sábado, 4 de abril de 2015

O Associativismo na Terra do Limonete - 122

         E em Maio do mesmo ano de 2002, coube ao Grupo Desportivo e Recreativo da Chã festejar o seu 26º aniversário.   O GDRC nasceu há 26 anos, por imperativo da equipa de futebol de onze, que surgiu e que, para se filiar no INATEL, necessitava de uma sede social. A associação foi constituída e, depois dessa mesma sede funcionar, durante algum tempo, num espaço cedido por um dos sócios fundadores, surgiu a oportunidade de comprar um terreno com vista à construção de um edifício que serviria para a instalação da referida sede e onde também se pretendiam arranjar espaços para servir os sócios e toda a comunidade. Com a colaboração de todos os sócios, foi-se dando corpo, pouco a pouco, ao espaço físico hoje existente.
         A actividade mais antiga desta colectividade é a que, como já referido, deu origem à sua criação: o futebol., disputando anualmente o campeonato distrital do INATEL. Depois, seguiu-se a criação de um grupo cénico, que todos os anos participa nas Jornadas do Teatro Amador promovidas pelo Lions Clube da Figueira da Foz.
         O Rancho Estrelinhas da Chã, fundado há 16 anos, tem diversas actuações em todo o país, com a participação em diversos festivais de folclore e organizando todos os anos o seu próprio festival. As duas secções mais recentes do GDRC são o grupo de dança ‘Nice Dance’, composto por 12 meninas entre os 5 e os 14 anos de idade, e a escola de música, neste momento com 10 alunos.
         Apesar do espaço físico, novos projectos e novos objectivos traçam o trabalho para a actual direcção que tomou posse no passado dia 1 de Maio, data em que se festejou 26 anos e que teve lugar a tradicional sessão solene.
         Fátima Trigo, que foi reconduzida no cargo de presidente da direcção, salienta como obra mais importante concretizada no último mandato a sala de espectáculos, para a qual recebeu um apoio financeiro de seis mil contos por parte da Comissão de Coordenação da Região Centro e ainda 900 contos do Governo Civil, pelo que afirma, no capítulo dos apoios, que “não me posso queixar”. A sala ficou dotada de uma plateia fixa, sistema de luzes e som e outros equipamentos de apoio.
         Como projectos mais importantes, e para um futuro próximo, Fátima Trigo destaca “uma alteração ao visual do bar”, com a criação de “um espaço jovem” com salas de máquinas, e ainda uma biblioteca.
         Mas os projectos contemplam ainda a criação de uma área de lazer no prolongamento do terreno da colectividade que “de momento não está a ser rentabilizado”. Pretende-se, nesse local, implementar também um equipamento desportivo de apoio, como um campo de ténis ou basquetebol. Futebol está fora de questão uma vez que coloca-se a possibilidade de, em parceria com a Junta de Freguesia de Tavarede, dinamizar o polidesportivo da Chã (ainda sem luz).
          
         Ainda em Março, e reportando-se ao teatro tavaredense, encontrámos mais a seguinte nota. A SIT apresentou, recentemente, as peças “O meu caso” de José Régio e “O Canto do Cisne” de Anton Tchekov.
         O “Canto do Cisne”, com encenação de Ilda Simões coloca em cena dois personagens, Vassili Vassilievitch (João Medina) e Nikita Ivanitch (Manuel Lontro) na qual um deles, Vassili, sente chegado o fim da sua carreira e relembra o seu passado de entrega ao palco. Curiosamente, o texto de Tchekov é quase uma remake dramática da vida do próprio João Medina, que tem a mesma idade que o personagem, mas certamente mais de 45 anos de teatro.
         Medina revela mais uma vez ser um actor de valor e a contra-cena com Manuel Lontro chega a ser comovente, pois a saga dos personagens confunde-se com a dos actores. Mau grado alguma dicção pouco marcada e com dificuldades de entendimento para a sala, os gestos, a inquietação, a dor e as emoções do personagem Vassili transferem-se para o público com facilidade.
         Em “O meu caso”, de José Régio, a situação é contrária. Valdemar Cruz tem dificuldade em ser credível dando pouca autenticidade ao personagem. A peça, que tem falhas de ritmo, conta com duas soberbas interpretações: uma inexcedível Paula Simões, que faz o papel de uma actriz fútil e vazia, vivendo da sua vaidade e narcisismo e uma Maria da Conceição Mota, segura, rítmica, convincente no seu papel de “autora”. Boa nota para o conjunto e para a “coragem” estética da encenadora.

         Depois de ter participado nas Jornadas do Teatro Amador com a peça de Pirandello, o grupo cénico da SIT voltou a apresentar uma nova peça do dramaturgo português, Luís Francisco Rebelo. E é relativamente a esta peça que encontrámos este apontamento. Luiz Francisco Rebello, ao ter conhecimento através da Antena 1, que a SIT estaria a ensaiar a peça “É urgente o amor”, contactou-nos para nos informar que tinha escrito uma segunda versão e que gostaria que nós a representássemos. Ficámos muito sensibilizados e de imediato lemos esta versão que o autor teve a amabilidade de nos enviar, dado ainda não estar publicada. Como houve necessidade de fazer algumas alterações, pois já estávamos numa fase de trabalho adiantada, tivemos um encontro com o Dr. Luiz Francisco Rebello para lhe dar conhecimento da forma que tinhamos encontrado para solucionar o problema que esta segunda versão nos colocava. Tendo o autor concordado com a forma que encontrámos para representar a peça na sua segunda versão, de imediato fizemos as alterações e estamos prontos para levar à cena este drama magnífico e bastante actual.
A par de amadores com larga experiência de Palco, temos gente com pouca ou nenhuma experiência no Teatro mas com uma enorme vontade de aprender. Esperamos de novo ter a colaboração da Imprensa para a divulgação deste espectáculo e gostaríamos de no dia 24 de Abril poder contar com a vossa presença.

