sábado, 11 de outubro de 2014

Histórias e Lendas - 2

Bispo - Quando a diocese de Cesaroduno, também conhecida por Civitas Turono (atual Tours), na Gália (atual França), ficou vaga, no ano de 371, tinha Martinho 55 anos, o povo o aclamou por unanimidade para ser o bispo, no entanto, pessoalmente preferiria recusar o cargo.
Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica, visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade fundou outro mosteiro, denominado Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, mas se expandiu por toda a Gália (atual França) e para além desta em outras províncias do Império Romano, tornando-o querido e amado por todo o povo.
Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos. Já idoso, aos oitenta e um anos de idade, Martinho, Bispo de Tours, ainda afirmava: Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade. Estava na cidade de Condate (atual Candes), perto de Tours, quando morreu no dia 8 de novembro de 397, aos oitenta e um anos de idade.
Relatos Biográficos - A vida de São Martinho é sobretudo conhecida devido aos escritos de Sulpício Severo (c.360-c.420), que foi seu discípulo e amigo, e de Gregório de Tours (538-594), que também foi bispo de Tours mas duzentos anos mais tarde.
Sulpício Severo escreveu a obra A vida de São Martinho (Vita Martini, em latim) que é o relato da sua vida que melhor informação nos dá mais próxima da época em que ele viveu, embora Sulpício lhe tenha acrescentado diversas lendas e prodígios. Esta obra teve grande divulgação pelas províncias do Império Romano e, mais tarde, tornou-se uma das mais famosas biografias de santos (hagiografia) da época medieval europeia, tendo esta contribuído ainda mais para o conhecimento e fama acerca de São Martinho.
Importância - Venerado como São Martinho de Tours, tornou-se o primeiro Santo não mártir a receber culto oficial da Igreja e tornou-se um dos Santos mais populares da Europa medieval.
Quatro mil igrejas são dedicadas a ele na França, e o seu nome dado a milhares de localidades, povoados e vilas; como em toda a Europa, nas Américas, enfim, em muitos países do mundo.
É em Tours, na França, que está o seu santuário e basílica que parte das suas relíquias dentro do braço erguido de uma enorme estátua, que o representa a abençoa.
Discorrendo sobre ele, o Papa Bento XVI disse: O gesto caritativo de São Martinho se insere na lógica que levou a Jesus a multiplicar os pães para as multidões famintas, mas sobretudo a dar-se a si mesmo como alimento para a humanidade na Eucaristia. (...) Com esta lógica de compartilhar se expressa de modo autêntico o amor ao próximo. (Alocução do Ângelus, de 11 de novembro de 2007).

Curiosidades - Ele instituiu a primeira escola e transformou o local – que hoje é a cidade de Tours.
Sobre o túmulo de S. Martinho, por estar agoniado pela perspectiva da batalha de Tolbiac contra a temível horda dos alamanos (ano 496), o rei Clóvis prometeu converter-se ao “Deus de Clotilde”, sua mulher católica, se obtivesse a vitória. Como venceu miraculosamente e foi baptizado junto com os seus soldados no Natal, do mesmo ano.
A família real francesa recebeu o nome de “Capeto” por ter recebido, há mais de um milénio, um pedaço da sua célebre capa como relíquia e pela circunstancia histórica explicada acima que fez nascer a primeira nação cristã da Europa.
Foi de tal maneira cultuado, que o templo onde ela se venerava que recebeu o nome de “capela”, palavra hoje largamente generalizada.
Em resultado da Revolução Francesa foi demolida a sua basílica, que já tinha sido restaurada devido a circunstancias idênticas pelos protestantes, mas que desta vez os "revolucionários" fizeram passar uma rua por cima do túmulo, a fim de garantir que ele fosse esquecido definitivamente. Apenas no século XIX um aristocrata francês, conhecido como “o santo homem de Tours”, promoveu pela França uma cruzada para sua reparação conseguindo-o.
Santo Padroeiro - São Martinho é padroeiro de diversas profissões (antigas e modernas) que são as seguintes: curtidores, alfaiates, peleteiros, soldados, cavaleiros, restauradores (hotéis, pensões, restaurantes), produtores de vinho.
Também é o padroeiro dos mendigos.
Festa de São Martinho - Sua festa é comemorada no dia 11 de Novembro, data em que foi sepultado na cidade de Tours.

