Vejo, entre os consultores do meu blogue, países como Indonésia, Rússia, etc.
Será por engano ou viverão por lá tavaredenses saudosos da sua velha aldeia?
Peço resposta, por favor.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Histórias e Lendas - 21
Documentos curiosos
Livros e cadernos manuscritos
– Dr. Mesquita de Figueiredo –
Festas a S. João – Carta ao Governo Civil de Coimbra
Achando-se
muito próxima a festividade de S. João Baptista, que deve ter lugar no dia 24
do corrente, e sendo esta vila uma das terras do Reino em que se festeja com
grande entusiasmo aquele dia, havendo grupos de mascarados, que pode dizer-se
quase todos os habitantes da vila se mascaram, não contando com os que de fora
dela reunem na véspera e dia de S. João, acontecendo outrotanto na véspera e
dia de S. António, cujo costume é antiquíssimo nesta terra; e sendo certo que
semelhantes reuniões de mascarados, em presença das circunstâncias actuais,
podem ser causa de tumultos e desordens, e até de vinganças particulares, sendo
impossivel tomar medidas de prevenção ou repressão contra os abusos que podem
praticar-se; por isso julgo de meu dever levar tudo isto ao conhecimento de V.
Exª. afim de providenciar de pronto, para que aquela festa, tanto da Igreja
como de mascarados, seja transferida e reservada para uma época mais
conveniente.
Figueira, 11 de Junho de 1896 – O
administrador do concelho.
Carta
à G. N.
Costumando os habitantes desta terra
festejar com grande entusiasmo os dias e vésperas de Santo António e S. João
Baptista, fazendo fogueiras pelas ruas, em roda das quais se divertem, apinham
muitos grupos de mascarados, divertindo os circunstantes com várias lembranças,
e como semelhantes reuniões podem resultar desordens; e muito principalmente
nas circunstâncias actuais, em que os espíritos se acham exaltados em virtude
do movimento nacional que teve lugar em todo o Reino; por isso é muito
conveniente, afim de que a ordem e tranquilidade pública em nada seja alterada,
V. Sª., visto ser hoje véspera do dia de Santo António, se digne dar as
melhores providências, escolhendo dentre os indivíduos que voluntariamente se
alistaram no Batalhão da Guarda Nacional, aqueles que mais confiança lhe
merecerem, afim de percorrerem as ruas desta vila, armados implesmente de suas baionetas,
afim de manterem a boa ordem, que deve haver em semelhantes divertimentos.
Figueira, 12 de Junho de 1896 – O
adsministrador do concelho.
(Caderno
17 – páginas 56 e 57)
INQUÉRITO
Resposta a um inquérito ordenado pelo
Governo Civil de Coimbra, de 5 de Novembro de 1835. Responderam os párocos da
Figueira e Vila Verde, não respondendo o de Tavarede ‘por não haver já há
tempos’.
1 – Os filhos principiam a ser de
alguma utilidade a seus pais depois dos catorze anos;
2 – Podem os homens gozando
completamente de suas forças entregar-se ao trabalho na idade de 18 anos a 20;
3 – Neste concelho dão-se os homens
a trabalho, particularmente do mar, em idade bem tenra, e não é regular que semelhante
prática os prejudique na saúde;
4 – Os casamentos costumam
celebrar-se ordinariamente entre de 20 a 30 anos;
5 – Costumam os mesmos (termo média)
de produzir de 5 a 7 filhos, não há esterilade notável nos sexos, antes há
bastante fecundidade, devida talvez à natureza dos alimentos, por ser quase
toda de uma natureza quente;
6 – Principiam os sexos a ser
prolixos dos 14 anos por diante, e deixam de o ser as mulheres dos 45 a 55 e os
homens de 60 a 70;
7 – Deixam de ser próprios para o
trabalho os indivíduos de ambos os sexos depois de 60 anos;
8 – O ar é puro e saudável;
9 – Não há pântanos;
10 – Os vícios mais frequentes são a
embriaguês e a este mesmo se não é grandemente dado;
11 – Tem havido bexigas;
12 – Não há inundações que produzam
prejuizos;
13 – Não há indigentes propriamente
ditos, que o sejam por causa de serviços feitos à legitimidade ou por causa da
usurpação.
Figueira 24 de Maio de 1836 – O
administrador do concelho, António Manuel da Cruz Rebelo.
Notícia do Couto de Tavarede
Notícia
do Couto de Tavarede e Figueira da foz do Mondego, que é sufragâneo à
jurisdição crime da vila de Montemor-o-Velho, dado ao Juiz de Fora e Câmara da
mesma vila, o Juiz Ordinário do dito Couto Manuel Fernandes da Esperança e
escreveu e subscreveu o escrivão da comarca do mesmo Couto, Nicolau Pedrosa de
Matos, com data de 20 de Março de 1721:
No
cartório da Câmara deste Couto não se acham livros antigos, acham-se, sim, vários
pergaminhos escritos e selados com selos reais de diferentes armas, cuja letra
se não pode ler por ser antiquíssima e escura, e por isso se não pode saber do
que tratam, nem há livro nem tradução dos ditos pergaminhos.
Este
Couto de Tavarede tem 90 fogos, com alguns casais circumvizinhos a este mesmo
Couto, ao qual pertence o lugar da Figueira da foz do Mondego, que é sujeito a
esta vara em todas as matérias cíveis, o qual lugar tem 157 fogos, e uns e
outros fazem 247 fogos, e tudo é jurisdição cívwl da vara deste Couto.
Os
direitos reais que lográra dos senhores reis até ao tempo do sr. Rei D. Sancho,
foram dados por ele ao Abade Pedro, cónego do Cabido da Sé de Coimbra, a qual
doação foi confirmada pelo sr. Rei D. Manuel, como melhor há-de constar dos
papéis e doações que o mesmo Cabido tem em seu poder, e também consta do Foral
deste dito Couto, dado pelo mesmo Rei D. Manuel, com declaração dos direitos
que se pagam ao Cabido de Coimbra, que são dízimos, oitavas e portagens.
Não
se acha memória, nem há tradição alguma acerca da antiguidade deste Couto, nem
seu princípio e primeiros habitantes, salvo se consta dos pergaminhos que se
não sabem ler e estão no Cartório desta Câmara, e isto melhor constará do
Cartório do Cabido de Coimbra.
Este
Couto está situado ao redor do rio Mondego, distância de meio quarto de légua,
e dista do mar e praça de Buarcos um quarto de légua. O lugar da Figueira,
sujeito a este Couto, está situado ao pé do mesmo rio, e no fim dele abre a
barra do dito lugar.
Neste
Couto se costuma fazer, cada ano, três procissões públicas, que ordena a
justiça, as quais são a da Visitação de Nosso Senhor, a do Anjo da Guarda e a
do Corpo de Deus.
(Livro
16 – páginas 47 e 48)
Publicada por
Vitor Medina
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sábado, fevereiro 21, 2015
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Tavarede - histórias
O Aasociativiusmo na Terra do Limonete - 116
Geminada com a Figueira da Foz,
Gradignan recebeu uma representação do associativismo tavaredense. Foi a
primeira internacionalização do nosso teatro e da nossa música, numa iniciativa
da Câmara Municipal da Figueira. Levar o
nome da Figueira até terras de Gradignan e fortalecer culturalmente os
alicerces do projecto comum que aquela cidade francesa e a nossa resolveram
solidificar através de uma geminação era, assim o entendemos, o objectivo das
gentes de Tavarede.
