sábado, 3 de outubro de 2015
No primeiro de Maio da Várzea - 25
sábado, 27 de junho de 2015
Tavarede no Teatro - 3
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Tavarede - A terra de meus avós - 3
mº. 3 (continua)
sábado, 28 de maio de 2011
UMA VISITA À IERAX
Começamos por ser extremamente bem recebidos pelo sócio-gerente sr. Fernando J. Ferreira da Silva, que tirando uns bons nacos ao tempo de trabalho absorvente, nos forneceu as informações pretendidas bem como nos acompanhou na visita às instalações da fábrica. Ao santuário do plástico afinal.
O início da construção do complexo fabril remonta a 1968, ainda que nessa altura as dependências fossem reduzidíssimas. A sua laboração teve início ainda nesse ano, em pequena e rudimentar escala. Foi adquirida por esta gerência em 1978 tendo, então sim, beneficiado de profundas e progressivas obras bem como sido alargado o parque industrial e a problemática do fabrico.
A sua área – contando com a vastidão dos terrenos circundantes – é de 67 000 m2 sendo a área coberta superior a 6 000 m2.
Situação exacta, já a demonstrámos em “croquis”, no início desta crónica. É fácil lá se chegar.
Número inicial de postos de trabalho (em 1968) – 10.
Em 1978: 50.
Em 1981: 91, sendo 67 homens e 24 mulheres.
Vamos agora tentar explicar, por palavras simples, o que existe de maquinaria: máquinas de extrusão (já explicaremos o palavrão) – 7, de injecção – 4. De impressão e flexografia (até 6 cores) – 4. Corte, soldagem e rebobinagem – 7. De acabamentos – 26. Total – 50, exceptuando as de pequeno porte e de escritório. E ainda as do parque automóvel e de armazém.
Todas estas máquinas juntas formam uma autêntica linha de produção não sendo aproveitáveis sem a ajuda de outras. São de produção sequencial, em espessuras e larguras de filmes e mangas para os diversos fins de aplicação.
E, como é óbvio, vai a administração da fábrica acompanhando a evolução do país tentando desde já preparar o futuro com a procura de novas e actuais máquinas para um melhor acompanhar da produção – isto em forma, também, de novos processos. Faz-se notar que o mercado externo tem outras exigências e qualidades, e desde já se procura emparceirar com a própria CEE.
E a CEE tem muito que se lhe diga. As peças produzidas nos países desta organização têm de ser embaladas em sacos especiais, o mesmo acontecendo aos produtos portugueses, sendo necessário nova maquinaria tendente a cobrir tudo isto. Enfim, toda uma exigência de um saco próprio com as características exigidas – o saco artístico industrial que cobrirá todas as exigências.
Estes irão servir para tudo. Saiem da fábrica em filme técnico, que são umas folhas de plástico bem compridas e largas, que depois, nas fábricas que possuem as máquinas necessárias as vão fechando já com o produto dentro e pronto a seguir para o mercado.
Encontrámos um exemplo deste sistema na fábrica de arroz de Ernesto Morgado, no Alqueidão.
Resumindo: a IERAX produz sacos artísticos e industriais, para uso comercial, e embalagens para fins industriais e agrícolas, quer para consumo interno, quer externo.
Aqueles nossos conhecidos sacos das compras são aqui feitos.
Se seguirmos a linha de produção constatamos que se trabalha principalmente em polietilenos de alta e baixa densidade, que já são produzidos em Portugal pela CNP (Companhia Nacional de Petroquímicos, EP). Depois da entrada deste produto na fábrica, segue para a extrusão, que é a fusão das resinas (polietilenos). Nesta operação as resinas são transformadas em “mangas” e filmes de diversas espessuras, aptos para os fins a que se destinam. Segue-se a impressão, o corte, soldagem e rebobinagem (esta no caso de filmes técnicos).
