente alastra e se avigora, também é verdade que Tomar conquistou lugar no espírito dos figueirenses, que para a Figueira vieram verdadeiramente encantados. E tanto e de tal maneira, que muitos se dispõem a repetir o passeio e fazem, aliás com verdade, a mais convincente propaganda de Tomar.
         E compreende-se que assim seja!
         Tomar é uma terra privilegiada de beleza. A cidade não é grande. Quem subiu lá acima ao castelo – que panorama de deslumbramento! – vê-a muito aconchegada, as casas encostadas umas às outras, comprimindo-se, afastando-se dum e outro lado das ruas perpendiculares que vão dar ao sopé do monte, partindo da praça em frente da Câmara, até que a vista encontra, lá ao fundo, a corrente verde-azulada do rio, ensombrado de esguios choupos e langorosos chorões. Mas as suas belezas naturais e o valor artístico dos seus monumentos dão-lhe grande e justo renome como verdadeira cidade de turismo que é.
         A paisagem é deslumbradora. Em redor, perdendo-se nos longes, alastra na planície e trepa às encostas a mancha acizentada dos olivedos, sôbre os quais o oiro do sol parece transformar-se em prata.
         Mais perto de nós, nos jardins e nos quintais que ficam dentro da cidade, a vegetação é exuberante, o verde é o fundo sôbre que se projecta e brinca e se transforma a luz.
         Há frescura saudável – Tomar bebe-a constantemente no seu rio pródigo e lindo, fonte de riqueza e de poesia: são as águas nabantinas que alimentam as noras pitorescas que regam hortas e jardins, e cantam nos açudes a canção da energia que movimenta os maquinismos das fábricas, e dão a graça e a ternura ao arvoredo e às sebes das margens acolhedoras que chamam pelo Amor...
         O convento de Cristo é uma jóia que por si só justifica uma visita a Tomar. O espírito sente-se preso no rendilhado daquelas pedras que falam da nossa história – e as horas passam sem que sintamos aproximar o desejo de nos apartarmos de tanta maravilha.
         E o povo de Tomar? A sua franqueza, a sua comunicativa sinceridade, o carinho que não esconde aos seus visitantes, o espírito acolhedor que faz a sua tradição de povo hospitaleiro como nenhum outro o é mais!
         Tomar vivia há cêrca de um mês no pensamento dos promotores dêste passeio. Até que o dia próprio chegou.
         A excursão partiu da Figueira no combóio das 9,50 de domingo, seguindo nela, além dos elementos do grupo teatral da Sociedade de Instrução Tavaredense, muitas outras pessoas da Figueira. Eram cêrca de duas centenas os excursionistas. E muitas mais teriam sido se a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses tivesse concedido facilidades para o transporte. Além das que seguiram pelo combóio muitas pessoas foram da Figueira em automóveis.
         Após uma longa demora na Lamarosa, chega o combóio que conduz a excursão pelo ramal de Tomar.
         Os figueirenses sabiam, contavam que seriam recebidos com simpatia. Mas não podiam esperar a grandiosidade das manifestações que lhes reservavam os tomarenses.
         Finalmente o combóio parou, e uma grande girândola de foguetes estraleja no espaço. Cá dentro, na gare, trocam-se os primeiros cumprimentos estão a comissão de recepção, representantes da Câmara Municipal, das diversas agremiações locais, imprensa, etc.; está também a comissão de gentis senhoras, a quem o presidente da Sociedade de Instrução Tavaredense oferece, em nome dos excursionistas, um lindíssimo ramo de cravos.
         Lá fora, uma multidão enorme aguardava os visitantes. A manifestação é calorosa, ouvindo-se palmas e vivas incessantemente. O estandarte da Sociedade de Instrução cruza com os das associações que ali esperavam. A Tuna Comercial e Industrial de Tomar, a Banda Republicana Marcial Nabantina e a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais executam os seus hinos. E, em meio de grande entusiasmo, forma-se um cortejo imponente em que estão representados, além da comissão de recepção, a Câmara Municipal, Associação Comercial e Industrial, Centro Democrático Tomarense, Clube Tomarense, Grémio Artístico Tomarense, Tuna Comercial e Industrial de Tomar, Banda Republicana Marcial Nabantina, Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, Sporting Clube de Tomar, União Foot-ball Comércio e Indústria, Associação de Classe dos Caixeiros de Tomar, Orfeão Tomarense, jornal “De Tomar”, jornal “Acção”, Liga dos Combatentes da Grande Guerra, os excursionistas e muito povo.