Geminação
(a mais recente da Figueira e a única de Gradignan) que tem funcionado mais ao
nível da troca de experiências profissionais entre técnicos dos dois
municípios, usufruiu agora de um revigorante tónico, admiravelmente
administrado pelos amadores tavaredenses, que na “cidade verde” se revelaram
exímios embaixadores.
E
Gradignan, a meia dúzia de quilómetros de Bordéus, é uma cidade diferente, não
apenas da nossa cidade praia, mas “anormal” dentro da própria França, num
contexto muito geral.
Chamamos-lhe
cidade verde.
E
julgamos que com razão, pois as zonas verdes, cuidadas e vastas, são, desde
logo, o que mais impressiona qualquer visitante, para além das suas vivendas,
algumas delas antigos e conservados palácios e solares de vinhateiros do século
XVII e XVIII.
Gradignan
possui nos seus 1570 hectares, mais de 400 totalmente arborizados. Por hábito,
que se mantém, aquele que compra um terreno cede à Câmara quatro quintos do
mesmo para zona verde e apenas utiliza o restante para uso próprio directo.
Quer dizer, depois de feitas as contas, cada habitante de Gradignan dispõe de
65 metros quadrados de espaço verde!
De
Gradignan, antigo lugar de passagem num dos caminhos de Santiago de Compostela,
se pode ainda acrescentar, neste comprimido cartão de apresentação, que 50 por
cento da sua população tem menos de 25 anos, que mais de 20 por cento das suas
habitações são consideradas sociais, que, ainda por curiosidade, nela existem
oito campos de futebol, 12 campos de ténis, três enormes gimnodesportivos,
diversos pólos universitários (com 2400 alunos), creches e lares para a 3ª
idade, etc., etc. etc.
Tendo
a comitiva tavaredense partido poucos minutos antes da uma hora (da noite,
claro) do dia 10, e após uma viagem de cerca de 1200 quilómetros, quase sempre
atormentada pela irritante chuva, chegaria a Gradignn ao fim da tarde, à hora
de se instalar no CREPS (um dos maiores centros de estágio desportivos da
Europa), jantar e “xixi-cama”, sem que antes muitos procurassem telefonar para
saber o resultado do Benfica-Boavista...
Toda
a embaixada havia sido recebida por Pierre Caune e Yves del Perugia, os “homens
da Câmara” que durante toda a nossa estada representaram a cidade e fizeram as
honras da casa com a maior eficiência, enquanto que a Câmara da Figueira esteve
presente pelo vereador dr. Licínio Amaral.
Sexta-feira,
após um desportivo e racional pequeno almoço, começou no extraordinário Teatro
das Quatro estações a montagem da cena para a “Tá Mar”.
Entretanto,
o nosso Jornal teve privilégios, e pode passar a manhã deambulando pelos vários
serviços da Câmara, na companhia de Daniel Costa, um francês (português)
responsável (em grande parte) pela geminação, e que em Gradignan, na sua
máquina administrativa tem posição de bastante importância, concretamente no
departamento informativo.
Após
o almoço que realizámos no “Hotel de Ville”, parte da delegação figueirense, na
qual pontuavam os presidentes da Assembleia de Freguesia e da Junta de Tavarede
bem como a drª Ana Maria, responsável do teatro na SIT, foi recebida pelo
presidente da Câmara, em sessão solene de boas vindas.
Cerimónia
protocolar, mas em família, durante a qual se procederam à troca não apenas de
cordiais mensagens de “reforço geminatório”, mas também de lembranças, sendo
igualmente “O Figueirense” distinguido com a Medalha de Gradignan, uma
imerecida honraria.
Entretanto,
enquanto uns iam montando a “Tá Mar”, uma outra equipa de artistas, isto é, a
Celeste, a São, e a Augusta, capitaneadas pelo sr. Carvalheiro, trabalhavam
gostosamente no que seria o ponto alto da noite: o jantar que Tavarede ofereceu
aos amigos franceses, concretizado num divinal bacalhau à Lagareiro. Cremos que
só a água era francesa, pois tudo fora levado de Portugal, incluindo os vinhos
servidos, antes, durante e depois.
Sucesso
gastronómico (e social) ao qual não faltaria o nosso tradicional arroz doce, e
reforçado pelo “acto de variedades” que encerraria a noite de amizade. Um bem
ensaiado grupo – vozes e instrumentos – deu a conhecer um conjunto de canções
populares portuguesas, daquelas julgadas mais significativas, ao mesmo tempo
que os músicos do mestre João Mendes (imparável de dinamismo), atroavam os ares
por tudo onde era sítio com a nossa Marcha do Vapor, sempre aplaudida e por
todos nós cantada.
E
para um culminar de sarau em beleza, o Vítor Costa, o António Simões (parabéns,
presidente), o António Barbosa, a Augusta Duarte, o Pedro Antunes, a Celeste
Fonseca, e o António Paz encheram o Prieuné de Cayac de portuguesismo fadista.
No
sábado continuou-se a lutar contra a chuva, mas que na parte da manhã fez
tréguas com Tavarede, o que permitiu que todos – cinquenta e dois – se
integrassem numa musicalíssima arruada, bem ao jeito nacional, que percorreu,
com polícia a abrir caminho, as artérias principais e mais movimentadas da
“cidade verde”.
Era
a manifestação de rua que levava os “gradignadenses” a inquirir do que se
passava... e a baterem palmas.
Claro
que não faltaram as bandeiras nacional e figueirense... a Marcha do vapor!
E
só na tarde de sábado houve ocasião para pensar nos francos que “asfixiavam”
nas carteiras. Após um passeio por Bordéus, sempre a andar (no autocarro,
claro), houve a possibilidade de visitar Arcachon, terra de iates, de Casino e
de muitas (e caras) lojas, o que proporcionou o bater de asas dos frangos,
digo, francos, transformados em “souvenires”.
A
presença de Tavarede e dos seus amadores aproximava-se não apenas do fim, mas
igualmente do seu momento mais elevado: nessa noite houve Teatro, na fabulosa
sala das Quatro estações, uma maravilha da técnica na construção de teatros!
Dizem
os entendidos que foi uma das mais conseguidas representações das várias já
efectuadas da “Tá Mar”, pela SIT e que mereceu os fartos aplausos dos
assistentes no anfiteatro. Em nome da verdade se deve dizer que não eram
muitos. Tavarede, nessa noite, teve sérios inimigos: a televisão final da Taça
de França, com a equipa do português Artur Jorge; a impiedosa chuvada que
durante horas se manteve; um jantar de portugueses da zona, que comemorava o 10
de Junho e ainda uma festa que a uma centena de metros Gradignan vivia.
Mas
Tavarede e os seus amadores cumpriram com toda a dignidade a missão que haviam
aceitado. O nome da Figueira da Foz, os propósitos da geminação, a arte dos
amadores – teatrais, musicais, gastronómicos,--- - que de Tavarede, da sua
freguesia, levaram a Gradignan uma mensagem de amizade, --- tudo, tudo foi
cumprido com a qualidade, dedicação, muito figueirentismo, espírito de
sacrifício, por um punhado de gente que bem merece o prémio de Divulgação do
Nome da Figueira da Foz.
Parabéns,
amadores de Tavarede.
