sábado, 4 de outubro de 2014

Histórias e Lendas - 1

  


São Martinho de Tours
Padroeiro de Tavarede – soldado, monge e santo


            “... de boa mente e de motu próprio fazemos esta carta de doação a ti João Gondezinis ‘do lugar de S. Martinho na vila de Tavarede’”. Este apontamento foi recolhido da carta de doação que D. Elvira Sisnandis e seu marido Martinus Moniz fizeram àquele fidalgo, onde aparece o nome de Tavarede, sendo este o documento mais antigo até hoje encontrado onde está mencionado o nome da nossa terra.

         “... Pelo oriente está aquela várzea que parte com a vila de Tavarede pela penna de Azambujeiro e d’ahi corte no Sovereiro Curvo em direcção à Mamôa; pelo ocidente a villa de Emide; pelo sul estão as salinas do rio Mondego; pelo norte a villa de Quiaios”.

         Analisando o documento referido, verifica-se que então se denominava como ‘a vila de Tavarede’ toda a vasta área que rodeava o pequeno burgo e cujos limites estão referidos no mesmo. A vila propriamente dita denominava-se ‘Lugar de S. Martinho’, orago da terra, presumindo-se que atribuido anos antes de conquista de península ibérica pelos muçulmanos.
“Vida - A sua vida decorreu no século IV, que foi uma época de importantes transformações. Martinho de Tours teve um importante papel nessas mesmas transformações ao ter sido, primeiro, um convertido à religião cristã e, depois, um dos impulsionadores de uma maior cristianização da Europa, cujo processo avançou significativamente no século IV. Ainda em termos de contexto histórico, nasceu três anos após o Edito de Milão promulgado pelo imperador Constantino I no ano de 313, que havia concedido aos cristãos liberdade de culto.
Foi discípulo de Santo Hilário de Poitiers (um dos doutores da Igreja), que se distinguiu na Teologia, e também foi contemporâneo de outro importante doutor da Igreja - Agostinho de Hipona (354-430). Embora Martinho fosse um homem culto, foi na ação prática (caridade, ensino, fundação e construção de igrejas, de mosteiros e de escolas) que se distinguiu.
A sua ação missionária e pedagógica, a par da de outros, foi muito importante na cristianização da Gália (é mesmo apelidado de apóstolo da Gália ou “Pai das Gáliass ), mas também numa área geográfica e cultural mais vasta, tendo esta se repercutido em outras províncias ocidentais do Império Romano. A sua ação educativa, caritativa e religiosa revelar-se-ia fundamental a longo prazo ao ter contribuído para deixar um legado cultural e religioso que perdurou para além da queda do Império Romano do Ocidente (no ano de 476) e que faz parte da formação da própria civilização cristã europeia. Foi um dos fundadores do monaquismo na Europa Ocidental. Devido à sua vida exemplar, ainda em vida foi reverenciado.
Infância - Martinho (Martinus em latim) era filho de um Tribuno, comandante e soldado do exército romano. Nasceu e cresceu na cidade de Sabaria/Savaria (atual Szombathely), localizada na antiga província da Panónia, (atual área da Hungria a oeste do rio Danúbio), em 316, uma província nas fronteiras do Império Romano. A família na qual nasceu não era de religião cristã, a educação da sua família foi feita na religião dos seus antepassados: a da religião politeísta romana antiga (que tinha crença em deuses mitológicos venerados no Império Romano)
Por curiosidade começou a freqüentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porem sem receber o batismo. Aos 10 anos de idade (no ano de 326) entrou para o grupo dos catecúmenos (aqueles que estão se preparando para receber o batismo). Assim, ele despertou para a fé cristã quando ainda menino.