O Doutor Luiz Francisco Rebello assistirá à estreia da nossa peça, o que muito nos honra. Embora já não seja a primeira vez que este autor se desloca à SIT é sempre um enorme prazer ter a presença de uma pessoa de tão grande mérito na nossa Casa.
          A primeira representação teve lugar no dia 24 de Abril de 2002. Apresentando em estreia, com lotação esgotada e honras de presença do autor da peça – Luís Francisco Rebello – e também do engº Duarte Silva com alguns dos seus vereadores, a peça “É urgente o amor”, a Sociedade de Instrução Tavaredense deu uma lição de como é possível pôr a evolução tecnológica ao serviço do teatro de qualidade, aspecto a merecer uma referência muito especial para os homens que do escuro dos bastidores souberam fazer dos efeitos de luz “actores” decisivos na espectacularidade da representação, prescindindo das tradicionais descidas de pano para mudanças de acto.
         E foi, apoiados nessa mais-valia dos desenhos de luz, que os oito personagens “viveram” a tragédia da jovem Branca (Luísa Rosmaninho, com a naturalidade espantosa de transformar os problemas de há meio século em chagas de hoje) vítima daquela encruzilhada de vidas sombrias onde a mãe (Ilda Manuela Simões essa continuadora da escola de mestre José Ribeiro que lhe permite ser “pau para todo o serviço” – actriz a fazer inveja a muitos profissionais, encenadora de méritos reconhecidos e que nesta peça soube ganhar o desafio desta coabitação com os desenhos de luz, onde é justo deixar um aceno de muito apreço para José Miguel Lontro) soube assumir a mentira que serviu de suporte à peça em que os papéis de maus do enredo tiveram magnífica interpretação nas pessoas de João José Silva (Alberto, o ausente da terra mas sempre presente no palco e direcção de cena, peça da mobília), e José Medina, um “Jorge” à medida das circunstâncias (dificílimas) em que se viu envolvido naquela teia de mentiras tão bem realçadas na penumbra da repartição de polícia onde o chefe (António Barbosa) e o seu agente (João Pedro Amorim) cumpriram as formalidades de assinalar o desenlace fatal esquecendo as denúncias de Margarida (Paula Sofia Simões), esposa traída, e da Madalena (Susana Neves), a falsa amiga da vítima
         Porque as exigências técnicas de apoio à peça não deverão permitir a representação desta fora do Teatro da SIT, razão porque não está integrada nas Jornadas de Teatro Amador, e porque a alta qualidade do desempenho justificam plenamente a presença de quem tem gosto pelo bom teatro, aconselhamos uma deslocação a Tavarede para assistir a “É urgente o amor” numa das repetições que a muita afluência registada justificam.

         Ainda sobre esta peça e sobre a sua apresentação pelo grupo dramático da SIT, vamos transcrever mais uma nota encontrada. Sorririas, mestre Ribeiro, se ao lado de todos nós, presenciasses a todo um ideal que defendeste, a toda uma postura fiel a uma escola por demais viva e marcante, onde os teus princípios se traduziram não só na escolha do grande autor dramaturgo Luís Francisco Rebelo, mas em toda a envolvência programática feita de rigor, disciplina e método, aliado a uma grande alma e teatro, bem patente na dedicação, talento e garra desta gente do “povo comum”, que te honra e te segue passo a passo.
         Foi a primeira vez, mestre Ribeiro, que pisei esta sua segunda casa, quando junto à Igreja de Tavarede iniciei caminhada a pé, escalando o pequeno percurso das ruas estreitas em direcção à SIT. Depois da primeira subida, o corte à direita, uma grande luz iluminava a colectividade e logo a dita “catedral do teatro” estava ali, em frente aos meus olhos.
         A azáfama era grande entre os que organizavam as entradas e acomodamento do público e aqueles que metodicamente colocados nos seus postos, se preparavam para dar corpo à envolvência da representação, com um ambiente cenográfico adequado e, diga-se com justiça, perfeitamente conseguido.
         Às pancadas de Molière sucedeu-se um grito de angústia e morte, ao silêncio espectante da plateia, a envolvência arrepiante do resgate de uma causa perdida, o barulho ritmado das hélices de um helicóptero, as luzes em movimento estonteante, num bailado aflito de desespero e drama, e o público ali no meio, tomando conhecimento e certificando-se do inevitável fim de Branca, uma jovem que entre o inconformismo e a esperança, procurou o amor, sem nunca o ter conseguido. 
         Orgulhosa poderá e deverá estar esta autêntica equipa da SIT, porque para além do mais, apresentou aspectos técnicos que tiraram um maior rendimento à pretensão da mensagem transmitida. No palco, um ambiente tão curioso quanto enigmático, onde a determinados “espaços de acção”, se juntavam a totalidade ou quase totalidade dos personagens, embora em ambientes perfeitamente definidos, a delegacia policial, Branca no além, ora prostrada no chão representando a morte, ora em acesas discussões e interpelações, com um alinhamento à sua volta, das pessoas da sua relação, ou ainda no exercício do regresso ao passado no espaço íntimo do seu próprio quarto. Tudo isto com o auxílio caprichado de um jogo de luzes onde cada individualidade alternava a acção com um silêncio presente, quedo e mudo, na penumbra do palco e numa postura comprometedora de conivência e sentido e culpa pelo desenlace fatal. Foi o prender da plateia a cada um dos intervenientes, mantendo uma relação forte entre o público e aquilo que cada uma significava para a procura da verdade.
         António Barbosa e João Amorim, ou melhor dizendo, o chefe e o agente Simões, de forma segura, serena e tranquila, conseguiam materializar a imagem pretendida de uma força de autoridade, que por função tinha deslindar um caso de hipotético acidente, suicídio ou homicídio, mas com um tal empenho de carácter duvidoso, entre a investigação dos factos e o interesse preferencial de umas boas palavras cruzadas, onde o saber qual o imperador romano com oito letras se lhes afigurava um objectivo de primordial importância.
         Susana Neves, no papel de Madalena, evidenciou atributos de uma artista em potência, com uma forte sensibilidade e uma margem enormíssima de progressão. Esta Madalena, nada arrependida de considerar os homens todos iguais e a mesmo tempo nutrir um carinho demasiadamente “especial”... por Branca.
         João Silva mostrou talentosamente como um drama não é só representação “séria” como pensará o “senso comum”. Com passos de quem bem conhece os caminhos de um palco, levou à cena o personagem Alberto, naquele que se pode afirmar tratar-se de um “chulo de cinco estrelas” que não via com bons olhos quando o dr. Jorge ameaçava deixar Branca, sua namorada, o que obviamente lhe colocaria instabilidade financeira. Por acréscimo da sua falsidade e cobardia, fugia a sete pés quando via o mar mais alto que a terra, nas discussões de Branca com sua mãe, provocando momentos de grande divertimento na plateia.
         Um elenco acima de tudo experiente, onde José Medina assume essa forte mensagem em cada palavra e em cada gesto, de como o tempo amadurece e dá consistência, como na vida também no teatro. E assim foi a melhor escolha para um dr. Jorge, com uma bonita idade para... não ter juízo assumindo-se com um verdadeiro mecenas que vivia entre o adultério e o conceito de família respeitosa, que não podia ser beliscada fosse por que preço fosse.
         Ilda Simões estará decerto duplamente feliz, porque na qualidade de encenadora viu a sua gente dar expressão aos seus desejos, com actuações de grande qualidade artística,  que ao facto não será alheio a sua galvanizante presença em palco, onde no papel de mãe de Branca, fez jus a uma brilhante interpretação feita de engenho e arte, num apelo muito forte ao estado de alma que apenas advém de uma genuina artista de teatro.
         Mãe de Branca era, como dizia Alberto, um “velho coiro” que incentivava a sua filha a uma relação amorosa com o dr. Jorge, de forma a tirar dividendos financeiros de tal situação.
         O bom e o bonito foi o aparecimento de Margarida, esposa do dr. Jorge e autêntica figura mistério, com acção apenas na parte final da história. Revelou a todos, e especialmente ao seu marido, que afinal de contas sabia de tudo, sofrendo no silêncio e na ânsia de recuperar só para si o dr. Jorge. Acabou por interferir também no labirinto de desencanto que levou à morte de Branca. Paula Simões, num menor tempo de actuação, provou com Margarida não deixar créditos por mãos alheias e chegar aos níveis altos dos seus colegas.
         Luísa Rosmaninho (Branca), que excelentes momentos nos proporcionou, mais um grande exemplo de que não é só preciso saber-se fazer teatro, isto no que concerne puramente aos aspectos técnicos de representação, mas também sentir o teatro, e se assim se pode dizer, com a sensibilidade do coração, numa aproximação de como quase fosse uma situação real.
Procurou dentro de si as suas qualidades inatas, que não se compram, não se vendem, não se aprendem, mas apenas teremos que lhes dar espaço para se revelarem. Luísa Rosmaninho é sem dúvida um nome a fixar.