Há diversas tradições festivas associadas a esta data e que se relacionam com um espírito de convívio e de solidariedade. Algumas dessas tradições são: comer a chamada oca de São Martinho (um ganso); beber do vinho novo (guardado após as vindimas), chamado vinho de São Martinho; o acender de fogos de festa: os fogos de São Martinho. Também associados à festa de São Martinho há dois ditos: ‘No dia de São Martinho bebe o vinho e deixa a água correr para o moinho’ e ‘No São Martinho vai à adega e prova o vinho’.

O Associativismo na Terra do Limonete - 97

         Mais uma homenagem foi prestada pela Sociedade de Instrução. Foi em Fevereiro de 1969. Realizou-se, no último sábado, na Sociedade de Instrução Tavaredense a festa de homenagem a D. Maria Teresa de Oliveira, uma das mais antigas e distintas amadoras, que há mais de 50 anos vem prestando a sua valiosa colaboração ao grupo cénico.
         O espectáculo era dividido em três partes, sendo a primeira constituida por Teatro Vicentino – “Quem Tem Farelos?” e “Pranto de Maria Parda” e a segunda parte por quadros extraídos das festejadas peças “Chá de Limonete” e “Terra do Limonete”, cujas representações os sócios muito apreciam, não só pelos seus interessantes diálogos como ainda por serem musicados.
         A terceira parte foi exclusivamente dedicada a Maria Teresa de Oliveira.
         Festa encantadora, sensibilizante, das melhores, pelo seu significado, a que nos tem sido dado assistir na prestante colectividade da terra do limonete.
         O Presidente da Direcção, em breves palavras, disse das razões justificativas da homenagem, tecendo os maiores encómios a Maria Teresa de Oliveira pela sua proverbial bondade, naturalidade e firmeza com que, durante a sua longa vida de amadora teatral, soube interpretar as muitas figuras que lhe eram distribuidas pelo seu competente e exigente ensaiador, seu irmão sr. José da Silva Ribeiro.
         A Senhora professora drª Cristina Torres, congratulando-se com a feliz iniciativa da Direcção e de alguns amigos e dedicados directores da SIT fez, em termos que muito sensibilizaram a assistência, a apologia das excelsas virtudes de Maria Teresa de Oliveira e da sua extraordinária dedicação ao Teatro,
  A terminar, a assistência tributou à srª drª. Cristina Torres grande ovação.
    João de Oliveira Junior leu a mensagem escrita em pergaminho, que foi entregue à homenageada numa artística pasta executada pelo consócio e grande amigo da SIT, sr. Sebastião Pimentel.
Ouviram-se, então, as entusiásticas manifestações do público, enquanto a Maria Teresa de Oliveira, comovida, recebia das mãos da engraçada menina Ana Maria Bernardes Caetano, expressiva lembrança, oferta da comissão organizadora, e flores, muitas flores, das meninas e amadoras que a rodeavam. De notar os lindos ramos de cravos que lhe foram entregues, um da comissão, e outro, do grande amigo da colectividade, sr. Alberto Anahory, que propositadamente se deslocou de Lisboa para se associar à justíssima homenagem.
         Entre a vária correspondência recebida destacava-se uma carta do sócio honorário da SIT, sr. Anselmo Cardoso, na qual enviava saudações amistosas e de admiração pelas excelentes qualidades morais e de amadora distinta da homenageada, sentindo não estar presente por o seu estado de saúde o não permitir.