Uma felicitação final para a Junta de
Freguesia de Tavarede, (à qual “O Figueirense” agradece as atenções recebidas)
particularmente dirigidas ao seu presidente, António Simões, o grande e
abnegado dinamizador deste acto cultural.
No ano de 1994, por ocasião de mais um
aniversário, foi inaugurado o pavilhão desportivo da Sociedade. E masi uma
festa interessante, e que se pode integrar no associativismo local, ocorreu em
Março de 1994, por ocasião dos festejos comemorativos dos 100 anos de vida da
antiga amadora teatral Helena Figueiredo Medina. Se é certo que Tavarede nos tem habituado, desde sempre, ao chamado
direito à diferença, não podemos, contudo, deixar de nos regozijarmos, uma vez
mais, com a forte participação que os tavaredenses desenvolveram, no passado
dia 23, na homenagem prestada a D. Helena de Figueiredo Medina, no dia em que
comemorava 100 nos de vida.
Nascida
há um século, D. Helena Figueiredo Medina ainda hoje cultiva uma alegria de
viver não usual naquela idade, sentimento que tão bem exprime nas canções – de
outros tempos, certamente – que admiravelmente canta, embora as sequelas de 100
anos de vida se façam logicamente sentir nos longos períodos de quietude,
durante os quais, talvez mentalmente deambule por um passado difícil, pelo
historial de uma mulher que quando rapariga muito teve de lutar para sobreviver
e apoiar a família.
No
começo da noite, D. Helena recebeu em casa de sua filha, com a qual há longo
tempo mora, a visita de largas dezenas de tavaredenses que, para além de
flores, de muitas flores lhe patentearam estima, admiração, respeito e amor.
Recordamos
que o presidente da Junta, emocionado, lhe entregou as suas flores e o seu
abraço, as flores de Tavarede, o abraço de Tavarede, o mesmo tendo feito a drª
Ilda Manuela, em representação da SIT.
Talvez
que D. Helena não se tenha apercebido do porquê de tanta gente. Cremos bem que
não. Mas que os seus olhos adquiriram mais brilho e a sua voz mais alma, disso
ninguém duvidou.
E
as suas canções, mesmo aquela mais apimentada de que tanto parece gostar, ecoou
de forma diferente no coração dos que a escutaram.
Como
significativo foi o ouvir-se a Tuna de Tavarede, agrupamento musical criado
pelo saudoso José Medina, marido de D. Helena, e um dos músicos mais
prestigiados que a “capital da cultura concelhia” conheceu.
Parabéns
aos “velhos” tunos de Tavarede.
Depois
da visita de cumprimentos decorreu no Salão de Teatro da Sociedade de Instrução
Tavaredense homenagem a D. Helena,
embora sem a sua presença.
E
pelo palco tivemos uma agradável representação de “Os Amores do Coronel”, peça
que marcou, em 1914, em 22 de Março, a estreia de Helena Medina como amadora
(distinta) teatral, no papel de Rosina, uma camponesa irrequieta e apaixonada.
Uma
palavra de aplauso para a espantosa actuação do coronel, isto é, de Rogério
Neves. “Um espanto”, como diria Jô Soares.
E
com uma casa praticamente cheia, ainda admirámos um vídeo (trabalho do dr. Rui
Moura) que nos contou muito do passado e do presente da centenária Helena
Medina.
Por
fim, numa terceira parte, tivemos pequenos quadros de algumas peças nas quais
D. Helena Medina actuou, quando jovem.
Se
os parabéns vão inteirinhos para a Mulher e para a Amadora Teatral chamada
Helena Figueiredo Medina, eles terão de ser igualmente endereçados a Tavarede e
muito especialmente à Sociedade de Instrução Tavaredense.
É o tal direito à diferença...
Também
no dia 1 de Maio desse ano, o Grupo
Desportivo e Recreativo da Chã, a dois passos da Figueira e na freguesia de
Tavarede, comemorou o seu décimo oitavo ano de vida, melhor, de muita vida, bem
patente no que da sua sede se construiu já, é visivel nas actividades que tem
desenvolvido, nas quais – qualmenina bonita – toma lugar de honra o Rancho
Estrelinhas da Chã.
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Vitor Medina
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sábado, fevereiro 21, 2015
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Associativismo
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Histórias e Lendas - 20
Morgado de Tavarede
Familiar da “Santa?” Inquisição
PEDRO LOPES DE QUADROS E SOUSA - Morgado. Filho de
Fernão Gomes de Melo Quadros e Sousa e de D. Beatriz Maria de Albuquerque. Nasceu e morou em Tavarede. Era manco
de ambos os pés. Comendador da Ordem de Cristo e familiar do Santo Ofício. Foi
baptizado na capela do Paço no dia 16 de Agosto de 1672, Foi casado por duas vezes. Da primeira vez
com D. Josefa Isabel Zambado de Vasconcelos, filha do dr. Bento Dias Zambado e,
enviuvando, casou em segundas núpcias com D. Madalena Maria Henriques Meneses.
Faleceu em 29 de Agosto de 1751.(Caderno: Tavaredenses com
história)
Ilmos.
Senhores . Passando ao Couto de Tavarede, freguesia de S. Martinho, achei pela
informação que com muita individualização tomei extrajudicialmente com o padre
cura Manuel Pinto da Rocha e o padre Francisco Rodrigues Portugal, e com o
padre José Neto Coelho e Filipe Jacome, José de Almeida e Manuel Ferreira
Coimbra, todas pessoas crtistãos velhos, legais, fidedignas mais antigas e
noticiosas, e naturais e moradores no dito Couto de Tavarede, que Pedro Lopes
de Quadros e Sousa, casado com D. Madalena Henriques de Menezes, comendador da
Ordem de Cristo, e natural e morador no dito lugar de Tavarede, deste Bispado de Coimbra, e filho legítimo
de Fernão
Gomes de Quadros, comendador da dita Ordem, natural do dito Couto de Tavarede, e de sua mulher D. Brites Maria de Albuquerque, e neto paterno de Pedro Lopes de Quadros, comendador da Ordem de Cristo, natural do dito Couto de Tavarede e de sua mulher D. Maria Teles de Menezes, por via de seu pai e avô paterno, é legítimo e inteiro cristão velho, limpo de toda a infectação, sem fama de rumor em contrário, é de boa vida e costumes por ser muito recolhido e zeloso da Igreja, anda sempre e seu filho, com os demais mordomos, com inteira satisfação. Porém, das pessoas referidas, que perguntei achei que três disserão que o dito Pedro Lopes de Quadros e Sousa é soberbo, porque manda pelos seus criados tirar os homens trabalhadores do serviço das pessoas com quem andam e se não querem obedecer-lhe manda dar pancada pelos criados; e é de pleno juizo e capacidade para servir ao Santo Ofício no cargo de familiar e sabe ler e escrever e tem de idade 49 anos, pouco mais ou menos, e terá de renda, em cada ano, seis ou sete mil cruzados. O referido foi o que descobri. V. Sª. mandará o que for servido com a justiça e rectidão que em tudo costuma. Buarcos, 4 de Abril de 1720. Subdito de V. Sª., a comissão e vigário de Buarcos Manuel de Carvalho.