Membro do Exército Romano - Ao atingir a adolescência, aos 15 anos de idade (no ano de 331), para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial contra a própria vontade. Mas se o intuito do pai era afasta-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho, continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade.
Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, (atual França), no entanto, mesmo como soldado da cavalaria do exército romano, jamais abandonou os ensinamentos de Cristo.
Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto, que poderá ter ocorrido no ano de 337, próximo da cidade de Samarobriva/Ambiano (atual Amiens, capital da Picardia). Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Contam os relatos escritos que, durante a noite, o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião
Batismo - Com vinte e dois anos foi batizado (no ano de 338), provavelmente por Santo Hilário, bispo da cidade de Pictávio (atual Poitiers), mas também é possível que o tenha sido pelo bispo de Samarobriva ou Ambiano (atual Amiens), cidade perto da qual ocorreu o célebre repartir do manto a um mendigo.
Monge e Professor - Afastou-se da vida da corte e do exército, tornou-se monge, tendo permanecido na Gália.
No ano de 354, aos 38 anos de idade, chega a Pictavium (Poitiers), para se tornar discípulo do seu famoso bispo - Santo Hilário, que o ordenou diácono. Nesse mesmo ano, parte em viagem de regresso à Panónia, para a sua cidade natal de Sabaria, com o objectivo de se encontrar com a sua família e tentar converter vários dos seus conterrâneos à religião cristã através da pregação e da evangelização. Entre os novos convertidos que fez contaram-se a sua mãe mas não o seu pai, que permaneceu na religião politeísta.
No ano seguinte (355), no entanto, é expulso da Panónia por questões relacionadas com a perseguição movida pelos partidários do arianismo, pois Martinho era um firme defensor do cristianismo católico ou catolicismo.
Durante 5 anos permaneceu isolado, vivendo como monge, numa ilha do Mar Tirreno, na Ilha de Galinária, ao largo da costa de Itália.
No ano de 361, aos 45 anos de idade, Martinho regressou à Gália, no mesmo ano em que Santo Hilário voltou do exílio e regressou à cidade de Pictavium (atual Poitiers). Tendo sabido esta informação, Martinho viaja para essa cidade. Ambos contactam diretamente e Santo Hilário doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Pictavium (Poitiers). Lá, Martinho fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação, que ele construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.
Missionário e Evangelizador - No ocidente, ao contrário do oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização.

 Martinho liderou então a conversão de muitos habitantes da região rural. Com seus monges ele visitava as aldeias pagãs, pregava o evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência fundava um mosteiro com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia.


Dizem os escritos (como os de Sulpício Severo) que, nesta época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava. A sua vida foi uma verdadeira luta contra o paganismo e em favor do cristianismo.

O Associativismo na Terra do Limonete - 96

         E mais uma vez Molière teve uma peça sua em cena. Aqui deixamos um comentário. Molière voltou a Tavarede e parece-nos que em boa hora!
         A noite estava muito fria e chuviscosa, e desaconselhada numa sala sem aquecimento. Contra isso, além do agasalho, sempre pouco e de alguns rebuçados, levava o gosto de ver os amadores de Tavarede e Molière.
         Valeria... entretanto, o risco? Porque, desta vez, havia mesmo risco... Ia levar meu filho ao teatro; era a primeira vez que tal acontecia: como iria reagir ele, nos poucos anos que ainda tem?
         Os primeiros momentos aumentaram as minhas dúvidas: o mobiliário pareceu-me pobre, desirmanado como não é uso em Tavarede; João de Oliveira, um dos melhores elementos do grupo, pareceu-me suportar com dificuldade um papel que lhe não quadraria bem; José Medina, sempre cheio de brio e de coragem – nesse esforço de aplicação, acho-o comparável só a Maria Inês -, não conseguia também imprimir a necessária convicção ao papel que lhe competia; e Amilcar Vitorino, num criado a favor do “jovem enamorado”, não possui ainda, jovem como é, nem voz nem postura própria, no palco...
         A pouco e pouco, porém, as coisas entraram de encaminhar-se. E, ao longo do tempo, João Cascão e Violinda sempre, e João Medina com bastante frequência, tomaram conta da situação: a posição difícil dos outros foi-se esbatendo; e o palco entrou a encher-se de alegria e força bastantes para suportar uma que outra crise, como a da voz suave, mas cheia de monotonia, de Alice Lontro.
         O espectáculo merece, pois, nota positiva. Pessoal, mas sentida: o meu filho seguiu sempre atento o desenrolar da peça, compreendeu-a, riu sem reticências nos melhores momentos cómicos e ainda hoje frequentemente os evoca. De quanto não estará servindo, aos Tavaredenses, a reflexão que têm feito sobre Molière?...
         E a notícia de que estão no fim as representações do “Avarento”, não pode deixar de causar-me pena. Quando tanto se fala em Cultura, é de lamentar que espectáculos como este que Tavarede tem oferecido a todos, não sejam vistos nem apreciados ao menos por uma maioria de estudantes: seriam o melhor complemento de muitas aulas, sobretudo de História e Literatura. Para quando o movimento em tal sentido?

