terça-feira, 21 de dezembro de 2010

NATAL


A todos os meus Amigos Leitores, suas Famílias e para todos os Tavaredenses, em geral, e figueirenses, desejo que passem com a maior Paz e Tranquilidade a quadra Natalícia que nos está a chegar.

Igualmente aproveito para desejar um Novo Ano de 2011 bastante melhor do que este que está a terminar.

Saúde para todos e, aproveitando a oportunidade, agradeço o me terem acompanhado nestas minhas histórias sobre a minha Terra, Tavarede, terra do limonete, e, em especial, sobre a vida das nossas Colectividades e aqueles que, embora já tenham partido, nos deixaram o exemplo da sua vida dedicada à sua terra.

Boas Festas para todos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sociedade de Instrução Tavaredense - 74

O Teatro em Tavarede continuava. A nova encenadora, Ana Maria Caetano, pôs em cena, como se referiu, a peça musicada ‘Terra do Limonete’. Agradou bastante. Uma nota crítica refere “Peça escrita pelo saudoso mestre José da Silva Ribeiro, há trinta anos, o seu texto, que nos conta a história de Tavarede desde o século XVI, numa harmoniosa sequência de quadros de fantasia com outros de tradição e pitoresco local, ainda hoje se mantém perfeitamente actual. Assistimos a um dos últimos espectáculos e ficámos agradavelmente surpreendidos com a representação onde a par de antigos e consagrados amadores, surgem muitos elementos novos com excelentes qualidades para fazer teatro. O público que enchia por completo a sala, não regateou fortes e merecidos aplausos ao grupo de Tavarede, ao qual também nós endereçamos os nossos parabéns”.

Integrada no programa comemorativo do 88º. aniversário, a Sociedade de Instrução Tavaredense levou a efeito um acto inédito: ‘a Estafeta do Teatro’. O trajecto escolhido, entre Coimbra (frente ao Teatro Académico de Gil Vicente) e a nossa sede, levou os participantes a cumprimentarem o Grupo de Teatro Amador de Taveiro, saudaram o CITEC, em Montemor-o-Velho, e evocaram, em Maiorca, o Actor Dias.

Para o espectáculo de gala foi ensaiada a peça de Molière ‘O Avarento’, que o grupo levou nesse ano às Jornadas de Teatro Amador, mas, devido a doença de um amador teatral, o espectáculo do aniversário teve de ser adiado, tendo sido convidado, para sua substituição, o Grupo Instrução e Recreio Quiaiense, que igualmente apresentou uma peça de Molière, ‘Médico à Força’.

‘O Avarento’

Foi com esta peça que comemorou o ‘Dia Mundial do Teatro’. E a propósito, aqui deixamos a transcrição da notícia que o jornal ‘O Figueirense’ publicou. “Tavarede, capital do nosso teatro amador concelhio, não poderia, como sucedeu em tantas localidades, deixar de assinalar o Dia Mundial do Teatro, que se comemorou no passado dia 27 de Março. É que se Tavarede tem tradições teatrais como ninguém, a verdade é que todo um Passado glorioso e um Presente não menos digno aumentou as responsabilidades da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Assim o entenderam, e muito bem, os seus actuais dirigentes, fazendo subir ao palco, na passada sexta-feira, um senhor chamado Molière, um homem que a todos deu o privilégio da alegria, traduzida e provocada pela magia da arte teatral. E não resistimos a transcrever afirmações de Mestre José Ribeiro, em carta a um amigo, a respeito deste autor universal: “Pois o Molière é um bom amigo. A graça com que ele ri! A ironia com que ele critica! A profundidade do seu estudo da sociedade do seu tempo! Tenho rido com ele. E tenho pensado”.

E estamos certos que com Molière riram os muitos assistentes que na sede da SIT quase, quase enchiam o salão de espectáculos, numa noite em que o ingresso era livre, tal como o riso que os amadores de Tavarede souberam extrair de um texto, a que somaram a postura natural própria, ou só própria, daqueles que sentem Molière. Mas Molière não faz apenas rir (o que já era suficientemente saudável), mas também provoca a reflexão. A reflexão sobre acto de viver, nas suas mais contrastantes situações, o repensar de atitudes no diálogo quotidiano que o Homem trava com o Homem.