         Depois de apresentar uma peça de um autor português, Alguém terá de morrer, de Luiz Francisco Rebelo, coube a vez de uma nova comédia de Molière, O tartufo. O génio de teatro, que se chamou Molière, há anos já foi descoberto por José Ribeiro, que generosamente o tem vindo a ensinar no seu belo palco de Tavarede, a todos quantos o representam ou vêm representar. Foram, primeiro, “As Artimanhas de Scapino”; depois, “O médico à força” e “O avarento”; agora será “Tartufo”, uma das mais famosas e estudadas peças do maior comediógrafo francês.
         A fama e o estudo são justos, até na medida em que Tartufo, o falso devoto de toda a ideologia, nem por sombras é uma figura histórica: ele aí está, pleno de vitalidade e próspero; vive no meio de nós, cruza-se connosco na rua, nas repartições, nos recintos de diversão, na igreja; passa e repassa, fazendo o seu governo à custa dos incautos; maneja a hipocrisia com subtil perícia e arrojo; no respeitante a processos, claro que tem evoluído com o tempo, que o mesmo é dizer, progredido muito sensivelmente...
         Pois é essa a figura que uma vez mais hoje se desmascarará perante um público sempre fiel, no palco da Sociedade de Instrução Tavaredense.
         Como será, desta vez?... Continuarão aqueles valentes amadores a ser capazes de representar Molière? Quem não gostará de ir hoje a Tavarede?
         Mais uma vez, a representação foi um êxito: casa praticamente cheia, interessada, vivendo ao sabor da acção que no palco ocorria, rindo muito nos momentos de rir, sentindo menos os momentos de sentimento.
         É natural esta diferença, quando está em cena uma peça do génio comediógrafo de Molière. Mais natural é ainda também no grupo de Tavarede, uma vez que, na obra, as cenas de maior expressão sentimental cabem aos jovens, enquanto as de efeito cómico couberam aos mais velhos, que ainda hoje dentro do grupo se impõem decididamente, ou só pela superior prática e vivência de palco, que todos têm, ou também pela maior capacidade artística que alguns deles incontestavelmente possuem. Sob a pressão do momento, estamos ainda a lembrar-nos muito bem de todos: de João Medina (Orgon), de José Luís do Nascimento (Cleanto), de Fernando Reis (Meirinho)...; mas, para exemplificação do pensamento antes expresso, recordemos outros.
         Recordemos Maria Teresa de Oliveira (Mme. Pernelle), essa extraordinária artista que, mau grado o destroço que nela causa a doença, ainda consegue excepcionais apontamentos, sobretudo em atitudes e jogo fisionómico!
         Recordemos João Cascão que, em cinco minutos de cena, no brevíssimo desempenho de um (Leal) oficial de diligências, é o exemplo acabado do artista perfeito num papel que lhe quadra.
         Mas recordemos também João de Oliveira Júnior, por ser um caso diferente dos anteriores: mau grado outra vez vestido numa pele que lhe não cai bem – um “Tartufo” não “de carne e osso”, como algures na peça de diz, mas exclusivamente “osso”; uma figura naturalmente hirta, boa para asceta ou marcial, para crítico ou homem de ciência exacta, metida na personagem que se presume untuosa e anafada do hipócrita oportunista e cruel -, às vezes conseguiu mesmo integrar-se no papel, para acabar muito bem, na atitude de vencido.
         Recorde-se, por último, Violinda, toda dentro da função, a representar sempre, mesmo quando é mera figura de fundo. Esta mulher põe em risco de desequilíbrio toda a cena em que entra, uma vez que as restantes personagens, se se descuidam, podem desaparecer, apagadas pela sua presença superior!
         Eis por que as demais figuras, as mais jovens do elenco, estão em nítida desvantagem, neste novo jogo de Molière. Vale-lhes o não se entregarem vencidas, desempenhando sempre o melhor que sabem e podem os seus papéis: José Medina (Damis), Maria Inês Lavos (Elmira), e Rosa Maria da Silva (Mariana), por exemplo, tiveram momentos francamente bons, os dois primeiros às vezes já muito mais naturais do que em representações anteriores.
         Mas, repetimos, aqui os jovens estão com os papéis mais difíceis de salvar, pois são quase todos de sentimento, e o primeiro tom da peça é de comicidade aberta.
         Sente-se, de resto, neste precioso grupo amador, uma crise de gerações: entre os mais velhos do palco e os novos nele, falta uma meia-idade; de onde, talvez, o desequilíbrio a que acabamos de aludir. Onde estarão os sucessores directos e naturais dos “velhos”?... Parece-nos que seria necessário aos jovens que lá andam que amadurecessem teatralmente depressa, muito depressa. E estará isso ao seu alcance?...
         Supomos que a resposta pode ser de esperança. E damo-la precisamente quando vamos falar de António Manuel Morais, que esta noite, supomos, fez a sua estreia.
         Embora secundário, o papel de “Valério” exigia mais do que podia dar-lhe o seu intérprete: é a movimentação no palco; sobretudo, são os braços, ao mãos, as atitudes. Isso é difícil, de facto! E, não obstante, António Morais conseguiu um desempenho meritório; sobretudo, possui uma voz estimável, capaz de modulações curiosas, e já diz bastante bem. Estudante, como é, aproveite essa excepcional vantagem e leia muito teatro, mesmo só para si; diga-o em voz alta e represente-o, mesmo só para si; faça isso em casa; ouça o parecer dos pais; a mãe talvez possa dar-lhe preciosa ajuda no assunto, professora como é. Acreditamos que, se quizer trabalhar com inteligência, aplicação e humildade, em breve estará com os restantes jovens do grupo, realizando o tal amadurecimento rápido que nos parece necessário. Se puder, faça isso e ajude a fazer.
         Estamos convencidos de que José Ribeiro precisa de todos os seus amadores vivos: os de agora, os que já foram, e os que podem sê-lo. Precisa de todos e merece-os. Que ele tem dado a Tavarede o melhor que alguém pode dar a outrem: cultura.