Produzem cem toneladas mensais. A exportação apenas tem expressão na que provém de valores acrescentados e que a empresa considera exportação indirecta, isto é, produzem-se embalagens para produtos agrícolas, do mar e têxteis, entre outros, que depois são exportados. Consequentemente, o plástico também o é.
A situação económica? Enfim, a crise portuguesa reflecte-se nas empresas. No entanto, os ordenados, caixas, impostos e afins, encontram-se em dia. No dizer do administrador da IERAX as dificuldades provém da própria CNP, que em dificuldade dificulta todas as outras empresas. É que a inflação atinge os 300 por cento. Não sendo da ordem dos 28-30 por cento como por aí tentam fazer crer.
A maioria do pessoal pertence a Tavarede, exceptuando algum pessoal especializado, que vem de fora. Orgulham-se de nunca terem sofrido nenhuma greve ou paralização laboral e consideram-se bem vistos pela população local, para a qual nunca faltam com donativos para as suas beneficências. Acompanham sempre os contratos colectivos de trabalho, não dando azo a reinvindicações.
A empresa IERAX possui ainda um gabinete de desenho, uma secção fotográfica para trabalhos a cores e artes finais e possui fabrico próprio de clichés de fotopolímeros. Os escritórios são computadorizados, possuindo uns vastos arquivos extraordinariamente bem organizados prontos a acudir rapidamente a qualquer solicitação.
Vejam bem: em terrenos, maquinaria e computadores, estão ali quase um quarto de um milhão de contos, isto aos preços de alguns anos atrás! É obra!
A nossa obra, de entrevistar e visitar todo aquele vasto complexo, chegou ao fim. Saímos satisfeitos. Constatámos, mais uma vez que a indústria, no nosso concelho, não se encontra inerte.
sábado, 2 de abril de 2011
CASA SALGUEIRO - 100 ANOS
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Até Deus querer, senhor Administrador!
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
NATAL

segunda-feira, 22 de novembro de 2010
CANTIGAS DE TAVAREDE
Já tinha sido muito bom a classificação anteriormente alcançada em Seia, ficando apurado com representante dos grupos corais da zona centro do País. Mas, havendo só um primeiro prémio (que, segundo informações colhidas foi muito bem atribuído), não deixa de ser muito satisfatório e honroso para a nossa terra, levar o júri a atribuir uma 'menção honrosa' especial ao nosso Coral, pela sua originalidade, categoria e a alegria apresentada, atributos que, já anteriormente, pessoas altamente classificadas, classificaram o nosso Coral como UNICO no género.
Merecem, pois, parabéns todos os componentes, o dedicado e competente Maestro João Cascão, a Sociedade de Instrução Tavaredense e Tavarede.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
CANTIGAS DE TAVAREDE
domingo, 17 de outubro de 2010
CAPELA DO S. PAIO
quarta-feira, 30 de junho de 2010
João Carlos Oliveira Santos
domingo, 13 de junho de 2010
A Escola dos Quatro Caminhos
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Novas e velhas notas de Tavarede
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Rui Monteiro de Sousa
É autor dos trabalhos a expôr o nosso conterrâneo e amigo Rui Monteiro de Sousa. Colega de trabalho durante dezenas de anos, nunca me passou pela cabeça que o Rui tivesse tal dom para trabalhar bocados de madeira, com a ponta do seu canivete. Já tinha visto alguns trabalhos seus, no Grupo Desportivo e Amizade do Saltadouro, na Sociedade de Instrução Tavaredense e numa montra de um estabelecimento na Rua da República. Mas, segundo o folheto distribuido, o Rui vai apresentar novos trabalhos e, pela amostra, serão dignos da maior admiração.
Se a Junta de Freguesia de Tavarede merece parabéns pela iniciativa, não podemos deixar de louvar o trabalho, a dedicação e a arte do nosso amigo Rui.
Permito-me aqui apresentar alguns dos trabalhos a expôr para que possam ser admirados por aqueles que costumam dar uma vista de olhos por este blogue.
O Rui também foi remador da Naval 1º. de Maio. E reproduziu um barco com a sua tripulação de remadores.