         O cortejo atravessou as ruas da cidade por entre aclamações e vivas. Das janelas pendiam ricas e lindas colchas e as senhoras atiravam flores. Os da Figueira, entusiasmados e reconhecidos, gritavam: - “Viva Tomar! Vivam as senhoras de Tomar! Viva o povo tomarense!” – e logo a multidão correspondia e as muitas centenas de vozes diziam: “Viva a Figueira! Viva a Sociedade de Instrução Tavaredense!”.
         O cortejo, enorme, imponente, as bandas de música e a tuna tocando alternadamente, sobe a Rua de Serpa Pinto, cujo aspecto era deslumbrante. As aclamações sucedem-se e as flores não deixam de caír das janelas engalanadas. Ao desembocar na praça, em frente ao edifício da Câmara Municipal, uma grande girândola de foguetes sobe e estraleja no ar.
         Os excursionistas são recebidos na escada pela comissão administrativa e sobem ao andar nobre. A sala das sessões enche-se rapidamente, ficando a multidão pela escadaria e no largo fronteiro.
         O sr. tenente José da Rocha Mendes, vogal da comissão administrativa que estava servindo de presidente, apresenta saudações de boas-vindas aos visitantes.
         No seu discurso fala das belezas de Tomar, dos seus atractivos como cidade de turismo, dos seus monumentos gloriosos. Afirma a sua simpatia pelos visitantes e faz um elogio rasgado e caloroso da acção educativa da Sociedade de Instrução Tavaredense, promotora desta excursão, lamentando que associações como estas não estejam espalhadas por todo o país. Ao terminar, afirmando o seu desejo de que os visitantes levem de Tomar as mesmas agradáveis impressões que de si hão de deixar, ouviu-se uma entusiástica e prolongada ovação.
         Respondeu José Ribeiro em nome dos excursionistas. Num discurso breve agradeceu as saudações e afirmou o seu reconhecimento perdurável pelo acolhimento mais do que amável, mais do que gentil, porque era sinceramente carinhoso, que lhes dispensava o povo de Tomar e que ali, na Câmara Municipal, tão eloquentemente se ratificava. E, tendo palavras de admiração pela cidade de Tomar, e pelas qualidades afectivas e virtudes cívicas do seu povo, terminou erguendo um viva a Tomar, que foi secundado e aplaudido delirantemente.
         Terminada a sessão de boas-vindas, que foi entusiástica e amistosíssima, o cortejo dispersou.
         Depois de a Direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense ter apresentado cumprimentos no Quartel General, foi recebida, com mais figueirenses que a acompanhavam, no Grémio Artístico, onde lhe foi oferecido um “Pôrto de Honra” pela comissão de recepção, constituída pelos senhores..........
         Trocaram-se entusiásticos brindes por Tomar, pela Figueira, por Tavarede, pelas agremiações de Tomar e pela Sociedade promotora da excursão.
         Esta gentileza da comissão de recepção – que não seria a última! – deixou os visitantes reconhecidíssimos.
         Muitos excursionistas aproveitaram o resto da tarde para visitar os lugares pitorescos da cidade.
         À noite realizava-se no teatro a récita anunciada, na qual o grupo da Sociedade de Instrução Tavaredense representava a fantasia A Cigarra e a Formiga.
         Os visitantes, ao entrarem no teatro, não puderam esconder a sua surprêsa. A sala estava ricamente ornamentada. Mas não era apenas a riqueza da ornamentação que deslumbrava: eram, sobretudo, o seu bom-gôsto e a sua requintada feição artística. No proscénio, suspensas no alto, uma enorme cigarra e uma formiga de igual tamanho eram como que o título da peça que ia representar-se ali no palco. Magistralmente construídas, são um trabalho que honra quem o fez, o sr. Augusto Alves Henriques. E tôda a restante ornamentação, que recebeu a influência e foi dirigida pelo sentimento artístico do sr. Francisco António Ainado, era alusiva à peça. Na ribalta, sôbre a verdura das ervas, viam-se dois carreiros de formigas – curiosíssima estilização – carregando caixas e sacos; a um e outro lado do palco, duas grandes cigarras tocando guitarra, com efeitos de luz eléctrica. No primeiro balcão, em tôda a volta, em quadros encimados por uma cigarra, descrevia-se a fábula de La Fontaine; aqui e ali, sôbre as colchas riquíssimas artisticamente dispostas, mais cigarras; e ainda em tôda a volta – um friso de formigas; e muitas flores artificiais, feitas por mãos delicadas de senhoras, agrupavam-se em lindos desenhos. Tudo isto formava um conjunto raro de beleza, produzindo um efeito deslumbrante.
