quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Adriano Augusto da Silva

Natural de Tavarede, onde nasceu no dia 18 de Agosto de 1898, filho de Augusta da Cruz e de António Francisco da Silva. Casou, em Maio de 1921, com Maria Joana da Cruz, filha de José Maria Cordeiro e de Ana da Cruz, da qual se divorciou em Outubro de 1924. Em segundas núpcias, casou com a conhecida amadora teatral Violinda Nunes Medina, em Julho de 1925. Faleceu no dia 26 de Outubro de 1979.


Exerceu actividade profissional nos escritórios da Companhia dos Caminhos de Ferro na Figueira, tendo sido destacado, ainda que por curtos períodos, para Celorico da Beira, onde ocupou o lugar de chefe da estação, especialmente durante uma doença de sua esposa, a amadora Violinda Medina, que, por recomendação médica, carecia dos puros ares da Serra.


Foi destacado elemento nas colectividades locais. No Grupo Musical e de Instrução, além de director, foi professor na sua escola nocturna e fez parte do seu grupo cénico, revelando-se um razoável amador, especialmente em operetas, pois era dotado de boa voz de tenor.

Era um dos três cantores que cantava no coro daquela colectividade nas festas religiosas para que era solicitado.


Quando aquele grupo cénico cessou a sua actividade, em 1931, acompanhou sua esposa na mudança para a Sociedade de Instrução, onde, enquanto a saúde lho permitiu, colaborou, no desempenho das funções de contra regra.


Também teve uma passagem, ainda que relativamente breve, pelo grupo cénico do Ginásio Clube Figueirense.


Como músico, fez parte da Tuna do Grupo Musical, tocando flauta. No ano de 1923, foi eleito membro da Junta de Freguesia.
Um dos trabalhos de Adriano Silva

Ocupava os seus tempos livres com uma actividade muito curiosa: vasculhava os locais onde sabia que despejavam lixos, procurando “cacos” de louça pintada, especialmente tigelas e chávenas. Utilizava, pacientemente, os pequenos retalhos em colagens que fazia em jarras e vasos, formando interessantes peças decorativas.
Caderno: Tavaredenses com História

Sociedade de Instrução Tavaredense - 50


As obras de ampliação e transformação do edifício da sede iniciaram-se, simbolicamente, no dia 28 de Maio de 1960. No final do espectáculo então realizado, no qual se fez a estreia de duas novas peças, “O Beijo do Infante” e “O Dia Seguinte”, todos os amadores, antigos e actuais, foram convidados a irem ao palco para, em despedida, pisarem as suas velhas tábuas pela última vez. “Sobre aquelas tábuas carunchosas, onde tantas e tantas horas de alegria e aborrecimentos imperecíveis eles passaram, assistiram ao arranque da primeira tábua, operação esta que foi executada pela categorizada e premiada amadora, srª D. Violinda Medina e Silva, e receber as entusiásticas saudações da numerosa assistência, que bem traduziam o seu reconhecimento pelos momentos de prazer que lhes haviam proporcionado”.
Esqª. - O Beijo do Infante