Em tempos de tão badalada crise teatral, em boa hora organizou e apoiou o Lions Clube da Figueira da Foz estas jornadas de teatro amador, e se crise existe, então digo eu com toda a certeza, de que afinal não é geral e Tavarede é mais um bom exemplo e como o teatro no concelho da Figueira da Foz está forte e vivo e, sinceramente, recomenda-se.

sábado, 28 de março de 2015

Histórias e Lendas -

                   Muito usual, especialmente nas tardes passadas nos pinhais, era o chamado jogo de tracção. Formavam-se duas equipas e com uma corda, que cada equipa puxava numa ponta, procurando mostrar mais poder, arrastando a equipa adversária.
  
Muitos outros eram os chamados jogos tradicionais jogados na nossa terra e nas outras aldeias. Não vamos enumerá-los todos, pois praticamente era uma tarefa impossível. Mas não podemos esquecer uma referência aos chamados jogos de cartas. Fomos à busca da sua história.
Há indícios de que as cartas de baralho surgiram na China, por volta do século X a.C. O baralho criado antigamente, foi recebendo alterações até chegar ao popular baralho que conhecemos e, ainda hoje, existem variações diversas.É difícil mensurar a quantidade de jogos de baralho que existem no mundo, mas existe uma coleção de livros, "Os Melhores Jogos do Mundo", que tem um volume destinado a falar sobre os jogos de carta, e apresenta 128 opções de jogos. Além dessa quantidade imensa de jogos, as regras de cada um deles variam de região para região pois, ao serem disseminadas, foram adaptadas pelos jogadores.
O baralho atrai por ser um único instrumento de distração que pode ser usado de várias maneiras distintas, ou seja, é possível distrair-se com vários jogos distintos, utilizando-se da mesma ferramenta.

Na nossa terra os mais costumados eram a sueca, o garujo, copas e o marimbo. Comecemos pela sueca.  Requisitos Para jogar, são necessários quatro jogadores, divididos em duplas, sentados à volta da mesa, de modo que cada dupla fique a frente uma para a outra. O baralho de sueca não contém as cartas "8", "9" e "10" Joga-se no sentido contra-horário e cada jogador deverá receber 10 (dez - uma vez que o baralho contem 52 cartas, ao reterar os 8 9 e 10 ficará com 40, e 40 a dividir por quatro jogadores é 10) cartas, de modo que o baralho todo seja usado. É importante frisar que o baralhar, cortar e distribuir das cartas segue uma ordem rígida e específica, de modo que qualquer irregularidade (intencional ou não) neste processo resultará em penalidade para a dupla infratora(caso o jogo tenha se iniciado).

Supondo uma mesa composta (no sentido contra-horário) por A, B, C e D, onde A e C formam uma dupla, e B e D outra: A baralha, C corta, D distribui e A começa. A cada rodada do jogo, a "mão" roda para a direita, fazendo então com que B baralhe, D corte, A distribua e B comece.
O jogador que for o distribuidor de cartas poderá escolher se distribuirá as cartas começando por si ou se será o último a receber. Se escolher ser o último, começará distribuindo as cartas para sua direita e seguirá a ordem. Sua última carta deve então ser virada para que todos possam ver e o naipe desta carta determina o naipe do trunfo. Caso escolha começar por si, a carta do trunfo deverá ser a primeira a ser virada do monte, destribuindo para a sua esquerda. De recomendar que as cartas depois de cortadas devem ser juntas num só monte, não podendo haver mais que um monte em cima da mesa.

Regras do Jogo - Lembra-se que a sueca, diferentemente do truco é um jogo "calado"; parceiros não podem conversar entre si em nenhuma hipótese, sob pena de cancelar a rodada actual e iniciar outra. De nenhuma maneira é permitido que os parceiros mostrem suas cartas um para o outro, mas não há problema em mostrar suas cartas para o jogador seguinte se alguém assim o desejar (apesar da desvantagem estratégica). Não se poder colocar nenhuma carta em cima da mesa enquanto não chegar á sua vez de jogar.