         Sobre esta peça, recordamos que o tradutor da mesma, o ilustre vulto do teatro amador dos Estudantes de Coimbra, Professor Dr. Paulo Quintela, veio propositadamente assistir a um espectáculo. Se o actor faz o espectáculo, o público faz o actor. É assim no sentido do melhor, como no sentido do pior. Isso mesmo esteve à prova no sábado passado, na sala de espectáculos da Sociedade de Instrução Tavaredense.
         Voltámos a Tavarede. Não iamos, propriamente, ver Molière, que já ali nos fora dado semanas antes; iamos ver os Tavaredenses, estar um pouco com eles, no acto do seu encontro com quem lhes fornecera uma versão em cena. Iamos, portanto, no melhor estado de espírito: sobre o espectáculo, já prestáramos as provas, fracas mas bem intencionadas, que haviamos de prestar, quando aqui mesmo, em tempo nos referimos a esta representação de “O Avarento”; desobrigados disso, apenas queriamos fazer companhia aos Tavaredenses, dar-lhes a nossa parte na estima que se lhes deve, pelo quanto de bom têm feito, através do Teatro, pela sua terra e pela Figueira.
         Bem mal avisados iamos, afinal! Porque o nosso espírito crítico foi outra vez provocado, impondo este regresso...
         O actor faz o espectáculo; o público faz o actor...
         Representar deve ser sempre um acto sério, para os amadores de Tavarede; mas representar diante do mestre de Teatro Paulo Quintela, era coisa bem mais grave: imprimia ao acto uma espécie de solenidade...
         Terão sentido isto os Tavaredenses: sentados nos balcões, longe do palco, bem notámos que andava no ar, enchendo a sala, a atmosfera tensa de um dia de exame...
         E a prova foi positiva! As figuras gradas não deixaram de o ser e as mais humildes generosamente deram o melhor de si; certas posições no palco ganharam um pouco de à-vontade, algumas vozes adquiriram naturalidade maior, e a representação subiu toda. Um tal progresso não se deve, seguramente, apenas a um maior número de ensaios.
         Mas o espectáculo desta vez, não findou com o avarento virando costas à vida, dando ao mundo o seu testamento negativo. Talvez determinado pelas palavras com que José Ribeiro abriu a representação, talvez também por esta mesma, e sem dúvida pela chamada que no final lhe foi feita, Paulo Quintela foi ao palco. E deu uma lição.
         As suas profundas raízes no povo, a sua completa escola de teatro, a sua cultura verdadeira, a sua vivência de professor, tudo ali se juntou, para uma lição inteira, com exposição e crítica, com aplauso e apelo.
         Nós, que sabemos tão bem quanto valem estas coisas, estamos certos de que as palavras do Prof. Doutor Paulo Quintela foram o melhor prémio para os Tavaredenses, para José Ribeiro, para os admiradores fiéis do esforço pelo Teatro da SIT, e, até, para alguns que naquela noite ali estiveram só por dever social.
         Num dos intervalos do espectáculo, foram oferecidas lindas flores às Exmas. Esposa e Filha do Prof. Paulo Quintela.
         Após o espectáculo, no salão nobre da Sociedade, realizou-se um beberete, durante o qual usaram da palavra os srs. António Lopes, presidente da Direcção, o Doutor Paulo Quintela e José Ribeiro. Nesse encontro, além dos corpos dirigentes da agremiação, dos artistas amadores e de amigos e familiares do ilustre visitante, lembramo-nos de ter visto os srs. dr. Artur Beja e Esposa, banqueiro Jerónimo Pais e esposa, gravador Moreira Júnior e Esposa, dr. Adelino Mesquita, reitor do Seminário, industrial Freitas Lopes e arquitecto Isaias Cardoso.