Como músico que foi, alguns dos seus companheiros mereceram a sua homenagem. Este boneco estilizado, representa o saudoso amigo António de Sousa 'Bichão', falecido já há alguns anos e que foi grande compositor e excelente intérprete musical, grande amigo da nossa terra, em cuja 'tuna' participou muito tempo.
Nesta fotografia da 'tuna' de Tavarede, vimos, em primeiro plano, à esquerda, o António Bichão, e, lá atrás, tocando bombo, o Rui de Sousa.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Toquins - Família Migueis Fadigas
Não sabemos a origem da alcunha por que ficaram e são conhecidos em Tavarede.
Na fantasia Chá de Limonete, José Ribeiro dedicou-lhe um quadro. “… Há aí uma família que realmente é já uma tradição local, uma dinastia heróica nestes tempos do automóvel e do avião. Uma dinastia valente, corajosa, que trabalha sem desânimo e resiste ao tempo e ao progresso: a grande e laboriosa dinastia dos Toquins!”.
Era uma família de lavradores. Além de amanharem as suas terras, trabalhavam para outros com as suas juntas de bois, nas lavras para as sementeiras.
Manhã cedo, iam com seus carros de bois para a estação de caminho de ferro, para fazerem a distribuição das mercadorias chegadas nos comboios. Também já acabou esta tradição em Tavarede.
Na mão a vara do mando,
Falador e bem disposto,
Seu carro de bois guiando.
Eixe, Cabano!
Vá p’ra diente...
Asta, Castanho...
Ah! boi valente (bis o coro)
Vão os Toquins p’rá Figueira
De inverno como de v’rão,
E por lá ganham o pão
No serviço da ribeira...
Coro - Mas p’ra lavrar terra sua
E também a terra alheia,
São lavradores de mão cheia
Que pegam bem na charrua!
Carreiro - Eixe, Cabano!
etc. etc. etc.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Vitalina Gaspar Lontro
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
João Rodrigues Medina
Começou a representar no ano de 1948, julgo que num espectáculo intitulado 'Noite de Teatro Português', como participante na peça 'Entre Giestas'. A partir de então nunca mais parou. Pelos meus apontamentos (falíveis) representou 108 personagens, nalgumas dezenas de peças.
Será dificil, mesmo para ele, destacar quais as suas melhores e mais bem sucedidas criações. "... Naqueles tempos já distantes (em 1948), era normal os rapazes e as raparigas da minha idade começarem a fazer parte dos elencos teatrais da SIT. Coneçávamos como meros figurantes, cantávamos nos coros, numa ou noutra peça, e conforme o jeito que Mestre José Ribeiro descobria em nós, lá nos dava um pequenino papel, com meia dúzia de falas... Era o rastilho! Começávamos a sentir a responsabilidade de pisar o palco, de representar ao lado daquele extraordinário grupo que, durante tantos anos, formaram um conjunto bem raro em grupos de amadores, e com eles aprendemos a falar, a gesticular e, sobretudo, a ouvir. Era uma honra para nós, rapaziada ainda quase imberbe, estar no mesmo palco em que estavam Violinda Medina, minha saudosa prima, Maria Teresa de Oliveira, João Cascão, António Graça, Fernando Reis, António Jorge, João de Oliveira Júnior e tantos mais. Que me desculpe a memória dos muitos outros que não recordo, mas foram muitos, foram muitos, elas e eles, que acompanhei ao longo de toda a minha carreira teatral e que, com o seu exemplo, tanto me ensinaram, sempre com a melhor amizade e boa vontade...". (retirado do depoimento que escreveu para o livro do centenário da SIT).
Mestre José Ribeiro encontrou no João Medina uma verdadeira aptidão para papéis de composição. Seria hereditário... Mestre José Ribeiro já havia ensaiado seu avô, José Medina, de quem referiu ser "um amador dotado de excepcionais faculdades histriónicas, cómico de grande naturalidade e que no drama se impunha pelo vigor e verdade da sua representação". Tinha a quem sair, não haja dúvidas. Aliás, e da sua família, muitas e muitos foram os amadores que se distinguiram na representação teatral. Temos o exemplo de seu irmão, José, que ainda hoje é dos principais elementos daquele grupo cénico.