Dirtª - O Dia Seguinte



Enquanto esta singela cerimónia se realizava, “caíam sobre os amadores milhares de pétalas de flores”. E no dia imediato, durante um baile, a direcção procedeu a um leilão do camartelo que, pela meia noite, iria dar início às demolições. Coube à srª D. Conceição Ferreira Sotto-Maior a honra de dar a primeira martelada, pois foi ela quem ganhou esse direito naquele leilão.
Recordemos que, quando foi iniciado o arranque das velhas tábuas, a amadora Violinda Medina e Silva formulou o seguinte pedido, aos responsáveis: “Por favor, guardem umas tábuas, do proscénio, para irem comigo no meu caixão”. Foi-lhe feita a vontade. E algumas daquelas tábuas, onde o seu grande talento se manifestou em tantas e tantas representações, foram religiosamente guardadas e, cumprindo o seu desejo, acompanharam-na na sua derradeira viagem, no ano de 1982.
Com o decorrer das obras pararam os espectáculos na nossa terra. Mas, durante alguns meses, ainda prosseguiu a actividade do grupo cénico. Já haviam ido a Alcobaça e a Ourém. Seguiram-se, depois, deslocações a Torres Vedras, Amarante, Vila Real e, novamente, Vila Nova de Ourém. A propósito da deslocação a Amarante e Vila Real, uma jornada triunfante organizada pelo saudoso figueirense, Engenheiro António Maria Gravato e sua esposa, então residentes na primeira daquelas localidades, respigámos, das palavras proferidas à despedida: “... nós, aqui na Serra, orgulhamo-nos de possuir “águias”, mas lá para as bandas da Figueira da Foz, nos choupos e salgueiros do ribeiro da pitoresca aldeia de Tavarede, também se “criam” extraordinários “rouxinóis” que, pelas suas melodias e cantares, nos transportam, por momentos, às regiões do sonho”.
As obras caminharam com grande vontade. No entanto, o seu custo não tardou em ultrapassar as disponibilidades existentes. E assim, “entendeu a direcção, com perfeita concordância do director do grupo cénico, que seria grande erro dispor desde já de um excelente Teatro e não o utilizar, à espera que se concluissem, noutras dependências da sede, obras cuja realização a falta de recursos não permite encarar imediatamente. Reconhecida por todos a conveniência de o grupo cénico retomar, tão depressa quanto possível, a sua actividade, interrompida há um longo ano, resolveu-se pedir as vistorias à casa e à instalação eléctrica, que foram aprovadas. Assim, o teatro foi posto a funcionar, tendo-se dado o primeiro espectáculo no dia 16 de Dezembro de 1961, com a peça em 2 actos e 24 quadros “Terra do Limonete”.
É enorme a lista de entidades públicas e particulares, empresas e amigos da colectividade que, reconhecendo o merecimento da SIT, acorreram a prestar o seu generoso auxílio. Em materiais, oferecidos ou com preços mais reduzidos, mão de obra, transportes e dinheiro, imensas foram as ofertas. As associações congéneres do concelho e, até, algumas de fora do concelho, também contribuiram. Volumosa correspondência confirma o que referimos.
“A data de 16 de Dezembro de 1961 ficará assinalada nos anais da história da nossa querida terra, como marco imorredoiro. Em cerimónia simples, imposta pelas circunstâncias, retomou a sua actividade o grupo dramático da prestante associação. Lotação esgotada, contando-se entre a numerosa assistência figuras de relevo da distinta sociedade figueirense e muitos amigos de Tavarede, vindos das mais diversas localidades do País”

Na Terra do Limonete

Do êxito que foi a apresentação desta “Terra do Limonete”, não vamos referir nenhum comentário da imprensa. Preferimos transcrever a opinião de um “velho” amigo da colectividade, ilustre pedagogo e estudioso das “coisas” da nossa terra e da Figueira, que é o Professor Dr. José Pires de Azevedo, que assistiu, tempos depois, a uma récita e escreveu a Mestre José Ribeiro. “Dizer-lhe que gostámos, dizer só isso, positivamente não chega; mas também não estamos habilitados a fazer uma verdadeira crítica; até porque nos falta o tempo e assistimos a uma única exibição; e uma crítica requer estudo, meditação, revisão das cenas, coisas todas impossíveis para nós. Assim optamos por uma solução intermédia, apontando o que mais nos impressionou. Agradou-nos a sua “fantasia” salpicada de história; agradou-nos o carácter do mobiliário e encantaram-nos alguns cenários; agradaram-nos alguns números de lindo efeito coreográfico e a riqueza do guarda-roupa; agradaram-nos certos passos evocativos (por exemplo, as “velhas” do Garrett e o “palácio em ruínas”) e agradaram-nos os artistas (nunca vi melhor “Auto do Vaqueiro”, o melhor quadro, para mim); e alguns jogos de luz, alguma música e certos movimentos, em cena e fora de cena, igualmente nos agradaram. Mas nós fomos a Tavarede também para apreciar a “casa nova”. E é uma acolhedora salinha: a melhor actualmente existente na zona”.


Sessão solene da inauguração da nova sede (reconstrução)

Sociedade de Instrução Tavaredense - 49

Merece, também, uma referência a oferta que o grande amigo da colectividade e distinto artista, professor Alberto de Lacerda, fez de um quadro, de sua autoria, para que fosse sorteado a favor das nossas obras. Esse quadro “Quimono”, esteve exposto numa montra do Bairro Novo. “Reconheci, na pureza das linhas e no valoroso equilíbrio dos tons, a arte de quem pinta como poucos... Quimono, uma figurinha de Musmée, é um trabalho perfeito, equilibrado, de colorido bizarro e difícil, que o pintor conseguiu com extraordinária visão e perfeita técnica. A cor baça, macilenta, sem brilho dos Orientais, em contraste com a luz e o esplendor das sedas e dos atavios é difícil de conseguir, principalmente em trabalhos a têmpera, nos quais a luminosidade, a nitidez e os contrastes só podem ser obtidos por artistas com larga experiência do género”, escreveu, então, Orsini Miranda, também ele pintor distinto.