E “O Avarento”, peça em 5 actos, é (pode ser) o espelhar do que antes afirmámos, e embora ela decorra no século XVII, nem por isso o dia a dia… dos nossos dias evita o encontrar de posições similares. É tudo uma questão imaginativa. Antes da representação subiu ao palco o Dr. Pedrosa Russo, presidente do Lions, um clube de serviço que tanto tem feito, com as suas Jornadas de Teatro Amador, para o agarrar do Teatro. Com ele a Drª Ana Maria Caetano, ilustre e dedicada continuadora da linha teatral da SIT. Ambos falaram de Teatro, Teatro que é esperança, que é sonho, que é mentira, que é necessidade; Teatro que desperta a solidariedade, que confere dignidade e combate ao racismo. Teatro que também é um modo de estar na vida. Teatro de que Coimbra vai ser capital, mas que bom seria, foi afirmado, não esquecer o restante distrito, não esquecer, acrescentamos nós, Tavarede”.

Sociedade de Instrução Tavaredense - 73

Pelo aniversário de Janeiro de 1990, o grupo cénico fez a reposição de uma peça que, no ano de 1958, havia sido representada no Teatro da Trindade, em Lisboa, no Concurso de Teatro das Colectividades Amadoras, tendo conseguido honrosas classificações. Do programa das festas comemorativas dos 86 anos da SIT, fez parte a representação, no nosso palco, da peça ‘O crime da Aldeia Velha’, pelo Grupo Experimental de Mortágua, que agradou plenamente ao público tavaredense. Igualmente a nossa terra recebeu, uma vez mais, a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, de Tomar, que gentilmente acedeu ao convite que lhe foi endereçado.

Estas comemorações tiveram um especial carácter, pois o Rotary Clube da Figueira da Foz resolveu editar, em homenagem à memória de José da Silva Ribeiro, cuja capa insere um desenho de Zé Penicheiro. E no dia em que completaria 96 anos de idade, foi prestada mais uma homenagem ao saudoso Mestre de Teatro, com a inauguração do seu busto no largo fronteiro à sede da Sociedade de Instrução Tavaredense.


João de Oliveira Júnior

Mas o ano de 1990 ainda traria um enorme desgosto à nossa Colectividade e a Tavarede. Num acidente em Coimbra o nosso ensaiador, João de Oliveira Júnior, foi atropelado mortalmente. Foi mais um rude golpe para o grupo cénico. ‘Mas o Teatro não podia acabar em Tavarede. Ele já fazia parte dos tavaredenses’. Coube, então, à nossa conterrânea Ana Maria Caetano a responsabilidade do grupo cénico que ‘com muita coragem e determinação e demonstrando o seu grande amor ao Teatro e dedicação à SIT, assumiu o cargo’.

E foi com uma peça de Mestre José Ribeiro que iniciou a sua tarefa. Foi posta em cena ‘Terra do Limonete’, fantasia escrita e representada para a inauguração das obras feitas na nossa sede em 1965. Também esta peça foi representada nas Jornadas do Teatro Amador de 1991.

“Morreu João de Oliveira. O teatro do nosso concelho está de luto. A vida tem destas coisas. Ainda não se esgotaram os “ecos” da homenagem a esse outro grande Tavaredense e homem do teatro José da Silva Ribeiro e morre o seu continuador João de Oliveira. João de Oliveira morreu no passado dia 6 atropelado por uma ambulância quando passava numa passadeira na Av. Sá da Bandeira.
‘Terra do Limonete’

Que ironia do destino! João de Oliveira homem rigoroso no seu trabalho e na sua vida, morre atropelado numa passadeira e por uma ambulância... O teatro está mais pobre. A cultura figueirense que cada vez está mais abandonada e pobre, mais pobre e abandonada ficou com esta morte. Tavarede terra de teatro amador de grande qualidade e tradição perdeu mais um vulto que mantinha a tradição e a qualidade de um teatro que o público reconhecia e se reconhecia nas obras levadas à cena. A Sociedade de Instrução Tavaredense perdeu uma personalidade com que contava para manter a sua obra de cultura e do teatro. Oxalá os Tavaredenses consigam recuperar desta perda e manter o seu teatro, porque a Figueira precisa dele como do “pão (da cultura) para a boca”.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Luís João Rosa

“Faleceu em Tavarede, no último sábado, sepultando-se no domingo, o nosso amigo e dedicado correligionário sr. Luís João Rosa, proprietário da Quinta do Paço e ali, onde residia há anos, gozando da estima e consideração da população.

Deploramos a sua morte porque o tínhamos na conta de um dos nossos mais dedicados amigos e porque ali prestou serviços ao Partido Republicano Português, ainda ultimamente presidindo à Junta de Paróquia local.