O jogador determinado deve então iniciar o jogo colocando uma de suas cartas sobre a mesa. Esta carta define o naipe da puxada (naipe que todos os jogadores deverão seguir). Quando todos os jogadores tiverem colocado suas cartas na mesa, aquele que colocou a carta mais alta "ganha" aquela vaza .
 A cada vaza ganha, as cartas são viradas com seus valores para baixo (apenas depois que todos os jogadores possam ver que cartas foram jogadas) e guardadas em uma pilha separada por um dos membros da dupla que a ganhou. O jogador que colocou a carta mais alta então deve voltar o jogo, ou seja, colocar uma nova carta na mesa definindo uma nova puxada.
Não é permitido olhar as cartas que já foram jogadas em cada monte de cartas usadas, mesmo que o interessado tenha ganho aquela vaza anteriormente. Única exceção se abre para a vaza recém-jogada, desde que não se tenham colocado novas cartas na mesa.
Em determinado momento do jogo, se um jogador não possuir o naipe da puxada, ele pode colocar uma carta de qualquer naipe na vaza. Se a carta que o jogador escolher for do naipe do trunfo, então o jogo está cortado, e irá para este jogador, a não ser que seu adversário corte mais alto, colocando uma outra carta de trunfo superior à primeira.
Nota-se no entanto que: a)Todos os jogadores que ainda puderem, deverão obrigatoriamente seguir o naipe da puxada, independentemente do jogo ter sido cortado ou não b)Se uma dupla desconfiar que seus adversários quebraram a regra "a", podem acusar renúncia por parte dos adversários. c)Se um jogador puxar de 4 ases seguidos os adversários ganham automaticamente 4 pontos.
Ao invocar o item "b", os acusadores podem rever vazas anteriores, na tentativa de provar que os adversários renunciaram. Se for comprovada a renúncia, os acusadores ganham o jogo automaticamente (4 pontos).
Em tempos recentes, umas das novas regras aplicadas no Campeonato Mundial de Sueca (Portugal, 2008) que foi recebida com muita controvérsia, é que tendo um ou mais de um jogador recebido 6 ou mais cartas do mesmo naipe, este ou estes jogadores poderão baixar as cartas e requerer um novo baralhar e receber novas cartas.
Se um jogador de uma equipa obter os 4 ases , a outra equipa perde automaticamente.
Também muito jogado era o garujo. Jogado por duas equipas de três jogadores, tinha como valores: o valete de paus, o garujo e a dama de ouros, a douradinha. Quando as equipas tinham dois jogadores, tomava o nome de liques, se oito, era o zangarelho, neste caso o valor mais alto era  o às de paus. Também se jogava com 10 jogadores, tomando o nome de gamito e sendo a carta de maior valor o dois de paus. Era um jogo muito divertido e alegre em que, quando uma das equipas pensava ter seguro as duas vazas necessàrias, cantava, cada vaza valia três pontos, a seis, respondendo a equipa adversaria que aceitava ou cantava a nove se tinha jogo para isso. Eram usados sinais que os jogadores passavam ao mandante da equipa.
 Também se jogava muito as marimbo e às copas. O primeiro jogava se normalmente a dinheiro, em que dez feijões custavam um tostão. Valor insignificante, mas o objectivo era passar o tempo.

Termos usados em jogos de cartas Rodada: .

·         Vaza: Rodada onde cada jogador, na sua vez, descarta uma carta. Também é usado para designar um grupo de cartas de determinados jogos.
·         Envide: Rodada de apostas.
·         Tento: Nome dado aos pontos em jogos com baralho espanhol.
·         Trunfo ou manilha: Carta mais forte do jogo.
·         Senha ou sinal: Gesto específico utilizado para indicar uma carta que se tem na mão.
·         Carteador : Jogador que, após sorteio, se encarregará de embaralhar as cartas e distribui-las aos demais jogadores.
·         Mão: Primeiro jogador que recebe cartas em cada rodada, e consequentemente será o primeiro a jogar na rodada. O termo também é utilizado para designar a partida jogada entre um embaralhamento e outro de cartas.
·         : Último jogador que recebe cartas em cada rodada, e consequentemente será o último a jogar na rodada, e de fato será o ultimo a jogar nessa rodada .

·         Bater: Baixar todas as cartas que se tem na mão e vencer o jogo.

O Associativismo na Terra do Limonete -

          A habitual sessão solene, comemorativa do evento, foi realizada no domingo seguinte. Quase se pode considerar, ter sido com pompa e circunstância, a comemoração do 98º aniversário da SIT – onde cinco obreiros foram laureados com o emblema de ’50 anos de sócio’.
         Nas várias intervenções, destacamos a forma directa de Rosa Paz, presidente da colectividade, que referiu: “não é qualquer instituição, como nós, que leva num ano ‘4 peças de teatro ao palco’, independentemente das críticas – pouco ou nada se faz neste local”.
         Numa colectividade, onde tudo aparece à custa da nova carolice, é quase ‘um atrevimento’. 2001 não foi um ano de facilidades, mas também não queremos coisas fáceis, ‘queremos coisas que nos dêem luta’. Temos, acima de tudo, ainda que com muitas privações, ‘fazer teatro’, onde Ilda Simões tem sido a grande dinamizadora, não esquecendo a dedicação de todos, técnicos e amadores, que levam à cena ‘o espectáculo perfeitamente apresentado’, o que sempre corresponde a ‘casa cheia’. Venham daí, todos aqueles que atiram pedras para o charco”.
         Rosa Paz, sem papas na língua, evocou mesmo Mestre José da Silva Ribeiro, “o que tentamos fazer, e temos muito orgulho ‘mesmo vaidade’, o trabalho que a direcção e o grupo cénico estão a desenvolver”, sublinhando por outro lado “o futuro desta casa apresenta-se risonho”.
         Disse mesmo a líder da Sociedade de Instrução Tavaredense “aquilo que já foi um sonho, é neste momento realidade”, graças à Delegação Regional da Cultura do Centro e ao protocolo feito com a Escola da Noite, da SIT e já passou à prática.
         Dar o nosso apoio aos outros grupos de teatro do concelho e não só, é outro dos nossos objectivos, porque cada vez mais acreditamos na capacidade do teatro amador, onde surgem figuras que se tornam ‘grandes’.
         Gostaríamos de levar o barco a ‘bom porto’, acentuou Rosa Paz. Não somos de bater às portas que achamos necessárias. ‘Somos ambiciosas’ (direcção constituida por mulheres), lutaremos até ao fim, para conseguir atingir os objectivos que nos propuzemos, já lá vão ‘10 anos, abram-nos as portas por favor’. Em Tavarede, ama-se o teatro, vive-se para “ele”, concluiu.