         E é também imprescindivel a transcrição de uma nota, escrita por Mestre José Ribeiro, sobre a situação da cultura na Figueira. _ Vocês atordoam-me logo com o primeiro quesito: “Como situa o actual panorama cultural da Figueira? Porquê? Soluções”.
         Certamente vos enganou algum Frei Manuel de Santa Clara, guiando-vos a Tavarede: já aqui não mora aquele D. Francisco de Mendanha, meu vizinho, senhor de larga cultura nas filosofias e que falava e escrevia o italiano e o francês tão bem como o português...
         Cortando cerce a questão: - não me julgo capaz de responder ao quesito formulado. Tentando fazê-lo, sinto-me emaranhado em confusões. Primeiramente, teria de me determinar sobre o que deve entender-se por panorama cultural. Um panorama cultural não será um conjunto de vários aspectos de cultura? Uma alta cultura científica pode não o ser nos domínios da arte; um grande artista plástico, ou músico, ou bailarino, com larga cultura nos domínios restritos da sua Arte, pode desconhecer a cultura científica (digo que pode, não digo que deve); um consagrado escritor, um romancista de génio, podem ser alheios à cultura musical; um grande nome no desporto pode ser glória nacional sem deixar de ser analfabeto...
         Mas se bem interpreto o vosso pensamento, por panorama cultural deve entender-se um conjunto de actividades nos domínios do espírito, aquele conjunto de manifestações intelectuais e artísticas que constituem o que se chama civilização. (Cuidado que também nos civilizados pode haver ausência de cultura...). Sendo assim, responderei que o panorama cultural da Figueira não é brilhante, muito pelo contrário. Digo isto sem esquecer alguns esforços e tentativas que não me canso de aplaudir e convém intensificar: conferências, exposições, concertos musicais, espectáculos de bailado e de teatro, etc.
         ...de teatro.
         Ou muito me engano, ou foi o teatro que vos lembrou Tavarede. Não vejo outro motivo que justifique a minha chamada ao vosso inquérito.
         No que respeita a teatro, andamos realmente muito por baixo. Pode dizer-se que o nível desceu bastante. Não me refiro à qualidade do teatro que se representa, mas à quantidade do público que vê teatro. Há anos atrás, uma Companhia de declamação que viesse à Figueira tinha garantidas duas e até três casas cheias por assinatura, e ainda uma extraordinária. Hoje... com um só espectáculo, a casa fica vazia. As peças não tratam problemas actuais? Os assuntos e a técnica são as do teatro burguês? Desculpas de mau pagador... Peças actuais nos assuntos e arrojadíssimas na técnica e na encenação – ficam às moscas. Ainda não há muito aí esteve uma Companhia com Pirandello: 80 pessoas perdidas, afundadas no vazio dum barracão que levaria mil. E com amadores? Se se não impingem os bilhetes com a circularzinha a pedir aceitação – o público não vai. Uma nossa associação de raiz bem popular e com uma enorme e entusiástica e orgulhosa massa associativa, quis ter Molière na sua festa de anos; e Molière foi-se embora envergonhado com a vergonha de lhe terem virado as costas, deixando-o em cena a fazer rir... as cadeiras vazias.
         O povo foi chamado e levado para outras manifestações culturais. Que o desporto, e portanto o futebol, também entra no panorama cultural. Neste aspecto a Figueira subiu bastante. Já nem lhe faltam cenas de tiros no campo para atingir categoria internacional. No folclore já lá chegámos – a Figueira é internacional (que Lopes Graça nos acuda!)...
         A abundância de campos de jogos confrontada com a míngua de teatros define uma orientação, marca bem uma preferência, não é assim? “O teatro é um grande meio de civilização, mas não prospera onde a não há” – disse Garrett. (Recomendem ao tipógrafo que empregue caixa alta – que os grafadores modernos me desculpem a caturrice – porque eu não me resigno a escrever Garrett com o mesmo g minúsculo com que escrevi grafadores).
         Mas... vamos a ser francos! Não vos parece que o programa cultural da Figueira não o é apenas da Figueira, porque é o panorama geral do país? As mesmas deficiências e desvios que notamos no nosso concelho vêem-se por toda a parte. (Digo concelho, supondo que Vocês, quando dizem Figueira, não pensam apenas na cidade). É verdade que noutras terras há manifestações de arte e de cultura (cá estou eu sem querer a fazer divisões) em que a Figueira se fica muito atrás – e é isto que dói à nossa prosápia bairrista... Por exemplo: a Figueira não tem um teatro. O Peninsular não satisfaz e o Parque é uma vergonha. Quando é que o vosso jornal desencadeia a corajosa campanha meritória que faça derrubar o barracão hediondo que há tantos anos aguarda camartelo?
         Pedem Vocês que eu indique soluções para o panorama cultural! Coisa complexa, que excede as minhas possibilidades. Porque, quanto a mim, o panorama cultural engloba problemas que têm a sua base num problema mais amplo – o da educação. Sim – a educação! Esse é que é o grande, o fundamental problema. Tudo o mais vem daí.
         ... Se as entidades oficiais deveriam debruçar-se...
         Claro. Se o não fizerem não cumprem a sua função. E não apenas as autarquias locais, que o problema não é local, é nacional. Mas cuidado com o debruçar. Debruçar sem perder o equilíbrio, para não caírem, porque se caem, esmagam-nos. Como tem acontecido. Os resultados estão à vista. Aqui, e só no problema do teatro, poderia eu desfiar um longo rosário. Iríamos longe, não digo no tempo... mas no espaço. O silêncio é de ouro, diz o ditado. Eu sinto que é de chumbo.
         Restringindo-me ao panorama cultural da Figueira, penso que a Câmara Municipal, a Comissão de Turismo, as Juntas de Freguesia (coitadas dalgumas, que não têm verbas sequer para tapar os buracos dum caminho) alguma coisa podem e devem fazer, dando incentivo a apoio material a certos empreendimentos susceptíveis de influírem na melhoria do nível cultural do nosso povo; e o mesmo direi dos clubes desportivos, das filarmónicas, das colectividades que têm ou podiam e deviam ter grupos de teatro.
         Que se tem feito neste capítulo?...
         Acode-me agora à lembrança a tão bela e patriótica “Campanha Vicentina”. Fê-la um grande poeta, o mesmo que com enérgica e expressiva palavra, aqui irreproduzível, definiu o estado patológico da alma nacional. Pois Afonso Lopes Vieira conta-nos na sua “Campanha Vicentina” que numa das visitas ao grande pintor Columbano o encontrou a pintar. E enquanto o artista-pintor ia pintando, o artista-poeta desabafava numa elegia sobre os males de Portugal. O artista-pintor continuava a pintar... E o artista-poeta longamente carpiu, chorou e lamentou o abandono das crianças, a tortura dos animais, o estrago das paisagens, a desonra dos monumentos, o desprezo da linguagem... Columbano voltou-se para o poeta, e com a paleta e os pincéis na mão, respondeu: - “Pois eu, por mim, não posso fazer mais”. E continuou a pintar.
         Também eu não posso fazer mais. Mas eu não passo de pilriteiro.
         Só posso dar pilritos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Histórias e... Lendas