O saudoso extinto, que era natural de Lavos, viveu em África alguns anos e, adquirindo alguns meios de fortuna, regressou aqui, comprando a quinta e a Casa do Paço de Tavarede, dedicando-se à lavoura e ao comércio de gados, tendo sempre um talho no nosso mercado. Era muito activo, mas a doença, que ultimamente o minava, prostrou-o no leito e em poucos dias lançou-o no tumulo”. (Outubro de 1916)

Luís João Rosa havia feito a compra do solar e quinta que pertenciam ao Conde de Tavarede, por escritura de 24 de Fevereiro de 1898, pelo valor de 5.000$000.

Pertenceu à Comissão de Beneficência da Freguesia de Tavarede, à Junta de Paróquia local, foi regedor e membro eleito para a 1ª. Comissão Paroquial Republicana, em 1911.

No campo associativo, pertenceu à Estudantina Tavaredense, a quem cedeu o Teatro Duque de Saldanha, instalado no solar que adquirira, e à Sociedade de Instrução, da qual fez parte como membro da Assembleia Geral.
Caderno: Tavaredenses com História

Ezequiel Leite Coelho Fortes

Era filho de António Leite Amaral Teles e de Joaquina Cândida Coelho Fortes. Residia em Tavarede, na sua quinta no caminho da Chã (Simôa), onde hoje está instalada a Junta de Freguesia e a Escola Primária, além de outras moradias.

Morreu a 17 de Janeiro de 1953, com a idade de 98 anos.

Não dispomos de outras informações sobre a sua vida. Recordamo-lo porque era costume, no dia de quinta-feira Santa, a rapaziada ir a sua casa pedir a “esmola”, sendo sempre contemplados com um bom punhado de avelãs, que tinha em abundância, de produção de diversas aveleiras existentes à beira do ribeiro que limitava a sua propriedade.
Caderno: Tavaredenses com História

António Pedrosa de Oliveira

Conhecido por António de Lavos, de onde era natural, e comerciante na Figueira, resolveu, em Abril de 1901, abrir em Tavarede um estabelecimento de mercearias e vinhos, ao Largo do Paço.

Aqui fixou residência até ao seu falecimento, que ocorreu em 21 de Fevereiro de 1912. Tinha 63 anos de idade.

Participou activamente na Junta de Paróquia, tendo sido nomeado regedor em 1904.

Um dia, estando doente, o seu amigo Ernesto Tomás foi visitá-lo. “… felizmente que o achámos melhor, bem capaz de lá para o S. João, mimosear os rapazes daqui, com umas danças e descantes dum rancho catita, que costuma organizar no seu quintal. A mulher, a Rosita que em tempos se dedicava ao palco, e que nos deu uns exemplares traquinas, folgazões, cheios da vivacidade da idade dourada, parecia-nos a mesma, com o mesmo génio franco, risonho, endiabrado, somente modificado um pouco pela idade, que já se acompanha de uma filha, a Josefita, loura, brincalhona, viva como a mãe”. Esta Rosita chamava-se Rosa Pais Pedrosa, era natural de Tavarede e morreu em Abril de 1927, com 83 anos de idade.
Caderno: Tavaredenses com História

Adelino da Cruz Mariano

Tavaredense. Foi um dedicado associativista, exercendo cargos directivos na Sociedade de Instrução e no Grupo Musical. Na primeira, também foi professor da escola nocturna. Enveredou pela carreira militar, tendo falecido em Setúbal, onde residiu durante vários anos.



Deixou uma interessante história. Enquanto residente em Tavarede, o seu meio de transporte era a bicicleta. Quando, profissionalmente, se ausentou da nossa terra, deixou a sua bicicleta, devidamente arrumada, na loja da casa onde morava com sua mãe, na rua Direita, perto do Largo da Igreja.



Um dia, em Dezembro de 1955, já anoitecera havia muito, encontraram sua mãe a passear a bicicleta, à mão, na estrada da Chã. Estranhando o caso, alguém quis saber o que se passava e logo teve a resposta: O Adelino havia escrito à mãe a pedir para alguém dar ar à bicicleta, para as câmaras e pneus não ressequirem.



A boa senhora não quis incomodar ninguém e foi ela mesma passear a bicicleta para lhe dar ar…








Tavarede Futebol Clube – Guarda-redes (1946)

(Caderno: Tavaredenses com História)