Gomes de Quadros, comendador da dita Ordem, natural do dito Couto de Tavarede, e de sua mulher D. Brites Maria de Albuquerque, e neto paterno de Pedro Lopes de Quadros, comendador da Ordem de Cristo, natural do dito Couto de Tavarede e de sua mulher D. Maria Teles de Menezes, por via de seu pai e avô paterno, é legítimo e inteiro cristão velho, limpo de toda a infectação, sem fama de rumor em contrário, é de boa vida e costumes por ser muito recolhido e zeloso da Igreja, anda sempre e seu filho, com os demais mordomos, com inteira satisfação. Porém, das pessoas referidas, que perguntei achei que três disserão que o dito Pedro Lopes de Quadros e Sousa é soberbo, porque manda pelos seus criados tirar os homens trabalhadores do serviço das pessoas com quem andam e se não querem obedecer-lhe manda dar pancada pelos criados; e é de pleno juizo e capacidade para servir ao Santo Ofício no cargo de familiar e sabe ler e escrever e tem de idade 49 anos, pouco mais ou menos, e terá de renda, em cada ano, seis ou sete mil cruzados. O referido foi o que descobri. V. Sª. mandará o que for servido com a justiça e rectidão que em tudo costuma. Buarcos, 4 de Abril de 1720. Subdito de V. Sª., a comissão e vigário de Buarcos Manuel de Carvalho.
A carta acima trancrita foi a resposta
enviada aos inquisidores de Coimbra, para darem andamento ao pedido do morgado
de Tavarede para ser familiar do Santo Ofício.
O pedido efectuado por carta da Comissão da Inquisição de Coimbra nomeou
o escrivão Padre Manuel Ferreira de Carvalho, morador em Buarcos.
Inquirição
feita a 3 de Outubro e dias seguintes na Igreja de S. Martinho de Tavarede –
Testemunhas que depuseram:
a)
Padre Manuel
Pinto da Rocha, sacerdote do hábito de S. Pedro, natural e morador no Couto de
Tavarede – o habilitando é comendador de S. Pedro das Alhadas – ele,
testemunha, foi capelão de seu pai, Fernão Gomes de Quadros, pelo espaço de 20
anos, que também foi comendador de S. Pedro das Alhadas e ao presente se acha
religioso professo na Ordem de S. Francisco, no Convento de Varatojo – viveram
do seu morgado, comenda e prazos, tratando a lei de fidalgos andando em
carroças e liteiras.
É vizinho dos
sobreditos com os quais se criou, e sabe ele, testemunha, que o dito Pedro
Lopes de Quadros, do 1º matrimónio não teve filhos, e fora do matrimónio tem 3
filhos: uma religiosa no Convento do Lorvão, que se chama D. Helena, filha de
uma Maria Portulez, filha de António Portulez e de sua mulher Maria da Rocha, e
outra que se chama D. Antónia, que se acha no Convento de Alenquer, filha de
Páscoa Gonçalves e neta de José Gonçalves, naturais e moradores neste Couto de
Tavarede, freguesia de S. Martinho, e de Maria Neta, do lugar de Brenha,
freguesia de S. Teotónio, deste bispado e moradora que foi neste dito Couto de
Tavarede e a dita D. Helena e sua mãe e avós maternos acima nomeados, são naturais
e foram moradores no Couto de Vila Verde, freguesia de S. Julião da Figueira da
Foz e de S. Pedro do Couto das Alhadas. E tem mais o dito habilitando em sua
casa um filho, que se chama Bento, filho de Catarina de Paiva, neto pela parte
materna de Manuel de Paiva e de Maria de Azambuja, naturais e moradores no dito
Couto de Tavarede, freguesia de S. Martinho, e sabe ele, testemunha, que todas
as sobreditas pessoas são legítimas e inteiras cristãs velhas e por tais tidas
e havidas, e nunca algum deles morreram de infâmia publica, pena vil de feito
ou de direito, nem descendem de quem a incorresse nem disso há fama ou rumor em
contrário, que se houvesse havia ele, testemunha, de ter alguma notícia por ter
pleno conhecimento de todas as sobreditas pessoas.
b)
O reverendo
padre Francisco Ribeiro Portugal, sacerdote do hábito de S. Pedro, natural e
morador neste Couto de Tavarede. Afilhado de baptismo do bisavô de habilitando,
diz que este se trata com muito luzimento e limpeza com suas carruagens, que
consta de liteira e seje. (resto mutatis mutandis).
c)
Filipe Jacome,
homem oficial de tanoeiro, natural e morador em Tavarede ... se tratam a lei de
fidalgos com carruagens, liteiras e coches. Criou-se lá em casa. (mutatis
mutandis).
d)
Reverendo padre
José Neto Coelho, sacerdote do hábito de S. Pedro, natural e morador deste
Couto de Tavarede... foi mestre do habilitando que o ensinou a ler e a
escrever, que o habilitando se trata com luzimento e limpeza, servindo-se com
suas carruagens, escravos e criados. (mutatis mutandis).
Seguem-se outras testemunhas, num total de 12.
- Pedro Lopes de Quadros e Sousa, foi baptizado em
16 de Agosto de 1672 em sua casa.
Seu pai, Fernão Lopes de Quadros, foi baptizado em 3
de Janeiro de 1655. O avô, Pedro Quadros, foi baptizado em 16 de Dezembro de
1625.
Foram anexas ao processo as três certidões de
nascimento Acima. Não foram encontrados os assentos dos casamentos de seus pais
e vós.
Em 11 de Fevereiro e seguintes, na Igreja de S.
Martinho de Tavarede, foram inquiridas mais 24 testemunhas.
Como
facilmente se verifica, os processos para admissão a familiar do Santo Ofício
eram morosos e complicados. Impõe-se a descrição do que era a ‘Santa?’
Inquisição estabelecida em Portugal no reinado de D. João III. Para tal uma vez
mais recorremos aos livros manuscritos do Dr. Mesquita de Figueiredo.
A INQUISIÇÃO –
Agora aparece um periódico de Lisboa a tratar de defender e justificar o
horroroso e infame tribunal da inquisição. Será conveniente publicar alguns
documentos, para mostrar a santidade de semelhante tribunal e as virtudes dos
seus ministros.
No Regimento do
Santo Ofício da Inquisição do Reino de Portugal – ordenado pelo bispo e
inquisidor geral D. Francisco de Castro, e impresso em 1640 em Lisboa, por
Manuel da Silva, nos próprios paços da Inquisição (os Estaos), o qual é hoje
raríssimo, mas de que possuimos um exemplar em perfeito estado de conservação –
se determina o seguinte:
‘Havendo no
Santo Ofício prova bastante de testemunhas, porque pareça que algumas pessoas defuntas
podem ser convencidos do crime de heresia, mandarão os inquisidores, a
requerimento do promotor, tirar certidão do livro de baptismo, porque conste se
eram os defuntos cristãos baptizados, e não se achando o dito assento, se fará
sumário de testemunhas, porqie conste se eram baptizados naturais do reino, e
como eram tidos e havidos por cristãos baptizados; e junta a certidão ao
sumário, havendo o promotor feito seu requerimento, verão os inquisidores tudo
em mesa com as culpas do defunto, e pronunciarão que sejam citados seus
herdeiros, ou pessoas, a quem de direito pertencer a defesa; e esta citação se
fará pessoalmente aos que estiverem no reino, e por édito aos ausentes dele; e
se continuará na causa, na forma que fica dito nos mais defuntos; e estando
conclusa, verão os inquisidores o processo em mesa com o Ordinário e deputados,
e achando que o crime está provado, condenarão os defuntos na forma que
se acha no livro 3, título 26, parágrafo 5º.