Entre outeiros vestidos de verdura,
 Um vale gracioso à vista ocorre
 Onde um claro ribeiro em giros corre,
   Banhando-o de eternal, grata frescura,
                                            .........................................................................................................

Em louvor de Tavarede
Frei Manuel de Santa Clara







         Terra tão velhinha como é Tavarede, com certeza que, por mais histórias que se lembrem e que sejam contadas, haverá sempre algumas mais esquecidas. E então eu, que desde há tantos anos vou rebuscando nas colecções existentes da imprensa figueirense, desde meados do século dezanove, e nos trabalhos que laboriosos e competentes historiadores nos legaram, vou sempre encontrando, ou recordando, novas coisas para contar.
         Não esqueçamos que a nossa terra, a Terra do Limonete como tanto gosto de a chamar, foi o real berço da Figueira da foz do Mondego e que a maior parte dos terrenos por onde a cidade se estende, faziam parte do antigo ‘couto de Tavarede’. Podemos até pensar que, se não tivessem ocorrido as lutas travadas entre o cabido da Sé de Coimbra, a quem o rei D. Sancho I fez doação, e os fidalgos Quadros, que D. João III nomeou ‘senhores de Tavarede’, a nossa terra não seria hoje um pequeno subúrbio da Figueira mas, pelo contrário, uma enorme e progressiva cidade, dominadora de toda esta região.
         Quando D. Elvira Sisnandis, juntamente com seu marido Martim Moniz, governador de Coimbra, fizeram doação ao fidalgo beirão João Gondesendis, denominaram-no como ‘lugar de S. Martinho em Tavarede’. Como todos sabemos este é o documento mais antigo, até hoje encontrado, onde pela primeira vez se refere Tavarede. Foram encontrados, segundo referem alguns historiadores, na antiga câmara de Tavarede, uns velhos pergaminhos os quais ainda se não conseguiram ler. Estarão contados neles os princípios da velha aldeia?
         S. Martinho já era o orago padroeiro de Tavarede. É muito curiosa, e talvez pouco conhecida, a história deste lendário santo. E outros, que se veneram ou veneraram na terra?
         Parece-me interessante recordar essas histórias e lendas, pois são parte integrante da história da ‘terra do limonete’. E algumas outras passadas na nossa aldeia? Os próprios fidalgos tavaredenses também viveram factos de muito interesse e que, embora já conhecidos, são dignos de maior atenção.
         Quem sabe se um dia não surgirá um curioso, tavaredense ou não, que queira estudar e escrever, mais profundamente, o passado de Tavarede? Possam estes meus apontamentos ser proveitosos é o que mais ambiciono, para que a história da minha terra natal nunca seja esquecida.

Verão/2014






 
















O Associativismo na Terra do Limonete - 95

         Encontrámos, em Maio de 1968, uma curiosa nota sobre a actividade teatral em Tavarede. O teatro da SIT pode considerar-se em actividade permanente. Durante o ano inteiro, representando ou ensaiando, os tavaredenses não interrompem a sua actividade de amadores. É uma Companhia que não tem férias.
         Assim é de facto. Comprovam-no algumas notas sobre a actividade do grupo cénico da SIT. Vejamos:      Representado o clássico Molière (As Artimanhas de Scapino), seguiu-se o actual Artur Miller com o drama Todos eram meus filhos.     _ No mês passado terminaram as representações do Médico à Força (novamente Molière, com uma peça para rir).       _ Neste momento já uma nova peça entrou em ensaios de apuro para ser representada muito brevemente: desta vez uma obra de Shakespeare, na adaptação do ilustre dramaturgo, historiador e crítico de teatro, Luís Francisco Rebelo – Dente por Dente.
         É uma peça de muito interesse, que exige tão grandes cuidados e estudo na interpretação das várias personagens (mais de 20 figuras entram do desempenho) como na encenação dos seus 14 quadros – divididos apenas por um intervalo na representação. O guarda-roupa, rico e variado como a obra exige, está a ser preparado pelo consciencioso artista da indumentária Alberto Anahory; e a cenografia foi executada pelo distinto cenógrafo José Maria Marques, da capital.
         Toda a música de cena e a que se ouve na ligação dos quadros, é do tempo de Shakespeare e foi amavelmente facultada à SIT pelo Instituto Britânico em Lisboa.
       
