sábado, 19 de janeiro de 2013

O Asociativismo na Terra do Limonete - 6


As primeiras associações - 2

    No final do ano, na Estudantina, o grupo cénico apresentou o seu primeiro drama ‘Escravos e senhores’, em 3 actos, a comédia ‘Morrer por ter dinheiro’ e nova cena cómica ‘Um homem esperto’. Em Março seguinte e “Para solenizarem a data da instalação desta sociedade, que já conta dois anos de existência, reuniram-se no passado domingo no teatro Duque de Saldanha, bastantes sócios, presidindo à reunião o sr. João dos Santos. Além do presidente, que em breves palavras expôs os fins para que se tinham ali reunido, falou o sr. Gentil da Silva Ribeiro, que agradeceu, em nome da Sociedade, a comparência dos presentes e os serviços que alguns srs. têm prestado à Estudantina, entre eles os srs. Manuel e José Cruz. Foram recitadas a cançoneta – Assim assim e a cena cómica Zé Galo na cidade, sendo muito aplaudidos os srs. Eduardo Ferreira e José Medina, pela forma como interpretaram estas duas produções. A sessão decorreu muito animada, dissolvendo-se a reunião com o levantamento de vários vivas, aos indivíduos que mais se têm empenhado pela prosperidade da Estudantina”.

         A actividade teatral e musical prosseguiu com entusiasmo. Não esqueceram, na ocasião própria, ‘o enterro do bacalhau’.  No próximo sábado, a Estudantina Tavaredense realiza pomposamente, como o fez o ano passado, o enterro do fiel amigo, festejando assim a terminação do tempo de jejum e abstinência de comezainas de carne... Haverá sermão prégado por... Não sejamos indiscretos!   A título de curiosidade informo que o primeiro rancho que se organizou na nossa terra, foi pelas festas ao S. João, tendo-lhe sido dado o nome de ‘Rancho do Limoeiro’, e era formado por rapazes e raparigas de Tavarede e de Buarcos.

         Depois do ‘Enterro do bacalhau’, a Estudantina deu dois novos espectáculos. No primeiro, com as comédias ‘O marido vítima das modas’ e ‘O ressonar sem dormir’, 1 acto cada, os entreactos ‘Sardinhas à Rochefort’       e ‘Dois curiosos’ e a cançoneta ‘Sol lá si dó’.
No outro programa acrescentaram mais uma cançoneta ‘Assim, assim’. A notícia refere a seguir: o desempenho foi, quanto podia, muito regular, devendo contudo ser especialisado o de Gentil, Ferreira, Medinas e Maria Augusta. Os amadores foram por isso muito aplaudidos pelos espectadores.

         Nas festas a S. João desse ano recolhemos este pequeno recorte: Havia este anno grande rivalidade entre dois ranchos (as historicas e já agora inevitáveis questões de dansas...): o Alegria, composto exclusivamente de gente de Tavarede e arredores, e em que tocava a Estudantina Tavaredense, dansava n’um largo junto à egreja, e o Limoeiro, de que faziam parte muitos rapazes e raparigas da Figueira, e que dansava n’um quintal à entrada da povoação. De madrugada os ranchos encontraram-se, e, como era natural, houve troca de ditos que em breve degenerou n’alguns bofetões applicados de parte a parte, mas sem consequencias de maior.

         Nesse mesmo ano, pelo Natal, foram levados à cena dois ‘Presépios’. Embora não esclareça em quais associações, temos a quase certeza que terá sido na Estudantina e no Bijou Tavaredense.

         É a propósito desta última associação que, em Janeiro de 1896, novas notícias surgem na imprensa. Terão sido o ‘Presépio’ e o ‘Auto dos Reis Magos’ as primeiras
peças representadas nesta então jovem colectividade, pois, e ainda segundo Ernesto Tomás referiu na sua visita a Tavarede por essa ocasião. 
            As críticas ao espectáculo apresentado no Bijou, foram algo polémicas. Recordemos um pouco: Assistimos, no sabbado ultimo, no pequeno theatro “Bijou Feminino”, á representação dos Reis.     O desempenho, feito por pessoas que não teem a educação própria para o theatro, não nos pareceu mau, ainda que houvesse varias incorrecções e exageros, devidos certamente á maneira como a peça se acha escripta. Distinguiu-se entre todas, no papel de Rachel, mãe d’um dos innocentes mandados immolar por Herodes, a esposa do nosso amigo Proa. Tanto os fatos como as caracterizações, feitas pos Abel dos Santos, não deixaram nada a desejar. Cremos que foi o melhor dos presepios que este anno se representou na Figueira e arredores.

A nota acima foi publicada no jornal ‘Gazeta da Figueira’. Mas, pouco depois, o ‘Povo da Figueira’ escrevia assim: Temos gosado os differentes espectáculos que ultimamente se têm representado no theatro “Bijou Feminino”, cujo desempenho tem sido na verdade surprehendente…           O desempenho d’alguns papeis na representação dos Reis, por pessoas mal educadas… queremos dizer, por pessoas que não têm educação própria para o theatro, não nos pareceu… nem bom nem mau – antes pelo contrario, ainda que houve varias incorrecções exaggeradas, devidas com certeza à maneira como a peça s’acha escripta.
         Em todo o caso estas incorrecções foram resalvadas, devido à intelligencia dos desempenhantes, sobresahindo especialmente o papel de Rachel que foi distribuído a um desempenhante que conseguiu arrincar da plateia os mais avaporados applausos que reduplicaram com muito mais enthusiasmo quando arrincou um dos innocentes dos braços mortiféros de Luciféro que… ficou atrapalhado ao fazer d’aquella… Foi o melhor espectáculo de Reis que este anno se representou na Figueira, Carritos e Cova da Serpe.




Pano de boca do teatro de João José da Costa




















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