         O Clube Desportivo e Amizade do Saltadouro festejou o 23º aniversário em Março de 2002. ... Segundo Fernando Serra, o presidente da direcção da colectividade, “foram 23 anos de muito trabalho, na concretização de um sonho de um pequeno grupo de homens, que quiseram dotar esta terra, ainda com tantas carências, e a sua gente, de melhores condições de vida, no âmbito do desenvolvimento cultural, recreativo e desportivo, e proporcionar aos jovens um complemento da sua formação, mais sadia e feliz”. 
         O dirigente associativo salienta ainda que “começaram do nada, sós, mas souberam, com o exemplo do seu trabalho e determinação, trazer amigos e foram sabendo e querendo que o sonho se realizasse”, e que “nunca a falta de apoios foi travão para parar”, pelo que “podemos mostrar a quem nos ajuda e connosco colaborou, que valeu a pena, a obra está visível”.

         Sobre este aniversário, é oportuno debruçarmo-nos sobre uma outra notícia, a qual historía um pouco do passado dessa associação. O Clube Desportivo e Amizade do Saltadouro festeja este domingo 24 anos de vida. A construção da sede foi um dos projectos mais acarinhados por todas as direcções, bem como a manutenção de algumas das suas valências, caso da escola de música e rancho Folclórico Os Cavadores do Saltadouro.
         Nesta edição, A Voz da Figueira mostra o percurso e as dificuldades com que a colectividade se debateu ao longo dos anos para manter a sua função de apoio a uma comunidade, no intuito de preservar o espírito associativo.
         O Clube Desportivo e Amizade do Saltadouro, em tempo festivo, vai comemorar o seu 24º aniversário no próximo domingo. A colectividade apareceu na ribalta do associativismo pela mão de 11 carolas e amigos que se reuniam inicialmente numa barraca e mais tarde fizeram a compra de uma plataforma em chapa, a qual serviu de suporte até há cerca de seis anos, tendo como referência a partida deste ainda curto percurso, a modalidade de atletismo, que esteve somente em competição apenas por dois anos.
         Mais tarde, sensivelmente em 1982, alguém pensou em se abalançar a um projecto para a nova sede e ele surgiu, o que abriu a possibilidade para o início das obras que redundaram, nos tempos que correm, em magníficas instalações.
         Segundo Fernando Serra, presidente da direcção, “foi possível este arranque na altura porque havia alguma verba em caixa, que se juntou a outras receitas provenientes da exploração do bar e diversas iniciativas. Há cerca de quatro anos deixámos a dita plataforma para dispormos da colectividade que hoje temos, a qual está praticamente concluída".
         Como curiosidade, ficámos a saber que “a plataforma custou 150 contos e para a nova sede jogou-se com um orçamento de 40 mil contos” (já foram gastos e pagos 32 mil contos, dos quais cerca de quatro mil contos contabilizados em oferta de mão de obra prestada por sócios).
         Fernando Serra foi-nos dizendo que a filosofia dos responsáveis da agremiação pauta-se exactamente por tomar decisões em termos de enriquecimento do seu património, consoante as disponibilidades financeiras. Nada é feito de ânimo leve, mas sim com os pés bem assentes na terra, referindo que “vamos construindo e não nos ficamos pelas promessas”.
         Pode-se dizer no entanto que o único subsídio a nível institucional adveio do anterior mandato da Câmara Municipal da Figueira da Foz (2.500 contos, em duas tranches) mais 350 contos anualmente para a área cultural (rancho folclórico e escola de música), acrescidos de 150 contos para despesas correntes. Há que destacar, no entanto, que “tivemos algumas ofertas anónimas e outras, da qual se pode destacar a dádiva do Intermarché de 500 contos”.
         Quanto às actividades em curso, referência para o Rancho Folclórico os Cavadores do Saltadouro (fundado em 1 de Maio de 1991), jogos tradicionais, cicloturismo, escola de música, equipa de pesca federada (10 elementos), teatro e janeiras.
         Pode dizer-se em abono da verdade, referiu o presidente da direcção, que “para fazer face a todas as exigências ou compromissos, a nossa grande fonte de receita vem sem dúvida da exploração do bar, concursos de pesca e deslocações ao exterior do rancho folclórico”.
         Fernando Serra, ligado há uma década à instituição, contando com sete de liderança, sustentou que além disso, tem contado “a cem por cento com a enorme colaboração de todas as equipas que ao longo dos anos vêm fazendo parte dos elencos directivos”, onde 50% são do escalão etário mais jovem.
         Quisemos saber quais as principais prioridades e objectivos para o futuro. Fernando Serra declarou ao nosso jornal que os mesmos apontam para acabar o piso do salão, afim de se poder dar início à prática de ginástica de manutenção e dança de salão, o acabamento do palco para que se possam representar algumas peças de teatro, cuja finalidade é fazer intercâmbios com outras colectividades, como é o caso da Filarmónica Figueirense que à sede do CDAS se vai deslocar no próximo dia 23. Posteriormente, “pensamos noutros voos, como seja o atletismo, reforçarmos o nosso rancho e biblioteca”, já com mais de 400 peças (a maior parte oferecida pelo sócio Aníbal Querido). Uma outra das ambições é entrar no desporto ‘PT/INTERNET’, afecto ao Ministério da Cultura. Outra preocupação vai no sentido da renovação do guarda-roupa do rancho folclórico, mas necessitam-se de ajudas, aliadas à boa vontade dos elementos femininos que confeccionam os seus fatos. Um outro vector que Fernando Serra considera importante, é a “captação/cativação da juventude para que ocupem o nosso espaço nos tempos livres, pois existem condições próprias para o efeito”.
         Se falarmos em dificuldades, Fernando Serra foi expontâneo: “tem sido a construção da sede uma das grandes lutas”, porque “os apoios foram escassos. Mesmo assim, nunca pararam as obras por falta de dinheiro, graças também à gestão das direcções”. Outro aspecto focado vai para um alerta: é necessário alargar o corpo directivo.
         Para que se fique a saber, o Clube Desportivo e Amizade do Saltadouro foi fundado a 11 de Março de 1979, e o terreno onde se encontra instalada a sua sede social foi doado por José Ferreira do Vale. O Rancho Folclórico Os Cavadores do Saltadouro, é constituído por 38 elementos e é superiormente dirigido pelo seu ensaiador José António Andrade Costa.

sábado, 21 de março de 2015

Histórias e Lendas - 25

Jogos tradicionais
Coisas do antigamente!