       Pela segunda vez, uma peça de Shakespeare foi levada à nossa cena, Dente por dente. A estreia da peça “Dente por Dente” de Shakespeare, adaptação de Luís Francisco Rebelo, pelo grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense, no último sábado, aguardada com o maior interesse no meio local, ultrapassou toda a espectativa.

Dente por dente

         Desde a interpretação pelo notável conjunto de amadores ao mais pequeno pormenor da montagem, está valorizada extraordinariamente pelo adequado jogo de luzes, maravilhoso guarda-roupa e artísticos cenários, pode afirmar-se que foi um grande espectáculo que o mestre de teatro, que é José da Silva Ribeiro, ofereceu ao público. Antes de subir o pano, dissertou longamente sobre o mérito da obra do genial dramaturgo, sendo muito aplaudido pela numerosa assistência, bem como no final da representação.
         No próximo sábado o memorável espectáculo será repetido na sede da colectividade.
         Apresentamos as nossas saudações a todos os intervenientes na representação pela sua ilimitada dedicação ao Teatro, que, sendo um dos mais poderosos instrumentos de cultura, honra sobremaneira a nossa terra.

         Então, a colectividade entendeu homenagear o dramaturgo Dr. Luiz Francisco Rebelo, tradutor desta peça de Shakespeare. Revestiu-se de excepcional brilhantismo a festa de homenagem ao ilustre dramaturgo dr. Luís Francisco Rebelo, realizada no último sábado na Sociedade de Instrução Tavaredense e promovida pelo seu grupo cénico, que representou a peça “Dente por Dente” de William Shakespeare na adaptação feita pelo homenageado.
         A ampla sala de espectáculos, que se encontrava repleta, oferecia o belo efeito das grandes representações. O brilhante escritor, que se fazia acompanhar de sua esposa, foi recebido com estrondosa ovação por parte da assistência.
         Antes do início do espectáculo, o director do grupo cénico, sr. José da Silva Ribeiro, veio ao proscénio saudar o ilustre visitante. A representação decorreu em bom nível artístico, pois que o festejado grupo de amadores devia ter realizado uma das melhores representações da peça do imortal dramaturgo.
         No final do espectáculo o dr. Luís Francisco Rebelo, acedendo simpaticamente às constantes chamadas do público, desceu ao palco acompanhado pelo Presidente da Assembleia Geral da SIT, sr. Professor Rui Fernandes Martins, para receber as homenagens da assistência, sendo-lhe entregue pela principal amadora, Violinda Medina e Silva, um ramo de flores da nossa terra. A sua esposa já anteriormente havia sido oferecido um vistoso ramo de flores pela gentil menina Otília Maria Medina Cordeiro.
         Ao agradecer as calorosas saudações que a numerosa assistência lhe tributara, o ilustre dramaturgo e historiador do Teatro pronunciou um brilhante discurso, exaltando a notável obra cultural e artística que a SIT vem realizando, a qual considerou surpreendente.
         Seguidamente foi servido a todos os convidados e ao pessoal do palco um abundante “copo de água”, durante o qual fizeram uso da palavra para cumprimentar o ilustre homenageado vários dos presentes. Em suma, os tavaredenses souberam receber na sua modéstia, as deferências que eram devidas ao ilustre autor da peça “O Dia Seguinte” que obteve assinalado êxito no palco da SIT, a quando da sua representação.