Ora eswte livro,
título e parágrafo do Regimento aqui citado, ordenavam o seguinte:
‘Se depois de se
haver procedido contra os defuntos na forma que fica declarada no livro
2, título 18, eles forem havidos por convictos de heresia e apostasia, serão em
sua sentença declarados por herejes e apostatas da nossa santa fé; e condenada
a sua memória e fama, e confiscados seus bens, do tempo em que se provar que
cometeram o delito; com tanto que não estejam legitimamente proscritos por
espaço de quarenta anos; e serão seus ossos desenterrados e tirados das igrejas,
adros, ou de qualquer outra sepultura eclesiástica em que estiverem, podendo-se
separar os ossos dos pés cristãos, e levados com sua estátua ao Suto público da
Fé, e relaxados à justiça secular’
Eis aí o que a
Inquisição fazia aos próprios mortos! Nem a paz dos túmulos respeitavam aqueles
bárbaros!
Só no fim de 40
anos se julgavam os crimes prescritos; e por isso, durante aquele longo espaço
de tempo, nenhum filho em relação a seu pai, o pai em relação ao filho, a
mulher a seu marido e vice-versa, e em geral todos os herdeiros, se podiam
julgar seguros na posse de seus bens; nem estar descansados de que aquelas hienas
de nova espécie, não viriam desenterrar os ossos dos seus antepassados,
e levá-los (coisa horrorosa!) com a sua estátua ao auto público da fé,
para aí serem relaxados à justiça secular, isto é, serem queimados!
Se os defuntos
não escapavam aos inquisidores, não podiam ter melhor sorte os doidos!
Aos
que endoidecessem nos cárceres do Santo Ofício (e a quantos ali acontecia essa
infelicidade!) fazia o regimento de 1640 a extrema graça de não serem
castigados. ‘Não se dará (dizia o regimento) pena corporal, pois o juizo
deles é incapaz dele.
Ora
na verdade, já era grande tolerância não castigar um doido! Mas julgam que
ficaria aqui a caridade dos inquisidores? Não. Acrescentava logo o regimento ‘E
ficarão os seus bens em sequestro, para que tornando o seu juizo, ou falecendo
naquele estado, se proceda contra ele, ou contra a sua memória e fama; e
tendo prova legítima será condenado em confiscação dos bens e dana sua fama
e memória’.
E
que os inquisidores quando quizessem alcançar prova legítima, não
oferecia a menor dúvida.
Tratava-se de roubar os bens do preso, e
por isso estivessem certos de que não apareceriam provas mais claras que a
luz do sol!
A inquisição prolongava quanto podia,
para martirizar os réus, o seu tempo de prisão, e só tinham pressa de os julgar
depois de mortos. Vamos agora dar um exemplo bem frisante deste procedimento
inquisitorial.
‘Em 1666 mandou a Inquisição de Coimbra prender
D. Margarida de Melo Pina, filha de Francisco de Pina Perestrelo, natural de
Montemor-o-Velho e casada com seu primo Manuel da Fonseca Pina. Era acusada de
ser ‘cristã-nova’.
Foi levada na forma do costume para os
tenebrosos cárceres da inquisição. Ali, em uma daquelas casas da mais exígua
dimensão, recebendo uma fraca claridade por uma muito pequena fresta, quase
junto ao tecto, jazendo pelo espaço de – dezassete anos (17) – a infeliz D.
Margarida de Melo Pina, sem ser julgada!
No fim desse longo período, tendo
falecido nos cárceres da inquisição, é que os inquisidores se apressaram a
julgar a ré.. A senteça lida no auto celebrado na sala da inquisição desta
cidade, em 13 de Março de 1683, foi a seguinte:
‘Acordam
os inquisidores, ordinário e deputados da Santa Inquisição de Coimbra, que
vistos estes autos e culpas de D. Margarida de Melo, cristã velha (?), viúva de
Manuel da Fonsec a Pinto, que vivia da sua fazenda, natural e moradora em
Montemor-o-Velho, bispado de Coimbra, presa nos cárceres da inquisição da mesma
cidade, e neles defunta; porque se mostra que sendo denunciada no Santo Ofício,
que tinha cometido culpas contra a nossa Santa Fé Católica, e sendo por elas
presa e por vezes admoestada as quizesse confessar, respondeu que não tinha
cometido culpas contra a nossa Santa Fé Católica.
O
que tudo visto que dos autos consta, com as resultadas diligências que se
fizeram por ordem do Santo Ofício, a respeito da qualidade da ré, e constar
delas ser legítima e inteira cristã velha, limpa e sem raça alguma cristã nova,
absolvem a ré D. Margarida de Melo da instância do juizo – e declaram que a seus
ossos se pode dar sepultura eclesiástica, e oferecer a Deus por sua alma os
sacrifícios e sufrágios da igreja. E mandam que esta sentença se leia na sala
desta inquisição e depois se publique na paroquial igreja da dita vila de
Montemor-o-Velho, donde a ré era freguesa, na estação da missa conventual, para
que venha a notícia a todos, e lhe seja levantado o sequestro, que em seus bens
se lhe haviam sido feitos, e deles se paguem as custas. (a) Sebastião Dinis
Velho, Gonçalo Borges Pinto’.
Não
tiveram durante 17 anos tempo os infames inquisidores de julgar a infeliz D.
Margarida de Melo Pina; e nem depois da sua morte declarar que estava inocente!
E apesar de estar inocente, pelos seus bens se paguem as custas!
Sendo
a sentença publicada em 13 de Março de 1683, foi no dia 21 do mesmo mês lida na
igreja paroquial de S. Martinho de Montemor-o-Velho, à estação da missa
conventual, havendo por essa ocasião repiques de sinos, luminárias, muitas
festas e sumptuosas exéquias, mandadas fazer pelos parentes da falecida.
Como
o cadáver desta senhora tinha sido sepultado no edifício da inquisição de
Coimbra, trataram os seus descendentes, no ano de 1709, de trasladar os ossos
dela, para a sua capela da Piedade, na referida freguesia de S. Martinho de
Montemor-o-Velho. Aí se lhes deu sepultuura, e nela se pôs uma lápide, com a
sentença gravada, havendo novas exéquias com sermão.
Foi
este o último acto de um tão tenebroso drama. Esta senhora, de quem foi
descendente o sábio escritor Francisco de Pina e Melo, é presa por cristã nova;
sofre durante 17 anos a mais dura prisão nos cárceres do Santo Ofício; e
no fim, depois de morta, vêm dizer os inquisidores que era cristã velha,
e que apesar de todas as diligências a que procederam, a achavam inocente!
Quadros
semelhantes são repugnadissimos a todas as pessoas dotadas de humanidade; mas é
de razão que a geração actual seja sabedora do que nas épocas anteriores se
praticava, e possa responder com vantagem àqueles que tratam unicamente de
tornar salientes quaisquer actos condenáveis, que se tenham praticado depois de
estabelecidas entre nós as instituições liberais.
Convém que os partidários do
obscurantismo saibam que ainda se não perdeu a memória das atrocidades que se
praticavam em nome de uma religião toda paz e caridade. – Joaquim Martins de
Carvalho’
(Caderno 17, páginas 86 a 89)
Era
este o procedimento normal da ‘Santa’ Inquisição, a que o nosso Morgado aderiu
como ‘familiar’
Publicada por
Vitor Medina
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sexta-feira, fevereiro 13, 2015
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Tavarede - histórias
O Associativismo na Terra do Limonete - 115
No ano
seguinte, uma inovação surgiu no programa comemorativo do 88º aniversário. A Sociedade de Instrução Tavaredense realizou, no passado domingo, 12,
uma ''Estafeta de Teatro" com
partida do Teatro Gil
Vicente em Coimbra, e chegada à terra do limonete.