         Vamos começar esta ‘história’ com uma pergunta: na nossa aldeia, ou melhor dizendo, nas nossas aldeias, ainda se brinca? A nossa resposta, e disso temos muita pena, é um não! É verdade. Nos nossos tempos de criança, a nossa pequenina Tavarede, terra de muito trabalho desde sempre, era muito diferente dos tempos de hoje. No amanho das terras ou nas oficinas da cidade, o povo tavaredense, homens e mulheres, demonstravam alegria e felicidade.
         Várias vezes nos temos referido às alegres cantigas que frequentemente se ouviam por toda a aldeia. Cantigas do teatro normalmente. A rapaziada, aproveitando todas as folgas da escola ou da ajuda aos pais, jogavam à bola de trapos, ao pião ou ao berlinde.
         Saudosos tempos que já não voltam. Agora, em lugar de andarem por montes e vales das redondezas jogando às escondidas enquanto as raparigas se entretinham jogando ao anelinho ou à macaca, passam horas diante dos computadores ou acompanhando as novelas que as televisões transmitem.
         Não mais vimos os rapazes e as raparigas da terra jogarem ao eixo ou à macaca. As associações organizavam agradáveis piqueniques, habitualmente em locais agradabílissimos nas vizinhanças da terra e aos quais as famílias acorriam com entusiasmo. Ali se devoravam apetitosos pitéus e se bebiam umas pingas, ganhando forças para passarem as tardes jogando alguns dos muitos jogos tradicionais que tão populares eram.
         Não se pode deixar de sentir imensa saudade das tardes domingueiras em que, homens e mulheres, novos e menos novos, ocupavam a rua principal para jogarem à pela. O pouco trânsito de então permitia a ocupação da rua.
         Fomos à procura da definição de diversos jogos tradicionais tentando saber suas origens e as ‘clássicos’ regras. Começámos, precisamente, pela pela. . O jogo da péla (também se diz apenas péla) é um jogo muito praticado outrora, que consistia em atirar uma bola (a péla) de um lado para o outro, com a mão ou com o auxílio de um instrumento (raquete, bastão, pandeiro, etc.), num local próprio para esse fim.
O milenar joga da péla é considerado um dos ancestrais do ténis. Desde o século XIII era praticado em salas fechadas. O jogo atingiu seu auge no século XVII, sendo praticado por clérigos, burgueses e príncipes.
Arqueólogos franceses, do INRAP – (Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas) descobriram vestígios do que pode ter sido a principal quadra oficial do genro, em sala anexa ao Versalhes, provavelmente datando do reinado de Luís XIII (1610-1643). Segundo o INRAP a sala foi desactivada em 1643, quando assumiu o trono Luís XIV - que tinha um problema na perna e não podia nem jogar nem dançar.


Confessamos a nossa total ignorância sobre as origens dos jogos e, pelos vistos, este tem origem aristocrática!
Outro jogo muito popular era o chamado jogo da malha ou fito. As tabernas da terra, para atraírem clientela, tinham recintos próprios. Encontrámos o seguinte sobre este jogo. Num terreno liso e plano são colocados os paus cujo objectivo é derrubá-los. Serão colocados pinos a uma distância de 15/18 metros dos paus, para os jogadores lançarem as respectivas malhas atrás dos pinos colocados à distância. Joga um elemento de cada vez. Objectivo é derrubar o pau com a malha ou colocar a malha o mais perto possível do pino, lançando-a com a mão.


         As malhas, pequenos discos em ferro, tinham peso variável bem como a distância dos tabuleiros, no centro do qual se colocava o respectivo pino. Eram muito praticados nas tardes de domingo, chegando a organizarem-se torneios.
         Os rapazes, no entanto, preferiam a bola de trapos. Andávamos sempre à espreita de meias velhas, rotas, que enchíamos de trapos. Muitas vezes punhamos no meio uma pequena pedra para dar peso. Depois faziam-se as habituais jogativas, normalmente no campo da Sociedade, embora, não raras vezes, se fizessem os jogos nos largos do Paço ou da Igreja. O dono da bola tinha sempre lugar numa das equipas.
 
          De vez em quando eram organizadas tardes desportivas com a prática de vários jogos populares. A corrida de sacos, de três pés, da colher na boca com um ovo e outros mais, tinham lugar no largo do Paço e na velha rua Direita.
 

         Os rapazes, especialmente os mais novatos, preferiam o pião e o berlinde.
 
         As raparigas, por sua vez, davam a sua preferência ao jogo da macaca e ao salto à corda.


O Associativismo na Terra do Limonete - 120

Ainda no mesmo ano, o Grupo Musical e de Instrução comemorou o seu aniversário. Com um programa bastante variado, passando pela parte cultural, animação e desportiva, desde o passado dia 29 de Julho, que o Grupo Musical de Instrução Tavaredense iniciou as festividades comemorativas dos seus 90 anos de vida, que culminaram no último fim de semana, no decorrer de uma sessão solene, presidida pelo vereador Azenha Gomes, tendo como orador oficial Miguel Almeida.
Um dos pontos altos desta cerimónia, foi vivida na evocação feita a Augusto da Silva Jesus, sócio e dirigente durante 44 anos, a quem foi prestada uma justa homenagem, onde o seu trabalho árduo e dedicado foram bem vincados.       Já não é nos tempos de hoje e é do conhecimento público, as várias oscilações porque tem passado a agremiação tavaredense,cuja última década tem sido de alguma controvérsia.
Não foi difícil perceber tal situação, perante a lacónica intervenção do presidente cessante Paulo Medina: “tudo bate palmas, tudo é bonito, mas estamos a esquecer as formiguinhas pequeninas que trabalham aqui, sem importância nenhuma e a quem não ligamos, mas se fizermos casas e as fecharmos, apanham bolor e ninguém faz nada por elas. Se não forem os bichinhos, os pequeninos que passam pelas direcções, a fazerem um trabalho exemplar durante um ano e não são reconhecidos ‘ninguém os conhece!’... Gostava de dizer que sou um jovem de 35 anos, vivo o Grupo, e que fiquei cá neste mandato somente pela simples razão (a qual muita gente não sabe), que a colectividade estava para fechar as portas, sendo um grupo de amigos que se reuniu à última da hora durante o mês de Setembro, que fez a vida da colectividade continuar em frente. Esses sim, é que merecem os elogios e as tais referidas palmas”.
A terminar sublinhou: “em Tavarede não existe só uma colectividade, mas cinco. O que sucede por vezes, e que lamento, é o facto das entidades que estão à frente de Tavarede não tratem todas de modo igual, é só isto que pretendo dizer”, concluiu.