sábado, 20 de setembro de 2014

Histórias e Lendas


A partir da próxima semana





O Associativismo na Terra do Limonete - 94

         Em Fevereiro de 1967, nova visita à Marinha Grande. Integrado nas comemorações do 44º aniversário do Sport Operário Marinhense tivemos no dia 18 uma noite de teatro, pelo prestigiado grupo cénico da Sociedade de Instrução Tavaredense.
         Uma vez convidados de honra do S.O.M. – que merece os nossos aplausos por tão louvável iniciativa – e consequentemente da Marinha Grande, pois é com imenso agrado que registamos a visita de tão exemplar sociedade cultural, o Grupo Cénico de Tavarede, cuja direcção artística é da competência do sr. José da Silva Ribeiro, veterano nos segredos da arte de Talma, levou à cena no palco do Teatro Stephens a “revolucionária" peça denominada “O Processo de Jesus”.       Este original, sabiamente interpretado pelos componentes do grupo de Tavarede (que nos deram uma grande lição na arte de representar), é da autoria do famoso dramaturgo italiano Diego Fabri e pode considerar-se uma autêntica peça renovadora do teatro moderno. De facto, Diego Fabri, no “Processo de Jesus” coloca-nos perante um dilema enormemente difícil de compreender, pleno de actualidade, onde todos parecem ter razão. Depois a agitação da peça é de tal calibre, as verdades são tão evidentes, que tudo faz estremecer o mais pacífico de coração. Aliás, segundo nos parece, este facto foi evidente.
         É que, Diego Fabri, o inovador do Teatro Italiano, apresenta a sua tese de um modo invulgar – um à guisa de julgamento, sendo o rei, nada mais nada menos, do que o próprio Cristo. Eis, pois, um pormenor ousado. Cristo como réu! É porque não? A temática em causa é de tal ordem que mais parece vermos todo o século XX a julgar o “Rabi Nazareno”, o Salvador do Mundo. Isto, não obstante os factos apresentados pelos (personagens) contemporâneos Dele – os apóstolos Pedro, Tiago e (o bom patriota) Judas. Depois a “pecadora” Madalena, Lázaro, Caifás e Pilatos.
         Com efeito, estes personagens apresentam cada um o seu depoimento perante o tribunal de um modo extraordinário, segundo a ideologia de cada um, quer política, quer religiosa, e por isso mesmo lógica.
         O debate deu-se de tal forma que, até ao fim do primeiro acto, tudo nos levava a crer que a “condenação” de Cristo seria (de novo) evidente! Realmente, sob o ponto de vista judiciário tudo nos indicava esse caminho.
         Entretanto, no segundo acto, a agitação continuou e até mais intensiva. Mas Diego Fabri apresenta desta vez o “humanismo” a falar. De súbito oferece uma surpresa. Positiva. Lógica. Actual. Para além dos meandros do tribunal – juizes e testemunhas – surge o “público” com o seu ponto de vista, não baseado em argumentos judiciários mas sim no real que a vida nos proporciona no dia a dia. 
         Estabelece-se assim um diálogo dificílimo. Agitador. Comunicativo. Pleno de temática. Arrebatador. Na “plateia” havia uma atmosfera de suspense. Quem teria razão? O personagem “Padre”em pleno desacordo ora com o “Intelectual” ora com o “jornalista”... A “Ruiva” que se considerava uma “espécie” de Madalena não podia concordar com o ponto de vista do “Intelectual”, além de que Cristo era para ela a única salvação?... O “Filho Pródigo” ou o “cego”? Quem teria, de facto, razão se todos tinham algo a dizer?...
         Muito embora este diálogo fosse de um despertar de consciência arrepiante, inquietador, a verdade é que em virtude da inesperada (mas muito sábia) entrada de “A velhinha”, nova personagem quiçá a maior, há um período de bonança, de tranquilidade íntima dadas as palavras que “A velhinha” profere.
         Personificando uma mãe a quem fuzilaram o filho por razões que ela ignorava e, por consequência, se encontrava autenticamente só, mas infinitamente esperançada no “além”, onde sentiu o seu filho, e dotada de uma sincera e profunda fé, a velhinha surgiu no tribunal a fim de solicitar ao mesmo que não condenasse Jesus, enfim, a dar-nos uma verdadeira lição e mãe... A peça teria atingido aqui o seu maior apogeu. Dir-se-ia que era impossível chegar mais longe. De tal forma que até o próprio acusador público, no personagem “David”, acabou por se “render” e cair nos braços enternecedores de “A velhinha”.
         Com efeito, Cristo, acabou por não ser julgado judicialmente. Mas sim “classificado” pelos factos reais da vida humana personificada, no “público”, em síntese, pelo fervor e incomensuridade da fé...
         Tivemos, pois, uma magnifica Noite de Teatro. Só é pena que seja tão raramente quando afinal o nosso público, com consciência ou sem ela, com maior ou menor grau de capacidade, começa a estar presente nestas (educativas) Noites de Ribalta.