E em Março de 1959, nova peça é representada pelo nosso grupo, “As árvores morrem de pé”, que foi um dos grandes êxitos da Companhia do Teatro Nacional, onde atingiu duas centenas de representações. Tivemos sorte em ver as duas representações: em Tavarede e em Lisboa. E, se não pudemos deixar de apreciar a extraordinária categoria de Palmira Bastos, no papel de Avó (aquela Palmira Bastos que foi casada com o tavaredense Almeida Cruz), também o mesmo papel teve interpretação de igual nível pela nossa amadora Violinda Medina. Isto no dizer de críticos de teatro de reconhecido valor. “Minucioso e perfeito no detalhe, correcto e elegante nas atitudes, belo na intuição e na intenção do dizer, nada mais dizemos a não ser que esta Amadora é uma Grande Artista!”. Estas palavras referiam-se à interpretação de Violinda Medina.




















E chegámos ao primeiro Concurso de Arte Dramática das Colectividades de Cultura e Recreio. Quando recebeu o regulamento, a direcção quis ouvir o grupo cénico sobre o assunto. “O director do grupo cénico, senhor José Ribeiro, expôs o seu ponto, manifestando-se contrário à participação da SIT naquele concurso, prometendo, no entanto, assumir as responsabilidades atribuidas no regulamento aos ensaiadores dos grupos, se a Sociedade resolvesse concorrer. Após demorada troca de impressões resolveu-se, não obstante o parecer contrário do director cénico, que a SIT fizesse a sua inscrição”.

O resultado obtido é visivel nos diplomas que estão expostos na nossa sede. O grupo concorreu com as peças “Frei Luís de Sousa”, na categoria “drama”, e com “Os Velhos”, em “comédia”. Depois das provas eliminatórias realizadas em Tavarede, o nosso grupo foi apurado para a fase final com “Os Velhos”.

Recordamos, aqui, os prémios que nos foram atribuídos no referido concurso, na categoria B – comédia:
= Prémio “Francisco Taborda” – 2º lugar, para a colectividade;
= Prémio “Carlos Santos” – para o ensaiador;
= Prémio “Maria Matos” – Melhor interpretação feminina – Violinda Medina, no papel de “Emília”;
= Prémio “Chaby Pinheiro” – Melhor interpretação masculina – António Jorge da Silva, no papel de “Bento”.

Ainda foram atribuídas duas “Menções Honrosas”: a João da Silva Cascão, no papel de “Patacas” e a José da Silva Ribeiro, pela encenação de “Frei Luís de Sousa”.
Violinda Medina e Silva (Melhor interpretação feminina - comédia) - Na foto 'O Pranto de Maria Parda - outra das suas enormes criações

Como nota curiosa, recordamos que Violinda Medina e José Ribeiro ofereceram, para o fundo das obras, o valor pecuniário dos seus prémios. “Infelizmente, porém, o prémio do ensaiador não foi recebido, em virtude de contra o estabelecido no regulamento, o prémio “Carlos Santos” atribuído, ter sido reduzido para 2.500$00, recusando-se o sr. José da Silva Ribeiro a receber do SNI outra importância que não seja os 5.000$00 fixados no regulamento”. Lá ficaram!
Foi o grupo cénico que mais prémios obteve. Não resistimos a transcrever um bocado de uma crónica que, a propósito deste concurso, escreveram “Os engenheiros de obras feitas”, num jornal figueirense: “... Quer dizer, os primeiros Artistas-Amadores do teatro português de comédia, são tavaredenses. As distinções que definem bem o valor de uma colectividade com uma vida dedicada ao teatro, e que traduzem, ainda, uma enorme honra para a Figueira da Foz. E é aqui que queríamos chegar: Como se manifestou a Figueira no seu regozijo e no merecido agradecimento à Sociedade de Instrução Tavaredense? Em nada, absolutamente nada. Que contraste, que tristíssimo contraste com o acolhimento que a nossa vizinha Leiria dispensou ao seu grupo “Miguel Leitão”, que alcançou 2 prémios com a representação do drama “Tá-Mar”. O grupo leiriense foi recebido nos Paços do Concelho da sua terra por toda a vereação municipal, numa sessão solene em que participou toda a população. A Câmara Municipal, atribuindo-lhe a medalha de ouro da cidade deliberou, ainda, aumentar de 6 para 10 contos o subsídio que lhe dá anualmente”. Outras manifestações ainda teve o grupo “Miguel Leitão” pelos 2 prémios obtidos.