sábado, 4 de outubro de 2014

Histórias e Lendas - 1

  


São Martinho de Tours
Padroeiro de Tavarede – soldado, monge e santo


            “... de boa mente e de motu próprio fazemos esta carta de doação a ti João Gondezinis ‘do lugar de S. Martinho na vila de Tavarede’”. Este apontamento foi recolhido da carta de doação que D. Elvira Sisnandis e seu marido Martinus Moniz fizeram àquele fidalgo, onde aparece o nome de Tavarede, sendo este o documento mais antigo até hoje encontrado onde está mencionado o nome da nossa terra.

         “... Pelo oriente está aquela várzea que parte com a vila de Tavarede pela penna de Azambujeiro e d’ahi corte no Sovereiro Curvo em direcção à Mamôa; pelo ocidente a villa de Emide; pelo sul estão as salinas do rio Mondego; pelo norte a villa de Quiaios”.

         Analisando o documento referido, verifica-se que então se denominava como ‘a vila de Tavarede’ toda a vasta área que rodeava o pequeno burgo e cujos limites estão referidos no mesmo. A vila propriamente dita denominava-se ‘Lugar de S. Martinho’, orago da terra, presumindo-se que atribuido anos antes de conquista de península ibérica pelos muçulmanos.
“Vida - A sua vida decorreu no século IV, que foi uma época de importantes transformações. Martinho de Tours teve um importante papel nessas mesmas transformações ao ter sido, primeiro, um convertido à religião cristã e, depois, um dos impulsionadores de uma maior cristianização da Europa, cujo processo avançou significativamente no século IV. Ainda em termos de contexto histórico, nasceu três anos após o Edito de Milão promulgado pelo imperador Constantino I no ano de 313, que havia concedido aos cristãos liberdade de culto.
Foi discípulo de Santo Hilário de Poitiers (um dos doutores da Igreja), que se distinguiu na Teologia, e também foi contemporâneo de outro importante doutor da Igreja - Agostinho de Hipona (354-430). Embora Martinho fosse um homem culto, foi na ação prática (caridade, ensino, fundação e construção de igrejas, de mosteiros e de escolas) que se distinguiu.
A sua ação missionária e pedagógica, a par da de outros, foi muito importante na cristianização da Gália (é mesmo apelidado de apóstolo da Gália ou “Pai das Gáliass ), mas também numa área geográfica e cultural mais vasta, tendo esta se repercutido em outras províncias ocidentais do Império Romano. A sua ação educativa, caritativa e religiosa revelar-se-ia fundamental a longo prazo ao ter contribuído para deixar um legado cultural e religioso que perdurou para além da queda do Império Romano do Ocidente (no ano de 476) e que faz parte da formação da própria civilização cristã europeia. Foi um dos fundadores do monaquismo na Europa Ocidental. Devido à sua vida exemplar, ainda em vida foi reverenciado.
Infância - Martinho (Martinus em latim) era filho de um Tribuno, comandante e soldado do exército romano. Nasceu e cresceu na cidade de Sabaria/Savaria (atual Szombathely), localizada na antiga província da Panónia, (atual área da Hungria a oeste do rio Danúbio), em 316, uma província nas fronteiras do Império Romano. A família na qual nasceu não era de religião cristã, a educação da sua família foi feita na religião dos seus antepassados: a da religião politeísta romana antiga (que tinha crença em deuses mitológicos venerados no Império Romano)
Por curiosidade começou a freqüentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porem sem receber o batismo. Aos 10 anos de idade (no ano de 326) entrou para o grupo dos catecúmenos (aqueles que estão se preparando para receber o batismo). Assim, ele despertou para a fé cristã quando ainda menino.