         Quanto à actuação do Grupo de Tavarede, uma palavra apenas: foi primorosa! Bom, meio século de teatro é muito. É sinónimo de longa aprendizagem. Há muito saber nos seus componentes. Os nossos aplausos, portanto, à Sociedade de Tavarede, mormente ao sr. José da Silva Ribeiro, a pedra básica deste grupo – homem dotado de uma extraordinária perseverança e que desde há longos anos vem dirigindo o Grupo Cénico de Tavarede como só ele sabe.
         Para quando nova noite de Teatro com o elenco de Tavarede? Oxalá seja breve...
          Inaugurada em 1961, a sala de espectáculos da SIT festejou os seis anos do novo palco, com uma nova comédia de Molière. Tal acontecimento mereceu o seguinte comentário: A Sociedade de Instrução Tavaredense, a popular SIT, de Tavarede, distinguiu-se sempre pelo seu amor ao teatro, a par de outras actividades importantes (nas suas salas chegou a funcionar uma escola nocturna onde se cuidava da educação dos seus associados. De roupagem diferente essa escola mantém-se: é ou não verdade que os tavaredenses participam do ensino adquirindo cultura através do teatro?! E não só os tavaredenses.
         Em 16 de Dezembro de 1961, com a estreia da sala de espectáculos, em edifício construído com o esforço e a dedicação dos seus associados e amigos e com o valioso subsídio que lhe foi concedido pela Fundação Calouste Gulbenkian, a SIT ligou-se ainda mais ao teatro.
         E melhor peça não podia ter sido escolhida para momento tão feliz: com "Chá de Limonete" prestava-se homenagem a Tavarede: falava-se de factos, de episódios, de figuras, de costumes, de paixões, de grandezas e de misérias, de belezas naturais e de fealdades humanas que são a história e a lenda, a etnografia e o folclore - que são a vida daquela aldeia velhinha, porque tudo isto sugere "Chá de Limonete"; porque isso bem o viu - e escreveu - o autor no prefácio da peça; porque esse autor - José Ribeiro, extraordinário homem de teatro - atingiu os seus fins manifestados de dar um testemunho da sua dedicação à terra humilde onde nasceu e tem vivido, ficando "Chá de Limonete" como hino ao trabalho rural e também como afirmação da simpatia que vota e da solidariedade que o liga aos homens da enxada da sua aldeia, incessantemente cavando o amargo pão de cada dia em terras que não são suas.
         Evocar o ensaiador do grupo cénico de Tavarede é descabido. A sua acção permanente da SIT tem sido notável, como notável tem sido o seu permanente apoio a todas as direcções, as quais contam com a colaboração do distinto ensaiador e dos elementos do grupo cénico para poder levar por diante uma actividade inegável no capítulo da cultura e da educação popular.
         Nos seis anos que vão agora completar-se, o grupo cénico representou: GIL VICENTE: Monólogo do Vaqueiro, Pranto da Maria Parda, Farsa do Velho da Horta, D. Duardos, Auto da Barca do Inferno, Auto da Feira e Fragmentos do Auto Pastoril Português, Romagem de Agravados, e Breve Sumário da História de Deus; ALMEIDA GARRETT: Frei Luís de Sousa; VASCO DE MENDONÇA ALVES: A Conspiradora; LUÍS FRANCISCO REBELO: O Dia Seguinte; ALLAN LANGDON MARTIN: O Fim do Caminho; SHAKESPEARE: Romeu e Julieta; SIGFREDO GORDON: Omara; MOLIÉRE: As artimanhas de Scapino; PIRANDELLO: Para Cada Um Sua Verdade; DIEGO FABRI: O Processo de Jesus; ARTUR MILLER: Todos Eram Meus Filhos. A primeira representação do novo teatro fez-se com a peça de carácter local Terra do Limonete, que teve a sua estreia em 16 de Dezembro de 1961 e deu 33 representações na sede.
         O número total de representações na sede, com as obras mencionadas e durante este período de 6 anos, foi de 80; e fora da sede, a favor de instituições de beneficência ou de actividade inegável no capítulo utilidade pública, o número de representações foi de 24.
         A Sociedade de Instrução Tavaredense fez a comemoração do centenário de Gil Vicente com um programa vicentino que representou em Tavarede e na Figueira da Foz e associou-se à comemoração do centenário de Shakespeare em Portugal, da iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian, representando Romeu e Julieta; assinalou o Dia Mundial de Teatro com um espectáculo na Figueira da Foz oferecido ao público pela Biblioteca Pública Municipal, em 27 de Março de 1963 e assinalou o mês o Dia Mundial de Teatro em 1966 com uma Conversa sobre Teatro na qual intervieram alguns assistentes; elaborou uma Noite de Teatro Português para os congressistas das Jornadas Médicas da Figueira da Foz, com o seguinte programa: Teatro Vicentino: Visitação e Pranto da Maria Parda; Teatro Romântico: 2º. acto de Frei Luis de Sousa; Teatro Moderno: O Dia Seguinte.

         E é com o novo programa agora em ensaios - "O Médico à Força", de Molière - que a Sociedade de Instrução Tavaredense completa seis anos de actividade intensa utilizando o seu novo e belo teatro.