“E as entidades oficiais como é que manifestaram o seu reconhecimento à SIT pelos quatro prémios que ela alcançou para a nossa terra? Nem uma simples referência, nem um modesto voto de louvor se tornou público (e tem havido tantos nestes últimos tempos!) a galardoar tanto esforço, tanto trabalho pela instrução e pela beneficência do nosso concelho! E se nos anais da nossa Câmara há registos que honram e enobrecem, a obra da SIT devia ficar ali vinculada em letras de ouro, em preito do muito que ela tem prestigiado a nossa Figueira da Foz”.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

António Marques Lontro Júnior

Filho de António Marques Lontro e de Joaquina Domingues, faleceu no dia 13 de Março de 1966, contando 74 anos de idade. Houvera nascido a 1 de Dezembro de 1891.

Foi casado com Piedade Gaspar, tendo os filhos: Benjamim, Vitalina, Maria da Piedade e Manuel.

António Amaral e Piedade Gaspar

Era canteiro de profissão.
Foi sócio e colaborador do Grupo Musical e de Instrução Tavaredense desde a sua fundação, sendo eleito secretário da Direcção na primeira Assembleia Geral. Tocou flauta na Tuna desta colectividade.
Colaborou, também, com a Sociedade de Instrução Tavaredense, fazendo parte da sua orquestra durante alguns anos.


Em 1925, fez parte da Comissão Paroquial de Tavarede.
O Grupo Musical homenageou-o nomeando-o seu sócio honorário.

Caderno: Tavaredenses com história

João Adelino da Silva Pereira

Nasceu em Tavarede no dia 7 de Junho de 1913 e faleceu em Cantanhede, em 28 de Dezembro de 1967.

Tirou o curso do magistério primário em Coimbra e, enquanto exercia a sua actividade de professor, matriculou-se na Universidade daquela cidade, onde se licenciou em Direito.

Passou a exercer advocacia em Cantanhede, onde foi nomeado presidente da Câmara e ali desenvolvendo intensa actividade, nomeadamente nos campos da assistência rural, no abastecimento de águas, fomento escolar e cultural, etc.

Publicou “As obras públicas municipais e as suas limitações” e “O dever de servir – imperativo de consciência”.

“… Filho de Tavarede, há largos anos pertencia também a Cantanhede, onde exerceu advocacia e a cujo município presidia há quase 7 anos, exibindo uma distinta folha de serviços prestados ao concelho que administrava: assistência rural e abastecimento de águas, fomento escolar e cultural, etc.: lembremos, do domínio cultural, os actos de 1965 celebrados na vila, em memória do 3º. Conde de Cantanhede, vencedor da batalha de Montes Claros. Reflexos dessa jurisprudência aplicada aos temas administrativos são também os escritos que apresentou ao X Congresso Beirão, em 1965”

“Entretanto, o mais destacado campo de sua acção de homem e jurista prudente foi o ensino. O dr. Silva Pereira começou a sua vida profissional como professor primário e casou com a srª D. Julieta Gonçalves da Silva Pereira, igualmente professora primária. Tais factos não parecem acidente, antes se afiguram inerentes à estrutura daquele espírito, revelada ainda, mais ou menos notoriamente, em outros actos como: a criação e direcção do Colégio Infante de Sagres, o mais populoso estabelecimento de ensino particular da zona; o apoio oficial dado à criação da Escola Técnica de Cantanhede; a comunicação, cheia de actualidade, apresentada ao I Congresso Nacional do Ensino Particular (1965), sobre “A rede escolar nacional e os estabelecimentos do ensino particular”; e o movimento, que umas vezes iniciou e outras vezes secundou, tendente ao estabelecimento de boas e afectivas relações de vizinhança entre os estabelecimentos de ensino, dentro das zonas e nas regiões”.

A Câmara de Cantanhede, em reconhecimento da obra deste ilustre tavaredense, homenageou a sua memória atribuindo o seu nome à avenida à beira-mar, na Praia da Tocha, daquele concelho.