         Quando subiu o pano, estavam no palco a comissão de gentis senhoras de Tomar – srªs DD.........., alguns elementos da comissão de recepção e os representantes da Sociedade de Instrução Tavaredense, com o estandarte. A orquestra executou o hino desta colectividade, que a assistência saúda com uma carinhosa salva de palmas.
         O sr. dr. Amilcar Tavares Casquilho faz, num discurso brilhante, a apresentação do grupo de amadores tavaredenses e do sr. dr. José Gomes Cruz, que com perfeito conhecimento poderá falar à assistência da acção dêste simpático núcleo. Regosija-se com esta visita, salientando as vantagens que podem resultar dum maior estreitamento de relações entre a Figueira e Tomar, e termina com um viva à Sociedade de Instrução Tavaredense. A assistência aplaudiu demoradamente o sr. dr. Casquilho.
         Respondeu-lhe o sr. dr. José Cruz, que agradeceu as referências feitas e explicou a constituição dêste grupo de amadores da sua terra, falando também sôbre a obra educativa da Sociedade de Instrução. Terminou exprimindo a gratidão que ia no espírito de todos os que vieram a Tomar e aqui tiveram o penhorante e inesquecível acolhimento que lhes foi dispensado. Uma salva de palmas, entusiásticas, demorada se ouviu sôbre as últimas palavras do ilustre tavaredense, palmas que de novo se reacendem quando da comissão de senhoras se destaca a figura gentilíssima da sua presidente e coloca na bandeira da Sociedade de Instrução Tavaredense uma fita comemorativa desta visita. É uma riquíssima fita de sêda preta e vermelha – as côres da cidade de Tomar – primoroso trabalho de pintura do sr. Joaquim Tamagnini Barbosa, figura de prestígio moral pelas suas qualidades e virtudes cívicas e que desta forma se associou às homenagens prestadas pelos tomarenses.
         Seguiu-se a representação da fantasia A Cigarra e a Formiga, cujo agrado foi enorme. Logo no 1º acto, quando terminou o número de apresentação de José Cigarra, a assistência irrompeu na ovação mais calorosa que pode imaginar-se. Os bravos e as palmas demoraram-se com um entusiasmo indescritivel. Muitos números foram bisados e nos finais de acto as ovações atingiram o rubro.
         A assistência, tendo sabido que estava num camarote o distinto artista e poeta Alberto de Lacerda, obrigou-o a vir ao palco. António Simões teve várias chamadas especiais, sendo aplaudidíssimo com admiração e simpatia.
         O teatro estava cheio e os espectadores retiraram com uma impressão de agrado que a ninguém escondiam.
         Tomar tem a sua Misericórdia. É uma instituição benemérita, cujo estabelecimento hospitalar é digno de ver-se. Faz honra à cidade. Não será fácil encontrar melhor, nem sequer igual, em terras como Tomar. Quem o visita traz de lá uma impressão que não esquece. A amplidão dos seus corredores, o asseio irrepreensível, o confôrto que se prodigaliza aos doentes, o bem-estar possível, as enfermarias bem arejadas e cheias de luz, a esplêndida e moderna sala de cirurgia – como a da Misericórdia da Figueira -, tôdas as dependências e instalações bem situadas, conforme o plano geral previamente estudado por arquitecto competente, tudo isto e o mais impressiona bem. E êste notabilíssimo desenvolvimento do hospital de Tomar é obra de relativamente poucos anos. Fez-se com um auxílio dum donativo de 240 contos do benemérito sr. João de Oliveira Casquilho, honrado e bemquisto cidadão felizmente ainda vivo, com mais de 90 anos, e cuja actividade e espírito empreendedor estão bem patentes na sua fábrica de papel da Matrena. Mas esta obra benemérita do hospital deve-se também à sua Mesa administrativa, que tem como provedor o respeitado tomarense sr. João Tôrres Pereira, figura de prestígio cujos cabelos brancos falam dos seus muitos anos dedicação à sua terra; e principalmente, ao distinto médico sr. dr. Cândido Madureira, alma talhada para o bem, dedicando-se inteiramente ao sofrimento alheio. Trabalha no hospital há quási trinta anos, com uma devoção, uma pertinácia e, sobretudo, uma inteligência notáveis. Quando se encontram exemplos como êste do dr. Madureira – que a população tomarense justamente admira com simpatia – não se pode deixar de acreditar na solidariedade e na bondade da alma.