O
percurso foi feito a pé por muitas dezenas de amadores, que ao longo dos anos
têm passado pelo grupo cénico de Tavarede,
e terminou com uma festa-convívio no pavilhão daquela colectividade.
No
trajecto, os amadores de Tavarede evocaram, simbolicamente, a grande actriz que
foi Ester de Carvalho, em Montemor-o-Velho,
e o actor Dias, em Maiorca.
Esta
iniciativa fez parte do programa comemorativo do 88° aniversário da SIT, que
teve no dia 11 a representação da peça “Os
Anjos e o Sangue”, pelo Teatro Experimental de Mortágua.
No próximo dia 18 (sábado) o grupo
cénico do GR Vilaverdense, leva à cena a revista "Badalando e Rindo".
No dia 19, pelas 16,30 horas, haverá concerto pela
Filarmónica da Sociedade Artística e Musical Carvalhense (Carvalhais de
Lavos) e actuação do Rancho Etnográfico do CR Cultural Carvalhense.
No dia 25, às 21,45 horas, o grupo cénico da SIT
representa a comédia em 5 actos, original de Molière, "O Avarento".
E no
dia 26, fecho do programa, haverá: às 8 horas, alvorada; às 17 horas, sessão
solene e posse aos novos corpos gerentes.
O avarento foi a peça escolhida para a
comemoração do Dia Mundial do Teatro, de 1992. Tavarede, capital do nosso teatro amador
concelhio, não poderia, como sucedeu em tantas localidades, deixar de assinalar
o Dia Mundial do Teatro, que se comemorou no passado dia 27 de Março.
É
que se Tavarede tem tradições teatrais como ninguém, a verdade é que todo um
Passado glorioso e um Presente não menos digno aumentou as responsabilidades da
Sociedade de Instrução Tavaredense.
Assim
o entenderam. E muito bem, os seus actuais dirigentes, fazendo subir ao palco,
na passada sexta-feira, um senhor chamado Molière, um homem que a todos deu o
privilégio da alegria, traduzida e provocada pela magia da arte teatral.
E
não resistimos a transcrever afirmações de Mestre José Ribeiro, em carta a um
amigo, a respeito deste autor universal: “Pois o Molière é um bom amigo. A
graça com que ele se ri! A ironia com que ele critica! A profundidade do seu
estudo da sociedade do seu tempo! Tenho rido com ele. E tenho pensado”.
E
estamos certos que com Molière riram os muitos assistentes que na sede da SIT
quase, quase enchiam o salão de espectáculos, numa noite em que o ingresso era
livre, tal como o riso que os amadores de Tavarede souberam extrair de um
texto, a que somaram a postura natural própria, ou só própria, daqueles que
sentem Molière.
Mas
Molière não faz apenas rir (o que já era suficientemente saudável), mas também
provoca a reflexão. A reflexão sobre acto de viver, nas suas mais contrastantes
situações, o repensar de atitudes no diálogo quotidiano que o Homem trava com o
Homem.
E
“O Avarento”, peça em 5 actos, é (pode ser) o espelhar do que antes afirmámos,
e embora ela decorra no século XVII, nem por isso o dia a dia... dos nossos
dias evita o encontrar de posições similares. É tudo uma questão imaginativa.
Antes
da representação subiu ao palco o Dr. Pedrosa Russo, presidente do Lions, um
clube de serviço que tanto tem feito, com as suas Jornadas de Teatro Amador,
para o agarrar do Teatro. Com ele a Drª Ana Maria Caetano, ilustre e dedicada
continuadora da linha teatral da SIT.
Ambos
falaram de Teatro, Teatro que é esperança, que é sonho, que é mentira, que é
necessidade; Teatro que desperta a solidariedade, que confere dignidade e combate ao racismo.
Teatro
que também é um modo de estar na vida.
Teatro de que Coimbra vai ser capital,
mas que bom seria, foi afirmado, não esquecer o restante distrito, não
esquecer, acrescentamos nós. Tavarede.
Na sessão solene comemorativa do 81º
aniversário, o Grupo também recordou a prestou homenagem a um outro
tavaredense, que havia prestado grande dedicação e colaboração à colectividade.
Desde o passado dia 26 de Julho que o
Grupo Musical e de Instrução Tavaredense tem vindo a comemorar o seu 81º
aniversário, tendo, desde aquela data, concretizado várias iniciativas que
passaram, por exemplo, de um concurso de pesca e um rally paper, hoje tão em
uso.
Mas
dentro do programa comemorativo julgamos que o passado domingo terá vivido o
momento mais nobre e de maior significado, ultrapassando bem o âmbito do Clube,
para se alargar a toda a freguesia. Focamos particularmente a sessão solene
realizada na moderna colectividade e durante a qual antigos elementos da prestigiada
e saudosa orquestra Lúcia-Lima (os menos novos bem se lembram dela), prestaram
homenagem à memória de José Medina, nos 50 anos da fundação daquele conjunto
musical.
A
reunião foi presidida pelo vereador Carlos Gonçalves e em palco tomaram lugar,
além do presidente da Junta de Freguesia de Tavarede e do Padre Matos, vários
outros convidados.
Executado
o hino da colectividade e lido o expediente, o presidente do Grupo entregou
lembranças e placas a vários amigos e filiados da associação, recebendo diplomas
de sócios honorários José Joaquim Soares, António Maurício e Joaquim Gaspar.
Como
é normal nestas sessões de aniversário várias foram as pessoas convidadas a
usar da palavra, não tendo esta fugido à regra.
Recordamos
Sérgio Gouveia, da Grão a Grão, Fernando Serra, em nome das colectividades
presentes, Albarino Maia, de “O Figueirense”, o Padre Matos, sacerdote da
freguesia... até que a intervenção emocionada de António Simões, presidente da
Junta, se entrou no momento supremo da homenagem.
Depois
de reafirmar a sua confiança no futuro do Grupo, saudou os novos dirigentes,
lembrando que o próximo grande passo irá ser o alargamento da sede, tendo
agradecido a ajuda recebida da Câmara.
Após
oferecer a sua colaboração como presidente da Junta, teve palavras simpáticas
para com os muitos músicos presentes que “voluntariamente estão a colaborar”.
Depois
António Simões Baltazar evocou a Tuna e o Lúcia-Lima Jazz, ambos fundados por
Mestre José Nunes Medina, dando de ambos os agrupamentos uma preciosa imagem e
do que representaram para Tavarede na sua vida cultural durante algumas dezenas
de anos.
Uma
filha de José Medina foi então convidada a descerrar uma fotografia do
homenageado, cerimónia que terá levado lágrimas aos olhos de muitos dos mais
velhos, em especial daqueles que conviveram com Mestre José Medina.
Em
nome da família Medina agradeceu um sobrinho de José Medina que lembrou um
pouco a Tavarede do seu “tempo” e a sua intensa vida cultural, na qual seu tio
desempenhou uma acção de relevo.