Também a associação carritente festejou o seu 80º ano de existência. Com muitas tradições culturais, principalmente nas áreas do teatro e da música, o Grupo Musical Carritense comemorou o seu 80º aniversário no decorrer de uma sessão solene presidida pelo vereador Azenha Gomes, em representação da Câmara Municipal, ao qual se associaram elementos de várias colectividades.
Um dos pormenores retidos nesta cerimónia, foi o facto da instituição aniversariante ter estado encerrada cerca de seis meses. Em relação a este impasse, o seu presidente Adelino Lopes, referiu as dificuldades por que tem passado a sua agremiação, queixando-se da falta de carolice de pessoas que efectivamente poderiam colaborar no prosseguimento das suas actividades, focando no entanto que é sempre bastante trabalhoso, requer bastante dedicação e sacrifício, o que leva as pessoas cada vez mais a afastarem-se, dadas as dificuldades muitas vezes presentes.Por outro lado deixou um recado a quem de direito, que se têm esquecido um pouco deles, relativamente à falta de apoios, que têm sido bastante limitados, frisou Adelino Lopes, deixando um apelo para a premente necessidade de ajuda, no sentido de se poderem fazer algumas obras de beneficiação na colectividade, cujo orçamento rondará os 3 mil contos.
A concluir, deixou no ar um enorme desejo: é nossa pretensão relançar novamente o teatro e a escola de música, chamando a atenção daqueles mais entendidos que devem comparecer a fim de se dar outra vida ao Grupo Musical Carritense, pois estas duas vertentes têm estado paralizadas.

As Jornadas do Teatro Amador de 2001, tiveram a participação do grupo cénico tavaredense, que apresentou as atrás referidas peças de Tchekov, num espectáculo realizado na sede do Sport Clube de Lavos.


Em Outubro, o Ateneu Alhadense efectuou um encontro associativo, no qual participou o grupo da SIT. “....Depois de um curto intervalo, chegou o momento tão aguardado pelos amadores da SIT. E foi o que se esperava: a representação do “Urso”, de Tchekov, em que a amadora (artista diria) e encenadora Ilda Simões deu conta do seu inegável talento contracenando com o consagrado José Medina, a confirmar o seu enorme traquejo nestas lides teatrais, correctíssimo também o difícil papel de “mordomo”.
 A assistência vibrou e aplaudiu de pé, mas Ilda Simões não dispensou de homenagear um alhadense que dedicou toda a sua vida ao Ateneu e que também prolongou a sua prestação à SIT – em representações em louvor da planta cheirosa, “o limonete”. Chamados ao palco os amadores do Ateneu e a numerosa embaixada de Tavarede, ali cantaram com entusiasmo em fim de festa a célebre música que Anselmo Cardoso escreveu para o seu amigo José da Silva Ribeiro”.

O aniversário comemorado em Janeiro de 2002 teve, no seu espectáculo de gala uma nova peça, O homem, a besta e a virtude. No seu 98º aniversário, a Sociedade de Instrução Tavaredense (SIT) levou e mantém em cena a peça “O Homem, a Besta e a Virtude” de Luigi Pirandelo, autor dos inícios do século XX. Não é fácil representar Pirandelo, mas os actores e actrizes da SIT já nos habituaram a não terem dificuldade em representar qualquer peça de teatro, por mais difícil que seja.
         Fernando Romeiro, o actor principal e que se mantém em cena todo o tempo, tem um desempenho excelente, no papel do professor Paolino que dá aulas particulares a vários jovens entre eles, o filho da senhora Perella com quem tem uma relação amorosa.
         Aquela personagem, a quem o marido, o capitão Perella não liga, mesmo quando vem a casa passados meses, é bem desempenhada por Rosa Paz que também já nos habituou com a sua presença em palco. Rogério Neves personifica muito bem o autoritário e machista capitão Perella.
         O bom desempenho de todos: o doutor Nino, por Valdemar Cruz; o senhor Tótó, farmacêutico, António Barbosa; Rosária, a governanta, Manuela Mendes; os estudantes, Gil e Abel, representados por José Miguel Pereira e Anselmo Cardoso; Nónó, João Pedro Paz; Graça, a criada, Maria Helena Rodrigues e o marinheiro, João José Silva, faz com que ao longo de aproximadamente duas horas se assista a teatro de qualidade, apanágio da SIT ao longo da também já sua longa existência, uma vez que está a dois anos da comemoração do seu centenário.


         Mas por trás dos bastidores toda uma equipa trabalha afincadamente, antes, durante e depois, dirigida e coordenada por Ilda Simões que tem feito um bom trabalho e que tem a seu cargo a encenação e direcção de cena, equipa composta por José Miguel Lontro, Nuno Pinto, José Maltez, Otília Medina, João Pedro Amorim, João Fadigas, José Manuel Cordeiro e Vitor Assis.
         Vocacionada desde sempre para o teatro, a SIT está a desenvolver um projecto a que concorreu, através da Delegação do Ministério da Cultura da Região Centro, tendo em vista a formação nos vários domínios, o adequado apetrechamento técnico e um arquivo documental ligado ao teatro, de forma a que possa vir a apoiar os outros grupos de teatro amador do nosso concelho, que é um exemplo no país e a testemunhar estão as 25ª Jornadas de Teatro Amador, organizadas pelos Lions Clube da Figueira da Foz e que irão decorrer a partir de 27 de Março, nas quais estão inscritos 26 grupos de teatro.