Membro do Exército Romano - Ao atingir a adolescência, aos 15 anos de idade (no ano de 331), para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial contra a própria vontade. Mas se o intuito do pai era afasta-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho, continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade.
Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, (atual França), no entanto, mesmo como soldado da cavalaria do exército romano, jamais abandonou os ensinamentos de Cristo.
Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto, que poderá ter ocorrido no ano de 337, próximo da cidade de Samarobriva/Ambiano (atual Amiens, capital da Picardia). Um dia um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Contam os relatos escritos que, durante a noite, o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião
Batismo - Com vinte e dois anos foi batizado (no ano de 338), provavelmente por Santo Hilário, bispo da cidade de Pictávio (atual Poitiers), mas também é possível que o tenha sido pelo bispo de Samarobriva ou Ambiano (atual Amiens), cidade perto da qual ocorreu o célebre repartir do manto a um mendigo.
Monge e Professor - Afastou-se da vida da corte e do exército, tornou-se monge, tendo permanecido na Gália.
No ano de 354, aos 38 anos de idade, chega a Pictavium (Poitiers), para se tornar discípulo do seu famoso bispo - Santo Hilário, que o ordenou diácono. Nesse mesmo ano, parte em viagem de regresso à Panónia, para a sua cidade natal de Sabaria, com o objectivo de se encontrar com a sua família e tentar converter vários dos seus conterrâneos à religião cristã através da pregação e da evangelização. Entre os novos convertidos que fez contaram-se a sua mãe mas não o seu pai, que permaneceu na religião politeísta.
No ano seguinte (355), no entanto, é expulso da Panónia por questões relacionadas com a perseguição movida pelos partidários do arianismo, pois Martinho era um firme defensor do cristianismo católico ou catolicismo.
Durante 5 anos permaneceu isolado, vivendo como monge, numa ilha do Mar Tirreno, na Ilha de Galinária, ao largo da costa de Itália.
No ano de 361, aos 45 anos de idade, Martinho regressou à Gália, no mesmo ano em que Santo Hilário voltou do exílio e regressou à cidade de Pictavium (atual Poitiers). Tendo sabido esta informação, Martinho viaja para essa cidade. Ambos contactam diretamente e Santo Hilário doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Pictavium (Poitiers). Lá, Martinho fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação, que ele construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.
Missionário e Evangelizador - No ocidente, ao contrário do oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização.

 Martinho liderou então a conversão de muitos habitantes da região rural. Com seus monges ele visitava as aldeias pagãs, pregava o evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência fundava um mosteiro com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia.


Dizem os escritos (como os de Sulpício Severo) que, nesta época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava. A sua vida foi uma verdadeira luta contra o paganismo e em favor do cristianismo.