Caderno: Tavaredenses com história

Manuel Nogueira e Silva


Natural de Tavarede, onde nasceu no ano de 1907, era filho de Francisco da Silva Proa e de Amélia Augusta Nogueira e Silva. Casou com Fernanda da Silva Ribeiro e teve dois filhos: Madalena e João José. Faleceu no dia 10 de Dezembro de 1964. com 57 anos de idade.

Tipógrafo de profissão, era o proprietário da Tipografia Nogueira, na Figueira.

Foi amador dramático de elevada categoria. A primeira vez que o seu nome aparece na imprensa, é em 1916, numa notícia referente a uma “Festa da Árvore”, onde recitou a poesia A Luz do ABC. Integrou-se no grupo cénico do Grupo Musical protagonizando algumas peças, mantendo-se ali até esta colectividade acabar com a sua secção teatral.

Juntamente com Violinda Medina e outros, foi um dos elementos que transitaram para os amadores da Sociedade de Instrução, onde fez a sua estreia, em 1931, no papel de Jorge, em Os Fidalgos da Casa Mourisca.

Até ao ano de 1951, em que abandonou a actividade teatral, participou em diversas peças ali levadas à cena. Na primeira série de Chá de Limonete desempenhou os personagens de D. Sancho I, Fernando Gomes de Quadros e O Teatro, com que terminou a sua carreira.

Tavarede Futebol Clube (1946),
com Fernando Reis, à sua direita

Amador de largos recursos, tanto no drama como na comédia, entrou, entre muitas outras, em As pupilas do Senhor Reitor, Justiça de Sua Majestade, A Cigarra e a Formiga, O Sonho do Cavador, O Grande Industrial, Entre Giestas, Génio Alegre, Envelhecer, Injustiça da Lei, etc. Desempenhou, de forma a merecer muitos elogios, o papel de Joane, o parvo, no Auto da Barca do Inferno.


Em 1955, em espectáculo evocativo, voltou a reviver o personagem Miguel Mateus, em Entre Giestas.


Desde Os Fidalgos da Casa Mourisca “… sereno e grave, reflectido na sua pouca idade e sabendo sacrificar as aspirações do coração ao que ele considera o seu dever de filho”, até ao Teatro, onde “actua primorosamente mostrando poder convencional”, encontram-se muitas críticas elogiando as suas interpretações.


Morreu muito novo. “Talvez que a natural bondade de que era dotado, o conduziu tão cedo a pagar à Natureza o tributo que todo o ser humano lhe é devedor. O sentimento artístico que possuía, generosamente herdado dos seus ascendentes, manifestou-o, além de em outras actividades, na sua profissão de tipógrafo consciencioso e de amador dramático do melhor quilate, e a demonstrar esta nossa asserção está o facto de ainda não há muito tempo, o ilustre director cénico da SIT, de que fez parte durante largos anos, ter-lhe tecido, publicamente, os maiores e mais significativos louvores”.

Caderno: Tavaredenses com história

Sociedade de Instrução Tavaredense - 48

A Conspiradora (Violinda Medina 'Marquesa dos Arcos' e João de Oliveira Júnior 'Conde de Riba d'Alva')

Voltemos, uma vez mais, ao teatro. Pelo 53º aniversário da sua fundação, foi levada à cena, em primeira representação, a peça “A Conspiradora”, “peça duma categoria indiscutível (ainda há muito pouco esteve em cena em Lisboa, no Monumental), que agradou em absoluto”.
A um espectáculo que se realizou no final de Fevereiro de 1957, no Casino Peninsular, assistiu o autor da peça, Dr. Vasco de Mendonça Alves, que veio de Lisboa, propositadamente, assistir à récita daquela peça pelos amadores tavaredenses. Mestre José Ribeiro, antes de se abrir o pano, “fez a apologia dos seus dotes de dramaturgo e, no final do 2º acto, a assistência solicitou a sua comparência no palco, tendo-lhe D. Violinda Medina feito entrega de um delicadíssimo ramo de flores, gesto que foi sublinhado com calorosos aplausos”. O ilustre visitante manifestou, publicamente, nítida satisfação pelo feliz desempenho e triunfo obtido pelos tavaredenses com esta sua peça.