A
sessão solene terminou com a feliz intervenção do vereador Carlos Gonçalves que
após se congratular com os vários actos vividos naquela tarde, colocou à
assembleia alguns pontos de reflexão sobre o futuro do Grupo Musical e de
Instrução Tavaredense, prometendo o nunca negado apoio camarário.
Novas comemorações do Dia Mundial do
Teatro. O grupo tavaredense esteve presente. E Tavarede não esqueceu que 27 de Março é o Dia Mundial do Teatro,
efeméride que no nosso concelho, e ao que até neste momento sabemos, apenas foi
assinalada, com uma representação, na catedral do Teatro Amador, vulgo
Sociedade de Instrução Tavaredense.
Mas
a primeira nota agradável desta noite de Teatro talvez se possa situar na feliz
circunstância da sala da SIT haver esgotado a sua capacidade de acolhimento,
com alguns dos espectadores, de pé, nos corredores laterais da plateia, numa
demonstração de que o Teatro tavaredense continua bem vivo, de que José Ribeiro
também foi mestre na arte de cultivar continuadores, como confirmado ficou pela
qualidade de encenação e representação da peça apresentada.
Mas
antes que o pano subisse, a presidente da Sociedade de Instrução Tavaredense,
drª Ilda Manuela Simões, surgiu em palco para explicar a razão daquela noite de
Teatro, dedicada acima de tudo aos amadores dos diversos grupos cénicos do
concelho, que haviam aceite o convite para estarem presentes.
A
drª Ilda Manuela relembrou também João José da Costa, um presidente da Câmara
(1862/1863 e 1864/65) que havia procedido à remodelação da Casa do Terreiro
(local onde nos encontramos, disse), fazendo dela uma sala para Teatro.
Mas
hoje a SIT, embora lutando com dificuldades naturalmente económicas (e daí o
seu apelo à Câmara e à Secretaria de Estado da Cultura) continua a representar,
pois tem gente, quer “não visível”, que para além da cena tudo executa para que
aconteça Teatro, quer gente que no palco “dá a cara”, para posteriormente
chamar Jorge Monteiro de Sousa, um homem que faz mexer os cenários desde há
longos anos, e João Medina, um amador que há 45 anos serve o Teatro.
Ambos
foram homenageados, tanto pela SIT, como pela assistência que lhes rendeu
fortes aplausos. Eles simbolizam bem o espírito do Teatro Amador Tavaredense.
Contudo
os momentos altos deste serão cultural na Sociedade de Instrução Tavaredense
não se quedaram por aqui, antes que “Tamar” pisasse as tábuas.
A
drª Ana Maria, responsável pelas actividades cénicas da SIT, leu a mensagem,
momentos antes recebida via fax (?!), referente ao Dia Mundial do Teatro.
E
ao proscénio seria ainda chamado o dr. António Gomes Marques, da Secretaria de
Estado da Cultura, um homem a Tavarede ligado por elos afectivos e familiares,
e de Teatro desde há muito amador.
Com
arte no gesto e com dom no lançar da palavra, o orador ofereceu à atenta
plateia uma ponderada e pedagógica motivação para que sobre o próprio Teatro se
reflectisse, advogando com alma e com razão um movimento que leve a que o
Teatro seja uma realidade na Escola.
E
se, como transcreveu, “para fazer Teatro basta a matéria humana”, à Sociedade
de Instrução Tavaredense ainda falta para continuar a pontuar como santuário
concelhio (só concelhio?) do Teatro, dado que “a matéria humana”, muita dela
novata nestas andanças, se definiu, na peça de Alfredo Cortez, como de primeira
água, digna continuadora da escola de José Ribeiro.
“Tamar” é a representação que a SIT vai
levar às Jornadas de Teatro Amador; “Tamar” é a peça que o público concelhio
amador do Teatro não pode deixar de aplaudir, caso não queira cometer um pecado
cultural.
Publicada por
Vitor Medina
à(s)
sexta-feira, fevereiro 13, 2015
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Associativismo
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Histórias e Lendas- 19
O
jantar do Deão
Dom
Manuel, por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves , daquem e dalém mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista,
Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia. A quantos virem esta
nossa carta de foral dado ao termo e lugar de Tavarede virem, etc.
Jantar ou colheita: O Deão da Sé de Coimbra, visitando
uma vez no ano o dito lugar, receberá dos moradores de Tavarede para o seru
jantar, 180 reais de 6 ceitias o real, e das heranças da Chã e de Cabanas. 2
carneiros, 2 cabritps, 6 almudes de vinho, 10 galinhas, um quarteiro de cevada
pela medida de Coimbra, 100 pães, 5 soldos em dinheiro para temperos, meio
alqueire de manteiga fresca e lenha e vinagre que abonde para se poder cozinhar
as ditas cousas na cozinha do Deão. – Cumpra-se. (Chá
de Limonete – 1º acto)
Esta folarenga obrigação nem sempre foi
cumprida. Foi o que sucedeu no ano de
1536. O cabido das Sé de Coimbra mandou três cónegos seus, Francisco Monteiro,
Henrique de Sá e Jerónimo Salvador, ao Couto de Tavarede para recolherem a
colheita e o jantar imposto pelo foral que, em Maio de 1516, o rei D. Manuel
dera à nossa terra.
Os juizes e os oficiais da Câmara
tavaredense entenderam não pagar o treibuto referido, pois “não podiam pagar ao dito Cabido a dita
colheita e jantar, que lhes era pedido, pelo dito concelho ter no foral o
contrário”. Alegaram que o aludido foral referia expressamente que aquele
tributo era devido ao Deão e não ao Cabido.
Este, sentindo-se lesado nos seus
direitos, recorreu ao rei.
Dom
João, por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves, Daquém e dalém mar em
África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia,
Arábia, Pérsia e India. A vós, juízes do Couto de Tavarede, jurisdição do
Cabido da Sé de Coimbra e a todos os outros juízes e justiças, oficiais e
pessoas dos meus reinos e senhorios a quem esta minha carta de sentença for
mostrada e ao conhecimento dela por qualquer guiza que seja pertencer, saúde.
Faço-vos
saber que perante mim, nesta minha Corte, e Casa de Suplicação e os juízes dos
meus feitos, nela, foi apresentado um instrumento de agravo que diante vós
tirou o Cabido, Dignidades e Cónegos da dita Sé, aos oito dias do mês de Julho
do presente ano de mil quinhentos e trinta e seis, no qual se continha, entre
outras muitas coisas em ele contidas, que os ditos suplicantes vieram com um
requerimento por escrito, a vós ditos juízes, dizendo nele que o dito Couto era
obrigado pagar de colheita e jantar ao dito Cabido, e seu certo recado para os
visitar, e lhes administrar justiça por serem seus vassalos, e sujeitos a toda
a jurisdição cível ser sua, e sendo visitadosem cada um ano até ao S. João de
cada um ano e então eram as colheitas seguintes, a saber: dos moradores do dito
lugar de Tavarede sem os do termo, pagavam pelos seus livros dos direitos dos
direitos alfandegários, seiscentos e oitenta reis da moeda ora corrente, e mais
pelas heranças do lugar da Chã e casais de cada um, dois carneiros e dois
cabritos, e seis almudes de vinho da medida corrente, e dez galinhas e um
quarteiro de cevada pela medida corrente de Coimbra, e mais cem pães ou por
cada pão dois reis da sobredita moeda ora corrente, cinco reis para especiarias
e por elas cinco reis da dita moeda ora corrente, e meio alqueire de manteiga e
outras coisas e vinagre que baste para as ditas coisas se cozinharem, a qual
colheita ou jantar vós juízes e oficiais em cada um ano fintáveis pelo concelho
e povo dele, segundo acima ficava declarado, e era tão antigo que não havia
memória dos homens em contrário e o preço era notório dever-se, e que assim o
tinham por leis na sua Câmara e ora
findo como foram em nome do Cabido, Francisco Monteiro e Henrique de Sá e
Jerónimo Salvado, cónegos, a visitar o dito Couto antes do S. João, este de quinhentos e trinta e seis, em o primeiro
dia de Junho da citada era, e visitando e provindo em tudo o que era
necessário, os ditos juízes e oficiais punham dúvida a pagarem e lhe darem a
dita colheita e não eram obrigados, pelo que vos requeria lhes desseis e pagasseis
a dita colheita e o jantar deste ano de quinhentos e trinta e seis, como em
cima era declarado.