         Pois a Sociedade de Instrução Tavaredense ofereceu à Misericórdia a récita de segunda-feira.
         O teatro encheu-se de novo. O mesmo entusiasmo. A mesma vibração. O mesmo sentimento de carinho a manifestar-se em tudo e em todos. Se na véspera intérpretes, autores e maestro foram aplaudidos e chamados, não o foram com menos entusiasmo no Sonho do Cavador. A excelente orquestra contribuiu poderosamente para o brilho do espectáculo. Justamente foi de novo chamado ao palco António Simões, a quem os espectadores significaram o seu muito agrado pela formosa partitura. E a récita terminou – tendo José Ribeiro proferido algumas palavras de despedida e agradecimento – em meio dum entusiasmo delirante.
         O provedor da Misericórdia e o médico sr. dr. Madureira foram ao palco cunprimentar o grupo.
         O regresso fêz-se na têrça-feira, no combóio que sai de Tomar às 12,35.
         À estação do caminho e ferro foram apresentar despedidas representantes da comissão de recepção e de várias organizações locais. Também ali estiveram os srs. Tôrres Pereira e dr. Cândido Madureira, representando a Misericórdia. À partida do combóio ergueram-se vivas e trocaram-se despedidas que exprimiam a alegria e a saudade, tanto nos que partiam como nos que ficavam.
         Uma outra demonstração de simpatia estava ainda reservada aos excursionistas: um grupo de tomarenses veio de automóvel a Chão de Maçãs, ao encontro do combóio em que a excursão regressava à Figueira, fazendo entrega dum ramo de flores.
         = Os excursionistas, dividindo-se em grupos, visitaram os pontos mais agradáveis da cidade, monumentos, fábricas, etc. Demoraram-se no aprazível parque do Monchão, gozando a sua amenidade; subiram ao castelo dos templários, percorreram o famoso e formoso Convento de Cristo; viram funcionar as fábricas de tecidos de algodão, assistiram ao fabrico de papel no Prado e na Matrena, etc. etc. De tôda a parte trouxeram as impressões mais gratas pelas facilidades que lhes dispensaram.
         = Assistiu aos dois espectáculos o sr. brigadeiro Lacerda Machado, comandante da região, a quem a comissão de recepção apresentou a direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense.
         = Muitas foram as amabilidades recebidas. A firma Joaquim José Soeiro, ofereceu às amadoras do grupo dramático uma caixa de finíssimos rebuçados da sua fábrica “A Preferida”.
         = A direcção do Grémio Artístico foi duma cativante gentileza para com os visitantes, pondo as suas salas inteiramente à sua disposição. No fim dos espectáculos foram ali oferecidos bailes aos componentes do grupo dramático e pessoas que o acompanhavam, dançando-se animadamente, nas duas noites, até cêrca das 5 horas da madrugada.
         = Os excursionistas, que se distribuiram pelo Hotel União Comercial, Pensão Moderna e Hotel Nabão, fazem as melhores referências à maneira como foram tratados.
         = A Sociedade promotora desta visita está reconhecidíssima à comissão de recepção, que foi incansável. A gratidão da Sociedade de Instrução Tavaredense é profunda, e não pode exprimir-se em palavras.
         Merece também os maiores elogios o Sporting Clube de Tomar, que propositadamente não deu espectáculo no domingo.
         Foi ainda importantíssima a colaboração dos briosos rapazes do União Foot-ball Comércio e Indústria, na ornamentação do teatro. Durante noites consecutivas trabalhou-se activamente nas salas dêste clube.
         = O jornal “De Tomar” publicou um número especial que foi distribuído pelos visitantes. A primeira página era-lhes dedicada e trazia uma gravura da praia da Figueira.
         = Regosijamo-nos com o êxito brilhantíssimo desta iniciativa da Sociedade de Instrução Tavaredense. Felicitamo-la.
         E, saudando a hospitaleira cidade de Tomar, formulamos sinceros votos pelo seu progresso.

         Iremos continuar estas recordações num segundo caderno. Ainda nos debruçaremos aos finais da década de 1920 – 1930. Não sabemos se conseguiremos narrar o que de mais marcante se passou na terra do limonete relativamente ao Associativismo. As desavenças foram muitas. E, como sabemos, se a Sociedade de Instrução soube ultrapassar as adversidades, o Grupo Musical foi a grande vítima, vendo-se na necessidade de vender a sua sede e ali continuar como inquilino. Pouco tempo, digamos desde já!


Uma cena de Mãe Maria - Grupo