Em todas as deslocações que efectuaram, com esta peça, triunfaram em absoluto. As críticas foram unânimes. “Efectivamente, foi um dos mais belos espectáculos a que temos assistido. É que “A Conspiradora” é, simplesmente, uma admirável peça de Teatro repleta de emoções. O seu enredo tem-nos presos do princípio ao fim da representação. Na sua acção perpassa e vibra a alma das antigas lutas liberais. As situações, por vezes hilariantes, casam-se perfeitamente com as cenas dramáticas, algumas das quais violentas. A dedicação à Pátria, o amor da Família e o sacrifício por uma Causa, são temas nela tratados pelo ilustre autor, na realidade, de maneira superior. Fala-nos simultaneamente à inteligência e ao coração – o precioso relicário que guarda os sentimentos bons e maus do homem. Apesar de terem decorrido já algumas dezenas de anos sobre a data da sua estreia, o assunto é actual.
E os humildes amadores, ensaiados pela mão de fada de José da Silva Ribeiro, conseguiram, o que constitue um dos seus maiores títulos de orgulho, na interpretação das figuras que lhe foram distribuidas, “dominam” completamente a selecta e distinta assistência, que enchia o teatro, arrancando-lhe vibrantes e entusiásticos aplausos, pois a representação, por vezes, foi interrompida, tal a profunda emoção causada durante algumas cenas e em que, para não ferirmos susceptibilidades não citaremos nomes, alguns brilharam a grande altura. Não exageramos, portanto, em afirmar que todos ficaram satisfeitos: o autor, o grupo e o público, cuja opinião é sempre de considerar. Assim vale a pena trabalhar...”.

Entre as várias localidades aonde se deslocou com esta peça, conta-se Torres Novas. “O grupo dramático da SIT inscreveu, com a sua ida, pela primeira vez, a Torres Novas, onde foi dar mais um espectáculo de beneficência, nova página gloriosa nos anais da vida da humanitária colectividade”. Foi uma jornada triunfante. “A retirada, fez-se eram já 4 horas, tendo todos os tavaredenses regressado saudosos e gratos por tantas provas de gentileza, que calaram bem fundo no coração de todos e tornaram inesquecível esta sua triunfal jornada a Torres Novas”.
Em Novembro de 1957, Mestre José Ribeiro proferiu, na colectividade, a sétima palestra sobre teatro. Deu-lhe o título “O Teatro na Antiguidade”, descrevendo representações teatrais anteriores aos clássicos gregos; um drama do século de Salomão, que a Bíblia conservou entre os livros do “Velho Testamento”: o Cântico dos Cânticos. “Apesar de convalescente do forte ataque de gripe asiática, que o reteve no leito alguns dias, o brilhante orador soube com seu habitual à-vontade e profundo conhecimento do assunto versado, em que é considerado Mestre, prender a atenção da assistência, pois lhe ofereceu mais uma das suas esplêndidas lições, sob o ponto de vista Teatral e até Religioso”.
Para comemorar o cinquentenário da morte do poeta e dramaturgo D. João da Câmara, o grupo cénico tavaredense levou à cena a sua principal obra teatral, “Os Velhos”. Esta efeméride passou despercebida por toda a parte, menos em Tavarede. No “Despertar”, de Coimbra, vem o comentário. “Este desinteresse dos doutores em Teatro em Lisboa e Porto e dos grupos dramáticos de Coimbra por D. João da Câmara, foi quebrado (e, vá lá!, digamo-lo com um hiper-bairrismo que cremos perdoável, “puxemos a brasa... ao nosso distrito”) pelas raparigas e rapazes de Tavarede, por essas moças e moços – e sê-lo-ão sempre porque, em boa verdade, o que conta não é o embranquecimento dos cabelos ou o enrugamento do rosto, mas o encanecimento e as rugas do espírito – Amadores do Teatro e da Cultura que, conduzidos por um outro Amador, cujos limites da sua “cultura oficial” desconhecemos, mas cuja “cultura real” sabemos ser grande, ocuparam os ócios dos seus mesteres tão árduos a erguer sobre as tábuas do palco da Sociedade de Instrução Tavaredense, a obra-prima do teatro de D. João da Câmara, uma das mais belas senão a mais bela obra de todo o nosso teatro – Os Velhos”.

Os Velhos - Cena da ceia - 3º. acto

Figueira, Marinha Grande, Alhadas, Coimbra, Alfarelos, Quiaios, Santana, Torres Novas e Vila Verde foram as localidades onde se apresentaram os tavaredenses com esta peça e em espectáculos cuja receita reverteu a favor das obras da nossa colectividade.