No ano de 1998, comemorando os seus 50 anos de actividade teatral, a Sociedade de Instrução Tavaredense prestou-lhe uma justíssima homenagem. Eis um breve comentário da imprensa figueirense: "Podemos dizer que o ponto alto da sessão solene do 94o aniversário da Sociedade de Instrução Tavaredense, (ocorrida na tarde do dia 21) foi atingido com a homenagem a um dos seus mais dedicados amadores a pisar palco, sem desfalecimentos, vai para 50 anos: João Medina, o barbeiro-artista da terra do limonete.
Efectivamente, a emoção do momento contagiou tudo e todos, e o próprio amador não resistiu a ela, deixando brotar ao canto do olho a lágrima de quem vive e sente a arte de Talma com aquela humildade que lhe conhecemos... ... Posteriormente, a directora cénica Ilda Simões, disse algumas palavras sobre a récita apresentada anteriormente, assim como sobre o grande amador teatral, João Medina, distinguido nesta sessão.
Também o Lion Clube da Figueira da Foz lhe prestou homenagem: "... Assim, o que era, tradicionalmente, um circunspecto acto transformou-se numa festa em honra do teatro e da solidariedade, com diversas gerações a marcarem consoladora presença, não regateando aplausos tanto aos que serviram sob a bandeira de modestas colectividades como aos que se guindaram aos pináculos da fama, como é o caso de Eunice Muñoz e Rui de Carvalho.
E foi assim que Jorge Bracourt (Caras Direitas), João Medina (Sociedade de Instrução Tavaredense) e Alfredo Cardoso (Troupe Recreativa Brenhense) puderam constatar que não foi em vão que se dedicaram de alma e coração à mais humana das formas de arte, quando tiveram a honra de receber as Medalhas de Mérito com que foram agraciados pela Câmara, das mãos de Eunice…., sem qualquer vislumbre de representação, encheram de emoção e beleza a sala do Casino na forma como se identificaram como “amadores teatrais”.
Muito mais haveria a contar sobre este excepcional amador dramático. Mas, hoje, ficamos por aqui. Recordamos somente um pequenino apontamento escrito sobre a sessão solene em que foi homenageado pela SIT:
"Para exaltar o amor que há 50 anos João Medina dedica ao teatro e aproveitar o sucesso da sua interpretação modelar em “A Forja” representada na véspera (30 anos depois de a ter representado pela mão dessa saudade, sempre presente que foi Mestre José Ribeiro) para lhe prestar comovente homenagem bem expressa na “placa de prata” da SIT a que a Junta de Freguesia se associou com uma “salva de prata” e os familiares com um quadro alusivo à sua passagem pelo palco, a drª Ilda Manuela aproveitou a oportunidade – saudada de pé pelo público ao som do hino da colectividade pela Tuna – para transmitir aquele nobre exemplo aos muitos acomodados que hoje põem em risco a continuidade do teatro em Tavarede com o seu alheamento e críticas".
E foi com indisfarçável emoção que João Medina recebeu a “Placa de Cidadão Figueirense” afirmando no acto de agradecê-la que “eu é que muito devo ao teatro, o teatro nada me deve!”. E depois de associar à homenagem a figura inesquecível de Mestre José Ribeiro, disse ainda que “o teatro tem sido a razão da minha vida”, razão por que “gostaria de continuar a representar até ao fim da vida”, deixando como desabafo aos presentes que “o teatro é uma mensagem de amor!”.
Associando-se à homenagem o grupo cénico de Tavarede representou, no intervalo do jantar, excertos de peças onde João Medina havia alcançado grandes êxitos – Frei Luís de Sousa, A Forja, e uma comédia – numa actuação brilhante a constituir momento alto da sessão.".