Mandada fazer a necessária inquirição tespondeu o juiz e vereadores e procurador do dito
Couto, dizendo em sua resposta que a colheita ou jantar que em seu requerimento
dizia, que era devido ao Cabido da dita Sé o dito seu Couto de Tavarede em cada
um ano, e que requeriam que o desse ao dito Cabido o ano presente de trinta e
seis, por dizer que Francisco Monteiro, Henrique de Sá e Jerónimo Salvado, cónegos dessa Sé, foram visitar o dito Couto,
agora em o primeiro dia de Julho do presente ano, diziam eles juiz e oficiais
que eles não podiam mandar pagar ao dito Cabido a dita colheita e jantar, que
lhes era pedido pelo dito concelho de Tavarede ter no foral o contrário.
A
saber: dava o dito foral que indo o Deão da dita Sé pessoalmente visitar uma
vez no ano o dito concelho de Tavarede, os moradores do dito lugar lhe pagassem
a ele Deão a dita colheita e jantar, e pelo dito foral assim o mandar
expressamente sem nenhuma limitação, sempre de tempo imemorial que eles
oficiais se acordavam, e demais sempre a dita colheita e jantares se dera e
pagara ao Deão que era da dita Sé e se pagavam agora a João Rodrigues Ribeiro,
Daião agora na dita Sé, o qual em cada um ano pessoalmente a vencia e se lha
pagava sem nunca os do Cabido tal colheita nem jantar pedirem senão agora, se
eles do Cabido tinham alguma provisão minha em que mandasse que lhe fosse pago
sem embargo do foral, que lhe mostrasse e lha guardariam e cumpririam em tudo,
porque o que diziam em seu regimento não bastava para lhe ser dado o que
pediam, pelo dito foral ser em contrário, do qual requeriam ao tabelião que no
instrumento que lhe havia de passar, tresladasse em ele as verbas do dito foral
que no dito caso falavam, porque eles não punham em Câmara outra lei por onde
se regiam acerca dele somente estas verbas que apontavam no dito instrumento
eram tresladadas, e sem isto os do dito Cabido se quisessem instrumento de
agravo que pediam que lhe fosse dado e contestavam de ‘trepicat’ se cumprisse segundo que tudo istyo mais
cumpridamente era conteudo na dita resposta, que os juizes e vereadores e
procurador responderam ao dito requerimento, ao qual outrossim respondeu o
Deão, dizendo em sua resposta que era verdade, que ele como Deão estava em
posse, por dez, trinta, cinquenta, cem anos a esta parte, e por tanto tempo que
a memória dos homens não era em contrário e se nisso houvesse dúvida, daria
testemunhas no concelho e fora dele, se por si e pelos Daiões antepassados e
antecessores deverem em cada um ano, por irem visitar o dito Couto de Tavarede
o jantar que ora o dito Cabido dizia, e pedia o qual jantar não indo ele em
pessoa se não devia dar a pessoa alguma outra do Cabido, e ficava no concelho,
como a todo era notório e muitas vezes ficara em tempo dele Deão, e seus
antecessores e a si como Deão tinha aí o dito jantar e assim o tinham outros
muitos jantares em outros muitos lugares em que o Cabido não tinha jurisdição e
assim em outros em que a tinha.
Como se vê, era entendimento dos juizes
e vereadores de Câmara de Tavarede, que a colheita e jantar deveriam ser pagos
pessoalmente ao Deão e não aos cónegos da Sé. Mas, apreciado superiormente o
caso, o rei D. João III mandou emitir a seguinte sentença:
SENTENÇA
– Acordei, vistos os requerimentos feitos pelo Cabido da Sé de Coimbra aos
juizes e oficiais dos Coutos nestes instrumentos conteudos e as respostas dos
ditos oficiais e assim as respostas do Deão, sentenças dadas sobre a jurisdição
dos ditos Coutos e se mostra pelas ditas sentenças a jurisdição dos ditos
Coutos ser julgada ao dito Cabido por respeito da qual jurisdição, e visitação se dão jantares e colheitas nos Coutos
da contenda, o que tudo visto com o mais que dos autos consta, declaro os ditos
jantares e colheitas pertencerem ao dito Cabido e mando aos juizes e oficiais
dos ditos Coutos, que lhe acudam e façam acudir com eles, segundo forma de suas
doações, porque os ditos jantares e colheitas lhes são concedidos e esta
declaração e sentença servirá a todos os Coutos nos ditos instrumentos
conteudos, e porém os mando que assim cumpreis e guardeis e façais em tudo
muito inteiramente cumprir e guardar como por mim é julgado, acordado, mandado
e determinado. E mando que esta sentença se cumpra e guarde com efeito
realmente assim é da maneira que em ela é conteudo, e porquanto o Cabido pagou
parte do Deão cento e sessenta e sete reis, vos mando que requereis que os
pague, e se pagar não quiser, o fareis penhorar em tantos dos seus bens móveis
e de raíz e lhos fareis vender e rematar aos termos conteudos em minhas
ordenações, em maneira que o dito Cabido haja pagamento dos ditos cento
sessenta e sete reis, o que assim cumprir
e ao não façais.
Dada
em minha cidade de Évora, onze dias do mês
de Agosto. El-Rei o mandou pelo licenciado Álvaro Martins, do seu
desembargo e juiz de seus feitos em sua Corte e Casa de Suplicação. Francisco
Pires a fez e Afonso Fernandes de Toar escrivão. Ano do nascimento de Nosso
Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e trinta e seis.
O caso ficou resolvido, podendo o
cabido mandar receber a referida colheita e jantar por cónegos seus.
Um Homem - E p’ra que o
jantar seja um jantarão
Vem
um quarteiro farto de cevada. (bis o coro)
Deão - Abençoo,
comovido,
Este nbm povo que timbra (bis os dois cónegos)
No
respeito que é devido
Ao
Cabido de Coimbra.
Eu
vos recebo o jantar,
Que
é apenas um farnel... (bis os dois
cónegos)
Conforme
manda o foral
do
Senhor Rei D. Manuel.
Coro - A
nossa foralenga obrigação
Aí
fica cumprida com respeito.
Que
o jantarinho faça ao bom Deão
E
a todo o Cabido - bom proveito!
Bom
proveito!
Bom
proveito!
(versos Chá de Limonete)
Chá de Limonete - Cena de 'A Doação de Tavarede à Sé de Coimbra'
Publicada por
Vitor Medina
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sexta-feira, fevereiro 06, 2015
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