sábado, 14 de março de 2015

Histórias e Lendas -

Iconografia e veneração

A sua representação iconográfica de longe mais frequente é a de um jovem tonsurado envergando o hábito dos frades franciscanos, segurando o Menino Jesus sobre um livro ou entre os braços, a quem contempla com expressão terna, e tendo uma cruz, ou um ramo de açucenas, na outra mão. Esses atributos podem ser substituídos por um saco de pão, que distribui entre pobres ou idosos. É considerado padroeiro dos amputados, dos animais, dos estéreis, dos barqueiros, dos idosos, das grávidas, dos pescadores, agricultores, viajantes e marinheiros; dos cavalos e burros; dos pobres e dos oprimidos; é padroeiro de Portugal, e é invocado para achar-se coisas perdidas, para conceber-se filhos, para evitar naufrágios, para conseguir casamento.
A devoção popular o colocou entre os santos mais amados do Cristianismo, cercou-o de riquíssimo folclore e lhe atribui até os dias de hoje inúmeros milagres e graças. Igrejas a ele consagradas se multiplicam pelo mundo, tem vasta iconografia erudita e popular, a bibliografia devocional que ele inspira é volumosa, e em sua homenagem uma quantidade incontável de pessoas recebeu o nome António, além de inúmeras cidades, bairros e outros logradouros públicos, empresas e mesmo produtos comerciais em todo o mundo também terem seu nome.
Na tradição lusófona Santo António está acima de todos em prestígio. Sua veneração foi levada de Portugal para o Brasil, onde enraizou rápido e também dominou o coração do povo. Era tanta a familiaridade que o santo inspirava, que passou a ser uma espécie de "propriedade privada" de todos. Como relatou Grillot de Givry, "não há casa que o não venere no seu oratório e não satisfeita ainda com isso a comum devoção dos fiéis, cada um quer ter só para si o seu Santo António". Estava em toda parte: "nos nichos de pedra, pintado em azulejos, a guardar as casas, em caixilhos de seda à cabeceira da cama a vigiar-nos o sono, nos escapulários e bentinhos junto ao peito, a acautelar-nos os passos, esculpido e pintado para preservar dos perigos, pintados nas caixas de esmola, nos santuários e oratórios". Também era invocado pelos senhores para recuperar escravos fugidos.
A mesma familiaridade criou práticas esdrúxulas no culto popular. Se um pedido não era atendido, a imagem do santo podia ser submetida a torturas e castigos. Deitavam-na de barriga para o chão e punham-lhe uma pedra em cima; escondiam-na num poço escuro, retiravam-lhe o Menino Jesus dos braços, ou arrancavam-lhe o resplendor. Acreditava-se que o castigo acelerava a concessão da graça, e explicavam a violência dizendo que em sua juventude o santo desejara morrer martirizado em nome da fé. Luminares do clero, como o padre Vieira, também de certa forma reforçavam essas crenças. Num sermão disse:

"Não haveis de pedir a Santo António como aos outros, nem como quem pede graça e favor, senão como quem pede justiça. E assim haveis de pedir a Santo António: não só como a quem tem por ofício deparar tudo o perdido e demandado como a quem deve e está obrigado a o deparar. E senão dizei-me: por que atais e prendei esse santo, quando parece que tarde em vos deparar o que lhe pedis? Porque deparar o pedido em Santo António não só é graça, mas dívida. E assim como prendei a quem vos não paga o que vos deve, assim o prendeis a ele. Eu não me atrevo nem a aprovar esta violência, nem a condená-la de todo, pelo que tem de piedade".
É um dos santos honrados nas popularíssimas Festas Juninas e diversos costumes folclóricos estão ligados a ele. A título de exemplo, no Brasil moças casadoiras retiram o Menino Jesus das estátuas e só o devolvem quando arrumam casamento; uma prece especial, os "responsos", são feitas para que ele ajude a encontrar objetos perdidos; no dia de sua festa muitas igrejas distribuem pães especialmente abençoados, os "pãezinhos de Santo António", que devem ser guardados em uma lata de mantimentos para que não falte alimento na casa.
Ele teve inclusive uma brilhante carreira militar póstuma. Inúmeras cidades da Espanha, Portugal e Brasil lhe conferiram títulos militares, condecorações, insígnias e outras honrarias, iniciando-se o curioso hábito quando o regente Dom Pedro ordenou em 1668 que ele fosse recrutado e assentasse praça como soldado raso no II Regimento de Infantaria em Lagos, sendo promovido sucessivamente a capitão e coronel. Com o posto de tenente-coronel, sua imagem foi levada pelo XIX Regimento de Infantaria em Cascais à frente dos combates da Guerra Peninsular, recebendo depois uma condecoração. D. João VI, após o feliz desembarque no Brasil em sua fuga da invasão napoleónica, o nomeou sargento-mor, promovendo-o depois a tenente-coronel. No Brasil foi onde recebeu mais títulos, recebendo inclusive soldo em vários locais até depois de proclamada a República. Em Igarassu foi nomeado oficialmente Protetor da Câmara de Vereadores.

Festividades - Portugal


Em Portugal, Santo António é muito venerado na cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é feriado municipal.
As festas em honra de Santo António começam logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza as marchas populares, grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros.
Um grande fogo de artifício costuma encerrar o desfile. Os rapazes compram um manjerico (planta aromática) num pequeno vaso, para oferecer às namoradas, as quais trazem bandeirinhas com uma quadra popular, por vezes brejeira ou jocosa. A festa dura toda a noite e, um pouco por toda a cidade, há arraiais populares, locais de animação engalanados onde se comem sardinhas assadas na brasa, febras de porco (fêveras), caldo verde (uma sopa feita com couve galega, cortada aos fiapos, o que lhe confere uma cor esverdeada) e se bebe vinho tinto. Ouve-se música e dança-se até de madrugada, sobretudo no antigo e muito típico Bairro de Alfama.
Santo António é o santo casamenteiro, por isso a Câmara Municipal de Lisboa costuma organizar, na Sé Patriarcal de Lisboa, o casamento de jovens noivos de origem modesta, todos os anos no dia 13 de Junho. São conhecidos por 'noivos de Santo António', recebem ofertas do município e também de diversas empresas, como forma de auxiliar a nova família.
 Igreja e Museu Antoniano em Lisboa
Situados perto da Sé Patriarcal de Lisboa, o Museu e a Igreja Antoniana em Lisboa são o centro da devoção ao santo lisboeta, em especial no dia que lhe é dedicado, 13 de Junho.
O Museu Antoniano é um museu monográfico dedicado à vida e veneração do santo, exibindo, em exposição permanente, objectos litúrgicos, gravuras, pinturas, cerâmicas e objectos de devoção que evocam a vida e o culto ao santo.
O Museu fica anexo à Igreja, local onde, de acordo com a tradição, nasceu o santo. Em conjunto, esses dois espaços constituem um dos mais importantes locais de homenagem ao mesmo.
No ano de 1995 comemorou-se o 800.º aniversário do seu nascimento, com grandes celebrações por toda a cidade de Lisboa. (Wikipédia)